INJUSTIÇADOS – 4ª EDIÇÃO

15 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Infelizmente, na semana passada não foi publicada a seção “Injustiçados”, por motivos de falta de tempo. Contudo esta gafe não ocorrerá nesta semana, e logo na terça-feira recebam a coluna que tenta resgatar (ou reapresentar) grandes artistas que, por um motivo ou outro, não conseguiram o sucesso que mereciam (ou não conseguiram manter o sucesso que tiveram por um curto período).

Nascidos na Inglaterra, esta banda foi mais uma da geração Glam Rock que tinha muito mais do que visual. Canções simples e pegajosas chegaram a dar certo sucesso à banda, mas por um período muito curto, portanto o IMPRENSA ROCKER não pestanejou ao escolher o Sweet (também conhecido como The Sweet) para ser o personagem desta edição de “Injustiçados”. Apertem o cinto, pois a viagem irá começar!

A história do Sweet começa em 1965, época em que uma banda chamada Wainwright’s Gentlemen tocava uma espécie de Rhythm n’ Blues psicodélico nos bares do Reino Unido. No line up do grupo estavam o baterista Mick Tucker e o então desconhecido vocalista Ian Gillan, que mais tarde acabou no Deep Purple. No mesmo ano, Gillan saiu do grupo e foi substituído por Brian Connolly.

Em 1968, Connoly e Tucker deixaram o Wainwright’s Gentlemen para formar sua própria banda, então batizada de The Sweetshop, cujo som era um espécie de Pop Bubblegun. Eles recrutaram o baixista e vocalista de uma banda local chamada The Army: seu nome era Steve Priest. Para a guitarra foi chamado Frank Torpey, um amigo de Tucker. Em pouco tempo, a banda construiu uma base de fãs no circuito de bares e assinou um contrato com o selo “Fontana”. Na época, outra banda de nome The Sweetshop havia lançado um single, então eles decidiram mudar o nome para The Sweet. “Slow Motion”, seu single de estréia, foi um fracasso comercial, e a banda foi liberada do contrato com a “Fontana”. Logo após este episódio, o guitarrista Frank Torpey decidiu sair.

No ano seguinte, já com o guitarrista Mick Stewart no line up, o Sweet conseguiu um novo contrato, desta vez com a “Parlophone” da EMI – o mesmo selo dos Beatles. Eles lançaram mais alguns singles até 1970, mas todos fracassaram, fazendo com que Stewart desistisse da banda. Desta vez, o novo guitarrista seria Andy Scott.

Com a nova formação, e um time de compositores – formado por Nicky Chinn e Mike Chapman – o Sweet conseguiu um contrato com a “Bell Records” e, mais tarde, “Capital Records”.

A banda então combinou o Pop de bandas como The Archies e The Monkeys, com o peso e crueza do The Who. Eles também adotaram uma rica harmonia vocal a la The Hollies, misturada com guitarras distorcidas e cozinha pesada. Esta fusão de Hard Rock e Pop permaneceu a maca registrada do Sweet e serviu de base para o que os grupos de Hair Metal fariam uma década depois.

Em dezembro de 1970, a banda dividiu um álbum com o grupo The Pipkins, colocando os lados A e B de seus singles lançados anteriormentes. No ano seguinte o primeiro sucesso internacional do Sweet finalmente apareceu: “Funny, Funny” foi o nome da canção – um Pop ao antigo estilo da banda, mas que gruda na sua cabeça na mesma hora.

O primeiro álbum oficial do Sweet foi lançado ainda em 1971, mas se tornou o retumbante fracasso. A banda não estava nada satisfeita com a orientação Pop que Chinn e Chapman estavam dando ao grupo, e a relação chegou ao fim do poço quando a dupla de compositores trouxe músicos de estúdio para as sessões de gravação, apesar dos integrantes da banda serem ótimos instrumentistas. O grupo começou a ser rotulado pelos críticos como nada mais do que uma banda de singles para o top 40.

Esta dicotomia resultava em singles cujo lado A eram canções Pop a la The Monkeys, enquanto o lado B trazia músicas pesadas, como é o exemplo do single “Co-Co/Done Me Wrong All Right”.

Imagina a confusão na cabeça os fãs? Mas se por um lado os adoradores da banda estavam atordoados, do outro lado os detratores começaram a perceber que o Sweet poderia ser muito mais do que uma bandinha de singles melosos. Para piorar a situação, o grupo ao vivo se recusava a tocar os singles lado A, e isto acabou tendo uma conseqüência: durante um show no “The Palace”, em 1973, a banda foi expulsa a garrafadas do palco pelo público que queria ver a banda executado os singles. O ocorrido iria ser a inspiração para o que viria a ser um dos maiores hits do grupo.

A banda continuou nessa toada até o lançamento do single “Wig-Wan Bam”, que acabou se tornando uma canção de transição na história do grupo, já que mantém o estilo anterior da banda, mas adiciona vocais e guitarras mais pesadas.

Esta canção pavimentou o caminho para o estilo que consagraria o Sweet e, à partir daí, os hits vieram rápido: “Blockbuster” em 1973, o primeiro single líder das paradas do Sweet; “Hell Raiser”, do mesmo ano, que chegou à segunda posição – resultado igualado pelos dois singles posteriores, “The Balroom Blitz (a canção inspirada pela confusão no show no “The Palace”) e “Teenage Rampage”.

Em 1974 o Sweet se cansou do controle exercido pela dupla de compositores, e os integrantes resolveram gravar um álbum sozinhos. O resultado, intitulado “Sweet Fanny Adams”, foi o primeiro LP da banda a entrar no Top 40 do Reino Unido. O disco mostrou ao público uma banda jamais vista, proeminente no Hard Rock e com ótimas performances de todos os músicos. O disco também marcou uma mudança no visual da banda, que abandonou as vestimentas Glam e incorporou uma indumentária mais sóbria.

No mesmo ano, o grupo soltou o álbum “Desolation Boulevard”, que traz talvez a música mais conhecida do Sweet – e minha preferida -, “Fox on The Run”. Esta música é o maior sucesso da banda até hoje, chegando ao topo das paradas em diversos países, como Alemanha, Dinamarca e África do Sul.

A partir de 1976, apesar de ótimos lançamentos, a banda viu sua popularidade aos poucos se esvair. Em 1979, após diversos vexames e falta de produtividade (graças às drogas e bebidas), foi anunciado que o vocalista Brian Connolly estava fora do Sweet. Oficialmente foi dito que Connolly estava interessado em seguir carreira solo, tocando Country Rock.

A banda permaneceu como um trio, tendo os vocais divididos entre Steve Priest e Andy Scott – Scott disse que Ronnie James Dio, que havia acabado de deixar o Rainbow, chegou a ser abordado para ocupar a vaga de Connolly, entretanto Priest contesta a informação.

O Sweet continuou trabalhando e lançando bons trabalhos até o dia 20 de Março de 1981, quando realizou seu último show. Com a decisão de Priest de morar nos Estados Unidos, a banda encerrou oficialmente as atividades no meio daquele ano.

Em 1985, Tucker e Scott reformaram a banda com novos integrantes, dentre eles o vocalista Paul Day, que chegou a cantar nos primórdios do Iron Maiden. Tucker conviou Priest para a reunião do Sweet, mas ele recusou. E como se confusão pouca fosse bobagem, um ano antes Connolly havia formado sua própria versão do Sweet, tendo somente ele como membro original, portanto duas versões do Sweet estavam na ativa.

Ao longo dos anos outras reuniões ocorreram, como em 1988 quando Mike Chapman convidou o quarteto original para uma sessão de gravação, entretanto ficou claro que a voz de Connolly – que já estava com a saúde bem deteriorada – estava em frangalhos. Por causa disto, a reunião foi abortada. Dois anos depois, a formação clássica foi reunida mais uma vez para promover um documentário, intitulado “Sweet’s Ballroom Blitz”, que trazia apresentações em programas de TV britânicos e entrevistas atuais (na época, é claro).

Em 1997, Brian Connolly morreu aos 51 anos, vítima de falência no fígado e repetidos ataques do coração, causados pelo seu alcoolismo crônico. Cinco anos depois, em 2002, foi Mick Tucker quem nos deixou, aos 54 anos, vítima de leucemia.

Atualmente, duas versões do Sweet estão na ativa: a que conta com Steve Priest, na qual se apresenta somente nos Estados Unidos; e a de Andy Scott, que excursiona pela Europa e Austrália.

Discografia:
1971 – Funny How Sweet Co-Co Can Be
1974 – Sweet Fanny
1974 – Desolation Boulevard
1976 – Give Us a Wink
1977 – Off the Record
1978 – Level Headed
1979 – Cut Above the Rest
1980 – Waters Edge
1982 – Identity Crisis





INJUSTIÇADOS – 3ª EDIÇÃO

3 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

É com grande alegria que percebo que a seção “Injustiçados” tem agradado ao público do blog, que há todo momento sugere bandas para retratarmos aqui. Podem ficar tranqüilos que todas as sugestões são levadas em consideração. Para esta terceira edição da coluna, trouxemos um grupo que, definitivamente, merecia uma melhor sorte. Filhos da idolatrada NWOBHM, o Angel Witch chegou a ser considerada a banda mais promissora do movimento, para depois perder espaço para o Iron Maiden e outras, graças a indas e vindas de integrantes, além do grupo ter acabado e voltado à ativa várias vezes em poucos anos.

Em 1977, o guitarrista e vocalista Kevin Heybourne, o guitarista Rob Downing, o baterista Steve Jones e o baixista Barry Clements formaram o Lucifer, que ficou pouquíssimo tempo na ativa. Logo após a dissolução do Lucifer, Steve Jones se juntou a um iniciante Bruce Dickinson para formar o Speed, enquanto os remanescentes formaram o Angel Witch, com a exceção de Berry, que foi substituído por Kevin Riddles. No lugar de Steve Jones entrou Dave Hogg – e no ano seguinte Rob Downing deixou a banda.

Com a formação estabilizada, a banda passou a compor, sendo sua primeira música a alcançar certo sucesso, a hoje clássica “Baphomet”, que foi incluída na coletânea “Metal for Muthas – Vol. 1”, disco que compilou em 1980 as melhores bandas da NWOBHM. As bandas mais conhecidas presentes no disco, além da Angel Witch, foram o Samsom e o Iron Maiden, o único grupo a ter duas canções no álbum: “Sanctuary” e “Wrathchild”.

“Baphomet”, uma canção com introdução quase Doom a la Sabbath do começo, mas que logo muda para a velocidade que marcou as bandas da NWOBHM, foi a responsável por garantir um contrato da “EMI” para o Angel Witch. Contudo, o contrato logo foi cancelado por dois motivos: o primeiro single lançado pela “EMI”, “Sweet Danger”, não foi muito bem, ficando somente uma semana nas paradas britânicas; e o empresário do Angel Witch (Ken Heybourne, que “por acaso” também era o vocalista e guitarrista da banda) se recusou a entregar a banda para um empresário profissional.

Ainda em 1980, a “Broze Records” contratou o grupo, e eles passaram a trabalhar na gravação do álbum debut, autointitulado, e considerado um dos melhores discos da história da NWOBHM. Apesar disto, a banda começou a desabar, ocasionando a saída de Dave Hogg e de Kevin Riddles para o Tytan. Apesar de Heyboune tentar reformular o Angel Witch com outros integrantes, foi anunciado o fim do grupo, e Heybourne se juntou ao Deep Machine.

Em 1982, Heybourne, o vocalista Roger Marsden e o baterista Ricky Bruce saíram do Deep Machine para montar uma nova formação do Angel Witch, tendo Jerry Cunningham como baixista. Entretanto esta formação durou muito pouco, porque a voz de Marsden não combinava com o estilo da banda, e ele foi demitido, ficando Heybourne novamente com os vocais.

No ano seguinte o Angel Witch encerrou as atividades mais uma vez, e Heybourne se juntou ao Blind Fury, mas em 1984 o Angel Witch foi novamente ressuscitado, desta vez com o retorno de Dave Hogg à bateria, além das entradas de Peter Gordelier e Dave Tattum, baixista e vocalista respectivamente. Esta formação foi a que gravou o segundo álbum da banda, “Screamin’ n’ Bleedin’” , lançado em 1985. Mais uma vez, Dave Hogg deixou a banda, sendo substituído por Spencer Hollman. Vale lembrar que, apesar de baixas vendagens, o Angel Witch tinha uma ótima base de fãs, que protestou bastante contra a saída de Hogg.

Com a nova formação, gravaram seu terceiro álbum, “Front Assault”, que trouxe muito mais elementos melódicos que os discos anteriores. Dave Tattum foi demitido da banda naquele mesmo ano, e por muito tempo a banda funcionou como um trio, culminando, em 1990, com um disco ao vivo intitulado “Live”.

O líder Heybourne decidiu que seria melhor a banda se mudar para os Estados Unidos, mas como os outros integrantes tinham suas vidas estabilizadas na Inglaterra, não toparam a empreitada, o que gerou a encarnação norte-americana do Angel Witch que, além de Heybourne, contava com o baixista Jon Torres, o baterista Tom Hunting e o guitarrista Doug Piercy. Esta formação obteve uma ótima química, e logo eles tinham shows agendados por todo o país mas, como sempre acontecia na carreira do Angel Witch, algo tinha que estragar tudo. Um dia antes do primeiro show da banda, foi descoberto que Heybourne tinha algumas pendências com a imigração, e ele foi preso. Sem o líder do grupo, o Angel Witch se dissolveu.

A banda permaneceu adormecida até o ano 2000, quando após o lançamento da coletânea “Ressurrection”, o Angel Witch resolveu se reunir mais uma vez, contudo, após mais problemas internos, Heybourne chamou novos integrantes e até hoje mantém a banda na ativa. Em 2009, a canção “Angel Witch” fez parte da trilha sonora do game “Brutal Legend”, idealizado e protagonizado pelo ator Jack Black.

De favorito a azarão, a única coisa que permaneceu uniforme no Angel Witch foi sua música. Os três álbuns de estúdio estão aí para quem quiser comprovar a qualidade da banda, com canções como “Free Man” (uma espécie de “Remember Tomorrow”), “Angel Witch”, “Baphomet” e a quase Doom “Waltz the Night”. Corram atrás, porque isto aqui é o começo do que acabou sendo conhecido como a NWOBHM. Não perca tempo!

Discografia:
Angel Witch (1980)
Screamin’ ‘n’ Bleedin’ (1985)
Frontal Assault (1986)
Resurrection (2000)

Angel Witch

Free Man

Baphomet

Waltz The Night





INJUSTIÇADOS – 2ª EDIÇÃO

24 02 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Cá estamos com a segunda edição da mais nova coluna fixa do IMPRENSA ROCKER, na qual trará toda semana um artista que, apesar da qualidade necessária para ser um gigante, acabou não recebendo o crédito merecido. Ceio que os escolhidos esta semana sejam ainda mais “obscuros” que a banda da primeira edição, mas isto não quer dizer que sejam piores. Um dos grandes representantes do Glam Rock, entre o fim dos anos 60 até meados dos anos 70, o Mott The Hoople gravou canções maravilhosa, fez show fenomenais, mas até hoje permanece como uma “banda de segunda classe”.

Formado em 1969, o Mott The Hoople foi a junção de duas bandas britânicas: The Soulents, de onde saíram o guitarrista Pete Watts e o baterista Dale Griffin; e The Buddies, que contava com Mick Ralphs na guitarra e Stan Tippins no vocal. A princípio, a banda se chamava Silence (Watts trocou a guitarra pelo baixo e o tecladista Verden Allen entrou no grupo), mas mudou de nome após chamar a atenção de Guy Stevens, um ex-presidiário que enquanto cumpria pena descobriu o romance “Mott The Hoople” do autor Willard Manus, e procurava a banda certa para este nome.

Stevens gostou da banda, mas não do vocalista, então foram colocados anúncios que diziam: “Procura-se vocalista. Tem que ter noção de imagem e estar faminto”. Ian Hunter apareceu e preencheu a vaga, ficando Tippins com o cargo de gerente de turnê.

Ainda em 1969, o debut homônimo da banda foi lançado e se tornou um sucesso Cult. O sucessor “Mad Shadows”, lançado em 1970, foi muito mal nas vendas, apesar da qualidade de canções como “Walkin’ With a Mountain”. No ano seguinte, mais um álbum foi posto no mercado: “Wild Life” trazia um som um pouco diferente, com canções mais acústicas, e conseguiu ser ainda pior nas vendas do que seu antecessor. Apesar de estarem construindo uma boa base de fãs, as vendas não melhoravam, e o quarto álbum, “Brain Caper, lançado em 1971, mantendo as vendas em baixa. O fundo do poço chegou após um show numa estação de gás desativada na Suíça, quando a banda decidiu se separar.

David Bowie, um grande fã da banda, soube que eles estavam se separando e conseguiu demovê-los a idéia. Bowie chegou a oferecer a canção “Suffragette City”, que seria lançado no ainda inédito “Ziggy Stardust”, mas a banda recusou. Ele então escreveu uma música chamada “All The Young Dudes” e deu para o Mott The Hoople. A canção foi lançada como single em 1972 e se tornou o maior sucesso comercial da banda – anos mais tarde ela foi regravada por Bruce Dickinson no seu primeiro álbum solo, “Tattooed Millionaire”. No mesmo ano foi lançado o álbum “All The Young Dudes”, produzido por David Bowie, que vendeu bem e chegou ao 21º posto das paradas britânicas.

No sucesso de “All The Young Dudes”, e pouco antes do lançamento do álbum posterior, intitulado de “Mott”, Verden Allen deixou a banda, sendo substituído por dois tecladistas: Morgan Fisher se juntou á banda como tecladista e Mick Bolton como o responsável pelos Hammond. “Mott” entrou no top 10 das paradas britânicas e até hoje é o álbum de maior sucesso da banda nos estados Unidos, sendo os principais hits as canções “Honaloochie Boogie” e “All The Way from Memphis”.

Em agosto de 1973, Mick Ralphs deixou a banda para formar o Bad Company junto com Paul Rodgers, e foi substituído pelo antigo guitarrista do Spooky Tooth, Luther Grosvenor que, para evitar problemas contratuais, mudou seu nome para Ariel Bender. No ano seguinte foi lançado “The Hoople”, que chegou ao 28º posto das paradas norte-americanas, apesar de, em minha opinião, ser o melhor álbum deles. Músicas com “Crash Street Kids”, Marionette e o hino “Roll Away The Stone” – para mim uma das melhores músicas da história do Rock n’ Roll – mereciam muito mais. Logo após “The Hoople”, foi posto no mercado o álbum vivo “Live”, logo que Mick Ronson chegou para o lugar de Bender.

O fim esteve próximo quando Ian Hunter e Mick Ronson deixaram a banda para formarem um dupla, entretanto o guitarrista Ray Major e o vocalista Nigel Benjamin foram contratados e a banda continuou sob o nome de Mott. Esta formação chegou a lançar dois álbuns: “Drive On” em 1975 e “Shouting and Pointing” em 1976, mas após a saída de Nigel Benjamin, eles recrutaram um novo vocal e mudaram o nome da banda para British Lions.

Em janeiro de 2009 foi anunciado que a formação original da banda se reuniria para dois shows no “Hammersmith Apollo”, em Londres, realizados em outubro do mesmo ano. Em seu website, Hunter escreveu: “Por que estamos fazendo isto? Não posso falar pelos outros, mas estou fazendo só pra ver como vai ser”. Os ingressos para os dois shows se esgotaram rapidamente, e uma nova data foi adicionada. A procura pelo terceiro show também foi enorme, e mais dois shows foram inclusos.

Antes de uma apresentação de aquecimento no país de Gales, a banda comunicou que, por causa da saúde do baterista Dale Griffin, ele seria substituído por Martin Chambers, responsável pelas baquetas do The Petenders. Logo após a série de show, um box edição limitada com três CD’s que traziam o primeiro show foi lançado. Os shows receberam reviews positivos dos maiores veículos jornalísticos do mundo.

Apesar da qualidade estratosférica, dos inúmeros álbuns e shows fenomenais, o Mott The Hoople é uma banda que, em termos comerciais e de fama, ainda figura entre os grupos da 2ª divisão do Rock n’ Roll. Para variar, no Brasil eles são ainda mais ignorados do que Na Europa e Estados Unidos, mas não deixe isto de parar. Corra atrás do material da banda e tire suas próprias conclusões. Tudo que o IMPRENSA ROCKER pode fazer é contar a bela história deles e indicar algumas canções (mais uma vez insisto que “Roll Away The Stone” é uma das melhores canções da história do Rock n’ Roll!):

Roll Away The Stone

The Golden Age of Rock n’ Roll

All The Young Dudes

Drivin’ Sister





INJUSTIÇADOS – 1ª EDIÇÃO

16 02 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Esta é a estréia de mais uma coluna fixa do IMPRENSA ROCKER, que foi batizada de “Injustiçados”. Acredito que o título seja auto-explicativo, mas não custa detalhar um pouco sobre a idéia. Trata-se de uma seção que falará sobre artistas injustiçados, que receberem menos crédito do que o merecido, mas que possuem qualidade para figurar entre os gigantes.

Na coluna, mostraremos um pouco da história do artista, trabalhos que se destacaram e, sempre que possível, alguns vídeos para vocês conferirem o som em questão e opinarem a respeito.

Para a estréia, escolhi uma banda que com certeza figura entre as minhas preferidas – certamente está entre as minhas 10 bandas preferidas: uma pequena grande banda da cidade de Rockford – em Illinois, Estados Unidos -, que apesar do nome, está longe de ser um truque barato. Senhoras se senhoras, lhes apresento o Cheap Trick!

A banda foi formada em 1974, já com três dos quatro integrantes que fariam história nela: o guitarrista Rick Nielsen, o baixista Tom Petersson e o baterista Bun E. Carlos. No vocal estava Randy “Xeno” Hogan, que saiu logo após a formação da banda e foi substituído por Robin Zander. Nielsen, Zander, Peterssom e Carlos apareceram com um som que era uma mistura de Beatles com Hard Rock, cheio de melodia, refrões e solos de guitarra ganchudos e muita diversão. Se fosse para resumir, diria que o Cheap Trick é uma espécie de Beatles com esteróides.

Em pouco tempo eles já eram um dos grandes shows do meio oeste norte-americano, e em meados dos anos 70 assinaram com a “Epic Records”, por pura insistência do lendário produtor Jack Douglas, que havia visto a banda tocar em Winscousin. Em 1977 chegou às lojas o debut homônimo da banda, que apesar de boas críticas, não foi bem nas vendas – entretanto eles começaram a desenvolver uma boa base de fãs no Japão. “In Color”, o segundo álbum, foi lançado ainda no fim de 1977 (dois álbuns em um ano!), e já trazia algumas canções que se tornaram clássicos do grupo, por exemplo “I Want You To Want Me” e “Southern Girls” (está última uma das minhas preferidas).

Em 1978 foi lançado “Heaven Tonight”, considerado por muitos como o melhor trabalho deles, que trouxe o primeiro single a figurar nas paradas norte-americanas: a irresistível “Surrender”. Este álbum tornou o Cheap Trick mega-estrelas no Japão, sendo lá chamados de “Beatles Americanos”. No mesmo ano, enquanto excursionavam pela terra do sol nascente pela primeira vez, a reação do público era tão insana (com traços de Beatlemania) que resolveram gravar os dois shows que fizeram no lendário “Budokan Hall” para lançá-los somente no mercado japonês. A demanda de importação do “Cheap Trick at Budokan” foi tão grande, que a “Epic Records” resolveu lançar o álbum também nos Estados Unidos, o que catapultou a banda ao mega-estrelato mundial (uma história um pouco semelhante com a do Kiss que, após três álbuns de estúdio, explodiram com o disco ao vivo).

No ano seguinte a banda lançou seu quarto álbum, intitulado “Dream Police”. Duas canções do disco se tornaram hits: a faixa título e “Voices”, entretanto a pérola escondida neste álbum, em minha opinião é a faixa “I Know What I Want”, cantada pelo baixista Tom Peterssom, com sua voz anasalada e que cai com uma luva no clima da canção. Em meados do ano de 1980, a banda lançou “All Shook Up”, seu quinto LP, desta vez com o mago George Martin – o produtor dos Beatles e considerado o quinto Beatle – na produção. Nesta altura, o Cheap Trick estava no auge, sendo a atração principal de shows em estádios, entretanto isto não evitou que o álbum tenha assustado os fãs antigos, que acharam o som estranho e experimental demais (sinceramente, discordo totalmente desta opinião. O álbum é bem Straight Rock, com grandes músicas). Na mesma época, Rick Nielsen e Bun E. Carlos participaram das sessões do último álbum de John Lennon, “Double Fantasy”.

Um pouco antes do lançamento do “All Shook Up”, Tom Peterssom deixou a banda, e o baixista Pete Comita foi chamado às pressas para fazer a turnê do álbum. Após um fim da tour, Comita foi substituído por Jon Brant. Em 1982, após alguns imbróglios judiciais, a banda lançou “One on One” (seu sexto álbum), e desta vez com uma sonoridade mais voltada para o Hard Rock. Dois hits saíram deste trabalho: a balada “If You Want My Love” e o rockão “She’s Tight”, cujos clipes ganharam alta rotação na MTV. No ano seguinte, com o grande Todd Rundgreen na produção, eles lançaram “Next Position Please”. Todd quis voltar o som da banda para uma linha mais Pop (meio que uma tentativa de soar com o “In Color”), decisão que se mostrou equivocada e, a partir daí, o declínio do Cheap Trick começou.

Em 1985 a banda esboçou um contra-ataque com o álbum “Standing on The Edge”, que foi classificado pelos críticos como “a melhor coleção de rocks bubblegums explosivos da banda em anos”. O single “Tonight It’s You” fez enorme sucesso e seu clipe recebeu grande veiculação na MTV. Em 1986 saiu o nono LP do grupo, intitulado de “The Doctor”, cuja sonoridade trazia elementos do Funk. Entretanto a idéia não foi bem sucedida, sem contar que os sintetizadores e efeitos sonoros acabaram abafando os outros instrumentos, transformando “The Doctor” no pior álbum da carreira da banda. Pelo menos o disco serviu como um marco na história do grupo, já que Tom Peterssom resolveu voltar para o Cheap Trick.

Em 1988, já com a formação original reunida, eles lançaram o “Lap of Luxury”, cujo maior hit foi a maravilhosa balada “The Flame”. Entretanto várias outras canções se tornaram hits, fazendo com que “Lap of Luxury” recebesse disco de platina e ficasse conhecido como o álbum de retorno do Cheap Trick. Em 1990 saiu “Busted”, o 11º disco do grupo, que fez certo sucesso, mas não o esperado – o único grande hit do trabalho foi “Can’t Stop Falling Into Love”. Quatro anos depois, a banda soltou mais um álbum, “Woke Up With a Monster”, cuja sonoridade era bem mais pesada do que o de costume. Apesar de ser um ótimo trabalho, as vendas foram baixíssimas (para uma banda do nível do Cheap Trick, é lógico).

Após este álbum, a banda resolveu se concentrar nos shows e decidiu só lançar seus álbuns por gravadoras independentes. Em 1997, contratados pela “Red Ant Records”, a banda lançou “Cheap Trick” – outro álbum homônimo –, que pretendia introduzir o Cheap Trick a uma nova geração. O disco foi aclamado pela crítica e considerado um retorno à boa forma, entretanto 11 semanas após o lançamento, a empresa que controlava a “Red Ant Records” declarou falência, e o Cheap Trick, de repente, se viu sem gravadora. Em 1998 eles criaram sua própria gravadora, a “Cheap Trick Unlimited”, e no ano seguinte gravaram o hit “In The Streets”, da banda Big Star, para ser o tema da série “That 70’s Show”. Em maio de 2003, um novo álbum chegou ao mercado: “Special One”, que trazia na faixa de abertura uma canção tipicamente Cheap Trick, mas que no resto do trabalho apresentava músicas quase acústicas.

Em 2006 a banda lançou mais um novo álbum, intitulado “Rockford”, e que em minha opinião é um dos melhores discos de toda a discografia do grupo. Em 19 de junho de 2007, o Governo de Illinois declarou o dia de 1º de abril de todos os anos como o “Dia do Cheap Trick” no estado de Illinois. Naquele mesmo ano, a banda fez uma homenagem aos 40 anos do álbum “Sgt. Peppers Lonely Heart’s Club Band” dos Beatles, tocando o disco na íntegra no “Hollywood Bowl”, acompanhados da Hollywood Bowl Orchestra. Em 2009 foi lançado o 16º álbum do Cheap Trick, “The Latest”, um ótimo álbum mas, em minha opinião, inferior ao antecessor, “Rockford”. Em março de 2010 foi anunciado que o baterista Bun E. Carlos não seria o baterista durante a turnê do grupo, mas que permanecia como integrante da banda. Quem ocupou o lugar de Carlos durante a tour foi Daxx Nielsen, filho do guitarrista Rick Nielsen.

O Cheap Trick, para mim, é uma daquelas bandas que mereciam estar no mesmo nível de fama que um Bon Jovi da vida, certamente num nível muito maior que o U2 mas que, infelizmente, não goza do mesmo prestígio comercial, especialmente no Brasil, onde são ilustres desconhecidos. Desafio vocês e assistirem um show da banda e não se empolgarem com a performance e se emocionarem com as grandes canções. Se contar a presença de palco de Rock Nielsen, que é coisa de louco, e seu verdadeiro arsenal de guitarras – cada uma mais bizarra que a outra (o cara tem uma guitarra de cinco braços!) – sem falar que o Tom Peterssom foi o maluco que inventou o baixo de 12 cordas.

Espero que tenham curtido esta nova seção do IMPRENSA ROCKER, e até a próxima edição de “Injustiçados”.

Discografia do Cheap Trick (somente os álbuns de estúdio):
Cheap Trick (1977)
In Color (1977)
Heaven Tonight (1978)
Dream Police (1979)
All Shook Up (1980)
One on One (1982)
Next Position Please (1983)
Standing on the Edge (1985)
The Doctor (1986)
Lap of Luxury (1988)
Busted (1990)
Woke Up With A Monster (1994)
Cheap Trick (1997)
Special One (2003)
Rockford (2006)
The Latest (2009)

Confira abaixo alguns vídeos da banda e se delicie:

Surrender

Southern Girls

The Flame

I Know What I Want

In The Streets