“NÃO IREMOS PARAR TÃO CEDO”, AVISA ADRIAN SMITH

8 11 2010

Enviado por: Marcela
Fonte: Guitar Player

O site da “Guitar Player” conduziu uma entrevista com o trio de guitarristas do Iron Maiden. Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers falam, dentre outros assuntos, sobre o álbum “The Final Frontier”, influências e equipamentos.

Confira a entrevista completa, em português, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER!

Após construir sua base de fãs através de turnês constantes, inclusive abrindo para bandas como o Kiss e Judas Priest, o Iron Maiden mudou a cara do Rock ao lançar uma cavalaria de álbuns de platina nos anos 80, apresentando riffs pesados e solos harmonizados dos guitarristas Dave Murray e Adrian Smith. Quando Adrian deixou a banda em 1990, eles recrutaram Janick Gers, que foi mantido no grupo após o retorno de Smith, ficando a banda com um ataque de três guitarristas desde então. Atualmente o Maiden (e seu icônico mascote zumbi, Eddie) chega impetuosamente na nova década com seu 15º álbum de estúdio, “The Final Frontier”.

Como foi o processo de criação do novo álbum?

Murray: Nós achamos que seria uma boa idéia voltar às Bahamas novamente, onde gravamos alguns álbuns nos anos 80. O clima lá é incrível e o estúdio é familiar para nós. Na verdade, é tão familiar, que não mudou em 25 anos! Gravamos o disco em seis semanas. Kevin Shirley (Nota do Tradutor: o produtor do álbum) levou seus equipamentos eletrônicos mágicos para lá. Obviamente não soaríamos com em 1985, mas pudemos incorporar um pouco daquela vibração. É o Maiden clássico, mas também é uma gravação bem limpa. Passamos cerca de três semanas ensaiando, então foi uma questão de gravar alguns takes e pinçar o melhor. Você tem que manter as coisas como novidades. 

Qual equipamento vocês usaram no novo álbum? Foi o mesmo equipamento dos shows ou vocês experimentaram alguma coisa?

Murray: Eu gosto de usar efeitos, mas é legal plugar direto no amplificador. Nós fizemos as bases ao vivo e usei efeitos nos overdubs dos solos ou nas melodias de guitarra. Então usei um pouco de chorus ou um Uni-Vibe em umas duas faixas. Mas se você plugar direto num amplificador Marshall, você também terá um belo som.

Gers: Eu pluguei a guitarra direto nos amplificadores Marshall. Eu não gosto de tocar com coisas acontecendo ao redor. Quando você tem um som puro, isto ajuda a destacar tudo, e desta forma ninguém soa com uma abelha num jarro.

Smith: Eu gosto de plugar direto no amplificador para fazer as bases, e então quando vou fazer solos e coisas do tipo, posso usar algo como um Tube Screamer para ter um pouco mais de sustain. Eu usei minha velha Gibson Les Paul Goldtop, uma Fender Stratocaster e o modelo assinado por mim da Jackson, todas plugadas num cabeçote Marshall. Toda a banda estava tocando na mesma sala, mas os cabeçotes ficaram locais diferentes da casa, para podermos ter alguma separação.  

O Uni-Vibe no qual você se referiu foi um pedal de verdade ou um plug-in digital?

Murray: Um pedal. Tenho um já há algum tempo, mas comecei a usá-lo em algumas faixas há pouco tempo, e agora estou o levando para a estrada. Soa muito bem. Tem uma característica totalmente única. Não o utilizo o tempo todo, mas sempre adorei o seu som.

O quão difícil é tocar com três guitarras distorcidas sem que elas se choquem ou soem sujas?

Murray: Nós temos três realmente distintos e diferentes sons de guitarra, então mesmo quando estamos tocando juntos em harmonia ou em unissom, ainda assim soa diferente, por causa dos nossos estilos. Nós somos uma banda de banda de Rock pesada, mas também temos partes melódicas e limpas. Especificamente neste álbum, não há somente canções pesadas, mas também algumas passagens mais calmas.

Smith: Todos nós temos muitas diferenças ao tocar, no vibrato e nas formas que abordamos a palheta.

Como vocês determinam quem toca quais partes no estúdio?

Murray: Depende da música, e se ela tem partes em harmonia ou não. Apenas nos sentamos e passamos pelos detalhes. Nós vemos isto com um trabalho em equipe, e todos têm a chance de se expressar. Não é difícil. Não passamos horas e horas trabalhando nisto. Apenas meio que surge naturalmente.

Você disse que vocês gravaram muito do novo álbum ao vivo no estúdio. Isto torna mais fácil replicar as partes em harmonia ao vivo?

Murray: Com certeza. Este é o modo como fazemos desde o primeiro dia. Então quando chega a hora de tocar ao vivo, já estamos adiantados. Algumas noites você acerta e tudo sai perfeito, e em outras noites você comete um pequeno erro aqui e ali, mas tem que compreender que é um show e deixar pra lá.

Janick, com três guitarras, quais partes do material antigo você toca nos shows?

Gers: Se você escutar com atenção os primeiros álbuns do Maiden, há mais de duas guitarras lá; há quatro ou cinco. Então é só uma questão de decidirmos qual parte fazer. Não há necessidade de se tocar o tempo todo. Eu gosto de tocar menos. A questão é fazer o Iron Maiden soar melhor. Não é uma questão de ego.

Quando vocês estão tocando ao vivo, vocês tentam recriar os timbres dos álbuns?

Smith: Eu não acho que o equipamento seja tão importante, como guitarrista. Eu acho que se você tem um bom equipamento, o que importa é sua personalidade, porque é o que as pessoas irão escutar. Eu estava sempre procurando pelo cálice sagrado dos timbres ao longo dos anos, mas ele não existe.

Quais são algumas das suas influências?

Murray: Wishbone Ash e Thin Lizzy.

Smith: Quando eu era menor, os Beatles, com certeza. Então, durante a minha adolescência, Deep Purple, Cream e Thin Lizzy. Eu também escuto muito de Jeff Beck e Pat Travers. Com relação ao Metal, Black Sabbath e Deep Purple.

De que forma vocês acham que o Metal evoluiu desde que o Iron Maiden começou?

Smith: Quando eu estava crescendo, se chamava Rock pesado. Agora há Euro Metal, há Death Metal. O Maiden é conhecido como uma banda de Metal, mas há muita melodia no que fazemos, e há também uma influência do Blues.

Murray: Mudou. Há muito mais bandas agora, e algumas delas são bem pesadas. Muitas bandas passaram a usar afinações mais baixas em tudo, e foi algo que, na verdade, nós incorporamos em algumas de nossas músicas. Há bastante espaço para todos. Desejo bem a todas elas.

Como vocês começaram a baixar as afinações?

Smith: Houve uma canção, que originalmente era em Mi, mas que baixamos sua afinação porque era muito alta para Bruce cantar. É uma canção poderosa, baixa e pesada, e soa incrível em Ré. Há anos eu venho tentando fazer com que todos abaixem as afinações para o som ficar um pouco mais pesado, mas ninguém realmente se interessou em fazer isto. Eu tenho tocado com afinações mais baixas há muito tempo.

Ultimamente vocês têm escutado algum guitarrista que achem que estão tocando num nível alto?

Gers: Na verdade, não. Eu realmente tenho que olhar para trás para os guitarristas com os quais cresci ouvindo, como Rory Gallagher e Paul Kossoff. Meu preferido era Jeff Beck, que pegava as coisas no ar. Estes são os que me arrepiam.

Murray: Eu gosto do Joe Bonamassa, mas basicamente eu escuto os caras que cresci escutando. Eles tendem a remasterizar aquele material de vez em quando, então acabo comprando tudo de novo. Prefiro ouvir muito dos caras antigos: B.B. King, Albert Collins e Django Reinhardt.

Smith: Eu gosto os caras dos anos 90, como Joe Satriani e Steve Vai. Você tem que respeitar estes caras. Fora eles, entretanto, parece que a guitarra é usada como um aríete (N.T.: Um aríete é uma antiga máquina de guerra constituída por um forte tronco de freixo ou árvore de madeira resistente, com uma testa de ferro ou de bronze a que se dava em geral a forma da cabeça de carneiro. Os aríetes eram utilizados para romper portas e muralhas de castelos ou fortalezas.), e você não escuta muitos solos melódicos.

É de conhecimento de todos que as rádios e televisões não têm sido particularmente úteis ao Maiden, e ainda assim vocês venderam 100 milhões de álbuns. Quando vocês começaram, não havia internet ou mp3, então vocês tiveram que fazer do jeito mais difícil.

Smith: Foi uma jarda difícil, uma milha difícil. Nós fazíamos muitas turnês e construímos uma base sólida de fãs ao redor do mundo. Se as rádios não irão tocar nossas músicas, então iremos lá tocar para as pessoas. Nós somos diferentes da maioria, porque você vem nos ver, e é um grande show de Rock. Muitos garotos vêm nos assistir, e provavelmente eles nunca viram ninguém fazer o que fazemos. Não podemos continuar para sempre, mas estamos nos divertindo e não iremos parar tão cedo.

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KEVIN SHIRLEY: “A CHAVE DO SUCESSO DO IRON MAIDEN É ACREDITAR NO QUE FAZEM”

2 10 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Guitar Edge

O relacionamento profissional do produtor Kevin Shirley com o Iron Maiden começou há mais de uma década. Desde então ele tem trabalhado junto com a banda nos projetos de estúdio, álbuns ao vivo, remixagens, e juntando-se a eles novamente no lançamento mais novo, “The Final Frontier”.

Houveram mudanças na formação do Maiden e nas técnicas de gravações ao longo dos anos, mas o método no qual Kevin Shirley e as lendas do Heavy Metal fazem discos,  enquanto diferente de algumas formas, nunca perdeu seu groove alto e com clima de hino. A “Guitar Edge” conversou recentemente com Kevin Shirley para saber um pouco mais sobre como ele captura o som clássico do Maiden, e como tem sido trabalhar uma das bandas mais bem sucedidas, amadas e duradouras do gênero.

Quando o trabalho no “The Final Frontier” começou? Você esteve com a banda para a pré-produção?
A banda se reuniu em Paris no fim de 2009 para compor e se preparar para este álbum. Começos a trabalhar em janeiro de 2010 no “Compass Studios”, nas Bahamas, e ficamos lá por seis semanas gravando o disco – toda a bateria, baixo, guitarras e muitos bons takes dos vocais, que acabamos utilizando muito. Então nos mudando para o meu estúdio particular, “The Cave”, em Malibu, onde passamos mais um mês completando os vocais e mixando o álbum.

De que forma o seu relacionamento profissional com o Iron Maiden mudou ao longo dos anos?
Onze anos agora, uau! “Brave New World”, “Rock in Rio”, “Dance of Death”, “A Matter of Life and Death”, “Flight 666”, as remixagens do “Live After Death” e do “Maiden England”, alguns materiais não lançados e agora o “The Final Frontier” – o que é isso? Cerca de oito ou nove álbuns?

Bem, o relacionamento profissional mudou. Eu acho que Steve (Harris), que é meio o macho alfa na banda, costumava ser bem paranóico a respeito de tudo nos discos, mas ele está confiando bem mais nos dias atuais. Ele não sente que precisa se preocupar com tudo e que precisa estar lá o tempo todo. Ele gosta de onde nós chegamos.

Você pode acabar confortável demais neste relacionamento? É difícil desafiar músicos que você conhece tão bem?
Não, não é. Nunca é tão confortável. Estes caras estão se pressionando o tempo todo. Adrian (Smith) se desafia sempre, Bruce (Dickinson) está sempre se pressionando, todos estão!

Nos fale das ala do estúdio no “Compass Studios”. Qual sua configuração de estúdio?
O “Compass Studios” basicamente é uma grande sala inundada de história. O AC/DC gravou o “Back in Black” lá, e todo mundo, inclusive os Rolling Stones, gravou lá, assim como o Iron Maiden no passado. É uma sala bem básica e não tem, realmente, um som distinto, o que é bom. Algumas salas têm um som e isto se torna uma característica das faixas, mas o “Compass” é bem neutro. Colocamos a bateria na sala principal, e então os guitarristas e seus cabeçotes conectados por cabos de alta qualidade num estúdio adjacente, e o equipamento de baixo de Steve numa sala com seu cabeçote num escritório ao lado.

Como sua abordagem de gravar guitarras mudou, desde o advento da tecnologia de D.A.W.s (Digital Áudio Workstation), modeling, plugins, etc?
Não mudou. São guitarras de verdade e amplificadores de verdade, gravados com microfones.

O que é similar ou diferente na forma em que Adrian, Dave (Murray) e Janick (Gers) gravam, e como isto é baseado no seus estilos individuais e abordagens da guitarra?
As gravações são basicamente iguais – como em todo instrumento. Fazer soar como o músico quer, colocar um bom microfone na frente e gravar. O estilo vem dos músicos.

Quais são os desafios de gravar uma banda de três guitarristas?
É tudo parte do trabalho. É bem mais difícil gravar três guitarras distorcidas do que gravar duas. E quando você adiciona o baixo de Steve, que tem as muitas das características de médio de uma guitarra distorcida, o desafio em busca de claridade para cada instrumento se torna bem assustador. Mas este é o trabalho. Você apenas vai lá e faz.

“The Final Frontier” está se provando ser um dos álbuns mais bem sucedidos da banda. Tendo sido parte integral do som dele através várias fases da carreira deles, você credita a popularidade da banda a o quê? O som deles tem se mantido consistente ao longo dos anos. Esta é a chave para o sucesso e longevidade deles?
Não, a chave para o sucesso deles é acreditar no que fazem, recusando-se a fazer concessões às filosofias das corporações, sem se deixarem levar por gostos bizarros e modas – e entregando 110% todas as vezes que fazem algo. E não estou puxando o saco, é apenas a verdade!





FORMAÇÃO ORIGINAL DO MR. BIG NO ESTÚDIO

24 09 2010

Fonte: Gibson website

O Mr. Big começou as gravações do seu novo álbum – o primeiro com os quatro membros originais desde o “Hey Man”, de 1995.

A banda está trabalhando com o onipresente Kevin Shirley, que supervisionou a formação e gravação do Vlack Country Communion, supergrupo que conta com Glenn Hughes, Derek Sherinian, Jason Bonham e Joe Bonamassa. Shirley também já trabalhou com o Aerosmith, Journey, Dream Theater, The Black Crowes, Iron Maiden, além de ter sido o engenheiro de som do DVD autointitulado do Led Zeppelin.

De acordo com postagens no Twitter e Facebook da lenda do contrabaixo, Billy Sheehan, o álbum terá “materiais impossíveis de guitarra e baixo”, e que as coisas estão na mesma veia do sucesso de 1991, “Lean On It” – o álbum que apresentou o single “To Be With You”. Após o guitarrista Paul Gilbert sair para se concentrar em sua carreira solo, a banda gravou dois álbuns com Richie Kotzen na guitarra, antes de encerrar as atividades em 2002.





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE FINAL

18 09 2010

 

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

O website do Iron Maiden publicou a última parte dos diários escritos pelo produtor Kevin Shirley sobre as gravações do “The Final Frontier.

Confira o texto abaixo e divirta-se!

Segunda-feira, 22 de Fevereiro e 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal principal de três ou quatro performances de Bruce para “Coming Home”, e me concentrei em mixar a música.

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal de “The Final Frontier” hoje – e então mixei. Steve veio no fim do dia e achou que ela soava muito cheio, então farei uma mixagem mais seca amanhã.

Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Fiz uma mixagem mais seca e alguns ajustes em “The Final Frontier”. No final, ficamos com a mixagem de ontem – minha mixagem original. Depois disto, comecei a compilar o vocal de “Mother of Mercy” – Steve tem uma melodia vocal bem singular em sua mente, na qual Bruce não conseguia fazer 100% correto. Esta perto, entretanto… Só precisa de alguns ajustes. Deixei a compilação meio pronta – está do caralho! Voltei para casa para encontrar dois bebês doentes…

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
A noite passada foi bem dura com nossos pobres bebês doentes – então não dormimos muito na noite passada. Fui para o meu estúdio um pouco depois das 11h e encontrei Steve fazendo “cruzadinhas” – ele adora isso! Tive que voltar a me concentrar em “Mother of Mercy” e terminar a compilação do vocal!

Adrian apareceu em “The Cave” (Nota do tradutor: nome do estúdio de Kevin Shirley) para dar uma escutada – ele achou que as faixas estavam boas, mas que soavam um pouco como “uma banda de estúdio”. Ele achou que mais reverb deixaria o som mais “majestoso” e “épico”. Steve discordou veementemente. Honestamente, os dois têm razão. O que eu pessoalmente gosto nas mixagens cruas, é que ela os diferencia de qualquer outra banda de Classic Rock ou Metal. Eles não são realmente Metal de qualquer forma – não no sentido que a palavra tem hoje – eles estão mais para uma banda de Hard Progressivo. Eu prometi em fazer as mixagens dos dois jeitos para que as decisões possam ser tomadas mais tarde, se necessário.

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Comecei o dia com um passeio de bicicleta de 48km ao longo da costa e fui para o estúdio  no horário normal, às 11h, e terminei a mixagem de “Mother of Mercy”. Bruce veio de Londres esta manhã e muito gentilmente um pilha de revista da Formula 1 – é a minha paixão e os estados Unidos só os vêem cerca de seis semanas após sua aparição na Inglaterra, então eu estava particularmente animado! Ele escutou algumas coisas nas quais estamos trabalhando – ficou meio receoso com relação a umas duas linhas de vocal que ele cantou, e não gostou de um solo de guitarra em particular que gravamos no “Compass Studios”, mas deixou pra lá e se concentrou no trabalho, cantando “Isle of Avalon” e “Satrbilnd”. Ambas são bem altas – sugeri uma linha de vocal mais baixa no refrão de “Isle of Avalon”, e ele tentou; então talvez teremos uma harmonia de voz – veremos.

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Um grande terremoto de 8.8 na escala Richter atingiu o Chile no começo da manhã. Estamos em alerta para tsunamis novamente, e como moramos na praia, fomos para um lugar mais alto na hora do almoço. As ondas estavam apenas 60cm mais altas, o que não afetou em nada aqui em Malibu. Tenho certeza de que isto se mostrará catastrófico novamente…

É o aniversário de Adrian hoje! Sua esposa, Nathalie, deu uma grande festa para ele. Comida deliciosa, ótimo ambiente – Steve e suas lindas filhas, Kerry e Faye apareceram, assim como Bruce e mais um monte de gente. Foi muito divertido – Ela tinha sido bem clara sobre ficar além do tempo, com “término às 23h” no convite, mas na hora de ir embora, Adrian quis que todos ficassem mais. Nathalie disse, “mas foi você quem pediu”! Nós tínhamos bebês doentes em casa, e não poderíamos ficar, de qualquer forma…

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Último dia do mês – vamos relaxar!

Segunda-feira, 1º de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Bruce veio de Marina Del Ray (Nota do tradutor: região costeira não incorporada à Califórnia, que possui 8.500 habitantes, aproximadamente) e cantou duas canções hoje – “Satellite 15…” e “When The Wild Wind Blows”. Comecei o trabalho de mixagem em “When The Wild Blows”.

Terça-feira, 2 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal de “When The Wild Wind Blows” e a mixei! As filhas de Steve, Faye e Kerry, vieram e escutaram todas as músicas completas até agora, e depois foram com Steve para o restaurante italiano local, “The Sage Room”, para jantar.

Quarta-feira, 3 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Bruce veio hoje para escutar as cinco mixagens que já fizemos. Fiz alguns ajustes na mixagem de “When The Wild Wind Blows”, compilei o vocal principal de “The Alchemist” e também a mixei.

Quinta-feira, 4 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Comecei a compilar o vocal principal de “The Talisman”. Foi um pesadelo fazer esta compilação! Adrian apareceu no fim da tarde para pegar um CD com as mixagens que fizemos até agora.

Sexta-feira, 5 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “The Talisman”, a segunda parte. Não a parte da introdução calma que parece um cântico para assustar crianças. Eu acho que os fãs irão adorar esta canção!

Sábado, 6 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Fim de semana – feliz em ter uma folga!

Segunda-feira, 8 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Terminei de mixar “The Talisman” (a introdução acústica)  e compilei o vocal de “The Man Who Would Be King”.

Terça-feira, 9 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “The Man Who Would Be King”. Adrian veio e disse que tudo estava soando bem – disse que estava 95% feliz com as mixagens do álbum e que deveríamos dar uma escutada e fazer pequenos ajustes – fico perfeitamente feliz em reavaliar qualquer uma das mixagens, por mais que a probabilidade de alterar tudo seja assustadora, mudar os sons, etc, mas Steve e eu estamos bem felizes com o álbum e nenhum de nós teria tempo para remixar, então Steve deu a palavra final e disse que finalizaríamos tudo neste fim de semana e que não iríamos remixar o álbum inteiro. Adrian por fim compreendeu, mas não ficou muito feliz! 

Quarta-feira, 10 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei os vocais de “Starblind” e comecei a mixá-la – está se provando ser uma mixagem complicada e bem difícil.

Quinta-feira, 11 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “Starblind” hoje. Adrian apareceu para escutá-la – e quis um pouco mai de reverb em algumas coisas – é meio como uma batalha interna contínua, e essencialmente uma maneira de se escutar as coisas. Def Leppard de um lado e algo mais “garagem” do outro. Não foi adicionado nenhum reverb extra em nada. Adrian saiu feliz e compreensivo – eu achei!!!

Sexta-feira, 12 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
É o aniversário de Steve hoje! Acabei de mixar o álbum inteiro – mixei “Isle of Avalon” e “Satellite 15…” hoje. As mixagens correram muito bem, e então coloquei o álbum em ordem – colocando todas as mixagens master em sequência e ajustando os espaços ou as sequências entre as canções. Steve está fazendo as malas para ir embora e estou planejando em tomar umas taças de vinho com Adrian, ás 21h – todos os caras parecem exaustos! Saímos todos para jantar…

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010: Oakland – Califórnia
Bem, já se passaram quase dois meses. Desde que terminei o álbum do Iron Maiden, já concluí o disco do Black Country Communion e estou no meio da produção do novo álbum do Journey. Estou no aeroporto de Oakland (estou produzindo o disco do Journey em São Francisco) – esperando para um voo de uma hora para Los Angeles, onde mais tarde irei tocar o novo álbum do Maiden para os caras da “Universal Music”. Masterizamos o álbum três vezes, e por fim decidimos ficar com minha mixagem crua ao invés das versões masterizadas. Eu achei que o local que masterizou o disco fez um ótimo trabalho, mas Steve, mesmo gostando destas versões, achou que a integridade das mixagens originais foram comprometidas de alguma forma, e então a versão crua é que ficará. Sem equalização, sem compressão, apenas como estava quando Steve escutou as MP3 das mixagens e bem do jeito que saíram do meu estúdio.

Terça-feira, 8 de Junho de 2010: Malibu – Califórnia
Em casa após a gravação do álbum do Journey – irei para o estúdio mixar uma banda sul Africana chamada Panic Circle, hoje. O primeiro single do Maiden, “El Dorado”, foi lançado ontem como download gratuito no website da banda e imediatamente entupiu o servidor, mas recebi e-mails de centenas de pessoas que amaram a canção – então obrigado!!!

E foi assim que passei a primeira parte de 2010 – produzindo “The Final Frontier”. Espero que tenha gostado…

Kevin Shirley





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE IV

17 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

Dando seguimento aos diários das gravações do “The Final Frontier”, o site oficial do Maiden já publicou a quarta parte.

Confira o texto completo, em português, abaixo: 

Domingo de Superbowl, 7 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Gaddsy e Michael Kenney levou a mim e a minha família ao aeroporto, já que eles voltam para Los Angeles hoje. Janick foi mergulhar pela primeira vez, com a equipe de um iate “Aga Khan”, Shergar, e adorou. Gadd e eu nos juntamos a ele no barco por volta das 16h, tomamos algumas cervejas a bordo e fizemos a excursão “royal yatch”. Maravilhoso! Um barco de 100 milhões de dólares – cada tanque de gás custa 75 mil dólares!! Tem duas turbinas a jato, e numa distância de 100 pés, chega a 50 nós! Aquilo voa!!! Então fomos ao “Crazy Johnny” – fomos todos – para assistir ao Superbowl, e talvez alguns drinks…

Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Nem todo mundo parecia estar disposto a correr uma maratona esta manhã, após uma longa noite de farra do Superbowl. Nosso engenheiro, Jared, apareceu meio ofegante, e como Steve disse sobre os olhos dele: pareciam dois buracos de mijo na neve! Bom, como Jared tem uma vaga conexão com New Orleans (Nota do tradutor: O Superbowl foi vencido pelo New Orleans Saints), ele foi perdoado! Precisamos fazer algumas atualizações na última música, então Adrian começou o dia gravando um solo em “When The Wild Wind Blows”, e depois fizemos umas linhas melódicas à mesma canção, com Davey; alguns acordes estridentes nos versos, e as faixas da banda para o disco estão completas! Eu liberei todo mundo, e passei o resto do dia organizando as faixas complexas para quando formos inserir os teclados nos próximos dias, possamos escutar tudo como deverá ficar, e nada se choque musicalmente. Nós tivemos um jantar bem inglês, com salsichas e purê de batata e um copo de cerveja, no “Nassau Cricket Club”, e estava cedo em casa para assistir um filme.

Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Dormi muito bem, mas acordei me sentindo muito rígido. Fui para a academia para uma malhação leve e então direto para o estúdio, no horário normal, 10h45, com uma parada obrigatória no “Starbucks”, no caminho. Finalmente trabalhamos nos teclados hoje. Michael Kenney (Nota do tradutor: além de ser o técnico do baixo de Steve Harris, é o responsável pelos teclados nos shows da banda) estabeleceu os tons e Steve brincou um pouco, caçando as melodias que estavam em sua cabeça, como uma galinha bicando o chão. Linha simples, mas efetivas, e conseguimos fazer muita coisa. Terminamos os overdubs de teclados em sete músicas, e então fomos ao “Poop Deck” para um rápido drink com Steve antes de voltar para casa e preparar o jantar… para mim mesmo.

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Hoje terminamos os pocos overdubs de teclado que restavam no álbum. A família de Janick chegou da Inglaterra hoje, então ele me pediu para enviá-lo o mp3 do solo que ele fez para “The Alchemist”, o que eu fiz, e ele me ligou mais tarde perguntando se poderia refazer o solo, então faremos isto na sexta-feira. Adrian escutou todas as faixas e tem algumas coisas que quer acrescentar também. Fomos todos jantar no “Poop Deck”, mas como o tempo estava ruim, não havia peixe fresco no meu, então comemos hambúrguer no bar. Nicko mandou lembranças da ensolarada Flórida, onde está trabalhando na inauguração oficial de seu restaurante, “Rock n’ Roll Ribs”, em Boca Raton ou em algum lugar na vizinhança, neste fim de semana. 

Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Acordei cedo e fui nadir na baía – não estava a fim de malhar hoje. Fui para o estúdio por volta das 10h30 após uma rápida parada para um grande cappuccino sem açúcar no “Starbucks”, e assim que começamos, Adrian refez o verso em “Mother of Mercy” e adicionou uma harmonia de guitarra no pré-refrão. Steve não apareceu no estúdio hoje, e enquanto eu esperava que um problema no computador fosse consertado, fiquei brincando com umas escalas de Blues no violão de Janick, o que fez com que Terry Manning me mostrasse um dobro (Nota do tradutor: O dobro é uma guitarra metálica, munida de cones metálicos na sua caixa de ressonância) que pertenceu ao ícone do Blues, Robert Johnson! Foi um exercício de humildade e muito inspirador segurar e tocar naquela guitarra, e me senti mais emocionado do que quando conheci Jimmy Page ou B. B. King. Seu número de série é T968. De volta ao trabalho, nós escutamos algumas coisas e eu fiz algumas edições necessárias e terminamos às 19h. Fomos ao… Sim, vocês acertaram: o “Poop Deck” novamente. É o único lugar por perto, como vocês já devem ter percebido, que podemos ir sem pegar um taxi. Pelo menos eles tinham peixe fresco hoje, e eu pedi um para viagem e comi em casa, enquanto assistia ao jornal – entediante, mas muito saboroso!

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
Adrian e Nathalie, sua esposa, saíram cedo para uma semana em “Parrot Key” (Nota do tradutor: resort na ilha key). Hoje é o último dia no estúdio. Janick apareceu e refez o solo de “The Alchemist”. Ele ficou bem mais feliz do que antes – o primeiro solo ficou muito dentro do tempo, mas este atravessou o ritmo, e ele gostou do fato de que soou como se não fosse conseguir, mas consegue no fim. Ele achou que ficou mais “incendiário”! Frase dele. Dei uma olhada nas etiquetas de “When The Wild Wind Blows”, revisei as múltiplas partes e fiz uma listagem coesa. Então fiz duas cópias de segurança do HD e me despedi dos Mannings no estúdio, e levei duas cópias das masters das gravações para Steve – uma para ele deixar lá e uma para levar com ele. Eu tenho outra para levar para Los Angeles amanhã, e estas são as três masters. Nós temos uma grande tela no estúdio, que contém todas as faixas do álbum e que documenta o progresso das sessões de gravação. Então deixei a tela na casa de Steve, e então fui com Steve Gadd e sua namorada ao “Cricket Club”, para comer salsichas e purê de bata. De novo. Delícia!!!!

Sábado, 13 de Fevereiro de 2010: Nassau – Bahamas
O vento uivou a noite toda e a chuva desabou. Acordei às 3h da manhã e não conseguia voltar a dormir. Fiz minhas malas e chequei os dados do vôo. Atlanta está coberta de neve e com gelados 4 graus Celsius negativos. Parece que está tudo bem. Fui para o aeroporto só para descobrir que meu vôo havia sido cancelado. Consegui um serviço de taxi aéreo (todos os voos comerciais estavam lotados) para casa – adicionou mais seis horas no meu voo!!! O que significa 13 horas do check-in até aterrissar, se tudo correr de acordo com o planejado. Estou no aeroporto de Nassau agora… 

Segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010: Malibu – California
Finalmente cheguei em casa no fim da última noite. Minha bagagem não. Muita correria frenética entre os portões, mas finalmente tive um bom voo de volta para casa, e é ótimo estar em casa, em Malibu, na praia. Tive um domingo bem calmo com minha família, e agora estou de volta ao trabalho em meu estúdio, passando por todas as faixas. Elas não estão perfeitamente prontas para meu estúdio, então passei o dia preparando-as para uma diferente mesa de som, etc. Sem contar que as tempestades na Califórnia recentemente causaram alguns danos no meu estúdio – todas as lâmpadas do andar de baixo explodiram, sem contar meu compressor Summit TLA – então o dia foi gasto em consertos, além de deixar o quarto no estúdio pronto, pois Steve Harris ficará aqui até o fim do mês – ele chega hoje a noite.

Terça-feira, 16 de fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Vim cedo para o estúdio hoje. Eu enviei meu compressor para o concerto – Brent Spear, meu técnico, está vindo de Las Vegas para passar o dia aqui e garantir que tudo esteja funcionando perfeitamente; o técnico da TV a cabo está vindo para assegurar que a Premier League de futebol estará disponível na televisão, e que tudo corra bem por aqui. Bruce virá de Londres hoje a noite para cantar…

Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Dia dos vocais – Bruce chegou, contando estórias, como sempre. Relatos de voos ao redor do mundo – Rússia, Islândia, Nigéria… Hoje ele cantou “Coming Home” e “El Dorado”, então fizemos uma pausa para o almoço, e depois ele detonou no vocal de “Mother of Mercy”! Ela é muito, muito alta…

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Bruce cantou novamente hoje, então partiu para Londres a noite e vai à África amanhã, como Captião Dickison – compilei o vocal de “El Dorado” e então fiz a mixagem. Fui numa loja comprar o jantar no caminho de casa, e algum idiota bateu em meu carro no estacionamento. Exausto!

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Estou exausto – me sinto brutalmente cansado hoje.

Domingo, 21 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Tive que ir com minha família a um aniversário de crianças – eu sei que tenho que fazer estas coisas, mas eu odeio. Saí para um passeio de bicicleta quando voltamos e decidi, enquanto pedalava, que irei de bicicleta para São Francisco no meu próximo trabalho, que é produzir o novo álbum de estúdio do Journey, em abril.

CONTINUA AMANHÃ…





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE III

16 09 2010

 

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

E os diários das gravações do “The Final Frontier” continuam! Confiram a terceira parte dos relats escritos pelo produtor do disco, Kevin Shirley.

Domingo, 24 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei tarde – ainda um pouco cansado. Relaxei pelo condomínio, fiz café e assisti um pouco de futebol americano. Adrian apareceu por volta de meio-dia e pegou emprestado meu iPod para ouvir as mixagens básicas das faixas que fizemos até agora.

Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Os caras tiraram o dia de folga, e Steve e eu fomos trabalhar às 11h. Começamos o grande trabalho de editar os diversos takes de “When The Wild Wind Blows”. Ninguém além dele tem alguma idéia de como ela ficará, e a estrutura foi um pouco alterada em comparação à sua idéia original, na reunião, mas encaixa bem e flui lindamente. Um irônico épico sobre um pacto de suicídio, em face de uma explosão nuclear. E muito “Maideniana”!

Terça-feira, 26 de Janeiro, de 2010: Nassau, Bahamas
Malhei com um treinador novamente, às 8h da manhã – ele me detonou!!!

Toda a banda – menos Bruce, que voltou à Londres – s reuniu no estúdio para escutar todas as faixas que gravamos, e ter uma visão global do álbum. Todos os caras pareceram animados após a audição, e começamos o trabalho de enfeitar as gravações básicas de “Coming Home”, com alguns overdubs. Adrian colocou um violão nos versos e refrãos, no qual dobramos para um som em stereo. 

Então Davey tocou o primeiro dos solos de guitarra com sua Les Paul, que ironicamente soa como uma Stratocaster! É um solo bem “Hendrixiano”, no clima de “Little Wing”, e ele está feliz com o resultado. Então Adrian adicionou o segundo solo. Nós montamos um sistema de monitores diferentes para ele no estúdio, então ele equaliza do seu jeito e escuta nos Genelecs (Nota do tradutor: marca de um sistema de monitores de estúdio, fundado na Finlândia). Inicialmente ele ficou desconfortável, mas após um tempo conseguimos um belo solo dele. O som cru o incomoda, então eu acrescentei um pouco de “Pitch Shift”, e ele ficou feliz.

Fim do dia. Fomos para um bar local chamado “The Poop Deck” para comer uns hambúrgueres e tomar cerveja. E tequila de café. E uma cerveja de saideira. Nicko e seu amigo, Frankie – um chefe de Nova Iorque – voltaram primeiro. Eu deixei Jan e Davey batendo papo no bar. 

Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Começamos o dia de gravação tendo Janick adicionando uma melodia uma oitava acima de sua linha de guitarra nos refrãos de “Coming Home”. Este é fim dos overdubs de guitarra nesta música. Então fomos para a canção “El Dorado”. Adrian faz um solo de guitarra – alguns takes dos quais fiz uma compilação. Ele está satisfeito. Steve não fica necessariamente por perto para coisas como solos de guitarra, mas ele gosta de escutar tudo em algum ponto. Depois, Janick faz um overdub de guitarra, adicionando uma oitava na linha do pré-refrão e depois fazendo seu solo. Davey vem para um começo tardio, após um tempinho na praia, e faz o solo do meio. Nós escutamos tudo bem alto e todos parecem bem felizes. Todos eles vão embora e eu fico para passar por alguns takes de “Mother of Mercy”, para que fique pronta para os overdubs. O jantar foi um peixe fresco e uma cerveja no bar, e cheguei em casa logo após às 19h30. Cedo em casa… Falei com meus bebês pelo Skype.

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Um dia cheio no estúdio hoje. Davey começa o dia com alguns overdubs em “The Man Who Would Be King” – Harmonias de guitarra na conclusão e no refrão. Tentamos algumas na introdução, mas não ficaram boas. Então ele fez um solo rápido no qual eu inverti a la Hendrix, e ele adorou! Fizemos alguns outros sons estranhos – bombas caindo, etc, que vão junto com os solos de fundo, e então Janick faz um pequeno solo – e depois fizemos uma harmonia de três guitarras com todos os guitarristas, na segunda parte do solo. Originalmente seria um solo do Adrian, mas a faixa soou tão fora de controle depois das loucuras musicais de Davey, que introduzimos as melodias de guitarras em harmonia, que trazem alguma ordem ao caos.  Esta canção agora está pronta por hoje, e então avançamos para os overdubs de “The Final Frontier”. Adrian faz um grande dedilhado de violão nos refrãos, e então adiciona uma linha grave de guitarra que ecoa a linha de baixo de Steve; e por último ele faz o solo em sua confiável Stratocaster…. E está bom por hoje, e pela semana!

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010: Nassau-Bahamas
Minha família chega às 13h de Los Angeles, e todos nós tiramos o dia de folga. Ninguém reclamou! Bem, a “Delta Airlines” sacaneou o vôo de minha família e os deixou em uma longa e forçada espera em Atlanta – então eu aproveitei a oportunidade para fazer compras. Eu precisava de tudo no apartamento – papel higiênico, água… Vocês entenderam; então foi um tempo bem vindo para me preparar para eles. O estilo de vida solteiro não combina necessariamente com as necessidades de uma jovem família, e assim que abasteci a casa, fui para o aeroporto com Steve Gadd e Mike Kenney – que vieram para ajudar com a bagagem das crianças (eles se ofereceram, muito gentil e amigavelmente; não foi aquela coisa de Produtor controlador). Eles finalmente chegaram às 17h, e os vejo enquanto chegam na área de desembarque. Fiquei um pouco emocionado quando Talon, meu filho de dois anos, gritou “papai, papai, papai”… Legal!!!! Fim de semana de folga brincando com meus filhos na piscina e na praia!!!!!

Segunda e terça-feira, 1 e 2 de Fevereiro de 2010: Nassau, Bahamas
Mais gravações em algumas das outras canções – fica um pouco como “Feitiço do Tempo” (Nota do tradutor: filme no qual um repórter é escalado mais uma vez para cobrir as festividades do Dia da Marmota no estado da Pensilvânia. Ele não vê a hora de terminar o trabalho e voltar para casa, mas o inesperado acontece: ele cai em um “feitiço do tempo”, e todos os dias seguintes passam a se repetir sempre iguais ao Dia da Marmota. Quando ele percebe o feitiço, passa a tirar vantagem dele, mas depois vem o tédio e o sentimento de frustração por não saber como sair daquela situação) contar e escrever tudo no diário, já que é um processo semelhante todos os dias para as canções e overdubs. Fizemos vários overdubs de guitarra, solos, harmonias, violões… Los tres amigos se revezam e ocasionalmente gravamos os três juntos, para conseguirmos aquele ritmo galopante que só Maiden pode criar de verdade – não há nada de matemático nisto, é feeling puro. Se você faz isso no Pro Tools, todo o feeling vai embora, então não fazemos!!!

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
É o aniversário da minha esposa hoje, então tiramos o dia de folga e eu passei o dia inteiro no resort “Atlantis” com minha família. Um grande dia, brincado nas praias, descendo nos toboáguas, boiando em botes nas corredeiras e rios artificiais, e olhando o absolutamente incrível aquário que eles construíram lá! De noite, deixamos os bebês com minha sogra e saímos para uma íntima noite de adultos, mas estávamos tão detonados pelo dia que caímos na cama por volta das 21h30!

Quinta e sexta-feira, 4 e 5 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
Mesmas atividades de 1 e 2 de fevereiro. Quase terminamos os overdubs, com relação às guitarras. Apenas um último solo de Adrian em “When The Wild Wind Blows” na segunda-feira, então nos reuniremos para uma última audição coletiva, e terminaremos com as guitarras no novo álbum do Iron Maiden. Ficaremos por aqui pelo resto da semana, então volto pra casa no próximo sábado, e Steve e Bruce chegam na próxima semana para finalizarem os vocais e mixagem…

Sábado, 6 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
Está ventando e o tempo está tempestuoso. Sem estúdio hoje. Minha esposa e as crianças estão de malas prontas, já que deixam Nassau e vão para Los Angeles amanhã – então tivemos um jantar cedo, com peixe fresco, no “The Poop Deck”. Então minha esposa, Dev, e eu nos juntamos a Steve Gadd e sua cara metade, jen, Adrian Smith e sua esposa, Nathalie, e Janick Gers, para um drink mais tarde na noite. Um momento muito bom e foi divertido socializar apenas com adultos pra variar.

CONTINUA AMANHÃ…





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE II

15 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

Dando continuidade aos diários escritos pelo produtor Kevin Shirley sobre as gravações do “The Final Frontier”,  o website do Iron Maiden publicou a segunda parte da série.

Divirta-se!

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Nem todo mundo estava a fim de gravar hoje, então a banda teve um dia de folga, e eu fui trabalhar sozinho, passando por todos os takes para compilar uma boa ótima performance de “Mother of Mercy”.

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Hoje gravamos uma música do Janick: “The Talisman”. Realmente saiu ótimo, e após a sessão, Adrian, Dave a esposa de Adrian, Nathalie, e eu fomos jantar no “Nobu in Atlantis”. Martinis de chocolate e vinho começaram a noite, e então uma fomos para um bar Rock n’ Roll chamado Crazy Johnny’s, onde a noite se estendeu até a manhã… Eu perdi minha carteira de motorista e meu cartão de crédito, e chegamos em casa nas primeiras horas do dia – todos mortos de cansado. Estou ficando muito velho para estas travessuras!

Sábado, 16 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei com uma pequena ressaca – para a ira de minha esposa, lá nos Estados Unidos, que disse que não queria se tornar uma viúva ainda – e fui trabalhar mesmo assim, após uma nadada do mar, para terminar a faixa “The Talisman”. Ela soa incrível, mesmo que eu esteja me sentindo muito mal! De volta para casa para me recuperar e assistir às eliminatórias da NFL… Saints e Arizona… 

Domingo, 17 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei me sentindo quase normal! Crazy Johnny, dono do bar homônimo – cenário das travessuras pervertidas de sexta – levou alguns de nós para a “Rose Island” com seu filho, Dylan, onde ele tem uma casa na colina com vista para uma absolutamente perfeita e maravilhosa praia branca – um grande dia de folga. Seu barco com motor “Yamaha” de 400 cavalos nos levou através do oceano numa forte velocidade de 50 nós, e foi muito legal. Janick foi o único membro da banda a vir; o resto estava ocupado ou ainda sofrendo – então o técnico Sean e sua garota, Sarah, o gerente de turnê Steve Gadd e o engenheiro Jared Kvita foram os outros piratas. Voltamos a tempo de assistir ao New York Jets vencer a final da conferência! Após viver na costa leste dos Estados Unidos por 16 anos, me tornei um torcedor declarado dos Jets.

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei às sete da manhã, um grande jeito de começar este lindo dia com uma ida ao dentista – eu lasquei um dente e uma coroa caiu de outro ao longo do fim de semana. Parece que estou caindo aos pedaços! Uma bonita dentista das Bahamas, Dra. Coverly, trabalhou em meus dentes com seus salto-altos e cabelo feito. Uma inspiração para mim!
Nicko voou de volta para a flórida hoje, então não começamos até às 13h. Gravamos uma ótima música do Adrian, meio progressiva, chamada “Starblind” – que ficou bem forte, em minha opinião…

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010: Nassau-Bahamas
Tenho tido problemas para dormIr – parece que fiquei acordado durante toda a última noite. Bate papos com na madrugada com Joe Bonamassa parecem ser constantes nestas noites, já que ele dorme em horários estranhos, planejando e tramando coisas… E batendo papo com sua namorada em algum lugar bem longe. Eu sou o terapeuta…
Gravamos outra nova música assim que conseguimos trabalhar hoje. Foi um começo tardio no estúdio, pois não havia eletricidade – as Bahamas ficaram sem luz até 13h30, mas a canção era bem direta – até bem simples para o Maiden, mas muito poderosa: “The Final Frontier” – quase soa mais como uma canção de John Mellecamp ou de Tom Petty do que do Maiden, mas parece ser a canção tema do álbum. Nós a deixamos bem crua!

Quarta-feira, 2010 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Não dormi na noite passada. Gravamos uma canção muito complexa hoje, acho que é de Dave, “The Man Who Would Be King”. Esta foi uma canção que a banda não conseguiu ensaiar antes, porque Janick sofreu um corte feio na mão bem quando eles estavam começando a aprendê-la e ensaiá-la na pré-produção, na França – então ele teve que ser levado ao hospital para uma cirurgia na mão e nos dedos. O jeito para esta música foi gravá-la em partes e hoje nós a juntamos. Foi bem difícil. Bruce decidiu que que não queria ficar nas hospedado nas tediosas acomodações em que estamos, num complexo residencial, então se mudou para o “Sheraton”, que provavelmente é mais divertido, e seguiu em frente até mais tarde do que nós, e consequentemente estava um pouco cansado hoje – o que não ajudou muito. Bem, pelo menos ele não está voando por aí…

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Tenho tido problemas para dormir, então o gerente de turnê do Maiden, Steve Gadd, me deu um comprimido para dormir e finalmente dormi bem por toda a noite. Levantei, fui para a academia e malhei com um treinador (a primeira vez em anos), e realmente gostei. Hoje gravamos uma ótima canção, meio Deep Purple, que se chamaria “House of Dr. D”! Estou certo de que este título não pegaria, já que é bem zombador – a música foi renomeada para “The Alchemist”.
Nicko normalmente adora o jeito como sua bateria soa nos álbuns, e me perguntou respeitavelmente se me importaria se ele assistisse enquanto editava os takes, e me prometeu que não diria nada. Eu, é claro, disse que não importaria, mas assim que comecei a trabalhar, ele não conseguia parar de falar, me advertindo sobre seus erros – que ele chama de “Nickoísmos” – nos quais eu estava tentando corrigir, então tive que encerrar a sessão. Os atualizarei amanhã, quando gravaremos a última canção, na qual Steve ainda estará trabalhando esta noite e promete ser um épico… Ahhh, o incrível Maiden!!!

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Gravamos uma faixa muito intricada hoje: “When The Wild Wind Blows”. Ninguém havia escutado ela, e Steve tinha todas estas idéias, então gravamos cerca de 10 diferentes pedaços melódicos – ele mostrava à banda  então gravávamos alguns takes. Ele mostrou a canção a todos e assoviou as melodias. Nicko estava estranhamente reservado hoje, mas tocou solidamente e bem. Acabamos com mais de duas horas de música gravada, nas quais tentarei começar a editar esta noite, mas Steve está completamente devastado – ele se esqueceu de comer e beber durante todo o dia, porque estava completamente concentrado – e eu ainda não sei como as partes da canção se encaixarão, então terá que esperar até nos encontrarmos na segunda-feira! Steve não aparece nos fins de semana, normalmente, já que estes dias são cheios de atividades com seus filhos, e ele é acima de tudo um pai dedicado.

Sábado, 23 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Fui malhar na academia cedo, então fui para o estúdio e passei do dia inteiro editando algumas faixas do Black Country – a banda que eu juntei com Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Jason Bonham e Derek Sherinian. Encontrei Nicko, Davey e Steve Gadd no bar “Poop Deck”, de noite, e fomos até o grande “Atlantis” resort, onde jantamos no “Nobu”, um restaurante japonês chique, e depois fomos ver um stand-up de Jerry Seinfeld. Davey é um grande fã e queria muito ir, mas foi apenas ok – nada especial, na verdade. Bebemos um pouco ao longo da noite… E inevitavelmente acabamos na cabana de daiquiris, batendo papo com uns convidados de um casamento irlandês.

CONTINUA AMANHÃ…