INJUSTIÇADOS – 2ª EDIÇÃO

24 02 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Cá estamos com a segunda edição da mais nova coluna fixa do IMPRENSA ROCKER, na qual trará toda semana um artista que, apesar da qualidade necessária para ser um gigante, acabou não recebendo o crédito merecido. Ceio que os escolhidos esta semana sejam ainda mais “obscuros” que a banda da primeira edição, mas isto não quer dizer que sejam piores. Um dos grandes representantes do Glam Rock, entre o fim dos anos 60 até meados dos anos 70, o Mott The Hoople gravou canções maravilhosa, fez show fenomenais, mas até hoje permanece como uma “banda de segunda classe”.

Formado em 1969, o Mott The Hoople foi a junção de duas bandas britânicas: The Soulents, de onde saíram o guitarrista Pete Watts e o baterista Dale Griffin; e The Buddies, que contava com Mick Ralphs na guitarra e Stan Tippins no vocal. A princípio, a banda se chamava Silence (Watts trocou a guitarra pelo baixo e o tecladista Verden Allen entrou no grupo), mas mudou de nome após chamar a atenção de Guy Stevens, um ex-presidiário que enquanto cumpria pena descobriu o romance “Mott The Hoople” do autor Willard Manus, e procurava a banda certa para este nome.

Stevens gostou da banda, mas não do vocalista, então foram colocados anúncios que diziam: “Procura-se vocalista. Tem que ter noção de imagem e estar faminto”. Ian Hunter apareceu e preencheu a vaga, ficando Tippins com o cargo de gerente de turnê.

Ainda em 1969, o debut homônimo da banda foi lançado e se tornou um sucesso Cult. O sucessor “Mad Shadows”, lançado em 1970, foi muito mal nas vendas, apesar da qualidade de canções como “Walkin’ With a Mountain”. No ano seguinte, mais um álbum foi posto no mercado: “Wild Life” trazia um som um pouco diferente, com canções mais acústicas, e conseguiu ser ainda pior nas vendas do que seu antecessor. Apesar de estarem construindo uma boa base de fãs, as vendas não melhoravam, e o quarto álbum, “Brain Caper, lançado em 1971, mantendo as vendas em baixa. O fundo do poço chegou após um show numa estação de gás desativada na Suíça, quando a banda decidiu se separar.

David Bowie, um grande fã da banda, soube que eles estavam se separando e conseguiu demovê-los a idéia. Bowie chegou a oferecer a canção “Suffragette City”, que seria lançado no ainda inédito “Ziggy Stardust”, mas a banda recusou. Ele então escreveu uma música chamada “All The Young Dudes” e deu para o Mott The Hoople. A canção foi lançada como single em 1972 e se tornou o maior sucesso comercial da banda – anos mais tarde ela foi regravada por Bruce Dickinson no seu primeiro álbum solo, “Tattooed Millionaire”. No mesmo ano foi lançado o álbum “All The Young Dudes”, produzido por David Bowie, que vendeu bem e chegou ao 21º posto das paradas britânicas.

No sucesso de “All The Young Dudes”, e pouco antes do lançamento do álbum posterior, intitulado de “Mott”, Verden Allen deixou a banda, sendo substituído por dois tecladistas: Morgan Fisher se juntou á banda como tecladista e Mick Bolton como o responsável pelos Hammond. “Mott” entrou no top 10 das paradas britânicas e até hoje é o álbum de maior sucesso da banda nos estados Unidos, sendo os principais hits as canções “Honaloochie Boogie” e “All The Way from Memphis”.

Em agosto de 1973, Mick Ralphs deixou a banda para formar o Bad Company junto com Paul Rodgers, e foi substituído pelo antigo guitarrista do Spooky Tooth, Luther Grosvenor que, para evitar problemas contratuais, mudou seu nome para Ariel Bender. No ano seguinte foi lançado “The Hoople”, que chegou ao 28º posto das paradas norte-americanas, apesar de, em minha opinião, ser o melhor álbum deles. Músicas com “Crash Street Kids”, Marionette e o hino “Roll Away The Stone” – para mim uma das melhores músicas da história do Rock n’ Roll – mereciam muito mais. Logo após “The Hoople”, foi posto no mercado o álbum vivo “Live”, logo que Mick Ronson chegou para o lugar de Bender.

O fim esteve próximo quando Ian Hunter e Mick Ronson deixaram a banda para formarem um dupla, entretanto o guitarrista Ray Major e o vocalista Nigel Benjamin foram contratados e a banda continuou sob o nome de Mott. Esta formação chegou a lançar dois álbuns: “Drive On” em 1975 e “Shouting and Pointing” em 1976, mas após a saída de Nigel Benjamin, eles recrutaram um novo vocal e mudaram o nome da banda para British Lions.

Em janeiro de 2009 foi anunciado que a formação original da banda se reuniria para dois shows no “Hammersmith Apollo”, em Londres, realizados em outubro do mesmo ano. Em seu website, Hunter escreveu: “Por que estamos fazendo isto? Não posso falar pelos outros, mas estou fazendo só pra ver como vai ser”. Os ingressos para os dois shows se esgotaram rapidamente, e uma nova data foi adicionada. A procura pelo terceiro show também foi enorme, e mais dois shows foram inclusos.

Antes de uma apresentação de aquecimento no país de Gales, a banda comunicou que, por causa da saúde do baterista Dale Griffin, ele seria substituído por Martin Chambers, responsável pelas baquetas do The Petenders. Logo após a série de show, um box edição limitada com três CD’s que traziam o primeiro show foi lançado. Os shows receberam reviews positivos dos maiores veículos jornalísticos do mundo.

Apesar da qualidade estratosférica, dos inúmeros álbuns e shows fenomenais, o Mott The Hoople é uma banda que, em termos comerciais e de fama, ainda figura entre os grupos da 2ª divisão do Rock n’ Roll. Para variar, no Brasil eles são ainda mais ignorados do que Na Europa e Estados Unidos, mas não deixe isto de parar. Corra atrás do material da banda e tire suas próprias conclusões. Tudo que o IMPRENSA ROCKER pode fazer é contar a bela história deles e indicar algumas canções (mais uma vez insisto que “Roll Away The Stone” é uma das melhores canções da história do Rock n’ Roll!):

Roll Away The Stone

The Golden Age of Rock n’ Roll

All The Young Dudes

Drivin’ Sister


Ações

Information

19 responses

24 02 2011
Helton

Só conhecia All the Young Dudes nas vozes do Bruce e do Ozzy, mas seu texto me deu vontade de conhecer a banda…vou correr atrás da discografia deles!!!

Abraz

24 02 2011
Gabriel Gonçalves

Corra atrás mesmo, Heltão, que os caras são responsa. Abração, cara!

24 02 2011
Roberto A

Bom post Gabriêra.
convido todos navegantes deste sítio, conhecerem um grande poetisa amiga minha no blog dela:
http://blogarteepoesia.blogspot.com/

24 02 2011
Jacques A. de Melo

Grande Gabriel, mais uma vez eu “fecho” contigo. O Mott era muito bom, inclusive outro dia, comentando aqui mesmo sobre o David Bowie, na homenagem ao Freddy Mercury, escrevemos sobre o Mott.
Repito, era um grupo muito bom.
Pode ser que eu me engane mas acho que um próximo a ser homenageado neste espaço será o “Bad Company”. Acertei??

Grande abraço,

24 02 2011
Gabriel Gonçalves

Grande, Jacques! Velhão, eu cheguei mesmo a pensar sobre o Bad Company, mas acho que eles não foram tão injustiçados – conseguiram grande fama e até hoje são citados como seminais ao Hard Rock. Mas há outras bandas tão boas quanto que não tiveram a mesma sorte, como o Slade e Angel Witch. Abração, meu velho!

25 02 2011
romulo

vale muito a pena correr atras do trabalho deles!!!

27 02 2011
Gabriel Gonçalves

Os caras são muito bons mesmo, Rômulo. E Ian Hunter é um dos grandes caras do Rock n’ Roll. Abração, cara!

25 02 2011
27 02 2011
Gabriel Gonçalves

Que loucura isso, rs… E chamar Kurt de avô do emo, só podia ser coisa da “Rolling Stone” mesmo. Abração, cara!

25 02 2011
Marcos Gonçalves

Gabeira. Conhece o Mott po seu intermédio e asino emabixo. Banda muito boa. Clássica!!!!

27 02 2011
Gabriel Gonçalves

Eles são do caralho mesmo, Marquêra! Seria sensacional ver um show deles. Abração, meu velho!

28 02 2011
Roberto A

Gabriêra, tem o Journey tbém né…

1 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Robertão! O Journey é bem legal, inclusive li ontem que o setor vip do show deles em SP já esgotou. Entretanto não acho que tenham sido injustiçados, saca? Vou dar uma pesquisada na história deles para saber mais detalhes… Abração, meu velho!

1 03 2011
Roberto A

E The Cult?

1 03 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Roberto! O The Cult é uma boa pedida, hein? Abração, cara!

2 03 2011
Pedro

Fala cara, e o UFO vc acha q entra nessa categoria dos injustiçados?

3 03 2011
Gabriel Gonçalves

Olá, Pedro! O UFO é uma excelente sugestão, cara. Uma grande banda, que influenciou gente do quilate de Steve Harris, mas que não têm muita penetração na mídia – inclusive especializada. Com certeza está na fila para a seção. Muito obrigado pela sugestão, cara, e volte sempre!

6 03 2011
TERESA

Estou enganada ou estes caras contaram no show do Tributo ao Freddy Mercury ? Se não me engano cantaram junto com o David Bowe…bjs

6 03 2011
Gabriel Gonçalves

São eles mesmo, Teresa! Na verdade, só participaram o Ian Hunter e o Mick Ronson (que tocou por um curto tempo no Mott The Hoople, mas que foi integrante da Spiders From Mars, além de ter tocado com Bob Dylan). Eles tocam “AlL The Young Dudes” e “Heroes”. BJão!

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