INJUSTIÇADOS – 4ª EDIÇÃO

15 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Infelizmente, na semana passada não foi publicada a seção “Injustiçados”, por motivos de falta de tempo. Contudo esta gafe não ocorrerá nesta semana, e logo na terça-feira recebam a coluna que tenta resgatar (ou reapresentar) grandes artistas que, por um motivo ou outro, não conseguiram o sucesso que mereciam (ou não conseguiram manter o sucesso que tiveram por um curto período).

Nascidos na Inglaterra, esta banda foi mais uma da geração Glam Rock que tinha muito mais do que visual. Canções simples e pegajosas chegaram a dar certo sucesso à banda, mas por um período muito curto, portanto o IMPRENSA ROCKER não pestanejou ao escolher o Sweet (também conhecido como The Sweet) para ser o personagem desta edição de “Injustiçados”. Apertem o cinto, pois a viagem irá começar!

A história do Sweet começa em 1965, época em que uma banda chamada Wainwright’s Gentlemen tocava uma espécie de Rhythm n’ Blues psicodélico nos bares do Reino Unido. No line up do grupo estavam o baterista Mick Tucker e o então desconhecido vocalista Ian Gillan, que mais tarde acabou no Deep Purple. No mesmo ano, Gillan saiu do grupo e foi substituído por Brian Connolly.

Em 1968, Connoly e Tucker deixaram o Wainwright’s Gentlemen para formar sua própria banda, então batizada de The Sweetshop, cujo som era um espécie de Pop Bubblegun. Eles recrutaram o baixista e vocalista de uma banda local chamada The Army: seu nome era Steve Priest. Para a guitarra foi chamado Frank Torpey, um amigo de Tucker. Em pouco tempo, a banda construiu uma base de fãs no circuito de bares e assinou um contrato com o selo “Fontana”. Na época, outra banda de nome The Sweetshop havia lançado um single, então eles decidiram mudar o nome para The Sweet. “Slow Motion”, seu single de estréia, foi um fracasso comercial, e a banda foi liberada do contrato com a “Fontana”. Logo após este episódio, o guitarrista Frank Torpey decidiu sair.

No ano seguinte, já com o guitarrista Mick Stewart no line up, o Sweet conseguiu um novo contrato, desta vez com a “Parlophone” da EMI – o mesmo selo dos Beatles. Eles lançaram mais alguns singles até 1970, mas todos fracassaram, fazendo com que Stewart desistisse da banda. Desta vez, o novo guitarrista seria Andy Scott.

Com a nova formação, e um time de compositores – formado por Nicky Chinn e Mike Chapman – o Sweet conseguiu um contrato com a “Bell Records” e, mais tarde, “Capital Records”.

A banda então combinou o Pop de bandas como The Archies e The Monkeys, com o peso e crueza do The Who. Eles também adotaram uma rica harmonia vocal a la The Hollies, misturada com guitarras distorcidas e cozinha pesada. Esta fusão de Hard Rock e Pop permaneceu a maca registrada do Sweet e serviu de base para o que os grupos de Hair Metal fariam uma década depois.

Em dezembro de 1970, a banda dividiu um álbum com o grupo The Pipkins, colocando os lados A e B de seus singles lançados anteriormentes. No ano seguinte o primeiro sucesso internacional do Sweet finalmente apareceu: “Funny, Funny” foi o nome da canção – um Pop ao antigo estilo da banda, mas que gruda na sua cabeça na mesma hora.

O primeiro álbum oficial do Sweet foi lançado ainda em 1971, mas se tornou o retumbante fracasso. A banda não estava nada satisfeita com a orientação Pop que Chinn e Chapman estavam dando ao grupo, e a relação chegou ao fim do poço quando a dupla de compositores trouxe músicos de estúdio para as sessões de gravação, apesar dos integrantes da banda serem ótimos instrumentistas. O grupo começou a ser rotulado pelos críticos como nada mais do que uma banda de singles para o top 40.

Esta dicotomia resultava em singles cujo lado A eram canções Pop a la The Monkeys, enquanto o lado B trazia músicas pesadas, como é o exemplo do single “Co-Co/Done Me Wrong All Right”.

Imagina a confusão na cabeça os fãs? Mas se por um lado os adoradores da banda estavam atordoados, do outro lado os detratores começaram a perceber que o Sweet poderia ser muito mais do que uma bandinha de singles melosos. Para piorar a situação, o grupo ao vivo se recusava a tocar os singles lado A, e isto acabou tendo uma conseqüência: durante um show no “The Palace”, em 1973, a banda foi expulsa a garrafadas do palco pelo público que queria ver a banda executado os singles. O ocorrido iria ser a inspiração para o que viria a ser um dos maiores hits do grupo.

A banda continuou nessa toada até o lançamento do single “Wig-Wan Bam”, que acabou se tornando uma canção de transição na história do grupo, já que mantém o estilo anterior da banda, mas adiciona vocais e guitarras mais pesadas.

Esta canção pavimentou o caminho para o estilo que consagraria o Sweet e, à partir daí, os hits vieram rápido: “Blockbuster” em 1973, o primeiro single líder das paradas do Sweet; “Hell Raiser”, do mesmo ano, que chegou à segunda posição – resultado igualado pelos dois singles posteriores, “The Balroom Blitz (a canção inspirada pela confusão no show no “The Palace”) e “Teenage Rampage”.

Em 1974 o Sweet se cansou do controle exercido pela dupla de compositores, e os integrantes resolveram gravar um álbum sozinhos. O resultado, intitulado “Sweet Fanny Adams”, foi o primeiro LP da banda a entrar no Top 40 do Reino Unido. O disco mostrou ao público uma banda jamais vista, proeminente no Hard Rock e com ótimas performances de todos os músicos. O disco também marcou uma mudança no visual da banda, que abandonou as vestimentas Glam e incorporou uma indumentária mais sóbria.

No mesmo ano, o grupo soltou o álbum “Desolation Boulevard”, que traz talvez a música mais conhecida do Sweet – e minha preferida -, “Fox on The Run”. Esta música é o maior sucesso da banda até hoje, chegando ao topo das paradas em diversos países, como Alemanha, Dinamarca e África do Sul.

A partir de 1976, apesar de ótimos lançamentos, a banda viu sua popularidade aos poucos se esvair. Em 1979, após diversos vexames e falta de produtividade (graças às drogas e bebidas), foi anunciado que o vocalista Brian Connolly estava fora do Sweet. Oficialmente foi dito que Connolly estava interessado em seguir carreira solo, tocando Country Rock.

A banda permaneceu como um trio, tendo os vocais divididos entre Steve Priest e Andy Scott – Scott disse que Ronnie James Dio, que havia acabado de deixar o Rainbow, chegou a ser abordado para ocupar a vaga de Connolly, entretanto Priest contesta a informação.

O Sweet continuou trabalhando e lançando bons trabalhos até o dia 20 de Março de 1981, quando realizou seu último show. Com a decisão de Priest de morar nos Estados Unidos, a banda encerrou oficialmente as atividades no meio daquele ano.

Em 1985, Tucker e Scott reformaram a banda com novos integrantes, dentre eles o vocalista Paul Day, que chegou a cantar nos primórdios do Iron Maiden. Tucker conviou Priest para a reunião do Sweet, mas ele recusou. E como se confusão pouca fosse bobagem, um ano antes Connolly havia formado sua própria versão do Sweet, tendo somente ele como membro original, portanto duas versões do Sweet estavam na ativa.

Ao longo dos anos outras reuniões ocorreram, como em 1988 quando Mike Chapman convidou o quarteto original para uma sessão de gravação, entretanto ficou claro que a voz de Connolly – que já estava com a saúde bem deteriorada – estava em frangalhos. Por causa disto, a reunião foi abortada. Dois anos depois, a formação clássica foi reunida mais uma vez para promover um documentário, intitulado “Sweet’s Ballroom Blitz”, que trazia apresentações em programas de TV britânicos e entrevistas atuais (na época, é claro).

Em 1997, Brian Connolly morreu aos 51 anos, vítima de falência no fígado e repetidos ataques do coração, causados pelo seu alcoolismo crônico. Cinco anos depois, em 2002, foi Mick Tucker quem nos deixou, aos 54 anos, vítima de leucemia.

Atualmente, duas versões do Sweet estão na ativa: a que conta com Steve Priest, na qual se apresenta somente nos Estados Unidos; e a de Andy Scott, que excursiona pela Europa e Austrália.

Discografia:
1971 – Funny How Sweet Co-Co Can Be
1974 – Sweet Fanny
1974 – Desolation Boulevard
1976 – Give Us a Wink
1977 – Off the Record
1978 – Level Headed
1979 – Cut Above the Rest
1980 – Waters Edge
1982 – Identity Crisis


Ações

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12 responses

15 03 2011
Lucas

Parabéns pelo texto, ficou muito bom. Não conhecia essa banda, mas mesmo assim gostei do texto. E isso mostra como a indústria da música é complicada, muitas bandas boas alcançam o sucesso, mas muitas acabam sendo esquecidas pelo grande público do Rock.

15 03 2011
Gabriel Gonçalves

Muito obrigado pelos elogios, Lucas! Realmente a indústria musical sempre foi muito complicada. Além de qualidade, é necessária uma boa dose de sorte, conhecer as pessoas certas, etc. O Sweet chegou a gozar de certo prestígio, mas em minha opinião são injustiçados, porque mereciam não só um maior sucesso, como um sicesso mais duradouro. Abração, cara!

15 03 2011
Dum

Gosto do Sweet mas não o acho injustiçado. Sempre foi mais underground, mesmo nos anos 1970 quando reinavam Sabbath, T, Rex, Grand Funk, Zeppelin. Sweet, assim como o T. Rex do grandeeee Marc Bolan influenciam muitas bandas de hoje, e algumas nem sabem disso!

15 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Dum! O T. Rex é genial (e por acaso está na fila para uma futura seção dos injustiçados, rs). É claro que você tem total direito à sua opinião mas, como você mesmo disse, o Sweet já era meio underground mesmo naquela época, e por isso, em minha humilde opinião, são injustiçados. Para mim, eles mereciam um sucesso muito maior e muito mais duradouro. Aliás, bandas como o Metallica já fizeram covers do Sweet e muitos fãs nem sabem. Por outro lado, é foda pensar que uma banda como o Sweet, nos anos 70, era underground, rs. A qualidade na época era enorme… Saudades de um tempo no qual nem era nascido, rs. Abraço, meu velho!

16 03 2011
16 03 2011
Gabriel Gonçalves

rsrsrs… A capa do “Nevermind” já entrou para o rol das capas antológica há algum tempo. Grande sacada, simples e diz muita coisa… Abração, meu velho!

17 03 2011
Jacques A. de Melo

Grande Gabriel, beleza?? Seguinte: O Sweet foi uma doideira mesmo (é uma das poucas bandas com duas versões). Muito bom este “Injustiçados”.
Quanto a uma próxima dica, que tal o “Humble Pie”?. Eu adorava e, por gostar muito corria atrás de “Vinis” que saíam na época.
Tem um disco, pós Peter Frampton que, para mim até hoje é excelente: Street Rats.

Abraços,

17 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Jacques! Cara, grande sugestão o Humble Pie: uma bandaça que pouca gente conhece. Com certeza estará na seção em breve. Abração, meu velho!

24 03 2011
Pedro

Boa, mto boa. Outra sugestão: Icon, conhecem?

24 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Pedro, tudo certo! Conheço o icon mais de nome – o trabalho deles não me é familiar. Sei que é uma banda daquela geração Hair Metal norte-americana dos anos 80. Vou anotar sua sugestão na lista, procurar o material dos caras e em breve faremos uma seção com eles. Brigadão pela ajuda, meu velho!

31 03 2011
Pedro

Fala Broder, acabou a coluna ou a correria tá brava? Seria uma pena, graças a vc tenho apreciado bastante o Cheap Trick. De qualquer forma, parabéns pelo trabalho. Abraços

2 04 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Pedro! As colunas não terminaram não, meu velho, a correria é que está monstra mesmo. Mas pode ficar tranquilo que em breve tudo volta ao normal. E aí, está gostando do Cheap Trick? os caras são muito bons. Abração, meu velho!

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