KEITH RICHARDS SE ABRE DURANTE CONVERSA NA BIBLIOTECA DE NOVA IORQUE

2 11 2010

Fonte: Rolling Stone

Keith Richards, que tem uma enorme biblioteca na sua casa em Connecticut, uma vez disse, “enquanto você está crescendo, há duas instituições que te afetam profundamente: a igreja, que pertence a Deus; e a biblioteca pública, que pertence a você”.

Paul Holdengraber, o diretor de programas da Biblioteca Pública de Nova Iorque, leu a frase em voz alta para um público de 600 pessoas na última sexta-feira, para apresentar Richards, que veio ao prédio “Stephen A. Schwarzman para participar do “Live From The NYPL”, um bate papo sobre “Life”, sua recém lançada autobiografia.

O editor colaborador da revista “Rolling Stone” foi quem guiou a conversa. Esta foi uma rara oportunidade de ouvir Richards falando longamente, sobre assuntos que variaram desde sua infância pós-guerra na Inglaterra (“Nós, não sabíamos que havia outro lugar fora de lá”, seu respeito por Mick Jagger (“Ninguém além dele consegue cantar “Midnight Rambler”) e paternidade (“De repente há uma pequena criatura que depende de você – então surge um senso de responsabilidade).

Mesmo Richards tendo recusado que um violão fosse colocado no palco, o burburinho sobre o show praticamente rivalizava com os das apresentações dos Stones. Os ingressos se esgotaram em 42 segundos. Havia uma equipe de filmagem de prontidão, junto com rostos familiares do mundo dos Stones; seu esquema de segurança, o promotor Michael Cohl e vários fãs famosos, como Lou Reed e Steve Van Zandt.

Richards entrou no palco às 19h30, vestindo um chapéu marrom, jaqueta de couro preta, e botas de camurça laranja. Ele sorriu para a barulhenta platéia enquanto se sentava. “A biblioteca pública de Dartford não era nada parecida com esta”, ele riu.

O guitarrista começou falando sobre sua infância na Inglaterra. “Haviam pedregulhos em todo o lugar”, disse. “Se havia alguma construção em pé, fantástico”. Ele passou a maior parte do seu tempo livre na biblioteca (“que lhe dava a sensação de que havia algo lá fora”) e, eventualmente, escutando música norte-americana – o Jazz que seus pais ouviam (Sarah Vaughn e Ella Fitzgerald) e as primeiras canções de Rock n’ Roll. “Entendam que o resto do mundo ficou fascinado com a música norte-americana”, disse ele, virando-se à platéia. “Aquele cruzamento de idéias só possível com culturas diferentes… Você não tinha aquilo na Europa. Nós tínhamos a Polka”, ri. Não tenho como destacar isto forte o suficiente. “Diabos, até os nazistas adoravam as bandas de Jazz”.

Ele falou sobre a bem conhecida história de ter encontrado Mick Jagger num trem. “Eu perguntei a ele, ‘onde você conseguiu estes discos’? ‘Chigaco’. Tudo começou daí. Eu apenas queria roubar os discos dele”.

Richards e Jagger logo estariam estudando o Blues com seus novos companheiros de banda, Charlie Watts, Bill Wyman e Brian Jones. “Estávamos maravilhados em ter nos encontrado e que poderíamos sentar e escutar aqueles caras – Jimmy Reed, Elmore James – e pensar, ‘oh, não tanto a musicalidade da coisa, mas sim revelar idéias e especialmente revelar sentimentos”. Richards disse que não foi cativado somente ela música do Blues, mas também pela natureza gentil de seus heróis quando os conheceu, especialmente Bo Diddley.” Eles eram “gentlemen”. Estes caras eram bem durões, mas eles se explicavam para você”.

Uma outra preocupação guiou os Stones: “Os adolescentes não irão escutar os caras originais”, Richards explicou, rindo. “Então pensamos, ‘vamos fazer a segunda melhor versão’ – algo meio que como uma filosofia angelical. Por que caras brancos da Inglaterra tinham que ensinar os norte-americanos sobre o Blues, até hoje é algo que não descobri”.

Richards contou que nunca considerou os Beatles como rivais. “Eles eram essencialmente um grupo vocal. Não importava se quem estava fazendo a voz principal era Paul, John ou George. Isto variava. Nos Stones, nós tínhamos um frontman – e tínhamos o melhor de todos”. Richards também mencionou Bob Dylan como uma influência. “Ele trouxe uma nova inclinação para a forma na qual se compunha. Eles precisam que a canção tenha três minutos ou você precisa que ela dure um pouco mais? Tome seu tempo”.

O guitarrista se tornou mais calmo quando a conversa entrou nas suas experiências com drogas. Ele começou explicando que passou a usar para conseguir atender à agenda exaustiva dos Stones, mas então interrompeu sua fala e disse: “quer saber de uma coisa senhoras e senhores, vou fazer um intervalo”. Ele se levantou, saiu do palco e retornou um minuto depois. “Assim é melhor”, disse. (A pausa de Keith para ir no banheiro certamente me surpreendeu”, disse DeCurtis à “Rolling Stone” mais tarde. “Se uma banda espera um minuto a mais entre duas músicas, você pensaria que ele está trocando de roupa. Aqui, ele poderia estar fazendo qualquer coisa. Levando em conta o ritmo de um evento como este, a pausa foi um pouco confusa”.)

Richards continuou dizendo que não recomenda drogas a ninguém. Ele tem estado limpo por 30 anos, citando a paternidade como sua motivação para largar as coisas mais pesadas. A reputação de doidão “tem me seguido como sombra nos últimos 30 anos”, disse ele, acrescentando que ele nem se considera mais uma autoridade sobre drogas. “Todas as minhas novidades estão obsoletas”.

Quado DeCurtis pediu que o guitarrista listasse três momentos essenciais em sua vida, Richards respondeu: “A primeira vez que fomos pagos para entrarmos num estúdio de gravação. O segundo foi ter tocado no “New York Academy of Music” – tocar num palco norte-americano pela primeira vez foi realmente um ponto alto da banda. O terceiro? Bem, ainda não cheguei lá”.

DeCurtis perguntou se Richards ainda se define essencialmente como um Stone. “Acho que sim”, disse. “Depois de todos estes anos, seria bem difícil me separar dos Stones de alguma forma coerente… Pergunte a Count Basie como é manter as coisas vitais funcionando após todos estes anos e ainda assim curtir. Ray Charles também. Todos estes caras ainda poderiam detonar mesmo após tantos anos. E há algo nisto que faz com que você não queira deixar ir embora”.

James Fox, que co-escreveu “Life” com Richards, disse à “Rolling Stone” que ficou impressionado após assistir a conversa, da platéia. “Sua humildade e reverência para com as pessoas que o ensinaram música é algo que aparece ao longo de toda a história”. “Sempre achei que seu senso de reverência é uma das coisas mais interessantes dele. Este lado dele nunca se alterou e manteve seu pé no chão. Isto foi mostrado nesta noite”, concluiu.

Antes de entrar no palco, “Richards” passou 20 minutos na sala de “Coleções Especiais” da biblioteca, onde a equipe havia organizado alguns itens raros, incluindo uma carta da Rainha Elizabeth I, um antigo fólio de Sheakspeare e uma das primeiras versões da Declaração da Independência norte-americana. Um último item estava coberto por uma folha de papel, onde estava escrito, “temos muito orgulho de termos isto”. “Richards levantou a folha de papel”, lembra DeCurtis, “e era o livro de dele. Ele riu muito. Keith tem muito orgulho de que seu livro esteja nesta biblioteca. Ele é uma pessoa que leva muito a sério a vida literária”.

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4 responses

3 11 2010
Marcos Gonçalves

Relato interessante, bem ao estilo Richards. Sò não entendi direito a parte das drogas. Limpo há 30 anos? Ein?

3 11 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Marquêra! Ele quis dizer que está limpo de drogas pesadas (heroína, etc…), mas a velha coca, maconha e etc continuam fazendo parte da dieta diária do homem, rs. Abração, meu velho!

22 11 2010
Beto Kaos Z Deja-vu

Para sempre keith Richards. É isso que penso deste belo músico, desta pessoa maravilhosa que apesar dos pesares manteve a mente livre do estrelismo e babaquices à parte. Meu pai que se drogou a vida inteira não tem 1% da humildade e respeito que Richards tem com as pessoas. O pai que não tive foi o Rock and Roll que me deu.
Keith seria parceiro de qualquer um em qualquer lugar ou situação do mundo.
Comprarei seu livro e o lerei como ele leria um livro assim, ou seja, sem caretisse alguma.
hahaha

23 11 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Beto! Acho que você disse tudo: o Rock n’ Roll é muitas vezes pai, mãe, amigo, conselheiro. Se Keith não existisse, alguém teria que inventá-lo pelo bem do Rock n’ Roll. Abração, meu velho!

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