MYLES KENNEDY: “ESTAR AO LADO DE JIMMY PAGE FOI INCRÍVEL”

1 12 2010

Enviado por: Raquel Hortmann
Fonte: Music Radar

“Está nevando muito agora, o que é bem legal”, diz um animado Myles Kennedy. O cantor e guitarrista do Alter Bridge está indo para uma passagem de som em 45 minutos no “FZM” em Dortmund, Alemanha, onde ele e o resto da banda – Mark Tremonti (guitarrista), Scott Phillips (baterista) e Brian Marshall (baixista) – farão um show com várias músicas de seu álbum cheios de riffs, “AB III”. “Até agora, a turnê tem sido ótima”, diz Kennedy. “As novas canções estão indo muito bem, então não há como melhorar”.

Não, não pode. E com certeza não há como melhorar os últimos dois anos que Kennedy teve. Entre fazer um som com membros do Led Zeppelin, gravar um álbum solo e excursionar com Slash (uma parceria que promete continuar), e agora, alçando altos vôos com o Alter Bridge, que está prestes a estourar no mainstream, ele está experimentando o tipo de sucesso que há apenas oito anos achava está fora de alcance.

“Eu meio que havia desistido do sonho, de certa forma”, fala Kennedy sobre sue humor por volta de 2003. “Mas então eu me juntei a Mark e ao resto dos caras, e construímos o Alter Bridge tijolo a tijolo. E é assim que deve ser. Passo a passo, a cada aumento no sucesso deve ser merecido. Qualquer elogio que recebamos, independente do que aconteça a partir de agora, é porque nós nos matamos de trabalhar”.

Quanto às turnês, o Alter Bridge não está com uma agenda tão cheia nos Estados Unidos. A banda pretende se concentrar principalmente na Europa, ou os Estados Unidos podem esperar vê-los em breve?
(Risos) Muitas pessoas estão me perguntando isto. Eu acho que é bom ser desejado. Nossa programação está bem agitada, mas sim, iremos tocar nos Estados Unidos. Basicamente, faremos mais alguns poucos shows na Europa, e então iremos direto para os Estados Undios, onde tocaremos até o dia 20, eu acho. Na verdade, haverão alguns shows no começo de janeiro.

Em meados de janeiro, entretanto, eu volto a me reunir com Slash e faremos a abertura para Ozzy. Será bem excitante, tenho que dizer. Está no palco com uma lenda e abrindo para outra – alguém me belisque. Às vezes eu não consigo acreditar o quão sortudo eu sou.

Por falar nisso, como rolou de Slash aparecer com o Alter Bridge na Suécia? Ele estava tocando uma guitarra “Paul Reed Smith”.
Aquilo foi incrível, não foi? Ele apenas apareceu. Acho que ele saiu do avião e apenas foi ao nosso show. Ele perguntou se podia fazer alguma coisa com a gente e, é claro, nós dissemos que sim, mas ele estava sem uma guitarra. Então ele pegou emprestada uma das nossas.

As pessoas estavam se perguntando: Slash trocou as “Les Paul’s” pelas “Paul Reed Smith’s”?
(Risos) Não, não, nada disso. Foi apenas naquela situação, naquela noite. Sim, eu posso imaginar os caras na “Gibson” ficando loucos só de pensarem na idéia dele trocar as “Lês Paul’s”. Foi um show divertido. Slash foi fantástico, como sempre.

Pelo que eu ouvi, Slash quer que você seja o único vocalista do próximo álbum solo dele.
Este é o plano. Sei que ele está trabalhando em algumas idéias agora. Eu adoro tocar com Slash, e a química que eu tenho com o resto dos caras da banda é fantástica. Estou realmente animado para ver o que ele trará para o próximo disco.

Estou curioso: pelo que eu li, Slash te ofereceu o cargo de vocalista do Velvet Revolver. Se os outros caras do Alter Bridge trabalharão com o Creed em algum momento, por que você não se junta a outra banda também?
Isto foi falado, mas não, esta oferta nunca foi feita para mim oficialmente. Eu acho que soltaram isto, foi mencionado, e seria uma grande honra, porque eu acho que os caras do Velvet Revolver são tremendos. Mas estou muito feliz com o que estou fazendo com o Alter Bridge e com Slash.

A coisa toda é bem interessante, inclusive: eles haviam me contactado em 2002, quando haviam acabado de se juntar. Eles me enviaram uma fita demo, e eu meio que trabalhei nela por um mês, mas eu não… não consegui acompanhar.

Não conseguiu? Por quê?
Você sabe, eu estava passando por uma fase bem estranha em minha vida na época. Estava bem desiludido com a música e com a indústria musical e tudo isso. Minha cabeça apenas não estava no lugar. Eu estive numa banda chamada The Mayfield Four – lançamos alguns discos e não tivemos tanto sucesso. Então nos separamos, e eu meio que me afastei da música. Voltei a dar aula de guitarra por um tempo. De qualquer forma, acho que tudo acabou dando certo. Os dois discos que eles fizeram com Scott Weiland são ótimos.

Não é que cantar para o Velvet Revolver não seja atraente, mas eu meio que já fiz meus planos e estou satisfeito. Como eu disse, tem sido ótimo com Slash e com todos na banda. Entre isto e o Alter Bridge, tem muita coisa acontecendo.

Além do mais, você tem seu próprio álbum solo.
Sim, eu estava para terminá-lo quando Slash me ligou no ano passado. Eu o gravei num pequeno estúdio em Idaho. Foi a minha primeira vez fazendo a co-produção. Trabalhei com Brian Sperber, que foi quem mixou os dois últimos álbuns do Alter Bridge, e ele fez um ótimo trabalho. Estou muito orgulhoso deste álbum. Ele é provavelmente mais do gênero cantor e compositor do que do estilo que as pessoas já me ouviram cantar. Há piano nele, e soa um pouco mais intimista. Estou pensando em lançá-lo no dia 21 de dezembro de 2012.

Espera um minuto… Por que esperar tanto?
Porque no calendário Maia, esta é a data em que o mundo deveria acabar (risos). Eu adoraria ver o que acontecerá se eu fizer o lançamento neste dia.

Bom, se o disco não vender, acho que todos saberemos o motivo. Antes de falarmos sobre o álbum do Alter Bridge, tenho que lhe perguntar sobre sua reunião com o Led Zeppelin há algum tempo.
Claro, mas devo dizer que nunca foi o Led Zeppelin em si, porque como poderia ser? Eu acho que eles estavam loucos para tocar novamente. Ainda assim, não estavam muito certos do que queriam fazer, exatamente. O que aconteceu foi que me reuni com eles por um dia, em julho de 2008, e apenas fizemos umas jams em cima de algumas idéias. Tudo correu muito bem, e como você pode imaginar, eu não podia acreditar que estava na mesma sala que aqueles caras. Quero dizer, tudo o que aprendi sobre o Rock, eu aprendi com o Led Zeppelin. Só de estar ao lado de Jimmy Page foi inacreditável. Todos os caras! Escitando suas histórias, todas as experiências… Isto foi algo no qual irei sempre lembrar com carinho.

Por que não deu certo, então?
Bom, não tenho tanta certeza. Novamente, não acho que eles tenham conseguido decidir o que queriam fazer. Eu realmente me reuni com eles alguns meses depois, e desta vez passamos uma semana trabalhando em idéias. Eu não fiz nenhum tipo de composição com eles – foi tudo bem informal. Havia tanta coisa acontecendo e volta deles, e então começou toda aquela conversa sobre o “Led Zeppelin voltar a excursionar”… Não tenho certeza do porquê das coisas não terem acontecido, mas está tudo ok.

É engraçado você tocar neste assunto, porque alguém me deu há pouco tempo o DVD deles tocando na “O2 Arena” em 2007, e cara, eles foram inacreditáveis. Uma banda tão poderosa. Eles estavam espantosos naquela noite.

Ficando no assunto Zeppelin, mas indo para o Alter Bridge, não pude deixar de notar que o seu vocal em “Slip To The Void”, a primeira faixa do álbum “AB III”, é bem na linha do que Robert Plant fez em “No Quarter”.
Sabe, é engraçado você ter dito isto. Eu não pensei de jeito nenhum no efeito do vocal enquanto gravávamos a faixa. Nunca foi mencionado que seria uma referência ou uma homenagem nem dada disso. Foi apenas algo que Brian colocou, porque achou que ficaria legal. E ele nem é um fã do Zeppelin; não foi como se ele quisesse me fazer soar como Robert Plant. Apenas pareceu combinar com o clima da canção e da letra. Eu nem havia percebido isto até recentemente.

Então há a faixa seguinte, “Isolation”, que tem partes que são praticamente Speed Metal. O que vocês estavam escutando enquanto faziam o álbum?
(Risos) Isto é Mark! Eu sei quais são as partes que você está falando. Isto tudo vem de seu amor por Speed Metal, com certeza. As raízes dele definitivamente são bandas como Slayer e o Metallica do começo. Sim, eu nunca poderia ter criado riffs e partes como aquelas.

Mas você entra no espírito.
Definitvamente eu entro no clima, mas estas partes não saíram de mim. Todas são do Mark.

Liricamente, muitos dos temas do novo álbum são bem sombrios. Alguma razão em particular para isso?
Falando por mim, eu estou questionando muitas coisas. Como posso explicar? O som da mpusica e dos arranjos são todos bem sombrios, e meio que abriu caminho para as emoções que eu estava sentindo. Fé, o significado da vida – eu estava passando por muitas mudanças; estava desiludido. A música meio que me deu a liberdade de externar estas coisas. Por outro lado, me senti em conflito, porque estava preocupado de em, talvez, estar me expondo demais.

Esta é a segunda vez que você usa a palavra “desiludido” para se descrever.
Acho que sim. Quero dizer, basicamente eu sou uma pessoa feliz. Estou contente com minha vida, minha esposa e minha família. Mas você realmente chega a um ponto em que começa a questionar as verdades absolutas que estão aí, e você percebe que simplesmente não há verdades absolutas. As coisas se partem, se espedaçam. Eu passei por um período no qual comecei a pensar sobre o motivo de certas coisas terem acontecido da forma que aconteceram. Eu acho que a música meio que – perdoe o trocadilho – preenche o vazio em mim (Nota do Tradutor.: vazio em inglês é “void”. Myles fez um trocadilho com uma canção do Alter Bridge, “Slip to The Void”) (risos).

Deixe-me perguntar sobre o processo de composição. Como este álbum tomou forma?
Basicamente sempre é com partes. Mark e eu vamos guardando riffs e seções musicais, então nos reunimos numa sala e vemos o que dá certo. Usamos o “GarageBand” às vezes, mas eu também uso o “Logic” e Mark gosta de usar o “Pro Tools”. Pegamos vários riffs e pedaços de música antes de estarmos prontos para gravar. Às vezes um de nós aparece com uma canção completa. No primeiro álbum, Mark escreveu “In Loving Memory” sozinho, e neste mais novo eu escrevi “Wonderful Life” sozinho. Mas estas são exceções.

Qual a porcentagem de partes que você escreve e que realmente acabam no álbum?
(Risos) É uma porcentagem bem alta, sendo que muita coisa acaba sendo alterada. Mas isto é ok. Você não pode se apegar demais neste tipo de coisa; na verdade, você quase tem que planejar que as coisas serão alteradas. Mas eu acho que compensamos isto ao aparecer com muito material. Acredite em mim, eu tenho riffs e pedaços de música que eu adoro completamente, mas se os outros caras não curtem muito, você não pode se apegar demais – pula para a próxima idéia.

Mesmo assim, não deve ser fácil, particularmente, ver a banda alterar algo que você goste tanto.
Não é fácil, mas como eu disse, você tem que aprender a seguir em frente. Nós funcionamos num nível de honestidade brutal. Se ninguém curte certa coisa, não vai funcionar.

O fato de todos vocês estarem envolvidos em diferentes projetos – os outros caras estão no Creed, e você trabalha com Slash, além de ter um álbum solo chegando – dificulta para vocês se reunirem como Alter Bridge?
Na verdade, não. De várias formas, quando nos juntamos numa sala, é fácil como andar de bicicleta – você nunca esquece como fazer. Quando nos juntamos, as coisas acontecem bem naturalmente e fácil. Não demoramos nada para entrarmos naquele espaço mental do Alter Bridge. Há uma zona de conforto que temos agora. Você sabe, esta banda já passou por tanta coisa junta. Nós temos uma ligação real que não pode ser quebrada.

Você sente que ajudou o caras a se encontrarem após o Creed ter se separado em 2003?
Não sei se colocaria desta forma. Eles estavam definitivamente começando do zero, mas eu também estava. Nos encontramos e começamos do zero. No Creed, eles estavam tocando em estádios, mas quando começamos como Alter Bridge, tocávamos em clubes. Nós fizemos esta coisa crescer juntos. Tem sido um processo lento e gradual, e agora parece que poderemos tocar em estádios em alguns lugares. Isto é bem excitante. Mas tem sido um trabalho muito duro, então não damos nada como garantido. E não subestimamos nossos fãs também.


Ações

Information

12 responses

1 12 2010
raquel

Nossa Gabriel , parabéns mais 1 vez viu… Tô te dando um trabalhão né!!! rsrs
traduzir isso tudo não deve ter sido moleza! rs

Ficou muito bom! Já li tudo e obrigada pela preferência na noticia , ok ??

abraços!!!!!!!!!

1 12 2010
Gabriel Gonçalves

Eu que agradeço, Raquelzinha! Hoje eu não tive tempo para nada, então ainda não peguei a outra que você mandou (Eddie Vedder), mas vou trabalhar ela amanhã. Bjão!

1 12 2010
Helton

Eu curto o Myles cantando e curto o Alter Bridge… ainda espero ele no Velvet hahahaha

1 12 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Heltão! Eu curto o Myles cantando também, mas confesso que não conheço o Alter Bridge (mas por preconceito do que tudo, rs…). Abração, meu velho!

1 12 2010
Helton

Se eu fosse vc baixava o Blackbird… vai te surpreender….

Abração

1 12 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Heltão! Vou escutar, sim. Quem sabe não me surpreendo? Abração, cara!

1 12 2010
raquel

Eddie Vedder is God.. rsrs

Só uma noticia boba mesmo , anunciando turnê na austrália em março 2011.
nada demais! kkk

abraços

1 12 2010
Gabriel Gonçalves

Oi Raquelzinha! rs… Vou dar uma olhada nesta notícia amanã 🙂 . Bjão!

2 12 2010
Helton
2 12 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Heltão! Realmnte este som é bem interessante, meu velho. Pra você ver, né? Eu ficava sem querer ouvir, porque achava que era algo na linha do Creed, etc… Som bem interessante mesmo. Abração, cara!

2 12 2010
Ana Fürs

É né? Eles são bem diferentes do Creed, fico feliz em ver a ‘felicidade’ do Myles em dizer que a banda está crescendo, matéria MUITO incrível!

2 12 2010
Gabriel Gonçalves

Oi Ana! Pois é, eles são bem diferentes do Creed mesmo. Vou procurar mais material deles com certeza. Obrigado pelos elogios… Abração!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: