INJUSTIÇADOS – 1ª EDIÇÃO

16 02 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Esta é a estréia de mais uma coluna fixa do IMPRENSA ROCKER, que foi batizada de “Injustiçados”. Acredito que o título seja auto-explicativo, mas não custa detalhar um pouco sobre a idéia. Trata-se de uma seção que falará sobre artistas injustiçados, que receberem menos crédito do que o merecido, mas que possuem qualidade para figurar entre os gigantes.

Na coluna, mostraremos um pouco da história do artista, trabalhos que se destacaram e, sempre que possível, alguns vídeos para vocês conferirem o som em questão e opinarem a respeito.

Para a estréia, escolhi uma banda que com certeza figura entre as minhas preferidas – certamente está entre as minhas 10 bandas preferidas: uma pequena grande banda da cidade de Rockford – em Illinois, Estados Unidos -, que apesar do nome, está longe de ser um truque barato. Senhoras se senhoras, lhes apresento o Cheap Trick!

A banda foi formada em 1974, já com três dos quatro integrantes que fariam história nela: o guitarrista Rick Nielsen, o baixista Tom Petersson e o baterista Bun E. Carlos. No vocal estava Randy “Xeno” Hogan, que saiu logo após a formação da banda e foi substituído por Robin Zander. Nielsen, Zander, Peterssom e Carlos apareceram com um som que era uma mistura de Beatles com Hard Rock, cheio de melodia, refrões e solos de guitarra ganchudos e muita diversão. Se fosse para resumir, diria que o Cheap Trick é uma espécie de Beatles com esteróides.

Em pouco tempo eles já eram um dos grandes shows do meio oeste norte-americano, e em meados dos anos 70 assinaram com a “Epic Records”, por pura insistência do lendário produtor Jack Douglas, que havia visto a banda tocar em Winscousin. Em 1977 chegou às lojas o debut homônimo da banda, que apesar de boas críticas, não foi bem nas vendas – entretanto eles começaram a desenvolver uma boa base de fãs no Japão. “In Color”, o segundo álbum, foi lançado ainda no fim de 1977 (dois álbuns em um ano!), e já trazia algumas canções que se tornaram clássicos do grupo, por exemplo “I Want You To Want Me” e “Southern Girls” (está última uma das minhas preferidas).

Em 1978 foi lançado “Heaven Tonight”, considerado por muitos como o melhor trabalho deles, que trouxe o primeiro single a figurar nas paradas norte-americanas: a irresistível “Surrender”. Este álbum tornou o Cheap Trick mega-estrelas no Japão, sendo lá chamados de “Beatles Americanos”. No mesmo ano, enquanto excursionavam pela terra do sol nascente pela primeira vez, a reação do público era tão insana (com traços de Beatlemania) que resolveram gravar os dois shows que fizeram no lendário “Budokan Hall” para lançá-los somente no mercado japonês. A demanda de importação do “Cheap Trick at Budokan” foi tão grande, que a “Epic Records” resolveu lançar o álbum também nos Estados Unidos, o que catapultou a banda ao mega-estrelato mundial (uma história um pouco semelhante com a do Kiss que, após três álbuns de estúdio, explodiram com o disco ao vivo).

No ano seguinte a banda lançou seu quarto álbum, intitulado “Dream Police”. Duas canções do disco se tornaram hits: a faixa título e “Voices”, entretanto a pérola escondida neste álbum, em minha opinião é a faixa “I Know What I Want”, cantada pelo baixista Tom Peterssom, com sua voz anasalada e que cai com uma luva no clima da canção. Em meados do ano de 1980, a banda lançou “All Shook Up”, seu quinto LP, desta vez com o mago George Martin – o produtor dos Beatles e considerado o quinto Beatle – na produção. Nesta altura, o Cheap Trick estava no auge, sendo a atração principal de shows em estádios, entretanto isto não evitou que o álbum tenha assustado os fãs antigos, que acharam o som estranho e experimental demais (sinceramente, discordo totalmente desta opinião. O álbum é bem Straight Rock, com grandes músicas). Na mesma época, Rick Nielsen e Bun E. Carlos participaram das sessões do último álbum de John Lennon, “Double Fantasy”.

Um pouco antes do lançamento do “All Shook Up”, Tom Peterssom deixou a banda, e o baixista Pete Comita foi chamado às pressas para fazer a turnê do álbum. Após um fim da tour, Comita foi substituído por Jon Brant. Em 1982, após alguns imbróglios judiciais, a banda lançou “One on One” (seu sexto álbum), e desta vez com uma sonoridade mais voltada para o Hard Rock. Dois hits saíram deste trabalho: a balada “If You Want My Love” e o rockão “She’s Tight”, cujos clipes ganharam alta rotação na MTV. No ano seguinte, com o grande Todd Rundgreen na produção, eles lançaram “Next Position Please”. Todd quis voltar o som da banda para uma linha mais Pop (meio que uma tentativa de soar com o “In Color”), decisão que se mostrou equivocada e, a partir daí, o declínio do Cheap Trick começou.

Em 1985 a banda esboçou um contra-ataque com o álbum “Standing on The Edge”, que foi classificado pelos críticos como “a melhor coleção de rocks bubblegums explosivos da banda em anos”. O single “Tonight It’s You” fez enorme sucesso e seu clipe recebeu grande veiculação na MTV. Em 1986 saiu o nono LP do grupo, intitulado de “The Doctor”, cuja sonoridade trazia elementos do Funk. Entretanto a idéia não foi bem sucedida, sem contar que os sintetizadores e efeitos sonoros acabaram abafando os outros instrumentos, transformando “The Doctor” no pior álbum da carreira da banda. Pelo menos o disco serviu como um marco na história do grupo, já que Tom Peterssom resolveu voltar para o Cheap Trick.

Em 1988, já com a formação original reunida, eles lançaram o “Lap of Luxury”, cujo maior hit foi a maravilhosa balada “The Flame”. Entretanto várias outras canções se tornaram hits, fazendo com que “Lap of Luxury” recebesse disco de platina e ficasse conhecido como o álbum de retorno do Cheap Trick. Em 1990 saiu “Busted”, o 11º disco do grupo, que fez certo sucesso, mas não o esperado – o único grande hit do trabalho foi “Can’t Stop Falling Into Love”. Quatro anos depois, a banda soltou mais um álbum, “Woke Up With a Monster”, cuja sonoridade era bem mais pesada do que o de costume. Apesar de ser um ótimo trabalho, as vendas foram baixíssimas (para uma banda do nível do Cheap Trick, é lógico).

Após este álbum, a banda resolveu se concentrar nos shows e decidiu só lançar seus álbuns por gravadoras independentes. Em 1997, contratados pela “Red Ant Records”, a banda lançou “Cheap Trick” – outro álbum homônimo –, que pretendia introduzir o Cheap Trick a uma nova geração. O disco foi aclamado pela crítica e considerado um retorno à boa forma, entretanto 11 semanas após o lançamento, a empresa que controlava a “Red Ant Records” declarou falência, e o Cheap Trick, de repente, se viu sem gravadora. Em 1998 eles criaram sua própria gravadora, a “Cheap Trick Unlimited”, e no ano seguinte gravaram o hit “In The Streets”, da banda Big Star, para ser o tema da série “That 70’s Show”. Em maio de 2003, um novo álbum chegou ao mercado: “Special One”, que trazia na faixa de abertura uma canção tipicamente Cheap Trick, mas que no resto do trabalho apresentava músicas quase acústicas.

Em 2006 a banda lançou mais um novo álbum, intitulado “Rockford”, e que em minha opinião é um dos melhores discos de toda a discografia do grupo. Em 19 de junho de 2007, o Governo de Illinois declarou o dia de 1º de abril de todos os anos como o “Dia do Cheap Trick” no estado de Illinois. Naquele mesmo ano, a banda fez uma homenagem aos 40 anos do álbum “Sgt. Peppers Lonely Heart’s Club Band” dos Beatles, tocando o disco na íntegra no “Hollywood Bowl”, acompanhados da Hollywood Bowl Orchestra. Em 2009 foi lançado o 16º álbum do Cheap Trick, “The Latest”, um ótimo álbum mas, em minha opinião, inferior ao antecessor, “Rockford”. Em março de 2010 foi anunciado que o baterista Bun E. Carlos não seria o baterista durante a turnê do grupo, mas que permanecia como integrante da banda. Quem ocupou o lugar de Carlos durante a tour foi Daxx Nielsen, filho do guitarrista Rick Nielsen.

O Cheap Trick, para mim, é uma daquelas bandas que mereciam estar no mesmo nível de fama que um Bon Jovi da vida, certamente num nível muito maior que o U2 mas que, infelizmente, não goza do mesmo prestígio comercial, especialmente no Brasil, onde são ilustres desconhecidos. Desafio vocês e assistirem um show da banda e não se empolgarem com a performance e se emocionarem com as grandes canções. Se contar a presença de palco de Rock Nielsen, que é coisa de louco, e seu verdadeiro arsenal de guitarras – cada uma mais bizarra que a outra (o cara tem uma guitarra de cinco braços!) – sem falar que o Tom Peterssom foi o maluco que inventou o baixo de 12 cordas.

Espero que tenham curtido esta nova seção do IMPRENSA ROCKER, e até a próxima edição de “Injustiçados”.

Discografia do Cheap Trick (somente os álbuns de estúdio):
Cheap Trick (1977)
In Color (1977)
Heaven Tonight (1978)
Dream Police (1979)
All Shook Up (1980)
One on One (1982)
Next Position Please (1983)
Standing on the Edge (1985)
The Doctor (1986)
Lap of Luxury (1988)
Busted (1990)
Woke Up With A Monster (1994)
Cheap Trick (1997)
Special One (2003)
Rockford (2006)
The Latest (2009)

Confira abaixo alguns vídeos da banda e se delicie:

Surrender

Southern Girls

The Flame

I Know What I Want

In The Streets


Ações

Information

18 responses

16 02 2011
Roberto A

Boa idéia a seção. O que conheço dos ‘cara’, é Surrender, e mesmo assim na versão do Velvet Revolver. Sugiro colocar links pra baixar os discos das bandas injustiçadas.

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Robertão! Legal que você tenha curtido a seção. É realmente uma boa colocar links pros álbuns dos artistas da coluna. Abração, meu velho!

16 02 2011
Renato Pina

Olha, já tinha escutado falar deles, mas nunca tinha dado uma chance. Hoje chegou o dia de finalmente eu baixar algo deles e escutar com atenção, pois através dos vídeos eu notei uma banda extremamente agradável de se escutar, com muita pegada.

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Renato! Bicho, conheci os caras bem tarde, por causa da canção “In The Streets”, através da série “That 70’s Show”. Mas desde então me tornei um fã maluco, hehehh. Como os CD’s dos caras são bem difíceis de encontrar por aqui, ainda não completei minha coleção – não tenho o “Lap of Luxury”, o “Standing on The Edge” e o “The Latest” -, mas já já completo a discografia. Se for baixar uma coletânea, recomendo a “Authorized Greatest Hits”. Ela dá uma boa perspectiva sobre a diversidade da banda. Diversão pura, meu velho. Abração!

16 02 2011
16 02 2011
Gabriel Gonçalves

Robertão, coincidência pura: estava agora mesmo asistindo a este vídeo. Sensacional, né? Rick Nielsen é um puta guitarrista, além de uma presença de palco fora do comum. Abração, cara!

16 02 2011
Roberto A

Temos uma sintonia ok brother.
ABRAX

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

rsrsrs… É isso aí, meu velho. Abração!

16 02 2011
Marcos Gonçalves

Banda do cacete Gabêra. Sou um dos pouos a conhece-la bem por aqui.

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

É verdade, Marquêra! Você é um dos poucos que compartilham essa loucura pelo Cheap Trick comigo, rs. Abração, meu velho!

17 02 2011
Pedro

Uma seção muito interessante e que deveria prosseguir, existem muitas bandas excelentes por aí que muitos nunca ouviram falar. Confesso que conheço pouco do Cheap Trick e vou anotar as sugestões para escutar com mais calma dps. Pra mim “The Flame” também é uma das mais belas baladas de todos os tempos.
Abraços

17 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Pedro! Fico feliz que tenha curtido a nova seção – a idéia é fazer dela uma coluna semanal. Eu concordo com você: “The Flame” é uma das baladas mais bonitas da história, sem contar que Robin Zander é um dos meus vocalistas preferidos (e também muito subestimado; ele continua com o mesmo alcance e força dos anos 70). Abração, cara!

17 02 2011
Jacques A. de Melo

As poucas vantagens de ser mais velho (rsrsrs) é ter conhecido algumas coisas bem cedo. E uma delas foi o Cheap Trick. Eu conheço esses caras desde 78 quando adquiri o “LP” Dream Police (até hoje eu tenho esse bolachão novinho).
Cara, sem demagogia, como essa coluna é maneira. Tem muita gente boa aí que ficou no limbo e os mais novos devem conhecer essa galera para, pelo menos, poder analisar com as “porqueiras” que vagabundo escuta hoje. E o pior, na minha opinião, tem uma pá de DJ que caem de pau em cima das bandas antigas como se fossem peças de museu (o exemplo é este retorno do Twisted Sister que muita gente boa, que tem Blog e o cacete meteram o malho. É como se negassem a existência e a obra de Pelé, pelo fato dele estar hoje com 70 anos).
O mais engraçado nesta história é que passei muitos anos dizendo que gosto do Cheap Trick e muita gente, ou nunca ouviu falar ou então dizia: Pô, os caras já eram, você é saudosista.
Por sorte nem tudo está perdido: O meu sobrinho de 14 anos chegou pra mim e perguntou: Tio, você conhece essa música do Led Zeppelin ?? Aí eu “deitei e rolei”..

A propósito, a músicia que eu mais gosto do Cheap Trick é ” The House is Rockin’…

Abração,

17 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Jacques! O “Dream Police” é foda mesmo – como falei no post, minha prefrida deste álbum é “I Know What I Want”, mas “The House is Rocking” é sensacional. O riff da introdução dela é demais! Legal que você curtiu esta seção, meu velho. Já estou organizando a spróprias bandas a figurarem nela, rs. Ah, e seu sobrinho tá no caminho certo, meu velho; pode se despreocupar, rs. Abração!

17 02 2011
Jayme Monsanto

Busquem o DVD Silver, que é um show que eles fizeram pra comemorar os 25 anos de banda. É um dos melhores DVDs de rock que eu já vi. Tem quase todos os hits de todas as fases da banda, e monte de convidados que se dizem fãs da banda (Slash, Billy Corgan, uma galera).

17 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala Jayme! Este DVD é senacional. Eu o comprei há uns cinco anos por 10 reais, num daqueles balaios das Lojas Americanas, rs. Showzaço, com mais de 30 músicas e convidados muito bons. Abração, meu velho!

18 02 2011
marco

cheap trick injustiçado umas das maiores bandas dos anos 80 não tem nada de injustiçados o que acontece é que hoje em dia a midia não muita atenção assim como faz com outras bandas grandes por exemplo deep purple se era pra colocar uma injustiçada então era melhor o autograph que não duro muito tempo por falta de apoio e se acham que eu to falando besteira olhem o que o cheap trick consegui no hot 100 da billboard consegui posições que o iron maiden nem imaginou em conseguir é isso foi minha opinião

18 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Marco, tudo beleza? Me permita discordar um pouco de você, e até de usar o mesmo exemplo que você usou: o fato deles conseguiram o top 100 da Billboard não tem nada à ver com reconhecimento, tem a ver com números objetivos (vendeu tanto, entra; se não vendeu, não entra). O que estamos falando na coluna é do reconhecimento da imprensa, público e etc, saca? Como foi dito na apresentação da coluna, são bandas que têm a qualidade para serem maiores publicamente do que U2’s da vida e etc, mas que sabe-se lá por que, não possuem o mesmo “hype” (hype aqui é bem entre aspas mesmo, por falta de palavra melhor). É lógico que certo reconhecimento eles têm, caso contrário não teriam nunca assinado um contrato, mas estamos falando de grande reconhecimento. O próprio Maiden, que você citou, apesar de não colocar tantas músicas nas paradas quanto tantas bandas, possuem muito mais reconhecimento (e merecem até mais!), por isso não acho que o fato de estarem nas paradas ou não seja sinônimo de reconhecimento. E quando falamos de Brasil aí fode tudo, rs. Tantas bandas sensacionais que, por aqui, são e sempre foram completamente ignoradas, sabe-se lá o motivo. Valeu pela manifestação, cara, e volte sempre!

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