ENTREVISTA: VALMOR PEDRETTI JR. (WORLDENGINE)

4 02 2011

Não é novidade para ninguém que músico, no Brasil, come o pão que o diabo amassou. Quando o cidadão, além de músico, resolve tocar Rock n’ Roll, aí já era. Ele está fadado a trabalhar feito escravo, em vários projetos diferentes, para conseguir sobreviver de sua profissão (e paixão).

Não é diferente para Valmor Pedretti Jr., multi-instrumetista e produtor gaúcho que já trabalhou com gente do quilate de Bruce Loord (The Pineapple Thief), Joey Vera (Fates Warning/Armored Saint) e Brenno Di Napoli (Rita Lee), para citar alguns. Como foi dito acima, Valmor trabalha em várias frentes, sendo integrante da banda URSO (Rock Instrumental); a grande mente por trás da Worldengine (Rock Pós-Progressivo), banda que reúne integrantes de todo o mundo; além de ser membro do Coletivo 4’33’’, que compõe, grava e fornece música para filmes, propagandas, desfiles e, segundo os próprios, qualquer coisa que precise de som.

O IMPRENSA ROCKER bateu um papo exclusivo por e-mail com Valmor, que falou da Worldengine, planos para o futuro, bandas preferidas e muito mais!

Valmor, Com que idade você começou a se interessar por música? Qual sua idade agora?
Sempre houve um interesse, especialmente pelo quesito rítmico. Mas sou um destes músicos tardios, comecei a tocar com 18 anos. Estou com 31 anos agora.

Quais eram seus estilos musicais preferidos no início? E agora?
Eu comecei a tocar bateria pra poder tocar Kiss com meus amigos. No início era apenas Hard Rock e Heavy Metal. Fui envelhecendo e abraçando o Progressivo, o Alternativo, o Eletrônico, o Avant-Garde, o Pós-Rock e hoje em dia começo a ganhar mais apreço pelo Jazz.

Quando você resolveu aprender um instrumento musical e qual foi o instrumento?
Com 18 anos, passei na frente de uma escola de música próximo de casa e vi que eles tinham aulas de bateria, uma antiga ânsia minha. Comecei a estudar com o grande Mano Gomes e, três meses depois, minha mãe, eterna apoiadora do meu interesse artístico, me comprou um kit Premier.

Valmor e as baquetas: como tudo começou.

Quantos e quais os instrumentos que você toca?
Eu arranho um pouco de cada um dos instrumentos básicos de Rock. Bateria, guitarra, baixo e teclados. O suficiente para poder criar meus arranjos. Não sou mestre em nenhum. Não consigo praticar, prefiro gastar meu tempo criando músicas. Só não sei cantar.

Pode nos contar um pouco de sua trajetória na música? Primeira banda, quando resolveu ter a música como profissão, etc…
Minha primeira banda foi a Burnin’ Boat, com o grande Guilherme Dieckmann, que hoje toca comigo na URSO, banda de Rock instrumental pesado. A Worldengine já existe na verdade faz uns sete anos, demorando para tomar a forma ideal e achar os músicos certos. Experimentei vários projetos neste meio tempo, a maioria só por diversão. Ter música como profissão sempre foi uma obsessão, que eventualmente se concretizou.   

Como produtor, com quais artistas você já trabalhou?
Nós temos aqui um coletivo de criação musical que oferece um trabalho de produção para os mais variados formatos, além de trabalhar a produção dos projetos dos envolvidos. Temos ultimamente produzido remixes para vários grupos estrangeiros, além do The Pineapple Thief. A banda americana Under the Flood, por exemplo, nos encomendou quatro remixes em cima de faixas de seu álbum “Alive in the Fire”.

Como você acabou remixando uma música do Pineapple Thief? Você já conhecia o Bruce Soord?
Eu já trocava e-mails com ele fazia algum tempo e falávamos em uma parceria dele com a Worldengine. Ele lançou uma competição de remixes do álbum “Little Man” deles, que ia ser reeditado. Isso ficou meio esquecido, mas eu resolvi insistir em uma tentativa e ele acabou curtindo demais o nosso trabalho em cima da faixa “Dead in the Water”. Então nos pediu permissão para incluir o remix no EP – este que vocês resenharam -, o que foi uma grande honra.

Há quanto tempo você trabalha com música?
Profissionalmente, fazem uns três anos. Comecei a trabalhar em uma produtora de áudio para publicidade, e foi lá que conheci toda a trupe do nosso coletivo, o 4’33”. No início deste ano, resolvemos sair da empresa para nos dedicar aos nossos próprios projetos.

Tem alguma banda ou artista preferido?
São muitas bandas, mas acho difícil esconder que meu grupo preferido é o Porcupine Tree, do Steven Wilson. Existe uma identificação muito forte no tipo de música que aprecio criar e a obra deles.

Qual o show que mais lhe marcou?
O show do Rush na tour do “Vapor Trails”, com certeza. A primeira vez deles no país, uma mega produção que salientava que eram apenas três caras fazendo todo aquele som incrível.

Vamos falar da Worldengine. Quando e como surgiu a idéia de montar uma banda com integrantes que moram em cantos diferentes do planeta?
Na verdade não foi tanto uma idéia, foi mais uma conseqüência. A banda existia em um formato tradicional, mas os line-ups não rendiam no quesito criativo como eu gostaria. Eu comecei a arranjar as músicas sozinho, e após algumas experiências compondo a esmo via fóruns de internet e afins, percebi que era um conceito válido, especialmente pela questão da qualidade de gravação.

Qual o objetivo da banda?
Acho que é o objetivo da maioria das bandas. Compor, soar interessantes e diferentes, tocar ao vivo. Superar cada composição anterior em termos de ousadia e inovação. E essa questão da colaboração internacional gera toda uma química diferente. É sempre uma surpresa fascinante escutar as idéias dos amigos espalhados pelo mundo em cima de uma demo feita aqui.

Como são feitas as composições e gravações das músicas?
Geralmente partem de uma idéia minha, às vezes mais completa, às vezes mais simples. Agora tenho um time forte trabalhando aqui junto comigo, então não preciso esperar tanto tempo até todas as colaborações de fora chegarem. A bateria acaba sendo o fio condutor da produção final. Eu envio a faixa para um dos dois bateras (Russell Lee nos EUA ou Paul Schreier na Alemanha), e assim que eles enviam o arquivo, começamos a gravação valendo de todos os instrumentos e mixamos.

A banda já contou com músicos de peso, como Joey Vera (Fates Warning/Armored Saint) e Brenno Di Napoli (Rita Lee). Como eles acabaram se envolvendo no projeto?
Bem, a questão dos colaboradores começou com amigos de fóruns que, além de muito talentosos, dispunham de equipamentos de gravação profissional que eu na época não tinha, como bons microfones para gravar violões. Veio então um segundo momento no qual eu, me sentindo seguro com a qualidade das composições, comecei a mostrá-las a músicos que eu admirava, como Joey Vera, Marcos De Ros e Sel Balamir. Para minha surpresa, vários destes topavam colaborar na hora, sem muitos rodeios. O Brenno é um caso especial, pois nos conhecemos no nosso antigo local de trabalho (ele havia se mudado há pouco tempo para Porto Alegre) e a amizade foi instantânea. Não demorou muito para o cara tornar-se o baixista oficial da banda.

A mente por trás da Worldengine

Quais os planos, num futuro próximo, para a banda?
Terminar nosso disco e tentar fazer um primeiro show na cidade, com tudo que temos direito (fizemos um pocket show acústico abrindo para a Anneke Van Giersbergen em 2010). O ideal seria em um teatro ou algo assim. Sou muito fã da idéia de tocar para platéia sentada.

Hoje a tecnologia já permite você filmar e transmitir as imagens ao vivo. Tendo isto em mente, você já pensou em fazer shows com a Worldengine, com cada integrante em um canto do mundo?
Acho que ainda não temos os aparatos para um show de qualidade neste formato, mas certamente eu pretendo visitar as cidades dos nossos colaboradores para poder subir com eles ao palco e executar as músicas que ajudaram a construir. E temos hoje a “Twitcam” para mostrar isso para o resto do mundo!

Como você definiria o som da Worldengine? O que seria o Rock Pós-Progressivo?
Este é um rótulo que me ocorreu na época que comecei a me ligar no pós-Rock e estabelecer conexões com o Rock Progressivo, umas das minhas paixões mais antigas. Então, logo depois vi a gravadora “Kscope” usando o termo para descrever os artistas com quem trabalha e adotei de vez, mesmo sendo um pouco avesso à questão de rótulos.

O que a Worldengine já conquistou? Como está a banda no exterior?
Estamos tentando construir uma imagem de banda séria pela internet, devagar e sempre. Fico feliz de já ter obtido feedback positivo de vários grandes artistas, como Arjen Lucassen, Tim Bowness e Kevin Moore. Acho que a bola começa a rolar mesmo quando conseguirmos fechar o primeiro disco.

Quais as influências da banda?
Hoje, como temos um grupo local que atua mais em conjunto na hora de criar, essas influências se expandiram, deixando de ser somente as minhas. Então temos o Rock Progressivo clássico como chão, o Pós-Rock como elemento moderno e no meio disso uma miríade de outros sons, da Eletrônica ao Grunge.

Vocês estão atualmente produzindo um EP. Quando ele será lançado?
A idéia de EP já está um pouco defasada até. A idéia é ter um álbum mesmo. Composições suficientes já temos, então vai ser mais um processo de escolher quais serão finalizadas e entrarão no tracklist. Eu diria que com certeza este ano devemos ter um lançamento em algum formato.

Vocês irão disponibilizá-lo só pela internet ou haverá a versão física do álbum?
Como colecionador de discos, faço questão de termos uma versão física da obra. Tudo vai se definir quando tivermos um panorama das opções para lançá-lo.

Alguma gravadora já demonstrou interesse pela banda?
Estamos tentando abrir portas lá fora, e até existem contatos na Inglaterra, por exemplo. Prefiro ter a obra em mãos para poder apresentar e estudar possíveis propostas.
  
Obrigado pela disponibilidade, Valmor. Este espaço está livre para você mandar um recado para os leitores do IMPRENSA ROCKER e para você deixar os endereços onde eles possam conferir seu trabalho e do Worldengine.  
Agradeço muito esta oportunidade e convite. Existem vários canais para a galera se manter antenada no trabalho da Worldengine e outros projetos nossos, como a URSO e 5 Hours Away, por exemplo.

www.soundcloud.com/worldengine
www.soundcloud.com/coletivo433
www.myspace.com/urso
www.youtube.com/worldengine


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4 responses

4 02 2011
Roberto A

Gabriel, urgente!
Percebeu as figuras que estão ca capa da atual Veja? Que achou disso? Que Nojo!

4 02 2011
Gabriel Gonçalves

Robertão, não acreditei na hora que vi! Fui no mercado agora há pouco e passei numa banca de jornal – velho, na hora que vi aquilo deu vontade de vomitar, rs. O “bom mocismo” e o politicamente correto agora estão sendo recomendados e apoiados. Que mundo chato do caralho que a gente tá vivendo. Abração, meu velho!

4 02 2011
Roberto A

Irmão! PQP, faço das suas as minhas palavras. vi hoje cedo num mercado, e passei mal. perdi qualquer fé na humanidade.

7 02 2011
Gabriel Gonçalves

Muito bizarro, Robertão… São os fins dos tempos.

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