NIRVANA RELANÇA EP PARA COMEMORAR O DIA DA LOJA DE DISCO

24 03 2011

Fonte: Classic Rock

A lendária banda de Seattle relançará seu EP de 1992, intitulado “Hormoaning”, para marcar as comemorações do Dia da Loja de Disco. O EP possuirá tiragem limitada em 6 mil cópias e estará disponível a partir do dia 16 de abril.

“Hormoaning” traz as gravações feitas para as sessões de John Peel na “Radio One” e apresenta covers de canções do Devo, The Vaselines e The Wipers, além das composições próprias “Aneurysm” e “Even in His Mouth”.





DISCO NOVO DO FOO FIGHTERS SAI NO DIA 12 DE ABRIL

3 02 2011

Fonte: Rolling Stone

O Foo Fighters anunciou na última terça, 1º de fevereiro, que seu mais novo disco, ainda sem título, chega às lojas no dia 12 de abril. Além disso, após receber diversos cliques com a divulgação de um pedaço de música, a banda colocou mais um trecho de material inédito em seu site oficial. Para ouvir, basta clicar aqui e sintonizar na frequência 101.5.

O sucessor de “Echoes, Silence, Patience & Grace”, de 2007, será pesado, conforme Dave Grohl revelou. Ele foi produzido por Butch Vig, também responsável por “Nevermind”, do Nirvana. Trata-se da primeira vez que o frontman e Vig colaboram em algum projeto desde então.

Krist Novoselic, ex-baixista do Nirvana, também participa do disco, na faixa “I Should Have Known”, tocando baixo e acordeão.

Na última sexta, 28 de janeiro, 300 fãs sortudos tiveram a chance de conhecer o trabalho do começo ao fim, durante um show surpresa, anunciado de última hora no Twitter do Foo Fighters.





O DIA DE HOJE NA MÚSICA: 18 DE NOVEMBRO

18 11 2010

Fonte: This day in music

Nasceram na data de hoje:
1936: Hank Ballard
1949: Herman Rarebell (Scorpions)
1950: Rudy Sarzo (Whitesnake)
1954: Charles Williams (KC and the Sunshine Band)
1962: Kirk Hammett (Metallica)

Em 1952, Bill Haley casou com sua namorada, que estava grávida, apenas quatro dias após de ter se divorciado de sua primeira esposa.

Em 1956, Fats Domino se apresentou no programa de TV norte-americano “The Ed Sullivan Show”, onde tocou “Blueberry Hill’”.

Em 1963, os Beatles receberam LP’s de prata do “Please Please Me” e “With The Beatles” numa cerimônia realizada na “EMI House”, em Londres. Eles também receberam um EP de prata de “Twist and Shout” e um single de prata para “She Loves You”. A banda então participou de um coquetel e de um almoço formal na sala de palestras da EMI, em companhia de executivos e convidados.

Em 1965, Manfred Mann, Yardbirds e Paul & Barry Ryan se apresentaram no “ABC Cinema”, em Stockton, nordeste da Inglaterra.

Em 1972, Cat Stevens iniciou uma estadia de três semanas no topo das paradas norte-americanas, com o álbum “Catch Bull At Four”.

Em 1972, Danny Whitten morreu de uma overdose de drogas aos 29 anos. Whitten era membro do Crazy Horse, banda de Neil Young, e compositor de “I Don’t Wanna Talk About It”, regravada por Rod Stewart, Rita Coolidge e Everything But The Girl. A canção “The Needle and The Damage Done” foi escrita sobre o uso de heroína por parte de Whitten (foi composta antes dele morrer).

Em 1973, Gary Glitter estava no topo das paradas britânicas, com o single “I Love You Love Me Love”, o segundo nº 1 do cantor.

Em 1975, Bruce Springsteen fez sua estréia ao vivo no Reino Unido, tocando no “Hammersmith Odeon”, em Londres.

Em 1976, Richard Hell and The Voidoids fizeram sua estréia no “CBGB’s”,em Nova Iorque.

Em 1978, o top 5 de singles no Reino Unido trazia: The Cars em quinto, com “My Best Friend’s Girl”; Rod Stewart em quarto, com “Do You Think i’m Sexy”; Dan Hartman em terceiro, com “Instant Replay”; Olivia Newton-John em Segundo, com “Hopelessly Devoted To You”; e o The Boomtown Rats em primeiro, com “Rat Trap”, que deu à banda irlandesa seu primeiro nº 1, além de ser o primeiro single de um grupo Punk ou New Wave a estar no topo das paradas.

Em 1983, o R.E.M. fez sua primeira apresentação fora dos Estados Unidos, quando participaram do programa britânico “The Tube”. Na noite seguinte fizeram sua estréia ao vivo no “Dingwalls”, Londres. 

Em 1992, o Black Sabbath foi homenageado com uma estrela na “Calçada da Fama do Rock”, em Hollywood.

Em 1993, o Nirvana gravou o seu “Unplugged MTV” no “Sony Studios”, em Nova Iorque.

Em 1993, o vocalista Eddie Vedder do Pearl Jam foi preso em Nova Orleans por desordem, após se envolver numa briga de bar.

Em 2003, o compositor e maestro norte-americano Michael Kamen morreu de um enfarto em Londres, aos 55 anos. Kamen trabalhou com Pink Floyd, Queen, Eric Clapton, Roger Daltrey, Aerosmith, Tom Petty, David Bowie, Eurythmics, Queensryche, Rush, Metallica, Herbie Hancock, The Cranberries, Bryan Adams, Jim Croce, Sting, e Kate Bush. Ele co-escreveu a balada “(Everything I Do), I Do It for You” de Bryan Adams.





VOCÊ SABE O QUE É UM MASHUP?

4 11 2010

Por mais que os pervertidos queiram dar um outro significado à palavra “mashup”, na verdade ela nada mais é do que a combinação de dois ou mais vídeos, sem relação nenhuma entre eles, tendo como resultado um novo vídeo. É como se pegassem uma sequência de “Indiana Jones” e uma de “Jurassic Park” e criassem uma nova sequência em que o professor de arqueologia mais fodão de Hollywood se visse rodeado pelos mais perversos répteis gigantes. Legal, não é?

Com a evolução e a democratização das técnicas de edição de imagens e áudio, os mashups hoje são corriqueiros, mas o que interessa a nós é apenas um segmento deste fenômeno: o que trabalha com artistas da música.

O objetivo deste post, na verdade, é mostrar a vocês o que é um mashup e exemplificar usando alguns dos melhores que já encontrei pela net. Confesso que fiquei viciado nisto – é bem divertido!

Prontos? Apertem os cintos de segurança e vamos nessa!

O que vocês acham de pegar o Guns n’ Roses e bater no liquidificador junto com os Beatles? Impossível? Tudo é possível quando os ingredientes são bons e a criatividade anda solta… Confiram “Sgt. Paradise Lonely Heart’s Club Band City” ou “Paradise Heart’s Club City” ou… Ah, vejam a parada aí!

E o que acontece quando o Sabbath e o Zeppelin resolvem tomar uma coisinha juntos?

Que tal juntarmos duas grandes bandas que sofreram do mesmo problema: perderam seus vocalistas para a dona morte.

E se Steve Harris e companhia tiverem a fim de fumar um baseado com Mr. Bob Marley?

Ainda no Maiden, que tal Bruce dando uma palhinha junto com o The Monkees?

Parece que o Kiss resolveu dar uma ajudinha na carreira da rapper Missy Elliot.

E se Kurt Cobain estivesse vivo, será que ele toparia uma participação num show do Europe?

Estes são apenas alguns exemplos, mas se você curtiu, há muito mais por aí – uns bons outros ruins.

Bom, os comentários estão livres para vocês darem suas opiniões, postarem links de outros mashups que achem interessantes, enfim, fazerem o que quiser.





O QUE HÁ DE TÃO CIVILIZADO NA GUERRA? AXL ROSE VS KURT COBAIN

29 10 2010

Sugerido por: Roberto A.
Fonte: A.V. Club

O website “A.V. Club” fez um verdadeiro e profundo tratado sobre a rivalidade que exisitia entre Axl Rose e Kurt Cobain, dois dos maiores ícones do início dos anos 90. Abordando diversos aspectos da guerra particular  – e que quase chegou ás vias de fato – entre os dois ídolos, o texto traz uma incrível análise psicológica dos músicos, além de uma ótima caracterização do que estava acontecendo no mundo da música naquela época.

Confira o texto completo, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

“Aprovados pelo Guns n’ Roses” – legenda sobre o Nirvana na revista semanal britânica “New Musical Express”.

“O papel dele tem sido interpretado por anos. Desde o começo do Rock n’ Roll que há um Axl Rose. E é um saco. É totalmente entediante para mim. Isto é uma novidade para ele, obviamente porque está acontecendo pessoalmente com ele, e ele é uma pessoa tão egoísta que pensa que todo o mundo lhe deve alguma coisa” – Kurt Cobain falando sobre Axl Rose (retirado do livro “Come As You Are: The Story of Nirvana”, de Michael Azerrad.

“Você é tudo que eu poderia ter sido” – Axl Rose falando para Kurt Cobain após um show do Nirvana em outubro de 1991, e relatado por Courtney Love em “W.A.R.: A Biografia Não-Autorizada de Willian Axl Rose”, de Mick Wall.

A parte mais complicada de se escrever sobre a história é colocar estilos, modas e movimentos sociais numa perspectiva adequada. Nem todo mundo passou os anos 60 fazendo bebês na lama em Woodstockk, ou os anos 70 cheirando com Bianca Jagger no “Studio 54”. Nós nos apoiamos nestas coisas, porque elas possuem significados facilmente reconhecíveis de suas respectivas eras, mas muita coisa é ignorada quando você toma o atalho das jaquetas Nehru e músicas dos Bee Gees. O espectro das experiências em qualquer era é simplesmente amplo demais; me faz imaginar se a chamada “monocultura” realmente existiu, no qual “todos concordavam” com o que era bom nas rádios e nas três emissoras de TV. Talvez apenas tenhamos melhorado em reconhecer que mesmo as coisas realmente populares são irrelevantes para significativas porções da população. Uma banda tão abrangente como eram os Beatles nos anos 60 provavelmente não significava muito para um adolescente negro que vivia em Detroit, ou para um motorista de caminhão da zona rural do Texas, ou para os milhões de decentes conservadores norte-americanos médios que trabalhavam duro e que esperavam impacientemente que aqueles cabeludos desafinados terminassem sua apresentação no Ed Sullivan, para que os mágicos e malabaristas pudessem entrar.

Há uma anedota muitas vezes contada sobre como o “Nevermind” foi lançado ao topo das paradas da “Billboard” nos últimos dias de 1991, porque os garotos trocaram o “Dangerous” de Michael Jackson pelo álbum do Nirvana, que era o que eles realmente queriam no natal. É uma estória rica em significado metafórico, mostrando a recém iniciada banda de Punk Rock contra o gigante superstar do Pop dos anos 80, terminando com os caras novos roubando a tocha cultural à força. Na versão cinematográfica, você veria adolescentes de todos os lugares trocando suas blusas brilhantes e jeans de pedra lavada por camisas de flanela e acessórios “Doc Martens”, e os escutaria reclamando sobre como os pais, a escola, o sistema e a mídia diz à nova geração com o que se importarem, e como isto é uma merda. É como se todos nós tivéssemos decidido nos tornar Christian Slater no filme “Pump Up The Volume”, e isto começou com o Nirvana destronando o rei do Pop.

Na realidade, “Dangerous” acabou se tornando indiscutivelmente mais popular que o “Nevermind”, vendendo mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo e gerando nove singles ao longo de dois anos. A sexta canção de “Dangerous” a ir para as rádios, “Heal The World”, provavelmente seria mais reconhecida pelos fãs casuais de música do que qualquer canção do Nirvana, possivelmente com a exceção de “Smells Like Teen Spirit”. “Dangerous” só parece um fracasso se comparado aos três mega-sucessos – “Off The Wall”, “Thriller” e “Bad” – que Jackson lançou antes dele. Mas ainda havia muitas pessoas que amavam “Dangerous”; ele pode ter perdido a batalha para o “Nevermind” aos olhos dos historiadores do Rock, mas Michael Jackson se deu bem na guerra.

“Nevermind” já havia sido mitificado quando Kurt Cobain cometeu suicídio em 1994; depois, pareceu que o disco existiu apenas como o ponto histórico que marcou o maior triunfo de Cobain e sua sombria introdução ao lado negro da inescapável fama e adulação. É difícil ouvir o “Nevermind” hoje em dia sem sentir o peso da história ou sem escutar o barulho do trovão do pressentimento. Mas a entrada do “Nevermind” no panteão dos “Importantes Álbuns de Rock” teve um certo atraso. Quando foi lançado, o disco só recebeu três estrelas e um review suave da “Rolling Stone”. De acordo com a “Spin”, o Nirvana era bom, mas não chegava nem perto do Teenage Fanclub, cujo álbum “Bandwagonesque” foi nomeado o disco do ano.
 
(“Nevermind” liderou o rank da “Village Voice’s Pazz & Jop Critics Poll”, ficando na frente do Public Enemy, R.E.M., U2 e P.M. Dawn. “Smells Like Teen Spirit” também liderou a lista de singles, ficando 19 posições acima de “Pop Goes The Weasel” do 3rd Bass que, assim como o Nirvana, levava a sério o desafio contra os “falsos artistas”.)

Assim como milhões de garotos, eu comprei uma cópia do “Nevermind” no fim de 1991, mas não me apressei em comprá-lo assim que escutei “Smells Like Teen Spirit”. Entretanto eu enchi o saco de minha mãe para que ela me levasse ao shopping para eu comprar dois álbuns que haviam saído uma semana antes do “Nevermind”. Eu havia esperado três anos por estes discos – toda a minha vida como consumidor de música. Por meses engoli o hype prometendo que a música destes álbuns poderia ser a melhor coisa a castigar meus tímpanos. Logicamente, tinha que possuir estes discos assim que estivessem disponíveis.

Você sabe onde está? Você está na selva com os “Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II” do Guns n’ Roses, baby! E até o final de 1991, algo que uma vez foi vital para a banda mais perigosa do planeta ia morreeeeeer!

O ano de 1991 pode ser lembrado como o ano do “Nevermind”, mas nenhuma banda era tão grande na época quanto o Guns n’ “Fucking” Roses, e nenhum rockstar tinha mais poder do que Axl Rose, o homem que fez da bandana e dos micro-shorts de ciclista algo cool de usar em público somente através da força de sua personalidade. O debut do Guns ‘ Roses, “Appetite for Destruction”, está entre os álbuns de Rock mais vendidos de todos os tempos e foi a trilha sonora de incontáveis adolescentes em ter o fim dos anos 80 e começo dos anos 90. Garotos de toda a parte estavam trepando, ficando bêbados e sendo espancados pela primeira vez, ao som de “Welcome to The Jungle” e “Paradise City”. Em 1991, Axl era tão poderoso que conseguiu coagir sua gravadora “Geffen Records”, a lançar dois maniacamente ambiciosos álbuns duplos no mesmo dia – 17 de setembro de 1991 – ao invés de separados por um ou dois anos, que era o que a gravadora queria fazer, porque parecia fazer mais sentido. O lançamento duplo dos “Use Your Illusion” era um ato tão descarado em sua arrogância, e ainda assim estranhamente admirável por sua dificuldade artística, que ninguém havia sido tão louco de tentar isso anteriormente e nem copiar nos 20 anos posteriores (sim, houve o pouco admirado projeto de Bruce Springsteen “Human Touch/Lucky Town” no ano seguinte, e o lançamento duplo de Sweat/Suit de Nelly em 2004, mas nenhum destes eram álbuns duplos). Podemos debater sobre a grandiosidade e importância do “Nevermind” – prefiro que não debatemos, mas vá em frente se quiser – mas não há argumentos contra a saga “Use Your Illusion” ser um evento único e histórico desde o nascimento do Rock; em termos de excessos, o fato fincou a bandeira do fim do mundo.

Baladas grandiosas baseadas no piano, épicos prog-Punks doentios, Blues queixosos cheios de DST’s, canções “piada” sobre putas mortas em valas, folks largados denunciando excessos anônimos e não tão anônimos, uma surpreendente e mordaz canção anti-guerra, ataques furiosos (e difamatórios) a jornalistas, participação especiais do cara do Blind Melon – “Use Your Illusion” tinha de tudo. Tudo que a “Geffen” podia fazer era esperar que Axl não decidisse carregar ainda mais paranóia sufocante e balbucios psicóticos em novas canções, adiando ainda mais o lançamento destes já obesos mamutes gêmeos à vida selvagem.

O primeiro gosto que o mundo teve de “Use Your Illusion” foi “You Could Be Mine”, lançado como single em junho de 1991, junto com o filme “O Exterminador do Futuro II: O Dia do Julgamento”, que por acaso era a outra obra de entretenimento na qual eu estava obcecado naquele ano. O Guns n’ Roses ainda estava há meses de lançar os álbuns que “You Could Be Mine” deveria divulgar – a canção é “Use Your Illusion II”, o que era bem confuso se você não soubesse sobre o “Use Your Illusion I” – mas o vídeo com Arnold Schwarzenegger foi bem sucedido em manter a banda onipresente na MTV naquele verão, como se ela estivesse em turnê pelo país. Não que o Guns n’ Roses precisasse de qualquer ajuda para chamar a atenção; durante um show em St. Louis, em julho, Rose saiu do palco, um reação ao que ele julgou ser um “segurança idiota”, durante a performance de “Rocket Queen”, a 15ª música da noite. O público respondeu destruindo o lugar, causando um prejuízo de US$ 200 mil; Rose mais tarde foi preso acusado de iniciar tumulto (ele se vingou, escrevendo “foda-se St. Louis”, nos créditos de ambos “Use Your Illusion”).

O tumulto sugeriu que a imagem do Guns n’ Roses ainda era rude o suficiente para convencer os fãs que socar uns aos outros na cara era uma reação razoável ao fato da banda só ter tocado por 90 e poucos minutos. Mas “Use Your Illusion” era o trabalho de uma banda indo além de seu início humilde, como patifes da rua que negociavam heroína; em breve o mundo descobriria que “You Could Be Mine” – uma canção magra, sórdida e com o balanço de uma cascavel, no clima do “Appetite” – havia criado uma porção de expectativas Hard Rock que os álbuns, independentes de seus outros méritos, não conseguiria atingir. 

O single que definiu o “Use Your Illusion I”, entretanto, acabou sendo “November Rain”, que chegou à MTV um ano após “You Could Be Mine”. Desnecessariamente caro, fatalmente exagerado, e um claro produto de uma falta de visão auto-destrutiva, o vídeo de “November Rain” já parecia risível desde a primeira vez que a MTV o exibiu. Era como se Axl estivesse seguindo obedientemente uma lista de coisas que você não queria ver envolvidas com o Guns n’ Roses: ricos casamentos, orquestras enormes, simbologia, Stephanie Seymour, e assim vai. Apenas cinco anos antes, o Guns n’ Roses apresentou uma imagem muito diferente no vídeo de “Welcome to The Jungle”, que para mim é a coisa mais poderosa que a banda já fez, inclusive mais poderoso que o “Appetite” como um todo. Até hoje, o Guns n’ Roses visto no vídeo de “Welcome to The Jungle” é a única banda de Rock a me assustar de verdade. Sim, ajudou o fato de eu só ter 10 anos na época, mas o Guns n’ Roses era enervante de uma forma que nem a mais assustadora das bandas de Metal poderia ser. As bandas de Metal eram como filmes slasher (Nota do tradutor: filme do gênero de “Sexta-Feira 13”, “Halloween”, “Massacre da Serra Elétrica”, etc); o Guns n’ Roses era como um estupro na prisão. 

O Nirvana é creditado por fazer as bandas de Hair Metal dos anos 80 parecerem bobas, com o “Nevermind” mas o Guns n’ Roses já havia feito isto com o vídeo de “Welcome to The Jungle” alguns anos antes. Mas mesmo que Rose tivesse maiores ambições em 1991, os bravos jovens de Seattle ameaçando transformá-lo em dinossauro antes da hora, aparentemente não o incomodou. Na verdade, ele foi um dos primeiros rockstars a entrar na onda do “Nevermind”. Em setembro de 1991, o Guns n’ Roses lançou o vídeo para a relativamente contida balada “Don’t Cry”, que mostrava imagens de Rose usando um boné de baseball do Nirvana. Rose usou o mesmo boné no filme do making of, e aparentemente também era um entusiasmado fã de seus colegas de “Geffen” fora das câmeras. Em outubro, ele levou Slash para ver o Nirvana tocando em Los Angeles e, de acordo com o livro “W.A.R.: A Biografia Não-Autorizada de Willian Axl Rose”, de Mick Wall, ele até fez aquela sua dancinha enquanto o Nirvana tocava (por que, oh, por que iPhones não existiam em 1991?).
 
Rose ansiava em escutar o Nirvana fazer um cover de “Welcome to The Jungle” – ele queria que eles fizessem “do jeito deles, seja lá como for” – e convidou a banda para tocar em sua festa de aniversário de 30 anos. Publicamente, ele quis que o Nirvana participasse da turnê gigantesca que o Guns n’ Roses fez com o Metallica, o que seria uma incrível oportunidade para qualquer banda que estivesse tentando estabilizar um público. Quando o Nirvana recusou, Rose chamou o Soundgarden, outra banda de Seattle  que ele elogiava na mídia antes da maioria dos fãs mainstream ouvirem falar do grupo.

Diga o que quiser sobre Axl Rose, mas você não pode acusá-lo de não estender o tapete de boas vindas às novas promessas da fraternidade dos rockstars. Mais do que tudo, o cara parece um fã; eu seu que eu convidaria o Nirvana para minha festa de aniversário em 1991 se eu tivesse condições. Infelizmente, o fato de Axl Rose abraçar o Nirvana pareceu confirmar os maiores medos de Kurt Cobain ao assinar com uma grande gravadora. Para Cobain, Axl Rose representava tudo de horrível no Rock corporativo. Num nível pessoal, ele achava Rose um ser humano desprezível, a epítome do racismo, sexismo, homofobia, orgulho caipira e comportamento “machão”, que sua música pretendia irritar e destruir.

Que Rose era mais complicado que isto – ele era o mesmo desajustado que Cobain foi enquanto crescia, e um cara razoavelmente sensível, considerando que ela chamou a mãe de “boceta” na canção “Bad Obssession” – não foi levado em questão. Rose significava a velha guarda, o Rock do super-estrelato, e Cobain nunca foi tão deliberado em seu desejo e desmantelar esta instituição quanto em sua franca crítica a respeito do Guns n’ Roses. A aversão que Cobain tinha em se tornar Axl Rose beirava a obsessão; ele disse à imprensa que do US$ 1 milhão que ele recebeu assim que o Nirvana explodiu, relativamente modestos US$ 300 mil foram para uma casa e apenas US$ 80 mil foram gastos em outras despesas pessoais. “Isto definitivamente não é o que Axl Rose gasta em um ano”, disse Cobain (uma história aparentemente contraditória é contada no livro “Heavier Than Heaven: A Biography of Kurt Cobain”, de Charles R. Cross: Cobain e Courtney Love passaram dois meses da primavera de 1992 no luxuoso “Four Seasons Olympic Hotel”, em Seattle, totalizando uma extravagante conta de US$ 36 mil antes de serem expulsos do lugar. O nome que eles usaram para registrarem-se no hotel foi Bill Bailey, o apelido original de Axl Rose).    

A ironia na rivalidade entre Axl e Kurt é que Cobain – o feminista que usava vários suéteres para não parecer tão magro – foi claramente o agressor, enquanto Rose, que mandou todo e qualquer crítico “chupar seu pau” em “Get in The Ring” e que chamou Vince Neil do Motley Crue para a porrada, do lado de fora da “Tower Records, em Los Angeles, parecia se retrair com relação a um homem que ele parecia admirar genuinamente. É meio triste, de verdade, apesar de que Rose não evitou de insultar Cobain. Quando o Nirvana recusou a participar da turnê “Get in The Ring” com o Guns n’ Roses e o Metallica, Rose se queixou à revista “Metallix: “Eles preferiram ficar em casa tomando heroína com suas esposas putas ao invés de saírem em turnê com a gente” (palavrões à parte, Rose não estava completamente errado). 

As coisas finalmente explodiram no backstage do “MTV Video Music Awards” de 1992, onde Cobain e Rose tiveram um mítico encontro, no nível dos encontros dos mais icônicos popstars de todos os tempos. Foi como quando Bob Dylan fumou um baseado com os Beatles, ou quando David Bowie cantou “Little Drummer Boy” com Bing Crosby, só que desta vez os participantes, sem dúvidas, odiavam um ao outro. Você pode comprar isto com aquela cena do filme “Heat” (N.T.: No Brasil, o filme se chamou “Fogo Contra Fogo”), quando o assaltante de banco interpretado por Robert De Niro toma um copo de café com seu rival da polícia, interpretado por Al Pacino, mas Axl e Kurt não conseguiram nem ao menos cultivar um invejo respeito mútuo. Os detalhes do encontro já são bem conhecidos pelos fãs do Nirvana, do Guns n’ Roses e pelos fãs de briga entre celebridades: começou quando Courtney Love, que estava sentada com Cobain e sua filha, ainda bebê, Frances Bean, chamou Axl e sua namorada Stephanie Seymour, e perguntou se ele queria ser o padrinho da criança. Ao invés de atacar Courtney, Axl se virou para Kurt:
 
“Cale a boca da sua puta, ou eu resolve isso lá for a com você”, rosnou Axl, soando mais ameaçador do quem em qualquer parte ao longo dos 150 minutos dos “Use Your Illusion” (pelo menos, do jeito que eu imagino a cena).

Sem deixar a peteca cair, Cobain se vira para sua esposa e diz sarcasticamente: “Ok, puta, cale a boca”. Sem querer perder a chance na troca de insultos entre os casais, Seymour pergunta dissimuladamente à Love: “Você é modelo”?

“Não”, ela respondeu. “Você é uma cirurgiã cerebral”? Fim de jogo, vitória do time Grunge.

Se há uma analogia que chegue perto de descrever este auge hostil, seria a primeira luta de Muhammad Ali contra Joe Frazier em 1971, no “Madson Square Garden”, onde Ali era visto como representante do liberalismo anti-guerra e Frazier era associado com o “establishment” conservador. Assim como Ali e Frazier, Kurt e Axl eram ligados por suas habilidades em transformar seus sentimentos de agressão, fúria, alienação e ódio em uma vocação altamente lucrativa. Mas eles vieram fundamentalmente de dois mundos diferentes, e juntar os dois ofereceu um caso de estudo fascinante sobre o que acontece quando dois homens que representam perfeitamente sensibilidades opostas agem de acordo com suas diferenças filosóficas no mundo físico.

Parece bem violento para uma noite que teve Dana Carvey como anfitrião, eu sei. Mas a forma como a estória “Kurt fez Axl parecer um idiota no VMA” foi reportada, e subseqüentemente exagerada por Cobain e pela mídia, diz muito sobre como “Use Your Illusion” (até mais do que o “Nevermind”) fez o comportamento “fora da lei cool” do Guns n’ Roses parecer apenas uma pose vazia, no espaço de um ano. O Nirvana estrelar um memorável momento Rock n’ Roll “foda-se” no palco ao tocar alguns compassos de “Rape Me” antes de mandar uma perfeita versão desleixada de “Lithium” – um contraste devastador para com o dueto de Rose com Elton John na altamente coreografada “November Rain” – aparentemente não foi o suficiente para Cobain, que compartilhou sua recheada estória com Axl no backstage com a MTV, falando sobre a arrogância de Rose no que foi descrito como uma clássica estória de Davi e Golias. No vídeo abaixo, que parecer ter sido gravado no dia seguinte ao incidente, num show beneficente em Portland, Cobain fala dos “20 guarda-costas” que estavam em volta de Rose e como Axl o ameaçava, enquanto ele tinha “um desamparado bebê nos braços”. O baixista do Nirvana, Krist Novoselic, também fala do Guns n’ Roses como sendo “o establishment do Rock n’ Roll” e “ como eles querem que as pessoas acreditem na rebeldia deles de sentar numa Harley Davidson, enquanto tocam piano com uma orquestra de 41 músicos, exatamente como fez o Emerson, Lake & Palmer em 1978”. O Nirvana este lendo seus próprios recortes da imprensa.   

Um bom desvio para esta estória é a alegação de Novoselic de que foi ameaçado mais tarde naquela noite pelo baixista do Guns n’ Roses, Duff McKagan. Aparentemente isto realmente aconteceu; McKagan até fez um tardio pedido público de desculpa a Novoselic no começo deste ano. Mas mesmo se ele tivesse desafiado Novoselic para uma luta mortal entre baixistas famosos, no meio de uma fúria induzida por bebidas e drogas, McKagan poderia ter tido uma pequena folga ao invés do Nirvana entregá-lo publicamente. Antes de se mudar para Los Angeles e se juntar ao Guns n’ Roses, McKagan era um membro ativo da cena Punk de Seattle, tendo tocado no The Fartz, Fastbacks e inúmeras outras bandas. Após ter ficado famoso, McKagan manteve os laços com a comunidade local de músicos, hospedando os integrantes do Pearl Jam eu sua casa, em Los Angeles, em uma das primeiras turnês da banda, e até batendo papo com Cobain numa viagem de avião para Seattle, após Kurt ter fugido da reabilitação pela última vez em suas últimas semanas de vida.

Obviamente não conheço Duff McKagan pessoalmente, mas baseado no video acima e no que li sobre ele em vários livros sobre Grunge, tenho que dizer que ele parece um cara sólido. E seu rancor anti-Nirvana aparentemente durou pouco, dada a empatia que ele sentiu por Cobain enquanto ele ia embora. Mas após 1991, a mera menção das palavras “Duff McKagan” ou qualquer coisa associada com o Guns n’ Roses inspiraria risos e desprezo entre os que acreditavam que o mundo não era grande o bastante para Axl Rose e Kurt Cobain serem rockstars simultaneamente.

É um atalho conveniente pintar Axl Rose como o cabeça de vento clichê do Rock n’ Roll e Kurt Cobain como o artista genuíno, mas o que é deixado de fora? Olhando para trás, eu vejo a diferença crucial entre Axl e Kurt como sendo a forma que eles escolheram para deixar fluir seus lados mais sombrios e feios. Ambos tiveram infâncias problemáticas que desembocaram em um vida adulta caracterizada por intensa mudanças de humor e uma necessidade compulsiva de controlar seu ambiente. Ambos odiavam a imprensa por divulgar “mentiras” que às vezes acabavam sendo verdadeiras, e ambos foram influenciados por mulheres que criaram tanto sofrimento quanto prazer em suas vidas. Ambos viam a fama com uma faca de dois gumes; deu a eles a atenção que ansiavam após uma vida inteira sendo ignorados, e ainda assim parecia intensificar seus sentimentos de auto-aversão. Eles eram, para usar um termo médico, dois caras fodidos mentalmente, e que expressaram isto eloqüentemente em suas músicas.
 
Mas mesmo nas mais tristes e depressivas canções do Nirvana, Cobain sempre pareceu um cara sensível e pensativo. Rose, por outro lado, escreveu diversas canções sobre ser uma má pessoa e sem parecer se arrepender disto. Esta dicotomia é meramente um reflexo do que estes caras são? Talvez, mas acho difícil de acreditar que Rose não tinha noção dor fato que ele se pintava como uma figura monstruosa em sua música. Ele teria que ser um completo sociopata para não perceber isto – apesar de que Patrick Bateman, do livro “American Psycho”, sabia esconder sua verdadeira essência através do seu amor pelas canções de Huey Lewis e de Phil Collins, dos tempos de Genesis.  
 
Se as canções de Cobain lidavam com surrealismo e nonsense divertido, as de Rose falavam sobre sinceridade e fúria. Uma música como “Dumb” parecia falar do romance químico de Cobain com amor: “My heart is broke, but I have some glue/Let me inhale, and mend it with you” (N.T.: A tradução ficaria, “Meu coração está partido, mas eu tenho alguma cola/me deixe inalar e fazer as pazes com você”), mas ele também dizia que suas letras não significavam nada. Já Rose tornou inevitável a conexão entre “Sweet Child O’ Mine” e sua então namorada Erin Everly, quando a colocou no videoclipe da canção. Mas se Rose amava Everly o suficiente para escrever a mais bonita Power Ballad da história (com a ajuda de Slash e Izzy Stradlin), houveram dias em que ele a odiava numa intensidade semelhante – e ele acreditava que valia à pena escrever sobre isto também. A relação de Cobain com Courtney Love estava longe de ser sadia, mas ele nunca escreveu uma seqüência doentia para “Heart Shaped Box”, como Rose escreveu diversas réplicas tóxicas para “Sweet Child”.  

Não estou dizendo que esta abordagem é preferível, apenas que Axl Rose deveria ser creditado por criar sua própria imagem pública, incluindo as partes que pessoas como Kurt Cobain desprezavam. Talvez ele tenha sido honesto demais: por mais que a trilogia de vídeos – “Don’t Cry”, “November Rain” e “Estranged” – do “Use Your Illusion” seja risível, ela mostra Rose lutando conscientemente, em esfera pública, contra seus impulsos suicidas, traumas de infância e propensão à violência doméstica. Não só ele estava aberto com relação aos demônios que o perseguiram de Indiana até a Sunset Strip, como às vezes admitiu que gostava deles ou, pelo menos, não estava disposto a sacrificá-los no altar do politicamente correto, sem se importar com os efeitos que eles teriam na forma como ele seria reconhecido. 

O melhor exemplo disto é a mais controversa canção que Rose já escreveu: a radioativa “One in a Million” do ábum de 1988, “GN’R Lies”. Um relato dos primeiros dias de Rose em Los Angeles, “One in a Million” é desconfortavelmente franca, mas uma representação estimulante de como um “garoto branco de uma cidade pequena” reage ao ser confrontado por inúmeros molestadores, incluindo a polícia, negros, imigrantes e “viados”. Rose apenas quer que eles saiam do seu caminho para ele poder sobreviver na cidade grande. Críticos compreensivos (e não há muitos quando o assunto é “One in a Million”) poderiam interpretar a música como um comentário a respeito da intolerância, mas Rose descartou esta possibilidade todas as vezes em que tentava defendê-la, dizendo em entrevistas que ele era “pró-heterossexual” e que o comentário sobre os “negros” falava especificamente nos negros que te enchem o saco na Estação Greyhound. Outras vezes ele simplesmente falava que “One in a Million” era uma piada, o que só tornava a canção ainda mais ofensiva.        
 
O poder de “One in a Million” está em ser uma canção intolerante que não endossa a intolerância. Apenas um completo idiota babaca escuta “One in a Million” e balança a cabeça concordando com ela. Nem ao menos é uma canção persuasiva, e não parece que o protagonista foi feito para ser admirado de nenhuma forma. “One in a Million” é uma canção que ninguém jamais iria admitir citar para alguma coisa. O que faz dela tão perturbadora é que Rose não dá o braço a torcer; não um ponto catártico em direção a uma mudança de sentimentos em seu final, que é o motivo de Cobain e milhões de outras pessoas concluírem o pior a respeito de Rose, quando “One in a Million” foi lançada. Mas se Rose fosse mesmo uma pessoa ruim, reacionária, racista e homofóbica, por que ele se importaria em se expor desta forma ao lançar a canção? Rose teria que ter sido o popstar com menos “desconfiômetro” da história para não prever a tempestade de merda que “One in a Million” causaria; você tem que assumir que ou ele não se importava, ou viu algum valor em jogar uma luz sobre as regiões mais sombrias de psique. Ele estava tentando se envergonhar para, assim, se tornar uma pessoa melhor? Se este foi o caso, isto funcionou?         

Cobain estava certo: Rose achava que o mundo lhe devia algo, e era a realização de seus sonhos em troca de um doloroso e detalhado relato de seus pesadelos. Em “One in a Million”, Rose canta: “It’s been such a long time since I knew right from wrong/It’s all a means to an end, I keep it movin’ along” (N.T.: “Já faz muito tempo que eu sei a diferença do certo para o errado/É tudo um meio para chegar a um fim, eu me mantenho seguindo em frente”). No fim de 1991, eu escolhi Kurt Cobain ao invés de Axl Rose, porque eu queria alguém que realmente soubesse a diferença do certo para o errado. Mas mesmo se a música de Cobain salvou vidas, o “Nevermind” falhou em salvar o homem que o criou. Ele também não conseguiu tocar Axl; ele é o cara que ainda está seguindo em frente.





ARTISTAS PREMIADOS = QUALIDADE?

19 09 2010

Por: Roberto A.

Recentemente houve mais uma edição do VMB, da MTV. Abaixo segue a impressionante (ou nem tanto) lista de premiados:

Artista do ano: Restart
Clipe do ano: Restart
Artista internacional: Justin Bieber
Show do ano: NX Zero
Hit do Ano: Restart
Revelação: Restart
Aposta MTV: Thiago Petit
Webstar: Felipe Neto
Webhit: Galo Frito: “Justin Biba”
Pop: Restart
Rock: Pitty
MPB: Diogo Nogueira
RAP: MV Bill
Música Eletrônica: Boss in Drama
Game do Ano: “Super Mario Galaxy 2”
Aposta internacional: School of Seven Boys

Precisa dizer mais o quê? Creio que nada. Sendo franco, nunca ouvi nada do Restart e, continuando sincero, nem ouvirei; não me ligo em FM’s. Bicho, para quem ainda não se ligou, essas premiações todas por aí, incluindo “Multishow”, melhores discos do ano pela “Rolling Stone”, e adjacentes, são todos fajutos; tudo sendo vendido e sendo comprado, ou seja, tudo cão. E ainda tem nêgo que leva a sério. Por favor, qualquer sujeito com um mínimo de senso crítico percebe isso. Uma pena que seja assim, e pelo visto nada mudará. “Aborrecentes” votando pela net??? Falemos sério por favor!

Premiação seria a pessoa ouvir música de boa qualidade. Ok, a canção pode até seguir o manjado esquema “refrão-solinho-verso”, mas precisa haver uma credibilidade/qualidade, e até mesmo alguma dignidade tem que estar envolvida pra que não façamos penico de nossos ouvidos. Tudo com bom senso, é óbvio, não vá você querer ouvir a versão de Shakira pra “Nothing Else Matters” do Metallica, ou a versão de Sheryl Crow pra “Sweet Child O’ Mine”. Vou me ater ao Rock, que é meu gênero favorito de sempre.

Dê um presente a si mesmo nesta semana e ouça estas sugestões de grandes discos, que eu humildemente, apresento abaixo. Sendo fã ou não das bandas sugeridas, garanto que a audição valerá à pena:

DIRE STRAITS – BROTHERS IN ARMS
A tchurma de Mark Knoplfer, guitarrista soberbo, apresentou um clássico abissal  e atemporal. Maravilhoso de cabo a rabo, tem, por exemplo, a belíssima baba “So Far Away”, a conhecidíssima “Money For Nothing”, o country “Walk Of Life”, balada classuda como “Your Latest Trick”, e uma canção que nos faz viajar a diversos lugares: “Brothers in Arms”.

THE POLICE – GREATEST HITS
A rapeize de Sting tem um trabalho do mais algo gabarito. Pop Rock refrescante e ainda atual. Canções acima de qualquer crítica como “Roxanne”, “Message in a Bottle”, “Walking on the Moon”, “Synchronicity II”, e “Every Breath You Take”, fazem qualquer hora de relógio passar mais facilmente.

THE CURE – THE HEAD ON THE DOOR
A trupe de Bob Smith, neste petardo de 1985, alçou seu vôo rumo à fama mundial, e com mérito, pois o disco é espetacular. Pérolas pop como “In Between Days”, “A Night Like This”, “Close to Me”, combinam perfeitamente com pauladas como “Push”, e esquisitices como “Kyoto Song”. Ouça o mais rápido que puder.

U2 – THE JOSHUA TREE
“Joshua Tree” foi lançado em 9 de Março de 1987, e pode ser considerado o disco definitivo deles. Superestimados ou não, o U2 acertou na mosca nesse disco, conquistando de vez não só a América, como o mundo, tornando-se enfim uma superbanda. Clássicos como “Where the Streets Have No Name”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “With or Without You”, “Bullet the Blue Sky”, “Running to Stand Still”, falam por si.

GUNS N’ ROSES – APPETITE FOR DESTRUCTION
Dificilmente um álbum de estréia será tão destruidor de conceitos quanto este. Cru, esporrento, essencial e maravilhoso. Isso define bem o disco. Axl e asseclas vieram com sua linguagem das ruas, de suas ocupações anteriores (como ladrões de carros, cafetões e traficantes), e deram este belo tapa na cara da mídia. “Welcome to the Jungle”, “It´s So Easy”, “Sweet Child O’ Mine”, enfim, um disco para por pra tocar e abrir aquele sorrisão na cara.

THE BEATLES – LET IT BE
Coisa séria. Difícil ouvir algo assim sem se emocionar, ou mesmo sem cair no choro, pois a beleza é tanta, e realmente é um disco maravilhoso. “I’ve Got a Feeling”, “Get Back”, “Let It Be”, “Across the Universe”, e a mais bela do disco (e das mais belas de toda a carreira deles) “The Long and Winding Road”. Nada mais nada menos do que obrigatório. Ponto.

FAITH NO MORE – THE REAL THING
Os desajustados colegas de Mike Patton, junto a ele, em 89, apresentaram este álbum do cacete. Bom do início ao fim, foi uma espécie de clássico do new metal (sim eles que inventaram isso). A partir desse álbum o Faith teve enfim sucesso e reconhecimento mundial. Começa já com a paulada “From Out of Nowhere”, apresenta os hits “Epic”, e “Falling to Pieces”, passeia pelo Thrash Metal em “Surprise! You’re Dead!”, faz cover de Black Sabath em “War Pigs”, e ainda tira onda do Commodores em “Edge of the World” . Quem mais além deles se atreveria tanto?

NIRVANA – UNPLUGGED IN NEW YORK
Triste, melancólico e belíssimo, este disco pareceu antecipar a morte de Kurt Donald Cobain, e de certa forma foi um réquiem pro Rock de alta qualidade que rolava naqueles tempos. Kurt começou dizendo que ia tocar uma música que talvez algumas pessoas não conhecessem, e mandou a linda ‘About A Girl’. O Nirvana, mais uma vez fugiu do óbvio, evitando os maiores hits (somente ‘Come As You Are’ foi a exceção), e fez um show mais do que digno, homenageando David Bowie em “The Man Who Sold The World”, e surpreendendo ao convidar os Meat Puppets para participarem do show, concebendo momentos maravilhosos como “Oh Me”, e “Lake A Fire”. Essencial.

QUEEN – LIVE MAGIC
Não por acaso, um dos discos que marcaram minha adolescência. Lançado em 86, foi o segundo ao vivo dos caras, e veio logo após “A Kind Of Magic”. Como ouvir este disco e não se emocionar? Impossível. A sinceridade e performance de Freddie Mercury, e execuções divinas de “Radio Ga Ga”, “Friends Will Be Friends”, “I Want To Break Free”, “Under Pressure” e “We Are The Champions” fazem o coração disparar em emoção. Indispensável. Inclusive, acaba de ser definido o ator que interpretará Freddie no vindouro filme biografia: será Sacha Baron Cohen.

ALICE IN CHAINS – DIRT
Como ouvir um disco destes sem ao final dar um longo suspiro, ou mesmo sentir alguma lágrima escorrer? Respondam vocês. Layne e companheiros fizeram desta a sua obra prima. Bom por inteiro, começa com a paulada “Them Bones”, emociona total com a linda “Down in a Hole”, mostra esquisitices como “Sickman”, faz nosso sangue esquentar com “Rooster”, “Angry Chair”, e “Would”. Um final triste para um absurdamente bom artista. Triste, muito triste.

PINK FLOYD – THE DARK SIDE OF THE MOON
Álbum conceitual lançado em 73 pelo Pink, tornou-se a obra maior da banda, e não foi por acaso: o disco é sublime do primeiro ao último segundo de execução. Canções que tornaram-se mais do que clássicas, como “Money” e “The Great Gig in the Sky”, destilam beleza, ao lado de petardos como “Us and Them”, “Brain Damage”, e “Eclipse”. É algo que simplesmente precisa ser ouvido com atenção.

LEGIÃO URBANA – DOIS
Contundente álbum que Renato Russo e companhia apresentaram em 1986, com canções singulares, como “Daniel na Cova dos Leões”, “Quase sem Querer”, ao lado de depressivas baladas como “Acrilic on Canvas” e “Andrea Doria”. Tudo bem que o guitarrista não tocava e nem toca absolutamente nada, mas composições como “Fábrica”, e os hits maiores deles, “Índios” e “Tempo Perdido” falam por si só. Que falta Negrete faria logo após isso. Fundamental disco.

RPM – REVOLUÇÕES POR MINUTO
Disco considerado por muitos, inclusive por mim, como o melhor já lançado de Pop Rock Brazuca. Ouvindo sem preconceitos é fácil perceber as causas. Os caras mandavam realmente muito bem no que se propuseram a fazer. Esqueçam as caras e bocas de Paulo Ricardo, e dêem alguma atenção às composições, como a faixa título,  “Rádio Pirata”, “Liberdade/Guerra Fria”, “Pr’esse Vício”, “Juvenília”, que vocês vão concordar comigo. Alto nível em Rock nacional. Músicos sólidos fizeram este clássico nacional.

CAZUZA – O TEMPO NÃO PÁRA
Digno registro de Caju, com ótima performance da banda. Emociona e muito. A faixa título, a versão dele para “Vida Louca Vida” de Lobão, sucessos como “O Nosso Amor a Gente Inventa”, “Ideologia”, enfim, Cazuza foi um dos últimos artistas nacionais que deram pano pra manga. Faz muitíssima falta. Ouça este disco na íntegra e saiba o porquê.

ZERO – PASSOS NO ESCURO
Pop Rock nacional chique e classudo. Este EP lançado em 86 é uma preciosidade. “Agora eu Sei”, com participação de Paulo Ricardo foi sucesso nacional, mas o petardo tem muito mais que isso. Canções como “Cada Fio um Sonho”, “Formosa” e “Passos no escuro” fazem a audição valer, e muito, à pena. Recomendo.

BARÃO VERMELHO – SUPERMERCADOS DA VIDA
Outro que marcou bons tempos de minha vida… Tempos de farras, passeios pelas madrugas, poucas preocupações. Este álbum, lançado em 1992, é um dos melhores trabalhos de Frejat e sua turma, foi neste disco que entrou o baixista Rodrigo Santos. Difícil eleger bons momentos, pois a bolacha é inteiramente boa, começando com a paulada “Fúria e Folia”, seguindo com a divertida “Odeio-te, Meu Amor”, além dos hits “Pedra, Flor e Espinho” e “Flores do Mal”. O blues “Comendo Vidro” e a faixa título são nada mais nada menos que maravilhosas.

PARALAMAS DO SUCESSO – D (AO VIVO)
Não sou, digamos, fã da banda, e muito menos da discografia recente deles, mas este álbum ao vivo lançado em 87 tem muitíssimo valor. Captou a banda em seu auge criativo em no “Festival de Montreaux”, trazendo excelentes versões ao vivo de clássicas deles, como “Alagados”, “A novidade”, “Óculos”, e obscuridades como “O Homem”, e uma versão para “Charles, anjo 45” (canção de Jorge Benjor). Um bom disco, realmente.

LOBÃO – A VIDA É DOCE
Fase independente do cara, este foi o disco lançado em banca de revista em 1999, e é muito, muito bom. Ironias como “El Desdichado II”, e “Universo Paralelo” iniciam legal o lance. Baladas como “Ipanema no Ar” e “Vou te Levar” fazem a cama pra esquisitices como “A Vida é Doce”, “Uma Delicada Forma de Calor” e “Amanhecendo na Lagoa”. Vale muito à pena sacar este uivo do Lobo encrenqueiro.

Com posts vindouros, vou continuar a compartilhar sugestões com os leitores deste blog no qual me amarro. Abreijos a todos e até a próxima.





KURT DONALD COBAIN: VIDA COMPLEXA, MORTE MISTERIOSA

16 09 2010

Por: Roberto A.

Ele foi um dos artistas mais extraordinários surgidos em todos os tempos. Dono de uma brilhante veia artística, foi um grande compositor e músico, mas igualmente teria dado certo como pintor ou desenhista.Teve uma infância muito feliz, mas com o divórcio de seus pais, tornou-se uma pessoa amarga e problemática, com fortes sentimentos de inferioridade e inadequação. O divórcio realmente o incomodou fortemente, e Kurt demonstrou isso por diversas vezes: “That legendary divorce is such a bore” (Nota do redator: trecho da canção “Serve The Servants”, que traduzida fica, “aquele lendário divórcio é um saco”).

Foi uma criança hiper-ativa, medicada desde cedo com remédios diversos, iniciando na infância a sua futura dependência química – e pesquisas comprovam que a maioria dos dependentes começou quando criança.

Pisciano, hiper sensível, teve uma vida que nem ele mesmo previu nos seus melhores sonhos. Tornou-se famoso, riquíssimo, requisitado, adorado, e teve que lidar com tudo o que mais desprezava nos artistas mainstream. A música era sua fuga, sua única alternativa, mas tornou-se seu martírio público. Compôs músicas e discos que se tornaram referência, e com mérito. Foram canções simples, porém com muito apelo pop, isso sem perder a distorção e ironia.

Quando adolescente viveu em casas de parentes, colegas, e embaixo de uma ponte – dados indicam que isso foi criado por ele – e com sua arte passou a andar de limusines (o que ele odiava), e se tornou dono de muita grana e até mesmo mansões.

Um dos fatos infelizes em sua vida foi ter conhecido Courtney Love, que mais tarde tiraria quase tudo que ele tinha conquistado com seu talento. Uma questão, em se tratando de Nirvana, sempre foram as drogas. Havia uma espécie de conexão do grupo com isso, mas uma pergunta que fica é: sem as negativas influências da heroína e demais drogas, a arte do Nirvana teria sido tão relevante? É questionável.

Sucesso, grana, exposição… Nada disso parece ter sido suficiente para tornar Kurt uma pessoa mais feliz e tolerante. Com o Nirvana, tudo era oito ou oitenta; ou o show era espetacular ou um fiasco, como por exemplo foram os realizados no Brasil, em 93… Péssimos, com execuções chulas, e com um Kurt em síndrome de abstinência, chegando ao ridículo de cuspir nas câmeras da Globo e sair de quatro do palco em São Paulo.

Até hoje o acústico deles pra MTV é considerado como um dos mais interessantes, e para os mais observadores foi uma espécie de despedida da banda, com o cenário fúnebre e tudo que envolveu o espetáculo. Kurt Cobain foi um extremo dependente químico, e no caso grave como o dele, somente internação a força por vários meses talvez teria algum êxito.

Sua morte ocorreu em abril de 1994, na sua mansão em Seattle, e até hoje não foi totalmente aceita e esclarecida – inclusive existe um site, chamadao de “Justice For Kurt“, que trata deste assunto. Como ele poderia ter puxado o gatilho, se ele tinha no sistema sanguíneo altíssima concentração incapacitante de heroína? Como a espingarda não tinha suas impressões digitais? Enfim, existem inúmeras teorias de que ele teria sido assassinado, e não cometido suicídio.

Kurt foi um mito, e até mesmo na sua morte foi complexo. Foi um dos últimos artistas que realmente valeram à pena neste mundo. O Nirvana foi uma banda completa e espetacular. Dave era e é um músico completo, baterista excepcional, cantor muito bom, e Krist sempre mandou muito bem no baixo, e foi tão responsável pelo sucesso da banda quanto Kurt. Era ele quem carregava tudo em seu carro, no início, viajando até mesmo entre cidades para possibilitar os ensaios.

Fica minha sugestão como curiosidade a todos, ouvirem a faixa “Marigold”, na qual Dave cantou e tocou guitarra, enquanto Kurt tocou bateria.

Por isso tudo e muito mais, Kurt Donald Cobain, esteja onde estiver, descanse, enfim, em paz.