REVIEW DA SEMANA – 4ª EDIÇÃO

18 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Banda: Whitesnake
Álbum: Forevermore (2011)

Clique aqui para baixar o CD.

No próximo dia 29 será lançado “Forevermore”, o mais novo álbum do Whitesnake; entretanto, graças à internet, pudemos conferir o lançamento do trabalho com antecedência, e agora você ficará sabendo o que David Coverdale e cia aprontaram.

O disco começa com “Steal Your Heart Away”, que possui ótimo riff de guitarra guiado pelo slide. A voz de Coverdale entra, e a canção toma um clima dos primeiros trabalhos da banda, mais puxado para um Hard Rock Blues, obviamente com toques mais modernos. É visível a solidez da parceria entre Coverdale e os guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, juntos desde 2002. Entretanto a cozinha formada pelo baixista Michael Devin e pelo baterista Brian Tichy não deixa a peteca cair.

A segunda faixa, intitulada “All Out of Luck”, começa com um riff espacial e progride para um Hard bem interessante – tem horas que a voz de Coverdale lembra a do saudoso Steve Lee do Gotthard (tá, eu sei que o Steve Lee era influenciado por Coverdale, mas nesta canção o mestre parece com o pupilo, e não o contrário). Mais uma vez há uma mescla entre o antigo e o novo som do Whitesnake, resultando em algo muito bom. Isto vai ser lugar comum em toda a resenha, mas não se pode deixar de destacar a qualidade de Coverdale, ainda cantando muito, e da dupla de guitarras. Em seguida vem o single “Love Wil Set You Free”, cujo videoclipe já vem rodando por aí há algum tempo.

“Love Will Set You Free” é um bom Hard, e após escutar todo o álbum fica claro que foi uma boa escolha como primeiro single, pois dá uma geral no que é o Whitesnake: Hardão com pezinho no Blues, riffs porrada, refrões grudentos e a palavra “love” no título das canções. Aliás, tenho um amigo que já decretou: “se você não sabe alguma letra do Whitesnake, canta uns “love” e manda uns “baby”, que você está na direção certa”. Brincadeiras à parte, esta é mais uma boa canção de “Forevermore”.

A quarta faixa é uma semi Power Ballad. “Easier Said Than Done” traz Coverdale cantando limpo, com aquele velho teclado fazendo o clima da música, enquanto as guitarras fazem umas melodias dobradas. Como declarou o próprio Coverdale, o Whitesnake não é Whitesnake sem baladas, e esta aqui é bem legal. Nada de novo, mas é assim que a gente gosta! O peso volta com “Tell Me How”, mais um Hard de levantar defunto. O refrão é bem legal, com um backing vocal bem sacado (ao vivo deverá ficar do sensacional!). Excelentes solos também marcam presença nesta faixa, e Coverdale destrói com os argumentos de qualquer detrator de sua voz.

“I Need You (Shine a Light)”, a canção seguinte, possui um riff de introdução maravilhoso – algo meio Stones sob efeito de anabolizantes. A canção é um Hardão daqueles das antigas, da fase pré “Slide It In”. O refrão é muito bem sacado e gruda instantaneamente na cabeça. Esta música se tornou minha preferida no álbum. A próxima é uma balada até diferente das que o Whitesnake costuma fazer. “One of These Days” é baseada em progressões de acordes no violão, enquanto a bateria acompanha num ritmo bem retão e as guitarras fazem algumas intervenções aqui e ali. O trabalho de backing vocal mais uma vez é bem legal, chegando até a lembrar algumas bandas Pop dos anos 60, como Marmalade e similares. É uma canção boa de se escutar relaxando num domingo (gostei desta novidade num disco do Whitesnake)…

Mais um riff muito legal abre a faixa seguinte, “Love and Treat Me Right”. Voltamos com força àquele mix do “old and new Whitesnake”, desta vez pendendo um pouco mais para a fase recente. Não há muito que falar sobre esta faixa, a não ser que é mais uma a engrandecer o álbum. Seguindo em frente com “Dogs in The Street”, esta sim bem anos 80. Uma das mais velozes do CD inteiro, conta com as melodias bem sacadas de Coverdale, excelentes solos e um grande trabalho de bateria. A próxima é “Fare Thee Well”, mais uma balada. Ela começa com uns riffs no violão e ótima melodia de Coverdale, depois entra a bateria e a canção decola numa espécie de Country Rock Ballad. As melodias de guitarra dobrada caem como uma luva na música – a expressão aqui é “bom gosto”. Das três baladas, em minha opinião esta é a mais interessante.

Vamos chegando à parte final do álbum com “Whipping Boy Blues”, que começa com um riff bluesy – como era se esperar – enquanto Coverdale canta usando um efeito para distorcer a voz um pouco. Depois a canção vira um Hard bem pesado, e eu cheguei a sentir um clima de “Stormbringer”, mas pode ter sido impressão. A penúltima faixa da bolacha se chama “My Evil Way”, e começa com Brian Tichy espancando a pobre da bateria. A velocidade chega, e a canção se mostra um ótimo Hard – naquele mesmo esquema mezzo anos 70, mezzo anos 80 – com mais mudanças de dinâmicas do que normalmente ocorrem em músicas do Whitesnake. Talvez por ciúmes do solo de bateria na introdução, os guitarristas descem suas respectivas mãos nos solos, o que melhora ainda mais a faixa. Para concluir o disco, a canção que dá nome ao trabalho. “Forevermore” é a maior música do CD, com quase 7 minutos e meio, e começa uma balada, com dedilhado no violão e teclado sustentando o clima, enquanto Coverdale canta como sempre. Depois que atinge os três minutos e 10 segundos, a música vira um Hardão com andamento a la “Kashmir” do Zeppelin, e aí vêm os solos de guitarra que, para usar um termo técnico, arregaçam! Ela não chega a ser uma balada, mas passa perto. “Forevermore” fecha o disco muito bem, após 1h04 (aproximadamente) de audição.

Vamos ao checklist de um bom álbum do Whitesnake: trabalho de guitarras irrepreensível, checado; vocal potente e cheio de feeling, checado; baladas, checado; Hardão com pitadas de Blues, checado; “love’s” e “baby’s” a torto e a direito, checado. Veja bem, “Forevermore” não irá mudar o mundo, mas dane-se – eu fico muito feliz com um disco que apenas torne melhor este mundo que já existe.

Longa vida ao Whitesnake!

PS: Alguém mais percebeu que na capa há três cabeças de cobra, mas quatro caudas? Se levarmos em conta que a cobra de baixo está com mais uma cauda na boca, somam-se cinco caudas – que loucura…





LUZ NO FIM DO TÚNEL – 3ª EDIÇÃO

1 02 2011

Por: Roberto A.

Banda: The Pinneapple Thief
CD: Show A Little Love (EP)

Antes de mais nada, desejo uma boa semana aos rockers que nos acompanham, neste singelo blog alternativo. Desta feita, em nossas peneirações semanais, destaco uma banda deveras interessante, a Pinneapple Thief. Estilo Alternative Rock, diria eu, mas sei lá. O que sei é que o disco é bom à beça e merece ser ouvido pelo maior número possível de pessoas, ainda mais se for considerar o mar de mediocridade que temos atualmente em evidência, musicalmente falando. Só para contextualizar, a Pineapple Thieffoi fundada por Bruce Soord em 1999, em Somerset, Inglaterra. “Show a Little Love” é um EP que traz quatro faixas novas, além de versões alternativas para canções do aclamado álbum “Someone Here is Missing”, lançado em junho do ano passado.

Clique aqui para baixar o disco (senha: mikkisays.net)

O CD começa sutilmente com “Show A Little Love”. Semelhanças com Smashing Pumpkins, baixão distorcido, e vocal sussurrando: “O que foi que você disse?/Eu tenho que segurar alguém?/Ou até mesmo mostrar um pouco de amor?/É fácil de ver/As paredes estão se fechando para você e para mim/Eu não posso ajudar se eu estou tomando o caminho errado?/Eu estou tomando o caminho errado para baixo”. Disfarce perfeito para a paulada swingada Punk em que a música se transforma. Muito, muito bacana mesmo! Destaco a bateria viril, o timbrão da guitarra distorcida e o baixo muito seguro – os caras são instrumentistas fodásticos. Som que ajuda a botar mais fé no mundo.

A próxima é “I Can Only See The Lights”, que começa viajandona, com baixão marcante, ruidozínhos bem colocados e levada deliciosa, lembrando os melhores momentos do Blur – música de fato muito agradável de se curtir. “Miilion Miles Of Course”, um rockinho delicioso, é a terceira. Guitarras limpinhas, batida empolgante da batera, baixão esquisito, de apelo pop, traz angústia e distorção dignas do Nirvana. Muito bom som! “Counting the Cost”, a posterior, começa com um lindo violão limpinho, que faz viajar pra mares distantes com sua linda harmonia: “Mas sinto muito bem para ver o caminho”. Som de leveza e beleza incrível. Na sequência, com batida hipnótica e envolvente, temos “To Live And Die To”. Deslumbrante amostra do entrosamento desses caras e eficácia instrumental. Leveza só pra começar, pois o que vem depois é uma pauleira sônica, brilhantemente timbrada – que sons lindos de guitarra! Uma instrumental muito boa esta.

Pitadas de Pink Floyd aparecem na próxima, “Wake Up The Dead”, com lindos pianos, violão limpo e arranjo fenomenal nos vocais, que dizem algo assim: “Eu vou descobrir o que está em sua cabeça/E sim, eu vou descobrir o que está em sua cabeça/Nós não somos os mesmos/Nós não somos mais o mesmo/Seu suicídio apareceu à minha porta”. Beleza de som – ouça imediatamente. “Someone Here Is Missing” é uma canção acústica e excepcional, trazendo uma sensação de frescor e benevolência na sequência musical do CD,  que se encerra com “Dead In The Water”, um Rock do bom,  com linda timbragem de bateria  e guitarra, além de um vocal calmo, que diz: “Não há outro lugar para morrer exceto os meus braços…”. Recomendado!

Se você gosta apenas de música pesada ou quadrada, não perca tempo baixando, mas se aprecia Rock espacial (especial) e biscoitos finos, já deveria ter feito o download antes mesmo de ler a resenha toda. Vale muito à pena descobrir que ainda há luz no fim do túnel.

Tracklist:
1. Show A Little Love (Single Edit) 
2. I Can Only See The Lights
3. A Million Miles Off Course
4. Counting The Cost
5. To Live And Die To…
6. Wake Up The Dead (Acoustic)
7. Someone Here Is Missing (Acoustic)  
8. Dead In The Water (Worldengine Remix)

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX





REVIEW DVD: THE STORY OF ANVIL

7 10 2010

Em meados dos anos 70 um grupo de adolescentes canadenses resolveu montar uma banda e, liderada pelo guitarrista e vocalista Steve “Lips” Kudlow e pelo baterista Robb Reiner, lançaram seu primeiro álbum, de forma independente, em 1981. O álbum se chamava “Hard & Heavy” e apresentava um som que combinava perfeitamente com o título.

Na primeira metade dos anos 80, o Anvil era uma das grandes bandas de Metal do mundo, tendo participado de festivais junto com Scorpions e Bon Jovi, mas quis o destino que a banda não conseguisse ascender a um nível mais alto, com relação à fama. Após mais de 30 anos desde sua formação, Lips e Reiner ainda estão a frente da banda, lutando para conseguir seu lugar ao sol.

O destino do Anvil começou a mudar quando, em 2008, Sacha Gervasi, roteirista de Hollywood – é dele o roteiro do filme “O Terminal”, com Tom Hanks – e maior fã do Anvil em Londres nos anos 80, descobriu que a banda ainda estava na ativa, lançando álbuns regularmente e buscando o merecido sucesso. Gervasi imaginou que a luta do Anvil daria um grande documentário e assim fez o convite à banda, que topou o desafio.

O filme começa com cenas da apresentação da banda no “Super Rock Festival”, que reuniu o Anvil, Bon Jovi, Scorpions e Whistenake no mesmo palco, e as legendas não tardam a avisar: “Todas as bandas do festival acabaram vendendo milhões de álbuns, menos uma”. E a partir daí o telespectador mergulha nas vidas de Lips e Reiner, com depoimentos de familiares e rockstars que confessam serem influenciados pelo Anvil, como Lars Ulrich, Slash, Tom Araya, Lemmy e Scott Ian.

O filme, com 81 minutos de duração, é uma das maiores provas de fé, perseverança, honestidade, luta e amor que já pôde ser testemunhado na indústria musical. Apesar de ser uma banda veterana, com aura cult, o Anvil luta por sua sobrevivência, sendo enganados por donos de clubes, recusados por gravadoras, vítimas de perrengues absurdos e ainda assim seguem em frente, como um rolo compressor.

A dedicação e amizade entre Lips e Reiner – amigos desde os 14 anos – é uma das coisas mais tocantes já vista em uma tela de TV. Ao longo do filme eles brigam, choram, riem, compartilham grandes momentos – a cena em que eles estão no Japão, no fim do filme, é de arrepiar – e lutam para manter a banda unida – os dois mantinham empregos “normais”, paralelamente à banda.

O mais legal de tudo é que o documentário, lançado no ano passado, foi muito elogiado e a banda finalmente conseguiu o sucesso – muito merecido, por sinal – que buscavam. Por isso, no parágrafo anterior usei o verbo “manter” no passado. Depois da explosão do documentário, Lips e Reiner agora comseguem viver através da banda e não precisam mais ter trabalhos paralelos.

Infelizmente, o DVD ainda não foi lançado nacionalmente e as versões importadas não têm legendas em português, entretanto não é difícil encontrar o filme e a legenda e português para download.

Não perca tempo e corra para assistir não só a história de uma banda de Metal, mas a história de uma amizade absolutamente verdadeira e honesta.

Simplesmente emocionante!





REVIEW: PLEIADES – JOVENS COM COMPETÊNCIA DE VETERANOS

20 09 2010

Formada em 2005, na capital mineira, a Pleiades chama a atenção em princípio por contar com músicos muito jovens. Cynthia Mara (Vocal), 17 anos; André Mendonça (Guitarra), 14 anos; Caio Porto (Baixo), 22 anos; e André Bastos (Bateria), 20 anos, surpreendem qualquer um que se aventure a escutar seu autointitulado álbum de estréia.

Não é fácil rotular o estilo da banda, mas pode-se dizer que se trata de um Hard & Heavy com um pouco de progressivo e até umas pitadas de Thrash em certos momentos. O importante é que a banda faz excelente música, e todos se mostram músicos competentíssimos.

Produzido pelo veterano Gus Monsanto, vocalista da Revolution Rennaissance, o debut da Pleiades os lança como a grande revelação da música pesada nacional dos últimos tempos. O profissionalismo se mostra constante, inclusive nos aspectos não musicais. O encarte do CD é irretocável, com uma capa simples, mas efetiva; letras de todas as músicas, fotografias muito bem feitas, além de todas as informações sobre a gravação do disco. Apenas um pequeno erro de digitação na letra da primeira música, que mostra a palavra “then”, enquanto que o correto seria “them” – mas nada que ofusque o belo trabalho.

Vamos às canções!

01. Fire, Fire
Abertura em grande estilo! Heavy de primeira, com refrão pegajoso e backings certeiros. A letra fala sobre uma garota que sofre todo tipo de violência, mas que permanece viva, para o desespero dos que a maltrataram. Performace de todos os músicos é ótima! Um começo arrasador! 

02. Even If We Don’t Go
Um riff meio dedilhado no violão abre esta faixa, e logo depois a porrada começa num clima Prog Metal, com uma harmonia em contratempo. Quando menos se espera, a canção é lançada para um tempo reto, com ótimos riffs e um refrão arrasador, numa levada Hard/Heavy. A letra fala sobre perseguir seus sonhos e nunca desistir. Com certeza esta é um dos hits do álbum. Destaque para o excelente solo de guitarra do André Mendonça, de apenas 14 anos. Se prepare, porque você vai passar o dia cantando o refrão desta música.

03. Nobody Buys Me Earings
Introdução com o baixo distorcido e a voz da fenomenal Cynthia Mara, de 17 anos, entra. Uma das características da banda que me surpreendeu foi a voz da jovem cantora, que soa autêntica. Você escuta e sabe que é ela, ao contrário de muitas cantoras que acabam desenvolvendo um mesmo estilo e timbre de voz ao cantar. Cynthia consegue lançar sua voz em melodias calmas e pesadas com uma desenvoltura espantosa.  Quando a banda entra, dá pra sentir um cheirinho de Thrash no ar – isso mesmo: Thrash! O baterista André Bastos espanca seu kit, criando um ótimo trabalho de bumbo duplo, mas sem abusar deste tipo de técnica – o que é sempre bom. Mais uma vez o refrão te pega pelo pescoço, abre sua cabeça e coloca a melodia lá dentro. Excelente canção, que fala sobre a interminável busca por bens materiais em detrimento de riquezas mais importantes.

04. I Blame
Mais uma que traz a tríade Heavy/Hard/Thrash, mesmo que o último seja em grau menor. Mais uma grande canção, com refrão grudento e solo espetacular do André Mendonça. Ótima técnica com o pedal “wah wah”! A letra fala sobre não ligar para o que as pessoas falam sobre de você. Aliás, é bom dizer que as letras são bem sacadas, longe de soarem clichês ou piegas. Mais um ponto para a Pleiades!

05. Before The Music Dies
De volta ao Heavy tradicional! A introdução vai de cara te lembrar da clássica “Two Minutes to Midnight”, de vocês sabem quem (se eu tiver que explicar de quem é esta música, eu não durmo hoje). Mais uma excelente música! A letra fala dos golpes de marketing na música, com artistas produzidas feitos bonecas, mas sem conteúdo musical. No refrão há uma frase genial: “Before the music dies, do you wanna buy me?” (em português: “antes que a música morra, você quer me comprar?”). Mais uma vez o solo de guitarra é lindo, bem com jeitão do Maiden, inclusive. O refrão também é daqueles que você consegue acompanhar após a primeira audição. Chegamos na metade do disco, e sinceramente não consigo vislumbrar nada que possa ser apontado como ponto fraco.

06. Insonmnia
Canção muito bem trabalhada, cheia de variações, mas sem parecer uma colcha de retalhos. Cada nova harmonia serve exclusivamente à música. Esta tem um pouco de Prog também e, mais uma vez, o refrão joga tudo para cima, com uma bela performance da Cynthia. Aqui também vale destacar a produção do Gus Monsanto. Tudo soa nítido, com arranjos interessantes e, mais importante, sem firulas desnecessárias.

07. Find The Same Way
Lindo começo, com um teclado dando o clima para ótimas frases na guitarra, mostrando a veia progressiva da banda mais explicitamente. Depois o peso entra e revela excelentes performances de todos, mas vale destacar a inspiradíssima cozinha do baterista André Bastos e do baixista Caio Porto. Esta canção fala sobre ser atormentado e viver com os erros e más escolhas que tomou na vida. Em boa parte ela segue um linha Heavy, meio progressiva, mas novamente é possível identificar características do Thrash aqui e ali. O final da música é de excelente bom gosto, com um belo solo do André Mendonça. O refrão desta vez não é daqueles grudentos, apesar de bem interessante.

08. In My Dreams
Mais uma que mostra claramente as influências progressivas da banda, com andamento no contratempo. Esta também é uma faixa bem variada, que mostra a maturidade da banda ao compor, apesar da pouca idade dos integrantes – talento é talento. A letra desta vez pega um pouco mais leve e fala de um amor platônico, mais uma vez sem ser piegas. A música cumpre muito bem seu papel, mas fica a sensação de que ela não está no mesmo nível das anteriores, apesar de, ainda assim, ser uma grande música. Nesta, a banda é o destaque: todos executam ótimas performances. 

09. Pleiades
Um belo dedilhado no violão abre esta faixa, que dá nome à banda e ao álbum. “Pleiades” se mostra uma canção bem “Iron Maideniana”, com ótimas cavalgadas, um solo que parece ter saído dos dedos de mr. Adrian Smith; mas o melhor é que não parece ser uma tentativa de imitação, apenas o resultado de uma das influências da banda. Esta música volta a jogar o álbum ao nível de antes, com um refrão arrasador, solo maravilhoso e letra bem sacada. Fala, logicamente, sobre a civilização Pleiadiana – civilização extraterrestre originada do grupo de estrelas das Plêiades. Diz-se que os Pleiadianos são seres altamente evoluídos, muito mais que os da espécie humana, e que seus ancestrais fizeram parte de um universo que atingiu sua conclusão. Também são vistos como um grupo de seres iluminados que se dispuseram a ajudar os terráqueos a alcançar um novo estágio evolutivo. Muitos estudiosos do assunto acreditam que grandes obras da humanidade, como as pirâmides do Egito ou a Stonehenge na Inglaterra, contaram com a ajuda dos Pleiadianos.

10. Freedom (Bonus Track)
“Freedom” é uma bonus track com introdução que traz uma bela melodia no piano, para logo em seguida a banda entrar no acompanhamento. A música em si é excelente, com uma pegada Hard/Heavy/Thrash, e fala sobre a liberdade de poder andar por aí sem medo. Apesar da qualidade, alguma coisa – talvez algum efeito – na voz da Cynthia, na hora que ela grita a palavra “freedom”, no refrão, soou um pouco estranha. O mesmo que foi dito sobre “In My Dreams” pode ser dito sobre esta canção: música excelente, mas que fica um pouco abaixo das outras. Na minha opinião, a banda poderia ter deixado ela como a nona faixa, e fechado o álbum com “Pleiades”. De qualquer forma, a canção está longe de ser uma faixa ruim, ou até mediana. Ela é muito boa, mas haveriam melhores escolhas para a conclusão do álbum.

Conclusão:
Nada além de fenomenal pode ser dito sobre este álbum. A estréia de uma banda formada por músicos muito jovens, e que mesmo assim mostrou-se mais madura e talentosa do que muito grupo veterano. Não à toa, já dividiu o palco com monstros sagrados do Rock n’ Roll, como Deep Purple, Steppenwolf e Sepultura – inclusive o Andreas Kisser já andou elogiando a Pleiades em sua coluna no “Yahoo”.

Uma pena que o mercado fonográfico seja uma piada nos dias atuais. Em outros tempos, as gravadoras – internacionais, inclusive – estariam disputando a tapa uma banda como a Pleiades. Se eles conseguirem evoluir – e têm tudo para que isto aconteça – um novo grupo em breve estará no mesmo panteão onde brilham o Angra, o Sepultura e o André Matos.

Obrigatório para qualquer um que goste de Hard Rock ou Heavy Metal!

Aproveito a ocasião para avisar a todos os “Leitores Rockers” que na próxima quarta-feira, 22 de setembro, o novo podcast do blog será publicado, e contará com entrevistas exclusivas com Cynthia Mara e André Bastos, vocalista e baterista da Pleiades. Não percam!

Myspace da Pleiades: http://www.myspace.com/bandapleiades





RESENHA DO LEITOR: IRON MAIDEN – THE FINAL FRONTIER

15 08 2010

Por: Robson Dantas

O leitor Robson Dantas inaugura o que pode se tornar um quadro fixo aqui do IMPRENSA ROCKER: a colaboração dos leitores com resenhas de novos discos. Ainda não escolhi um nome para o quadro, mas penso em algo do tipo “Fala, maluco!”. A continuidade deste quadro só depende de vocês enviarem (pode ser pelo e-mail imprensarocker@gmail.com ou pelos comentários aqui no blog) as resenhas. Usem os comentários e o e-mail também para sugerir um nome para este quadro.

O único pré-requisito para o texto ser publicado é ser um review de um disco recém lançado (não precisa ter sido lançado há dois dias – até há uns quatro meses pode).

Então vamos lá! Confira abaixo as impressões de Robson Dantas sobre o “The Final Frontier”, o hiper-aguardado novo álbum do Iron Maden.

Satellite 15… The Final Frontier: Que Introdução insana, bizarra, surreal (e mais alguns adjetivos calamitosos). Guitarras distorcidas, bateria tribal… Em sequência entra o vocal de Bruce (algo meio fantasmagórico, que lembra as interpretações do King Diamond) e Nicko prossegue num padrão de bumbo duplo. Mike Tyson! Nocaute puro… Depois a canção migra para um Hard Rock sólido, anos 70 total. As duas músicas complementadas se tornam uma das melhores invenções do álbum e do Maiden em anos!

El Dorado: Conhecida até demais; dispensa comentários. Galopada típica do Maiden, bom refrão… Considero a mais regular do álbum.

Mother Of Mercy: Teve um jornalista que fez a melhor descrição dessa música: “Introdução a la Jethro Tull, chocante galope lento que remete à Stranger Land…”, sombria, falando de guerras… Caberia no AMOLAD (talvez seja uma continuação de “The Longest Day”, embora seja bem mais vibrante e direta). Refrão matador! Excelente música!

Coming Home: A balada do álbum tem a cara do Bruce. Uma estrutura típica de “Tears Of The Dragon”… Na ponte que interliga o tema central ao refrão, entra um riff cadenciado, acompanhado de versos tensos que me lembrou “Revelations”; talvez tenham fundido as duas e saiu “Coming Home”. Vai ser linda no show, com o pessoal acompanhando em coro. Aliás, no álbum percebe-se uma forte influência da carreira solo de Bruce; pra ser mais especifico, acho que traz elementos do “Chemical Wedding”.

The Alchemist: A faixa rápida. NWOBHM tradicional. É óbvio que teria que haver uma do gênero. Construção clássica, com solos fulminantes, guitarras dobradas e melódicas. O refrão é simples – se fosse mais bem trabalhado, a canção seria ainda melhor. Me lembrou algo entre o “Powerslave” e o “Killers” – “Aces High” e “Twilight Zone”, para ser mais exato.

Isle Of Avalon: Essa faixa representa o corte do álbum, onde os músicos mostram sua veia progressiva, e esta representa bem esse espírito. Épica, complexa e que remete a “Seventh Son…”, “Rime…” e “Alexander…”, porém com uma diferença: estas explodem no inicio e possuem seu interlúdio na metade da canção, enquanto “Isle Of Avalon” é ao contrário, começando com uma intro lenta de baixo e guitarra bem forte, e explodindo pelo meio, com solos espetaculares – o auge da música, quando a banda toca numa progressão mágica, estilo Rush – e então retorna ao tema de abertura. Musica bem ambiciosa, diferente, e, com certeza, o auge do álbum!

Starblind: Cadenciada, psicodélica, com um riff brutal que logo de cara varia e quebra o ritmo. Me lembrou “Infinite Dreams”, com o teclado harmônico ao fundo. Atmosfera total do “Seventh Son…”, com guitarras sintetizadas e uma grande produção. Talvez por isso, seja uma das melhores do álbum na minha opnião, pois acho o “Seventh Son…” o melhor disco do Maiden, principalmente pela sua conceitual história. Enfim, o fato é que “Starblind” é animal e quando eu ouço essa música parece que sou “defetado” pelo golpe “Outra Dimensão” do Saga!

The Talisman: Introdução folk – idem ao de “The Legacy”, só que superior – talvez um autoplágio do próprio Gers, mas que seja, pois ficou melhor. Ela deságua num impactante riff, que devastou meus sentidos, e um refrão poderoso de Bruce alcançando notas muito altas. Estilo Maiden anos 2000. Tem um clima de felicidade e aventura como “Out Of The Silent Planet” e poderia ser trilha-sonora de algum jogo do Zelda, fácil, fácil. Piadas à parte, ela é muito boa!

The Man Who Would Be King: Intro lenta novamente. Aqui farei uma colocação: posso ser paranóico, mas considero este o único ponto fraco do álbum, pois esta introdução é meio redundante. É totalmente desconexa, porque logo depois vem outra intro lenta com o Dave fazendo uma melodia suave e a bateria do Nicko em crescente. Então vem a base da canção com um riff bem heavy Metal – mais uma a la “Brave New World” – que lembra “The Thin Line Between Love and Hate”. Coincidência ou não, as duas músicas são do Murray. A bateria é diferente dos padrões, pois segue de forma competente a quebrada do ritmo, e o refrão é leve, mas bem marcante. Bruce fecha a canção com chave de ouro, fazendo belas melodias com a voz. Feeling puro!

When the Wild Wind Blows: A grande surpresa do álbum! Mais um épico que Steve assina sozinho, e uma música despretensiosa e pragmática – diferente dos seus demais épicos – mas altamente comovente. Intro melancólica, com Bruce cantando de forma contida, em contraste com a melodia da canção. O clima é suave e, em seu decorrer, as guitarras se amarram e a canção vai se metamorfoseando em ritmos distintos, mas sem perder a textura. Solos espetaculares; grande trabalho do trio! Em sequência, retorna o tema de abertura, e a canção desacelera com o vento soprando em nossos ouvidos. Final perfeito! Totalmente inovadora e diferente. Resultado grandioso!

Que viagem foi esta! O Maiden lançou uma relíquia que correspondeu às minhas expectativas – sim, sou otimista – e deixou os álbuns anteriores no chinelo. Arriscaria a dizer que é o melhor álbum desde o “Seventh Son…” – questão de gosto pessoal. Minhas faixas favoritas são: “Satellite 15…The Final Frontier”, “Mother of Mercy”, “Coming Home”, “Isle Of Avalon”, “Starblind” e “When the Wild Wind Blows”. É quase o álbum todo, mas fazer o quê? Os caras são monstros mesmo!





NOVO DISCO DO KISS EM MEADOS DO ANO QUE VEM SEGUNDO PAUL STANLEY

3 08 2010

Fonte: Rolling Stone

A revista “Rolling Stone” fez uma matéria sobre o show do Kiss em Pittsburgh, Estados Unidos, no dia 29 de julho,  que conta com depoimentos exclusivos de Paul Stanley. Segundo o Starchild, a banda planeja lançar um novo disco em meados de 2011.

Confira abaixo a matéria completa, em português!

Num show cuja capacidade de público foi quase esgotada em Pittsburgh, em 29 de julho, na sua recém iniciada “Hottest Show on Earth Tour”, o Kiss provou ser o rei do Rock teatral, entregando em duas horas de show um set de sucessos do Glam Rock, novas músicas, pirotecnia de primeira e muito sangue cuspido. “Nós temos um problema que muitas bandas não têm: há muitas canções que temos que tocar”, diz Paul Stanley à “Rolling Stone”, no backstage, antes do show. “Então é uma questão de se misturar, mas tocar o que as pessoas querem ouvir”. 

Com três enormes telões e brilhantes spots de luz, o Kiss abriu o show com a esmagadora dupla de “Modern Day Delilah” e “Cold Gin”, mas a banda alcança seu ritmo alucinante quando começam “Let Me Go Rock n’ Roll”, que mostrou um Kiss saturado em luz branca e deixou o público batendo palmas freneticamente ao longo da música. Dúzias de fãs hardcore estavam vestidos com o figurino da banda, enquanto centenas usavam a maquiagem, que é a marca registrada do grupo. Ao longo da apresentação, o guitarrista Tommy Thayer e o baterista Eric Singer substituem à altura os membros originais, Ace Frehley e Peter Criss, especialmente quando Thayer reprisa o número do solo de guitarra jorrando faíscas em “Shock Me”. Quando Criss deixou a banda em 2004, o Kiss parou de tocar o hit “Beth”, mas reviveram este clássico de 1976 – para constar, seu single de maior sucesso nas paradas – para a atual turnê. “A banda é maior que seus membros”, Stanley disse. “Pensar que algumas pessoas podem ser substituídas e outras não seria estúpido da minha parte. Gene e eu… Há pessoas por aí que poderiam fazer o que fazemos tão bem quanto nós, senão melhor. Eu não preciso estar lá para ser o Kiss”.

Ao mesmo que a banda entregou os hits aos fãs, como a que fecha o show, “Rock n’ Roll All Night”, ela também escavou seu catálogo por cortes mais profundos, como o single “Disco” de 1979, “I Was Made For Lovin’ You”, durante a qual Paul Stanley sobrevoa o público, suspenso por cabos. Outra surpresa: a canção “Crazy Nights”, um single da era sem maquiagem que soou dez vezes melhor do que quando foi transmitida pela MTV em 1987. O Show do Kiss também inclui canções do álbum de 2009, “Sonic Boom”, e mesmo estes pesados hinos poderiam ter sido sem problemas faixas de álbuns, como o clássico de 1976, “Rock n’ Roll Over”. “O ‘Sonic Boom’ foi algo que nos fortaleceu e nos uniu de verdade, no sentido de que agora estamos celebrando tudo que fizemos no passado, no presente e onde estamos indo no futuro”, fala Stanley. O “Sonic Boom” não é o último álbum. Ele é o primeiro da próxima fase”.  

Stanley contou que a banda planeja voltar ao estúdio em fevereiro e lançar um novo álbum no começo do próximo verão (no hemisfério norte), mas que enquanto isto, o Kiss está contente em exibir seus sucessos na “Hottest Show on Earth Tour”. “Nós não queremos entrar no lance de que temos que tocar canções obscuras”, diz Stanley. “Eu acredito piamente que uma canção é obscura por uma razão: se ela não é tão popular (quanto às outras) é porque ela não é tão boa”.

Set List
Modern Day Delilah
Cold Gin
Let Me Go, Rock ‘N Roll
Firehouse
Say Yeah
Deuce
Crazy Nights
Calling Dr. Love
Shock Me
I’m an Animal
100,000 Years
I Love It Loud
Love Gun
Black Diamond
Detroit Rock City

Bis:
Beth
Lick It Up
Shout It Out Loud
I Was Made for Lovin’ You
God Gave Rock ‘N’ Roll To You II
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MUSIC RADAR PUBLICA O MAIS EXTENSO REVIEW DO “THE FINAL FRONTIER” ATÉ AGORA

22 07 2010

Fonte: Music Radar

O repórter Joe Bosso, do Music Radar, publicou a mais extensa e detalhada resenha sobre o novo disco do Iron Maiden, “The Final Frontier”.

Confira abaixo as impressões do repórter, com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER!

No 15º disco de estúdio do Iron Maiden, “The Final Frontier”, a veterana banda de Heavy Metal, com 35 anos de carreira, aparece com algo extraordinário, que poderia ser muito bem revolucionário (feito extraordinário dada a idade da banda): eles se reinventam – quer eles saibam ou não, quer eles tenham planejado ou não – e durante o processo, desafiam a noção do que o Heavy Metal, ou ao menos sua contribuição para o gênero, pode ser. 

Em 2010 é um feito arrebatador. Quem esperava que o Iron Maiden, pioneiros da “NWOBHM” entre o fim dos anos 70 e começo dos 80, mudaria a arte novamente? Resposta: Não muitas pessoas exceto, talvez, seus fãs, e até eles podem ser surpreendidos pelo apogeu do grupo aqui.

Mais agressivo que o “A Matter of Life and Death”, de 2006, mas tão experimental quanto, o disco produzido por Kevin Shirley – gravado no “Compass Point”, nas Bahamas – onde trabalhos seminais, como “Piece of Mind” e “Powerslave”, foram gravados – tem sido descrito como “exigente”. Isto é um engano em certo grau, já que a música, assim como o cinema, funciona melhor quando as regras são quebradas e quando práticas aceitas são abandonadas. O Iron Maiden adicionou uma nova bifurcação na já bem caminhada estrada do Heavy Metal, e eles podem ter alterado o curso do gênero para melhor. Talvez os fãs realmente não estivessem esperando por isto, mas é que terão.

Pensem bem: Quantas vezes você assistiu a um filme ou ouviu um disco no qual você sabia exatamente o que iria acontecer de um momento para outro? Muitas vezes, e você se sentiu enganado e irá acontecer?” – e ainda assim ser positivamente arrebatado? Quase nunca. Mas nas raras ocasiões em que is acontece, você sairá fascinado, perplexo, excitado. A arte que provoca reações com estas, mais do que geralmente, passa no teste do tempo.

Em sua quarta década, o Iron Maiden criou um trabalho cheio de excitação hipnótica, estruturas não convencionais (são mudanças de forma de música em música e às vezes durante o curso de uma única canção) e visão vertiginosa. Então, se “exigente” significa que você pode não entendê-lo (e talvez este seja o ponto aqui), mas que certamente irá senti-lo, o grupo obteve um sucesso além de seus sonhos mais selvagens. 

O disco será lançado em 16 de agosto.

01. Satellite 15… The Final Frontier
Sem dúvida, uma abertura a la Jackson Pollack (Nota do tradutor: pintor norte americano do início do século XX, referência no movimento do expressionismo abstrato). A tribal e sinistra batida de Nicko McBrain sustenta ondas de desorientadas guitarras distorcidas, algumas agudas, outras rosnando e ronronando. Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers estão azeitando o motor… Envolvido já? 

Um primeiro verso surreal – que abrange uma guitarra cheia de eco e vocais fantasmagóricos – guia a um fuzilamento de golpes rítmicos. Então, de repente – você irá checar se não pulou para a próxima faixa por engano – a canção muda para um poderoso Rock, ornamentado por dois incandescentes solos de guitarra.

Estranho? Absolutamente petrificante? Positivo. É quase como se o Maiden tivesse duas canções que decidiram juntar. 

02. El Dorado
Após uma introdução com uma batida da banda toda, é o famoso baixo galopante de Steve Harris que informa ao ouvinte que isto é o Maiden de fato.

O grupo entra num animado e direto verso, contudo vigorosas e dissonantes linhas de guitarra entrelaçam-se. Não é antes do memorável refrão que a voz de Bruce Dickinson eleva-se até o seu tom, um tenor que te pega de jeito e que é sua marca registrada.

Um flamejante solo de guitarra de Dave Murray, cheio suaves “ligados” e “bends” que parecem querer arrancar as cordas, é um dos melhores momentos.

03. Mother of Mercy
Uma alegre introdução acústica, quase “o barroco encontra o progressivo” – pense na “Still… You Turn Me On”, do Emerson, Lake & Palmer, terá uma idéia de como é – acalma o ouvinte numa falsa sensação do que está por vir. 

Dickinson canta com paixão e expressão sobre as atrocidades da guerra no primeiro verso, que ele deixa romper quando a banda derruba a muralha no segundo verso. Sombria e agourenta, a canção marcha adiante. Todavia, há uma grandeza no som que te suga. O ritmo é como uma onda gigante que te pega e te leva embora, e quanto mais longe você vai, mais estranho – e mais excitante – as coisas ficam.

Há dois solos de guitarra, mas é o primeiro (Dave Murray?) que evoca a alma “bluesy” de David Gilmour (Pink Floyd), que realmente impressiona.

Depois que Dickinson berra “Mother of mercy/Angel of death/Taking away my last breath,”, Nicko McBrain arranca e segue num padrão de bumbo duplo que despacha a canção com considerável verve.

04. Coming Home
As palavras “Iron Maiden” e “balada” envia arrepios de ceticismo à espinha, mas nesta inventiva composição o grupo entrega o que poderia ser um genuíno hino dos estádios.

Um arpejo de guitarra gentilmente nos desliza para um dramático verso temperado com “power chords”, e refrão. As letras de Dickinson sobre descer do céu e voltar para casa são pungentes e honestamente desprovidas de sentimento piegas.

Uma sinuosa batida de riffs progressivos é seguida por um encorpado e lânguido solo de guitarra, que abre caminho para um segundo solo que é está além do frenético.

Em 1980 ninguém poderia prever que os reis do NWOBHM iriam sair com uma balada com tanto comprometimento e serenidade, mas esta pérola prova o crescimento, 30 anos depois, é possível, sim.

05. The Alchemist
Você quer uma “old school”? Desde os primeiros segundos, com o que só poderia ser um dueto de harmonias de guitarra entre Adrian Smith e Dave Murray, isto é o velho Maiden, baby.

No geral, parece ser mais ancorada pelas guitarras rítmicas, e quando Nicko McBrain faz uma clássica virada, você se impressiona em perceber que ele se conteve em fazer isto durante todo o álbum… até agora. 

Marcando 4:29, esta é a canção mais curta em “The Final Frontier”, mas é um delicioso e divertido passeio – como olhar um anuário escolar enquanto está no precipício do futuro. Oh, e há um inspirada base de riffs de guitarra dobrada que precede o refrão final – som e estilo que acenam e sorriem para dias que já se foram.

06. Isle of Avalon
Daqui em diante as canções ficam mais longas, mais viajantes e cheias de surpresas. A respeito disto, “Isle of Avalon” é abundante.

Um padrão de “hi-hat” range sob um baixo assustador e riffs de guitarra cheios de efeito, enquanto Dickinson sussurra o primeiro verso. Após um extenso e inquietante interlúdio, a banda decola em selvagens ziguezagues de passagens progressivas – é quase como um Maiden espontâneo, um Maiden “Jazz/Fusion”. Todos foram de cabeça nesta, e a telepatia musical que existe entre os integrantes, em mudanças de tempos não convencionais, é impressionante.

Um ardente solo de guitarra, que é quase reminiscente, em tom e ataque, da extensa sessão de solos de “Hangar 18” do Megadeth, mas há faíscas de inventividade e vitalidade aqui, que definitivamente o distingue como único.

Um falso refrão final é quebrado por explosões de linhas de guitarra, e só para ficar tudo em casa, McBrain bate com força em seus “tons”. Impressionante.

07. Starblind
É difícil de acreditar, mas as coisas ficam ainda mais estranhas na sétima faixa, que mostra um lado quase psicodélico da banda, que vinha, até agora, resistindo a tais influências.

Outra passagem aconchegante abre a música, mas é rápido – num segundo somos esmagados num vulcão de benevolência metálica. Mas espere, porque este passeio no inferno rapidamente muda de tempo e melodia e, como numa montanha russa, não lhe dá nem um minuto para pensar sobre por onde você acabou de passar.

As guitarras são construídas em intensidade todo o tempo; o som é brutal e cortante. Após um maravilhoso e bluesy solo, a banda para abruptamente e um novo e único riff emerge. Isto nos leva numa suruba de matança instrumental que é destruidora, para dizer o mínimo.

08. The Talisman
Enquanto você procura a definição de “talismã” (bom, para te poupar tempo: segundo o “Merriam-Webster”, é “um objeto usado para afastar o mal e trazer boa sorte” – bom tema para uma canção), apenas saiba que o Maiden apareceu com mais uma “bangueável” de proporções monstruosas.

Uma introdução com influências folk, sobre a qual Dickinson está no modo “Dickinsiniano” de contar estórias (ela mais declama o primeiro verso do que canta), é logo esmagada pela força pulverizadora da banda. Daqui para frente, Dickinson esfrangalha suas cordas vocais.

Sobre o arranjo, esta é um pastiche de “será que próxima parte pode superar esta?”, em alguns pontos não muito diferente do Rush. Um estranho solo de guitarra (Smith?) de quebrar a casa quase parece como um dos auges instrumentais, mas um segundo solo (Murray?) é banhado em blues melódico. De alguma forma, a combinação funciona maravilhosamente.   

9:03, há uma riqueza de idéias misturadas na canção – e que se fosse qualquer outra banda, alguém diria que é muita informação – mas que o Maiden tira de letra. Fascinante.

09. The Man Who Would Be King
Uma cativante e ainda assim misteriosa guitarra acústica e elétrica, que lembra “One” do Metallica, abre o que se torna uma aniquiladora máquina de riffs, que apresenta um refrão grandioso.

Mais ao fundo durante a maior parte do álbum, as linhas do baixo de Steve Harris comandam a estrutura da canção. Mas aguarde! O que está acontecendo? De repente há uma inesperada (ou já poderíamos ter previsto nesta altura?) mudança no tempo no padrão de acordes, e somos imersos numa parte que lembra – não se assuste – “No line on The Horizon” do U2.

Emaranhados linhas de guitarra se amarram, e a banda detona com uma esmagadora subida, mas não antes de um solo de guitarra que logo será um clássico do Maiden.

10. When The Wild Wind Blows
Sem dúvidas, você já ouviu falar desta composição de quase 11 minutos, escrita somente por Steve Harris, e baseada na estória em quadrinhos de Raymond Brigg, de 1982, sobre um ataque nuclear na Inglaterra, mas nada pode lhe preparar para a aventura musical que o Maiden cozinhou.

A atmosfera é, no começo, cruel e malévola, com um preciso tempo marcial tocado em unissom. Liricamente estamos num território desagradável, mas é por ser próprio da natureza da canção. 

De repente, a banda segue por uma passagem não distinta, em espírito e estrutura, da “The End” dos Beatles: cada guitarrista tem uma chance de fazer um solo, com novos tons, idéias, e melodias pipocando a cada segundo. Para o bem dos amantes das seis cordas (ou 18 cordas, como é o caso aqui), este é um banquete suntuoso.

O tempo marcial retorna e a banda, mais uma vez, segue numa multiplicidade de solos. É uma feitiçaria técnica de cair o queixo, mas cheia de paixão e raça.

Após um verso final, a visão termina… e uma rajada de vento nos traz à claridade. Que agito foi isto!