“TEMOS UM TREMENDO SHOW”, DIZ JANICK GERS

14 02 2011

Fonte: Poparazzi

O blog “Poparazzi” (vinculado ao jornal “Today”, de Singapura) realizou um extensa entrevista com o guitarrista do Iron Maiden, Janick Gers. Dentre outros assuntos, Gers falou da nova turnê, dos fãs e como se prepara quando sai numa longa tour.

Confira a entrevista completa, em português, com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER!

Eis a cena: eu, preso num abrigo sob chuva torrencial, com cabos de monitores por todos os lados. Janick Gers do Iron Maiden preso num hotel em Moscou sob uma temperatura abaixo de zero. O que poderíamos fazer além de uma teleconferência?

Olá! Como está sendo o começo da turnê?
Bem, estamos em Moscou, e está cerca de 12 ou 15 graus negativos. Eu fui na Praça Vermelha tirar umas fotos e minhas mãos congelaram. Não consegui ficar lá fora, então voltei para dentro do hotel.

Nós voamos no Ed Force One, trouxemos todo o equipamento conosco. Este é o início da turnê mundial, que passará por Singapura, Jakarta, Bali, Austrália, Tóquio e então América do Sul… Basicamente por todos os lugares, incluindo Coréia, Colômbia, México, e terminamos nos Estados Unidos em abril, tiramos umas semanas de folga e rumamos para a Europa. É o começo de uma turnê muito longa, na verdade. Assim que fizermos o show de Moscou (Nota do Tradutor: Quando a entrevista foi realizada, o show de Moscou ainda não havia acontecido), estaremos indo direto para vocês. Do frio congelante ao calor insuportável.

O calor insuportável é a excitação por seus fãs poderem ver vocês pela primeira vez aqui!
Yeah, e trouxemos tudo; Eddie veio conosco. Vamos tocar novas canções, do ultimo álbum – Final Frontier – e algumas mais antigas para aqueles que gostam do material antigo. Então é bem balanceado, mas extravagante ao estilo do Maiden. Mas é ótimo pisar em novos lugares. É ótimo tocar em novos lugares. 

Esta não a sua primeira vez em Singapura, correto?
Nós iríamos fazer um show aí quando eu estava na banda de Ian Gillan, em 1982, mas não nos permitiram, porque nosso cabelo era muito comprido. Mas ainda bem que tudo aquilo mudou, então estamos realmente animados em tocar para pessoas que ainda não nos viram ao vivo antes. É realmente excitante para nós.

Bem, sair numa turnê tão longa pode ser difícil. Como você mantém sua energia?
Todo show é muito importante para as pessoas que pagaram para nos ver, então acho que é muito importante dar a elas o melhor show possível. E você sabe, em muitos destes lugares só vamos uma vez a cada dois anos – isso quando voltamos -, então temos ciência de que cada show é muito, muito importante, e tentamos fazer a melhor apresentação todas as vezes. Não importa se são 100 mil ou 10 mil ou seja lá quantas pessoas. Não importa. Nós fazemos o melhor show possível. E sim, sob certas circunstâncias, temos problemas com energia elétrica ou algo do tipo, mas temos que fazer com o que temos, e fazer o melhor. Todo show é importante. Não há exibicionismo.

Você acha que haverá incidentes?
Nós partimos de Londres, e tivemos um problema com o avião. Na verdade, tivemos que fazer uma nova peça para ele, e quando a colocamos, ela não funcionou. Então este foi um momento um tanto Spinal Tap, eu acho. Estes pequenos problemas técnicos meio que te atrasam, mas no final funcionou, e estávamos todos loucos para ir, prontos para tocar.

Como vocês evitam ficarem entediados ao tocar as mesmas músicas noite após noite?
Nós mudamos muito o set, na verdade! Há alguns anos, nós só tocamos músicas do novo álbum. Então mais tarde fizemos um set com canções do começo dos anos 80, mas há algumas músicas que, se não tocarmos, as pessoas nos linchariam, então temos que tocá-las. Tentamos manter o set interessante para nós e para as pessoas que vêm nos assistir. Não somos uma paródia de banda. Não tocamos somente o material antigo. Estamos sempre tentando alargar os limites.

Por falar em alargar os limites, um deles é a diferença de idades. Vocês têm garotos vindo aos shows – e não apenas os fãs que estavam lá desde o começo.
Quando tocamos na Escandinávia, a maioria dos garotos tinha de 12 a 15 anos, e os caras no fundo eram os fãs mais antigos. E é incrível, porque você pensa nisto no sentido de… Bem, como os Rolling Stones, que tocam para pessoas mais velhas. Você não vê muitos jovens indo aos shows deles. Mas com a gente há muitos jovens, e eu acho isso rejuvenescedor, na verdade. É excitante saber que atraímos uma nova geração de fãs. Eu acho que é fantástico. Me mantém com pé no chão, tocando o meu melhor, ao invés de afundando na velhice! É ótimo ver rostos jovens por aí, e você sabe que eles não te viram ainda, então é excitante. É absolutamente incrível. Não apenas na Escandinávia, mas em toda a Europa também. Não sei explicar por que isto acontece, mas acontece. Sou grato por isso, que nossa música atinja estes novos fãs.

Você acha que isto é uma validação do Iron Maiden? Porque vocês são uma banda, tocando ao vivo, ao invés de apenas depender da tecnologia, fazendo tudo com o apertar de um botão.
Você não pode descartar outras formas de música, mas somos muito honestos com o que fazemos. Fazemos o que acreditamos. Usamos as armas que temos. Quando as tendências musicais começaram a mudar, nos mantivemos fazendo o que fazemos. Nos saímos ok. Eu não descartaria as outras pessoas – há muito espaço para todo mundo. Eu sei o que gostamos de fazer, e eu acho que temos um tremendo show e as pessoas que vêm nos ver se divertem. Esta é uma das nossas forças. Nós podemos sair e tocar, e é tudo ao vivo.

Qual a maior lição que você aprendeu?
Apenas ser honesto com relação à sua música e lutar com as armas que tem. E praticar muito. Você não quer ir lá fora e não ser bom. Você tem que priorizar o trabalho. Certamente bebemos após os shows, mas antes dos shows somos bem rigorosos. Tudo é sobre ser profissional e deixar a melhor impressão possível.

Então nada de sexo, drogas e Rock n’ Roll?
Bem, não. Eu gosto de um bom drink após os shows. Apenas antes que eu não bebo nada! Eu faço o que gosto quando o show termina – é o meu momento! Só até o show. Depois eu tomarei uns goles.

Qual a melhor coisa de se estar no Iron Maiden agora?
Eu amo viajar e tocar. Tocar é meu passatempo preferido. Eu gosto de ver novas culturas, conhecer novas pessoas e observar a arquitetura. Fico com minha câmera na mão para sair e fazer fotografias. Eu aproveito a vida. Eu faço isto desde que era jovem, então eu devo gostar, caso contrário não estaria fazendo. Os únicos problemas que temos são o jet leg e as mudanças de fuso. Estamos contra o tempo agora, então quando chegarmos em Singapura, estaremos bem fora do nosso fuso horário. E isto não fica mais fácil. Quando chegarmos na Austrália, será como um dia de diferença. E estaremos de pé às oito da manhã, você sabe, de uma semana atrás. Este provavelmente é a coisa mais difícil.

Como você gostaria que fosse seu epitáfio?
Ele veio, ele viu, ele tomou um drink e ele se foi.

Você acha que irá trabalhar em novas músicas e novas gravações durante esta turnê?
Bem, nós lançamos o álbum no final da última turnê, e esta turnê é para este álbum – apesar de ser um pouco mais tarde do que planejamos. Nós terminamos em agosto, então tiramos uma folga e vamos compor novas músicas. Então será no ano após o próximo, eu acho!

Qual a coisa você tem que lembrar a você mesmo quando sai em turnê?
Você tem que se manter fisicamente em forma, porque se você desmorona após a primeira semana da turnê… Você sabe, você escuta muitas bandas cancelando uma turnê por causa de ‘esgotamento nervoso’, mas o que isto na verdade quer dizer é que eles ficaram tão bêbados, que não conseguem mais fazer o show. Se você vai sair numa turnê de seis meses, você tem que se controlar. Eu tento fazer muito exercício antes de partirmos – na verdade, me exercitei tanto, que agora estou com uma fratura por estresse no pé, então isto meio que me segurou. Não bebo durante o dia. Sou um bebedor da noite. Mas você cuida de si mesmo. Você tem que estar bem fisicamente. Não é um jogo. Você não pode ficar doente. Você viaja bastante, come diferentes comidas e ninguém vai cuidar de você a não ser você mesmo.

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JANICK GERS FALA COM JORNAL DE SINGAPURA

14 02 2011

Fonte: Today Online

Amanhã, 15 de fevereiro, o Iron Maiden fará em Singapura seu segundo show da nova turnê. Por telefone, Janick Gers falou com o jornal “Today”, que publicou uma matéria sobre a banda.

O Iron Maiden é uma das maiores bandas de Hard Rock/Heavy Metal da história do Rock. A banda vendeu mais de 85 milhões de discos em todo o mundo; eles são os responsáveis por hits, como “Rime of The Ancient Mariner” e “The Trooper”; eles possuem seu próprio avião (Ed Force One – um Boeing 757 customizado); e apesar de não podermos confirmar, eles provavelmente são os responsáveis por um quarto dos mitos do Rock que você escuta nos dias de hoje.

Com uma carreira de 35 anos, você pensaria que eles têm tudo funcionando como um relógio, mas o Iron Maiden quase não conseguiu iniciar a turnê.

“Nós iríamos zarpar de Londres pela manhã e tivemos um problema com o avião” disse o guitarrista Janick Gers, pelo telefone, direto de Moscou – a primeira parada da turnê mundial. “Na verdade, tivemos que fazer uma nova peça para ele, e quando a colocamos, ela não funcionou. Este foi um momento um tanto Spinal Tap, eu acho”.

A banda aterrissou ontem em Changi, e Gers disse que todos eles estão prontos para detonar quando tocarem no “Singapore Indoor Stadium” amanhã, 15 de fevereiro, à noite. Principalmente porque a lenda do Rock, de 54 anos, tem se mantido… sóbrio.

“Você sabe, você escuta muitas bandas cancelando a turnê por causa de ‘esgotamento nervoso’ – mas o que isto quer dizer é que eles ficaram tão bêbados, que não conseguem mais fazer o show”, brinca ele. “Se você vai sair numa turnê de seis meses, você tem que se controlar”.

Então é sem sexo, drogas e Rock n’ Roll? “Bem, eu gosto de um bom drink após o show! É apenas antes que eu não bebo nada! Eu farei o que eu quiser quando o show terminar – é o momento para mim”.

Confira mais tarde no IMPRENSA ROCKER a entrevista completa que Gers concedeu ao “Today”!





“NÃO IREMOS PARAR TÃO CEDO”, AVISA ADRIAN SMITH

8 11 2010

Enviado por: Marcela
Fonte: Guitar Player

O site da “Guitar Player” conduziu uma entrevista com o trio de guitarristas do Iron Maiden. Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers falam, dentre outros assuntos, sobre o álbum “The Final Frontier”, influências e equipamentos.

Confira a entrevista completa, em português, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER!

Após construir sua base de fãs através de turnês constantes, inclusive abrindo para bandas como o Kiss e Judas Priest, o Iron Maiden mudou a cara do Rock ao lançar uma cavalaria de álbuns de platina nos anos 80, apresentando riffs pesados e solos harmonizados dos guitarristas Dave Murray e Adrian Smith. Quando Adrian deixou a banda em 1990, eles recrutaram Janick Gers, que foi mantido no grupo após o retorno de Smith, ficando a banda com um ataque de três guitarristas desde então. Atualmente o Maiden (e seu icônico mascote zumbi, Eddie) chega impetuosamente na nova década com seu 15º álbum de estúdio, “The Final Frontier”.

Como foi o processo de criação do novo álbum?

Murray: Nós achamos que seria uma boa idéia voltar às Bahamas novamente, onde gravamos alguns álbuns nos anos 80. O clima lá é incrível e o estúdio é familiar para nós. Na verdade, é tão familiar, que não mudou em 25 anos! Gravamos o disco em seis semanas. Kevin Shirley (Nota do Tradutor: o produtor do álbum) levou seus equipamentos eletrônicos mágicos para lá. Obviamente não soaríamos com em 1985, mas pudemos incorporar um pouco daquela vibração. É o Maiden clássico, mas também é uma gravação bem limpa. Passamos cerca de três semanas ensaiando, então foi uma questão de gravar alguns takes e pinçar o melhor. Você tem que manter as coisas como novidades. 

Qual equipamento vocês usaram no novo álbum? Foi o mesmo equipamento dos shows ou vocês experimentaram alguma coisa?

Murray: Eu gosto de usar efeitos, mas é legal plugar direto no amplificador. Nós fizemos as bases ao vivo e usei efeitos nos overdubs dos solos ou nas melodias de guitarra. Então usei um pouco de chorus ou um Uni-Vibe em umas duas faixas. Mas se você plugar direto num amplificador Marshall, você também terá um belo som.

Gers: Eu pluguei a guitarra direto nos amplificadores Marshall. Eu não gosto de tocar com coisas acontecendo ao redor. Quando você tem um som puro, isto ajuda a destacar tudo, e desta forma ninguém soa com uma abelha num jarro.

Smith: Eu gosto de plugar direto no amplificador para fazer as bases, e então quando vou fazer solos e coisas do tipo, posso usar algo como um Tube Screamer para ter um pouco mais de sustain. Eu usei minha velha Gibson Les Paul Goldtop, uma Fender Stratocaster e o modelo assinado por mim da Jackson, todas plugadas num cabeçote Marshall. Toda a banda estava tocando na mesma sala, mas os cabeçotes ficaram locais diferentes da casa, para podermos ter alguma separação.  

O Uni-Vibe no qual você se referiu foi um pedal de verdade ou um plug-in digital?

Murray: Um pedal. Tenho um já há algum tempo, mas comecei a usá-lo em algumas faixas há pouco tempo, e agora estou o levando para a estrada. Soa muito bem. Tem uma característica totalmente única. Não o utilizo o tempo todo, mas sempre adorei o seu som.

O quão difícil é tocar com três guitarras distorcidas sem que elas se choquem ou soem sujas?

Murray: Nós temos três realmente distintos e diferentes sons de guitarra, então mesmo quando estamos tocando juntos em harmonia ou em unissom, ainda assim soa diferente, por causa dos nossos estilos. Nós somos uma banda de banda de Rock pesada, mas também temos partes melódicas e limpas. Especificamente neste álbum, não há somente canções pesadas, mas também algumas passagens mais calmas.

Smith: Todos nós temos muitas diferenças ao tocar, no vibrato e nas formas que abordamos a palheta.

Como vocês determinam quem toca quais partes no estúdio?

Murray: Depende da música, e se ela tem partes em harmonia ou não. Apenas nos sentamos e passamos pelos detalhes. Nós vemos isto com um trabalho em equipe, e todos têm a chance de se expressar. Não é difícil. Não passamos horas e horas trabalhando nisto. Apenas meio que surge naturalmente.

Você disse que vocês gravaram muito do novo álbum ao vivo no estúdio. Isto torna mais fácil replicar as partes em harmonia ao vivo?

Murray: Com certeza. Este é o modo como fazemos desde o primeiro dia. Então quando chega a hora de tocar ao vivo, já estamos adiantados. Algumas noites você acerta e tudo sai perfeito, e em outras noites você comete um pequeno erro aqui e ali, mas tem que compreender que é um show e deixar pra lá.

Janick, com três guitarras, quais partes do material antigo você toca nos shows?

Gers: Se você escutar com atenção os primeiros álbuns do Maiden, há mais de duas guitarras lá; há quatro ou cinco. Então é só uma questão de decidirmos qual parte fazer. Não há necessidade de se tocar o tempo todo. Eu gosto de tocar menos. A questão é fazer o Iron Maiden soar melhor. Não é uma questão de ego.

Quando vocês estão tocando ao vivo, vocês tentam recriar os timbres dos álbuns?

Smith: Eu não acho que o equipamento seja tão importante, como guitarrista. Eu acho que se você tem um bom equipamento, o que importa é sua personalidade, porque é o que as pessoas irão escutar. Eu estava sempre procurando pelo cálice sagrado dos timbres ao longo dos anos, mas ele não existe.

Quais são algumas das suas influências?

Murray: Wishbone Ash e Thin Lizzy.

Smith: Quando eu era menor, os Beatles, com certeza. Então, durante a minha adolescência, Deep Purple, Cream e Thin Lizzy. Eu também escuto muito de Jeff Beck e Pat Travers. Com relação ao Metal, Black Sabbath e Deep Purple.

De que forma vocês acham que o Metal evoluiu desde que o Iron Maiden começou?

Smith: Quando eu estava crescendo, se chamava Rock pesado. Agora há Euro Metal, há Death Metal. O Maiden é conhecido como uma banda de Metal, mas há muita melodia no que fazemos, e há também uma influência do Blues.

Murray: Mudou. Há muito mais bandas agora, e algumas delas são bem pesadas. Muitas bandas passaram a usar afinações mais baixas em tudo, e foi algo que, na verdade, nós incorporamos em algumas de nossas músicas. Há bastante espaço para todos. Desejo bem a todas elas.

Como vocês começaram a baixar as afinações?

Smith: Houve uma canção, que originalmente era em Mi, mas que baixamos sua afinação porque era muito alta para Bruce cantar. É uma canção poderosa, baixa e pesada, e soa incrível em Ré. Há anos eu venho tentando fazer com que todos abaixem as afinações para o som ficar um pouco mais pesado, mas ninguém realmente se interessou em fazer isto. Eu tenho tocado com afinações mais baixas há muito tempo.

Ultimamente vocês têm escutado algum guitarrista que achem que estão tocando num nível alto?

Gers: Na verdade, não. Eu realmente tenho que olhar para trás para os guitarristas com os quais cresci ouvindo, como Rory Gallagher e Paul Kossoff. Meu preferido era Jeff Beck, que pegava as coisas no ar. Estes são os que me arrepiam.

Murray: Eu gosto do Joe Bonamassa, mas basicamente eu escuto os caras que cresci escutando. Eles tendem a remasterizar aquele material de vez em quando, então acabo comprando tudo de novo. Prefiro ouvir muito dos caras antigos: B.B. King, Albert Collins e Django Reinhardt.

Smith: Eu gosto os caras dos anos 90, como Joe Satriani e Steve Vai. Você tem que respeitar estes caras. Fora eles, entretanto, parece que a guitarra é usada como um aríete (N.T.: Um aríete é uma antiga máquina de guerra constituída por um forte tronco de freixo ou árvore de madeira resistente, com uma testa de ferro ou de bronze a que se dava em geral a forma da cabeça de carneiro. Os aríetes eram utilizados para romper portas e muralhas de castelos ou fortalezas.), e você não escuta muitos solos melódicos.

É de conhecimento de todos que as rádios e televisões não têm sido particularmente úteis ao Maiden, e ainda assim vocês venderam 100 milhões de álbuns. Quando vocês começaram, não havia internet ou mp3, então vocês tiveram que fazer do jeito mais difícil.

Smith: Foi uma jarda difícil, uma milha difícil. Nós fazíamos muitas turnês e construímos uma base sólida de fãs ao redor do mundo. Se as rádios não irão tocar nossas músicas, então iremos lá tocar para as pessoas. Nós somos diferentes da maioria, porque você vem nos ver, e é um grande show de Rock. Muitos garotos vêm nos assistir, e provavelmente eles nunca viram ninguém fazer o que fazemos. Não podemos continuar para sempre, mas estamos nos divertindo e não iremos parar tão cedo.





ADRIAN SMITH: “STEVE JÁ NÃO ESCREVE TANTO, ENTÃO É BASICAMENTE EU, JANICK E DAVE TRAZENDO AS MÚSICAS”

5 10 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Guitar Edge

A revista “Guitar Edge” trouxe uma extensa entrevista com os três guitarrista do Iron Maiden em sua última edição, na qual falam sobre turnê, novo álbum, influências e muito mais.

Confira a entrevista na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Enquanto o Iron Maiden conclui a perna norte-americana da atual turnê, a série de shows pode ser considerada um sucesso, com quase todo show vendendo todos os ingressos em tempo recorde. Mas independente das incríveis vendas, houve um pouco de frustração entre os fãs antigos do Maiden. As críticas envolveram o set lista da turnê, que consistiu de novo material ao invés dos verdadeiros e testados clássicos da banda. De fato, no show que a “Guitar Edge” foi, o repertório foi o assunto mais comentado pelo público – mais até do que as cervejas de 13 dólares. Mas não deixe isto de enganar ou fazê-lo acreditar que o título do novo álbum significa a aposentadoria do Maiden, como implicam os boatos. O Iron Maiden ainda se fortalece e maravilhosamente continua a cimentar seu lugar nos livros de história do Heavy Metal, mesmo após 35 ilustres anos como uma das maiores bandas de Metal do mundo. “The Final Frontier”, o 15º álbum de estúdio do Maiden estreou em quarto lugar nas paradas da Billboard nos Estados Unidos, se tornando o mais bem sucedido disco da banda até hoje nas paradas – sem mencionar que é o mais longo, totalizando 76 minutos e 34 segundos. Até esta matéria ficar pronta, o álbum também estreou em primeiro lugar nas paradas de mais de 20 países, inclusive em terras distantes, como Suíça, Japão e Brasil.

Nós nos encontramos com os guitarristas do Maiden para conversar sobre composições e tons um pouco antes deles saírem para necessárias férias – um curto fôlego antes de continuar a turnê no início de 2011.

Como foi a turnê?
Dave Murray: A presença dos fãs foi absolutamente incrível. Nós amamos tocar e colaborar uns com os outros, e quando entramos no palco e o público está enlouquecido, bem… Há muitas coisas piores que poderíamos estar fazendo (risos). Em poucos shows nós ajustamos tudo e e colocamos tudo no lugar. Antes da turnê começar, nós ensaiamos todo dia, mas quando você entra no palco, você tem todas estas distrações com as quais tem de se acostumar. Temos um novo Eddie para cada álbum e o de agora parece bem perverso, bem assustador, como um cruzamento de um alien com um predador.

Janick Gers: O público tem gostado bastante e estamos tocando material mais recente. Tocamos apenas uma canção do novo álbum, que é “El Dorado”, que foi a que disponibilizamos gratuitamente em nosso site antes do álbum sair, mas não tocamos outras músicas do novo disco, porque começamos a turnê antes dele sair. Nos anos 80 você poderia até fazer isso, mas agora você tem o “Youtube” e as músicas estariam disponíveis por aí. O timing entre esta turnê e o lançamento deste álbum foi meio dessincronizado. Quando continuarmos a turnê, no começo do próximo ano, esperamos tocar muitas das canções do novo álbum. 

Nos conte sobre as composições do “The Final Frontier”.
Adrian Smith:
Steve (Harris) já não escreve tanto, então é basicamente eu, Janick e Dave trazendo as músicas. Foram todas canções recém compostas. Steve está mais interessado nas letras e nas melodias, assim como Bruce (Dickinson), e Steve coproduziu o álbum. Então todos contribuíram.

Murray: Nós trazíamos canções completas e Steve escrevia as letras. Em uma canção, “When The Wild Wind Blows”, Steve escreveu tanto a música quanto a letra. Passamos algumas semanas na França ensaiando, tiramos um mês de folga e quando chegou a hora de irmos para o estúdio, já tínhamos 70% do material pronto para gravar.

Smith: Gravamos o álbum nos estúdios “Compass Point” – onde muitos dos álbuns históricos do Maiden foram feitos – nas Bahamas. Steve vive em Nassau agora e Kevin Shirley (o produtor do álbum) havia acabado de finalizar um álbum no “Compass Point” e gostou, então achamos que seria divertido voltar para lá. É uma boa sala. Tecnicamente, não é o melhor estúdio, mas a sala soa muito bem. 

Gers: E antes da turnê, trabalhamos em tocar estas canções de 10 minutos ao vivo, do início ao fim, e não pedaço por pedaço.

Há muitos grandes e inesperados momentos no “The Final Frontier”, como os acordes fusion no vocal de entrada de “Sattelite 15”… The Final Frontier”.
Murray:
Aquilo foi tirado da demo de Adrian e foi ele quem tocou aqueles acordes interessantes.

Smith: Também em “Isle of Avalon”. Eu suponho que quando você toca sobre uma progressão de acordes como aquela, a canção acaba indo para um lado meio fusion.

Sim, o solo de “The Isle of Avalon” começa com um formato de som de Jazz. Vocês podem explicar?
Smith: A idéia era fazer as coisas de uma forma um pouco diferente, um pouco mais livre. Eu não sei quais escalas usei, porque eu nu Ca estudei música e não sei ler música. Eu toco de ouvido, como a maioria dos músicos de Rock, e só conheço o que escuto.

Gers: Foi um compasso 7/8 e haviam muitas coisas diferentes em contratempo com a bateria, e apenas usamos o que queríamos usar. Mas eu toco o que acho que encaixa. Eu não apareceria com algo completamente estranho, se não achasse que encaixaria.

Nos conte como vocês fazem para gravar os solos.
Smith: Geralmente demora uma ou duas horas para termos um bom solo – para ter um bom som, fazer alguns takes, algumas revisadas e editar. Normalmente usamos o primeiro take, porque tem espontaneidade e energia, e então consertamos algumas coisinhas.

Murray: Para os solos, você vai lá e apenas detona. Kevin então diz, “faça outro”, e você acaba fazendo três ou quatro vezes e vai a todo tipo de lugar. Então Kevin edita para que faça sentido.

Gers: Tentamos fazer com que o solo se encaixe na música, e faça que a canção fique melhor. Há uma balança a se levar e conta – você quer deixar uma canção ótima e quer fazer um solo que melhore esta canção, mas não há necessidade de sair feito louco cada vez que você tem 10 segundos. Já passei desta fase, eu sei que posso fazer, mas esta não é a questão. Quero dizer, posso tocar tão rápido quanto quiser, mas isto não irá melhorar a música. Eu toco menos muitas vezes.

Com três guitarristas podemos ter uma megalomania de guitarras na qual todos enlouqueceríamos, mas isto não ajudaria a banda. Alguém com um grande ego não funcionaria nesta banda. Todos nós soamos tão diferentes, temos estilos diferentes, e abordamos a guitarra diferentemente, e isto parece se combinar para criar algo bem poderoso.

Qualquer um de nós poderia ser o guitarrista principal em outra banda, mas é um lance parecido com Keith Richards e Ronnie Wood. Ronnie é um tremendo guitarrista, mas você não enxerga isso realmente. Ele se une com Keith e juntos são melhores do que os dois individualmente. É meio como nós fazemos. Um de nós fica por trás para que o outro venha para a frente, ou tocamos menos numa sessão para que quando nos juntarmos, saia um cruzamento do som com um tocando u final alto, o outro tocando um final grave e o outro fazendo a base. Eu vejo isto como um grande quadro.

Quem são as influências de guitarra de vocês?
Smith: Originalmente eu era vocalista, então comecei a tocar guitarra e me tornei um guitarrista/vocalista, então talvez meu estilo seja mais rítmico, por causa do meu vocal. Sempre toquei em guitarras com dois guitarristas, e costumávamos tocar coisas de bandas como Wishbone Ash e Thin Lizzy. Todos nós crescemos escutando o mesmo tipo de música. Quando eu era garoto, eram os Beatles – eles deixaram uma grande impressão – Free e artistas de Blues/Rock, como Johnny Winter, Pat Travers, Gary Moore e Deep Purple.

Gers: Sim, cresci escutando o Deep Purple. Amo a voz de Ian Gillan, ainda me arrepia. Jeff Beck provavelmente é meu preferido. E tem Rory Gallagher, Django Reinhardt, David Gilmour, Paul Kossoff, Jimmy Page – mais pela forma de tocar as bases, que é incrível – e Tommy Bolin. Bolin não era um grande leitor de música, mas ele tocava com Billy Cobham. Ele não tem idéia do que está tocando, mas está sentindo. B.B. King, Eric Clapton… Estes caras nunca foram para a escola. Eles apenas sentiam.

Para mim, música é tocar o que você sente. Vem daqui (Gers aponta para o coração) e não daqui (ele aponta para a cabeça). Acho impossível tocar a mesma coisa duas vezes, porque me sinto diferente cada vez – e se você toca como se sente, como pode tocar a mesma coisa duas vezes? Não vim da “Berklee School” onde você trabalha em uma batida na sala de aula por seis dias. Não tenho problemas com isto, mas não é o que procuro.

A banda é conhecida pelas partes em harmonia, mas o que acontece nos casos das oitavas, como em “El Dorado”? Vocês separam as oitavas em múltiplas guitarras ou cada um toca todas as oitavas?
Murray:
Adrian toca a base em “El Dorado” e Janick e eu tocamos juntos as oitavas. Nós não separamos as partes em altas e baixas oitavas, mas não há uma fórmula ou padrão estrito. Apenas vamos lá e fazemos e deixamos fluir. Portanto, quando precisamos aprender as músicas para uma turnê, realmente precisamos reaprender muita coisa que fizemos no estúdio.

Gers: Frequentemente faço overdubs de oitavas, porque isto evidencia a melodia, mas eles podem estar em qualquer lugar. Posso colocá-las e mais tarde removê-las. O que importa são as freqüências fazer a guitarra soar maior – as guitarras soam comprimidas e finas como abelhas num jarro.

Qual o segredo para fazer funcionar um banda com três guitarristas?
Gers:
Para mim, o que importa para as bandas é a química. Não importa os músicos individualmente. Muitas bandas tem isto de uma forma destrutiva e isto acaba tendo um efeito negativo; destrói a banda. O The Who criou um efeito positivo através da negatividade; eles tinha grandes argumentos. O mesmo com o Deep Purple.

Você pega os melhores músicos do mundo e ainda assim poderá ter uma banda de merda se não houver química. Ou você pode pegar John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison, que não eram músicos brilhantes, juntá-los e ter a melhor banda do mundo. Isto é o que faz as bandas acontecerem, e se você tem isto, você tem muita sorte.





KEVIN SHIRLEY: “A CHAVE DO SUCESSO DO IRON MAIDEN É ACREDITAR NO QUE FAZEM”

2 10 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Guitar Edge

O relacionamento profissional do produtor Kevin Shirley com o Iron Maiden começou há mais de uma década. Desde então ele tem trabalhado junto com a banda nos projetos de estúdio, álbuns ao vivo, remixagens, e juntando-se a eles novamente no lançamento mais novo, “The Final Frontier”.

Houveram mudanças na formação do Maiden e nas técnicas de gravações ao longo dos anos, mas o método no qual Kevin Shirley e as lendas do Heavy Metal fazem discos,  enquanto diferente de algumas formas, nunca perdeu seu groove alto e com clima de hino. A “Guitar Edge” conversou recentemente com Kevin Shirley para saber um pouco mais sobre como ele captura o som clássico do Maiden, e como tem sido trabalhar uma das bandas mais bem sucedidas, amadas e duradouras do gênero.

Quando o trabalho no “The Final Frontier” começou? Você esteve com a banda para a pré-produção?
A banda se reuniu em Paris no fim de 2009 para compor e se preparar para este álbum. Começos a trabalhar em janeiro de 2010 no “Compass Studios”, nas Bahamas, e ficamos lá por seis semanas gravando o disco – toda a bateria, baixo, guitarras e muitos bons takes dos vocais, que acabamos utilizando muito. Então nos mudando para o meu estúdio particular, “The Cave”, em Malibu, onde passamos mais um mês completando os vocais e mixando o álbum.

De que forma o seu relacionamento profissional com o Iron Maiden mudou ao longo dos anos?
Onze anos agora, uau! “Brave New World”, “Rock in Rio”, “Dance of Death”, “A Matter of Life and Death”, “Flight 666”, as remixagens do “Live After Death” e do “Maiden England”, alguns materiais não lançados e agora o “The Final Frontier” – o que é isso? Cerca de oito ou nove álbuns?

Bem, o relacionamento profissional mudou. Eu acho que Steve (Harris), que é meio o macho alfa na banda, costumava ser bem paranóico a respeito de tudo nos discos, mas ele está confiando bem mais nos dias atuais. Ele não sente que precisa se preocupar com tudo e que precisa estar lá o tempo todo. Ele gosta de onde nós chegamos.

Você pode acabar confortável demais neste relacionamento? É difícil desafiar músicos que você conhece tão bem?
Não, não é. Nunca é tão confortável. Estes caras estão se pressionando o tempo todo. Adrian (Smith) se desafia sempre, Bruce (Dickinson) está sempre se pressionando, todos estão!

Nos fale das ala do estúdio no “Compass Studios”. Qual sua configuração de estúdio?
O “Compass Studios” basicamente é uma grande sala inundada de história. O AC/DC gravou o “Back in Black” lá, e todo mundo, inclusive os Rolling Stones, gravou lá, assim como o Iron Maiden no passado. É uma sala bem básica e não tem, realmente, um som distinto, o que é bom. Algumas salas têm um som e isto se torna uma característica das faixas, mas o “Compass” é bem neutro. Colocamos a bateria na sala principal, e então os guitarristas e seus cabeçotes conectados por cabos de alta qualidade num estúdio adjacente, e o equipamento de baixo de Steve numa sala com seu cabeçote num escritório ao lado.

Como sua abordagem de gravar guitarras mudou, desde o advento da tecnologia de D.A.W.s (Digital Áudio Workstation), modeling, plugins, etc?
Não mudou. São guitarras de verdade e amplificadores de verdade, gravados com microfones.

O que é similar ou diferente na forma em que Adrian, Dave (Murray) e Janick (Gers) gravam, e como isto é baseado no seus estilos individuais e abordagens da guitarra?
As gravações são basicamente iguais – como em todo instrumento. Fazer soar como o músico quer, colocar um bom microfone na frente e gravar. O estilo vem dos músicos.

Quais são os desafios de gravar uma banda de três guitarristas?
É tudo parte do trabalho. É bem mais difícil gravar três guitarras distorcidas do que gravar duas. E quando você adiciona o baixo de Steve, que tem as muitas das características de médio de uma guitarra distorcida, o desafio em busca de claridade para cada instrumento se torna bem assustador. Mas este é o trabalho. Você apenas vai lá e faz.

“The Final Frontier” está se provando ser um dos álbuns mais bem sucedidos da banda. Tendo sido parte integral do som dele através várias fases da carreira deles, você credita a popularidade da banda a o quê? O som deles tem se mantido consistente ao longo dos anos. Esta é a chave para o sucesso e longevidade deles?
Não, a chave para o sucesso deles é acreditar no que fazem, recusando-se a fazer concessões às filosofias das corporações, sem se deixarem levar por gostos bizarros e modas – e entregando 110% todas as vezes que fazem algo. E não estou puxando o saco, é apenas a verdade!





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE FINAL

18 09 2010

 

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

O website do Iron Maiden publicou a última parte dos diários escritos pelo produtor Kevin Shirley sobre as gravações do “The Final Frontier.

Confira o texto abaixo e divirta-se!

Segunda-feira, 22 de Fevereiro e 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal principal de três ou quatro performances de Bruce para “Coming Home”, e me concentrei em mixar a música.

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal de “The Final Frontier” hoje – e então mixei. Steve veio no fim do dia e achou que ela soava muito cheio, então farei uma mixagem mais seca amanhã.

Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Fiz uma mixagem mais seca e alguns ajustes em “The Final Frontier”. No final, ficamos com a mixagem de ontem – minha mixagem original. Depois disto, comecei a compilar o vocal de “Mother of Mercy” – Steve tem uma melodia vocal bem singular em sua mente, na qual Bruce não conseguia fazer 100% correto. Esta perto, entretanto… Só precisa de alguns ajustes. Deixei a compilação meio pronta – está do caralho! Voltei para casa para encontrar dois bebês doentes…

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
A noite passada foi bem dura com nossos pobres bebês doentes – então não dormimos muito na noite passada. Fui para o meu estúdio um pouco depois das 11h e encontrei Steve fazendo “cruzadinhas” – ele adora isso! Tive que voltar a me concentrar em “Mother of Mercy” e terminar a compilação do vocal!

Adrian apareceu em “The Cave” (Nota do tradutor: nome do estúdio de Kevin Shirley) para dar uma escutada – ele achou que as faixas estavam boas, mas que soavam um pouco como “uma banda de estúdio”. Ele achou que mais reverb deixaria o som mais “majestoso” e “épico”. Steve discordou veementemente. Honestamente, os dois têm razão. O que eu pessoalmente gosto nas mixagens cruas, é que ela os diferencia de qualquer outra banda de Classic Rock ou Metal. Eles não são realmente Metal de qualquer forma – não no sentido que a palavra tem hoje – eles estão mais para uma banda de Hard Progressivo. Eu prometi em fazer as mixagens dos dois jeitos para que as decisões possam ser tomadas mais tarde, se necessário.

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Comecei o dia com um passeio de bicicleta de 48km ao longo da costa e fui para o estúdio  no horário normal, às 11h, e terminei a mixagem de “Mother of Mercy”. Bruce veio de Londres esta manhã e muito gentilmente um pilha de revista da Formula 1 – é a minha paixão e os estados Unidos só os vêem cerca de seis semanas após sua aparição na Inglaterra, então eu estava particularmente animado! Ele escutou algumas coisas nas quais estamos trabalhando – ficou meio receoso com relação a umas duas linhas de vocal que ele cantou, e não gostou de um solo de guitarra em particular que gravamos no “Compass Studios”, mas deixou pra lá e se concentrou no trabalho, cantando “Isle of Avalon” e “Satrbilnd”. Ambas são bem altas – sugeri uma linha de vocal mais baixa no refrão de “Isle of Avalon”, e ele tentou; então talvez teremos uma harmonia de voz – veremos.

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Um grande terremoto de 8.8 na escala Richter atingiu o Chile no começo da manhã. Estamos em alerta para tsunamis novamente, e como moramos na praia, fomos para um lugar mais alto na hora do almoço. As ondas estavam apenas 60cm mais altas, o que não afetou em nada aqui em Malibu. Tenho certeza de que isto se mostrará catastrófico novamente…

É o aniversário de Adrian hoje! Sua esposa, Nathalie, deu uma grande festa para ele. Comida deliciosa, ótimo ambiente – Steve e suas lindas filhas, Kerry e Faye apareceram, assim como Bruce e mais um monte de gente. Foi muito divertido – Ela tinha sido bem clara sobre ficar além do tempo, com “término às 23h” no convite, mas na hora de ir embora, Adrian quis que todos ficassem mais. Nathalie disse, “mas foi você quem pediu”! Nós tínhamos bebês doentes em casa, e não poderíamos ficar, de qualquer forma…

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010: Malibu – Califórnia
Último dia do mês – vamos relaxar!

Segunda-feira, 1º de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Bruce veio de Marina Del Ray (Nota do tradutor: região costeira não incorporada à Califórnia, que possui 8.500 habitantes, aproximadamente) e cantou duas canções hoje – “Satellite 15…” e “When The Wild Wind Blows”. Comecei o trabalho de mixagem em “When The Wild Blows”.

Terça-feira, 2 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei o vocal de “When The Wild Wind Blows” e a mixei! As filhas de Steve, Faye e Kerry, vieram e escutaram todas as músicas completas até agora, e depois foram com Steve para o restaurante italiano local, “The Sage Room”, para jantar.

Quarta-feira, 3 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Bruce veio hoje para escutar as cinco mixagens que já fizemos. Fiz alguns ajustes na mixagem de “When The Wild Wind Blows”, compilei o vocal principal de “The Alchemist” e também a mixei.

Quinta-feira, 4 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Comecei a compilar o vocal principal de “The Talisman”. Foi um pesadelo fazer esta compilação! Adrian apareceu no fim da tarde para pegar um CD com as mixagens que fizemos até agora.

Sexta-feira, 5 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “The Talisman”, a segunda parte. Não a parte da introdução calma que parece um cântico para assustar crianças. Eu acho que os fãs irão adorar esta canção!

Sábado, 6 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Fim de semana – feliz em ter uma folga!

Segunda-feira, 8 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Terminei de mixar “The Talisman” (a introdução acústica)  e compilei o vocal de “The Man Who Would Be King”.

Terça-feira, 9 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “The Man Who Would Be King”. Adrian veio e disse que tudo estava soando bem – disse que estava 95% feliz com as mixagens do álbum e que deveríamos dar uma escutada e fazer pequenos ajustes – fico perfeitamente feliz em reavaliar qualquer uma das mixagens, por mais que a probabilidade de alterar tudo seja assustadora, mudar os sons, etc, mas Steve e eu estamos bem felizes com o álbum e nenhum de nós teria tempo para remixar, então Steve deu a palavra final e disse que finalizaríamos tudo neste fim de semana e que não iríamos remixar o álbum inteiro. Adrian por fim compreendeu, mas não ficou muito feliz! 

Quarta-feira, 10 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Compilei os vocais de “Starblind” e comecei a mixá-la – está se provando ser uma mixagem complicada e bem difícil.

Quinta-feira, 11 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
Mixei “Starblind” hoje. Adrian apareceu para escutá-la – e quis um pouco mai de reverb em algumas coisas – é meio como uma batalha interna contínua, e essencialmente uma maneira de se escutar as coisas. Def Leppard de um lado e algo mais “garagem” do outro. Não foi adicionado nenhum reverb extra em nada. Adrian saiu feliz e compreensivo – eu achei!!!

Sexta-feira, 12 de Março de 2010: Malibu – Califórnia
É o aniversário de Steve hoje! Acabei de mixar o álbum inteiro – mixei “Isle of Avalon” e “Satellite 15…” hoje. As mixagens correram muito bem, e então coloquei o álbum em ordem – colocando todas as mixagens master em sequência e ajustando os espaços ou as sequências entre as canções. Steve está fazendo as malas para ir embora e estou planejando em tomar umas taças de vinho com Adrian, ás 21h – todos os caras parecem exaustos! Saímos todos para jantar…

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010: Oakland – Califórnia
Bem, já se passaram quase dois meses. Desde que terminei o álbum do Iron Maiden, já concluí o disco do Black Country Communion e estou no meio da produção do novo álbum do Journey. Estou no aeroporto de Oakland (estou produzindo o disco do Journey em São Francisco) – esperando para um voo de uma hora para Los Angeles, onde mais tarde irei tocar o novo álbum do Maiden para os caras da “Universal Music”. Masterizamos o álbum três vezes, e por fim decidimos ficar com minha mixagem crua ao invés das versões masterizadas. Eu achei que o local que masterizou o disco fez um ótimo trabalho, mas Steve, mesmo gostando destas versões, achou que a integridade das mixagens originais foram comprometidas de alguma forma, e então a versão crua é que ficará. Sem equalização, sem compressão, apenas como estava quando Steve escutou as MP3 das mixagens e bem do jeito que saíram do meu estúdio.

Terça-feira, 8 de Junho de 2010: Malibu – Califórnia
Em casa após a gravação do álbum do Journey – irei para o estúdio mixar uma banda sul Africana chamada Panic Circle, hoje. O primeiro single do Maiden, “El Dorado”, foi lançado ontem como download gratuito no website da banda e imediatamente entupiu o servidor, mas recebi e-mails de centenas de pessoas que amaram a canção – então obrigado!!!

E foi assim que passei a primeira parte de 2010 – produzindo “The Final Frontier”. Espero que tenha gostado…

Kevin Shirley





DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE III

16 09 2010

 

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

E os diários das gravações do “The Final Frontier” continuam! Confiram a terceira parte dos relats escritos pelo produtor do disco, Kevin Shirley.

Domingo, 24 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei tarde – ainda um pouco cansado. Relaxei pelo condomínio, fiz café e assisti um pouco de futebol americano. Adrian apareceu por volta de meio-dia e pegou emprestado meu iPod para ouvir as mixagens básicas das faixas que fizemos até agora.

Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Os caras tiraram o dia de folga, e Steve e eu fomos trabalhar às 11h. Começamos o grande trabalho de editar os diversos takes de “When The Wild Wind Blows”. Ninguém além dele tem alguma idéia de como ela ficará, e a estrutura foi um pouco alterada em comparação à sua idéia original, na reunião, mas encaixa bem e flui lindamente. Um irônico épico sobre um pacto de suicídio, em face de uma explosão nuclear. E muito “Maideniana”!

Terça-feira, 26 de Janeiro, de 2010: Nassau, Bahamas
Malhei com um treinador novamente, às 8h da manhã – ele me detonou!!!

Toda a banda – menos Bruce, que voltou à Londres – s reuniu no estúdio para escutar todas as faixas que gravamos, e ter uma visão global do álbum. Todos os caras pareceram animados após a audição, e começamos o trabalho de enfeitar as gravações básicas de “Coming Home”, com alguns overdubs. Adrian colocou um violão nos versos e refrãos, no qual dobramos para um som em stereo. 

Então Davey tocou o primeiro dos solos de guitarra com sua Les Paul, que ironicamente soa como uma Stratocaster! É um solo bem “Hendrixiano”, no clima de “Little Wing”, e ele está feliz com o resultado. Então Adrian adicionou o segundo solo. Nós montamos um sistema de monitores diferentes para ele no estúdio, então ele equaliza do seu jeito e escuta nos Genelecs (Nota do tradutor: marca de um sistema de monitores de estúdio, fundado na Finlândia). Inicialmente ele ficou desconfortável, mas após um tempo conseguimos um belo solo dele. O som cru o incomoda, então eu acrescentei um pouco de “Pitch Shift”, e ele ficou feliz.

Fim do dia. Fomos para um bar local chamado “The Poop Deck” para comer uns hambúrgueres e tomar cerveja. E tequila de café. E uma cerveja de saideira. Nicko e seu amigo, Frankie – um chefe de Nova Iorque – voltaram primeiro. Eu deixei Jan e Davey batendo papo no bar. 

Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Começamos o dia de gravação tendo Janick adicionando uma melodia uma oitava acima de sua linha de guitarra nos refrãos de “Coming Home”. Este é fim dos overdubs de guitarra nesta música. Então fomos para a canção “El Dorado”. Adrian faz um solo de guitarra – alguns takes dos quais fiz uma compilação. Ele está satisfeito. Steve não fica necessariamente por perto para coisas como solos de guitarra, mas ele gosta de escutar tudo em algum ponto. Depois, Janick faz um overdub de guitarra, adicionando uma oitava na linha do pré-refrão e depois fazendo seu solo. Davey vem para um começo tardio, após um tempinho na praia, e faz o solo do meio. Nós escutamos tudo bem alto e todos parecem bem felizes. Todos eles vão embora e eu fico para passar por alguns takes de “Mother of Mercy”, para que fique pronta para os overdubs. O jantar foi um peixe fresco e uma cerveja no bar, e cheguei em casa logo após às 19h30. Cedo em casa… Falei com meus bebês pelo Skype.

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Um dia cheio no estúdio hoje. Davey começa o dia com alguns overdubs em “The Man Who Would Be King” – Harmonias de guitarra na conclusão e no refrão. Tentamos algumas na introdução, mas não ficaram boas. Então ele fez um solo rápido no qual eu inverti a la Hendrix, e ele adorou! Fizemos alguns outros sons estranhos – bombas caindo, etc, que vão junto com os solos de fundo, e então Janick faz um pequeno solo – e depois fizemos uma harmonia de três guitarras com todos os guitarristas, na segunda parte do solo. Originalmente seria um solo do Adrian, mas a faixa soou tão fora de controle depois das loucuras musicais de Davey, que introduzimos as melodias de guitarras em harmonia, que trazem alguma ordem ao caos.  Esta canção agora está pronta por hoje, e então avançamos para os overdubs de “The Final Frontier”. Adrian faz um grande dedilhado de violão nos refrãos, e então adiciona uma linha grave de guitarra que ecoa a linha de baixo de Steve; e por último ele faz o solo em sua confiável Stratocaster…. E está bom por hoje, e pela semana!

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010: Nassau-Bahamas
Minha família chega às 13h de Los Angeles, e todos nós tiramos o dia de folga. Ninguém reclamou! Bem, a “Delta Airlines” sacaneou o vôo de minha família e os deixou em uma longa e forçada espera em Atlanta – então eu aproveitei a oportunidade para fazer compras. Eu precisava de tudo no apartamento – papel higiênico, água… Vocês entenderam; então foi um tempo bem vindo para me preparar para eles. O estilo de vida solteiro não combina necessariamente com as necessidades de uma jovem família, e assim que abasteci a casa, fui para o aeroporto com Steve Gadd e Mike Kenney – que vieram para ajudar com a bagagem das crianças (eles se ofereceram, muito gentil e amigavelmente; não foi aquela coisa de Produtor controlador). Eles finalmente chegaram às 17h, e os vejo enquanto chegam na área de desembarque. Fiquei um pouco emocionado quando Talon, meu filho de dois anos, gritou “papai, papai, papai”… Legal!!!! Fim de semana de folga brincando com meus filhos na piscina e na praia!!!!!

Segunda e terça-feira, 1 e 2 de Fevereiro de 2010: Nassau, Bahamas
Mais gravações em algumas das outras canções – fica um pouco como “Feitiço do Tempo” (Nota do tradutor: filme no qual um repórter é escalado mais uma vez para cobrir as festividades do Dia da Marmota no estado da Pensilvânia. Ele não vê a hora de terminar o trabalho e voltar para casa, mas o inesperado acontece: ele cai em um “feitiço do tempo”, e todos os dias seguintes passam a se repetir sempre iguais ao Dia da Marmota. Quando ele percebe o feitiço, passa a tirar vantagem dele, mas depois vem o tédio e o sentimento de frustração por não saber como sair daquela situação) contar e escrever tudo no diário, já que é um processo semelhante todos os dias para as canções e overdubs. Fizemos vários overdubs de guitarra, solos, harmonias, violões… Los tres amigos se revezam e ocasionalmente gravamos os três juntos, para conseguirmos aquele ritmo galopante que só Maiden pode criar de verdade – não há nada de matemático nisto, é feeling puro. Se você faz isso no Pro Tools, todo o feeling vai embora, então não fazemos!!!

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
É o aniversário da minha esposa hoje, então tiramos o dia de folga e eu passei o dia inteiro no resort “Atlantis” com minha família. Um grande dia, brincado nas praias, descendo nos toboáguas, boiando em botes nas corredeiras e rios artificiais, e olhando o absolutamente incrível aquário que eles construíram lá! De noite, deixamos os bebês com minha sogra e saímos para uma íntima noite de adultos, mas estávamos tão detonados pelo dia que caímos na cama por volta das 21h30!

Quinta e sexta-feira, 4 e 5 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
Mesmas atividades de 1 e 2 de fevereiro. Quase terminamos os overdubs, com relação às guitarras. Apenas um último solo de Adrian em “When The Wild Wind Blows” na segunda-feira, então nos reuniremos para uma última audição coletiva, e terminaremos com as guitarras no novo álbum do Iron Maiden. Ficaremos por aqui pelo resto da semana, então volto pra casa no próximo sábado, e Steve e Bruce chegam na próxima semana para finalizarem os vocais e mixagem…

Sábado, 6 de Fevereiro de 2010: Nassau-Bahamas
Está ventando e o tempo está tempestuoso. Sem estúdio hoje. Minha esposa e as crianças estão de malas prontas, já que deixam Nassau e vão para Los Angeles amanhã – então tivemos um jantar cedo, com peixe fresco, no “The Poop Deck”. Então minha esposa, Dev, e eu nos juntamos a Steve Gadd e sua cara metade, jen, Adrian Smith e sua esposa, Nathalie, e Janick Gers, para um drink mais tarde na noite. Um momento muito bom e foi divertido socializar apenas com adultos pra variar.

CONTINUA AMANHÃ…