LUZ NO FIM DO TÚNEL – 5ª EDIÇÃO

15 02 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Como havia prometido, estou roubando temporariamente a coluna do grande Roberto, para indicar um álbum matador. A banda em questão se chama Backyard Babies e foi fundada em 1987, na Suécia, entretanto a trupe só alcançou um sucesso maior com seu terceiro álbum, “Making Enemies is Good”, de 2001, que é o trabalho a ser resenhado aqui.

Aliando a sujeira do Punk Rock com a pegada do Hard Rock, estes suecos fizeram o álbum que, em minha opinião, está entre os 10 melhores da última década – o “Appetite for Destruction” do século XXI. E já que toquei no Guns n’ Roses, podemos dizer que o Backyard Babies é uma espécie de Guns só que com o pé mais no Punk do que no Hard. Como já é de praxe, recomendamos que baixe o album e acompanhe a resenha.

Clique aqui para baixar o CD.

A bolacha começa com “I Love To Roll”, um Hard sujão com riff sensacional. De repente o vocal entra como um soco na cara. A letra é fantástica, Rock puro: “Há algo de errado com as drogas hoje em dia/Não há nada novo para mim/E há algo de errado com o sexo hoje em dia”. Em tempos de ditadura do politicamente correto, isto soa muito bem aos meus ouvidos. Logo em seguida vem “Payback”, com mais um riff destruidor, timbragem perfeita das guitarras, vozes e, incrivelmente, bateria. Não sei quanto a vocês, mas após a chegada das gravações digitais, com 5 milhões de microfones, os sons de bateria estão uma merda. Antigamente nego jogava três microfones na batera, e saía algo no nível de “Rock n’ Roll” do Zeppelin; hoje com tudo a disposição parece que estão batendo numa panela (segundo Keith Richards, “parece alguém cagando num teto de zinco”).

A terceira faixa, intitulada “Brand New Hate”, é a que dá nome ao álbum. Mas Gabriel, sou maluco, o nome do álbum não é “Making Enemies is Good”? Sim, caro leitor, mas antes de berrar o título da música, no refrão, ele canta: “Making Enemies is Good”. Aliás, a letra desta também é sensacional. O refrão diz, “Fazer inimigos é bom/Eu tenho um novo ódio por você”. Quando escutar esta música, pense em alguém que você odeie, e vai ver o poder que ela tem. Junto com uma letra matadora, vem um instrumental insano, mezzo Punk, mezzo Hard Rock. Assim que ela termina, um riffzinho bem simples, mas sensacional (o AC/DC realmente fez escola) abre “Colours”, a próxima porrada do álbum. Esta tem uma levada mais lenta (mas não ache que é uma balada, só não é tão rápida quantos as outras). “Você não pode segurar um vira-lata numa coleira/Então deixe seu sangue selvagem correr livre/Eu acabei de descobrir, por acaso/Que as boas intenções sempre pavimentaram a estrada para o inferno”. Isto é poesia! Nesta há ainda um tecladinho fazendo um clima por debaixo dos outros instrumentos. Fantástica!

“Star War” é a próxima, e arregaça com tudo. Rockão de primeira linha! A velocidade volta, mas sem deixar para trás as melodias vocais, instrumental excelente e letras muito bem sacadas: “Eu não preciso de médico/Porque ninguém tem a cura para mim/Porque eu sou um destruidor de corações e agitador de almas desde 1973”. A linha de baixo desta música é foda demais! A seguir temos “The Clash” (é o nome da música, não tem nada a ver com a banda do Joe Strummer). Esta chegou ter o videoclipe veiculado algumas vezes na MTV, e se trata de um Rockão Punk Hard genial. O refrão te pega pelo pescoço e não larga. O solo é simples, mas excelente (a preparação para o solo lembra bem o Guns). Sinceramente, não sei como os caras não explodiram de vez com este disco, mas vamos em frente.

“May Demonic Side” é a próxima e, pelo nome, dá pra perceber que vem sujeira por aí. Ela começa um tanto angelical, com um teclado emulando uma orquestra fazendo um clima bem baixinho, mas aí uns sons estranhos surgem e as portas do inferno se abrem. Mais um riff genial, com a bateria acompanhando. O andamento é levemente mais lento, mas em se tratando de letra, é uma das mais pesadas. “Você me seguiria ao inferno e de volta/Você está vivendo num sonho destruído?/Eu tenho escondido meu lado demoníaco/Porque as promessas eram mentiras”. Um soco no estômago! A próxima se chama “The Kids Are Right” e tem uma pegada mais Punk, mas com o andamento não tão rápido. A letra mais uma vez dá uma cutucada no politicamente correto. “Mil anos de saudações/E tudo que construímos foi uma nação Disney”.

“Ex-Files”, a faixa seguinte, tem um andamento mais lento, mas é bem pesada. Um refrão que te pega de primeira (você vai sair cantando ele o dia inteiro, acredite). “Eu não sou o que te ama/Eu sou o que te deixou para trás”. Fale a verdade, quantas vezes você não quis dizer isso para uma namorada (ou namorado, no caso das meninas)? O solo aqui é fodástico, sendo a cereja do bolo. O disco segue com “Heaven 2.9”, a mais Punk Rock do trabalho. Rápida, letra urgente, melodia cativante e destaque para o backing vocal no refrão. Uma canção Punk Rock matadora! A próxima se chama “Too Tough to Make Some Friends”, e escracha com o conceito de amizade. Se ligue: “Amigos sempre te ligam e mentem no telefone/Como se pensassem que você também é tolerante/Bem, o que estou tentando provar é que o que eu faço não é para você, é para mim”. “Painkiller” é o título da faixa seguinte – uma espécie de balada barra pesada, com violões, guitarras distorcidas e uma letra que é sujeira pura: “Vi que seu telefone foi cortado de novo/Você injetou todos os seus problemas na veia?/Alguém te viu e disse que você estava mortalmente pálido/Outra noite no inferno, outra noite na cadeia/Então você finalmente se rende/Para o sono sem fim/É encontrado morto na manhã seguinte/Com sua vida a seus pés”. Chega a ser bizarro, não?

“Bigger W/A Trigger” e “P.O.P” fecham este álbum sensacional. A primeira começa com um refrão cujo riff lembra o de “Breed”, do Nirvana, num andamento um pouco mais lento. Ela tem uma pegada meio grunge até, mas o Punk Rock se mostra em mais evidência. O refrão mais uma vez é matador, e o solo funciona perfeitamente. “P.O.P” (Bonus Track que veio em algumas versões do disco) é um Punk Rock de primeira linha, que encerra este álbum fantástico com chave de ouro.

Baixem, escutem o álbum e usem o espaço de comentários para dizerem o que acharam da bolacha. Como já disse antes, para mim, este álbum está entre os dez melhores da década passada. Mas deixo aqui um aviso: não escutem este disco enquanto estiverem dirigindo, pois é risco sério de acidentes.


Ações

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10 responses

15 02 2011
Roberto A

Dae Gabriêra! Massa o post. ouvirei a parada, ainda não conheço.
ABRAX

15 02 2011
Gabriel Gonçalves

Valeu, Robertão! Escute os caras e depois comenta aí o que achou. Abração, meu velho!

15 02 2011
Renato Pina

Nossa! Isso sim é um clarão no fim do túnel! Eu já conhecia o trabalho dos caras, mas nunca tinha escutado um cd inteiro! Essa banda é uma voadora no pé da goela. Em algumas músicas eu achei que os solos poderiam ser melhor explorados, mas como isso é punk/hard, soa perfeito pra proposta deles. Ótima indicação, Gabriel, sempre que quiser vir e “roubar” a sessão para postar essas porradas, por favor, não se acanhe!😀

15 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Renato! Eu tinha a impressão que você iria curtir os caras. Eu descobri por acaso – vi o clipe de “The Clash” e corri atrás do CD para ouvir inteiro. Quando terminei de escutar o álbum, tava desnorteado, rs. Com certeza é uma banda que petendo completar a discografia. Abração, meu velho!

16 02 2011
Roberto A

Fala Gabriêra! Rock estradeiro punk do bom hein! animal sim. ouvindo em alto e bom som (nos fones claro, rs). Abriu bem o disco, e a segunda já dá vontade de pegar a estrada pra Chapada dos Guimarães, com algumas cervejas no isopor, e carnes pra preparar um churras na beira de uma cachoeira,rs. Tudo como sempre, questão de gosto, a terceira faixa pra mim é alegrinha por demais. Legal mesmo o tecladinho em ‘Colours’. Tipo, bom post irmão. Pro meu gosto pessoal gosto de coisas mais obscuras, estranhas e distorcidas, mas para um fim de semana ensolarado, ou pra levantar o astral, é dez sua dica. Eles ainda não explodriam de vez porque o som deles é muito do comum Gabriêra, e todos sábios ( boa essa ) do mercado musical são unânimes em dizer que só se destará quem tiver um que de diferente em sua arte, e esse não é o caso deles, apesar de boa banda, “The Clash” mesmo, não tem nada demais, Green Day faz melhor. “The Kids Are Right” é ainda mais genérica, não tocaria nas rádio rock,rs. Bro, valeu por upar ele no file serve. Tanx.

ABRAX

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Robertão! Legal que você tenha curtido, meu velho. Este é um daqueles álbuns que curto inteirinho, sem nenhuma música só para encher o o disco, saca? Abração, meu velho!

16 02 2011
Bruno Brizon

Ótimo álbum, ótima banda! Pena que há tantas bandas boas por aí sem reconhecimento. Se não tivesse visto o clipe “The Clash” em 2002, dificilmente teria conhecido a banda. Sorte minha!!

16 02 2011
Gabriel Gonçalves

Fala, Bruno! Meu caso foi igualzinho ao seu. Vi o clipe de “The Clash” em 2002, e corri atrás do CD. Desde então tenho sido um grande admirador do trabalho dos caras. Abração, meu velho!

18 02 2011
Marcos Gonçalves

Vou baixar o cd, meu velho. Parece coisa boa mesmo.

18 02 2011
Gabriel Gonçalves

Eu acho do caralho, Marquêra, mas não sei se vai fazer seu estilo. De qualquer forma, baixe e veja se curte – eu acho sensacional. Abração, meu velho!

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