UM JOÃO ALGUÉM…

8 12 2010

Nova Iorque se transforma à noite. Dá pra sentir o cheiro de eletricidade no ar. Numa noite fria, há exatos 30 anos, a big Apple estava diferente, pesada…

Em frente ao Central Park, um homem de nome simples – um John em terra de John’s – se preparava para mais um dia de trabalho. John era um guerreiro, mas sua espada era a guitarra na mão (Raulzito, me perdoe por roubar seu verso). Um herói da classe trabalhadora, que nunca fez muito em sua vida, exceto mudar o mundo aqui e ali – coisas básicas.

“Um estranho numa terra estranha” definia com exatidão toda a sua vida: estranho até mesmo para sua família. O menino John mal conheceu seu pai, e quando se tornou adulto, mantiveram uma relação… estranha. Aliás, num mundo estranho, a normalidade parecia vir de um ritmo que marcava a batida de seu coração: só o Rock n’ Roll salva.

O menino João descobriu que escrever era a melhor maneira de exorcizar os seus demônios, assim pôs-se a escrever. Aonde podia, e do jeito que dava, as palavras brotavam: falava de um dia na vida, implorava por socorro, chamava por sua mãe, exigia poder às pessoas… Ele simplesmente não podia parar.

Não podia, mas parou.

Na noite fria, pesada, diferente, estranha, há 30 anos, ele parou – na verdade, foi parado.

A caminho do trabalho, ainda durante o dia, ele realizou o sonho de um fã. Na volta pra casa, o mesmo fã decretou o fim de todos os sonhos. Por trás e de forma covarde, o velho Jão sentiu as pernas cambalearem, o corpo enfraquecer e a mente vaguear: daquele momento em diante as palavras foram silenciadas. Naquele momento, a música perdeu o coração.

Há 30 anos, numa noite fria, estranha, pesada e diferente, John Ono Lennon perdeu a vida, Yoko Ono Lennon perdeu o marido, Julian e Sean Lennon perderam o pai e o mundo perdeu a ingenuidade.

E a minha estrela amiga não fez a bala parar…

Escutem esta canção do início ao fim, mas prestem atenção aos versos cantados à partir de 1:13 até 1:43.


Ações

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8 responses

9 12 2010
Mick

Grande John Lennon… Puxa, pode parecer idiota, mas as vezes acho que esse cara era algum parente meu… E como queria ter conhecido.

9 12 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Mick! Às vezes a gente sente que ele é um amigo, parente… Abração, meu velho!

9 12 2010
Marcos Gonçalves

Essa música do Beto Guedes é de arrepiar. Linda mesmo, brilhante. Gostei do seu texto também, a morte do John é algo de muito bizarro que só os 80’s podem exlicar: uma década de ressaca, fim de festa. Depois do 60’s e dos 70’s revolucionários e livres vieram os 80’s – a ressaca, a overdose, a aids, o assassinato… Não que essas coisas não tivessem acontecido antes. E como aconteceram! Mas os 80’s são o marco simbólico do fim da festa e isso está muito relacionado ao assasinato do John: The Dream is Over. Quem retratou essa mudança de forma magnífica foi o Paul Thomas Anderson, diretor do filme Boogie Nights. A cena do reveillon de 79 para 80 é antológica, quando o corno manso mata a mulher vadia na cama com o ricardão. Só vendo para sentir como o diretor consegue traduzir essas mudanças numa única cena. Eu não esqueço nunca.

10 12 2010
Gabriel Gonçalves

Você falou tudo, Marquêra! Os anos 80 foram a ressaca da festa… E esta cena de “Boogie Nights “é antológica mesmo – aliás, um filme sensacional! Abração, meu velho.

10 12 2010
MARIA TERESA ABBONDANZA

Mais um lindo texto para um grande cara…ele merce estas e outras homenagens, nunca pode ser esquecido….

10 12 2010
Gabriel Gonçalves

Verdade, Teresa. Ele não pode, e tenho certeza de que nunca será esquecido. Bjão!

13 12 2010
Karin

Um simples canalha mata um rei em menos de um segundo….mas nem a força bruta pode o sonho apagar!!! John Sempre vai viver no seu legado musical, no seu desejo de paz pro mundo…

13 12 2010
Gabriel Gonçalves

Disse tudo… John morreu para se tornar imortal. Bjão!

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