AIRBOURNE, DRAGONFORCE E TRIVIUM ABRIRÃO SHOWS DO MAIDEN NO REINO UNIDO

18 02 2011

Enviado por: Marcela
Traduzido por: IMPRENSA ROCKER
Fonte: Site Oficial do Iron Maiden

Foi postado hoje no site do Iron Maiden um comunicado sobre as atrações que abrirão so show da Donzela no Reino Unido, em agosto deste ano.

Confira o comunicado completo abaixo:

É com felicidade que a “Live Nation” anuncia que os convidados especiais para os shows do Iron Maiden no Reio Unidos, referentes à “The Final Frontier World Tour”, foram confirmados, e são nomes estrelares do mundo do Rock e Metal.

Os rockeiros do Airbone se juntarão ao Maiden para todos os shows regionais, exceto em Belfast, onde os heróis do Power Metal, Dragonforce, farão a abertura do show, em 3 de agosto; e também no show de Londres, na “O2 Arena”, em 5 de agosto. Os gigantes do Metalcore, Trivium, serão a banda de abertura no outro show da “O2 Arena”, em 6 de agosto.

Os shows do Reino Unido serão o final da “The Final Frontier World Tour”. A primeira perna da tour, que começou na semana passada em Moscou, vê a banda viajando “em volta do mundo em 66 dias”, uma odisséia de mais de 80 mil quilômetros a bordo do “Ed Force One”, seu Boeing 757 especialmente customizado, pilotado pelo capitão da companhia aérea e vocalista Bruce Dickinson. O avião carregará a banda, toda a equipe e toneladas de equipamentos por cinco continentes e 13 países, visitando 26 cidades para 29 shows.  Após as datas ao redor do mundo, a turnê continua pela Europa, antes de retornarem para o Reino Unido em julho, para uma extensiva tour por estádios que em 10 cidades, que cobrirá toda a extensão do Reino Unido. Quando a “The Final Frontier World Tour” terminar na “O2 Arena”, no começo de agosto, o Maiden terá feito 101 shows, em 40 países, para mais de 2 milhões de fãs, desde que a turnê começou em junho de 2010. 

A “The Final Frontier World Tour” divulga o 15º álbum de estúdio da banda, lançado em agosto de 2010 e que foi direito para o topo das paradas em 28 países ao redor do mundo. Nesta semana o Maiden recebeu o “Grammy” na categoria “Melhor Performance de Metal” pela canção “El Dorado”.

Falando sobre o público das bandas de abertura anunciadas,  o empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood”, afirmou: “Como nossos fãs sabem, o Maiden gosta de fazer valer o preço que foram pagos pelos ingressos, e achamos que a adição destas três tremendas bandas – Airbourne, Dragonforce e Trivium -, em diferentes partes da tour pelo Reino Unido, certamente faz isto. Elas se juntarão para o que certamente será um grupo de noites memoráveis para os fãs, quando voltaremos para casa no fim do ano, para o ultimo round da ‘The Final Frontier World Tour’”.

Sobre abrir para o Iron Maiden pela primeira vez, o Airbourne comentou: “O Iron Maiden, a equipe trabalhadora do Iron Maiden e os rockeiros fãs do Iron Maiden são pessoas que lutam pelo Rock n’ Roll ao redor do mundo, e nós amamos e respeitamos todos eles. Mal podemos esperar para abrir fogo naquele palco sagrado. Longa vida ao Metal, longa vida ao Maiden e longa vida a Eddie”!

O Trivium atualmente está em estúdio com o produtor Colin Richardson, trabalhando no 5º álbum de estúdio da banda. Sobre fazer a abertura para o Iron Maiden, Matt Heafy (vocalista e guitarrista do Trivium) comentou: “Não poderíamos estar mais honrados e animados para dividir o palco com o lendário Iron Maiden. Esta será o primeiro show do Trivium no Reino Unido em muito tempo, e teremos um novo álbum conosco para lançar. Apaguem as luzes, Londres, para uma imensa noite e Metal. Up The Irons”.

Herman Li, guitarrista do Dragonforce, acrescentou: “Estamos muito animados em tocar com a maior banda de Heavy Metal de todos os tempos! Vivemos alguns dos melhores momentos de nossa carreira quando excursionamos com o Maiden em 2005. O Iron Maiden nos inspirou tremendamente através dos anos, e mal podemos esperar para retornar ao palco e abrir o show deles em Belfast, no dia 3 de agosto; e no show da cidade-natal deles, em 5 de agosto. Aqui vamos nós, Up The Irons”!

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IRON MAIDEN SE ALIA A PARLAMENTAR NA LUTA CONTRA OS CAMBISTAS

26 01 2011

Enviado por: Marcela
Traduzido por: IMPRENSA ROCKER
Fonte: Ultimate Guitar

O Iron Maiden pode ter criticado o autoritário poder do governo em alguns de seus clássicos dos anos 80, como em “2 Minutes to Midnight”, mas nesta semana as lendas do Heavy Metal anunciaram que estão apoiando uma recente campanha de um membro do parlamento britânico.

Sharon Hodgson criou uma campanha contra cambistas, ganhando o apoio do Iron Maiden e do Artic Monkeys no processo. A membro do parlamento desenvolveu uma proposta de lei que contará com um sistema de multas para quem for pego vendendo ingressos por um preço maior do que 110% do seu valor real. Em uma declaração postada em seu website, Hodgson diz:

“O fato que importa é que poucas pessoas estão fazendo fortuna ao explorar o trabalho duro das pessoas envolvidas na indústria do entretenimento e a paixão dos fãs, enquanto não contribuem em nada para ninguém”.

O incidente veio à tona após constituintes reclamarem que os ingressos para ver a boy band Take That, que custavam £55, esgotaram-se quase que instantaneamente, apenas para reaparecerem minutos depois em sites de cambistas, por £1000 o par de ingressos. O empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, disse que está encantado pelo fato do projeto de lei ter sido criado. 

“Alguma coisa realmente tem que se feita contra a praga da revenda de ingressos. Isto está se tornando um mal para tudo e todos, o que envolve as pessoas que genuinamente querem comprar ingressos no preço real para eventos populares, seja música, esporte ou teatro”.

A relação do Iron Maiden com membros do governo britânico nem sempre foi tão amigável. A arte original do single “Sanctuary”, em 1980, cotinha uma imagem do Eddie, mascote da banda, assassinando a Primeira Ministra Margaret Thatcher (Nota do Tradutor: Thatcher ficou famosa pela forma dura de governar e ganhou o apelido de Donzela de Ferro, que em inglês significa Iron Maiden).

Capa de "Sanctuary" mostra Thatcher assassinada por Eddie.

Thatcher também aparece na capa do single “Women in Uniform”, com uma submetralhadora na mão, pronta para atacar Eddie.

Em "Women in Uniform", Thatcher espreita Eddie, esperando o momento certo.





CIENTISTA HISTÓRICO ESPECULA SE O IRON MAIDEN PODE OFERECER UM MODELO DE MODERNIZAÇÃO PARA O ORIENTE MÉDIO

12 09 2010

Escrito por: Mark LeVine
Publicado em:
AlJazeera

O cientista histórico Mark LeVine produziu um belo e interessante texto sobre como o Maiden e o Heavy Metal podem ajudar a encontrar um modelo de modernização do Oriente Médio, que seja sustentável e beneficie os povos.

O texto foi publicado no website da AlJazeera em julho deste ano, porém, mesmo um pouco antigo, vale à pena ser lido não apenas pelos fãs do Maiden – e de Metal – mas por estudantes, cientistas políticos e qualquer um que se interesse pelo que acontece no mundo.

Confira abaixo o texto na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Eu acho que foi no meio de “Blood Brothers” ou “Brave New World” que aquilo me ocorreu: eu estava assistindo a um diagrama do ainda não concretizado projeto de modernização do Oriente Médio.

Eu estava em pé com meu filho – bem, pulando na verdade – em algum lugar ao lado do palco do “Madson Square Garden”, a casa de show mais celebrada do mundo, escutando as lendas do Heavy Metal britânico, Iron Maiden, galopando por um inesperado repertório de 16 canções, durante um show “sold out” no meio de sua maior turnê na América do Norte.

As canções não estão entre as mais famosas do catálogo do Maiden, mas para os fãs de verdade – e eles são uma legião que ainda cresce – elas estão entre as mais adoradas. Na verdade, os mais de 20 mil fãs presentes no show cantaram as letras que quase todas as canções, apesar do fato da banda deliberadamente ter evitado a maioria de seus hits mais conhecidos durante esta turnê.

“Este não tem sido um grande verão para shows”, disse o vocalista Bruce Dickinson ao público ainda no início do show. A razão, ele explicou, é que a maioria das bandas está essencialmente tocando material antigo, “vivendo de canções de 1976”, ele brincou. “Mas aqui estamos nós fazendo nossa maior turnê na América do Norte. Não queremos ser fósseis”, ele gritou para um rugido vindo da platéia.

Traçando seu próprio caminho
Então, o que o Iron Maiden tem a ver com o Oriente Médio?

Isto aconteceu na Dubai anterior à crise, em todo seu excessivo esplendor, e o festival estava com a capacidade total, 20 mil headbangers, a maioria árabes, iranianos e sul asiáticos, vibrando, gritando e até chorando durante o show do Maiden.

De fato, poucas platéias irromperam com mais energia do que a do “Desert Rock” quando o Maiden entrou no palco. E eu não acho que já tenha testemunhado um momento mais pungente do que quando o público cantou o hino do Maiden, “Fear of The Dark”, em uníssono com Dickinson, com isqueiros erguidos em uma das mãos, e telefones celulares na outra, gravando tudo para o Youtube.

“Esta a primeira vez que tocamos num país árabe”, disse Dickinson ao público, visivelmente surpreendido pela reação da platéia. “Eu sei que Dubai é o ponto de encontro. Todos estão aqui. Temos pessoas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, Escócia, Líbano, Egito, Suécia, Turquia, Austrália, País de Gales, Estados Unidos, Canadá, Kuwait. Nós temos o mundo todo aqui esta noite… E nós voltaremos”.

Os membros do Iron Maiden ainda afetuosamente recordam do primeiro show em Dubai, mas na realidade o Maiden é a antítese de tudo que Dubai representa: consumo sem razão, estilo sobre substância, a perseguição da riqueza e da fama sem uma fundação sólida ou princípios sustentáveis.

“O que somos?”, pergunta retoricamente o empresário Rod Smallwood, o sétimo membro do Iron Maiden. “Honestidade, integridade, fazer seu melhor sem se importar com o que recebeu; na verdade, fazer você mesmo para não precisar fazer concessões. E mais importante, mostrar paixão aos nossos fãs e os inspirar. Se uma banda não consegue manter-se inspirando os fãs, qual o motivo de continuar”?

Um novo modelo
Por grande parte da década passada Dubai foi saudada como a inspiração de um novo e globalizado Oriente Médio; o lugar onde Lexus e oliveiras – que o colunista do “New York Times”, Thomas Friedman, argumentou simbolizar os pólos da globalização – poderiam finalmente coexistir.

Enquanto o dinheiro e os aranhas-céus no estilo de Las Vegas continuam a crescer, os incentivadores de Dubai, como Friedman, se tornaram fervorosos em seu apoio ao “modelo Dubai” de desenvolvimento. Mas ao invés de Lexus da classe média alta, Dubai logo ficou abarrotada de Ferraris, Rolls Royces e outros caríssimos supercarros.

Quanto às oliveiras, fora o restaurante que possui este nome e os jardins da cidade da elite, poucas apareceram – se é que alguma conseguiu.

“Sim, mas quem quer ser tão rico?”, perguntou Smallwood algumas horas após o show, falando sobre as bandas que pegaram o fácil e comercial caminho, geralmente perdendo suas almas no processo. “Você acaba tocando só pelo cheque que sustenta aquele estilo de vida, ao invés de ser pelo fato de que é o que você ama fazer. Eventualmente os fãs percebem, e então onde estará você”?

Não surpreendemente, o “modelo Dubai” era insustentável, e agora o reino dos xeiques está procurando por uma base mais sólida para o futuro.

Em contraste, seja na noite em que o Maiden pisou em Dubai pela primeira vez, ou até na quente noite do “Madson Square Garden” três anos depois, a banda tem constantemente inspirado novas pessoas a irem aos seus shows, e visto sua base de fãs crescer, em boa medida porque recusaram a se fazer concessões ou a jogar pelas regras da cada vez mais disfuncional indústria musical.

Um caminho musical em direção a modernização
E é aqui que a filosofia singular da banda oferece lições interessantes para sua grande base de fãs ao logo do mundo Árabe e Mulçumano – uma jovem geração que luta para definir um novo papel para eles próprios e para a região, num sistema globalizado que, assim como a indústria musical, parece estar fraudada contra eles.

Primeiramente, e mais importante, não jogue o jogo deles. O neoliberalismo, o sistema dominante da globalização, nunca produzirá uma grande prosperidade, democracia ou desenvolvimento sustentável para a vasta maioria dos povos da região, precisamente porque este modelo de integração econômica inevitavelmente concentra riqueza e, através disto, poder em poucas mãos.

É claro, este processo serve às elites autocráticas e à relativamente pequena, porém politicamente crucial, classe de cidadãos que se beneficiam de políticas como estas. Mas para os habituais egípcios, marroquinos e sírios, este paradigma trouxe poucos benefícios.

Em Segundo lugar, pense historicamente, mantenha-se verdadeiro para com suas raízes e faça você mesmo. Umas das grandes razões do Heavy Metal, e o Maiden em particular, serem tão populares ao longo do Oriente Médio e do mundo Mulçumano é precisamente porque o gênero e a banda representam a filosofia do “faça você mesmo”, que permitiu artistas e fãs evitarem as concessões que têm atormentado outros estilos, como o hip hop e o Mainstream Rock.

Por séculos os povos do Mundo Árabe e Mulçumano foram ditos que teriam que seguir o modelo de outra pessoa. Eles tiveram que se contentar com políticas impostas vindas de cima e do lado de fora – primeiro através do colonialismo e então, novamente, começando nos anos 70, através dos “programas de ajustes estruturais” que tem sido o coração das políticas do FMI, do Banco Mundial e de Washington, com relação à região. 

Hoje uma nova geração, que se recusa a aceitar este desequilíbrio de poder, está emergindo ao longo da região. Mas o problema é como criar uma alternativa viável. Uma alternativa, é claro, é a al-Qaeda e outros movimentos e ideologias extremistas. Mas como muitos headbangers do Oriente Médio já assinalaram, enquanto lamentavam o fato de que muitos de seus conterrâneos os consideram um pouco melhores do que adoradores de Satã, ser um extremo fã de Metal é muito melhor do que a alternativa.

E é também aqui que o modelo do Maiden é relevante. Canções como “Brave New World”, “No More Lies”, e “Fear of The Dark” e seus maiores hits, como “The Trooper” e “Run to The Hills”, todas ressoam com os inúmeros fãs ao longo da região, porque as letras refletem a complexidade de suas histórias, de suas vidas e de seus futuros. Estes temas ainda são mais carregados de significados em Beirute e Teerã, que sofreram de grande violência num passado recente, do que no “Madson Square Garden”, a “Meca da música”.  

“Esta certamente é uma das razões do Maiden ser especial”, explicou o vocalista Bruce Dickinson, quando o perguntei sobre o porquê do grupo ser tão popular no Oriente Médio. “Mas também é o aspecto da família. A banda e os fãs são como uma grande família”, ele continuou, ecoando as palavras maravilhadas que um egípcio amigo meu proferiu assim que vimos a cena em Dubai: “Finalmente, uma comunidade de verdade”, disse ele com um quase palpável sentimento de alegria.

Como muitos fãs de Metal assinalaram para mim, as canções do Maiden os lembram de não confiar no hype e nos slogans que prometem um amanhã melhor, que o progresso demanda deixar certos preconceitos de lado em favor de uma muito mais dura, porém mais honesta discussão sobre o futuro, e de que eles devem lembrar o passado, mas sem temer o futuro.

Se você fizer isto, então estará em posição de criar sua própria rede de contatos, usando suas próprias ferramentas e princípios: “faça você mesmo” em escala internacional. Ao invés de tentar usar o modelo de globalização de outra pessoa, desenvolva uma visão própria que seja verdadeira para você. “Nuca se venda, nunca faça concessões e sempre se mantenha verdadeiro”, é como Smallwood explica.

Alegria: a fronteira final
Isto, é claro, é mais fácil de falar do que fazer no Oriente Médio, já que os governantes da região em geral investiram muito no sistema atual. Mas o Maiden foi bem sucedido, precisamente porque a banda trabalhou à margem do sistema ao invés de tentar se unir ao mesmo.

Logicamente, construir uma carreira bem sucedida como uma banda de Rock, por mais difícil que seja, é nada comparado a construir um sistema econômico e cultural alternativo, numa região devastada pela guerra, ocupações, autoritarismo e pobreza. Mas o objetivo da música, e dos artistas que produzem a cultura que o resto de nós consome, raramente é prover um planejamento direto para a ação. Ao invés disto, o objetivo é inspirar, dar uma visão de um futuro diferente e a coragem de acordar de manhã e descobrir como sobreviver e até prosperar num sistema que não foi montado para seu benefício.

Mais de um integrante do Iron Maiden já me falou que talvez a alegria seja o maior presente que eles podem dar aos fãs. E seja em Dubai ou no “Madson Square Garden”, os shows estavam cheios de alegria, dos músicos e dos fãs.

O Metal é frequentemente acusado de ser a música de morte, e certamente as canções do Iron Maiden podem parecer, superficialmente, violentas e sangrentas. Mas como um músico de Metal iraniano disse sobre o gênero, e sobre o Maiden em particular, “o incrível é como uma música sobre morte, de fato afirma a vida”.

Enquanto olhava para aquele campo em Dubai, três anos atrás, e via uma reunião multinacional de pessoas compartilhando um raro momento de alegria e real comunidade, o poder que a música tem de reunir pessoas e curar velhas e profundas feridas se tornou abundantemente claro. Esse sentimento definiu uma ampla amostra da cultura Mulçumana na música, arte e literatura. É algo extremamente necessário ao longo daquela região, hoje.

Enquanto o Iron Maiden se prepara para lançar seu 15º álbum de estúdio, “The Final Frontier”, os fãs ao longo do Oriente Médio em breve terão uma razão para sentir um pouco da alegria que os membros norte-americanos da família Iron Maiden sentiram durante a turnê atual. E com alguma sorte, o Oriente Médio mais uma vez estará dentro da fronteira do Maiden.

Mark LeVine é professor de história na “Universidade da Califórnia” e pesquisador visitante sênior do “Centro para Estudos do Oriente Médio” na “Universidade de Lund”, Suécia. Seus livros mais recentes são “Heavy Metal Islam” e “Paz Impossível: Israel/Palestina desde 1989”.





IRON MAIDEN: LIÇÕES QUE DEVERIAM SER APRENDIDAS PELA INDÚSTRIA MUSICAL

6 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
New York Times

O “New York Times” publicou uma extensa matéria sobre como o Iron Maiden, ao utilizar ferramentas diferentes das tradicionais usadas pela indústria musical, não precisa se preocupar hoje com o problema dos downloads ilegais.

Confira a matéria na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Enquanto as vendas da indústria musical caem e as gravadoras encaram o futuro com angústia, os fãs do Maiden ainda reúnem-se em lojas de discos. Assim como o mascote zumbi da banda, Eddie, o Iron Maidense recusa a morrer, e sua contínua vitalidade talvez possa oferecer algumas dicas de sobrevivência à problemática indústria musical.
 
O 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, “The Final Frontier”, subiu direto para o topo das paradas européias da revista da “Billboard” quando lançado, no fim de agosto, e continua por lá após algumas semanas. O disco também estreou em primeiro lugar em outros países – da Arábia Saudita ao Japão – dando uma necessária erguida na “EMI Music”, que é a dona dos direitos internacionais da banda. Nos Estados Unidos, onde foi lançado pela “Universal Music Entreprises”, “The Final Frontier” estreou no quarto lugar. 

Até o fim da semana passada, mais de 800 mil cópias de “The Final Frontier” foram enviadas para revendedores ao redor do mundo, de acordo com Rod Smalwood, empresário do Iron Maiden há muito tempo. É muito menos do que os mais de 12 milhões de cópias do álbum de estréia da Lady Gaga, “The Fame”, mas o Iron Maiden tem a longevidade que muitos artistas por só podem invejar: em seus 30 anos de carreira, a banda vendeu cerca de 85 milhões de discos.

 “Muitas bandas poderiam aprender com o Maiden”, diz Smalwood. “O lance do Maiden é essencialmente sobre sua relação com os fãs, e nada se põe entre isto. Eles não desejam ser rockstars, eles apenas gostam de tocar para os fãs”.

Os seis membros do Iron Maiden, todos na casa dos 50 anos, não são os únicos headbangers que ainda estão ma estrada e nos estúdios. Bandas como Metallica também têm estado fortes, e astros do Hard Rock como o AC/DC e Guns n’ Roses também encontraram um sucesso renovado.

“Com sua imagem tribal e parâmetros extremos, o Metal oferece um lar completo para aqueles que o seguem, coisa que o pop, hip hop ou outro gênero não consegue”, diz Joel McIver, autor britânico que escreveu, dentre outros livros sobre Heavy Metal, “Justice for All: The Truth About Metallica”.

Uma conexão estreita com os fãs, reforçada por uma incansável agenda de turnês, tem sido uma necessidade para o Iron Maiden desde o início, quando a mais importante ferramenta de marketing da indústria musical, o rádio, estava muito longe dos limites do Iron Maiden. Suas canções eram muito longas e muito altas para caber nas fórmulas das rádios convencionais, e alguns grupos de pais cristãos protestavam que a banda possui ligações com mensagens satânicas – uma acusação na qual a banda sempre negou.
 
A falta de exposição nas rádios pode ter criado desafios, mas isto preparou o Iron Maiden para a era digital, quando o modelo tradicional da indústria esgotou-se. Agora, uma boa exposição de um single nas rádios tem uma grande probabilidade de mandar os ouvintes para a internet, em busca de uma cópia gratuita e pirata de um disco, ao invés de uma loja de discos. 

Como as músicas do Iron Maiden não são próprias para os moldes de um single radiofônico – no disco novo, três canções possuem mais de nove minutos – a banda não sofre tanto deste problema.

Mesmo após o “The Final Frontier” ter alcançado o topo das paradas no último mês, serviços de rastreamento digital mostraram apenas baixos níveis de downloads ilegais do álbum, de acordo com David Kassler, Chefe do escritório de Operações da EMI na Europa.

“Você esperaria que algumas pessoas estivessem pirateando, mas elas não estão”, afirmou Kassler. “Elas querem a versão física do álbum. Elas amam a arte da capa, as letras. É alo que elas querem mostrar a seus amigos e familiares”.

As vendas digitais do “The Final Frontier” estão fracas, provavelmente chegam a 10% ou 15% das vendas totais nos Estado Unidos, afirma Smallwood. Ao todo, as vendas digitais somam perto de 50% do mercado musical nos Estados Unidos. Ainda assim, o iron Miaden não é um anacronismo da era analógica, insiste Smallwood. A falta de exposição radiofônica e uma confiança na propaganda boca-a-boca preparou bem a banda para as nuances do mercado digital, completou.    

“Quando a internet apareceu, nós provavelmente fomos os primeiros a entender seu potencial”, disse o empresário da banda.

Antes do lançamento do álbum, o Iron Maiden reformou seu website, riou uma página no “Facebook” e ofereceu o download gratuito do single, “El Dorado”, para os fãs. Há até um game gratuito do “The Final Frontier”. 

Para encorajar a venda dos álbuns, camisetas e outros produtos ligados ao “The Final Frontier”, a “EMI” montou seções especias do Iron Maiden nas lojas de disco européias, como “HMV”, “Media Markt” e “FNAC”. 

As vendas de merchandise podem totalizar mais de 20% dos ganhos totais da gravadora com uma banda, disse Kassler, apesar de não apresentar nenhum dado específico sobre o Iron Maiden.

Apesar destes esforços, é improvável que o Iron Maiden recupere as vendas dos anos 80, quando um álbum como o “The Number of The Beast” vendeu 14 milhões de cópias. Como os fãs são tão leais, eles tendem a adquirir os lançamentos rapidamente, mas as vendas caem após algumas semanas. Ainda assim, McIver, o autor, disse que há muitas lições  para a indústria musical no sucesso contínuo do Iron Maiden: “Investir a longo prazo, ter uma imagem, dar aos fãs o que eles querem, excursionar e continuar excursionando, tocar nos circuitos de festivais, abraçar novas tecnologias, ser inovador, honesto e original, e gravar boas músicas”.