“SEM REUNIÃO DO BLACK SABBATH EM 2011”, DIZ GEEZER BUTLER

8 12 2010

Fonte: Classic Rock

Geezer Butler revelou que não haverá nenhuma reunião do Black Sabbath em 2011.

Em entrevista ao “Noisecreep”, o baixista comentou sobre os planos da banda se reunir: “Não irá acontecer no ano que vem. Ozzy está em turnê com sua própria banda pelo próximo ano ou coisa do tipo. A idéia de fazer outra turnê do Sabbath sempre aparece. É apenas algo que sempre é mencionado e acontecerá se quisermos fazer. Ainda está muito cedo, entretanto. Tenho certeza de que Ozzy dirá “sim” e “não” em toda semana pelo próximo ano, enquanto está em turnê”.





“UMA GRANDE PARTE DA MINHA VIDA SE FOI COM RONNIE”, DIZ GEEZER BUTLER

26 08 2010

Fonte: Exclaim.ca

O repórter Keith Carman, do website canandense “Exclaim.ca”, conduziu uma entrevista com o baixista do Black Sabbath/Heaven and Hell, Geezer Butler, que falou sobre Dio, planos para o futuro, além do DVD “Paranoid” da série “Classic Albums”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Sem o baixista Geezer Butler – nascido Terence Michael Joseph Butler – não existiria uma coisa chamada Heavy Metal. Não apenas ele é um quarto da banda essencial ao gênero, Black Sabbath, mas com seu inimitável estilo, forte e poderoso sem ser falso ou pomposo, ele é responsável por um legado musical que transformou um instrumento até então ignorado em algo do caralho. Para registrar: foi o trabalho de Butler nos primeiros lançamentos do Black Sabbath – tanto no debut quanto no clássico “Paranoid” – nos subseqüentes quarenta e tantos anos com a banda (deixando de fora os abomináveis álbuns de meados dos anos 80, quando até ele abandonou o grupo), além do Heaven and Hell e do G/Z/R, sua aventura solo, que moldou os estilos dos quais suas bandas se tornaram sinônimo.

Com uma pegada semelhante a de John Entwistle, do The Who, Butler se recusou em deixar seu instrumento ser enterrado em simplicidade. Ele tirou o baixo das sombras e o colocou em evidência como um instrumento de valor próprio. Combinando livremente um ataque percussivo com uma presunção do blues, fortes agudos e graves ecoantes, além de um infinito dedilhado que não abafava a música e nem perdia a conexão com a batida, Butler não segura o ritmo; ele os acelera sem nunca ter sua absurda calma abalada. Essencialmente, se não fosse pela simplicidade de Butler em “War Pigs” ou “Iron Man”, e pelas batidas com wah wah na abertura de “N.I.B.”, não teríamos um Cliff Burton, nem uma “(Anesthesia) Pulling Teeth” e, portanto, não haveria o Metallica. Nem teríamos o Megadeth, Anthrax, Slayer, e nenhuma outra banda de Metal, com baixistas em evidência nos mostrando que o baixo é tão viríl e flexível quanto o mais selvagem virtuoso da guitarra.

Contudo, poucos meses após perder seu amigo de longa data e companheiro de banda, Ronnie James Dio, para um câncer no estômago, Butler não sabe o que o futuro guarda para o Black Sabbath ou para o Heaven and Hell. Ao tirar um tempo para falar sobre sua vida, e sobre o 40º aniversário do “Paranoid” – lançado em 18 de setembro de 1970, o dia em que Jimi Hendrix foi declarado morto – Butler está esperançoso quanto ao futuro, mas ainda negocia com o passado.

Existe alguma real atualização do status do Black Sabbath/Heaven and Hell atualmente?
Realmente não. Estamos todos em resguardo desde que Ronnie se foi. Fizemos um show em tributo para arrecadar fundos para sua fundação e combate ao câncer e é só. Estamos apenas pensando no que iremos fazer a seguir.

Minhas condolências para todos. A morte de Dio foi um grande choque para o Metal.
Sim, tudo estava indo tão bem, e então aquilo aconteceu.

Vocês da banda esperavam por isso? Parecia que ele iria superar a doenção e de repente…
Foi uma daquelas situações, na qual ele estava respondendo bem ao tratamento e todos estavam bem animados novamente. A turnê estava indo em frente de novo e Ronnie estava ansioso por aquilo; estava ansioso para voltar à turnê. Cerca de seis semanas antes, a doença voltou e lhe atacou fortemente.

Parece que as pessoas não percebem que você não apenas perdeu um companheiro de banda, mas um amigo.
Com certeza. É muito difícil porque, obviamente, isto nunca havia acontecido com nós. É difícil saber o que fazer, especialmente na nossa idade. Nós não temos certeza.  Nós começamos tudo novamente? Apenas vamos ver o que acontece. Este é o ponto. Ele era um amigo muito próximo, além de alguém com quem trabalhava. É uma grande parte da minha vida que se foi.

Você realmente acha que teriam que começar tudo outra vez?
Bom, falo de arrumar um cantor e este tipo de coisa; a pessoa certa. Suponho que isto se resolverá sozinho.

Há alguma coisa em mente?
Não no momento…

Vamos falar de outro assunto, pois não posso nem imaginar quão difícil seja para você falar sobre isso. O DVD “Paranoid”, da série “Classic Albums”, trouxe muitas informações, mesmo após 40 anos em que as pessoas analisaram cada aspecto dele. Como foi falar sobre algo que foi feito há tanto tempo?
Foi incrivelmente difícil lembrar coisas de 40 anos atrás. Parece ter sido numa outra vida, de verdade. Porque ele foi feito muito rápido e estávamos em turnê, então aquilo não ficou muito bem gravada na memória de ninguém. Tivemos cinco dias de estúdio. Íamos para lá e, para nós, era apenas mais uma apresentação. Nós tocamos ao vivo no estúdio, praticamente – tivemos o mínimo de overdubs. Com apenas cinco dias, foi realmente apenas mais um show. 

Um show que tem reverberado por quatro décadas.
Sou grato por não sabermos disto na época, ou então nunca o teríamos concluído.

Parece que a mágica acontece quando você não espera muito daquilo.
É verdade, porque não esperávamos nada do disco. Nós pensávamos: “Em dois ou três anos estaremos de volt aos nossos empregos normais”. Se tivéssemos parado para sobre isto – o impacto que o álbum teve – provavelmente teria sido assustador demais para irmos e frente. Foi ótimo como as coisas aconteceram. 

Obviamente foi bom, mas existe algum ressentimento em ter que viver com um álbum sublime como este? Meio como Lemmy disse que não poderia tocar “Ace of Spades” e ficar bem com aquilo.
Não, acho que todos somos gratos pelo disco, porque naquela época ninguém nos dava uma chance, sabe? Nós éramos odiados pelos críticos, e ficamos muito gratos por ter obtido aquele sucesso com o álbum.

Num contexto maior – incluindo seus discos solo – parece que você nunca esperou que o “Paranoid” fosse tão essencial. Você tem outro álbum que goste mais do que o “Paranoid”?
Cada um tem seu próprio mérito, porque ao invés de ficarmos presos numa formula, sempre tentamos progredir como músicos. Apenas não queríamos ser conhecidos como uma banda de um único som, o que hoje em dia talvez sejamos. Mas naquela época, queríamos nos expandir musicalmente com cada disco.

Na época não havia nenhum termo que pudesse rotular vocês, não é verdade? Mesmo o termo “Heavy Metal” ainda não existia.
Sim, não havia “Heavy Metal” como o conhecemos hoje. Éramos apenas uma banda fazendo música original, sem importar se era material pesado ou mais leve, como “Planet Caravan” e coisas do tipo.

Esta canção nunca recebeu a devida atenção, não é?
Sim, muitas pessoas agora me perguntam o motivo de termos feitos esta música. Foi porque não estávamos presos a um determinado gênero na época. Apenas fazíamos nosso próprio tipo de música.

Ela fornece dinâmica ao álbum também. Não o deixa todo pesado e denso. Há pontos melódicos.
Exatamente. Porque você sabe: naquela época, quando você tocava um álbum, você esperava escutar oito ou dez canções que não se soassem iguais. Você precisava de variedade num disco. Ela cumpriu seu trabalho e se sobressai.

Então apareceram bandas como o Pantera, que fizeram covers dela, e a canção se tornou “cool” novamente.
Sim, eu gosto de como eles se apegaram à forma original de como ela foi feita: o clima e o temperamento.

Então há este ressurgimento das pessoas quererem escutar “Paranoid”, mas vocês ainda não têm certeza sobre o futuro do Black Sabbath/Heaven And Hell.
Bem, o Heaven and Hell já era. Só poderia existir com Ronnie. Eu ainda gostaria de fazer algo com Tony (Iommi) e Vinnie (Appice), mas que não se chamaria Heaven and Hell.

Após a batalha legal sobre o nome “Black Sabbath” entre Tony e Ozzy…
Bem, estamos todos conversando novamente, o que é um bom sinal… Eu espero. Quanto à banda original, há tantos lugares onde nunca tocamos e que adoraria visitar. O Japão, por exemplo. Nunca tocamos lá e em muitos lugares do Leste Europeu, ou da Ásia, que se abriram após a formação origina ter se separado – e após a nossa turnê de reunião. Quando fizemos a reunião, só tocamos na América do Norte e na parte ocidental da Europa, e só. Então seria… Eventualmente gostaria de ir a lugares como o Japão com a formação original, já que nunca estivemos lá. Mas é mais fácil falar do que fazer. 

Eu suponho que haja todo tipo de política para faze este tipo de coisa.
Sim… Seria ótimo finalmente ir em frente.

Enquanto isso, talvez você possa trabalhar em seu material solo. Já se passou um tempo desde que saiu o último álbum do G/Z/R.
Este tem sido um ano muito duro, então a música tem estado meio de lado, por causa de Ronnie. Gradualmente eu estou voltando ao… Há tantas coisas, que levará meses até decidir o que quero fazer. É meio que uma reserva. Uma vez que você estabelece qual direção seguir, a coisa fica mais fácil, mas preciso disto. Assim que consegui-lo, apenas seguirei em frente.

Tudo estará esperando para quando você estiver preparado.
Sim e eu estou ansioso para ver o que eu consigo trazer nos próximos meses. Tenho algumas coisas por perto, então dentro de um mês ou seis semanas, eu as pegarei, trabalharei em material novo e, enquanto resolvemos outras coisas, nada me impede de escrever meu próprio material. Tenho inspiração suficiente.

A música é um ótimo remédio.
Certamente é um bom jeito de superar este tipo de coisa. Eu poderia usá-la eventualmente.





BILL WARD: “ADORARIA SAIR EM TURNÊ E FAZER UM NOVO DISCO COM O SABBATH”.

20 08 2010

Fonte: Goldmine

O repórter Pat Prince, do website “Goldmine”, fez uma longa entrevista com o lendário baterista do Black Sabbath, Bill Ward. Bill falou sobre o novo DVD da série “Classic Albums”, que foca a produção do “Paranoid”, a vida banda no início dos anos 70, problemas com autoridades, dentre outros assuntos.

Confira a entrevista completa em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

O Black Sabbath teve várias formações, e oito bateristas diferentes ao longo de sues 41 anos. A maioria dos fãs, contudo, pensa em Bill Ward como o baterista que representa a banda, e no “Paranoid” com o álbum que define perfeitamente o Sabbath.

Para comemorar o 40º anivesário do “Paranoid”, a “Eagle Rock Entertainment” lançou um DVD da série “Classic Albums”, que foca no famoso disco de 1970 que originalmente iria se chamar “War Pigs”. É uma olhada para dentro de uma banda que na época estava lutando para permanecer viva, e que ainda assim criou algumas das mais dinâmicas, sombrias e provocativas canções já gravadas.

Bill Ward lembra do “Paranoid” como o álbum que mudou tudo para o Sabbath. O disco deu a banda músicas famosas, como “Iron Man”, e ainda lhes concedeu alguns de seus momentos a La Beatles, com fãs berrando (a maioria adolescentes da Inglaterra) e seguindo desprevenidos músicos pela rua.

Ao longo dos anos, Bill War se tornou um genuíno porta voz da banda, além de um cara que mantém sua batida natural. Aos 62 anos, ele ainda está a fim e pronto para evocar a energia para uma turnê completa do Sabbath, a qualquer momento, quase com o mesmo entusiasmo que tinha durante as sessões do “Paranoid”.

Recentemente a “Goldmine” teve a chance de conversar com o lendário baterista, que está ocupado trabalhando em seu mais novo disco solo – um trabalho de amor que está em seus estágios finais, mas sem data de lançamento ainda.

O que você achou do lançamento do documentário em DVD do “Paranoid”?
Estou bem quanto a isto agora. Quando o vi pela primeira vez, tive algumas reclamações quanto ao andamento e a produção em geral. Disse minha opinião ao produtor, obtive uma resposta e tudo ficou bem. As coisas se resolveram.

Minha maior preocupação foi que havia uma longa parte só com Tony (Iommi) e Geezer (Butler), sem que outro artista falasse. Foi apontado para mim que era assim que o programa era, e eu disse: “Eu sei disto, eu sou um grande fã do programa. Já assisti todas as bandas que apareceram na série, mas ainda acho que é um tempo muito longo”. De qualquer forma, eu pude entender e ficar tranqüilo quanto a isto, mas foi o único atrito que eu tive com o DVD.

Mas eu gosto dele, porque é um pouco diferente. Eu nunca vi o Black Sabbath receber um olhar diferente por um ângulo diferente. Eu acho que neste sentido o DVD traz uma boa novidade.

O que você acha do “Paranoid” ganhar este tipo de re-exame?
Eu gosto de que ele esteja sendo revisto novamente e que tenha tanto crédito. Eu acho que ele merece este crédito, pelo fato de que apenas o tocamos do jeito que éramos. Não tivemos um processo para pensar no álbum. Não houve nenhum planejamento. Foi apenas o resultado de quatro caras tocando juntos, sendo uma unidade, uma banda, uma banda de verdade.

Você percebeu que o álbum era especial enquanto estava o criando?
Eu sentia alguma coisa na época, mas sabia que estávamos em algo diferente. Quero dizer, todos nós pensamos isto. Todos nós sabíamos que estávamos criando algo diferente e que gostávamos muito. Mas sabíamos que era diferente. E sabíamos que era frágil também, no sentido de que ele poderia não durar nem cinco minutos, pois haviam vários oponentes, por falta de palavra melhor; lugares a levá-lo que poderiam não lhe dar nenhuma chance.

O baterista em 1970, gravando "Paranoid".

Como em muitos álbuns do Black Sabbath, havia muito conteúdo nele. Neste sentido, foi muito ruim ele não ter se chamado “War Pigs”, como era a intenção, já que este título seria uma declaração mais forte?
Bem, nós queríamos chamá-lo assim, mas ninguém pareceu entender. Eu não os culpo, sabe? O Vietnã, um monte de gente sendo morta por lá todos os dias, então eu entendo eles não terem usado o nome, por este lado.

Mas era uma declaração anti-guerra bastante efetiva.
Eu acho que fizemos uma grande declaração e colocamos muita força nela. Quando a tocamos atualmente – bem, na última vez em que excursionamos – “War Pigs” ainda era um grande hit para todos. Então ela permanece. Infelizmente ela ainda permanece atual, com o Iraque e todos os outros lugares onde há tantos problemas e mortes. Este é o lado ruim da coisa, mas fizemos um bom álbum e uma boa declaração.

O fato das músicas ainda serem relevantes hoje é uma grande prova do poder das composições daquele álbum. Muitas bandas não têm este poder.
Quando tocamos estas canções na época, como disse antes, não sabíamos se elas durariam ou não. Era realmente bem frágil em vários sentidos. Mas então o Sabbath se tornou atemporal – acho que isto acontece e algumas bandas se tornam quase veneradas. A vida do Sabbath passou a depender de pessoas que foram influenciadas pela música da banda, como um avô falando para o neto: “Hei, dê uma olhada nessa banda”. Isto é incrível. Nós começamos a perceber que haviam caras de 50, 60 anos nos shows, e garotos de 10 anos. É ótimo isto! Muito bom ver isso. Estou muito contente de que influenciamos outros músicos também. Para mim, estas são as coisas que parecem um presente silencioso enquanto você envelhece. Espero ter recebido isto com um pouquinho de humildade e sem fazer muito estardalhaço.

Você poderia explicar melhor o seu uso da palavra “frágil”?
Na época em que estávamos gravando o “Paranoid” – e quando fizemos nosso primeiro álbum – nós éramos uma banda de verdade e muito unidos. Tinha a banda, os roadies e os caras que nos levavam aos lugares e tomavam conta de nós. Eram provavelmente 10 pessoas, juntas, e em vários sentidos havia muita intimidade. Nós tomávamos conta uns dos outros e cuidávamos uns dos outros. Éramos uma unidade. Eu geralmente me refiro a isto como os “quatro mosqueteiros”. A sensação era esta, porque havia muita coisa vindo de fora, entre a imprensa, TV, e todo um novo público que estávamos alcançando; todos os novos países para onde estávamos viajando. Ainda ahavia muita novidade em tudo e, eu acho, uma sensação de desconfiança também. Nós viemos de uma região muito dura difícil de Birminghan, então aprendemos a crescer com um olho sempre aberto, pode-se dizer. Não éramos estúpidos; neste sentido tínhamos aquela esperteza das ruas.

Com isto em mente, enquanto passávamos por gravadoras, advogados, ou coisas do tipo, sempre éramos bem discretos. Nós nos reuníamos e conversarmos sobre tudo. Nós havíamos acabado de voltar de uma turnê de dois anos, na qual dividíamos a comida. Nós não tínhamos nem um trocado, então quando estávamos tocando no “Star-Club”, “Reeperbahn” e fazendo aqueles shows na Dinamarca e Suécia, por volta de 1970, nós tivemos que aprender a sobreviver, porque estávamos basicamente tocando por comida e coisas do tipo. Então aquilo criou uma grande união. Aquilo foi com a gente por entre o novo mundo e as novas mudanças que estávamos passando – ou estávamos prestes a passar. Foi isto que eu quis dizer com “frágil”.

Quais foram as histórias por trás do “Paranoid”?
Primeiramente, para nós foi divertido, porque fizemos muitas turnês em cima do “Paranoid”. Eu lembro das primeiras reações, e então por um minuto nós estivemos na cultura pop. Nós ficamos famosos, especialmente quando a canção “Paranoid” alcançou o 2º posto na Inglaterra e o álbum ficou em 1º, e de repente estávamos nesta coisa do pop na qual tínhamos todos estes fãs berrando e todas coisas do tipo acontecendo. Aquilo, após um tempo, não permaneceu da mesma forma; meio que desapareceu, o que foi bom. Ainda tínhamos muitos fãs. Por toda a nossa vida sempre tivemos muitos fãs que sempre foram entusiasmados, para dizer o mínimo. Mas por um momento nós aproveitamos esta coisa de estarmos dirigindo nossos carros e sermos cercados, ou então tínhamos que dar um jeito de entrar sem que ninguém nos visse no teatro onde iríamos tocar. Aconteceu todo este tipo de coisa; meio que como “A Hard Day’s Night”, sabe? Apenas por um momento aquilo foi divertido, mas não acho que teria gostado de ter aquilo pelo resto da minha vida. Aquilo seguiu seu próprio caminho.

Mas as turnês eram demais, com todos nós trabalhando muito duro. Nós tocávamos todos os dias; fazíamos um show cedo e um mais tarde. Isto me espanta. Quando me lembro disto… Quando o Sabbath toca, nós colocamos 150% de nós. Colocamos tudo que temos. Me espanta o fato de que fazíamos este grande show e então o fazíamos novamente algumas horas depois. Eu ainda olho para isto com algum espanto, na verdade. Tenho muito orgulho disto, de que éramos capazes de fazer isto e fazê-lo funcionar. Então houveram muitas coisas que apareceram na turnê, enquanto fazíamos novos amigos rapidamente.

Você não acha que algumas pessoas foram ver a banda naquela época só porque estavam curiosos?
Eu acho que atraíamos muitas pessoas que tinham sérios problemas com nós, na verdade. Nós atingimos o tôo das paradas e o topo das paradas das pessoas também. Mas quando eles perceberam que faríamos qualquer coisa que quiséssemos, musicalmente – especialmente com o terceiro álbum – uma parte deste estrelato caiu um pouco. Nós sempre tocamos para nós mesmos, e tentamos ser honestos com nós mesmo sobre onde estávamos, e acho que é por isso que nós tivemos fãs que ficaram com a gente ao longo dos anos.

Havia um número – bem grande até – de pessoas que realmente não gostava da nossa banda. De vez em quando as coisas ficavam bem perigosas. Quando estávamos fazendo as primeiras turnês nos Estados Unidos, promovendo o “Paranoid”, frequentemente tinham grupos cristãos, ou pessoas que amam Jesus mais do que qualquer coisa na Terra… Eles eram bem extremistas e alguns deles eram bem perigosos; foi muito assustador, para ser honesto.

Se ao menos eles escutassem às letras das canções, talvez encontrassem coisas que não esperavam.
Sim, se eles pudessem ler as porras das letras, talvez tivessem aprendido alguma coisa; sei lá. Ou curtido. Ou poderiam abaixar os cartazes; todos carregavam um grande cartaz, assim como fazem hoje. Alguns dos grupos cristãos mais extremistas levantavam qualquer coisa que pudessem agarrar.

Bem, sempre haverá extremistas por aí.
Sim, foi bem extremo. E nós éramos extremistas também (risos); combinação perfeita. Mas nós tínhamos que ter seguranças. Tínhamos seguranças frequentemente. Nas nossas primeiras turnês, fomos ao “cinturão bíblico” (N.R.: Região no sul dos Estados Unidos onde a prática fervorosa da religião protestante evangélica faz parte da cultura local), e quando viajávamos pelo norte da Flórida, pelo Mississipi, certas partes da Virginia, Tennessee, Lousiana, Texas e Cirpus Christi, haviam muitas pessoas – incluindo os policiais locais – que nos recebiam bem friamente. Haviam muitos problemas com as pessoas e com os prefeitos das cidades.

Você não acha que a imagem sombria e os rumores de que a banda era satânica foi exagerada e, ainda por cima, massificada pela mídia?
Eu acho que foi algo que tentamos esclarecer continuamente através das entrevistas, mas era quase como, “mas isto vende discos” ou “isto vende jornais, então vamos continuar com isto”. Nós dizíamos constantemente, diariamente, “não, não somos nada disto. Não, isto não é o que representamos”; foram muitas declarações deste tipo. Nós estávamos tentando mostrar para eles quem éramos de verdade. Nós fomos pegos tão fortemente por esta coisa, que ela adquiriu uma identidade própria e foi jogada pelo mundo com uma bola de praia. Algumas pessoas, incluindo a TV e a mídia em geral, gostavam de destacar isto e dizer quão terrível era. Foi bastante controverso por um longo tempo. Foi algo que dissemos, “não podemos fazer nada a respeito disto. Nós éramos impotentes sobre esta dimensão que apareceu e grudou na gente”, então apenas seguimos em frente, fazendo o que fazemos de melhor, até hoje quando você e eu ainda estamos falando a respeito disto. E estou feliz que você tenha me dado a oportunidade de ter falado um pouco sobre isto, pelo menos.

A partir da esquerda: Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne.

Nos dias de hoje aquilo não seria considerado tão controverso. Como os tempos mudaram…
Não seria mesmo, e fico satisfeito por ter feito parte de um número de bandas que foi ao sul (dos Estados Unidos), que foi na Austrália, no Canadá e em outros países, onde primeiramente éramos barrados de tocar pelas autoridades. Agora as portas se abriram.

Canadá?!
Sim! O Canadá do início dos anos 70… Cara, entrar no Canadá era uma provação. Mas me sinto bem em ter sido parte de um pequeno grupo de caras que permaneceram verdadeiros com eles próprios. Mas isto criou muitos problemas no começo dos anos 70, quando a polícia ficava definitivamente desconfortável com nós por perto e não sabia como lidar com a gente. Nos anos 70, havia diferença entre um policial da Louisiana e um policial de Nova Iorque. Nunca tivemos problemas com os policiais de Nova Iorque, que eu saiba. Nós conhecemos muitos nos shows que fazíamos. Para eles, era um show, sabe? Eles entenderam a coisa. Não haviam grandes brigas ou situações nas quais podíamos ser feridos os mortos facilmente. Era uma vibração diferente. Neste sentido, fico feliz por ter sido um dos que foram nas profundezas do sul (dos Estados Unidos), e agora o sul é… Cara, está totalmente diferente.

Parece que haviam muitos boatos que ajudavam a alimentar aquela fama. Por exemplo, me lembro de ouvir falar de que ao entrar no local onde o Black Sabbath iria tocar, o público tinha que assinar uma bíblia satânica. Então começavam a aparecer este tipo de boatos sobre coisas estranhas que aconteciam nos shows de vocês.
A coisa se tornou um fenômeno com vida própria, e ainda há uma sombra disto nas nossas vidas, porque eu sei que todos nós individualmente – não só como Sabbath – ainda gostamos de fazer uma música ainda mais sombria. Até hoje sou tão atraído por música sombria quanto era em 1969, quando garoto. Ainda é a mesma coisa.

As letras de Geezer Butler sempre foram bem profundas e conscientes.
Absolutamente. Eu o chamo de “o poeta irlandês”. Os pais dele são da Irlanda. Ele vive na Inglaterra, mas basicamente é irlandês. Ele é um fantástico letrista. Maravilhoso! Ao mesmo tempo, eu tenho que dar os créditos de Ozzy também, porque ele pode falar uma frase ou uma palavra… Eu viajei com ele por muitos lugares ao longo dos anos e sei que ele é capaz de falar uma palavra que explode e você é literalmente capaz de escrever uma canção em torno desta única palavra. Ou então ele fala uma frase, e você fala: “Puta merda, posso usar isto?”, e você literalmente escreve alguma coisa com isto. O jeito que ele despeja estas coisas… Estas coisas saem de Ozzy todo santo dia. Você tem que aprender e saber como pegá-las  e usá-las adequadamente.

Mas, na verdade, “Fairies Wear Boots” é sobre o quê?
Isto foi Ozzy e Geezer se divertindo, juntando coisas. Tem uma coisa de Alemanha nisso. Algumas sobras que nós aproveitamos; Algumas brigas em que nos metemos. Estou pensando na canção agora enquanto conversamos, e fui direto para 1968-1969, e ela é um grande exemplo de onde estávamos em 69. Eu posso até sentir o cheiro da comida no “Reeperbahn” (risos). É uma ótima canção sobre as experiências que tivemos. E é cheia de… A melhor expressão que posso pensar é “conteúdo mágico”, onde vamos a esta coisa mística meio coisa de maconheiro, bem como 1969 era. Isto é o melhor que posso dizer sobre ela.

Olhando em retrospectiva, há algo que você faria diferente com relação ao Black Sabbath?
Não me arrependo de nada que fizemos ou nada que fiz pessoalmente. Não me arrependo de nada. Não faria diferente, incluindo todos os erros… Tudo. O primeiro instinto que me apareceu quando você perguntou isto foi, “sim, gostaria de refazer algumas partes de bateria” (risos). Não refazer, mas trabalhar nos sons de certas partes da bateria, particularmente nos dois ou três primeiros álbuns. Talvez um som melhor no bumbo de “Iron Man”, coisas deste tipo. Todos os músicos são assim.

Falando em “Iron Man”, você acha que a canção se tornou muito comercializada, muito “mainstream”?
Eu tive que abandonar qualquer tipo de apego pessoal que tinha com ela. A gente pensa, “não, você não pode fazer isto. É música underground e tem que permanecer verdadeira com ele mesma e etc”, e então a vida real aparece. O mundo se abre. A primeira pista que tive de que “Iron Man” pertencia a todo mundo foi quando a escutei sendo tocada por uma banda marcial num campo de futebol. Eu pensei, “oh meu deus, eles estão tocando ‘Iron Man’”. Para mim, foi quando ela se tornou pública.

Então ela se tornou bem comercial e se apegou em tudo. E, na verdade, hoje em dia é legal. Não estou reclamando, porque quando ela foi para o filme “Iron Man” (N.R.: O Homem de Ferro), conseguiu uma nova forma de vida e me mostrou que ela continua atual. Então, neste sentido, eu tomarei como um elogio. Mas meu senso de justiça, como “isto não está natural, você não pode fazer isto”, diminuiu um pouco com o passar dos anos, com relação a canções como “Iron Man”, que tendem a se tornar mais comerciais ao longo do tempo. Eu já não brigo mais tanto quanto antes sobre este assunto.

E quando fazemos shows, sempre tentamos tocar algumas canções que não tocávamos há muitos anos, mas inevitavelmente acabamos com um repertório que agrade a todos.

Quais os planos do Black Sabbath?
Bem, todos estão de folga, sabe? Eu estive falando com Tony há poucos meses… E estava com ele e Glenn (Hughes) no funeral de Ron (Ronnie James Dio), e acho que Terry (Geezer) está apenas tentando superar a morte de Ronnie e pensar o que fará depois. Então Ozzy está embarcando numa grande turnê. Ele está indo para a estrada por um tempo considerável, mas eu falo com ele toda hora.

A partir da esquerda: Geezer, Ozzy, Tony e Bill na época da reunião, já no novo milênio.

O que você acha do novo álbum de Ozzy, “Scream”, por falar nisso?
O que eu gosto neste novo álbum é a voz dele. A voz dele está muito clara. Ele está sobrevivendo, ele tem convicção e ele é bem claro e em preciso em tudo. Sua voz realmente está se sobressaindo em todas as faixas. Eu acho que é muito bom.

Com relação ao Black Sabbath, a banda original, não estou sabendo de nenhum plano nem nada, mas ao mesmo tempo sei que iremos conversar uns com os outros. Não estou sabendo de nenhum desentendimento entre ninguém.

Eu sempre tenho a esperança de que se tudo está certo e tudo está amigável, então podemos excursionar novamente. Adoraria faze isto, contanto que tudo esteja em ordem comigo. Adoraria seguir em frente, não só excursionar, mas fazer um novo álbum também, outro disco do Sabbath. Isto para mim seria a melhor coisa que poderia acontecer. Mas também adoraria fazer uma turnê longa. A última turnê que fizemos foi legal, e durou três meses e meio. Mas o lance é que estávamos tão entrosados – e você tem que praticar para a coisa se ajeitar e ficar bem entrosada – quando estávamos na metade da turnê e eu me senti em plena forma, mas então de uma hora para a outra tivemos que parar. E eu estava, “Merda, vamos levar isto ao redor do mundo, cara. Isto está ótimo”. Mas tivemos que parar, o que foi um tanto irritante. Este foi o único problema. Leva um certo tempo para que um corpo de 62 anos possa tocar no Black Sabbath, e Ozzy e eu somos muito exigidos fisicamente no palco, então temos que estar em forma. E todos os shows da “Reunion”, com relação às performances, foram lindos. E me diverti demais; no palco era imbatível. Curti bastante, de verdade.





GUITARRA DE TONY IOMMI ROUBADA NO “HIGH VOLTAGE FESTIVAL”

11 08 2010

Fonte: Blabbermouth

De acordo com aviso postado no site “Black-Sabbath.com” – site criado por fãs – Uma das Gibson SG de Tony Iommi foi roubada após os show do Heaven and Hell em tributo a Dio, realizado no “High Voltage Festival”, no dia 24 de julho, em Londres, Inglaterra.

Veja abaixo a foto da guitarra roubada:

Agradecimentos à leitora Raquel pelo envio da notícia.





“STEVE HARRIS ME PEDIU DESCULPAS POR BRUCE”, DIZ OZZY

29 07 2010

Fonte: The Quietus

Ozzy Osbourne foi entrevistado por Joel McIver para o site “The Quietus” e, numa conversa franca, o Madman falou sobre Gus G, Tony Iommi, novo disco, o incidente com o Iron Maiden no “Ozzfest” de 2005, e muito mais.

Confira a entrevista completa, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

O Heavy Metal irá mudar drasticamente nos próximos cinco ou dez anos. No momento o topo do gênero está ocupado por uma porção de bandas veteranas, que já passaram do seus anos dourados e agora brilham numa merecida respeitabilidade. Iron Maiden, Mettalica, Judas Priest, Motorhead, Black Sabbath e seu vocalista – por um tempo – Ozzy Osbourne estão todos entre o fim dos 40 e meio dos 60 anos de idade, e é um genuíno privilégio estes dinossauros ainda estarem por aí, após todos estes anos.

Quando se forem, não haverão substitutos, e este é o motivo de entrevistas como esta serem um verdadeiro tesouro. Contemple como Ozzy Osbourne – que tem um álbum, um livro, uma nova banda e uma turnê sobre o que falar – fala o que tem que falar, mais uma vez.

Você está satisfeito com seu novo álbum, “Scream”?
Ozzy Osbourne: Estou, sim. As pessoas dizem que ele é Progressivo, diferente; dizem que é muito produzido ou dizem que adoraram – nunca entrei num estúdio pensando “tive uma ótima e bem sucedida carreira, então vou fazer uma merda de disco para variar”. Tem uma faixa no álbum que eu adoro, chamada “Life Won’t Wait”, com um tipo de vibração diferente – é um som bem interessante.

Seu novo guitarrista, Gus G, está se adaptando bem?
Ozzy: Com certeza. Ele é maravilhoso. É sempre duro quando estou com um novo guitarrista. O que eu sempre digo é que não houve nada com Zakk (Wylde, que foi substituído por Gus G). O que rolou foi que chegou a hora de eu conseguir um substituo permanente, porque Zakk não precisava mais de mim. Zakk tem o Black Label Society e está indo muito bem: fizemos alguns shows na Europa quando estava por lá e foi muito divertido.

Esta situação com Gus é parecida com o que aconteceu quando você trouxe Randy Rhoads em 1980? Você tirar um desconhecido mas talentoso cara de uma relativa obscuridade…
Ozzy: Se eu contrato um cara que já tem nome, então tenho que lidar com a porra de seu ego. Eu gosto de ter pessoas que estão famintas por isto, e não gente como Ritchie Blackmore ou outro que seja reconhecido como grande guitarrista.

Sua auto-biografia, “I am Ozzy”, acabou sendo uma boa fonte de informação, mesmo você tendo passado anos dizendo às pessoas que não conseguia se lembrar de nada…
Ozzy: O meu problema é memória recente. Não sei se é por causa da idade, mas eu passo o dia subindo e descendo escadas, pensando “pra que porra eu vim aqui mesmo?”. Provavelmente é uma combinação do acidente (Ozzy quase morreu numa queda de quadriciclo em 2004) e minha idade… Eu não sei.Sem Chris Ayes, o cara que fez o “ghostwriting” para mim, ainda estaria na porra da primeira página. Não consigo ficar sentado por cinco minutos. Enfim, chegamos no final e ele me disse que tinha material suficiente para outro livro, apesar de ter achado que ele estava brincando. Então provavelmente chamarei este outro livro de  “I Am Still Ozzy”, ou algo do tipo.

Que conselhos você daria para as jovens bandas que querem viver de música?
Ozzy: Hoje em dia? Puta merda! Outro dia fiquei sabendo que as novas bandas, que acabaram de assinar com suas gravadoras, tiveram que abrir mão de parte de seus direitos autorais, parte do cachê dos shows, parte das concessões… Que porra está acontecendo? Eu não gostaria de estar numa destas bandas hoje em dia. É nojento como eles (as gravadoras) tratam as bandas.

Hoje em dia é mais duro para os músicos do que foi nos anos 60 e 70?
Ozzy: Com certeza. Eu posso dizer que uma coisa da qual tenho orgulho é que o Black Sabbath era quatro caras de Astom, Birminghan – que não é lá tão grande – que tiveram o sonho que se realizou, maior até do que esperávamos. Isto nunca acontecerá novamente, com o mercado de hoje em dia. Hoje você tem que ser uma porra de expert em computador também. Mudou muito. Alguém pode ser a maior coisa do mundo, e no mês seguinte você pensa “o que aconteceu com eles?”. Não existem mais lojas de disco – eles não vendem mais, por causa deste lance de downloads.

Como você aconselharia as novas bandas com relação ao empresariamento? O Sabbath foi roubado por seus empresários no início…
Ozzy: Sabe de uma coisa? Quando éramos jovens queríamos fazer sucesso, não sabíamos que porra estávamos assinando. Não sabíamos nada sobre direitos autorais e coisa do tipo. Agora você pode ir no computador e descobrir como fazer. Você pode abrir seu laptop e descobrir a porra da porcentagem de mercado que um empresário leva. Mas se você chegar lá, terá muita grana para ganhar – e no momento que a grana aparece, as pessoas ficam estranhas. Eu disse para Bill Ward (baterista do Sabbath) uma vez: “Independentemente de termos sido roubados, nosso estilo de vida melhorou 15 mil vezes mais do que era antes”. Nossa vida melhorou muito. Tivemos carros, casas, podemos sair e tomar uma cerveja quando queremos, podemos comprar nosso próprio maço de cigarros, ao invés de um para dividir entre os quatro.

Você se lembra da série “The Osbournes”, na MTV?
Ozzy: Você vai dormir um dia, acorda (no dia seguinte) e o mundo está completamente diferente. Em todo lugar tem porra de câmeras te atacando. As crianças não conseguiram aturar, minha esposa não conseguiu aturar; ela estava com um câncer no cólon. Por um lado foi fenomenal, por outro eu tive que assistir minha família sofrer. Mas nós inventamos uma nova forma de televisão. Nós demos o pontapé inicial para todos estes novos programas. Faríamos novamente? Não sei. Acho que não.

Qual o melhor país para se morar, em sua opinião?
Ozzy: Eu sou meio “anglo-americano” agora. Eu tenho meus filhos na Inglaterra, de meu primeiro casamento, e meus outros filhos nos Estados Unidos. Sou uma porra de viciado em TV… Viciado em sofá…

Viciado em sofá?
Ozzy: Sim. Eu assisto documentários sobre os Estados Unidos. Mas quando fui na Inglaterra, o tempo estava tão maravilhoso que eu saí e comprei um carro esporte para mim (risos).

Em 2005, sua esposa organizou uma chuva de ovos no Iron Maiden quando eles estavam tocando no Ozzfest, supostamente porque o vocalista do Maiden, Bruce Dickinson, fez alguns comentários no palco que ela não gostou. O que você achou disto?
Ozzy: Sabe de uma coisa? Sem eu saber, ele subia no palco todas as noites e me sacaneava. E isto não foi justo. Se ela não gostava da porra da turnê, ele deveria ter dito “estou caindo fora da turnê”, mas subir no palco e me sacanear sem motivo… Eu nunca disse nada de ruim sobre ele. O baixista (Steve Harris) veio até mim no último show e disse “me desculpe por Bruce”, e eu fiquei “sobre que porra você está falando?”. Ninguém tinha me dito nada. Eu disse, “quer saber? Não estou entendendo o que você está falando”.

Então Sharon ficou puta da vida… Não tive nada a ver. Suponho que Sharon tenha ficado furiosa. Irei defender minha esposa até o fim, mas eu não sabia o que estava acontecendo. Mas sabe de uma coisa? O Maiden estava tirando pouca grana no Ozzfest. Se você tem algo para falar para mim, seja homem. Venha e diga em minha cara, “eu acho que você é um babaca”. Não seja um idiota. Isto é tão pateticamente infantil.

Infelizmente o resto da banda teve que sofrer: suponho que tenho ficado putos com ele. Eu nunca tinha falado com o cara… Não, mentira, uma noite eles estavam para entrar no palco, e eu não sabia das coisas que estavam acontecendo, e disse a eles, “bom show para vocês, caras”. Mas eu não gosto disto. Se você não gosta de mim, apenas diga: “Eu não gosto de você. Estou neste festival, mas acho que você é um babaca”. Tudo bem. Mas subir no meu palco e me sacanear – não é justo. Eles não me sacaneavam quando eram pagos cada porra de noite.

Você ficou desapontado em ver as duas maiores bandas britânicas de Heavy Metal se desentenderem?
Ozzy: Até hoje não entendo que porra aconteceu. Simplesmente não entendo. Ir ao Ozzfest e insultar as pessoas… É loucura. Eu realmente acho que ele (Bruce Dickinson) precisa de um psiquiatra, se ele realmente fez isto. Ele é louco. É uma porra de irresponsabilidade fazer aquilo. Sharon ficou muito puta com aquele babaca.

Você recentemente embarcou numa disputa judicial com seu companheiro de Sabbath, Tony Iommi, sobre os direitos do nome “Black Sabbath”. Isto já está resolvido?
Ozzy: Sim. Foi algo que tive que fazer, porque me foi dito que nomes de bandas, como Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath, são marcas – como vinhos, cervejas, roupas, logomarcas – e eu queria minha parte do bolo, então não tive alternativa.

É possível processar uma pessoa e ainda continuar amigo dela?
Ozzy: Eu falei com Tony quando voltei (para a Inglaterra). Negócios e amizades são completamente diferentes, e eu amo aqueles caras – todos eles.

Você está sóbrio hoje em dia?
Ozzy: Sim. Não bebo, não fumo e não uso drogas.

O que você diria aos garotos que querem saber se deveriam experimentar drogas?
Ozzy: Não sou a pessoa certa para se perguntar isto. Tudo que posso dizer é que eu experimentei quando era jovem e quase… Como estou aqui, falando com você agora, eu realmente não sei. Não acho que seja uma boa idéia… Eu não uso mais e gosto muito mais de minha vida sem as drogas. Eu costumava achar que não iria me divertir fazendo música se não estivesse chapado, mas isto não funciona. Está fora de questão. A disponibilidade hoje é muito maior do que costumava ser. Por exemplo, eu tenho uma casa na Inglaterra perto de Beaconsfield, que uma porra de uma aldeia destas de fotografias de cartão postal, e um dos moradores estava falando comigo um dia e disse, “Toda sexta e sábado a noite, a cada 10 garotos que vemos, nove estão carregando crack ou qualquer outra merda”. É assustador. É como se fosse a moda hoje em dia. Cocaína, quando eu era jovem, você tinha que conhecer alguém, que conhecesse alguém, que conhecesse alguém. Agora você consegue arranjar numa porra de bar.

A maconha deveria ser legalizada?
Ozzy: Eu acho que não. Não acho que fumar um monte de maconha irá te matar, até,porque você não consegue fumar tantos cigarros de maconha, como fuma cigarros normais. Você pode dar uns tapainhas, mas haveria muita comida sendo detonada.





TONY IOMMI CONTA COMO FOI QUANDO DESCOBRIRAM A DOENÇA DE RONNIE DIO

12 07 2010

Fonte: Sunday Mercury

Talvez o maior “riffman” de toda a história do Rock. Este é Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath, que concedeu uma entrevista ao “Sunday Mercury” na qual fala sobre Ronnie James Dio, Heaven and Hell, Ozzy e planos para o futuro.

Confira abaixo a entrevista completa, traduzida para o português somente aqui no IMPRENSA ROCKER.

Chegou a hora – ele decidiu – de fechar o expediente. A morte do amigo de longa data e companheiro de banda, Ronnie James Dio, teve grande impacto no “guitar hero” de Birminghan, Tony Iommi.

O super grupo Heaven and Hell fará apenas mais um show – um tributo ao “frontman” derrotado pelo câncer – e então irá “pendurar as guitarras”.

Para Tony, agora com 62 anos, tem sido uma época de duras decisões. E mais virão quando decidir que caminho tomar, assim que seu luto terminar.

Ele irá se juntar novamente com Ozzy Osbourne agora que a batalha judicial sobre a marca Black Sabbath acabou? Ele fará testes com novos cantores e irá para estrada com um novo nome para a banda?

Apenas uma coisa é certa. Não haverá mais Heaven and Hell.

No coração da questão está a recente morte de Ronnie, aos 67 anos. Havia grandes esperanças de que o homem que substituiu Ozzy no Black Sabbath em 1979 permaneceria no palco com seu chapa de Birminghan até o fim.

“Eu conheci Ronnie numa festa em Los Angeles, e nó nos demos bem”, lembra Tony que hoje vive em Lapworth. “Eu gostei dele de cara, porque não era espalhafatoso como muitos neste negócio. Ele era um ótimo cara, muito pé no chão”.

“Então quando as coisas não estavam funcionando com Ozzy (Nota do Tradutor: Ozzy foi sacado da banda em 1979 após se tornar cada vez mais inconstante) eu liguei para Ronnie e o convidei para um ensaio. Ele havia acabado de deixar o Rainbow e estava disponível”.

“Chame de destino se quiser. Ele se saiu muito bem. Eu toquei alguns ‘riffs’ de guitarra nos quais estava trabalhando e ele apenas cantou junto. Quando terminamos, eu sabia que ele era um novo vocalista do Black Sabbath”.

“Fomos para a estrada numa longa turnê, e foi sempre difícil para Ronnie ocupar o lugar de Ozzy. No começo a platéia gritava ‘Ozzy, Ozzy, Ozzy!’, mas Ronnie era definitivamente um bom cantor e lidou bem com o público”.

“Com alguns shows, ele já havia sido aceito. Tocamos nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Japão, e melhorava a cada show”.

“Ronnie tinha um toque popular. Ele preferia uma boa cerveja a Bourbon ou champanhe, e ele passava horas após os shows apenas batendo papo com os fãs, posando para fotos e assinando autógrafos”.

“Quando vinha para ensaiar em minha casa em Midlands, ele ficava num hotel fino, mas sempre dava uma fugida para achar um boteco onde pudesse apenas sentar e conversar com as pessoas locais”.

“Se Ronnie não tivesse vindo conosco naquela época, eu acho que o Black Sabbath teria acabado”.

“Mas ele tinha uma voz tão única, e era tão absurdamente profissional que nos deu uma boa razão para seguirmos em frente. Ele nos deu algo novo”.

Eles excursionaram como Black Sabbath de 1980 a 1982, e novamente de 1991 a 1992. Em 2006 se reuniram de novo, desta vez sob o nome de Heaven and Hell, uma alusão ao primeiro álbum do Sabbath que fizeram juntos.

O futuro parecia claro e duradouro, mas enquanto estavam na estrada, em 2009, houveram alguns sinais de que nem tudo estava bem.

Agonia

“A primeira suspeita que tivemos de que alguma coisa estava errada foi quando Ronnie reclamou sobre dores no estômago”, lembra Tony. “De início todos pensamos que se tratava apenas de acidez na barriga. Você nunca espera o pior”.

“Ronnie tomava analgésicos, mas nada parecia mudar. Um pouco antes de entrarmos no palco, uma noite, eu lhe disse: ‘você tem que checar isto’. Ele disse que iria quando tivesse tempo”.

“Em algumas noites ele estava em agonia no palco, mas seguia em frente. Às vezes ele mal conseguia ficar em pé, mas insistiu em completar cada show da turnê. Para Ronnie, o show tem que continuar”.

“Após a turnê, tivemos que dar um tempo. Eu tenho problemas na minha perna esquerda, e fiz um tratamento com células-tronco para ver se aliviariam a dor”.

“Ronnie estava indo fazer uma curta turnê solo durante este intervalo, mas decidiu ir ao seu médico. Ele foi para o hospital fazer exames e eles descobriram o câncer. Ele tinha um tumor no estômago”.

“Eu não conseguia acreditar. Ainda não consigo”, diz Tony. “Eu estava falando com Ronnie uma semana antes dele falecer, e ele estava otimista. Ele me disse que a quimioterapia parecia estar funcionando”.

“O tumor estava encolhendo e eles deram autorização para que ele voltasse à turnê”.

“Nossa turnê de verão recebeu sinal verde e estávamos constantemente no telefone, falando sobre as canções que tocaríamos”.

“Ronnie estava realmente entusiasmado. Nós iríamos tentar algumas novas canções, a banda estava bem entrosada, estávamos detonando. Ele estava tão ansioso pela turnê Européia. Seria uma nova chance de melhora sua vida”.

“Mas no começo de maio eles descobriram que o câncer havia se espalhado para o fígado, e as coisas foram por terra bem rápido. Nós cancelamos todas as datas, ainda esperançosos  – apesar da desesperança – de que ele superaria. Ele foi um lutador”.

“Não era para ser. Geezer Butler (baixista do Black Sabbath e Heaven and Hell) passou muito tempo no hospital, sentado ao lado da cama de Ronnie. Ele passou por tudo junto com Ronnie, e esteve lá até o final”.

“Eu tive que voltar para a Inglaterra mas permaneci em contato através do telefone e e-mail. Então recebi a ligação que temia. Geezer me disse que achava que Ronnie não viveria por muito mais tempo. Tentei pegar o primeiro avião, mas cheguei tarde”.

“Não fui rápido o bastante para dizer adeus. Ele morreu no dia 16 de maio. No final, eu voei para o funeral em 30 de maio. Estávamos todos devastados com sua morte. Ele foi único, e nunca poderá ser substituído”.

Depois que Tony voltou do funeral, foi sugerido que ele fizesse um tributo à vida e música de Ronnie. No dia 24 de julho, sábado, o Heaven and Hell subirá num palco pela última vez, no festival High Voltage, em Londres. Os rendimentos do show irão para a fundação “Ronnie James Dio Stand Up and Shout Cancer Fund.

“Este será o último show que tocaremos como Heaven and Hell”, revela Tony. “Nós escolhemos este nome, porque a banda era composta pelo line up que fez o “Heaven and Hell”, álbum do Black Sabbath. Nós não poderíamos seguir com este nome sem Ronnie”.

Desejo

“Não seria correto e nenhum de nós tem o desejo de fazer isso. Não nos chamaremos de Black Sabbath também”.

No tributo, os membros restantes se juntarão com Glenn Hughes (Deep Purple/Trapeze) e com o vocalista norueguês, Jorn Lande (Masterplan).

“Glenn cantou no funeral de Ronnie, fazendo uma ótima versão de “Catch The Rainbow”, fala Tony. “Jorn é mais conhecido no Reino Unido como o vocalista do Masterplan”.

“Ele soa assustadoramente como Ronnie. Nós pensamos em trazê-lo para a turnê de verão como reserva. Se Ronnie se sentisse muito fraco ou cansado, nós teríamos Jorn como substituto”.

Agnóstico assumido, a descrença de Tony na igreja foi confirmada quando a Igreja Batista local realizou um comício do lado de fora do funeral de Ronnie, denunciando-o como um adorador do diabo pelo fato de cantar numa banda de Rock.

“Ali estava Ronnie, o homem que amava seus fãs e sua cerveja”, diz Tony, balançando tristemente sua cabeça. “Eu acredito num Deus, mas não curto essa coisa de ir para a igreja. Apenas olhe para todos os problemas que a igreja causou ao longo dos anos”.

“Se você quer ter um relacionamento com seu Deus, você pode fazê-lo em qualquer lugar, a qualquer momento. Você não deve ir à igreja para isso”.

Então o que virá para Tony Iommi? Talvez seja cedo demais para saber de seus planos. Talvez ele esteja sendo reservado.

“Nós gostaríamos de fazer algo e continuar tocando”, ele insiste. “Mas de que jeito e com qual cantor, eu não sei”.

“Geezer estará de volta à Inglaterra esta semana para ensaiarmos para o tributo. Talvez tenhamos tempo para ver o que o futuro traz”.

Ano passado Tony foi processado por Ozzy Osbourne com relação à posse da marca “Black Sabbath”. As disputas legais continuaram por meses, até algumas semanas atrás quando a batalha foi resolvida, embora os termos do acordo não tenham sido revelados.   

Então está em aberto uma reunião do Black Sabbath, ou muitas palavras ásperas foram ditas? Tony não está excluindo nada.

“Falei com Ozzy enquanto estava em Los Angeles, após o funeral de Ronnie, e ele me disse que me ligaria quando viesse para a Inglaterra com sua turnê”, revela.

“Mas ainda não recebi essa ligação”.

“Ozzy e eu temos um relacionamento complicado, mas sempre nos mantivemos em contato, não importando o que mais tenha acontecido. Tocaria com Ozzy novamente? Quem sabe? É estranho comigo e Ozzy”.

“Pode haver todo tipo de merda rolando, mas quando nós conversamos é como se nada de ruim tivesse acontecido. Uma vez que o tributo esteja concluído, nós todos podemos sentar e decidir exatamente o que gostaríamos de fazer”.





BAIXISTA DO BLACK SABBATH FALA SOBRE GAMES, ESTRADA E MUITO MAIS

29 06 2010

Fonte: IGN Music

O website ING Music conduziu uma entrevista com o lendário baixista do Black Sabbath, Geezer Butler, que falou sobre o game “Rock Band”, suas inspirações para escrever letras, dentre outros assuntos.

Você confere a entrevista traduzida para o português na íntegra com exclusividade no IMPRENSA ROCKER. 

Como membro do Balck Sabbath, Geezer Butler não precisa ser apresentado. O homem pode ter alcançado o estrelato há mais de 40 anos, mas ele ainda tem energia para o Heavy Metal. Baixista e principal letrista da banda, Butler revolucionou o modo como vemos o Rock n’ Roll e, mais, o modo como vemos a música.

Nesta entrevista exclusiva, o IGN bate um papo com Butler sobre o próximo lançamento da série “Classic Albums”, que irá retratar a produção do segundo disco do Sabbath, “Paranoid”. Ele também fala sobre sua percepção sobre o filme “Iron Man 2”, o game “Rock Band”, e muito mais!

IGN: Você tem o DVD “Classic Albums” sobre o “Paranoid” sendo lançado. Que tipo de conteúdo especial e material de bastidores os fãs devem esperar?

GEEZER BUTLER: Bem, será cada um de nós falando sobre as experiências – as que podemos nos lembrar, pelo menos – e eu e Tony (Tony Iommi, guitarrista do Sabbath) tocamos alguma coisa. Tony toca as partes de guitarra, que se misturam com as partes gravadas em estúdio na época. Então passamos por cada faixa, individualmente, apenas falando sobre o que podemos nos lembrar dela, quem fez o quê e este tipo de coisa.

IGN: Já fazem 40 anos desde que “Paranoid” foi gravado. Olhando para esta época, qual sua perspectiva atual sobre o álbum?

BUTLER: Eu gostaria de lembrar mais sobre o disco, mas ele foi feito com tanta pressa, porque mesmo antes do primeiro álbum sair, nós tínhamos uns shows na Alemanha e Suíça, e tocávamos de seis a oito horas por dia. Nós só tínhamos uma hora de material naquela época, então o “Paranoid”, na verdade, foi escrito no palco desses pequenos clubes onde tocávamos por oito horas num dia. Escrevemos a maior parte do “Paranoid” enquanto estávamos em turnê, antes até do primeiro álbum ser lançado, então tiramos cinco dias de folga da tour para gravamos o “Paranoid”, e voltamos para a estrada. 

IGN: Paranoid” e “War Pigs” são faixas presentes no disco, e originalmente o título do “Paranoid” seria “War Pigs”. Como exatamente ocorreu a mudança no título do álbum?

BUTLER: Bem, iríamos intitular o album “War Pigs”, então a gravadora veio com aquela capa estúpida para o disco… nenhum de nós gostou da capa. Não tínhamos direito à opinião sobre nada naquela época. Então a gravadora veio com aquela capa, achando que o título seria “War Pigs”, e a canção “Paranoid” foi uma coisa de última hora. Nós precisávamos de mais três ou quatro minutos para o álbum, e rapidamente escrevemos “Paranoid” como uma canção “descartável”, mas quando a gravadora a escutou, achou que era a música mais forte do álbum, e nos fizeram mudar o título do disco para “Paranoid”.

IGN: Você foi o principal letrista do Black Sabbath por muitos anos, e é conhecido por buscar inspiração na ficção científica, fantasia e religião. De que lugares você estava tirando sua inspiração naquela época?

BUTLER: Apenas da vida real, suponho. “War Pigs” foi sobre a Guerra do Vietnã, com a qual achávamos que acabaríamos nos envolvendo. “Hand of Doom” é sobre as experiências dos soldados. Nós tocamos numa base Americana na Alemanha, que era uma espécie de “casa no meio do caminho” para os soldados que estavam voltando do Vietnã. E eles me diziam que para conseguir encarar os horrores daquela guerra, usavam drogas por lá, o que nunca foi dito na TV ou em nenhum lugar na época. Então era tudo novo para mim, e eu achei que era um bom assunto sobre o que escrever. “Electric Funeral” é sobre a guerra atômica, que era iminente na época. A Guerra Fria estava em seu apogeu. Todo mundo achava que seria detonado a qualquer segundo. Então era tudo sobre a vida real e sobre o que estava rolando.

IGN: O que te inspira agora quando você está escrevendo?

BUTLER: Não muitas coisas (risos).

IGN: Você tocava guitarra com Ozzy na Rare Breed, que era mais uma banda de Blues e Soul. O que causou sua mudança para o baixo e para o Heavy Metal?

BUTLER: Eu mudei da guitarra base (para o baixo), porque muitas bandas estavam entrando no lance do Cream, de Hendrix e coisas do tipo. Ou você era um guitarrista solo ou um baixista, não havia interesse para guitarrista base se você quisesse tocar aquele tipo de coisa. Quando fui ver o Cream, não podia acreditar no modo que Bruce (Jack Bruce, baixista do Cream) tocava baixo, e isto me inspirou totalmente a passar para o baixo. Era a direção na qual queria seguir. Todo mundo no Sabbath gostava do Cream, de Hendrix e do Zeppelin, e suponho que foi uma progressão natural para nós ficarmos mais pesados do que eles eram.

IGN: Muitas de suas canções estão pegando o caminho dos video games, como “Rock Band” e “Guitar Hero”. Como você se sente sobre isso? Você acha que é uma boa maneira de apresentar sua música a uma nova geração?

BUTLER: Sim, quer dizer, é um lance bem popular. Todos os garotos que conheço, da minha família, gostam deste tipo de coisa e metade deles nem sabe que é uma música do Sabbath (risos). Eles não se interessam em ouvir os álbuns, mas os escutam no “Rock Band” e curtem. Sim, isto é bom. Sem contar que, provavelmente, é melhor do que ouvir rádio. O jogo dá a eles alguma coisa para fazer também.

IGN: Tem havido muita conversa sobre “Iron Man” desde que a sequência do filme saiu no último mês. Como você se sente em ouvir sua música sendo usada como o tema principal desta franquia? É estranho ouvir a canção nas propagandas na TV? Você é um fã de filmes?

BUTLER: Eu gostei do primeiro. Não assisti o segundo ainda. Mas, sim, é ótimo. Nós escrevemos “Iron Man” 40 anos atrás, achando que ninguém nem ia ligar para ela depois de seis meses, e aqui estamos 40 anos depois e ela está em comerciais na televisão. É incrível. 

IGN: O que você diria ter sido a coisa mais louca que já aconteceu com você no palco ou após um show?

BUTLER: Provavelmente a coisa mais louca foi quando fui atingido na cabeça com uma garrafa em Milwaukee. Era o começo da turnê do “Heaven and Hell”, e ao fim de uma música as luzes se apagaram e eu comecei o baixo da introdução de “N.I.B.”, e algum idiota jogou uma garrafa que me atingiu minha cabeça. Isto me derrubou, e quando as luzes se acenderam, não tinha um baixista lá! Eu estava desmaiado e tinha sangue por todo o lado. Eu fui tirado do palco e, literalmente, só tocamos uma música. Ninguém nem se importou em ir dizer ao público o que tinha acontecido, então um tumulto começou. E quando eu cheguei no hospital, alguns garotos que acabaram feridos no tumulto também estavam por lá, bem ao meu lado – sem saber que era eu, graças a Deus.