REVIEW DA SEMANA – 4ª EDIÇÃO

18 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Banda: Whitesnake
Álbum: Forevermore (2011)

Clique aqui para baixar o CD.

No próximo dia 29 será lançado “Forevermore”, o mais novo álbum do Whitesnake; entretanto, graças à internet, pudemos conferir o lançamento do trabalho com antecedência, e agora você ficará sabendo o que David Coverdale e cia aprontaram.

O disco começa com “Steal Your Heart Away”, que possui ótimo riff de guitarra guiado pelo slide. A voz de Coverdale entra, e a canção toma um clima dos primeiros trabalhos da banda, mais puxado para um Hard Rock Blues, obviamente com toques mais modernos. É visível a solidez da parceria entre Coverdale e os guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, juntos desde 2002. Entretanto a cozinha formada pelo baixista Michael Devin e pelo baterista Brian Tichy não deixa a peteca cair.

A segunda faixa, intitulada “All Out of Luck”, começa com um riff espacial e progride para um Hard bem interessante – tem horas que a voz de Coverdale lembra a do saudoso Steve Lee do Gotthard (tá, eu sei que o Steve Lee era influenciado por Coverdale, mas nesta canção o mestre parece com o pupilo, e não o contrário). Mais uma vez há uma mescla entre o antigo e o novo som do Whitesnake, resultando em algo muito bom. Isto vai ser lugar comum em toda a resenha, mas não se pode deixar de destacar a qualidade de Coverdale, ainda cantando muito, e da dupla de guitarras. Em seguida vem o single “Love Wil Set You Free”, cujo videoclipe já vem rodando por aí há algum tempo.

“Love Will Set You Free” é um bom Hard, e após escutar todo o álbum fica claro que foi uma boa escolha como primeiro single, pois dá uma geral no que é o Whitesnake: Hardão com pezinho no Blues, riffs porrada, refrões grudentos e a palavra “love” no título das canções. Aliás, tenho um amigo que já decretou: “se você não sabe alguma letra do Whitesnake, canta uns “love” e manda uns “baby”, que você está na direção certa”. Brincadeiras à parte, esta é mais uma boa canção de “Forevermore”.

A quarta faixa é uma semi Power Ballad. “Easier Said Than Done” traz Coverdale cantando limpo, com aquele velho teclado fazendo o clima da música, enquanto as guitarras fazem umas melodias dobradas. Como declarou o próprio Coverdale, o Whitesnake não é Whitesnake sem baladas, e esta aqui é bem legal. Nada de novo, mas é assim que a gente gosta! O peso volta com “Tell Me How”, mais um Hard de levantar defunto. O refrão é bem legal, com um backing vocal bem sacado (ao vivo deverá ficar do sensacional!). Excelentes solos também marcam presença nesta faixa, e Coverdale destrói com os argumentos de qualquer detrator de sua voz.

“I Need You (Shine a Light)”, a canção seguinte, possui um riff de introdução maravilhoso – algo meio Stones sob efeito de anabolizantes. A canção é um Hardão daqueles das antigas, da fase pré “Slide It In”. O refrão é muito bem sacado e gruda instantaneamente na cabeça. Esta música se tornou minha preferida no álbum. A próxima é uma balada até diferente das que o Whitesnake costuma fazer. “One of These Days” é baseada em progressões de acordes no violão, enquanto a bateria acompanha num ritmo bem retão e as guitarras fazem algumas intervenções aqui e ali. O trabalho de backing vocal mais uma vez é bem legal, chegando até a lembrar algumas bandas Pop dos anos 60, como Marmalade e similares. É uma canção boa de se escutar relaxando num domingo (gostei desta novidade num disco do Whitesnake)…

Mais um riff muito legal abre a faixa seguinte, “Love and Treat Me Right”. Voltamos com força àquele mix do “old and new Whitesnake”, desta vez pendendo um pouco mais para a fase recente. Não há muito que falar sobre esta faixa, a não ser que é mais uma a engrandecer o álbum. Seguindo em frente com “Dogs in The Street”, esta sim bem anos 80. Uma das mais velozes do CD inteiro, conta com as melodias bem sacadas de Coverdale, excelentes solos e um grande trabalho de bateria. A próxima é “Fare Thee Well”, mais uma balada. Ela começa com uns riffs no violão e ótima melodia de Coverdale, depois entra a bateria e a canção decola numa espécie de Country Rock Ballad. As melodias de guitarra dobrada caem como uma luva na música – a expressão aqui é “bom gosto”. Das três baladas, em minha opinião esta é a mais interessante.

Vamos chegando à parte final do álbum com “Whipping Boy Blues”, que começa com um riff bluesy – como era se esperar – enquanto Coverdale canta usando um efeito para distorcer a voz um pouco. Depois a canção vira um Hard bem pesado, e eu cheguei a sentir um clima de “Stormbringer”, mas pode ter sido impressão. A penúltima faixa da bolacha se chama “My Evil Way”, e começa com Brian Tichy espancando a pobre da bateria. A velocidade chega, e a canção se mostra um ótimo Hard – naquele mesmo esquema mezzo anos 70, mezzo anos 80 – com mais mudanças de dinâmicas do que normalmente ocorrem em músicas do Whitesnake. Talvez por ciúmes do solo de bateria na introdução, os guitarristas descem suas respectivas mãos nos solos, o que melhora ainda mais a faixa. Para concluir o disco, a canção que dá nome ao trabalho. “Forevermore” é a maior música do CD, com quase 7 minutos e meio, e começa uma balada, com dedilhado no violão e teclado sustentando o clima, enquanto Coverdale canta como sempre. Depois que atinge os três minutos e 10 segundos, a música vira um Hardão com andamento a la “Kashmir” do Zeppelin, e aí vêm os solos de guitarra que, para usar um termo técnico, arregaçam! Ela não chega a ser uma balada, mas passa perto. “Forevermore” fecha o disco muito bem, após 1h04 (aproximadamente) de audição.

Vamos ao checklist de um bom álbum do Whitesnake: trabalho de guitarras irrepreensível, checado; vocal potente e cheio de feeling, checado; baladas, checado; Hardão com pitadas de Blues, checado; “love’s” e “baby’s” a torto e a direito, checado. Veja bem, “Forevermore” não irá mudar o mundo, mas dane-se – eu fico muito feliz com um disco que apenas torne melhor este mundo que já existe.

Longa vida ao Whitesnake!

PS: Alguém mais percebeu que na capa há três cabeças de cobra, mas quatro caudas? Se levarmos em conta que a cobra de baixo está com mais uma cauda na boca, somam-se cinco caudas – que loucura…


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9 responses

18 03 2011
Jacques A. de Melo

Grande Gabriel, beleza?
Tive o prazer de assistir ao White Snake no “Rock’In Rio 1” , no ano “Cretáceo” de 1985. Sempre gostei do David Coverdale, desde a época do “Deep Purple”.
Este que você comentou, para mim é um discaço. Muito bom. Nem parece que o cara vai fazer 60 anos agora em setembro. A voz continua a mesma (lógico, respeitando a idade pois o “Punch” se é que me entendem não é o mesmo), o cara tem um carisma do cacete e a banda é maravilhosa.
Também gostei mais de “I need you”, sem dúvida a melhor música.
Se você escutar “One these days” de olho fechado, pode até pensar que está ouvindo o Willie Nelson (o que não é demérito algum). Na canção seguinte “Love and treat me rigth” volta o velho David e sua “Hard Pancada”.
Para ficar só na provocação, eu gostaria de ouvir “Fare the well” na voz do Rod Stewart (que também me lembrou – outro cara que gosto muito).
E finalizando o Baladão “Forevermore”, muito bom.
Mais uma vez, repito, o disco é muito bom. Me sinto lisonjeado em receber, “de bandeja’ este CD aí da Imprensa Rocker.
Valeu cara. Estou divulgando este blog a todos os meus amigos (inclusive já espalhei no Orkut e tenho certeza que muita gente vai acessar o Imprensa).

Grande abraço.

18 03 2011
Gabriel Gonçalves

Muito obrigado pela força, Jacques! Cara, uma das mihas grandes decepções é não ter visto o Whitesnake ao vivo – com ceretza uma das minhas bandas preferidas. Velhão, você viu os caras com John Sykes, Neil Murray e o inesquecível Cozy Powell! Agora bateu a inveja, rsrsrsrs. Eu também curti muito o disco novo – como deu pra perceber na resenha, rs – e estou esperando o lançamento para garantir meu CD. Abração, cara!

18 03 2011
Lucas

Não sou grande fã de Hard Rock, mas pela resenha parece que vale a pena ouvir esse álbum. Parabéns pelo trabalho, você detalhou cada faixa, o que da uma boa noção de como esse álbum é pra quem, como eu, não ouviu ele ainda.

18 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Lucas! Meu velho, apesar de não ser muito a sua praia, dê uma chance para este álbum, que está muito bom. Coverdale é garantia de qualidade, rs. Abração, cara!

18 03 2011
Roberto A

is this love, that i’m feeling…

19 03 2011
Roger Moreira

São quatro cobras e quatro caudas, na verdade. A cobra de baixo engoliu a cabeça de outra cobra, e não uma cauda.

20 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Roger! É uma boa hipótese esta sua, mas não acho que ela tenha engolido a cabeça da outra cobra (que conversa estranha do caralho, rs). Será que algum repórter um dia teria coragem de perguntar isto pro Coverdale, rs? Abraço, cara!

21 03 2011
Marcos Gonçalves

PEla lógica o Roger acertou na questão das cobras, ehehe.

21 03 2011
Gabriel Gonçalves

rsrsrsrs… essa discussão vai ser bala! Acho que o Roger estaria certo se a cobra estivesse com a boca um pouco mais aberta. Se dentro da cabeça dela estivesse outra cabeça de cobra, ela teria que estar com a boca escancarada, rsrsrsrsrssr. Abração, meu velho!

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