IRON MAIDEN: LIÇÕES QUE DEVERIAM SER APRENDIDAS PELA INDÚSTRIA MUSICAL

6 09 2010

Sugerido por: Marcela
Fonte:
New York Times

O “New York Times” publicou uma extensa matéria sobre como o Iron Maiden, ao utilizar ferramentas diferentes das tradicionais usadas pela indústria musical, não precisa se preocupar hoje com o problema dos downloads ilegais.

Confira a matéria na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Enquanto as vendas da indústria musical caem e as gravadoras encaram o futuro com angústia, os fãs do Maiden ainda reúnem-se em lojas de discos. Assim como o mascote zumbi da banda, Eddie, o Iron Maidense recusa a morrer, e sua contínua vitalidade talvez possa oferecer algumas dicas de sobrevivência à problemática indústria musical.
 
O 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, “The Final Frontier”, subiu direto para o topo das paradas européias da revista da “Billboard” quando lançado, no fim de agosto, e continua por lá após algumas semanas. O disco também estreou em primeiro lugar em outros países – da Arábia Saudita ao Japão – dando uma necessária erguida na “EMI Music”, que é a dona dos direitos internacionais da banda. Nos Estados Unidos, onde foi lançado pela “Universal Music Entreprises”, “The Final Frontier” estreou no quarto lugar. 

Até o fim da semana passada, mais de 800 mil cópias de “The Final Frontier” foram enviadas para revendedores ao redor do mundo, de acordo com Rod Smalwood, empresário do Iron Maiden há muito tempo. É muito menos do que os mais de 12 milhões de cópias do álbum de estréia da Lady Gaga, “The Fame”, mas o Iron Maiden tem a longevidade que muitos artistas por só podem invejar: em seus 30 anos de carreira, a banda vendeu cerca de 85 milhões de discos.

 “Muitas bandas poderiam aprender com o Maiden”, diz Smalwood. “O lance do Maiden é essencialmente sobre sua relação com os fãs, e nada se põe entre isto. Eles não desejam ser rockstars, eles apenas gostam de tocar para os fãs”.

Os seis membros do Iron Maiden, todos na casa dos 50 anos, não são os únicos headbangers que ainda estão ma estrada e nos estúdios. Bandas como Metallica também têm estado fortes, e astros do Hard Rock como o AC/DC e Guns n’ Roses também encontraram um sucesso renovado.

“Com sua imagem tribal e parâmetros extremos, o Metal oferece um lar completo para aqueles que o seguem, coisa que o pop, hip hop ou outro gênero não consegue”, diz Joel McIver, autor britânico que escreveu, dentre outros livros sobre Heavy Metal, “Justice for All: The Truth About Metallica”.

Uma conexão estreita com os fãs, reforçada por uma incansável agenda de turnês, tem sido uma necessidade para o Iron Maiden desde o início, quando a mais importante ferramenta de marketing da indústria musical, o rádio, estava muito longe dos limites do Iron Maiden. Suas canções eram muito longas e muito altas para caber nas fórmulas das rádios convencionais, e alguns grupos de pais cristãos protestavam que a banda possui ligações com mensagens satânicas – uma acusação na qual a banda sempre negou.
 
A falta de exposição nas rádios pode ter criado desafios, mas isto preparou o Iron Maiden para a era digital, quando o modelo tradicional da indústria esgotou-se. Agora, uma boa exposição de um single nas rádios tem uma grande probabilidade de mandar os ouvintes para a internet, em busca de uma cópia gratuita e pirata de um disco, ao invés de uma loja de discos. 

Como as músicas do Iron Maiden não são próprias para os moldes de um single radiofônico – no disco novo, três canções possuem mais de nove minutos – a banda não sofre tanto deste problema.

Mesmo após o “The Final Frontier” ter alcançado o topo das paradas no último mês, serviços de rastreamento digital mostraram apenas baixos níveis de downloads ilegais do álbum, de acordo com David Kassler, Chefe do escritório de Operações da EMI na Europa.

“Você esperaria que algumas pessoas estivessem pirateando, mas elas não estão”, afirmou Kassler. “Elas querem a versão física do álbum. Elas amam a arte da capa, as letras. É alo que elas querem mostrar a seus amigos e familiares”.

As vendas digitais do “The Final Frontier” estão fracas, provavelmente chegam a 10% ou 15% das vendas totais nos Estado Unidos, afirma Smallwood. Ao todo, as vendas digitais somam perto de 50% do mercado musical nos Estados Unidos. Ainda assim, o iron Miaden não é um anacronismo da era analógica, insiste Smallwood. A falta de exposição radiofônica e uma confiança na propaganda boca-a-boca preparou bem a banda para as nuances do mercado digital, completou.    

“Quando a internet apareceu, nós provavelmente fomos os primeiros a entender seu potencial”, disse o empresário da banda.

Antes do lançamento do álbum, o Iron Maiden reformou seu website, riou uma página no “Facebook” e ofereceu o download gratuito do single, “El Dorado”, para os fãs. Há até um game gratuito do “The Final Frontier”. 

Para encorajar a venda dos álbuns, camisetas e outros produtos ligados ao “The Final Frontier”, a “EMI” montou seções especias do Iron Maiden nas lojas de disco européias, como “HMV”, “Media Markt” e “FNAC”. 

As vendas de merchandise podem totalizar mais de 20% dos ganhos totais da gravadora com uma banda, disse Kassler, apesar de não apresentar nenhum dado específico sobre o Iron Maiden.

Apesar destes esforços, é improvável que o Iron Maiden recupere as vendas dos anos 80, quando um álbum como o “The Number of The Beast” vendeu 14 milhões de cópias. Como os fãs são tão leais, eles tendem a adquirir os lançamentos rapidamente, mas as vendas caem após algumas semanas. Ainda assim, McIver, o autor, disse que há muitas lições  para a indústria musical no sucesso contínuo do Iron Maiden: “Investir a longo prazo, ter uma imagem, dar aos fãs o que eles querem, excursionar e continuar excursionando, tocar nos circuitos de festivais, abraçar novas tecnologias, ser inovador, honesto e original, e gravar boas músicas”.

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24 responses

6 09 2010
Helton

Iron Maiden is my religion! Simples assim…
Quem é fã sabe o tamanho da ligação que a banda tem com os fãs e o prazer que é chegar em casa com o cd novo na mão pra vasculhar cada cm do encarte. O TFF mesmo, os desenhos no final do encarte mostram a cruza que nos dá esse Eddie alien na capa, algo que apenas quem tem o cd em mãos consegue conferir. O Maiden me esteve presente de muitas maneiras na vida… aprendi inglês sozinho traduzindo as letras dos cds, já que odiava o pessoal falando “você nem sabe o que eles falam, eles devem estar xingando você e você aí curtindo”. Quando traduzi Infinite Dreams…. pqp que letra foda… e assim segue até hoje. O Maiden consegue levar a música para um âmbito íntimo, coisa para poucos. Quem segue a história da banda sabe a luta que é, mas quão gratificante é o produto final. UP THE IRONS!!!!
Abraz!!!

Obs: pegou o Mission Edition, Gabriel???O eu da Saraiva já chegou… Esperando o meu grego ainda hahaha

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Heltão! Vou comprar meu Mission Editon amanhã – está em promoção na Saraiva do shopping Eldorado, por trinta reais. Você falou tudo, meu velho. O Maiden, principalmente no Brasil, já virou uma reiligião há muito tempo, coisa que poucas bandas conseguiram. Abração!

7 09 2010
Gustavo Cavalcante

Chega a ser impressionante o amor que os fãs do MAIDEN
tem pela banda, preferem comprar a versão física do album
como o Sr. Kassler mesmo disse na matéria acima do q baixa-lá,
isso é bem legal….

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Gustavão! Os fãs do Iron estão entre os mais fiéis do mundo. Chega a ser impressionante o que fazemos pela banda. Abração, meu velho!

7 09 2010
Gustavo Cavalcante

Fala, gente blza!, tá díficil para mim parar de ouvir o TFF e para
voces?, estou ouvindô-o com menos frequência ultimamente mas
não deixo de ouví-lo por muito tempo, toda vez q ouço
“Satellite 15…” instantaneamente eu dou aquele sorrisão de
orelha à orelha, esta música mexe muito com meu esírito metaleiro
e o de voces? rs….. Um abração à todos.

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Gustavão. Como o Steve Harris disse na entrevista, “Sattelite 15…” cria o clima perfeito para o resto do álbum. Você a escuta e imediatamente já quer ouvir todo o álbum. Abração, meu velho!

7 09 2010
Chauke Stephan Neto

É simples, esse é o perfil de um fan de heavy metal.

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Chauke, Inclusive extendoeste perfil para os fãs de Rock n’ Roll – os fãs mesmo, não as pessoas que gostam de alguma smúsicas. Mas confesso que o fã de Metal tem este perfil com mais força. Abração, cara!

7 09 2010
Marcos

Essa matéria está muito interessante e tudo que está aí é verdade, mas o jornalista deixou para o final a parte mais importante em minha opinião: músicas de qualidade. O Maiden me surpreende com suas composições e músicos, principalmente no Final Frontier. Eu não esperava que no último ano de uma década árida em termos musicais viesse uma banda de 30 anos e fizesse um trabalho tão bom, tão inovador e ao mesmo tempo clássico, coerente com suas origens. O TFF é, sim, progressivo, mas carrega dentro de cada música as marcas registradas do Maiden: aquela virada, aquele solo, os riffs, a bateria, mudanças de andamento e tudo mais que compõe o som original da banda. Eles evoluíram sem perder a identidade. Cada vez que ouço o álbum descubro novos sons que eu ainda não havia assimilido e fico ainda mais animado e admirado que caras de mais 50 anos ainda tenham tanta inspiração.

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

Marquêra, você disse tudo! De nada adiantaria quaisquer esforços de marketing se o produto – a música – não se sustentasse sozinho. E que nem você, fiquei impressionado com o “Final Frontier”. Agora me restou uma dúvida: como os caras farão para superar este disco, rs? Abração, meu velho!

7 09 2010
Leonardo Matheus

Eu me orgulho de ouvir o Iron por isso. Eles não são apenas uns caras que pensam no estrelato, em ser um rockstar, como disse o rob, eles gostam do que fazem, e tem uma ligação com os fãs. Fãs esses, que retribuem tal ligação comprando albuns e lotando estadios nos shows. Os fãs do Maiden, e do metal em geral, não são como fãs das celebridades, os fãs do heavy metal são loucos, fanaticos e maniacos pela musica.

Parabéns Maiden, me orgulho em comprar cada album teu!

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

É bem por aí mesmo, Leonardo, os fãs de Metal em geral se importam muito mais com a música, do que os fãs das celebridades. Assim como você, me orgulho de cada álbum do maiden que comprei. Abração, cara, e volte sempre!

8 09 2010
Leonardo Matheus

Voltarei sim, gabriel! Alias, parabéns pelo blog, ja esta nos meus favoritos.

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Valeu pelo apoio, Leonardo! Os elogios sempre nos estimulam a querer melhorar cada vez mais. Abração, cara!

7 09 2010
Lucas

Esse é o artigo mais lúcido sobre o IM dos últimos anos.
“The Final Frontier” é o album que há muito tempo eu esperava ouvir. é o album que devia ter sido gravado após o Seventh Son of …
E PQP, que incrível foi ver minha banda favorita me surpreendendo p/ melhor. Tomara que voltem logo com o novo show, com as músicas novas.
UP THE IRONS

7 09 2010
Gabriel Gonçalves

Lucas, compartilho da mesam opinião que você. Após 20 anos sendo fã do Maiden, ainda ser surpreendido positivamente por um disco deles é algo indescritível. Espero ansiosamente pela turnê do “Final Frontier” aqui no Brasil. Abração, meu velho, e volte sempre!

8 09 2010
Gustavo Cavalcante

Como é? voce é fã do MAIDEN há 20 anos?!, então quanto
anos voce tem ao todo?, eu vou fazer 18 anos no dia 18 agora
em setembro, mas ouço MAIDEN apenas há 2 anos, mas voce
ouve eles há 20 anos, então tu deve ser mais fanático q eu, rs……

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Gustavão! Fiz 27 anos no último domingo – 5 de setembro – mas comecei a escutar Rock n’ Roll bem cedo. Meus pais gostam de Rock – Beatles, Zeppelin, Purple, etc – e um primo meu, 5 anos mais velho, me mostrou o caminho de coisas como Guns n’ Roses, Iron Maiden, etc, e depois fui seguindo meu caminho sozinho. Lembro que no ano em que fui alfabetizado na escola, passei a comprar revistas de Rock – na época as mais famosas erama Bizz e a Top Rock, rs. Abração, meu velho!

8 09 2010
Ricardo Seelig

Gabriel, adorei o disco – aqui está a minha resenha (http://collectorsroom.blogspot.com/2010/08/bem-vindo-the-final-frontier-o-melhor.html) – e achei essa matéria muito interessante. Estou até com uma ideia de um texto meio nessa linha para a Collector´s Room, mas por enquanto não formatei nada.

Sobre a Mission Edition, me parece uma enganação sem tamanho, já que o acabamento é tosco e os bônus, ao invés de estarem no disco, não estão. É preciso colocar o CD no computador para ter acesso a material bônus, o que eu achei uma furada.

Se é pra ter uma edição diferenciada do The Final Frontier, prefiro o vinil duplo picture, que é lindo.

8 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala Ricardo, tudo beleza? Pois é, eu ainda não comprei meu “Mission Edition” por causa disto – mas vou comprar, rs; eu não resisto. Cara, sua resenha está sensacional e, assim como você, me apaixonei por “When The Wild Wind Blows”. Assino embaixo de tudo o que você escreveu na resenha, e sendo um fã das antigas – não tenho 25 anos de Maiden como você, mas tenho 20, rs – sinto um imenso orgulho de poder testemunhar uma banda com 30 anos nas costas ainda ser mais inovadora do que muito moleque por aí. Mal posso esperar pela turnê! Abração, meu velho!

9 09 2010
Gustavo Cavalcante

A turne desses caras (MAIDEN) vai ser arrasadora e promete
calar a boca dos “fãs” q estão descendo a lenha no “TFF”, ainda
mais quando eles passarem aqui pelo brasil, aqueles q estão
descendo a lenha novo álbum nos shows vão estar cantando as
canções do mesmo. rs……. e pra encerrar meus parabéns pelo
seu aniversário Gabi, muitos anos de vida à você, valew um abraço
irmão.

9 09 2010
Gabriel Gonçalves

Valeu, Gustavão! Obrigado pelos parabéns, cara. Quanto ao maiden, você está certíssimo. os mesmos fãs que estão criticando, vão ao show cantar as músicas novas, rs. Mas eu não os culpo, o Iron consegue fazer este tipo de coisa… Abração, meu velho!

15 09 2010
Daiane Colla

Sempre digo. Não existe fã mais feliz que o do MAIDEN!
A cada ano eles lançam coleções e mais coleções para rechear os sonhos de todos os fãs! Tudo sempre muito caprichado, muito bem feito, digno de colecionador!
Abraços

15 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Daiane! O Maiden sempre procura se difenrenciar em tudo que faz e, neste caso das edições epciais, etc, não é de hoje. Me lembro do início e meados dos anos 90, quando era um feliz fã do Maiden, com a coleção completa em CD. Aí os caras me lançam aquela série com todaa coleção em CD duplo – sendo que o CD 2 eram de lados B dos sngles, etc. u não consegui recompletar a coleção, mas comprei vários. Depois de um tempo eles novamente relançam a coleção, desta vez com a capa meio em 3D, faixas interativas e livreto cheio de fotos, etc, rs. Mais uma vez, comprei alguns. Não estou reclamando, é claro, compra quem quer. Sempre gostei de edições especiais e tal, as confesso que o “Mission Editon” do “Final Frontier”, me decepcionou. Eles deveriam pegar todo o material bõnus e colocar num disco extra ao invés de ser conteúdo online. Eu pagaria mais caro por isso. E parece que a amioria pensa assim, porque a “Mission Edition” está por 30 reais na Saraiva do Shopping Eldorado, em SP – o que pode ser um sinal de que não está vendendo muito. Abração, Daiane, e volte sempre!

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