OZZY DIZ QUE SÓ SE APOSENTA QUANDO ESTIVER NO CAIXÃO

28 03 2011

Enviado por: Bernardo Marcondes
Fonte: Terra Música

O cantor Ozzy Osbourne, que fará uma turnê de shows pelo Brasil a partir do dia 30 de março, afirmou, em entrevista ao “Fantástico”, que só vai parar de cantar quando morrer. “Vou me aposentar quando estiverem pregando a tampa do meu caixão. Vou cantar até morrer”, disse.

Vocalista e um dos fundadores do Black Sabbath, Ozzy comentou que tem conversado com o guitarrista da antiga banda, Tony Iommi, mas se nega a afirmar um possível retorno. “Não sei, não quero especular. Mas se eles quiserem, eu vou”, afirmou.

Sobre o reality show “The Osbournes”, que se passava dentro da sua casa e o tornou conhecido até para quem não gosta de Heavy Metal, Osbourne contou que não se arrepende, mas que não faria de novo.

O cantor, que gravou uma propaganda com o ídolo adolescente Justin Bieber, tirou um sarro do garoto. “Ele foi legal. Futuro candidato a um desses programas de TV de celebridades tentando largar as drogas”, brincou.

Apesar de admitir cansaço, Ozzy disse, em fevereiro, época em que a entrevista foi gravada, que estava tirando uma folga para chegar na América do Sul com as “baterias recarregadas”.

Confira abaixo o vídeo da entrevista:





“SE VOCÊ TEM UM SONHO, CONTINUE ACREDITANDO NELE”, ENSINA OZZY OSBOURNE

11 02 2011

Fonte: The Macomb Daily

O site “The Macomb Daily” produziu uma matéria sobre Ozzy Osbourne e contou com depoimentos exclusivos do mad man. Ozzy falou de seu recente álbum, “Scream”, do reality show “The Osbournes”, de sua vida, dentre outros assuntos.

Confira a matéria na íntegra, em português, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER!

Após quase 45 anos fazendo música, criando caos e andando no tipo de trem louco do Rock n’ Roll que poucos conseguem, Ozzy Osbourne é o primeiro a reconhecer que sua simples existências “é um milagre”.

“Com tudo que já fiz e já passei, sou apenas um cara muito sortudo de não estar a sete palmos do chão, empurrando margaridas, sabe?”, diz Osbourne, que vendeu mais de 100 milhões de álbuns ao redor do mundo sozinho e como parte do Black Sabbath, com quem foi introduzido ao Rock n’ Roll Hall of Fame em 2006.

“E sou como um rato de laboratório que sobreviveu”.

Mais do que sobreviver, entretanto, Osbourne está prosperando e em mais evidência do que nunca nos dias de hoje.

No ano passado ele publicou sozinho uma franca, engraçada e premiada autobiografia, “I Am Ozzy”, que estreou em segundo lugar na lista de best sellers do “The New York Times” e que, Segundo rumores, está prestes a ir para as telonas, tendo na produção sua esposa e empresária Sharon Osbourne. Ele também lançou seu décimo álbum solo, “Scream” – fazendo com que uma multidão no “Dodger Stadium” em Los Angeles entrasse no livro dos recordes “Guinness World” pelo grito mais longo em 11 de junho de 2010, além de ser nomeado para receber o Grammy de “Melhor Performance de Hard Rock” com o single “I Want To Hear You Scream”.

Além disso, Osbourne participou como convidado nos álbuns do guitarrista Slash e do rapper Eminem. Ele recentemente apareceu com a sensação teen, Justin Bieber, numa propaganda da “Best Buy” veiculada no “Super Bowl” e emprestou sua voz para um personagem da nova animação “Gnomeu & Juliet”. Entretanto, dado o seu passado sórdido de abuso de substâncias, o auto-proclamado “Príncipe das Trevas” surpreendeu ao escrever uma coluna semanal sobre saúde, chamada “Ask Dr. Ozzy”, no jornal britânico “Sunday Times”, que ocasionalmente é pego pela revista “Rolling Stone” e pode ser compilado para seu próximo livro. 

“Não é sério” fala Osbourne, que sofre da Síndrome de Parkin, uma desordem similar à Doença de Parkinson. “Quer dizer, eu sou a última pessoa a pedir por Socorro. Não sou medico. Eu não sei do que estou falando na maioria das vezes”.

“Mas muito do que eu falo é apenas senso comum. Eu sei que quando você está no buraco, você quer que alguém lhe ajude, e é muito difícil para muitas pessoas pedir ajuda. Então se eles sentem que podem me perguntar, e que eu possa dar alguma informação importante, talvez eu possa ajudar, sabe”?

O que você provavelmente não irá ver Ozzy fazendo num futuro próximo, diz ele, é trabalhar na TV. Apesar de seu incalculável sucesso musical, a grande fama de Ozzy veio do “The Osbournes”, um reality show da MTV que ficou no ar de 2002 a 2005, mostrando o caos da família – seja real ou ensaiado – e a preferência dos Osbournes pela profanação e comportamento alegremente errático, e que fez com que ele e Sharon ganhassem um lugar na lista do “Sunday Times” dos casais mais ricos.

Osbourne já disse que passou quase todo o programa chapado, e após a subseqüente tentativa da família num show de variedades em 2009, “Osbournes: Reloaded”, ele pôs a televisão no retrovisor.

“Eu nunca digo nunca”, explica o pai de seis filhos e duas vezes casado, “mas tenho que ser honesto: eu não sou muito interessado por TV. Aquele lance do ‘Reloaded’, eu não queria fazer. Quando eles acabaram com o programa, graças a Deus, eu fiquei muito feliz”.

“Eu não sou um cara da televisão, sabe? Meu grande lance é música e Rock n’ Roll. Eu sempre me surpreendi pelo fato do “The Osbournes” ter explodido. E para ser honesto com você, ainda não entendo como aquilo aconteceu daquela forma. E as pessoas não tinham a menor idéia que eu estive envolvido com o Rock n’ Roll por toda a minha vida. Elas me paravam nas ruas e perguntavam, ‘o que você está fazendo agora?’, e eu respondia, ‘estou fazendo meu Rock n’ Roll’. E elas falavam, ‘Oh, você também faz isso’”?

“Me impressionou o fato das pessoas só me conhecerem do programa de TV. Eu realmente não não gosto disso”.

“Scream” certamente colocou Ozzy de volta no mapa do Rock n’ Roll. Produzido junto com Kevin Churko e gravado com uma nova banda que inclui o guitarrista Gus G, do Firewind, tomando o lugar do colaborador de longa data Zakk Wylde, o disco mostra Ozzy propositadamente declarando, “eu sou um Rock star” e batendo forte em hinos, como “Let Me Hear You Scream”, “Soul Sucker”, “Fearless” e “Lei It Die”. Ele está feliz com os resultados, mas diz que eles não foram necessariamente planejados.

“Sabe, por toda a minha carreira as coisas mais memoráveis que fiz vieram do nada”, ele explica. “No álbum ‘Scream’ eu não falei, ‘quero que ele soe desta forma, quero que ele soe daquela forma’. Eu posso escutar o Sabbath nele, poso escutar meu lance solo, posso escutar coisas contemporâneas”.

“Ser Ozzy Osbourne já limita bastante o que você pode explorar. Se você tentar ser hábil demais, as pessoas dirão, ‘oh, soa progressivo demais’. Quer dizer, eu não conseguiria ser progressivo se tentasse, mas pessoas como Ozzy têm que soar de uma certa forma, então é isto que damos às pessoas”.

Osbourne planeja continuar gritando pelo verão (Nota do Tradutor: verão do hemisfério norte), com uma turnê norte-americana, seguida por uma apresentação num festival europeu e, provavelmente, um evento do “Ozzfest” nos Estados Unidos. E há mais planos: ele está cooperando com seu filho, Jack, num documentário intitulado “Wreckage of My Past” (N.T.: Foi divulgado ontem que o título foi trocado para “God Bless Ozzy Osbourne”), enquanto outra reunião do Black Sabbath é possível, já que as diferenças legais com o guitarrista Tony Iommi foram sanadas.

“Você não poderia inventar minha história”, fala Osbourne. “Eu vim de uma família muito pobre da classe trabalhadora, e me lembro de ficar sentado à minha porta, pensando, ‘não seria ótima se Paul McCartney casasse com minha irmã?’, e todos estes sonhos bobos que os garotos têm. Eu pensava, ‘deve ser muito legal ser um Beatle’, o que provavelmente é o que todo mundo pensa sobre os Rock n’ Rollers, até hoje”.

“E aqui estou eu. Aconteceu. Então quando as pessoas dizem, ‘quais conselhos você pode me dar?’, eu as digo a maioria dos meus sonhos se realizou, então se você tem sonhos, continue acreditando neles, e às vezes – não sempre, mas às vezes – eles se realizam. Eu garanto”.





ASSISTA NOVO VIDEOCLIPE DE OZZY OSBOURNE

26 01 2011

Enviado por: Bernardo Marcondes
Fonte: Território da Música

Os fãs do velho madman Ozzy Osbourne já podem assistir o novo videoclipe lançado pelo vocalista. O vídeo é da música “Let it Die”, uma das faixas que compõem o mais recente disco de estúdio do cantor, “Scream”.

O vídeo foi disponibilizado na internet há alguns dias e começa com cenas de Ozzy e sua nova banda tocando “Let it Die” em estúdio. Na sequência há cenas da banda ao vivo, nos shows da atual turnê mundial que passará pelo Brasil entre março e abril.

A nova série de apresentações de Ozzy Osbourne pelo país começa no dia 30 de março com um show em Porto Alegre e segue para São Paulo (02/04), Brasília (05/04), Rio de Janeiro (07/04) e Belo Horizonte (09/04).

Confira abaixo o novo videoclipe:





IRON MAIDEN, SLAYER, MEGADETH E OZZY ESTÃO ENTRE OS INDICADOS AO GRAMMY

2 12 2010

Fonte: Babbermouth

Iron Maiden, Slayer, Megadeth e Ozzy Osbourne são algumas das bandas indicadas ao 53º Grammy Awards, que será realizado em 13 de fevereiro de 2011, no “Staples Center”, Los Angeles. Os outros artistas que representarão o som pesado no evento são Alice in Chains, Soundgarden, Stone Temple Pilots, Them Crooked Vultures, Korn e Lamb of God.

Confira abaixo os indicados nas categorias “Hard Rock” e “Metal”:

Melhor performance de Hard Rock:
Alice in Chains – “A Looking In View” (do álbum “Black Gives Way to Blue”)
Ozzy Osbourne – “Let Me Hear You Scream” (do álbum “Scream”)
Soundgarden – “Black Rain” (do álbum “Telephantasm”)
Stone Temple Pilots – “Between The Lines” (do álbum “Stone Temple Pilots”)
Them Crooked Vultures – “New Fang” (do álbum “Them Crooked Vultures”)

Melhor performance de Metal:
Iron Maiden – “El Dorado” (do álbum “The Final Frontier”)
Korn – “Let The Guilt Go” (do álbum “Korn III: Remember Who You Are”)
Lamb of God – “In Your Words” (do álbum “Wrath”)
Megadeth – “Sudden Death” (do “Guitar Hero: Warriors Of Rock”)
Slayer – “World Painted Blood” (do álbum “World Painted Blood”)

Podem participar do Grammy 2011, materiais lançados entre 01 de setembro de 2009 e 30 de setembro de 2010.





BILL WARD: “ADORARIA SAIR EM TURNÊ E FAZER UM NOVO DISCO COM O SABBATH”.

20 08 2010

Fonte: Goldmine

O repórter Pat Prince, do website “Goldmine”, fez uma longa entrevista com o lendário baterista do Black Sabbath, Bill Ward. Bill falou sobre o novo DVD da série “Classic Albums”, que foca a produção do “Paranoid”, a vida banda no início dos anos 70, problemas com autoridades, dentre outros assuntos.

Confira a entrevista completa em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

O Black Sabbath teve várias formações, e oito bateristas diferentes ao longo de sues 41 anos. A maioria dos fãs, contudo, pensa em Bill Ward como o baterista que representa a banda, e no “Paranoid” com o álbum que define perfeitamente o Sabbath.

Para comemorar o 40º anivesário do “Paranoid”, a “Eagle Rock Entertainment” lançou um DVD da série “Classic Albums”, que foca no famoso disco de 1970 que originalmente iria se chamar “War Pigs”. É uma olhada para dentro de uma banda que na época estava lutando para permanecer viva, e que ainda assim criou algumas das mais dinâmicas, sombrias e provocativas canções já gravadas.

Bill Ward lembra do “Paranoid” como o álbum que mudou tudo para o Sabbath. O disco deu a banda músicas famosas, como “Iron Man”, e ainda lhes concedeu alguns de seus momentos a La Beatles, com fãs berrando (a maioria adolescentes da Inglaterra) e seguindo desprevenidos músicos pela rua.

Ao longo dos anos, Bill War se tornou um genuíno porta voz da banda, além de um cara que mantém sua batida natural. Aos 62 anos, ele ainda está a fim e pronto para evocar a energia para uma turnê completa do Sabbath, a qualquer momento, quase com o mesmo entusiasmo que tinha durante as sessões do “Paranoid”.

Recentemente a “Goldmine” teve a chance de conversar com o lendário baterista, que está ocupado trabalhando em seu mais novo disco solo – um trabalho de amor que está em seus estágios finais, mas sem data de lançamento ainda.

O que você achou do lançamento do documentário em DVD do “Paranoid”?
Estou bem quanto a isto agora. Quando o vi pela primeira vez, tive algumas reclamações quanto ao andamento e a produção em geral. Disse minha opinião ao produtor, obtive uma resposta e tudo ficou bem. As coisas se resolveram.

Minha maior preocupação foi que havia uma longa parte só com Tony (Iommi) e Geezer (Butler), sem que outro artista falasse. Foi apontado para mim que era assim que o programa era, e eu disse: “Eu sei disto, eu sou um grande fã do programa. Já assisti todas as bandas que apareceram na série, mas ainda acho que é um tempo muito longo”. De qualquer forma, eu pude entender e ficar tranqüilo quanto a isto, mas foi o único atrito que eu tive com o DVD.

Mas eu gosto dele, porque é um pouco diferente. Eu nunca vi o Black Sabbath receber um olhar diferente por um ângulo diferente. Eu acho que neste sentido o DVD traz uma boa novidade.

O que você acha do “Paranoid” ganhar este tipo de re-exame?
Eu gosto de que ele esteja sendo revisto novamente e que tenha tanto crédito. Eu acho que ele merece este crédito, pelo fato de que apenas o tocamos do jeito que éramos. Não tivemos um processo para pensar no álbum. Não houve nenhum planejamento. Foi apenas o resultado de quatro caras tocando juntos, sendo uma unidade, uma banda, uma banda de verdade.

Você percebeu que o álbum era especial enquanto estava o criando?
Eu sentia alguma coisa na época, mas sabia que estávamos em algo diferente. Quero dizer, todos nós pensamos isto. Todos nós sabíamos que estávamos criando algo diferente e que gostávamos muito. Mas sabíamos que era diferente. E sabíamos que era frágil também, no sentido de que ele poderia não durar nem cinco minutos, pois haviam vários oponentes, por falta de palavra melhor; lugares a levá-lo que poderiam não lhe dar nenhuma chance.

O baterista em 1970, gravando "Paranoid".

Como em muitos álbuns do Black Sabbath, havia muito conteúdo nele. Neste sentido, foi muito ruim ele não ter se chamado “War Pigs”, como era a intenção, já que este título seria uma declaração mais forte?
Bem, nós queríamos chamá-lo assim, mas ninguém pareceu entender. Eu não os culpo, sabe? O Vietnã, um monte de gente sendo morta por lá todos os dias, então eu entendo eles não terem usado o nome, por este lado.

Mas era uma declaração anti-guerra bastante efetiva.
Eu acho que fizemos uma grande declaração e colocamos muita força nela. Quando a tocamos atualmente – bem, na última vez em que excursionamos – “War Pigs” ainda era um grande hit para todos. Então ela permanece. Infelizmente ela ainda permanece atual, com o Iraque e todos os outros lugares onde há tantos problemas e mortes. Este é o lado ruim da coisa, mas fizemos um bom álbum e uma boa declaração.

O fato das músicas ainda serem relevantes hoje é uma grande prova do poder das composições daquele álbum. Muitas bandas não têm este poder.
Quando tocamos estas canções na época, como disse antes, não sabíamos se elas durariam ou não. Era realmente bem frágil em vários sentidos. Mas então o Sabbath se tornou atemporal – acho que isto acontece e algumas bandas se tornam quase veneradas. A vida do Sabbath passou a depender de pessoas que foram influenciadas pela música da banda, como um avô falando para o neto: “Hei, dê uma olhada nessa banda”. Isto é incrível. Nós começamos a perceber que haviam caras de 50, 60 anos nos shows, e garotos de 10 anos. É ótimo isto! Muito bom ver isso. Estou muito contente de que influenciamos outros músicos também. Para mim, estas são as coisas que parecem um presente silencioso enquanto você envelhece. Espero ter recebido isto com um pouquinho de humildade e sem fazer muito estardalhaço.

Você poderia explicar melhor o seu uso da palavra “frágil”?
Na época em que estávamos gravando o “Paranoid” – e quando fizemos nosso primeiro álbum – nós éramos uma banda de verdade e muito unidos. Tinha a banda, os roadies e os caras que nos levavam aos lugares e tomavam conta de nós. Eram provavelmente 10 pessoas, juntas, e em vários sentidos havia muita intimidade. Nós tomávamos conta uns dos outros e cuidávamos uns dos outros. Éramos uma unidade. Eu geralmente me refiro a isto como os “quatro mosqueteiros”. A sensação era esta, porque havia muita coisa vindo de fora, entre a imprensa, TV, e todo um novo público que estávamos alcançando; todos os novos países para onde estávamos viajando. Ainda ahavia muita novidade em tudo e, eu acho, uma sensação de desconfiança também. Nós viemos de uma região muito dura difícil de Birminghan, então aprendemos a crescer com um olho sempre aberto, pode-se dizer. Não éramos estúpidos; neste sentido tínhamos aquela esperteza das ruas.

Com isto em mente, enquanto passávamos por gravadoras, advogados, ou coisas do tipo, sempre éramos bem discretos. Nós nos reuníamos e conversarmos sobre tudo. Nós havíamos acabado de voltar de uma turnê de dois anos, na qual dividíamos a comida. Nós não tínhamos nem um trocado, então quando estávamos tocando no “Star-Club”, “Reeperbahn” e fazendo aqueles shows na Dinamarca e Suécia, por volta de 1970, nós tivemos que aprender a sobreviver, porque estávamos basicamente tocando por comida e coisas do tipo. Então aquilo criou uma grande união. Aquilo foi com a gente por entre o novo mundo e as novas mudanças que estávamos passando – ou estávamos prestes a passar. Foi isto que eu quis dizer com “frágil”.

Quais foram as histórias por trás do “Paranoid”?
Primeiramente, para nós foi divertido, porque fizemos muitas turnês em cima do “Paranoid”. Eu lembro das primeiras reações, e então por um minuto nós estivemos na cultura pop. Nós ficamos famosos, especialmente quando a canção “Paranoid” alcançou o 2º posto na Inglaterra e o álbum ficou em 1º, e de repente estávamos nesta coisa do pop na qual tínhamos todos estes fãs berrando e todas coisas do tipo acontecendo. Aquilo, após um tempo, não permaneceu da mesma forma; meio que desapareceu, o que foi bom. Ainda tínhamos muitos fãs. Por toda a nossa vida sempre tivemos muitos fãs que sempre foram entusiasmados, para dizer o mínimo. Mas por um momento nós aproveitamos esta coisa de estarmos dirigindo nossos carros e sermos cercados, ou então tínhamos que dar um jeito de entrar sem que ninguém nos visse no teatro onde iríamos tocar. Aconteceu todo este tipo de coisa; meio que como “A Hard Day’s Night”, sabe? Apenas por um momento aquilo foi divertido, mas não acho que teria gostado de ter aquilo pelo resto da minha vida. Aquilo seguiu seu próprio caminho.

Mas as turnês eram demais, com todos nós trabalhando muito duro. Nós tocávamos todos os dias; fazíamos um show cedo e um mais tarde. Isto me espanta. Quando me lembro disto… Quando o Sabbath toca, nós colocamos 150% de nós. Colocamos tudo que temos. Me espanta o fato de que fazíamos este grande show e então o fazíamos novamente algumas horas depois. Eu ainda olho para isto com algum espanto, na verdade. Tenho muito orgulho disto, de que éramos capazes de fazer isto e fazê-lo funcionar. Então houveram muitas coisas que apareceram na turnê, enquanto fazíamos novos amigos rapidamente.

Você não acha que algumas pessoas foram ver a banda naquela época só porque estavam curiosos?
Eu acho que atraíamos muitas pessoas que tinham sérios problemas com nós, na verdade. Nós atingimos o tôo das paradas e o topo das paradas das pessoas também. Mas quando eles perceberam que faríamos qualquer coisa que quiséssemos, musicalmente – especialmente com o terceiro álbum – uma parte deste estrelato caiu um pouco. Nós sempre tocamos para nós mesmos, e tentamos ser honestos com nós mesmo sobre onde estávamos, e acho que é por isso que nós tivemos fãs que ficaram com a gente ao longo dos anos.

Havia um número – bem grande até – de pessoas que realmente não gostava da nossa banda. De vez em quando as coisas ficavam bem perigosas. Quando estávamos fazendo as primeiras turnês nos Estados Unidos, promovendo o “Paranoid”, frequentemente tinham grupos cristãos, ou pessoas que amam Jesus mais do que qualquer coisa na Terra… Eles eram bem extremistas e alguns deles eram bem perigosos; foi muito assustador, para ser honesto.

Se ao menos eles escutassem às letras das canções, talvez encontrassem coisas que não esperavam.
Sim, se eles pudessem ler as porras das letras, talvez tivessem aprendido alguma coisa; sei lá. Ou curtido. Ou poderiam abaixar os cartazes; todos carregavam um grande cartaz, assim como fazem hoje. Alguns dos grupos cristãos mais extremistas levantavam qualquer coisa que pudessem agarrar.

Bem, sempre haverá extremistas por aí.
Sim, foi bem extremo. E nós éramos extremistas também (risos); combinação perfeita. Mas nós tínhamos que ter seguranças. Tínhamos seguranças frequentemente. Nas nossas primeiras turnês, fomos ao “cinturão bíblico” (N.R.: Região no sul dos Estados Unidos onde a prática fervorosa da religião protestante evangélica faz parte da cultura local), e quando viajávamos pelo norte da Flórida, pelo Mississipi, certas partes da Virginia, Tennessee, Lousiana, Texas e Cirpus Christi, haviam muitas pessoas – incluindo os policiais locais – que nos recebiam bem friamente. Haviam muitos problemas com as pessoas e com os prefeitos das cidades.

Você não acha que a imagem sombria e os rumores de que a banda era satânica foi exagerada e, ainda por cima, massificada pela mídia?
Eu acho que foi algo que tentamos esclarecer continuamente através das entrevistas, mas era quase como, “mas isto vende discos” ou “isto vende jornais, então vamos continuar com isto”. Nós dizíamos constantemente, diariamente, “não, não somos nada disto. Não, isto não é o que representamos”; foram muitas declarações deste tipo. Nós estávamos tentando mostrar para eles quem éramos de verdade. Nós fomos pegos tão fortemente por esta coisa, que ela adquiriu uma identidade própria e foi jogada pelo mundo com uma bola de praia. Algumas pessoas, incluindo a TV e a mídia em geral, gostavam de destacar isto e dizer quão terrível era. Foi bastante controverso por um longo tempo. Foi algo que dissemos, “não podemos fazer nada a respeito disto. Nós éramos impotentes sobre esta dimensão que apareceu e grudou na gente”, então apenas seguimos em frente, fazendo o que fazemos de melhor, até hoje quando você e eu ainda estamos falando a respeito disto. E estou feliz que você tenha me dado a oportunidade de ter falado um pouco sobre isto, pelo menos.

A partir da esquerda: Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne.

Nos dias de hoje aquilo não seria considerado tão controverso. Como os tempos mudaram…
Não seria mesmo, e fico satisfeito por ter feito parte de um número de bandas que foi ao sul (dos Estados Unidos), que foi na Austrália, no Canadá e em outros países, onde primeiramente éramos barrados de tocar pelas autoridades. Agora as portas se abriram.

Canadá?!
Sim! O Canadá do início dos anos 70… Cara, entrar no Canadá era uma provação. Mas me sinto bem em ter sido parte de um pequeno grupo de caras que permaneceram verdadeiros com eles próprios. Mas isto criou muitos problemas no começo dos anos 70, quando a polícia ficava definitivamente desconfortável com nós por perto e não sabia como lidar com a gente. Nos anos 70, havia diferença entre um policial da Louisiana e um policial de Nova Iorque. Nunca tivemos problemas com os policiais de Nova Iorque, que eu saiba. Nós conhecemos muitos nos shows que fazíamos. Para eles, era um show, sabe? Eles entenderam a coisa. Não haviam grandes brigas ou situações nas quais podíamos ser feridos os mortos facilmente. Era uma vibração diferente. Neste sentido, fico feliz por ter sido um dos que foram nas profundezas do sul (dos Estados Unidos), e agora o sul é… Cara, está totalmente diferente.

Parece que haviam muitos boatos que ajudavam a alimentar aquela fama. Por exemplo, me lembro de ouvir falar de que ao entrar no local onde o Black Sabbath iria tocar, o público tinha que assinar uma bíblia satânica. Então começavam a aparecer este tipo de boatos sobre coisas estranhas que aconteciam nos shows de vocês.
A coisa se tornou um fenômeno com vida própria, e ainda há uma sombra disto nas nossas vidas, porque eu sei que todos nós individualmente – não só como Sabbath – ainda gostamos de fazer uma música ainda mais sombria. Até hoje sou tão atraído por música sombria quanto era em 1969, quando garoto. Ainda é a mesma coisa.

As letras de Geezer Butler sempre foram bem profundas e conscientes.
Absolutamente. Eu o chamo de “o poeta irlandês”. Os pais dele são da Irlanda. Ele vive na Inglaterra, mas basicamente é irlandês. Ele é um fantástico letrista. Maravilhoso! Ao mesmo tempo, eu tenho que dar os créditos de Ozzy também, porque ele pode falar uma frase ou uma palavra… Eu viajei com ele por muitos lugares ao longo dos anos e sei que ele é capaz de falar uma palavra que explode e você é literalmente capaz de escrever uma canção em torno desta única palavra. Ou então ele fala uma frase, e você fala: “Puta merda, posso usar isto?”, e você literalmente escreve alguma coisa com isto. O jeito que ele despeja estas coisas… Estas coisas saem de Ozzy todo santo dia. Você tem que aprender e saber como pegá-las  e usá-las adequadamente.

Mas, na verdade, “Fairies Wear Boots” é sobre o quê?
Isto foi Ozzy e Geezer se divertindo, juntando coisas. Tem uma coisa de Alemanha nisso. Algumas sobras que nós aproveitamos; Algumas brigas em que nos metemos. Estou pensando na canção agora enquanto conversamos, e fui direto para 1968-1969, e ela é um grande exemplo de onde estávamos em 69. Eu posso até sentir o cheiro da comida no “Reeperbahn” (risos). É uma ótima canção sobre as experiências que tivemos. E é cheia de… A melhor expressão que posso pensar é “conteúdo mágico”, onde vamos a esta coisa mística meio coisa de maconheiro, bem como 1969 era. Isto é o melhor que posso dizer sobre ela.

Olhando em retrospectiva, há algo que você faria diferente com relação ao Black Sabbath?
Não me arrependo de nada que fizemos ou nada que fiz pessoalmente. Não me arrependo de nada. Não faria diferente, incluindo todos os erros… Tudo. O primeiro instinto que me apareceu quando você perguntou isto foi, “sim, gostaria de refazer algumas partes de bateria” (risos). Não refazer, mas trabalhar nos sons de certas partes da bateria, particularmente nos dois ou três primeiros álbuns. Talvez um som melhor no bumbo de “Iron Man”, coisas deste tipo. Todos os músicos são assim.

Falando em “Iron Man”, você acha que a canção se tornou muito comercializada, muito “mainstream”?
Eu tive que abandonar qualquer tipo de apego pessoal que tinha com ela. A gente pensa, “não, você não pode fazer isto. É música underground e tem que permanecer verdadeira com ele mesma e etc”, e então a vida real aparece. O mundo se abre. A primeira pista que tive de que “Iron Man” pertencia a todo mundo foi quando a escutei sendo tocada por uma banda marcial num campo de futebol. Eu pensei, “oh meu deus, eles estão tocando ‘Iron Man’”. Para mim, foi quando ela se tornou pública.

Então ela se tornou bem comercial e se apegou em tudo. E, na verdade, hoje em dia é legal. Não estou reclamando, porque quando ela foi para o filme “Iron Man” (N.R.: O Homem de Ferro), conseguiu uma nova forma de vida e me mostrou que ela continua atual. Então, neste sentido, eu tomarei como um elogio. Mas meu senso de justiça, como “isto não está natural, você não pode fazer isto”, diminuiu um pouco com o passar dos anos, com relação a canções como “Iron Man”, que tendem a se tornar mais comerciais ao longo do tempo. Eu já não brigo mais tanto quanto antes sobre este assunto.

E quando fazemos shows, sempre tentamos tocar algumas canções que não tocávamos há muitos anos, mas inevitavelmente acabamos com um repertório que agrade a todos.

Quais os planos do Black Sabbath?
Bem, todos estão de folga, sabe? Eu estive falando com Tony há poucos meses… E estava com ele e Glenn (Hughes) no funeral de Ron (Ronnie James Dio), e acho que Terry (Geezer) está apenas tentando superar a morte de Ronnie e pensar o que fará depois. Então Ozzy está embarcando numa grande turnê. Ele está indo para a estrada por um tempo considerável, mas eu falo com ele toda hora.

A partir da esquerda: Geezer, Ozzy, Tony e Bill na época da reunião, já no novo milênio.

O que você acha do novo álbum de Ozzy, “Scream”, por falar nisso?
O que eu gosto neste novo álbum é a voz dele. A voz dele está muito clara. Ele está sobrevivendo, ele tem convicção e ele é bem claro e em preciso em tudo. Sua voz realmente está se sobressaindo em todas as faixas. Eu acho que é muito bom.

Com relação ao Black Sabbath, a banda original, não estou sabendo de nenhum plano nem nada, mas ao mesmo tempo sei que iremos conversar uns com os outros. Não estou sabendo de nenhum desentendimento entre ninguém.

Eu sempre tenho a esperança de que se tudo está certo e tudo está amigável, então podemos excursionar novamente. Adoraria faze isto, contanto que tudo esteja em ordem comigo. Adoraria seguir em frente, não só excursionar, mas fazer um novo álbum também, outro disco do Sabbath. Isto para mim seria a melhor coisa que poderia acontecer. Mas também adoraria fazer uma turnê longa. A última turnê que fizemos foi legal, e durou três meses e meio. Mas o lance é que estávamos tão entrosados – e você tem que praticar para a coisa se ajeitar e ficar bem entrosada – quando estávamos na metade da turnê e eu me senti em plena forma, mas então de uma hora para a outra tivemos que parar. E eu estava, “Merda, vamos levar isto ao redor do mundo, cara. Isto está ótimo”. Mas tivemos que parar, o que foi um tanto irritante. Este foi o único problema. Leva um certo tempo para que um corpo de 62 anos possa tocar no Black Sabbath, e Ozzy e eu somos muito exigidos fisicamente no palco, então temos que estar em forma. E todos os shows da “Reunion”, com relação às performances, foram lindos. E me diverti demais; no palco era imbatível. Curti bastante, de verdade.





OZZY OSBOURNE: FOTOS DOS BASTIDORES DO VIDEOCLIP “LIFE WON’T WAIT” SÃO DIVULGADAS

12 08 2010

Por: Raquel Hortmann
Fonte: Blabbermouth

Ozzy Osbourne filmou um vídeo para o seu novo single, “Life Won’t Wait”, na semana passada em vários locais de Los Angeles, tendo o filho Jack Osbourne como diretor.

Enquanto se prepara para o lançamento do “Ozzfest 2010”, no dia 14 de agosto,  Ozzy “Life Won’t Wait”, o segundo single de seu álbum “Scream”, que em junho entrou no “top 10” das paradas de mais de 10 países.

Várias fotos da gravação do vídeo podem ser vistas abaixo:





OZZY: “QUANDO LENNON FOI MORTO, MEU MUNDO PAROU”.

17 06 2010

A repórter Carol Anne Szel, da Goldmine Magazine, conduziu uma entrevista com o lendário Ozzy Osbourne, que falou sobre sua carreira, Beatles, problemas com drogas, dentre outros assuntos.

Confira abaixo a tradução da entrevista na íntegra, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER:

Ele é o homem que não deveríamos ver por trás da lenda. O homem que nos dará coração, cérebro e o caminho de casa. O místico, o onisciente, o onipotente Oz. Ao falar sobre tudo, Ozzy Osbourne nos leva através da estrada de tijolos amarelos até sua casa, sua mente e, algumas vezes, sua alma.

“Eu nunca gastei tanto tempo assim em nenhum outro disco que já fiz”, Ozzy fala de seu novo álbum, “Scream”. “Começamos há um ano e meio. Quer dizer, não passamos um ano e meio trabalhando nele. Nós íamos, fazíamos um pouquinho, então fazíamos outra coisa e voltávamos para ele”.

Este notório Príncipe das Trevas gravou 10 discos de estúdio com o Black Sabbath, vendeu mais de 50 milhões de cópias como artista solo, esgotou shows ao redor do mundo várias vezes. Ele tocou no Moscow Peace Festival, no US Festival, Live Aid e se apresentou no Queen Elizabeth’s 50th Jubilee Celebration no Palácio de Buckingham. Além disto, ele jantou com o Presidente Bush, ganhou diversos Grammy, teve seu próprio reality show na MTV, “The Osbournes”, entrou no Rock n’ Roll Hall of Fame, recebeu uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood e lançou o primeiro festival norte-americano dedicado à música pesada, batizado de Ozzfest.

No “Scream”, Ozzy relata que com seu estilo de compor “fica difícil escrever sobre o garoto que conhece a garota, então eles brigam, a chuva cai, então o sol brilha e eles voltam para as nuvens da merda”. “Eu vou atrás da melodia. Uma coisa que eu peguei dos Beatles: eles sempre tiveram grandes melodias e harmonias. Você pode pensar sobre que porra eu estou falando, mas encaixa na música”.

Produzido por Ozzy e Kevin Churko – que também trabalhou no “Black Rain”, último disco do Madman – Ozzy explica que com “Scream” eles quiseram um som “old school”, usando as tecnologias atuais. “No passado nós achávamos um lugar, começávamos a tocar com a banda e fazíamos umas jams”, fala Ozzy. “Mas neste disco, com Kevin Churko, nós desenvolvemos a base e minha banda tocou em cima desta base. Então eu meio que perco a carga espiritual da coisa quando fazemos desta maneira atual. Eu não estou desapontado. Estou realmente satisfeito como tudo ocorreu, mas prefiro que seja um trabalho de banda.

Ele é inflexível, entretanto, quando diz que “é um álbum de Ozzy Osbourne, mas Churko apertou os botões e tirou os sons. Eu tinha a impressão de que você não consegue tirar um som pesado na gravação digital, mas isto é besteira, porque o material deste disco é muito, muito pesado”.

Com a maioria das canções do “Scream” co-escritas com Churko, Ozzy revela que “a questão são as letras. Tenho problema com as letras, porque começo algo, chego em algum lugar, mas tenho que concluir. Kevin e eu esticamos as coisas para frente e para trás. Para se ter uma idéia, acho que foi “Let Me Hear You Scream”, foi escrita sete vezes”. Esta canção é o primeiro single do disco, estreou no top five das paradas de Mainstream Rock e no top ten nas paradas de Active Rock, além de ter sido trilha de um episódio da série “CSI:NY”. “Tem uma porção de outras letras (para esta música). Um dia lançarei todos os outros versos”!

Explicando seu estilo e liberdade musical, Ozzy diz que “ser Ozzy Osbourne e estar atrás desta imagem de Satã e louco restringe o que você pode fazer. Este álbum, para mim, tem umas vibrações do Sabbath, do Ozzy e algumas coisas modernas, mas não muito”.

Quando o assunto é música e a direção para onde a indústria vai se encaminhando, Ozzy insiste que “é uma boa pergunta, porque estaria fodido se soubesse. Tem horas em que ando por aí com a cabeça no traseiro”.

Ele relembra: “eu estava na Sunset Strip com Sharon há pouco, e lá tem uma banca onde sempre compro os jornais ingleses. Eu disse ‘vamos na Tower Records (Nota do redator: uma das maiores lojas de CD’s e DVD’s dos estados Unidos) e ver se eles tem o disco novo da Sheryl Crow. Então entrei na loja, e estava vazia. Eram três ou quatro horas da tarde. Eu perguntei ao vendedor se ele tinha o disco novo da Sheryl Crow, e ele respondeu ‘sim, tenho muitos. Quantos você quer’? É o que está acontecendo. Todo mundo saiu da realidade para a ilusão, no sentido de que todo mundo agora só quer ficar sentado nas porras de suas casas, na frente do computador. Todos foram para o interior de suas cavernas. Agora nós temos que ir à porra do JC Penney (NR: grande rede de lojas de departamento nos Estados Unidos) e toda esta merda, ou a cafeterias para comprar música, o que é triste. Provavelmente foi o que aconteceu com os filmes mudos que, de repetente, desapareceram quando as obras faladas surgiram.

Por outro lado, Ozzy mostra-se simpático aos músicos atuais. “Eu também fiquei chocado quando descobri o que as novas bandas têm que fazer para conseguir um contrato com uma gravadora hoje em dia. Eles (as gravadoras) ficam com parte do dinheiro da divulgação, direitos autorais, cachê de shows. É ridículo. Ao mesmo tempo, eu tive muita sorte em ter minha carreira. Tive muita sorte. Eu estou indo em frente. As pessoas perguntam se estou me aposentando, mas o lance é que eu não sou nenhum jovem. Se meu público começar a diminuir, então verei como um sinal de que é hora de pendurar meu microfone. Não quero sair de estádios para tocar em bares”.

Para seu imenso número de fãs, e para ele mesmo, a aposentadoria não é uma opção, já que Ozzy permanece tão relevante hoje quanto era no começo de carreira, há 40 anos. Sobre a razão de sua longevidade, Osbourne responde: “eu não sei, e particularmente não quero saber.Mas estou feliz (de ter durado). Estava pensando em alguém como o Journey, ou outra banda como eles, que costumavam encher estádios. Alguns grupos acabam indo tocar em pequenas casas de show. Eu não posso fazer isso”.

Com relação a artistas com grande longevidade, Ozzy cita uma de suas inspirações musicais. “Eu sempre fui um fanático pelos Beatles, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr”. “McCartney tem 66 anos, cara, e ele ainda consegue atingir aquelas notas. Eu tenho problemas em cantar algumas notas. Ele me motiva”!

“Eu encontrei Paul McCartney e Ringo Starr em algumas ocasiões. Os outros não. E, infelizmente, alguém derrubou um deles. Eu lembro onde estava. Exatamente onde estava, quando foi, que horas eram. Eu estava em Wales. Estava escrevendo e ensaiando, então Sharon me ligou e disse ‘você não vai acreditar no que aconteceu’. Ela disse ‘atiraram em John Lennon ontem a noite’. Minha porra de mundo parou. Foi como quando Kennedy morreu. Mas um cara como Lennon… isto parou meu mundo”.

Ele pondera: “eu nunca os vi tocando. Seria maravilhoso se Lennon não tivesse sido atingido e não tivesse esta morte horrível. Se eles tivessem se reunido, reinariam novamente”.

Sobre o melhor de seu catálogo, Ozzy diz que não tem uma música preferida. “Tem álbuns que eu gosto mais que outros, quer dizer, ‘Blizzard of Ozz’ com Randy Rohads foi um disco muito especial. ‘Bark at the Moon’ foi ok, considerando o que eu estava passando emocionalmente. Então teve o ‘The Ultimate Sin’, que foi uma espécie de ‘pegar ou largar’. Tem algumas boas músicas, mas eu sinto que poderia tê-lo gravado melhor”. O próximo grande álbum, para mim, foi o ‘No More Tears’”, destaca Ozzy, sobre o disco que produziu cinco singles e ganhou disco de platina quádrupla.

Voltando a 2010, Ozzy proclama que o “Scream” tem uma vibração diferente. “Quando escuto um disco antigo, como um do Sabbath em que cantei, eu sempre volto ao que estava sentindo quando fiz o álbum.  Eu vou com a melodia. Nós fazemos a melodia primeiro. As letras e a melodia. Meu pai costumava dizer ‘se você não tem uma melodia, então não tem uma canção’. Deus o abençoe, mas eu acho que se ele ouvisse algum Hip-Hop, ele iria falar pra caralho. Alguma das letras do Hip-Hop são fenomenais, de verdade. Então se você tem uma grande letra, por que não coloca uma boa melodia vocal? Eu não me importo se você tem uma canção e algum Rap, então uma melodia junto”.

Com uma banda formada pelo baterista Tommy Clufetos, pelo baixista Blasko, tecladista Adam Wakeman, e o novo guitarrista Gus G., Ozzy fala da mudança que veio com a saída de Zakk Wylde. “Não mudou tanto assim, a não ser pelo fato de que achava que estava começando a soar como… qual o nome da banda do Zakk Wylde? Meu cérebro já não é muito confiável. Black Label Society. Eu estava começando a soar como o Black Label Society”.

Ozzy insiste que Wylde não foi demitido. “Eu não quero que ninguém pense, nem por um minuto, que eu demiti ele. Eu nunca fiz isso. Ele nunca saiu. Não havia nada de onde sair, porque tudo o que ele estava fazendo era o show dele (NR: com o Black Label Society) e o meu, e isto meio que se ‘colidiu’. Mas eu tive que deixá-lo ir, porque antes eu do que ele.

Osbourne espera que os fãs dêem uma boa chance a Gus G. “Apenas dêem uma chance a Gus, porque houve um tempo em que Zakk era o novo cara, Jake E. Lee foi o novo cara. Dêem uma chance a ele, apenas dêem uma olhada. Não esperem Zakk, porque ele não é Zakk”.

“Gus toca as canções do jeito que foram escritas. Não quero dizer que Zakk é ruim. Zakk é fenomenal. Eu o amo, continuamos bem, amigáveis. Sua banda está indo muito bem. Nós – ele e sua esposa eu e Sharon – até saímos para jantar há algumas noites”.

Com o lançamento do novo álbum agendado para 22 de junho, Ozzy está indo para a estrada divulgar “Scream”. “Estaremos na estrada pelos próximos um ano e meio”, ele conta. “Tenho uma relação de amor e ódio com turnês. Eu amo quando está indo bem, e não gosto quando não estou cantando direito. Eu não farei 18 meses seguidos. Farei cinco ou seis semanas, e um intervalo, então teremos algumas lacunas”.

Sobre a vida na estrada, Ozzy diz que, na verdade, é bem chato. “A parte mais excitante do dia é quando você está no palco. Quando tenho estes dias de folga… Quer dizer, só tem a CNN para assistir. Eu não saio. Não há nada lá fora que eu queira”.

Então o que os fãs podem esperar desta turnê? “Estou tentando tocar algumas canções diferentes, mas irei sentar com minha banda e passar a lista. Eu tenho um universo de canções muito bom para escolher, entre as coisas do Sabbath e as minhas. Isto é incrível! Eu tenho feito isso por 42 anos. Estou impressionado”, ele gargalha.

“Eu não fumo mais, não uso drogas e não bebo”, fala orgulhosamente. Sobre a família, Ozzy insiste: “meu filhos fazem o que querem, desde que não seja ilegal ou idiota, mas todos somos culpados de fazer coisas idiotas às vezes”. “Minha família é muito legal, mas isso pode mudar numa porra de espaço de cinco segundos”, completa.

De fato, seu filho Jack está filmando um documentário sobre o pai famoso. “Eu disse: ‘Jack, não me faça parecer uma porra de um santo. Eu não sou um santo’. Porque você sabe, você parece um cara no canal de biografias, e eles irão dizer o quão maravilhoso você é. Bom, nem Jesus Cristo foi sempre maravilhoso. Não houve nem uma vez em que ele disse ‘porra, eu não estou a fim pregar nesta montanha’”?

Contudo em sua verdadeira dicotomia, Ozzy termina a entrevista falando à repórter: “Te amo. Deus te abençoe. Fique bem”.

Realmente.