“NUNCA FUI UM DAQUELES QUE PULAM NA FRENTE DE UMA CÂMERA”, DIZ JIMMY PAGE

8 09 2010

Fonte: The New York Times

Em 27 de setembro será lançado o livro “Jimmy Page by Jimmy Page”, que retrata a carreira do guitarrista através de fotografias. O repórter Ben Sisario, do “New York Times”, conduziu uma ótima entrevista com Page, que falou sobre o livro, Yardbirds, Led Zeppelin, dentre outros assuntos.

Confira a entrevista na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Na mitologia do Rock n’ Roll, Jimmy Page é o grande mago da guitarra, lançando do alto de uma montanha as trovoadas e rajadas de fogo do Led Zeppelin. É uma imagem na qual a banda cultivou, é claro, mas não teria ficado no imaginário coletivo se não fosse pelo talento, imaginação e finesse de Mr. Page, o que fez dele um dos guitarristas mais influentes da história.

Mr. Page agora possui 66 anos, nunca foi muito de falar e quando dava entrevistas, preferia falar de sua música do que de si mesmo. Ele ainda é assim. Em 27 de setembro, a “Genesis Publications” – empresa britânica especializada em luxuosos livros de fotografias sobre Rock – publicará “Jimmy Page by Jimmy Page”: uma coleção de imagens de 500 páginas que Page selecionou para representar sua carreira.   

Ao invés de uma tradicional biografia, o livro traz sua carreira gravada em imagens, e enquanto há algumas de bastidores, tiradas durante um jantar e paradas na estrada, na maior parte o livro retrata Page com sua guitarra, no palco. Catherine Roylance, co-editora, disse que Mr. Page também imergiu-se no design do livro, inclusive na tonalidade azul e preta da capa. O livro, impresso e encadernado em Milão, tem tiragem limitada de 2.500 cópias e só está disponível pelo website da “Genesis Publications”, por £445 – ou US$ 685; ou R$ 1.178. 

Mr. Page falou recentemente, de Londres, pelo telefone, com o repórter Ben Sisario sobre o livro, Led Zeppelin e como, mesmo quando ainda era criança, já era louco para tocar guitarra.

Por que você decidiu fazer este livro ao invés de uma autobriografia tradicional?
Propuseram-me fazer uma autobiografia, mas eu achei seria o jeito menos atrativo de se fazer um livro, então pensei que seria bem interessante fazer uma autobiografia fotográfica. É a história de um garoto que se envolveu com a música, mas que, na realidade, foi a música que se envolveu com ele. É a conjunção da música com um adolescente, e assim vai.

Eu achei que retratar a carreira em imagens era a melhor forma de se fazer isto, neste ponto, mas não descartaria a idéia de uma autobiografia. Minha defesa geralmente é: quando o pessoal da editora diz, “que tal escrever um livro?”, eu digo, “sim, já pensei nisto, mas gostaria que o livro saísse postumamente”. É o melhor que pode acontecer: este documentário visual, e então, possivelmente, se eu me convencer disto, fazer um livro que sai postumamente.

Sua meta aqui foi corrigir os registros, apresentar sua própria versão da história do Led Zeppelin?
Não, não achei que fosse necessário. Todos querem saber o que aconteceu aqui e ali, e você tem várias pessoas que aparecem com explicações – pessoas que dão explicações autoritárias, mas que nunca nem estiveram por perto de nós. Mas há apenas uma coisa, até onde eu sei, que permanece constante e verdadeira: a música. Então se você quer usar sua imaginação, por favor aplique-a sobre a música ao invés das coisas que talvez tenham estado em volta da música.

Levando-se em conta que se trata de um registro fotográfico, você pode certamente enxerga um pouco através da música e tirar as próprias conclusões. Não vou ficar explicando demais, com as anotações que fiz. Não quero enchê-lo de controvérsias. Apenas queria que as fotografias falassem da forma que a música faz.

As fotos aqui são quase todas da sua carreira, ao invés de fotos com sua família ou de sua vida pessoal.
É puramente sobre a música e nada mais. Teria sido incompatível ter fotos familiares ou imagens na praia. Claro que tenho alguns carimbos no meu passaporte de quando viajei, mas este não é uma livro de viagens. Não, não. É claro que tirei fotografias durante feriados, mas elas não são do tipo que você gostaria que fosse. 

Os itinerários das turnês tornam claro como o Yardbirds e o Led Zeppelin trabalharam duro, e as fotos mostram que você parecia muito bem fazendo aquilo. Seu guarda roupa realmente interpreta um papel principal…
Eu me concentrei bem em mostrar a quantidade de trabalho com estas bandas. Com os Yardbirds, nossos itinerários na turnê eram bem densos, mas particularmente eu quis mostrar o que o Led Zeppelin estava fazendo em 1969, o tanto de trabalho que estávamos tendo. Estávamos gravando o “Led Zeppelin II” durante aquela turnê nos Estados Unidos, em estúdios de lá, e eu quis mostrar como o abordamos, como um álbum em progresso na estrada.

Como era seu relacionamento com os fotógrafos na época? Era colaborativo? Antagônico?
Eu não vim de uma geração na qual fotografias são tiradas a todo o momento. Tirar fotos era meio que um ritual, até fotos familiares. Eu acho que isto ficou em mim. Eu nunca fui um daqueles que pulam na frente de uma câmera, enquanto para outras pessoas isto é algo natural.

É claro que para os músicos, hoje, é uma dos aspectos mais importantes de como você se projeta. Você pode até tocar bem, mas você tem que ter um bom “look” também, para acompanhar. Eu nunca me importei.

Eu posso ter me interessado em roupas e no meu “look”, mas realmente não estava querendo fazer que eu fosse fotografado por todos os cantos. Eu meio que paguei o preço por isso, enquanto fazia este livro.

A primeira foto do livro mostra você aos 12 anos, como um cantor de coral, e está creditado a um tal de Sr. Coffin, o regente do coral. O Sr. Coffin sabe sobre o que você se tornou?
Ele não está mais vivo, Sr. Coffin… Mas eu acho que ele era uma fotógrafo Amador. Lembro que demoramos um pouco para tirar aquela foto, com vários ângulos diferentes, e é uma ótima fotografia.

O curioso é que entramos em contato com seu genro, e ele se lembrava de mim, levando a guitarra e praticando enquanto esperava todo mundo chegar para os ensaios do coral. Então ali está. Há pistas na primeira foto. Eu estava começando a pegar a guitarra, afinando-a e coisas do tipo, bem naquela época.

A legenda desta foto diz, “it might get loud” (Nota do tradutor: em português, fica algo como, “pode ficar barulhento”). Isto se tornou seu lema desde o documentário (N.T.: Jimmy Page participou de um documentário intitulado “It Might Get Loud”, junto com The Edge, do U2; e Jack White, do White Stripes, que falava sobre a guitarra) de dois anos atrás, ou foi apenas uma frase conveniente?
É tão idiota ter uma foto sua como um garoto cantor de coral (risos). Mas é o que é. Foi o meu primeiro contato com a música – o portal, a entrada; você está fazendo música, você está cantando – ainda bem que parei de cantar em algum ponto da estrada. Mas eu achei muito importante termos isto. As pessoas podem achar que é engraçado o regente do coral se chamar Sr. Coffin (N.T.: coffin em português é “caixão”) – Dennis Coffin era seu nome. É engraçado, mas cabe no contexto do livro, e é honesto.

Mas por que coloquei a frase “pode ficar barulhento” como legenda? Bem, porque poderia. E ficou.

Anúncios

Ações

Information

16 responses

8 09 2010
BERNARDO

JIMMY PAGE: Gênio/Rei/Mestre/Monstro da guitarra!

Sem sombras de dúvidas , um dos 3 melhores guitarristas da história do rock and roll.

Além de tocar muito , é um cara extremamente simpático! Ele veio ao Brasil em junho de 2010. Ele visitou a quadra da escola de samba Mangueira no Rio de Janeiro.

Quem iria imaginar que um lendário rockeiro ficaria encantando com escolas de sambas no Brasil ?? Ninguém.. rs

Me surpreendeu muito! Olha a reportagem do Jimmy Page (olha a cara de felicidade dele) tirando fotos com o sambista Ivo Meirelles :

http://contigo.abril.com.br/noticias/jimmy-page-se-diverte-ivo-meirelles-572825

Muito bom
Abração!!!!!!

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Bernardo, tudo beleza? É verdade, Page é um mestre! O relacionamento dele com o Brasil vai até mais que isso: ele tinha uma casa em Lençois – Chapada Diamantina, na Bahia – e não era raro esbarrar com ele pelos bares de lá. Várias pessoas, inclusive, já se bateram com ele e Plant caminhando por lá, tranquilos… Abração, meu velho!

8 09 2010
BERNARDO

Chapada Diamantina, na Bahia – e não era raro esbarrar com ele pelos bares de lá. Várias pessoas, inclusive, já se bateram com ele e Plant caminhando por lá, tranquilo

que bacana!!!! vc ja trombou com ele lá ??

abraços!!!!

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Pois é, Bernardo, nunca tive este prazer – até porque só fui na Chapada duas vezes, e nenhuma das vezes chegueia passar em Lençóis. Abração, meu velho!

8 09 2010
BERNARDO

ah pode crer… 🙂
abração!!!!!!

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Tranquilo, Bernardo. Abração!

8 09 2010
Roberto A

Chapada que recomendo, é a dos Guimarães, a meia hora de Cuiabá, onde moro.
E sim, Page é um gênio, uma legenda.
Como ouvir algo como ‘Since I’ve Been Lovin You’ e não se arrepiar?

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Pois é, Roberto, sempre tive vontade de conhecer a Chapada dos Guimarães, mas ainda não tive a oportunidade. Mas posso te garantir que a Chapada Diamantina também é linda! Ótimas cachoeiras, trilhas, etc. Abração, meu velho!

9 09 2010
Gustavo Cavalcante

Essa coisa vai vender q nem água pelo universo a fora, é!,
é isto mesmo pelo universo afora, pq eu creio q até os ET´S
irão nos visitar e levar o deles, rs……… fui………

9 09 2010
Gabriel Gonçalves

Ébom os ET’s terem grana, meu velho, porque 1200 eais num livro não é pra qualquer um, não, rs. Abraço, Gustavão!

10 09 2010
Gustavo Cavalcante

Q nada kra!, só de as pessoas verem os ET´S elas vão
sair corendo, aí eles conseguirão pegar os livros sem pagar
nada, rs…… Abração, chapa!

10 09 2010
Gabriel Gonçalves

rs… É verdade, Gustavão. Os ET’s iriam surrupiar os livros, rs. Abração, meu velho!

10 09 2010
Jessica Ailanda

Mr. Fuckin’ Page *-*

10 09 2010
Gabriel Gonçalves

rs… O próprio, Jessica… Uma pena que este livro seja tão caro, porque eu gostaria muito de ter. Abração, e volte sempre!

17 09 2010
judas

Vamos falar de rock?

17 09 2010
Gabriel Gonçalves

Sempre, Judas! Abraço, velhão!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: