LUZ NO FIM DO TÚNEL – 1ª EDIÇÃO

18 01 2011

Por: Roberto A.

Iniciamos com este post mais uma seção fixa do IMPRENSA ROCKER. O leitor e colaborador Roberto A. será o responsável pela “Luz no Fim do Túnel”, uma seção que irá trazer resenhas de álbuns – recém lançados ou não – que valem à pena serem escutados, mas que são desconhecidos pela maioria do público.

Bom, chega de enrolação… Vou deixar o homem falar.

Estamos com este post inaugurando uma nova seção do blog Rock mais livre da web atualmente, e como colaborador me sinto muito gratificado e honrado de estar interagindo com todos vocês, navegantes que ainda acreditam na força comportamental do Rock n’ Roll.

Sim, há luz no fim do túnel. Eu, como venho dos anos 80, e desde pirralho amo Rock, nos últimos anos venho vendo uma queda total na qualidade das músicas e bandas em geral, porém, como consumista, e “baixador” voraz, costumeiramente acabo encontrando muita coisa interessante. O mote das minhas resenhas por aqui será justamente apresentar para vocês música que valem à pena.

Gosto principalmente de Rock n’ Roll (óbvio), vertentes do Electronic, Metal e também algum Soul, New Age, Ambient, e todo tipo de música estranha, esquisita, mas que sendo boa, me basta.

Como se não fosse suficiente essa dependência obtida em descobrir novos artistas que importam, ainda sou músico, guitarrista, e apesar de no momento não estar participando efetivamente de nenhum projeto relevante, não descarto de no futuro próximo retornar às gravações e aos shows (secundários para mim, prefiro gravar e me ouvir).

Hoje pela manhã, como todos os dias, me obriguei a ouvir os montes de discos que baixo, e apresento a vocês uma banda que definitivamente me surpreendeu, e eu tenho que compartilhar com vocês, amantes de música da boa. O nome da rapeize é Karnivool, e o álbum resenhado chama-se “Sound Awake”.

Há algumas definições deles na web como Progressive Rock, mas eles vão muito além disso: colocam altas doses de Grunge, de Rush, de distorções de alto nível e uma produção de arrancar os cabelos de boa. O disco já começa muito bom, com “Simple Boy”, inicia tímida, progressiva, vocal muito revelador, e como eles dizem no som: “You Are Free To Go”. Eu recomendo a todos os navegantes seguirem o conselho desse verso!  Músicos pra lá de convincentes e competentes, e letras muito acima da média geral do que rola por aí, senão vejamos: “Eu vou lutar até que não sobre nada/Cruzar o mundo juntos a partir deste navio afundando/Ou se afogar sozinho ao largo da costa/De frente para o nada. Atraídos para sentir o vazio/Oh, me ajude agora/Descreva a cena”. Coloque um pouco mais de volume e não se arrependerá, pois um solo de guitarra muito bem timbrado virá na sequência – algo meio Yes, sei lá. Gostei demais dos timbres tirados aqui. Como guitarrista que sou me ligo na produção como um todo; o som da bateria, por exemplo, é fabuloso, e estamos apenas na primeira faixa!

Riffs distorcidamente matadores vem na segunda música, a porrada “Goliath”. Baixão distorcido incluso – impressiona o alcance vocal do cantor deles. Dedilhados lindos de guitarra logo surgem pra complementar e um refrão que simplesmente dá vontade de saltar ou acelerar o carro numa autoestrada o mais rápido possível. As letras continuam maravilhosas: “Se isso é divertido/Eu espero que você aprecie a vista/Bem acordado e ainda está dormindo”.

Logo um vocal dobrado apresenta influências de Alice in Chains, bem como uma aparente angústia na música traz semelhanças com Seattle, ou Queensryche, mas é tudo muito bem tocado, arranjado, pensado, e realmente bom. “New Day”, a próxima, é uma bonita balada, daquelas que nunca terão espaço nas FM’s atuais, e isso é um ótimo sinal. A pegada do batera, por exemplo, não tem como não se impressionar, o sujeito toca muito. Um refrão honesto: “Como vocês todos falam com uma língua mentirosa?/Como todos nós dormimos com um sol morrendo?/Sente-se e ilumine o seu próprio/Esta tempestade está chegando/Você deveria ficar em casa”. O bicho pega do meio pro fim da música. Porrada comendo, aumente só mais um pouco o volume nessa hora. Depois da terceira, dê um pause, abra um refri, e respire um pouco. A próxima é a nervosa “Set Fire To The Hive”, começa arregaçando porradaria, e o que se percebe no decorrer da faixa é uma ganchuda canção Rock, com um trabalho excepcional da cozinha, com o mesmo ótimo trabalho lírico: “Eu cuspo na boca de seu deus que sussurra na mente de nossos filhos/Você foi vendida novamente/Ateie fogo à colméia”.

Soturnamente, “Umbra” começa com feedback, guitarra dedilhada, para logo depois a fantástica bateria da banda dominar o ambiente, fazendo cama pra logo em seguida o vocalista suave e amargamente, disparar: “Pinte-me em seu próprio caminho/Na cor dos meus olhos/E veja que sentimentos esconder/Ninguém sabe o porquê/ ninguém pode perdoar/Segundo o pensamento, por que eu deveria me importar?”, soando bem sincero e legítimo. Pense numa música swingada, e gostosa de ouvir. Assim é “All I Know”. Guitarra com um delay maravilhoso, swingão na batera, vocal suave, bacanudo, enfim, muito bacana mesmo de ouvir esse som. Alto astral total, saquem só: “Continuamos em queda livre na gravidade/Apenas cortamos os fios do cordão umbilical/Isso é mais do que afinidade/Estamos a avançar através de um projeto infinito/Sou um tomador de alma e sou um mímico cruel”. Se possível, cole logo o som no máximo volume e feche as janelas da sala, ou do carro.

“The Medicine Wears” é a melhor balada que o Silverchair nunca compôs, um musicão timbrado lindamente. Volto a elogiar a produção esmerada que este CD tem. Refrão desesperado que brada: “Veja o que eu recebo quando o remédio desaparece”, e não sei porque algo nesta me remete à fase “The Hurting” do Tears For Fears – sotuna, fria e triste, porém profunda e bela. Quando se pensa em ter tempo pra recuperar o entusiasmo, os caras continuam com a pegada de qualidade e mandam “The Caudal Lure”, faixa na qual trasparece o entrosamente e nível técnico soberbo dos músicos, além do vocal parecer mais afiado do que nunca, clamando: “Nós deveríamos ter nos conhecido melhor/E não provar este vinho/E engolir/Para todos e mais/Nós colocamos nossos recurso para amanhã/E agora nós podemos consertar/Vamos despertar desta serpente e seguir”. E na boa, que solo fodão de guitarra! A música vai num crescendo, e quando você pensa que já viu tudo, ela se renova – e isso é do caralho. A faixa seguinte “Illumine” é aquela que agradaria os mais radicais, pois a testosterona, pegada e distorção comem solta na mesma, tenho fé desde já que será uma das favoritas do Gabri’s Rocker, pelo pouco que sei do gosto do peixe. Letra bacanona: “Então nos leve (Só existe uma maneira à esquerda) através do mundo da falsa promessa/É uma coisa para ser perdoada”.

Bom, este é um disco que, de fato, eu recomendo, como aliás serão todos que eu resenhar neste blog. Aqui vai o link para vosso deleite:

Clique aqui para baixar o álbum.

Logo estarei de volta com novas resenhas e novos posts novelísticos Rock n’ Roll.

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX


Ações

Information

16 responses

18 01 2011
Daniel Junior

Roberto, seja bem vindo e parabéns pela coluna. Um grande abraço.

18 01 2011
Gabriel Gonçalves

É isso aí, Daniel! O Roberto é um leitor das antigas e já colaborou muito com o blog. Esta seção vai dar o que falar. Abração, meu velho!

18 01 2011
Alex

gostei muito, moderno, pesado, bem tocado e bem arranjado….

18 01 2011
Gabriel Gonçalves

Estou curioso pra conferir a banda. Já baixei, mas ainda não tive a oportunidade de escutar. Abração, Alex, e volte sempre!

18 01 2011
BERNARDO

Estátuas de Slash e Lemmy Kilmister são vetadas

http://guitarplayer.uol.com.br/?area=detalheNoticia&id=1656

abraçao!🙂

19 01 2011
Gabriel Gonçalves

Valeu, Bernardo! Notícia no blog já. Abração, cara!

18 01 2011
BERNARDO

+ News:

Black Label Society no Brasil: divulgados valores de ingressos

http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=24933

e ai Gabriel , vai ao show… Show imperdível hein !! mto foda rs
Pena q moro em BH😦

19 01 2011
Gabriel Gonçalves

Valeu de novo, meu velho! Bicho, não sei ainda se vou – depende da grana. Pô, meu velho, BH é aqui pertinho de SP. Basta querer vir. Abração, Bernardo!

19 01 2011
Roberto A

Bernardo e Gabriel, seria ok vocês colocarem sim as suas opiniões a respeito do karnivool por aqui, slash já tem mídia suficiente, coerente foi ser vetado a estátua dele, precisa mostrar mais trabalho ainda.

ABRAXXXXXXXXXXX

19 01 2011
Gabriel Gonçalves

rs.., Fala, Robertão! Bicho, já baixei o disco, mas ainda não tive tempo de escutar – provavelmente só poderei hoje a noite. Assim que escutar, coloco minha opinião aqui. Abração, cara!

20 01 2011
Gabriel Gonçalves

Finalmente escutei o “Sound Awake”, e não achei esta maravilha toda, rs. Na verdade é o estilo dlees que não de minha preferência, mas achei que os caras fazem ótimas melodias e o vocal canta pra cacete – como disse, só não faz meu estilo. Mas a banda tem muita qualidade, sim. os arranjos são bem trabalhados, produção boa, os instrumentistas são competentes, etc. A música que mais gostei foi “New Day”, contrariando sua previsão, rsrs. Abração, meu velho!

21 01 2011
Roberto A

seria bacana se mais visitantes do blog participacem.
estimularia mais…

ABRAXXXX

21 01 2011
Roberto A

kct. erro grotesco no português…

PARTICIPASSEM.

e vamos lá rapeize! animo”

22 01 2011
Renato Pina

Bom, meu comentário aqui estava faltando mesmo! HHAHAHA

Enfim, Karnivool é uma excelente banda, eu já havia escutado algo deles, porém não fazem o meu estilo de música. Não sou fã de progressivo, tão pouco de Rush e similares. São músicos talentosos, mas que não satisfazem o meu gosto, sou um cara que curte mais hard, metal, heavy e classic, ou seja, algo diferente de Karnivool, porém, mais uma vez, não tiro o mérito deles, pois eles se sobressaem nessa maré de bandas sem sal e comerciais. Recomendo à todos o som dos caras, porém o ditado: “Façam o que eu digo, não façam o que eu faço.” se encaixa perfeitamente. HAHAHA

22 01 2011
Gabriel Gonçalves

Pois é, Renato, sua explicação cabe como uma luva para mim também, rs. É fato que a banda é mais do que competente, com músicos excelentes e etc, entretanto não fazem muito o meu gênero. Mas que se trata de uma banda de qualidade, isto não se discute. Abração, cara!

24 01 2011
Roberto A

Por aí Renato, o lance desta seção é colocar quem se sobresai nessa onda de artistas aquém, e nisso o Karnivool se encaixa perfeitamente, gostos à parte, tentarei postar sobre estilos diversos, mas que encaixam na praia do ROCK N’ FUCKIN ROLL.

Semana de luz pra todos nós!

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