DIÁRIOS DE “FINAL FRONTIER” – PARTE II

15 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

Dando continuidade aos diários escritos pelo produtor Kevin Shirley sobre as gravações do “The Final Frontier”,  o website do Iron Maiden publicou a segunda parte da série.

Divirta-se!

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Nem todo mundo estava a fim de gravar hoje, então a banda teve um dia de folga, e eu fui trabalhar sozinho, passando por todos os takes para compilar uma boa ótima performance de “Mother of Mercy”.

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Hoje gravamos uma música do Janick: “The Talisman”. Realmente saiu ótimo, e após a sessão, Adrian, Dave a esposa de Adrian, Nathalie, e eu fomos jantar no “Nobu in Atlantis”. Martinis de chocolate e vinho começaram a noite, e então uma fomos para um bar Rock n’ Roll chamado Crazy Johnny’s, onde a noite se estendeu até a manhã… Eu perdi minha carteira de motorista e meu cartão de crédito, e chegamos em casa nas primeiras horas do dia – todos mortos de cansado. Estou ficando muito velho para estas travessuras!

Sábado, 16 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei com uma pequena ressaca – para a ira de minha esposa, lá nos Estados Unidos, que disse que não queria se tornar uma viúva ainda – e fui trabalhar mesmo assim, após uma nadada do mar, para terminar a faixa “The Talisman”. Ela soa incrível, mesmo que eu esteja me sentindo muito mal! De volta para casa para me recuperar e assistir às eliminatórias da NFL… Saints e Arizona… 

Domingo, 17 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei me sentindo quase normal! Crazy Johnny, dono do bar homônimo – cenário das travessuras pervertidas de sexta – levou alguns de nós para a “Rose Island” com seu filho, Dylan, onde ele tem uma casa na colina com vista para uma absolutamente perfeita e maravilhosa praia branca – um grande dia de folga. Seu barco com motor “Yamaha” de 400 cavalos nos levou através do oceano numa forte velocidade de 50 nós, e foi muito legal. Janick foi o único membro da banda a vir; o resto estava ocupado ou ainda sofrendo – então o técnico Sean e sua garota, Sarah, o gerente de turnê Steve Gadd e o engenheiro Jared Kvita foram os outros piratas. Voltamos a tempo de assistir ao New York Jets vencer a final da conferência! Após viver na costa leste dos Estados Unidos por 16 anos, me tornei um torcedor declarado dos Jets.

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei às sete da manhã, um grande jeito de começar este lindo dia com uma ida ao dentista – eu lasquei um dente e uma coroa caiu de outro ao longo do fim de semana. Parece que estou caindo aos pedaços! Uma bonita dentista das Bahamas, Dra. Coverly, trabalhou em meus dentes com seus salto-altos e cabelo feito. Uma inspiração para mim!
Nicko voou de volta para a flórida hoje, então não começamos até às 13h. Gravamos uma ótima música do Adrian, meio progressiva, chamada “Starblind” – que ficou bem forte, em minha opinião…

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010: Nassau-Bahamas
Tenho tido problemas para dormIr – parece que fiquei acordado durante toda a última noite. Bate papos com na madrugada com Joe Bonamassa parecem ser constantes nestas noites, já que ele dorme em horários estranhos, planejando e tramando coisas… E batendo papo com sua namorada em algum lugar bem longe. Eu sou o terapeuta…
Gravamos outra nova música assim que conseguimos trabalhar hoje. Foi um começo tardio no estúdio, pois não havia eletricidade – as Bahamas ficaram sem luz até 13h30, mas a canção era bem direta – até bem simples para o Maiden, mas muito poderosa: “The Final Frontier” – quase soa mais como uma canção de John Mellecamp ou de Tom Petty do que do Maiden, mas parece ser a canção tema do álbum. Nós a deixamos bem crua!

Quarta-feira, 2010 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Não dormi na noite passada. Gravamos uma canção muito complexa hoje, acho que é de Dave, “The Man Who Would Be King”. Esta foi uma canção que a banda não conseguiu ensaiar antes, porque Janick sofreu um corte feio na mão bem quando eles estavam começando a aprendê-la e ensaiá-la na pré-produção, na França – então ele teve que ser levado ao hospital para uma cirurgia na mão e nos dedos. O jeito para esta música foi gravá-la em partes e hoje nós a juntamos. Foi bem difícil. Bruce decidiu que que não queria ficar nas hospedado nas tediosas acomodações em que estamos, num complexo residencial, então se mudou para o “Sheraton”, que provavelmente é mais divertido, e seguiu em frente até mais tarde do que nós, e consequentemente estava um pouco cansado hoje – o que não ajudou muito. Bem, pelo menos ele não está voando por aí…

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Tenho tido problemas para dormir, então o gerente de turnê do Maiden, Steve Gadd, me deu um comprimido para dormir e finalmente dormi bem por toda a noite. Levantei, fui para a academia e malhei com um treinador (a primeira vez em anos), e realmente gostei. Hoje gravamos uma ótima canção, meio Deep Purple, que se chamaria “House of Dr. D”! Estou certo de que este título não pegaria, já que é bem zombador – a música foi renomeada para “The Alchemist”.
Nicko normalmente adora o jeito como sua bateria soa nos álbuns, e me perguntou respeitavelmente se me importaria se ele assistisse enquanto editava os takes, e me prometeu que não diria nada. Eu, é claro, disse que não importaria, mas assim que comecei a trabalhar, ele não conseguia parar de falar, me advertindo sobre seus erros – que ele chama de “Nickoísmos” – nos quais eu estava tentando corrigir, então tive que encerrar a sessão. Os atualizarei amanhã, quando gravaremos a última canção, na qual Steve ainda estará trabalhando esta noite e promete ser um épico… Ahhh, o incrível Maiden!!!

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Gravamos uma faixa muito intricada hoje: “When The Wild Wind Blows”. Ninguém havia escutado ela, e Steve tinha todas estas idéias, então gravamos cerca de 10 diferentes pedaços melódicos – ele mostrava à banda  então gravávamos alguns takes. Ele mostrou a canção a todos e assoviou as melodias. Nicko estava estranhamente reservado hoje, mas tocou solidamente e bem. Acabamos com mais de duas horas de música gravada, nas quais tentarei começar a editar esta noite, mas Steve está completamente devastado – ele se esqueceu de comer e beber durante todo o dia, porque estava completamente concentrado – e eu ainda não sei como as partes da canção se encaixarão, então terá que esperar até nos encontrarmos na segunda-feira! Steve não aparece nos fins de semana, normalmente, já que estes dias são cheios de atividades com seus filhos, e ele é acima de tudo um pai dedicado.

Sábado, 23 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Fui malhar na academia cedo, então fui para o estúdio e passei do dia inteiro editando algumas faixas do Black Country – a banda que eu juntei com Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Jason Bonham e Derek Sherinian. Encontrei Nicko, Davey e Steve Gadd no bar “Poop Deck”, de noite, e fomos até o grande “Atlantis” resort, onde jantamos no “Nobu”, um restaurante japonês chique, e depois fomos ver um stand-up de Jerry Seinfeld. Davey é um grande fã e queria muito ir, mas foi apenas ok – nada especial, na verdade. Bebemos um pouco ao longo da noite… E inevitavelmente acabamos na cabana de daiquiris, batendo papo com uns convidados de um casamento irlandês.

CONTINUA AMANHÃ…

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Ações

Information

10 responses

15 09 2010
Helton

Pensa numa banda se divertindo pra gravar um album hahaha

15 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Helton… Eu penso a mesma coisa enquanto leio estes diários, rs. Os caras se divertiram pra caralho gravando o “Final Frontier”. Abração, meu velho!

15 09 2010
Gustavo Cavalcante

Jesus!, este tal de Kevin Shirley é um grande preguiçoso
viram os comentarios dele, sempre deixando as coisas para
o outro dia, tambem trabalhar com a maior banda de metal
do mundo deve ser um trabalho árduo, rs….

15 09 2010
Gabriel Gonçalves

rs… Fala, Gustavão! Na verdade acredito que este seja o processo normal de gravação – para as grandes bandas, é claro. Os cars fazem tudo com calma, sem estresse, etc. Abração, meu velho!

16 09 2010
Gustavo Cavalcante

tá kra, mas… se ele for assim com todas bandas q trabalha,
ele é um baita preguiçoso sim! rs………………………………….
Caro Gabriel, posso lhe revelar o pq do documentário FLIGHT 666
ter este nome?

16 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Gustavão! Não, cara, o que eu quis dizer que toda banda grande deve trabalhar desta forma – não que toda banda grande que o Kevin produz. Mas o ritmo do maiden é muito bom, sim. os caras gravaram o “The Final Frontier” completo em menos de um mês, enquanto tem banda que gasta meses e meses de estúdio. É que trabalho em estúdio é cansativo mesmo. Para cada solinho que você ouve no disco, o cara repetiu aquilo zilhões de vezes, até acharem o que ficou perfeito, saca? Então se a banda quiser passar o dia todo no estúdio, chega um momento que não rendem mais, aí é melhor dar o dia como acabado e ir relaxar. Abração, meu velho!

16 09 2010
Mickey

Meu, que vida maravilhosa essas caras tem, quase todo dias eles saem pra tomar drinks e etc em bares nas BAHAMAS, AUHUHAUHAAUH. Gravar esse álbum deve ter sido muito divertido, isso sim.

É claro que muito trabalho foi feito e refeito mas o Iron tem um nível que propicia a possibilidade de se gravar os takes ao vivo e quase não precisar repeti-los, coisa de quem tem mais de 30 anos de carreira…

Up The Irons!

16 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Mickey! Dá até uma pontinha de inveja da vida dos caras, rs. Trabalhando nas Bahamas; quando não estão a fim, tiram o dia de folga… Mas isso, é claro, não veio de graça. Os caras ralaram muito e têm talento de sobra para justificar isto. Aços para o alto, rs!!! Abração, meu velho!

16 09 2010
Marcos Gonçalves

Gustavo. Tem um jornalista amigo meu cuja a filosofia é “sempre deixe pra amanhã o que você não está a fim de fazer hoje”. Concordo, sempre que puder tem que ser assim, principalmente quando se trata de arte não é bom forçar. E o resultado ficou do caralho, ele conseguiu reduzir WWWB de duas horas de gravação para 11min. Ficou do caralho.

16 09 2010
Gabriel Gonçalves

rs… Marquêra, este seu amigo jornalista parece ser gente boa, rs. Esse é dos meus… E você tem razão, apesar de toda a vida boa, o resultado do disco é inquestionável. Abração, meu velho!

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