“TEMOS UM TREMENDO SHOW”, DIZ JANICK GERS

14 02 2011

Fonte: Poparazzi

O blog “Poparazzi” (vinculado ao jornal “Today”, de Singapura) realizou um extensa entrevista com o guitarrista do Iron Maiden, Janick Gers. Dentre outros assuntos, Gers falou da nova turnê, dos fãs e como se prepara quando sai numa longa tour.

Confira a entrevista completa, em português, com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER!

Eis a cena: eu, preso num abrigo sob chuva torrencial, com cabos de monitores por todos os lados. Janick Gers do Iron Maiden preso num hotel em Moscou sob uma temperatura abaixo de zero. O que poderíamos fazer além de uma teleconferência?

Olá! Como está sendo o começo da turnê?
Bem, estamos em Moscou, e está cerca de 12 ou 15 graus negativos. Eu fui na Praça Vermelha tirar umas fotos e minhas mãos congelaram. Não consegui ficar lá fora, então voltei para dentro do hotel.

Nós voamos no Ed Force One, trouxemos todo o equipamento conosco. Este é o início da turnê mundial, que passará por Singapura, Jakarta, Bali, Austrália, Tóquio e então América do Sul… Basicamente por todos os lugares, incluindo Coréia, Colômbia, México, e terminamos nos Estados Unidos em abril, tiramos umas semanas de folga e rumamos para a Europa. É o começo de uma turnê muito longa, na verdade. Assim que fizermos o show de Moscou (Nota do Tradutor: Quando a entrevista foi realizada, o show de Moscou ainda não havia acontecido), estaremos indo direto para vocês. Do frio congelante ao calor insuportável.

O calor insuportável é a excitação por seus fãs poderem ver vocês pela primeira vez aqui!
Yeah, e trouxemos tudo; Eddie veio conosco. Vamos tocar novas canções, do ultimo álbum – Final Frontier – e algumas mais antigas para aqueles que gostam do material antigo. Então é bem balanceado, mas extravagante ao estilo do Maiden. Mas é ótimo pisar em novos lugares. É ótimo tocar em novos lugares. 

Esta não a sua primeira vez em Singapura, correto?
Nós iríamos fazer um show aí quando eu estava na banda de Ian Gillan, em 1982, mas não nos permitiram, porque nosso cabelo era muito comprido. Mas ainda bem que tudo aquilo mudou, então estamos realmente animados em tocar para pessoas que ainda não nos viram ao vivo antes. É realmente excitante para nós.

Bem, sair numa turnê tão longa pode ser difícil. Como você mantém sua energia?
Todo show é muito importante para as pessoas que pagaram para nos ver, então acho que é muito importante dar a elas o melhor show possível. E você sabe, em muitos destes lugares só vamos uma vez a cada dois anos – isso quando voltamos -, então temos ciência de que cada show é muito, muito importante, e tentamos fazer a melhor apresentação todas as vezes. Não importa se são 100 mil ou 10 mil ou seja lá quantas pessoas. Não importa. Nós fazemos o melhor show possível. E sim, sob certas circunstâncias, temos problemas com energia elétrica ou algo do tipo, mas temos que fazer com o que temos, e fazer o melhor. Todo show é importante. Não há exibicionismo.

Você acha que haverá incidentes?
Nós partimos de Londres, e tivemos um problema com o avião. Na verdade, tivemos que fazer uma nova peça para ele, e quando a colocamos, ela não funcionou. Então este foi um momento um tanto Spinal Tap, eu acho. Estes pequenos problemas técnicos meio que te atrasam, mas no final funcionou, e estávamos todos loucos para ir, prontos para tocar.

Como vocês evitam ficarem entediados ao tocar as mesmas músicas noite após noite?
Nós mudamos muito o set, na verdade! Há alguns anos, nós só tocamos músicas do novo álbum. Então mais tarde fizemos um set com canções do começo dos anos 80, mas há algumas músicas que, se não tocarmos, as pessoas nos linchariam, então temos que tocá-las. Tentamos manter o set interessante para nós e para as pessoas que vêm nos assistir. Não somos uma paródia de banda. Não tocamos somente o material antigo. Estamos sempre tentando alargar os limites.

Por falar em alargar os limites, um deles é a diferença de idades. Vocês têm garotos vindo aos shows – e não apenas os fãs que estavam lá desde o começo.
Quando tocamos na Escandinávia, a maioria dos garotos tinha de 12 a 15 anos, e os caras no fundo eram os fãs mais antigos. E é incrível, porque você pensa nisto no sentido de… Bem, como os Rolling Stones, que tocam para pessoas mais velhas. Você não vê muitos jovens indo aos shows deles. Mas com a gente há muitos jovens, e eu acho isso rejuvenescedor, na verdade. É excitante saber que atraímos uma nova geração de fãs. Eu acho que é fantástico. Me mantém com pé no chão, tocando o meu melhor, ao invés de afundando na velhice! É ótimo ver rostos jovens por aí, e você sabe que eles não te viram ainda, então é excitante. É absolutamente incrível. Não apenas na Escandinávia, mas em toda a Europa também. Não sei explicar por que isto acontece, mas acontece. Sou grato por isso, que nossa música atinja estes novos fãs.

Você acha que isto é uma validação do Iron Maiden? Porque vocês são uma banda, tocando ao vivo, ao invés de apenas depender da tecnologia, fazendo tudo com o apertar de um botão.
Você não pode descartar outras formas de música, mas somos muito honestos com o que fazemos. Fazemos o que acreditamos. Usamos as armas que temos. Quando as tendências musicais começaram a mudar, nos mantivemos fazendo o que fazemos. Nos saímos ok. Eu não descartaria as outras pessoas – há muito espaço para todo mundo. Eu sei o que gostamos de fazer, e eu acho que temos um tremendo show e as pessoas que vêm nos ver se divertem. Esta é uma das nossas forças. Nós podemos sair e tocar, e é tudo ao vivo.

Qual a maior lição que você aprendeu?
Apenas ser honesto com relação à sua música e lutar com as armas que tem. E praticar muito. Você não quer ir lá fora e não ser bom. Você tem que priorizar o trabalho. Certamente bebemos após os shows, mas antes dos shows somos bem rigorosos. Tudo é sobre ser profissional e deixar a melhor impressão possível.

Então nada de sexo, drogas e Rock n’ Roll?
Bem, não. Eu gosto de um bom drink após os shows. Apenas antes que eu não bebo nada! Eu faço o que gosto quando o show termina – é o meu momento! Só até o show. Depois eu tomarei uns goles.

Qual a melhor coisa de se estar no Iron Maiden agora?
Eu amo viajar e tocar. Tocar é meu passatempo preferido. Eu gosto de ver novas culturas, conhecer novas pessoas e observar a arquitetura. Fico com minha câmera na mão para sair e fazer fotografias. Eu aproveito a vida. Eu faço isto desde que era jovem, então eu devo gostar, caso contrário não estaria fazendo. Os únicos problemas que temos são o jet leg e as mudanças de fuso. Estamos contra o tempo agora, então quando chegarmos em Singapura, estaremos bem fora do nosso fuso horário. E isto não fica mais fácil. Quando chegarmos na Austrália, será como um dia de diferença. E estaremos de pé às oito da manhã, você sabe, de uma semana atrás. Este provavelmente é a coisa mais difícil.

Como você gostaria que fosse seu epitáfio?
Ele veio, ele viu, ele tomou um drink e ele se foi.

Você acha que irá trabalhar em novas músicas e novas gravações durante esta turnê?
Bem, nós lançamos o álbum no final da última turnê, e esta turnê é para este álbum – apesar de ser um pouco mais tarde do que planejamos. Nós terminamos em agosto, então tiramos uma folga e vamos compor novas músicas. Então será no ano após o próximo, eu acho!

Qual a coisa você tem que lembrar a você mesmo quando sai em turnê?
Você tem que se manter fisicamente em forma, porque se você desmorona após a primeira semana da turnê… Você sabe, você escuta muitas bandas cancelando uma turnê por causa de ‘esgotamento nervoso’, mas o que isto na verdade quer dizer é que eles ficaram tão bêbados, que não conseguem mais fazer o show. Se você vai sair numa turnê de seis meses, você tem que se controlar. Eu tento fazer muito exercício antes de partirmos – na verdade, me exercitei tanto, que agora estou com uma fratura por estresse no pé, então isto meio que me segurou. Não bebo durante o dia. Sou um bebedor da noite. Mas você cuida de si mesmo. Você tem que estar bem fisicamente. Não é um jogo. Você não pode ficar doente. Você viaja bastante, come diferentes comidas e ninguém vai cuidar de você a não ser você mesmo.

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GUNS N’ ROSES ORIGINAL PODE FAZER O SHOW DO INTERVALO NO PRÓXIMO SUPER BOWL

11 02 2011

Fonte: Kent Sterling

De acordo com o website “KentSterling.com”, sítio norte-americano especializado em esportes, conversas estão rolando para que a formação original do Guns se apresente em Indianápolis, na final do campeonato nacional de futebol americano. Talvez o Guns n’ Roses seja a única grande banda de Rock n’ Roll cujos integrantes ainda estão vivos, e que nunca tocaram no Super Bowl.

“Após um show fraco no Super Bowl deste ano, com o super-exposto Black Eyed Peas – que contou com as participações de Usher e Slash – a NFL está querendo soltar uma bomba, reunindo Axl Rose, Slash, Izzy Stradlin, Duff McKagan e Steven Adler (ou Matt Sorum), além de Dizzy Reed”, escreveu Kent Sterling, ex-Diretor de Programa da WIBC e dono do site “KentSterling.com”.

“Paul McCartney já fez o Super Bowl, U2 já fez, Rolling Stones, Kiss, The Who, Tom Petty, Bruce Springsteen… Levando em conta que o Clash já não existe (Joe Strummer está morto), o The Police já não existe e a maioria das grandes bandas de Southern Rock já não existe, sobram Justin Bieber e o Guns n’ Roses. E se algum dia Bieber se apresentar num intervalo do Super Bowl, espero estar lá para levar um tiro e parar com o show”, acrescentou Sterling.

O jornalista continua: “Espero que Axl esteja tomando seus remédios e concorde em fazer o show. É sempre uma pena quando grandes bandas deixam que disputas coloquem um fim prematuro em sua criatividade e habilidade em encantar o público. O Guns n’ Roses já passou há muito do seu auge criativo, mas por 12 minutos eu ficaria imóvel em frente à TV para assisti-los detonar”.

Sterling finaliza, dizendo que as conversas ainda estão em estágios iniciais, e podem não dar em nada. “Mas é bom saber que pelo menos alguém está pensando com clareza na NFL”.





ROLLING STONES NEGAM PLANOS PARA TURNÊ EM 2011

3 02 2011

Fonte: Classic Rock

Os Rolling Stones negaram que haja quaisquer planos para uma turnê no fim deste ano. Uma batalha judicial entre a “Live Nation” e seu antigo presidente, Michael Cohl, pareceu revelar que a banda estava se organizando para iniciar uma turnê no fim de 2011. Entretanto a banda afirmou em um comunicado:

“Após a turnê “A Bigger Bang World Tour”, no final de 2007, os Rolling Stones se tornaram livres de quaisquer contratos ou acordos com Michael Cohl. Ele não é nem o representante da banda e nem seu promotor de turnês. Além disto, a banda confirmou hoje que não há planos concretos para uma turnê na data mencionada”.





ROLLING STONES PODEM ESTAR PLANEJANDO TURNÊ

1 02 2011

Enviado por: Bernardo Macondes
Fonte: Rolling Stone

Os Rolling Stones podem sair em turnê em breve para comemorar o aniversário de 50 anos da banda, que serão completados em 2012. Apesar de não ter sido feito nenhum anúncio oficial, um processo aberto na justiça indica que o grupo deverá colocar o pé na estrada.

O embate legal está acontecendo entre a “Live Nation”, gigante no ramo de produção de shows, e o organizador de turnês Michael Cohl. Este está sendo processado pela empresa, que pede US$ 5,35 milhões, alegando que Cohl descumpriu cláusulas do contrato que assinou ao deixar o cargo de diretor da “Live Nation”, em 2008.

Ele, por sua vez, reagiu entrando com outra ação na justiça, declarando que a foi produtora que descumpriu o contrato com o objetivo de atrapalhá-lo em sua tentativa de obter os direitos de promover a próxima turnê dos Stones, sendo que organizou absolutamente todas excursões mundiais deles desde 1989. O documento ainda explica que os integrantes do grupo sabem da existência da disputa, mas optaram por não ter nenhum envolvimento no caso. Ainda assim, Cohl acredita que o início dessa briga legal interferiu na relação de confiança que sempre manteve com a banda e quis mover a ação.





RONNIE WOOD CONTA QUE FOI DESPEJADO COM JIMI HENDRIX DE APARTAMENTO QUE DIVIDIAM

18 01 2011

Fonte: Mundo Pop

Ronnie Wood, o guitarrista dos Rolling Stones, contou em entrevista que ele e Jimi Hendrix foram despejados do apartamento que dividiam por causa de um cachorro. Os dois viveram poucas semanas junto com Pat Arnold, cantora das Ikettes, em um flat no bairro de Notting Hill, em Londres. Ronnie disse que Hendrix era muito gentil e lhe deu de presente um basset hound, que chamavam de Loopy.

“Ela nos mandou embora porque o cachorro fazia cocô por toda parte”, contou, segundo o “Music News”. O guitarrista de 63 anos se lembra bem das jams que os dois faziam sentados no apartamento, e como costumava ficar impressionado com o guitarrista americano. “Nós costumávamos nos sentar na cama e trocar ideias na guitarra. Ele conseguia virar o violão e tocar tão bem com a esquerda quanto com a direita (Jimi Hendrix era canhoto). Ele era como Ronnie O`Sullivan (campeão britânico de sinuca conhecido por sua habilidade com o taco).





SLASH FALA SOBRE JIMI HENDRIX

12 01 2011

Enviado por: Bernardo Marcondes
Traduzido por: IMPRENSA ROCKER
Fonte: The Quietus

O website “The Quietus” conduziu uma extensa entrevista com o icônico guitarrista Slash, que falou sobre o guitarrista mais influente da história: Jimi Hendrix.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, em português, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER! 

Por qualquer ângulo, Saul Hudson tem vivido uma vida mágica. Como parte de uma das maiores bandas do mundo, ele se tornou um ícone por seus próprios méritos, e desde então já tocou com Michael Jackson, Bob Dylan e Ray Charles.

Ele sobreviveu anos à deriva num oceano de Jack Daniels e à ridícula gestação do “Chinese Democracy” do Guns n’ Roses (no qual ele não fez parte), mantendo sua reputação mais ou menos intacta.

Enquanto que os méritos artísticos em aparecer no “American idol” ou em ser imortalizado como um personagem de video game talvez estejam abertos para debate, parece que o lugar de Slash no panteão do Rock está muito bem seguro.

Quando conversei com ele, ele foi afável, entusiástico e louco para falar sobre a duradoura influência de Jimi Hendrix – um ídolo dele que não foi abençoado com tal longevidade.

Você nasceu na Inglaterra. Sua mãe fazia o figurino de David Bowie e seu pai fazia capas de discos para gente como Neil Young. Você deveria ser bem novo na época, mas alguma vez você encontrou Hendrix pessoalmente?
Nunca, mas minha mãe e meu pai eram do Rock n’ Roll, e especialmente meu pai me criou com o Rock inglês, você sabe, The Kinks, The Yardbirds, Stones e Beatles.

Então este foi o cenário da minha infância. Na verdade eu não conhecia Jimi até me mudar para Los Angeles, e de repente havia Hendrix, The Doors, The Mamas and The Papas, Starship – aquela coisa toda que estava acontecendo. E Jimi era excitante. Ele era a personificação daquele guitarrista selvagem e elétrico.

Você se lembra da primeira vez que o escutou?
Não especificamente, mas na nossa casa, em “Laurel Canyon”, era algo que lembro estar sempre na nossa radiola – o primeiro disco do Hendrix Experience. “Purple Haze” e “Light My Fire” estão bem enraizadas na minha memória.

O que foi que fez ele se destacar? Quando penso nos guitarristas que talvez tenha uma influência audível na forma como você toca, eu diria que é Page, Perry e talvez alguns dos Punks ingleses. Como Jimi entra nisso?
Provavelmente de forma subconsciente, porque eu só me tornei um guitarrista mais tarde, e olhando para quando peguei uma guitarra pela primeira vez, eu percebo que sempre fui focado em música guiada pela guitarra – eu sempre esperava pela entrada da guitarra.

Eu acho que a atração por Jimi era porque ele tinha este estilo fluido e desinibido que basicamente berrava. Tinha aquele som de primeira linha que meio que me atraiu. Eu acho que todos os meus guitarristas preferidos tem uma certa característica maníaca.

Tem alguns discos preferidos?
De Jimi, os dois primeiros discos. “Axis: Bold as Love” é o meu álbum de Hendrix preferido. Sou fã de “Little Wing”. “Voodoo Chile” é ótima, e sua versão ao vivo de “Machine Gun”.

Do “Live at The Filmore East”?
Yeah! O “Live at The Filmore East” é inacreditável. Na verdade, nunca tinha o escutado até os 14 anos.

Eu fico imaginando a extensão do que lhe interessa no mito Hendrix – a mística de sua personalidade.
Lembro de quando era um garoto, provavelmente aos 13 ou 14 anos, e havia um filme de Hendrix que costumava passar nos fins de semana, junto com o “The Song Remains The Same” e “The Rocky Horror Picture Show”, e Steven Adler e eu costumávamos entrar escondidos, nos chapar e ficar assistindo a estes filmes.

Definitivamente há uma fascinação pela personalidade de Hendrix – seu comportamento – que parecia muito, muito cool. Eu não acho que você possa ser muito mais cool do que Jimi Hendrix..

Quando penso sobre Jimi agora, começo a pensar em como era ser um rockstar em 1967 ou 1968. Devia ser uma época bem selvagem, porque tudo era tão novo e primitivo, e todo mundo estava vindo de um lugar tão diferente, mentalmente. Havia acontecimentos políticos que tinham grande influência na cultura jovem, e os garotos tentando segurar a vida e o futuro em suas próprias mãos.

O grande lance sobre as drogas na época, em minha opinião, é que era algo que os garotos estavam usando porque, primeiro, era divertido; e era uma experiência, e meio que era só deles, além do fato de que os adultos odiavam e “O Homem” odiava – não havia o tipo de tabu que há hoje, e havia toda esta experimentação, porque também havia um grande movimento.

Jimi estava na linha de frente daquele jeito de tocar, que mais tarde se seria considerado como guitarra psicodélica. Deve ter sido uma viagem estar perto deles – ser um músico e escrever e criar discos naquela cena, e isto é algo que me fascina com relação aos artistas daquele período.

Eu fui criado nisso – sou um resultado daquela cultura. Nascer na Inglaterra, de um pai inglês e uma mãe negra, é o máximo de anos 60 que se pode ser. Meus avós estavam devastados!

Obviamente Hendrix nasceu nos Estados Unidos, mas foi na Inglaterra onde ele primeiro conseguiu um sucesso significativo. Você meio que é o oposto, apesar de não ter vivido tanto tampo na Inglaterra, antes de se mudar para os Estados Unidos. Você sente algum tipo de empatia por Hendrix por causa disso?
Para mim, especificamente se não fosse pelo… Estou tentando pensar de uma forma mais sutil de colocar isto, mas não consigo. Esta coisa do cruzamento… Se eu não tivesse nascido na Inglaterra e se meus pais não tivessem ficado juntos do jeito que ficaram, eu não seria quem eu sou.

Eu acho que foi muito importante eu ter aquela influência de crescer na Inglaterra naquele período, e misturar as coisas quando me mudei para os Estados Unidos, com tudo que estava acontecendo por lá. Isto teve um grande impacto em quem eu acabei me tornando.

O lance sobre Jimi é que ele nasceu nos Estados Unidos com um talento vindo dos céus, mas foi descoberto por uma turma inglesa que levou ele para Londres, onde tudo estava acontecendo e eles o apreciaram por quem ele era.

É um tanto engraçado, porque você pensa em todos os grandes guitarristas que estavam surgindo na época… Basicamente os guitarristas ingleses eram um bando de garotos brancos que queriam ser negros e tocar aquele tipo de som, e então há este garoto negro vindo dos Estados Unidos que meio que traz a coisa completa de lá e todo mundo fica, “uau”! Todo mundo estava tropeçando em Jimi, que realmente é a personificação daquele jovem guitarrista, usando muita distorção, muito feedback… Deve ter sido bem interessante ser, por exemplo, Jeff Beck, na época.

A representação de Hendrix como parte daquela cena, ou certamente minha percepção da coisa, é que ele era um cara realmente inocente, que foi puxado pelas drogas e hedonismo. Você, talvez mais com o Guns n’ Roses, foi retratado também como adepto do hedonismo. Era uma decisão consciente se mostrar daquela forma – ou aquilo era apenas como você era?
Eu realmente não prestava muita atenção. Eu apenas achava que éramos totalmente normais. Reconhecidamente, nós tinhamos uma certa quantidade de atitude e um certo modo de fazer as coisas, mas basicamente apenas estávamos sendo nós mesmos. Eu acho que naquele ponto em particular, não haviam muitas pessoas – entre meados e fim dos anos 80 – que não se adaptavam ao status quo. Muito daquilo era verdade, mas eu acho que eles passaram muito tempo focados naquilo, porque talvez a mídia achasse que era rentável.

É engraçado, porque eu nasci na cultura das drogas. Não vou falar em nome de nenhum dos outros caras – todos têm razões diferentes para fazer o que fazem – mas para mim, pessoalmente, não tinha nada a ver com os rockstars anteriores a mim. Eu não havia lido sobre isto nos livros. Não fui influenciado por Sid Vicious, Keith Richards ou Jimi Hendrix com relação ás drogas e todo aquele tipo de merda – era apenas parte do meu crescimento natural.

Eu não soube sobre os hábitos químicos dos diferentes músicos e artistas até mais tarde quando fui para a estrada, e então descobri que tal pessoa estava lutando e tinha sérios problemas de vícios e tal. Isto se tornou meio que um consolo – você não se sentia tão culpado por ter todos aqueles problemas, porque alguns dos seus rockstars preferidos tinham os mesmos problemas, mas isto não teve uma influência em como nós nos mostrávamos, ou como eu me mostrava especificamente, então toda a atenção dada a nós sempre pareceu um pouco como… Não sei como dizer. As pessoas estavam chocadas com aquilo, o que provavelmente também nos chocou um pouco.

Hendrix começou como um músico de apoio, tendo tocado na banda de Little Richard antes de ser expulso por ofuscar o frontman. Há uma tensão natural entre u guitarrista extravagante e um carismático cantor?
Eu acho que provavelmente Jimi estava procurando descobrir quem ele era e fazendo qualquer show que podia. Ele provavelmente era bem extravagante em sua mente de qualquer forma, e apenas recebeu a oportunidade de ser quem ele queria ser.

Ele ganhou aquela aceitação em Londres, por causa de toda aquela viagem psicodélica que estava acontecendo lá de forma massiva – isto foi a base da coisa toda, o que é bem interessante quando você pensa a respeito. Se tivesse recebido metade desta chance, tenho certeza de que teria conseguido nos Estados Unidos, mas aquele espírito, num nível criativo, não existia da forma que era na Inglaterra.

Obviamente a carreira de Hendrix foi abreviada, e ele deixou pouco material – suponho que ninguém realmente sabe do que ele era capaz. Com o Guns você atingiu um sucesso extraordinário numa idade bem jovem, e então pareceu que você poderia ir pelo mesmo caminho que Hendrix, ou ao menos você foi retratado desta forma. Você é grato por ter conseguido o tanto que conseguiu?
Bem, considerando tudo, no meu caso foi apenas meio que uma sorte idiota, porque toda hora que eu acabava no mesmo estado físico que Jimi poderia ter estado, eu conseguia sair. Ainda estou aqui. É uma espécie de acidente estranho por si só.

Além de ser a apenas a paixão em tocar e o desejo de me manter fazendo música. Provavelmente eu tenho mais amor pelo o que faço agora do que tinha quando comecei, então isto é o que mantém a coisa em frente.





MICK JAGGER CHAMA A BIOGRAFIA DE KEITH RICHARDS DE ENTEDIANTE

10 12 2010

Enviado por: Bernardo Marcondes
Fonte: Globo.com

Mick Jagger chamou a biografia de Keith Richards de entediante e acredita que o livro seja desnecessário, segundo informações do jornal “The Sun”. O vocalista do “Rolling Stones” declarou que nunca iria seguir o mesmo caminho e escrever sua biografia. “Você não quer terminar como um velho jogador de futebol falando como fez o cruzamento na final da Copa de 1964”, disse.

No livro, que recebeu o título “Life” (Vida), Richards conta sua história desde a infância em Kent, na década de 40 e 50, até encontrar a fama com o Rolling Stones nos anos 60. Além de afirmar que Mick Jagger teria um “pinto minúsculo”.