ANUNCIADO DETALHES DA TURNÊ EM TRIBUTO A DIO

24 03 2011

Fonte: Kerrang

Wendy Dio, viúva do velho Ronnie, revelou os detalhes da tour em homenagem ao seu marido, que perdeu a batalha para um câncer em maio do ano passado.

Os antigos membros da banda de Dio – Rudy Sarzo no baixo, Simon Wright na bateria, Craig Goldy na guitarra e Scott Warren nos teclados – se juntarão ao ex-Judas Priest Tim “Ripper” Owens e a Toby Jepson (Little Angels/Gun) para uma excursão pela Europa. A banda se apresentará sob o nome de Dio Disciples (Discípulos de Dio na tradução para o português).

“Nunca haverá outro Ronnie”, diz Wendy, “entretanto queremos manter sua música viva, e esperamos que vocês apóiem a banda e se tornem um dos discípulos de Dio”.

As datas da turnê serão divulgadas em breve.

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ÁLBUM EM TRIBUTO A DIO TERÁ LINEUP ESTRELAR

2 03 2011

Fonte: New Musical Express

Wendy Galaxiola, conhecida no mundo Metal como Wendy Dio, viúva do velho mestre Ronnie James Dios, anunciou que os artistas que participarão do álbum em tributo ao cantor já estão confirmados. Entre os nomes estão Lemmy, Rob Halford, Alice Cooper, Sebastian Bach e até Dave Grohl.

Segundo Wendy, “o disco provavelmente não sairá neste ano, mas todo mundo já confirmou presença”.

Quanto às músicas, o que se sabe até agora é que Dave Grohl irá cantar uma versão para o clássico “Mob Rules” do Black Sabbath, e que Rob Halford irá cantar em “Long Live Rock n’ Roll”, hino absoluto do Rainbow.





“NÃO HAVERÁ REUNIÃO DO BLACK SABBATH”, DIZ GEEZER BUTLER

16 02 2011

Fonte: Kerrang

Após Ozzy Osbourne ter dito no mês passado que conversas estão em curso com a finalidade de reunir a formação original do Black Sabbath, o baixista Geezer Butler incinerou qualquer possibilidade com relação a isto.

“Eu gostaria de deixar claro, por causa de montes de especulação e boatos, que definitivamente não haverá uma reunião dos quatro membros do Black Sabbath, seja para um novo álbum ou para uma turnê”, falou Geezer numa declaração oficial.

A formação original do Sabbath, que além de Geezer e Ozzy, conta com Tony Iommi na guitarra e Bill Ward na bateria, entrou pela última vez num estúdio em 2001, junto com o produtor Rick Rubin. As sessões de gravação foram encerradas após Ozzy sair para se concentrar na sua carreira solo.





“UMA GRANDE PARTE DA MINHA VIDA SE FOI COM RONNIE”, DIZ GEEZER BUTLER

26 08 2010

Fonte: Exclaim.ca

O repórter Keith Carman, do website canandense “Exclaim.ca”, conduziu uma entrevista com o baixista do Black Sabbath/Heaven and Hell, Geezer Butler, que falou sobre Dio, planos para o futuro, além do DVD “Paranoid” da série “Classic Albums”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Sem o baixista Geezer Butler – nascido Terence Michael Joseph Butler – não existiria uma coisa chamada Heavy Metal. Não apenas ele é um quarto da banda essencial ao gênero, Black Sabbath, mas com seu inimitável estilo, forte e poderoso sem ser falso ou pomposo, ele é responsável por um legado musical que transformou um instrumento até então ignorado em algo do caralho. Para registrar: foi o trabalho de Butler nos primeiros lançamentos do Black Sabbath – tanto no debut quanto no clássico “Paranoid” – nos subseqüentes quarenta e tantos anos com a banda (deixando de fora os abomináveis álbuns de meados dos anos 80, quando até ele abandonou o grupo), além do Heaven and Hell e do G/Z/R, sua aventura solo, que moldou os estilos dos quais suas bandas se tornaram sinônimo.

Com uma pegada semelhante a de John Entwistle, do The Who, Butler se recusou em deixar seu instrumento ser enterrado em simplicidade. Ele tirou o baixo das sombras e o colocou em evidência como um instrumento de valor próprio. Combinando livremente um ataque percussivo com uma presunção do blues, fortes agudos e graves ecoantes, além de um infinito dedilhado que não abafava a música e nem perdia a conexão com a batida, Butler não segura o ritmo; ele os acelera sem nunca ter sua absurda calma abalada. Essencialmente, se não fosse pela simplicidade de Butler em “War Pigs” ou “Iron Man”, e pelas batidas com wah wah na abertura de “N.I.B.”, não teríamos um Cliff Burton, nem uma “(Anesthesia) Pulling Teeth” e, portanto, não haveria o Metallica. Nem teríamos o Megadeth, Anthrax, Slayer, e nenhuma outra banda de Metal, com baixistas em evidência nos mostrando que o baixo é tão viríl e flexível quanto o mais selvagem virtuoso da guitarra.

Contudo, poucos meses após perder seu amigo de longa data e companheiro de banda, Ronnie James Dio, para um câncer no estômago, Butler não sabe o que o futuro guarda para o Black Sabbath ou para o Heaven and Hell. Ao tirar um tempo para falar sobre sua vida, e sobre o 40º aniversário do “Paranoid” – lançado em 18 de setembro de 1970, o dia em que Jimi Hendrix foi declarado morto – Butler está esperançoso quanto ao futuro, mas ainda negocia com o passado.

Existe alguma real atualização do status do Black Sabbath/Heaven and Hell atualmente?
Realmente não. Estamos todos em resguardo desde que Ronnie se foi. Fizemos um show em tributo para arrecadar fundos para sua fundação e combate ao câncer e é só. Estamos apenas pensando no que iremos fazer a seguir.

Minhas condolências para todos. A morte de Dio foi um grande choque para o Metal.
Sim, tudo estava indo tão bem, e então aquilo aconteceu.

Vocês da banda esperavam por isso? Parecia que ele iria superar a doenção e de repente…
Foi uma daquelas situações, na qual ele estava respondendo bem ao tratamento e todos estavam bem animados novamente. A turnê estava indo em frente de novo e Ronnie estava ansioso por aquilo; estava ansioso para voltar à turnê. Cerca de seis semanas antes, a doença voltou e lhe atacou fortemente.

Parece que as pessoas não percebem que você não apenas perdeu um companheiro de banda, mas um amigo.
Com certeza. É muito difícil porque, obviamente, isto nunca havia acontecido com nós. É difícil saber o que fazer, especialmente na nossa idade. Nós não temos certeza.  Nós começamos tudo novamente? Apenas vamos ver o que acontece. Este é o ponto. Ele era um amigo muito próximo, além de alguém com quem trabalhava. É uma grande parte da minha vida que se foi.

Você realmente acha que teriam que começar tudo outra vez?
Bom, falo de arrumar um cantor e este tipo de coisa; a pessoa certa. Suponho que isto se resolverá sozinho.

Há alguma coisa em mente?
Não no momento…

Vamos falar de outro assunto, pois não posso nem imaginar quão difícil seja para você falar sobre isso. O DVD “Paranoid”, da série “Classic Albums”, trouxe muitas informações, mesmo após 40 anos em que as pessoas analisaram cada aspecto dele. Como foi falar sobre algo que foi feito há tanto tempo?
Foi incrivelmente difícil lembrar coisas de 40 anos atrás. Parece ter sido numa outra vida, de verdade. Porque ele foi feito muito rápido e estávamos em turnê, então aquilo não ficou muito bem gravada na memória de ninguém. Tivemos cinco dias de estúdio. Íamos para lá e, para nós, era apenas mais uma apresentação. Nós tocamos ao vivo no estúdio, praticamente – tivemos o mínimo de overdubs. Com apenas cinco dias, foi realmente apenas mais um show. 

Um show que tem reverberado por quatro décadas.
Sou grato por não sabermos disto na época, ou então nunca o teríamos concluído.

Parece que a mágica acontece quando você não espera muito daquilo.
É verdade, porque não esperávamos nada do disco. Nós pensávamos: “Em dois ou três anos estaremos de volt aos nossos empregos normais”. Se tivéssemos parado para sobre isto – o impacto que o álbum teve – provavelmente teria sido assustador demais para irmos e frente. Foi ótimo como as coisas aconteceram. 

Obviamente foi bom, mas existe algum ressentimento em ter que viver com um álbum sublime como este? Meio como Lemmy disse que não poderia tocar “Ace of Spades” e ficar bem com aquilo.
Não, acho que todos somos gratos pelo disco, porque naquela época ninguém nos dava uma chance, sabe? Nós éramos odiados pelos críticos, e ficamos muito gratos por ter obtido aquele sucesso com o álbum.

Num contexto maior – incluindo seus discos solo – parece que você nunca esperou que o “Paranoid” fosse tão essencial. Você tem outro álbum que goste mais do que o “Paranoid”?
Cada um tem seu próprio mérito, porque ao invés de ficarmos presos numa formula, sempre tentamos progredir como músicos. Apenas não queríamos ser conhecidos como uma banda de um único som, o que hoje em dia talvez sejamos. Mas naquela época, queríamos nos expandir musicalmente com cada disco.

Na época não havia nenhum termo que pudesse rotular vocês, não é verdade? Mesmo o termo “Heavy Metal” ainda não existia.
Sim, não havia “Heavy Metal” como o conhecemos hoje. Éramos apenas uma banda fazendo música original, sem importar se era material pesado ou mais leve, como “Planet Caravan” e coisas do tipo.

Esta canção nunca recebeu a devida atenção, não é?
Sim, muitas pessoas agora me perguntam o motivo de termos feitos esta música. Foi porque não estávamos presos a um determinado gênero na época. Apenas fazíamos nosso próprio tipo de música.

Ela fornece dinâmica ao álbum também. Não o deixa todo pesado e denso. Há pontos melódicos.
Exatamente. Porque você sabe: naquela época, quando você tocava um álbum, você esperava escutar oito ou dez canções que não se soassem iguais. Você precisava de variedade num disco. Ela cumpriu seu trabalho e se sobressai.

Então apareceram bandas como o Pantera, que fizeram covers dela, e a canção se tornou “cool” novamente.
Sim, eu gosto de como eles se apegaram à forma original de como ela foi feita: o clima e o temperamento.

Então há este ressurgimento das pessoas quererem escutar “Paranoid”, mas vocês ainda não têm certeza sobre o futuro do Black Sabbath/Heaven And Hell.
Bem, o Heaven and Hell já era. Só poderia existir com Ronnie. Eu ainda gostaria de fazer algo com Tony (Iommi) e Vinnie (Appice), mas que não se chamaria Heaven and Hell.

Após a batalha legal sobre o nome “Black Sabbath” entre Tony e Ozzy…
Bem, estamos todos conversando novamente, o que é um bom sinal… Eu espero. Quanto à banda original, há tantos lugares onde nunca tocamos e que adoraria visitar. O Japão, por exemplo. Nunca tocamos lá e em muitos lugares do Leste Europeu, ou da Ásia, que se abriram após a formação origina ter se separado – e após a nossa turnê de reunião. Quando fizemos a reunião, só tocamos na América do Norte e na parte ocidental da Europa, e só. Então seria… Eventualmente gostaria de ir a lugares como o Japão com a formação original, já que nunca estivemos lá. Mas é mais fácil falar do que fazer. 

Eu suponho que haja todo tipo de política para faze este tipo de coisa.
Sim… Seria ótimo finalmente ir em frente.

Enquanto isso, talvez você possa trabalhar em seu material solo. Já se passou um tempo desde que saiu o último álbum do G/Z/R.
Este tem sido um ano muito duro, então a música tem estado meio de lado, por causa de Ronnie. Gradualmente eu estou voltando ao… Há tantas coisas, que levará meses até decidir o que quero fazer. É meio que uma reserva. Uma vez que você estabelece qual direção seguir, a coisa fica mais fácil, mas preciso disto. Assim que consegui-lo, apenas seguirei em frente.

Tudo estará esperando para quando você estiver preparado.
Sim e eu estou ansioso para ver o que eu consigo trazer nos próximos meses. Tenho algumas coisas por perto, então dentro de um mês ou seis semanas, eu as pegarei, trabalharei em material novo e, enquanto resolvemos outras coisas, nada me impede de escrever meu próprio material. Tenho inspiração suficiente.

A música é um ótimo remédio.
Certamente é um bom jeito de superar este tipo de coisa. Eu poderia usá-la eventualmente.





BILL WARD: “ADORARIA SAIR EM TURNÊ E FAZER UM NOVO DISCO COM O SABBATH”.

20 08 2010

Fonte: Goldmine

O repórter Pat Prince, do website “Goldmine”, fez uma longa entrevista com o lendário baterista do Black Sabbath, Bill Ward. Bill falou sobre o novo DVD da série “Classic Albums”, que foca a produção do “Paranoid”, a vida banda no início dos anos 70, problemas com autoridades, dentre outros assuntos.

Confira a entrevista completa em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

O Black Sabbath teve várias formações, e oito bateristas diferentes ao longo de sues 41 anos. A maioria dos fãs, contudo, pensa em Bill Ward como o baterista que representa a banda, e no “Paranoid” com o álbum que define perfeitamente o Sabbath.

Para comemorar o 40º anivesário do “Paranoid”, a “Eagle Rock Entertainment” lançou um DVD da série “Classic Albums”, que foca no famoso disco de 1970 que originalmente iria se chamar “War Pigs”. É uma olhada para dentro de uma banda que na época estava lutando para permanecer viva, e que ainda assim criou algumas das mais dinâmicas, sombrias e provocativas canções já gravadas.

Bill Ward lembra do “Paranoid” como o álbum que mudou tudo para o Sabbath. O disco deu a banda músicas famosas, como “Iron Man”, e ainda lhes concedeu alguns de seus momentos a La Beatles, com fãs berrando (a maioria adolescentes da Inglaterra) e seguindo desprevenidos músicos pela rua.

Ao longo dos anos, Bill War se tornou um genuíno porta voz da banda, além de um cara que mantém sua batida natural. Aos 62 anos, ele ainda está a fim e pronto para evocar a energia para uma turnê completa do Sabbath, a qualquer momento, quase com o mesmo entusiasmo que tinha durante as sessões do “Paranoid”.

Recentemente a “Goldmine” teve a chance de conversar com o lendário baterista, que está ocupado trabalhando em seu mais novo disco solo – um trabalho de amor que está em seus estágios finais, mas sem data de lançamento ainda.

O que você achou do lançamento do documentário em DVD do “Paranoid”?
Estou bem quanto a isto agora. Quando o vi pela primeira vez, tive algumas reclamações quanto ao andamento e a produção em geral. Disse minha opinião ao produtor, obtive uma resposta e tudo ficou bem. As coisas se resolveram.

Minha maior preocupação foi que havia uma longa parte só com Tony (Iommi) e Geezer (Butler), sem que outro artista falasse. Foi apontado para mim que era assim que o programa era, e eu disse: “Eu sei disto, eu sou um grande fã do programa. Já assisti todas as bandas que apareceram na série, mas ainda acho que é um tempo muito longo”. De qualquer forma, eu pude entender e ficar tranqüilo quanto a isto, mas foi o único atrito que eu tive com o DVD.

Mas eu gosto dele, porque é um pouco diferente. Eu nunca vi o Black Sabbath receber um olhar diferente por um ângulo diferente. Eu acho que neste sentido o DVD traz uma boa novidade.

O que você acha do “Paranoid” ganhar este tipo de re-exame?
Eu gosto de que ele esteja sendo revisto novamente e que tenha tanto crédito. Eu acho que ele merece este crédito, pelo fato de que apenas o tocamos do jeito que éramos. Não tivemos um processo para pensar no álbum. Não houve nenhum planejamento. Foi apenas o resultado de quatro caras tocando juntos, sendo uma unidade, uma banda, uma banda de verdade.

Você percebeu que o álbum era especial enquanto estava o criando?
Eu sentia alguma coisa na época, mas sabia que estávamos em algo diferente. Quero dizer, todos nós pensamos isto. Todos nós sabíamos que estávamos criando algo diferente e que gostávamos muito. Mas sabíamos que era diferente. E sabíamos que era frágil também, no sentido de que ele poderia não durar nem cinco minutos, pois haviam vários oponentes, por falta de palavra melhor; lugares a levá-lo que poderiam não lhe dar nenhuma chance.

O baterista em 1970, gravando "Paranoid".

Como em muitos álbuns do Black Sabbath, havia muito conteúdo nele. Neste sentido, foi muito ruim ele não ter se chamado “War Pigs”, como era a intenção, já que este título seria uma declaração mais forte?
Bem, nós queríamos chamá-lo assim, mas ninguém pareceu entender. Eu não os culpo, sabe? O Vietnã, um monte de gente sendo morta por lá todos os dias, então eu entendo eles não terem usado o nome, por este lado.

Mas era uma declaração anti-guerra bastante efetiva.
Eu acho que fizemos uma grande declaração e colocamos muita força nela. Quando a tocamos atualmente – bem, na última vez em que excursionamos – “War Pigs” ainda era um grande hit para todos. Então ela permanece. Infelizmente ela ainda permanece atual, com o Iraque e todos os outros lugares onde há tantos problemas e mortes. Este é o lado ruim da coisa, mas fizemos um bom álbum e uma boa declaração.

O fato das músicas ainda serem relevantes hoje é uma grande prova do poder das composições daquele álbum. Muitas bandas não têm este poder.
Quando tocamos estas canções na época, como disse antes, não sabíamos se elas durariam ou não. Era realmente bem frágil em vários sentidos. Mas então o Sabbath se tornou atemporal – acho que isto acontece e algumas bandas se tornam quase veneradas. A vida do Sabbath passou a depender de pessoas que foram influenciadas pela música da banda, como um avô falando para o neto: “Hei, dê uma olhada nessa banda”. Isto é incrível. Nós começamos a perceber que haviam caras de 50, 60 anos nos shows, e garotos de 10 anos. É ótimo isto! Muito bom ver isso. Estou muito contente de que influenciamos outros músicos também. Para mim, estas são as coisas que parecem um presente silencioso enquanto você envelhece. Espero ter recebido isto com um pouquinho de humildade e sem fazer muito estardalhaço.

Você poderia explicar melhor o seu uso da palavra “frágil”?
Na época em que estávamos gravando o “Paranoid” – e quando fizemos nosso primeiro álbum – nós éramos uma banda de verdade e muito unidos. Tinha a banda, os roadies e os caras que nos levavam aos lugares e tomavam conta de nós. Eram provavelmente 10 pessoas, juntas, e em vários sentidos havia muita intimidade. Nós tomávamos conta uns dos outros e cuidávamos uns dos outros. Éramos uma unidade. Eu geralmente me refiro a isto como os “quatro mosqueteiros”. A sensação era esta, porque havia muita coisa vindo de fora, entre a imprensa, TV, e todo um novo público que estávamos alcançando; todos os novos países para onde estávamos viajando. Ainda ahavia muita novidade em tudo e, eu acho, uma sensação de desconfiança também. Nós viemos de uma região muito dura difícil de Birminghan, então aprendemos a crescer com um olho sempre aberto, pode-se dizer. Não éramos estúpidos; neste sentido tínhamos aquela esperteza das ruas.

Com isto em mente, enquanto passávamos por gravadoras, advogados, ou coisas do tipo, sempre éramos bem discretos. Nós nos reuníamos e conversarmos sobre tudo. Nós havíamos acabado de voltar de uma turnê de dois anos, na qual dividíamos a comida. Nós não tínhamos nem um trocado, então quando estávamos tocando no “Star-Club”, “Reeperbahn” e fazendo aqueles shows na Dinamarca e Suécia, por volta de 1970, nós tivemos que aprender a sobreviver, porque estávamos basicamente tocando por comida e coisas do tipo. Então aquilo criou uma grande união. Aquilo foi com a gente por entre o novo mundo e as novas mudanças que estávamos passando – ou estávamos prestes a passar. Foi isto que eu quis dizer com “frágil”.

Quais foram as histórias por trás do “Paranoid”?
Primeiramente, para nós foi divertido, porque fizemos muitas turnês em cima do “Paranoid”. Eu lembro das primeiras reações, e então por um minuto nós estivemos na cultura pop. Nós ficamos famosos, especialmente quando a canção “Paranoid” alcançou o 2º posto na Inglaterra e o álbum ficou em 1º, e de repente estávamos nesta coisa do pop na qual tínhamos todos estes fãs berrando e todas coisas do tipo acontecendo. Aquilo, após um tempo, não permaneceu da mesma forma; meio que desapareceu, o que foi bom. Ainda tínhamos muitos fãs. Por toda a nossa vida sempre tivemos muitos fãs que sempre foram entusiasmados, para dizer o mínimo. Mas por um momento nós aproveitamos esta coisa de estarmos dirigindo nossos carros e sermos cercados, ou então tínhamos que dar um jeito de entrar sem que ninguém nos visse no teatro onde iríamos tocar. Aconteceu todo este tipo de coisa; meio que como “A Hard Day’s Night”, sabe? Apenas por um momento aquilo foi divertido, mas não acho que teria gostado de ter aquilo pelo resto da minha vida. Aquilo seguiu seu próprio caminho.

Mas as turnês eram demais, com todos nós trabalhando muito duro. Nós tocávamos todos os dias; fazíamos um show cedo e um mais tarde. Isto me espanta. Quando me lembro disto… Quando o Sabbath toca, nós colocamos 150% de nós. Colocamos tudo que temos. Me espanta o fato de que fazíamos este grande show e então o fazíamos novamente algumas horas depois. Eu ainda olho para isto com algum espanto, na verdade. Tenho muito orgulho disto, de que éramos capazes de fazer isto e fazê-lo funcionar. Então houveram muitas coisas que apareceram na turnê, enquanto fazíamos novos amigos rapidamente.

Você não acha que algumas pessoas foram ver a banda naquela época só porque estavam curiosos?
Eu acho que atraíamos muitas pessoas que tinham sérios problemas com nós, na verdade. Nós atingimos o tôo das paradas e o topo das paradas das pessoas também. Mas quando eles perceberam que faríamos qualquer coisa que quiséssemos, musicalmente – especialmente com o terceiro álbum – uma parte deste estrelato caiu um pouco. Nós sempre tocamos para nós mesmos, e tentamos ser honestos com nós mesmo sobre onde estávamos, e acho que é por isso que nós tivemos fãs que ficaram com a gente ao longo dos anos.

Havia um número – bem grande até – de pessoas que realmente não gostava da nossa banda. De vez em quando as coisas ficavam bem perigosas. Quando estávamos fazendo as primeiras turnês nos Estados Unidos, promovendo o “Paranoid”, frequentemente tinham grupos cristãos, ou pessoas que amam Jesus mais do que qualquer coisa na Terra… Eles eram bem extremistas e alguns deles eram bem perigosos; foi muito assustador, para ser honesto.

Se ao menos eles escutassem às letras das canções, talvez encontrassem coisas que não esperavam.
Sim, se eles pudessem ler as porras das letras, talvez tivessem aprendido alguma coisa; sei lá. Ou curtido. Ou poderiam abaixar os cartazes; todos carregavam um grande cartaz, assim como fazem hoje. Alguns dos grupos cristãos mais extremistas levantavam qualquer coisa que pudessem agarrar.

Bem, sempre haverá extremistas por aí.
Sim, foi bem extremo. E nós éramos extremistas também (risos); combinação perfeita. Mas nós tínhamos que ter seguranças. Tínhamos seguranças frequentemente. Nas nossas primeiras turnês, fomos ao “cinturão bíblico” (N.R.: Região no sul dos Estados Unidos onde a prática fervorosa da religião protestante evangélica faz parte da cultura local), e quando viajávamos pelo norte da Flórida, pelo Mississipi, certas partes da Virginia, Tennessee, Lousiana, Texas e Cirpus Christi, haviam muitas pessoas – incluindo os policiais locais – que nos recebiam bem friamente. Haviam muitos problemas com as pessoas e com os prefeitos das cidades.

Você não acha que a imagem sombria e os rumores de que a banda era satânica foi exagerada e, ainda por cima, massificada pela mídia?
Eu acho que foi algo que tentamos esclarecer continuamente através das entrevistas, mas era quase como, “mas isto vende discos” ou “isto vende jornais, então vamos continuar com isto”. Nós dizíamos constantemente, diariamente, “não, não somos nada disto. Não, isto não é o que representamos”; foram muitas declarações deste tipo. Nós estávamos tentando mostrar para eles quem éramos de verdade. Nós fomos pegos tão fortemente por esta coisa, que ela adquiriu uma identidade própria e foi jogada pelo mundo com uma bola de praia. Algumas pessoas, incluindo a TV e a mídia em geral, gostavam de destacar isto e dizer quão terrível era. Foi bastante controverso por um longo tempo. Foi algo que dissemos, “não podemos fazer nada a respeito disto. Nós éramos impotentes sobre esta dimensão que apareceu e grudou na gente”, então apenas seguimos em frente, fazendo o que fazemos de melhor, até hoje quando você e eu ainda estamos falando a respeito disto. E estou feliz que você tenha me dado a oportunidade de ter falado um pouco sobre isto, pelo menos.

A partir da esquerda: Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne.

Nos dias de hoje aquilo não seria considerado tão controverso. Como os tempos mudaram…
Não seria mesmo, e fico satisfeito por ter feito parte de um número de bandas que foi ao sul (dos Estados Unidos), que foi na Austrália, no Canadá e em outros países, onde primeiramente éramos barrados de tocar pelas autoridades. Agora as portas se abriram.

Canadá?!
Sim! O Canadá do início dos anos 70… Cara, entrar no Canadá era uma provação. Mas me sinto bem em ter sido parte de um pequeno grupo de caras que permaneceram verdadeiros com eles próprios. Mas isto criou muitos problemas no começo dos anos 70, quando a polícia ficava definitivamente desconfortável com nós por perto e não sabia como lidar com a gente. Nos anos 70, havia diferença entre um policial da Louisiana e um policial de Nova Iorque. Nunca tivemos problemas com os policiais de Nova Iorque, que eu saiba. Nós conhecemos muitos nos shows que fazíamos. Para eles, era um show, sabe? Eles entenderam a coisa. Não haviam grandes brigas ou situações nas quais podíamos ser feridos os mortos facilmente. Era uma vibração diferente. Neste sentido, fico feliz por ter sido um dos que foram nas profundezas do sul (dos Estados Unidos), e agora o sul é… Cara, está totalmente diferente.

Parece que haviam muitos boatos que ajudavam a alimentar aquela fama. Por exemplo, me lembro de ouvir falar de que ao entrar no local onde o Black Sabbath iria tocar, o público tinha que assinar uma bíblia satânica. Então começavam a aparecer este tipo de boatos sobre coisas estranhas que aconteciam nos shows de vocês.
A coisa se tornou um fenômeno com vida própria, e ainda há uma sombra disto nas nossas vidas, porque eu sei que todos nós individualmente – não só como Sabbath – ainda gostamos de fazer uma música ainda mais sombria. Até hoje sou tão atraído por música sombria quanto era em 1969, quando garoto. Ainda é a mesma coisa.

As letras de Geezer Butler sempre foram bem profundas e conscientes.
Absolutamente. Eu o chamo de “o poeta irlandês”. Os pais dele são da Irlanda. Ele vive na Inglaterra, mas basicamente é irlandês. Ele é um fantástico letrista. Maravilhoso! Ao mesmo tempo, eu tenho que dar os créditos de Ozzy também, porque ele pode falar uma frase ou uma palavra… Eu viajei com ele por muitos lugares ao longo dos anos e sei que ele é capaz de falar uma palavra que explode e você é literalmente capaz de escrever uma canção em torno desta única palavra. Ou então ele fala uma frase, e você fala: “Puta merda, posso usar isto?”, e você literalmente escreve alguma coisa com isto. O jeito que ele despeja estas coisas… Estas coisas saem de Ozzy todo santo dia. Você tem que aprender e saber como pegá-las  e usá-las adequadamente.

Mas, na verdade, “Fairies Wear Boots” é sobre o quê?
Isto foi Ozzy e Geezer se divertindo, juntando coisas. Tem uma coisa de Alemanha nisso. Algumas sobras que nós aproveitamos; Algumas brigas em que nos metemos. Estou pensando na canção agora enquanto conversamos, e fui direto para 1968-1969, e ela é um grande exemplo de onde estávamos em 69. Eu posso até sentir o cheiro da comida no “Reeperbahn” (risos). É uma ótima canção sobre as experiências que tivemos. E é cheia de… A melhor expressão que posso pensar é “conteúdo mágico”, onde vamos a esta coisa mística meio coisa de maconheiro, bem como 1969 era. Isto é o melhor que posso dizer sobre ela.

Olhando em retrospectiva, há algo que você faria diferente com relação ao Black Sabbath?
Não me arrependo de nada que fizemos ou nada que fiz pessoalmente. Não me arrependo de nada. Não faria diferente, incluindo todos os erros… Tudo. O primeiro instinto que me apareceu quando você perguntou isto foi, “sim, gostaria de refazer algumas partes de bateria” (risos). Não refazer, mas trabalhar nos sons de certas partes da bateria, particularmente nos dois ou três primeiros álbuns. Talvez um som melhor no bumbo de “Iron Man”, coisas deste tipo. Todos os músicos são assim.

Falando em “Iron Man”, você acha que a canção se tornou muito comercializada, muito “mainstream”?
Eu tive que abandonar qualquer tipo de apego pessoal que tinha com ela. A gente pensa, “não, você não pode fazer isto. É música underground e tem que permanecer verdadeira com ele mesma e etc”, e então a vida real aparece. O mundo se abre. A primeira pista que tive de que “Iron Man” pertencia a todo mundo foi quando a escutei sendo tocada por uma banda marcial num campo de futebol. Eu pensei, “oh meu deus, eles estão tocando ‘Iron Man’”. Para mim, foi quando ela se tornou pública.

Então ela se tornou bem comercial e se apegou em tudo. E, na verdade, hoje em dia é legal. Não estou reclamando, porque quando ela foi para o filme “Iron Man” (N.R.: O Homem de Ferro), conseguiu uma nova forma de vida e me mostrou que ela continua atual. Então, neste sentido, eu tomarei como um elogio. Mas meu senso de justiça, como “isto não está natural, você não pode fazer isto”, diminuiu um pouco com o passar dos anos, com relação a canções como “Iron Man”, que tendem a se tornar mais comerciais ao longo do tempo. Eu já não brigo mais tanto quanto antes sobre este assunto.

E quando fazemos shows, sempre tentamos tocar algumas canções que não tocávamos há muitos anos, mas inevitavelmente acabamos com um repertório que agrade a todos.

Quais os planos do Black Sabbath?
Bem, todos estão de folga, sabe? Eu estive falando com Tony há poucos meses… E estava com ele e Glenn (Hughes) no funeral de Ron (Ronnie James Dio), e acho que Terry (Geezer) está apenas tentando superar a morte de Ronnie e pensar o que fará depois. Então Ozzy está embarcando numa grande turnê. Ele está indo para a estrada por um tempo considerável, mas eu falo com ele toda hora.

A partir da esquerda: Geezer, Ozzy, Tony e Bill na época da reunião, já no novo milênio.

O que você acha do novo álbum de Ozzy, “Scream”, por falar nisso?
O que eu gosto neste novo álbum é a voz dele. A voz dele está muito clara. Ele está sobrevivendo, ele tem convicção e ele é bem claro e em preciso em tudo. Sua voz realmente está se sobressaindo em todas as faixas. Eu acho que é muito bom.

Com relação ao Black Sabbath, a banda original, não estou sabendo de nenhum plano nem nada, mas ao mesmo tempo sei que iremos conversar uns com os outros. Não estou sabendo de nenhum desentendimento entre ninguém.

Eu sempre tenho a esperança de que se tudo está certo e tudo está amigável, então podemos excursionar novamente. Adoraria faze isto, contanto que tudo esteja em ordem comigo. Adoraria seguir em frente, não só excursionar, mas fazer um novo álbum também, outro disco do Sabbath. Isto para mim seria a melhor coisa que poderia acontecer. Mas também adoraria fazer uma turnê longa. A última turnê que fizemos foi legal, e durou três meses e meio. Mas o lance é que estávamos tão entrosados – e você tem que praticar para a coisa se ajeitar e ficar bem entrosada – quando estávamos na metade da turnê e eu me senti em plena forma, mas então de uma hora para a outra tivemos que parar. E eu estava, “Merda, vamos levar isto ao redor do mundo, cara. Isto está ótimo”. Mas tivemos que parar, o que foi um tanto irritante. Este foi o único problema. Leva um certo tempo para que um corpo de 62 anos possa tocar no Black Sabbath, e Ozzy e eu somos muito exigidos fisicamente no palco, então temos que estar em forma. E todos os shows da “Reunion”, com relação às performances, foram lindos. E me diverti demais; no palco era imbatível. Curti bastante, de verdade.





LIVRO DE FOTOGRAFIAS DE RONNIE JAMES DIO SERÁ LANÇADO ESTE ANO

16 08 2010

Por: Raquel Hortmann
Fonte: Brave Words & Bloody Knuckles

De acordo com o “Deep Purple Appreciation Society”, existe um livro de fotos autorizadas de Ronnie James Dio previsto para sair no outono (do hemisfério norte). Aprovado por Wendy Dio, uma parcela de cada edição vendida será doada para a fundação “Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund”. Haverá duas edições – mais detalhes serão revelados em breve.

Você também poderá fazer doações para a “Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund” através do site “ronniejamesdio.com”. As doações são destinadas à pesquisa de câncer, diagnóstico e vários programas relacionados ao câncer, a fim de ajudar as famílias que tem entes queridos sofrendo com a doença.





ANTHRAX TOCA “HEAVEN AND HELL” EM HOMENAGEM AO RONNIE JAMES DIO NA RÚSSIA

11 08 2010

Por: Raquel Hortmann
Fonte: Blabbermouth

Um fã do Anthrax filmou a banda fazendo um cover da canção “Heaven And Hell” do Black Sabbath, como um tributo ao lendário Ronnie James Dio.  O show em questão foi realizado no dia 5 de agosto, no clube “B1 Maximum”, Moscou, Rússia.

Confira abaixo o vídeo da performance:

Set list do show:

Caught In A Mosh
Got The Time (JOE JACKSON cover)
Madhouse
Be All, End All
Antisocial (TRUST cover)
Indians / Heaven And Hell (BLACK SABBATH cover) / Indians
Medusa
Only
Metal Thrashing Mad
N.F.L (Efilnikufesin)
Encore:
I Am The Law