BOHEMIAN RHAPSODY: UMA REVOLUÇÃO NO ROCK N’ ROLL

26 11 2010

Fonte: Mojo

Dois dias atrás, em 24 de novembro, completaram 19 anos da morte do incomparável Freddie Mercury. Para lembrar a data, o site da “Mojo” publicou uma matéria com depoimentos do baterista do Queen, Roger Taylor, falando da obra mais revolucionária de Freddie: “Bohemian Rhapsody”.

Confira a matéria na íntegra, em português, com exclusividade no IMPRENSA ROCKER!

Se há uma canção que representa a singularidade de Freddie Mercury, é “Bohemian Rhapsody”: líder das paradas por noves semanas durante o natal, na virada de 1975 para 1976, e canção que confirmou a incomparável extravagância e ambição musical do Queen.

“Na época, Freedie estava chegando a uma espécie de auge criativo no qual estava absolutamente voando”, lembra o baterista do Queen, Roger Taylor, direcionando sua memória para o período que gerou a música mais desafiadora e épica da banda. “Ele gostava muito de diferentes tipos de música, mas todas elas eram bem dramáticas. Com relação à “Bohemian Rhapsody”, Freddie nos apresentou a canção inteira na forma de blocos de harmonia rabiscados na parte de trás de uma agenda telefônica. Eram quatro partes diferentes, que gravamos separadamente. Nós sabíamos que ela era uma espécie de quebra-cabeça e que seria muito complicado juntar tudo, especialmente a parte operística. Sabíamos onde as batidas encaixavam, mas havia muitos espaços vazios que precisaram ser preenchidos mais tarde. Basicamente, Freddie tinha a canção inteira mapeada em sua cabeça”.

A complexidade da faixa era tão grande, que ela foi montada em seis diferentes estúdios – começando com os ensaios em Hertfordshire e culminando numa sessão no “Wessesx Studios”, em Londres, onde a banda e o produtor Roy Thomas Baker lutaram com o problema de fazer caber 120 faixas vocais (cantadas por Mercury, May e Taylor) nos 25 canais disponíveis.

“Aqueles backing vocals levaram uma semana para serem gravados”, continua Taylor. “E trabalhávamos duro todos os dias, os três cantando as partes”.

Este espírito de intenso esforço e atenção a detalhes ecoou através do quarto álbum do Queen, “A Night At The Opera”. Taylor cita “tentar recriar instrumentos de sopro com nossas bocas e batuques na mesa” em “Seaside Rendezvous” como exemplos do excêntrico espírito de aventura da banda. A banda também estava ciente de que, por causa de sua pirotecnia neo-operística, “Bohemian Rhapsody” era vital para o impacto do álbum.

“Nós sabíamos que ela era o “magnum opus” do disco”, confirma Taylor. “Ela era bem longa, mas sabia desde cedo que seria o single”.

Totalizando 5 minutos e 55 segundos, “Bohemian Rhapsody” é essencialmente uma canção sem refrão de quatro movimentos: A seção introdutória definida pelo vocal de Freddie questionando “Is this the real life? / Is this just fantasy?”; a seção confessional “Mama, just killed a man”, que culmina no solo de guitarra de Brian May e na cavalgada neo-operística de personagens góticos (Scaramouche, Galileo, Beelzebub, com alguns “bismillah’s”, “mama mia’s” e um rápido “Fígaro”, jogado como tempero). A seção com o riff pesado de Hard Rock (imortalizada na cena do carro no filme “Quanto Mais Idiota Melhor”); e a seção final, que culmina na insistência do protagonista de que “nada realmente importa para mim” (Nota do Tradutor: tradução da parte final da letra, em que o personagem diz “nothing really matters to me”), e que leva a canção a um final resignado.

O puro drama evocado pelo ornamentado lirismo de Mercury, ao longo dos anos, tem gerado muita especulação a respeito do significado da canção. Alguns a enxergam como uma declaração referente à sexualidade do cantor (geralmente dando o papel da “Mama” à ex-amante de Mercury, Mary Austin); outros sugerem que a canção está relacionada a um pacto faustiano com o demônio (N.R.: Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio).

“Não me peça para explicar sobre o que ela fala, porque eu não tenho uma porra de idéia”, gargalha Taylor. “É mais a vibração e o remorso na música que acabam funcionando. Então ela se torna terrivelmente gótica. Mas Fred estava vivendo numa espécie de mundo de fantasia. Nada relacionado à Tolkien, mas havia uma pintura chamada “The fairy feller’s Máster-Stroke” que ele usou (como inspiração para uma canção de mesmo nome no álbum “Queen II”) e que sintetiza onde estava a cabeça de Freddie na época. Tudo era Beelzebub e Bismillah. Muito dramático”.

O apoio inicial à idéia de lançar “Bohemian Rhapsody” como single veio de uma lugar bem improvável: o radialista e comediante Kenny Everett defendeu o Queen em seu programa na “Capital Radio”, em Londres, e tocou uma versão ainda inacabada da música.

“Este tipo de coisa seria impensável hoje em dia”, diz Taylor. “Mas éramos muito amigos de Kenny na época. Ele era uma fã desde “Killer Queen” (lançada em outubro de 1974). Nós agendamos uma audição do álbum, ainda não finalizado, para ele ouvir. Kenney apenas disse, “por favor, por favor, por favor, posso gravá-la e tocar no programa”? Nós dissemos “sim”, e ele acabou tocando “Bohemian Rhapsody” no rádio antes de terminarmos ela. Os ouvintes a adoraram, então ele a tocou muitas vezes e acabou sendo vital para i sucesso do disco”.

Lançada em 10 de outubro de 1975, “Bohemian Rhapsody” começou sua escalada ao topo das paradas britânicas, se tornando um improvável nº 1 no natal, mas não antes de diversas partes da gravadora da banda externarem suas preocupações com a duração da faixa.

“Nossa gravadora norte-americana (“Elektra”) tentou editá-la, mas não funcionou”, diz Taylor. “A versão final era muito longa e as pessoas se convenceram de que durava 7 minutos, quando na verdade não tinha nem 6 minutos. No final, entretanto, houve apenas uma versão da faixa e foi com a duração que queríamos. Para ser honesto, nós éramos arrogantes demais para deixar que dissessem o que fazer, em primeiro lugar.

O melodrama que definiu “Bohemian Rhapsody” foi mais tarde reforçado pelo seu vídeo, dirigido por Bruce Gowers (mais recentemente ele ficou famoso pelo trabalho no “American idol”).

“A razão principal para termos feito o vídeo foi porque estávamos em turnê e não poderíamos participar do programa “Top of The Pops”, que era garantia de sucesso na época”, explica Roger Taylor. “Estávamos sentados, tentando achar um jeito de aparecer no programa no mesmo momento em que estaríamos em Liverpool. Nossa empresa de gerenciamento tinha uma unidade de transmissão externa para fazer material de esportes para a “ITV”, então pensamos: “Por que não filmamos o ensaio”? No último dia, antes de carregarmos os caminhões, nos filmamos tocando a canção em Elstree. Lembro de bater no gongo no fim da música e me sujar todo, e então ter que me limpar para entrar no ônibus e começar a turnê britânica. Cinco dias depois, o vídeo estava na TV. Então de repente percebemos que poderíamos ser vistos na Austrália e no resto do mundo enquanto estávamos em nossas camas”.

Se o video de “Bohemian Rhapsody” agora é visto como um momento pioneiro na televisão, a faixa em si continuou a ressoar ao longo dos anos, inclusive em dezembro de 1991 quando, junto com “These Are The Days Of Our Lives”, liderou as paradas novamente, logo após a trágica morte de Mercury.

“Eu realmente acho que ela é uma grande obra”, conclui Roger. “E, como eu disse, a canção foi, de verdade, uma criação de Freddie”.


Ações

Information

6 responses

28 11 2010
MARIA TERESA ABBONDANZA

O Queen também fez parte da minha vida, adoro eles…inesquecível…

28 11 2010
Gabriel Gonçalves

Da minha também, Teresa! Com certeza o Queen está no meu top 5 de bandas preferidas. Você conseguiu vê-los no Via Funchal em 2008? Mesmo com o Paul Rogers (que pra mim é um dos melhores vocais da história), foi arrepiante. Bjs

30 11 2010
Doni

A Night the Opera é o melhor álbum do Queen, na minha opinião. Um dos melhores álbuns de todos os tempos. “Bohemian Rhapsody” é excelente. Porém, muito antes dela outras bandas já haviam ido mais longe… “On Reflection” e “Design” do Gentle Giant, por exemplo.

Abraço.

30 11 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Doni! Ralmente o Gentle Giant é bem legal também, mas estas músicas que você citou não são tão anteriores (na verdade, a “Design” foi feita depois do “A Night At The Opera” ter sido lançado). “On Reflection” saiu no “Free Hand”, lançado em julho de 1975, enquanto o “A Night At The Opera” foi lançado em novembro do mesmo ano (sendo que a canção, é claro, foi escrita bem antes do disco ser lançado). Já a “Design” só saiu em 1976, no álbum “In’terview”. Na verdade, aquela foi uma época em que várias bandas exploravam um lado mais épico e operístico do Rock (o Moody Blues fazia o mesmo), então fica bem difícil saber quem começou o quê. Abração, cara, e volte sempre!

30 11 2010
Donizetti França

hehe

Já vi que estou bem informado a respeito das datas!

rsrs

30 11 2010
Gabriel Gonçalves

Tranquilo, Doni, é assim mesmo, meu velho. Conversando a gente acaba aprendendo muito. Abração, cara!

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