LUZ NO FIM DO TÚNEL – 9ª EDIÇÃO

14 03 2011

Por: Roberto A.

Banda: Devildriver
Álbum: Beast (2011) 
 
Clique aqui para baixar o CD.

Olá moçada, tudo na santa paz? Cá estamos com mais uma edição da seção de sugestões musicais do blog IMPRENSA ROCKER. Na última sugestão tivemos Rock Alternativo do bom, e nesta temos uma pancadaria do mais alto quilate. Um dos discos pesados mais consistentes lançados neste ano, fato inclusive mencionado no site “About.com”, respeitado no gênero. DevilDriver é uma banda de Groove Metal norte-americana, da cidade de Santa Barbara, Califórnia, formada em 2002.

A bolacha me surpreendeu pela qualidade das composições e pelos timbres espetaculares, começando muito bem com “Dead to Rights”, uma porrada sônica bem resolvida, com muita pegada e bastante testosterona.

“Não pergunte qual é a estória/Você vai ser derrubada no o chão”. Pesada e bem arranjada, começa bem o petardo deles.

“Bring The Fight”, a segunda, vem com mais velocidade, e empolga bastante. “Eu sou levado ao limite/Em meu coração eu tenho malícia/Cultivada em Cali”. “Hardened” começa soturna, com uma guitarra espacial muito bem sacada. Destaco o excepcional trabalho do pedal duplo na batera, e nas guitarras tudo está muito bem timbrado e produzido – evidente que quem gosta de Rock pesado vai se identificar mais. “Shitlist” é apoteótica, esporrenta e daquelas músicas que impressionam logo na primeira audição – novamente a velocidade é espantosa, e os timbres absurdos.

“Talons Out” é uma paulada pegajosa, urgente, impressionante, com bateria na cara e vocal detonador. “Anti-social, você é incontrolável/Escapa com homicídio/A ausência de reparação/Todos os sorrisos/É tudo guerra daqui”. “You Make Me Sick” manda tudo pra aquele local, com um refrão matador, andamento alucinado – só pode resultar num som animal. “Coldblooded” é um exercício e tanto para guitarristas. Um soco no estômago direto e reto, não dando tempo para recuperar o fôlego durante a audição doCD. Muita atenção para este solo de guitarra!

“Blur” apresenta um espertíssimo riff de guitarra muito bem sacado, com trabalho interessante de timbres guitarrísticos, e cozinha demolidora. Bom, agora uma sugestão que faço apenas pra quem de fato curte Metal: de bônus, apresento pros nossos visitantes uma versão deles para um clássico do Iron Maiden:

Este é um disco que, se não aponta rumos diversificados para o Metal, ao menos o representa com muita dignidade.

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





REVIEW DA SEMANA – 3ª EDIÇÃO

10 03 2011

Por: Roberto A.

Banda: R.E.M.
Álbum: Collapse Into Now (2011)

Cliaque aqui para baixar o CD.

Minha história e relação com esta banda vem de muito, muito tempo atrás. São sujeitos que já não precisam provar mais nada a ninguém, e ainda assim continuam nos brindando com discos espetaculares ao longo dos anos. O R.E.M, à partir do álbum “Document”, veio num crescendo de fama, pausadamente, e com critério artístico foi aumentando sua legião de fãs ao redor do globo. Seus hits iniciais como “It’s The End Of The World”, e “The One I Love” pavimentaram o caminho para o sucesso de massa que atingiram posteriormente com sons, tipo “Losing My Religion”, ou “Man On The Moon”. Meu disco favorito deles, de todos, é “Green”, CD que todo rockeiro deveria ter em sua estante – clássico absoluto, com a banda no seu auge criativo. Na longa discografia deles, eu poderia também destacar “Monster” e “New Adventures In The Hi Fi” mas, enfim, vamos ao que interessa agora, que é o novíssimo disco deles, com uma capa maravilhosa e conteúdo melhor ainda.

“Discoverer” abre a bolacha com urgência, beleza e lindos sons de guitarra. Nasce com pinta de clássica na carreira, vocal enfático, tudo muito bem gravado e brilhantemente produzido por Jacknife Lee e pela própria banda. Letra irada: “Na a cidade e sua pele agora/Não preciso sentir medo/precisava me sentir tão estúpido/Posso me ver, posso sentir”. Ótima música.

“All The Best” é uma R.E.M. clássica! Rápida, curta e muito melodiosa, empolgante na medida, lembrando muito os timbres dos discos deles dos anos 90. Se isto é um recomeço, eles estão conseguindo realizá-lo com brilho. “Uberlin” é acústica e muito interessante. Algo Folk, com um pouco de Country, muito bem timbrada – bonita mesmo. Stipe esclarece: “Ei, agora, tome seus comprimidos/Ei, agora, faça seu café da manhã/Ei agora, penteie o cabelo e saia pro trabalho”. Ela também possui um trampo muito bacana dos violões.

Em “Oh My Heart”, eles seguem com uma sonoridade mais limpa, calma, bonita, conforme podemos conferir na versão ao vivo abaixo:

É uma grande satisfação ver uma grande banda, num nível criativo tão bom, depois de tanto tempo de carreira. Tive o privilégio de vê-los ao vivo no “Rock in Rio III”, em 2001 – uma grande alegria. Prosseguindo com a qualidade lá em cima, “It Happened Today” é candidata a hit por certo. Uma canção muito simpática, que pega a pessoa de primeira.

Ode à positividade e ao otimismo, “Every Day is Yours to Win” começa com vocal atmosférico, dedilhado de guitarra limpa e letra curiosa: “Eu não posso dizer uma mentira/Nem tudo são flores/Mas está tudo lá esperando por você”.

“Walk It Back” vem com pianão sutil, violões bem colocados, maravilhoso arranjo vocal e beleza fora do comum, confiram:

Em “Alligator Aviator Autopilot Antimatter” a distorção come solta, num Rock rápido, acessível, melodioso, urgente e… Pop!

Este com toda a certeza é um disco deslumbrante, daqueles que vale a pena ter o original. Uma grande banda, em um grande momento… Palmas para os veteranos!

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





LUZ NO FIM DO TÚNEL – 8ª EDIÇÃO

9 03 2011

Por: Roberto A.

Banda: Buckethead and Travis Dickerson
Álbum: Left Hanging (2010)

Clique aqui para baixar o CD.

Hello. Ótima quarta a todos visitantes deste blog viril na web, Imprensa Rocker. Desta feita, quarta feira de cinzas, temos uma sugestão relax, um disco que se não vai revolucionar sua vida, ao menos propiciará bons momentos: trata-se de um CD instrumental de Rock Alternativo de um dos músicos mais versáteis e talentosos da geração recente – o guitarrista Buckethead. Nem vou arrumar discussão com gunners tradicionais, dizendo que ele foi o mais completo e técnico guitarrista que já passou pelo Guns N’ Roses, fundamental na concepção, arranjos e maioria das bases e solos em “Chinese Democracy”.

Este músico está frequentemente produzindo e lançando seus CD’s solos, sendo que escuto a grande maioria deles, pois sou fã do estilo do sujeito. Este CD ele gravou junto a Travis Dickerson , produtor americano dono da “TDRS Music”. É um disco bom de se ouvir pós-ressaca, queimando uma carne com os amigos, na areia da praia, ou simplesmente passeando de carro.

Começamos com “Continental Drift”, rockão suingado muito legal, timbres irados de guitarra, com ótima produção da cozinha e destaque especial para o som de bateria na cara, tecladeira de muito bom gosto, que abre brilhantemente a bolacha. Nesta, Bucket não abusou de seu virtuosismo, simplificando a guitarra, mas com resultado bem interessante. “Game Theory” vem na sequência e traz uma levada Jazz, “wah wah” de bom gosto bem colocado, canção com levada agradável e bem balançada, e com um solo muito bonito.

“Archetyp” a terceira, injeta certa tensão na bolacha… Esquizofrênica, urgente, bem timbrada e curiosa, nota-se a espetacular desenvoltura de Bucket não só pra tocar guitarra, mas também para compor arranjos inusitados – logo vem em mente o excepcional trabalho dele no mais recente CD do Guns. O modo que ele lida com o “wah” sempre é com muita perspicácia e parcimônia, sem abusos.

“Terra Firma” é toda sexy, com solo arrebatador, animal, cozinha concisa, tecladão fazendo a cama por trás… Puro groove, além de lindas guitarras limpas.

Em “Cosmogny” é hora de colocar o som no volume máximo, e acelerar um pouco mais a máquina. Rockão direto e reto, ao ponto.

“Box Beat Boom” vem com aquelas particularidades do Bucket, com som tipo vídeo game e tal. Interessante e orgânica, além de uso sobrenatural do “Wah”.

Enfim, baixe e se divirta, conferindo porque Axl Rose convidou o cara há muito tempo atrás para ajudar a compor seu mais recente CD.
ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





FUJA DO HYPE – 5ª EDIÇÃO

8 03 2011

Por: Roberto A.

Hello Guys! Terça de carnaval, que horror! Temos que organizar logo uma campanha pra banir essa imbecil manifestação popular de Brasil – a morfina do povo! Alguém esclareça pra gente, o que isso de fato acrescenta de bom na vida das pessoas, e no destino do nosso País? O saldo é mais do que conhecido: acidentes nas rodovias, overdoses, coma alcoólico, sexo sem responsabilidade, mas é aquilo, né? Circo pro povo, pra que se esqueçam das questões que realmente importam no momento, como por exemplo, esse ridículo aumento no salário mínimo, ou a soberba verba mensal disponível pra gabinetes que os representantes nossos no senado tem direito. Tudo muito justo e transparente, é claro. Como diria Raulizito: “Viva! Viva!”

Enquanto muitas cidades pelo Brasil se acabam com as chuvas, tem as ruas totalmente esburacadas; enquanto as crianças não têm merendas nas escolas, o povo se esbalda no samba, na cachaça, na cocaína, na folia – como diria meu idolatrado Lobão: “Isso é Brasil, Cuidado!”

Vamos nós ao que estamos aqui pra fazer. Avaliar os hypes de sempre, por exemplo, essa união dos irmãos Cavalera, que deveria em tese acrescentar substância à música pesada, mas que pouquíssima coisa acrescenta no cenário – infelizmente, já que o momento está extremamente efervescente pro estilo (em algumas de nossas sugestões mostramos aos leitores o bom Omnium Gatherum, que apresentamos na semana passada).

Cavalera Conspiracy – Blunt Force Trauma (2011)
Clique aqui para baixar o CD.

Tanto o Sepultura, quanto o Tio Max (Mendigo) Cavalera perderam com a separação em 1996, ano do lançamento do maior clássico deles, um dos maiores petardos da música pesada já lançado: “Roots”. Alguns leitores poderão argumentar que preferem “Chaos A.D.”, ou “Arise”, mas em nível de mundo, “Roots” é considerado o principal trabalho do Sepultura. No saldo final da coisa, Max talvez tenha lançado trampos mais interessantes (com o Soulfly, por exemplo – o mais recente trabalho é animal) do que os da banda de origem, que se perdeu num mix Hardcore e composições aquém das expectativas. Igor, depois de vários anos voltou às boas com o irmão, e muito se esperou desse trabalho dos dois, o Cavalera Conspiracy, cujo primeiro CD foi um bom lançamento – ainda que possam ir bem mais longe -, contudo não é com este segundo disco que conseguiram isso. “Warlord” começa com a batida tribal clichê de Metal de sempre, mas o som carece de pureza, é meio abafado num todo (o disco). Os pratos não soam tão bem… Essa primeira faixa parece com tudo que Max tem feito em suas inúmeras bandas: berros, refrãozinho acelerado, mas nem um pouco convincente e não mostra potencial. “Torture” inicia com uma distorção “torturante”, cria expectativa, mas cai no marasmo, num arranjo mal resolvido, enquanto o solo “wah” que acontece não combina muito bem com a harmonia, que parece concebida por bandas iniciantes no estilo: estruturas “bate-cabeças”  meio sem nexo… Falta profundidade (confiram). “Lynch Mob” é praticamente uma continuação da anterior e pouco acrescenta no todo. “Killing Inside”, a posterior, começa com Max sussurrando em cima de base abafada, e parece a ponto de explodir – o que acontece, se tornando um momento interessante, mas fica a impressão de que algo falta no mix. Ouçam e comentem. Fico constrangido em comentar algo como “Trasher”, por isso passo para “I Speak Hate” onde um elemento pouco usado pelos irmãos é inserido: melodia. Ficou ok em princípio (talvez a grande surpresa do disco, ainda que uma melhor mixagem faça falta, bem como um refrão que funcione). Em “Target”, aproveite para preparar um café, pois não vai perder muita coisa. “Genhis Khan” traz alguma dignidade à bolacha, com uma pegada bacana, distorção interessante e sons orientais embutidos, sendo um pouco mais trabalhada que as demais faixas (talvez a com mais potencial do CD). “Burn Waco” tem um começo EXATAMENTE igual à “Sepulnation”, som do Sepultura. Paro por aqui com o disco. Max se perdeu nos projetos. O Soulfly tinha uma identidade e o Sepultura também, mas agora, ouvindo os trampos do cara, não sabemos o que é Soulfly e o que é Cavalera – se fundiram. Ele não soube fazer algo característico para cada banda. O lance agora pro Max é parar, refletir, procurar um bom dentista, comprar umas camisetas novas e seguir em frente.

Maria Gadú
Clique aqui para baixar o CD (em Torrent).
 
Então bicho, esta é a multi platinada adorada cantora da nossa nova MPB, indicada ao Grammy Latino. Ok, eu já desconfiava e agora comprovei: não há absolutamente nada que justifique esse Hype em cima dela – Caetano abraçando já dava ter idéia, né? Pois bem, ouvindo aqui não notei nada de assombroso no talento da menina, que possui uma voz comum, composições até corretinhas, mas nada que Adriana Calcanhoto (por exemplo) já não tenha feito brilhantemente melhor. É aquilo que falamos: tem que fugir do hype, sem dúvida. Vá ouvir Maria Rita que é muito mais jogo, ou melhor, pegue alguns CD’s antigos da Gal ou da Elis pra melhor proveito de seu ouvido. Mas vá lá, vamos conferir juntos algumas músicas dela. “Shimbalaiê” você já deve ter ouvido em alguma sala de espera de dentista, ou durante algum congestionamento em horário de rush, acompanhe: “Quanto tempo leva pra aprender que uma flor tem vida ao nascer/Essa flor brilhando à luz do sol/Pescador entre o mar e o anzol”. Acho que Milton não regravaria essa… Certo, vamos então dar uma sacada em “Escudos”, singela musiquinha, que diz: “Nada que tu traga vai me apetecer/Sinistro parece que a gente se deu ao desfrute de nada/Tua tanga na manga do mágico falso/Tuas mãos na cartola, teu corpo no palco”. Bicho, o que rola? Todos estão surdos, ou Caê surtou de vez a ponto de excursionar com essa figura? Escutem “Ne Me Quitte Pas”, e coloquem suas impressões comentando. Fico por aqui com Gadú.

Link complementar

Seguem abaixo as nossas costumeiras questões/considerações/debates finais, de sempre:

– Kiss ou Secos e Molhados
Afinal, idolatrados leitores, quem copiou quem no lance das maquiagens? O que vocês acham, e mais: qual das bandas em vossas opiniões tem o trabalho mais interessante?

– Oscar 
Na opinião de vocês, cultos leitores, há ainda algum sentido na existência dessa bizarra cerimônia? Será que não são cartas marcadas?

– A Melhor Coreografia de Thom Yorque
Estimados leitores, me ajudem a escolher qual é a melhor das coreografias do freak, baseadas no clipe de “Lotus Flower” – são variações ainda mais interessantes que a original. Aqui estão:

É o que há!
Como mensagem de esperança pra esta semana carnavalesca, deixo isto: “Façamos parte do ridículo, e de boa…”
 

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





LUZ NO FIM DO TÚNEL – 7ª EDIÇÃO

2 03 2011

Por: Roberto A.

Banda: Omnium Gatherum
Álbum: New World Shadows (2011) 
 
Clique aqui para baixar o CD.

Hi There. Ótima quarta para todos os navegantes do sítio bacanão rockeiro da web, IMPRENSA ROCKER. Lá vamos nós com mais uma sugestão e, nesta edição, uma sugestão pesadona – poucas vezes estive tão confiante numa indicação como nesta, e vou arriscar desde já, acreditando que não somente nosso editor, Gabriel vai curtir, mas também Heltão, Sephi e Renatêra vão se amarrar no som do Omnium Gatherum,  banda de Death Metal Melódico da Finlândia.

O disco é nada mais nada menos que espetacular. Pelo menos há uma semana não consigo deixar de ouvi-lo. Eleva o Death Metal a outro nível, colocando melodia na mistura – e me espantou a qualidade da produção, tudo muito nítido, belo e (pasmem) acessível! Confiram vocês mesmos, em caso de dúvidas.

Começamos com “Everfields”… Magnífica! Guitaras ao contrário dão vez à batida tribal, com um baixão muito bem timbrado em destaque, e tecladeira soturna. Tudo isso preparando a cama pra cacetada que vem logo: pedal duplo animal e distorções maravilhosas – concorda Gabriel? A faixa já dá pistas do discão que os sujeitos fizeram. Um soberbo solo de guitarra logo rola, e o vocal vomitando: “Eu o escuto/Eu o vejo/Eu o provo/O perfume está no ar/Eu nunca estive aqui, nem nunca saí/E a caminhada, oh a caminhada/Meus pés estavam cansados/E minha alma estava no meio do caminho para uma sombra”. Musicaço, na sincera.

Seguimos com “Ego”, uma cacetada mais rápida e direta, e com mais melodia inclusive. Tem um quê de épica. Espantoso que um vocal gutural soe tão límpido como nesse disco – tudo muito pesado e, como eu disse há pouco, ao mesmo tempo acessível. Sinceridade comendo solta: “Fabuloso e ridículo/Feitiços e névoa/Conspícuo/Mas o que de fato é real para nós/Vivendo/Ficando fortes/Um dia você se vai/Seguiu em frente/E a espiral foi concluída”. Timbres muito bem colocados e solo ótimo. Longe de exagero, basta ouvir.

A terceira dá título ao álbum e é arregaçante… Cole mais o volume. Tensa, urgente, e com uma semelhança mutíssimo bem vinda com Faith No More, em seus melhores e mais pesados momentos. Esta desde já é candidata a uma das melhores canções do ano: épica e, deus do céu, que distorções!!! Realmente, complica crêr no que se ouve em determinado ponto, tamanha a qualidade da parada. “Você está programado não para brincar/Mas para morrer/Cego”.

“Soul Journeys” pega pesado, num crescendo neurótico apoteótico programado, com tecladeira animal e pegada viral. O CD não deixa o pique variar e nem dá tempo pra respirarmos. Guitaras espertas temperam tudo com muita melodia e bom drive, além de uma pegada irada dos caras. 

Em “Nova Flame”, a próxima, prestem atenção especial na pegada do baterista: pratos límpidos, caixa na cara e levada bestial. O vocalista vai direto ao ponto: “A Primeira lei é ser/A segunda tem olhos para ver/A terceira é cheia de mistério/De quantas você precisa?/O que é necessário?”. Solo tenso, no qual os arranjos espetaculares já não surpreendem, pois estão no disco inteiro. “An Infinite Mind” inova e renova o lance, apresentando (em algumas partes da música) algo curioso: o vocal caractérístico do Death Metal sob algumas bases limpas, ficando simplesmente muito interessante o mix – confiram, mas colem o volume.

“Watcher Of The Skies” é uma instrumental atomosférica, com guitarras limpas no início, harmonia bem pensada e solos que por si só compensariam o CD. O instrumental é maravilhoso e abre caminho para paulada magnífica “The Distance”.

Me alegra ver que o Metal está se renovando com grandes artistas, como estes sujeitos. Amigos leitores, baixem, ouçam, comentem aqui no blog, e não se arrependerão. Até a próxima!

Link complementar:
http://www.darklyrics.com/lyrics/omniumgatherum/newworldshadows.html
ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





FUJA DO HYPE – 4ª EDIÇÃO

28 02 2011

Por: Roberto A.

Olá bravos leitores deste blog da sonzeira, do drive no talo! Lá vamos nós para uma das seções mais aguardadas deste sítio ímpar. Música é apenas um dos assuntos tratados em nosso post; vamos polemizando, colocando pingos nos is, inserindo questões diversas no ar e principalmente, provocando o debate de idéias e questionamentos variados sobre o que a temível mídia, seja ela, escrita, televisiva, ou seja qual for, está nos apresentando como bom, ou relevante – as vezes como incrível, de outro mundo. Mas insisto que para que o lance prospere e dê frutos, é necessário que vocês, adorados leitores, coloquem suas opiniões online – não apenas sobre um ou outro assunto do post, mas como um todo – pra que possamos ter um feedback justo, fechado? Here We Go!

Enquanto a revista Veja, recentemente, teve a manha de colocar o casal modelo Luciano Huck e Angélica na Capa, nosso congresso nacional está apresentando sua nova (velha) cara. Vejamos: dos 513 deputados da câmara, somente 36 deles se elegeram via voto. Os demais ganharam devido as legendas, bacana não acham?

Cientistas políticos são unânimes em afirmar que atualmente no congresso não existem nomes de envergadura (moral) nacional, a maioria só está lá por causa do próprio umbigo, ainda que isso não seja necessário ouvir de cientistas, ok. Pelo menos temos que concordar com a Marta Suplicy, de que a cor que cai bem nas loiras é rosa, beleuza… E se Tiririca, que se diz “perdidão” por lá, ainda não achou sua viés no congresso, por certo encontrará.

Seguindo adiante. O Beady Eye esteve com seu trabalho bastante aguardado por ser tratar dos mesmos caras do extinto Oasis, um dos principais expoentes Pop dos anos 90, sim Pop. Rock eles até fizeram um ou outro, mas são desde sempre uma banda Pop. Só faltou a esta nova banda o principal compositor da Oasis, Noel, rs. Muito, por tão pouco. Mesmo que nosso leitor Helton tenha achado bacana a sonoridade “vintage” de algumas músicas vazadas, e nosso editor Gabriel supôs que a banda seria até mais interessante que o Oasis, nenhum dos dois estavam certos. O trabalho é fraco, muito aquém do que se esperaria de caras dessa envergadura (ou “cara”, pois os demais, apesar de músicos bons, não fazem tanta diferença assim). Vamos à bolacha:

Beady Eye: Different Gear, Still Speeding (2011)
Clique aqui para baixar o CD.

O disco começa com “Four Letter World”. Timbres envelhecidos não escondem a pouca criatividade da música, rapidinha, pegadinha Pop, onde a letra brada mais ou menos isto: “É sobre o tempo/Que sua mente tirou férias/Você está crescido/Você nunca quer jogar?”. Tema aborrecente pra quem já passou dos quarenta mas, em resumo, a faixa não convence – até ensaia uma certa urgência, mas nem cola. “Millionaire”, a segundinha, emula algo Blues, pega leve. Com mais melodia sutíl, seria uma boa sobra de estúdio. Vocal meio enjoadinho quando chega nesta parte: “Uma medalha comigo e você vai mexer com você mesmo/Pois há uma maior riqueza/Ame-os como um milionário/Medalhas em seus trapos de premonição. Você só precisa conhecer a si mesmo/E amá-los como um milionário”. Nem a guitarra steel bem timbrada salva a faixa. Na próxima, homenagem dá vez à cara de pau. Lennon ressuscitou! Reparem o vocal. Só rindo. Pianão jóia, poderia estar no CD “Imagine”, mas somente se estivesse à altura – mas não está. Ainda assim tem algum apelo a tal da “The Roller”, nada estupendo, mas razoável. Ainda não vou implicar com a falta de personalidade da banda. Passemos à quarta, “Wind Up Dream”, que tenta soar como Beatles, e em alguns segundos até consegue, mas tem algo de Stones no som também. Liam sugere poesia nesta medida: “É apenas um sonho serpenteado/Então não me acorde/Porque eu gosto do que vejo/Com os olhos fechados”. Uma gaitinha dá o toque especial no fim das contas. Na quinta, dá pra notar um probleminha na masterização do disco, ela soa mais alta que as anteriores, e se chama “Bring The Light”. Chata e inofensiva, estilo “Rock N’ Roll Star” do Oasis – rapidinha, mas sem melodia ou harmonia que convençam. A letra? Repare: “Estou chegando/Você está saindo/Estou subindo/Você está descendo”. Noel vai se divertir com isto. “For Anyone” seria uma vinheta ou música, fico na dúvida. Violões limpos e bem gravados, mas carece maior produção e melodia, mas chega a ser fofa sim: palminhas, vocal doce, vai agradar alguns. A que vem depois, “Kill for a Dream”, é o melhor resultado que se tem no disco, na minha opinião, e por um motivo simples: é a que mais soa como Oasis. Bonita balada. “Standing on the Edge of The Noise” busca inspiração em “Revolution” dos Beatles, concorda Gabriel? Fico nesse comentário – faixa fraca. “Wigwam” é outra que lembra o que o Oasis fazia de melhor:  baladas Pop, lenta, agradável aos ouvidos, ainda que não grude, muito menos impressione tanto. Eu destacaria as guitarras limpas dessa. “Three Ring Circus” abusa da tentativa de soar Beatles – quanta falta de originalidade! Acho que inspiração é uma coisa, tentar copiar é outra. Paro na “The Beat Goes On”, boa balada… Pra mim chega de Beady Eye. Se fosse um disco de uma banda iniciante, até colaria, mas vindo de caras tão experientes, e gerando tamanha expectativa, tenho de ser franco e dizer que fica pra próxima – não é um disco que se espere deles. Punto e basta!

Capital Inicial: Das Kapital
Clique aqui para baixar o CD.

O que fico indignado com estes caras é que fui muito fã deles em sua primeira e melhor fase. Bons discos, boas músicas, bons shows e, de repente, vê-los agora nesse pastiche Pop Rock em que eles se transformaram fica complicado. Desde o acústico eles vêm com a fórmula fácil de sair com um cover pra começar os trabalhos dos discos, vide “Primeiros Erros”, ou “A Sua Maneira”, só pra citar dois exemplos. Eles vêm apresentando Rockinhos cretinos, com parcas notas, arranjos simplórios, letras sem nexo nem urgência. Poderiam desenvolver um trabalho muito mais elaborado, mas se pra eles está bom, quem sou eu pra contestar… Assim eles têm espaço garantido no “Festival de Verão De Salvador”, e em todos mega-shows Pop que rolam pelo Brasil. Como diria a Plebe Rude, conterrânea deles: “grana vale mais que a dignidade”. Ok. Esperava que o acidente com o Dinho colocasse uma pimenta extra na mistura, e munido da maior boa vontade, fui ouvir o CD, sobre o qual eles comentavam que finalmente conseguiram capturar a sonoridade ao vivo que têm. Começa com “Ressurreição”, Rockinho sem riscos, magrinho, em que colocam uns “wah” a la Charlie Brown, mas disfarçam com umas distorções mais sérias, pra dar algum crédito. Ela vai mais ou menos assim: “Carros passam dizendo sim/O sinal gritando não/Deve ser isso que chamam de ressurreição”. Bicho, é pra levar a sério? Tá bem! Seguimos com um Pop Rock descartável, “Depois da Meia Noite”, com distorçãozinha até viril, onde Dinho diz o óbvio, que “o mundo perfeito nunca vai existir”, e vai além: “depois da meia noite nós acendemos as luzes da cidade”. Certo. Respiro fundo, e passo pra próxima, “Como Se Sente”, em que eles mostram sua mensagem de que “a vida ensina”. Procuro apenas sentir aquilo que estou ouvindo, e não fica claro o que é isto… Mas que solinho tosqueira – fazer o que!? Dinho diz nessa que “não tem nada a provar”. Ok. “Eu Quero Ser Como Você” traz um pianão de pano de fundo, belo clima, e assume a veia Pop deles sem traumas – acompanhem comigo: “Eu quero ver o que você vê”. É possível compreender o que Renato Russo tentava dizer, quando dizia que “pra tocar em festivais existe o Capital Inicial”, em músicas como “A Menina Que Não Tem Nada”. Fica evidente a falta de noção dos rapazes em termos de composição – uma música totalmente insípida e dispensável. É de se lamentar realmente… Músicos bons, vocalista carismático, e criarem um CD tão broxante como este. “Não Sei Porque”,  é a última faixa que arrisco ouvir. Balada interessante, mas que seria mais aproveitada por um Jota Quest da vida, Dinho dá a dica: “de todos os desastres, eu escolhi você, e eu não sei porque”. Parei por aqui. Fica evidente o motivo que os caras tem tantas versões de clássicos no repertório deles, vide “Passageiro”, por exemplo. Dia 26, a trupe estará por aqui em Cuiabá, onde moro, se apresentando numa balada junto à Cindy Lauper. Estão convidados?

Segue abaixo, as nossas costumeiras questões/considerações/debates finais, de sempre:

Você leu primeiro no “Fuja do Hype”
Billboard Brasil, fevereiro, página 70: “Pearl Jam: Live On Ten Legs”… Outro? Pergunta inevitável para uma banda que já lançou uma série de 72 discos ao vivo registrando uma única turnê (Binaural). Você já havia lido isso no “Fuja no Hype” do dia 14 de fevereiro, onde eu mencionei sobre esse fato. Mais um CD ao vivo do Pearl Jam.

Você leu primeiro no “Fuja do Hype – 2ª Edição”
Sobre a tour do Pearl Jam no Brasil, eu também já havia mencionado na edição 3 do “Fuja do Hype”

Você leu primeiro no “Fuja do Hype – 3ª Edição”
Na IstoÉ do dia 16 de fevereiro, o colunista Ivan Cláudio afirma que o CD “This is Happening”, do LCD Soundsystem, é um dos melhores de 2010, e que o líder da trupe, Murphy, foi responsável por injetar Rock no som dance. Discordamos de ambas as afirmações, e vocês podem conferir o por quê na edição 2 do “Fuja do Hype”, postado no dia 31 de janeiro.

Mais animações sobre o Rio
Segundo o produtor do desenho “Rio”, Carlos Saldanha: “Animações passadas no Rio são raras”, e isso justifica sua produção recente. Não bastasse já estar em cartaz o tal do Brasil Animado em 3d nos cinemas. Vocês concordam leitores? Eu acho que o desenho animado antigão do Zé Carioca, em praias cariocas, mais do que suficiente.

O despejo do gênio
Esta é simplesmente espetacular, caros. Vocês sabiam que o idolatrado (com méritos, óbvio) chatonildo João Gilberto está sendo despejado do apê que ele aluga há muito anos? Sim, está. O sujeito não permitia a proprietária do imóvel entrar para dar uma olhada no estado das coisas, e gentilmente está sendo convidado a se retirar. Quem sabe assim ele deixe um pouco a chatice de lado e produza mais com seu banquinho e seu violão.

No mais é isso folks! Qualquer dúvida, ou sugestões, me enviem um mail (robertoauad@gmail.com), e nunca se esqueçam que, no menor sinal de dúvida: FUJA DO HYPE!
ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





REVIEW DA SEMANA – 1ª EDIÇÃO

23 02 2011

Por: Roberto A.

Banda: Radiohead
Álbum: The King of Limbs (2011)  
 
Clique aqui para baixar o álbum
 
O barato de ser esquisito… E de fazer diferença. Lá vamos nós para a primeira edição de mais uma seção fixa deste blog, que visa iluminar o túnel caótico cultural mundial atual. Desejando de antemão uma boa semana a todos vocês, esta é uma das primeiras resenhas do novo disco do “Cabeça de Rádio”, e é um prazer estar escutando esta bolacha no mesmo dia do lançamento mundial, lance de gente antenada (modéstia chutada pra longe).

Mais uma vez os sujeitos liderados pelo freak Thom Yorke mostram boa vontade e criatividade para levar seu Rock Alternativo a outros horizontes sônicos, colocando alguma dignidade nos lançamentos deste ano. Começamos com “Bloom”, toda frankenstein, bateria ao contrário, tecladões viagem, sentido de tensão, paranóia, e a letra dando pistas do que se trata: “É o que me mantém vivo/Então eu perco e começo de novo”. Faixa atmosférica e claustrofóbica na média, com uma bela melodia de vocal hipnótico. Na cola vem “Good Morning Morning Mr. Magpie”, com som swingado, dançante, acelerado. Nesta, Yorke vomita: “Você tem coragem de vir aqui/…Bom dia Sr. Magpie/Como estamos hoje?”. Ironia leve, linha de baixo interessante… De fato, uma faixa degustável na medida, injetando alguma testosterona na mistura. Guitarra abafada, bateria num ritmo zen, ruídos bem colocados. 

“Little by Little” coloca alguns violões de levada folk, e tem uma belíssima harmonia, seguindo tensa conforme o disco. Backing vocals muito bem sacados, econômicos, pegada muito bacana de bateria cozinhando bem com a guitarra limpa e baixo seguro. “Obrigação/Complicação/Rotinas e horários/Drogas e matá-lo”. Parece-me uma propícia a figurar entre as favoritas dos fãs dos cara. A seguinte, “Feral” começa samba. Sim, isso mesmo: samba. Mas claro, com as bizarrices de sempre do Radiohead, como vocais com eco operísticos, costumeiros ruídos e vocal choroso do Thom. O que espanta é que os sujeitos sabem temperar isso com maestria – fica bom! -, além do baixão distorcido sintetizado bem sacado.

“Lotus Flower”, a posterior, é a que mais apresenta referências Pop até esta altura da bolacha. Vocal limpo, melódico e acessível, com poesia ok: “Porque tudo que eu quero é a lua em cima de um pau/Só para ver se/Só para ver o que dá/Leve as flores de lótus para meu quarto/Lentamente nos revelamos/Como flores de lótus”. “Codex” chega como um momento de redenção – a mais “normal” do disco. Trata-se de uma baladaça linda, com pianos bem timbrados, atmosférica, serena, e bonita. Simples assim. “Give Up The Ghost” surpreende pela beleza acústica, acessível à maior parte dos ouvintes, com violões limpos e lindos rolando, vocal angustiado e bem sacado.

“The King of Limbs”, mais um disco interessante na carreira dos caras, me remeteu muitíssimo a “Kid A”, um de meus preferidos deles, seguindo o “Ok Computer”, o inigualável. Ouçam e se deliciem.

Link extra pra complementar o post.

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX