IRON MAIDEN PUBLICA DIÁRIO DO PRODUTOR DE “THE FINAL FRONTIER”

14 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
Iron Maiden website

O site do Iron Maiden começou a publicar ontem os diários de gravação de Kevin Shirley, produtor do “The Final Frontier”.

Confira os textos na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010: Los Angeles – Nassau
Tenho trabalhado sem parar em casa, em Malibu. Estou bem cansado.

Acabei de remixar um clássico álbum do Deep Purple, “Come Taste The Band”, ao longo do réveillon, e terminei de gravar seis faixas de uma nova banda neste último fim de semana. Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Jason Bonham e o mago do teclado, Derek Sherinian (provavelmente a banda se chamará Black Country). Então estou bem detonado. A próxima aventura em meu horizonte é produzir o novo álbum do Iron Maiden – que será gravado nas Bahamas.

Deixei minha família, tristemente, nas primeiras horas de hoje, e encontrei Jared Kvita no LAX (Nota do Tradutor: Aeroporto Internacional de Los Angeles). Ele será meu assistente e o engenheiro do novo álbum do Iron Maiden. Voamos juntos até Nassau, nas Bahamas, onde gravaremos o novo disco no “Compass Studios”. O Maiden fez três dos seus grandes álbuns dos anos 80 lá: “Piece of Mind”, “Powerslave” e “Somewhere in Time”, eu acho. Estava frio em Nassau quando pousamos – bem estranho, mas todo os Estados Unidos está atolado num frio intenso, e as Bahamas estão recebendo o escoamento disto. A gerente do estúdio, Sherrie Manning nos encontrou na imigração, e assim que o lance do visto foi resolvido, ela nos mostrou nossas acomodações. No começo da noite, encontrei Steve, Adrian e Janick num pub local, para umas cervejas e uma caminhada de volta para casa. Uma noite fria.

Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Me bati com Steve no estacionamento do complexo de apartamentos – optei por não alugar um carro, então Steve gentilmente me levou ao supermercado onde ficamos empurrando carrinhos de compra como duas velhas rainhas fazendo suas compras semanais. Uma visão e tanto! Nassau é cara – metade de um carrinho de produtos básicos custou vergonhosos 300 dólares!

De volta para o estúdio, e o equipamento havia acabado de chegar – os meus de Los Angeles e os da banda da Inglaterra. A equipe, Sean, Charlie e Michael começaram a descarregar o equipamento. Não há muito para Jared e eu fazermos nesta altura, enquanto bateria, amplificadores, guitarras, etc, começam a sair de seus cases.

Sexta-Feira, January 8, 2010 Nassau, Bahamas
A bateria está montada e os cabeçotes de guitarra estão montados – o dia foi gasto com cabos, plugando as coisas, montagem dos microfones e testes de linha pelo dono do estúdio e mago da tecnologia, Terry Manning e por Jared. É uma configuração complexa – o estúdio será basicamente uma grande sala, e não nenhuma divisória de isolamento para colocar os amplificadores e evitar o vazamento das guitarras para os outros instrumentos, enquanto gravamos as faixas básicas com toda a banda tocando ao vivo. Então, os auto-falantes de Steve Harris foram para um escritório adjacente, os três cabeçotes de guitarra foram para um segundo estúdio, com cerca de 30 metros de cabos de alta qualidade vindo dos amplificadores, enquanto a bateria gigante de Nicko está no canto do estúdio principal, para que todos possam tocar juntos e interagir um com o outro. A pequena divisória de isolamento para o vocal, originalmente feita para Mick Jagger nos anos 80, é onde Bruce irá cantar para ter uma pequena separação, mas ela ainda fica na sala principal e não há escapatória da porrada bombástica de Nicko! A velha mesa de som “Neve V Series” do estúdio não está acabada, mas definitivamente já viu dias melhores. Não usaremos nenhum dos canais da mesma para nada que não seja monitoramento – cada microfone tem seu próprio “pre-amp” e alimenta o sistema de gravação do “Pro Tools”. A maioria dos canais serão gravados sem equalizadores. As exceções são o bumbo e a caixa da bateria, que terão um equalizador “copycat Neve 1073”. Nada demais, apenas um pouco acima da caixa e na cavidade do bumbo – já que Nicko não usa nenhum abafamento e bateria acaba soando bem ressonante.

Sábado, 9 de janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Os toques finais estão sendo feitos no equipamento das guitarras – a equipe está colocando o encordamento nas guitarras e o estúdio estará pronto. Testamos o som de tudo, e a equipe toca “Highway to Hell” do AC/DC para testar os sistemas. Irônico, já que o icônico álbum “Back in Black” foi feito neste exato estúdio! Nós terminamos tudo às 18h, e Jared e eu fomos ao “Compass Point Resort”, do outro lado da rua, para tomar um drink enquanto assistimos à NFL (N.T.: liga de futebol americano dos Estados Unidos), e os Eagles (da Filadélfia) perderam seu jogo mais importante. Jared é da Filadélfia. Michael Kenney volta do complexo de apartamentos, dirigindo na chuva, para me pegar e me levar de volta para casa. Estou soluçando…

Domingo, 10 de janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Hoje é dia de folga – o tempo está terrível. Chuva e vento. Ficarei em casa assistindo futebol (americano) e trabalhando nas gravações do Black Country. Eu tenho o “Pro Tools” no meu laptop, e meio que gosto de trabalhar no meu próprio ritmo, usando headphones. Me diverti assistindo ao jogo eliminatório da NFL em meu apartamento, e então Steve Gadd, gerente de turnê do Maiden, me ligou dizendo que Bruce e Dave chegaram e que queriam me encontrar. Então direto para o bar, jantar, bate papo com os caras, e então voltar para casa.

Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010: Nassau – Bahamas
As gravações começaram hoje – foi muito engraçado ver toda a banda junta no “Compass Studio”, e todos eles pensavam a mesma coisa, todos falando, “puta merda, se lembra quando estivemos aqui há 25 anos? Continua igualzinho”!!! Primeiro trabalhamos em organizar os headphones de cada um, etc. Gravamos as faixas básicas para a balada “Coming Home” às 14h30, então fomos para uma canção intitulada “El Dorado”. . Fizemos dois takes, e então problemas técnicos apareceram – os headphones de Adrian ficaram intermitentes, a guitarra de Janick desligava, o microfone de Bruce queimou e então o compressor de voz queimou – mas apesar de tudo isto, conseguimos gravar sete takes – tenho certeza que um deles será bom o suficiente para começarmos. Então, a convite de Nicko, todos fomos para o “Travelers Rest”, para jantar catado de lagosta e daiquiris de banana – aparentemente um favorito da banda há 25 anos. 

Um terremoto ocorreu no Haiti esta noite, e parece devastador… E enquanto estamos todos em alerta para tsunamis nas Bahamas, voltamos ao estúdio e resgatamos o HD para armazená-lo num local alto durante esta noite.

Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Gravamos uma faixa sensacional, chamada “Isle of Avalon”, hoje. Não houveram grandes ondas ao longo da noite, e nenhum tsunami, mas ouvimos que a capital do Haiti, Porto Príncipe, está em ruínas. Fiz uma doação à Cruz Vermelha esta manhã, já que eles precisarão de toda a ajuda possível. Minha família está em Los Angeles e foram para a “Disneylândia” hoje. Sinto saudades deles…

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010: Nassau, Bahamas
Acordei cedo e nadei pela baía, em rente aos apartamentos. Glenn Hughes ligou quando estava saindo, para falar sobre o Black Country (sua nova banda), e então fui para o estúdio com Steve, Janick e Charlie (técnico da bateria de Nicko). Tive que parar no “Starbucks”, no caminho, para um copo de café. Uma vez no estúdio, revisei a faixa “Isle of Avalon” e fiz os overdubs com os três guitarristas – los tres amigos – tocando juntos. Eles têm uma química única quando tocam juntos e o galope “marca registrada” é um resultado dos três ritmos individuais combinados. Depois que esta ficou pronta, todos voltaram para o estúdio e gravamos uma nova canção: “Mother of Mercy”.

Os daiquiris de banana iniciaram alguma coisa – Bruce veio está manhã com uma sacola de papel marrom, cheia de ingredientes para um desastre alcoólico: rum com teor alcoólico de 63%, etc. E após gravarem a faixa, Nicko e Bruce foram realizar um “experimento”, tentando fazer o daiquiri de banana perfeito – explodindo o liquidificador no processo, que gerou nuvem elétrica de fumaça fedorenta… É verdade!

Acabamos a nova faixa às 18h30, e então Nicko, Bruce e eu fomos em busca de mais daiquiris. Nicko estava em uma missão, buscando um pouco de entretenimento adulto e alguma jogatina, e queria que eu fosse seu companheiro. Então eu disse que até queria me divertir, mas que precisaria estar em casa até meia noite – afinal tenho trabalho a fazer! Um determinado Nicko seguiu em frente e eu acabei tomando uma cerveja com Jan (Janick Gers) no fim da noite, que é o mais normal do grupo, suponho!! Charlie apareceu mais tarde, após colocar Nicko na cama por volta das 22h, depois de Nicko ter perdido um pouco de dinheiro no cassino do “Sheraton”, na Praia do Cabo. Este é o nosso Nick… Nós o amamos, apesar de tudo!

CONTINUA AMANHÃ…

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Ações

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12 responses

14 09 2010
Helton

Receita Daikiri de Banana

– ½ banana
– 45 ml de rum bacardi branco
– 15 ml de licor de banana
– 2 colheres (chá) de açúcar

Preparo da Receita

Limpe a banana. Corte-a em pedaços e bata com as bebidas no liquidificador até que a banana esteja diluída. Adicionar gelo e resfriar. Coar e servir em taça fiesta grande. Decorar com rodela de banana.

Momento Ana Maria Braga ahuahuuah mas que deu vontade de beber isso… aaah isso deu, ainda mais nesse calor que ta agora hahaha
Abraz

14 09 2010
Gabriel Gonçalves

Nem fale, Helton. Eu prefiro uma caipirinha, mas com esse calor, qualquer coisa desce. Bicho, eu sou acostimado com calor – vivi 26 anos na Bahia – e tá foda de aguentar esse inferno aqui em São Paulo, rs. Abração, cara!

14 09 2010
Gustavo Cavalcante

Boa matéria, relatando o dia-a-dia dos Iron Maidens, e o
interessante tambem é saber “os dias q cada faixa do album
foi gravada”, algo raro de se achar em matérias musicais hoje
em dia pela net a fora.

14 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Gustavão! Estes diários do Kevin Shirley são bem legais e trazem muitas informações. Abração, cara!

14 09 2010
DINDO

Muito massa estes relatos! Percebe-se muito companheirismo entre banda e equipe! Puta merda, mas o Nicko ñ é evangélico ?!?! rsrsrsrs
Se perdendo entre álcool e jogatiinas … hahahahahahaha

Graaaaaaaaande Nicko!
Flw Gabriel, vc viveu em qual cidade da boa terra rapaz, eu sou baiano,agora radicado em MG!

14 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Dindo! Pois é, cara, pensei a mesam coisa sobre Nicko, mas acho que na verdade ele não é evangélico, apenas cristão. Segundo ele, fraquenta algumas missas e tal, mas não é nenhum extremista, rs. Nicko é uma figura! Velho, morava em Salvador mesmo, e me mudei para SP em março deste ano. Abração, cara!

14 09 2010
Marcos Gonçalves

Grande achado, Gabeira!!! Essa narrativa vai ser muito melhor que novela da grobo. Bom “ouvir” de um cara que entende de música que Isle of Avalon é sensasional. É minha preferida mas o pessoal parece rejeita-la, talvez por destoar muito do estilo mais direto do Maiden. Não tenho mais dúvidas que o Final Frontier é meu álbum do Maiden preferido (dentre os que já escutei completos), junto com The Number of The Beast. Nesse diário dá pra vizualizarmos detalhes que os mais atentos perceberam ao escutar as músicas. Quando ele fala sobre as três guitarras me lembro de WWWB, que tem um solo em cima do outro. Aliás o disco é cheio desses “duelos” de guitarra. Simplesmente espetacular.

14 09 2010
Gabriel Gonçalves

Pois é, Marquêra; graças à Marcela, fiquei sabendo deste diário. Pela primeira parte já dá para perceber que estes relats serão muito bons. E você tem razão, meu velho: as guitarras dobradas no “Final Frontier” estão fenomenais. Abração, meu velho!

15 09 2010
Marcela

Kevin e foda! Adoro os diários dele…
A tradução ficou ótima Gabriel!
Aguardando a segunda parte, que já está lá no site oficial!

Abraços!

15 09 2010
Gabriel Gonçalves

Brigadão, Marcela! E o Kevin é foda, sim. Um produtor que não precisa provar nada para nunguém, mas que eu gostaria de ver um novo álbum do maiden com outro produtor, isso eu gostaria. Não que não tenha gostado do trabalho dele – pelo contrário – mas acho que mudar de vez em quando é bom… Abração, Marcela!

15 09 2010
Marcos Gonçalves

GabÊra, eu pensava que guitarras dobradas era quando duas delas tocavam a mesma melodia em tons diferentes, uma em cima da outra. Neste caso, que fiquei em dúvida se chama de dobrada ou não, tinha uma guitarra tocando um solo e depois entra outra por cima tocando um solo completamente diferente, enquanto o primeiro continua a se repetir ao fundo. Foi em WWWB. Olha que tenho um bom ouvido, já dizia meu professor de violão: um ótimo ouvido e uma péssima mão, eheheheeh.

15 09 2010
Gabriel Gonçalves

Você está certo, Marquêra. O termo “guitarras dobradas” são comumente usadas para falar sobre melodias tocadas por duas ou mais guitarras em harmonia. O termo que você usou, “duelo de guitarras”, se aplica melhor a este caso de “When The Wild…”. Mas quando falei nas guitarras dobradas, estava me refrindo ao disco inteiro, não à “When The Wild…”. Mas você tem razão, meu velho. Abração, Marquêra!

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