HÁ UMA OU DUAS PESSOAS NO LIVRO QUE EU GOSTARIA DE TER QUEIMADO

3 09 2010

Fonte: Blog Roadrunner

O blog da “Roadrunner” publicou uma extensa entrevista com o Dave Mustaine, o líder do Megadeth, que falou sobre sua autobiografia, “Mustaine: A Heavy Metal Memoir”.

Confira a entrevista na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

A autobiografia do chefão do Megadeth, Dave Mustaine – intitulada de “Mustaine: A Heavy Metal Memoir” – foi lançada em 3 de agosto nos Estados Unidos, e na semana seguinte já figurava na lista de Best Sellers do “The New York Times”. No dia deste acontecimento, Mustaine estava segurando um livro autografado, na “Borders Books on Wall Street”, e a “Roadrunner” estava com ele para falar não só sobre op ocorrido, mas também sobre o conteúdo do livro e o motivo dele ter sido lançado agora. Em um processo no qual Mustaine descreveu como “quando toda a merda vem à superfície”, Dave dá uma olhada na sua vida até os momentos atuais.

Tendo chegado ao fundo do poço algumas vezes, A contracapa do livro descreve sua jornada, como “a queda e ascensão de um ícone do Heavy Metal”, e promete uma história que irá inspirar, aturdir e aterrorizar”. Continue lendo para saber o que Dave tem a dizer sobre isto. 

Com tantas histórias sórdidas e experiências de vida, como você fez para limitar o que entrou na autobiografia? 
Bem, o processo legal meio que revisou o livro. Ao passarmos por algumas histórias, e sabendo que algumas pessoas para quem contei a história estariam na cadeia, provavelmente comigo, decidimos deixar algumas coisas de fora. Tipo, se você tem drogas em seu bolso e está dirigindo, você é um criminoso. Se você tem alguém menor de idade com você, e você cruza a fronteira entre estados, você é um seqüestrador. Todo tipo de maluquice aconteceu ao longo de nossa carreira. Por mais que as pessoas achem que eu sou o cara malvado, eu era meio que o irmão mais velho que dizia, “o que você estava pensando?” todas as vezes. Quando estávamos na Inglaterra e tivemos que cancelar a apresentação no festival “Monsters of Rock” por causa de David Ellefson – todo mundo sabia que eu tinha problemas com as drogas, mas não sabiam que ele também tinha, então aquilo pegou todos de surpresa. Acho que aquilo abriu mais espaço para boatos, e acho que o sucesso do livro, sendo um best seller agora, é que há mais histórias para serem adicionadas. O livro conta a história até agora e, na verdade, nem é até agora, é até um não atrás, e tanta coisa legal aconteceu neste último ano que é espantoso. A reunião do “Big Four” e tudo aquilo, ter meu velho baixista de volta à banda, tem sido muito, muito bom.  

Você irá escrever o próximo capítulo?
Espero que sim.

Nos conte um pouco mais sobre o que você teve que fazer nos bastidores para fazer este livro acontecer. Você mencionou os processos legais, então você teve que pegar a autorização daqueles envolvidos na história, ou o livro é apenas as sua perspectiva?
Não, incluímos muitas pessoas. O fato de que querer ser honesto é parte do motivo deste livro ser o que é. Se não gosto de algo, eu digo. Prefiro ter alguém que diga que não gosta de mim do que mentindo em minha cara. É apenas como eu sou e como sempre fui. Me lembro quando fui para a Inglaterra pela primeira vez, me comportei do jeito que eu sou, e eles ficaram horrorizados. Eles nunca haviam visto alguém falar daquele jeito antes. Não posso comentar nada sobre isto, é apenas como eu sou, por exemplo, aquele do “Headbangeer’s Ball (Nota do tradutor: extinto programa de Metal da MTV norte-americana), Riki Rachtman. Eu mal conhecia o cara, mas os fãs gostavam de me assistir sacaneando ele, e ele também gostava. E eu ficava, “por quê?”, saca? É apenas mais uma daquelas coisas estranhas. Algumas pessoas amam atenção, e de um jeito estranho aquilo tinha seu próprio tipo de dinâmica. Agora isto não existe mais, porque não é tão importante.

Mas você tem sido crucificado por falar o que pensa e sente, então você experimentou algum tipo de contra-ataque com relação ao que escreveu?
Não. E não ha tanta coisa que me intimide, porque eu já morri uma vez, já passei por todo tipo de coisa, mudanças na formação da banda, mudanças de gravadora e de empresariamento, altos e baixos no casamento, com os meus filhos, todo este tipo de coisa, e eu tenho sido tão aberto quanto a isto que o público já sabe, então não acho que há nada no livro que possa me trazer problemas. Há uma ou duas pessoas no livro que eu gostaria de ter queimado, por causa do que sinto a respeito delas e teria sido bem fácil contar um par de histórias que as destruiriam por causa do tipo de pessoas que realmente são, e como elas enganam o público, mas eu não estou numa cruzada para contar às pessoas quem são os “duas caras” da indústria musical. A água tem um jeito de chegar à superfície, e estes caras serão expostos. A merda foi o processo legal, porque nós gastamos centenas de milhares de dólares para revisar este livro – várias vezes. É uma loucura, porque quando você pensa em fazer um livro, você não irá ganhar uma montanha de dinheiro com isto, você acha que está fazendo como um exercício de amor, e então você observa todo seu lucro ir embora por causa da litigiosidade do nosso país. É uma merda. A versão britânica teve ainda mais vetos, por causa do processo legal. Acho que na Inglaterra, se você lança um livro, há advogados que sobrevivem somente destes lançamentos. Eles lêem os livros em busca de alguém dizendo algo sobre outra pessoa, então eles entram em contato com esta pessoa e falam, “vamos processá-lo”. Então este tipo de coisa meio que tirou um pouco da diversão de lançar o livro no Reino Unido mas, como disse, fui bem honesto com coisas deste tipo. Se eu fiz algo de errado, contei no livro, se alguém fez algo errado eu meio que deixei de lado, porque não irei salvar minha pele às custas de outro. Não é muito legal.

Você mencionou alguns dos acontecimentos ruins de sua vida, mas houve algo em particular que foi difícil para você relembrar enquanto escrevia o livro?
Na verdade, não. Acho que a parte que fala do meu casamento foi difícil, as coisas com meu pai foram difíceis, porque eu não o conheci de verdade e as únicas lembranças que tinha dele eram muito ruins, vindas de minha mãe e de minhas irmãs. Eu tenho apenas algumas lembranças pessoais dele, e uma delas não é legal, então mesmo tendo muitas coisas diferentes para falar, as que vieram até mim… Acredito que vieram por alguma razão. Foi como toda a merda vindo à superfície, então passamos por aquilo e tivemos que determinar o que seria bom para o livro, o quer seria bom para Dave, o quer seria bom para comunidade do Metal e, novamente, digo que houveram pessoas em minha vida que foram maléficas e com mania de processos, então apenas decidir que elas não estariam no livro.

Por que você decidiu lançar a biografia agora?
Não é que agora seja a hora certa. Apenas acho que, honestamente, se houvesse uma hora certa, teria sido agora, baseado em tudo o que aconteceu até agora. Então entre completar o livro um ano atrás ou seja lá quando terminei de escrevê-lo, acho que o livro saiu cedo demais, entende? Mas você pode desejar estar na lista de Best Sellers do “New York Times”, e agora que isto aconteceu, espero conseguir entrar nas paradas. Realmente quero isto para mim, quero entrar nas paradas.

Você quis delimitar a diferença entre Dave Mustaine, a pessoa, e Dave Mustaine, o músico, com o lançamento do livro?
Eu acho que o propósito do livro foi explicar um pouco mais sobre mim em oposição ao cara que você vê no palco, porque se você tirar a guitarra de mim me torno uma pessoas completamente diferente. Quando estou com a guitarra é como Popeye e o espinafre, saca? Me torno uma pessoa diferente. Acho que muito disto vem do volume da guitarra, do som que sai dela, é meio como montar num dragão me segurando com a apenas uma mão, se você consegue imaginar, por causa de todo o poder que há lá. E você ainda tem o P.A. ligado no topo de tudo e que torna tudo como um rugido.  Isto é bem divertido se você sabe tocar guitarra; se não sabe, é bem excruciante.

Qual a principal mensagem que você quer mandar para as pessoas que lêem se livro?
Não desistam, nunca desistam. Eu não desisti e tenho uma ótima vida. Eu sei que as pessoas merecem segundas chances. Como eu trouxe David Ellefson de volta e o perdoei. Eu poderia ter sido mais duro, mas qual o motivo? Eu não o perdoar estava apenas ferindo a mim mesmo, então decidi que iria o perdoar e chamá-lo de volta para a banda e temos sido grandes amigos. Então não era como se eu não ligasse para ele. Eu me importava, eu o amava. Ele é um dos meus melhores amigos. E algumas das coisas que eu quero que as pessoas captem do livro é que, não importa pelo quê estejam passando, se eles forem perseverantes, eles podem ter o mesmo tipo de vitória que eu tive. Talvez não na indústria da música, mas em suas próprias vidas, porque o livro não é sobre ser bem sucedido na indústria musical, é sobre ser bem sucedido na vida. Então é como uma história boba sobre sucesso e esperança, eu acho. Não sei como pôr isto em palavras… 

Com Ozzy lançando seu livro este ano e com tantas outras autobiografias de Metal por aí, o que você espera te diferenciar?
É engraçado… Eu acabei de dar uma olhada na biografia de outra pessoa recentemente, e em várias páginas havia, “boceta quente” e “gozei”… Fiquei olhando para a aquilo, e estava realmente perplexo por alguém pensar que as pessoas gostariam de ler sobre aquilo. Não conheço nenhuma mulher que gostaria de ler sobre um cara gozando. É tão anti-romântico; e segundo: que cara ira querer ler sobre outro cara gozando? Isto apenas mostra o nível da maturidade. Só porque você é uma celebridade, não significa que você seja um escritor, e nem que você tenha o conhecimento do que seja apropriado para colocar num livro. Eu sempre fui muito honesto.


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10 responses

3 09 2010
Bruno Caetano

Esta é uma autobiografia que gostava muito de ler! Aposto que vai tirar muitas dividas.
Alguém tem conhecimento se já se encontra digitalizada!?

3 09 2010
Gabriel Gonçalves

Pois é, Bruno, também queria muito ler a biografia do Mustaine, mas ainda não soube de nenhum lançamento em português e nem versões digitalizadas. Tomara que não demore muito. Abração!

3 09 2010
Paulo

Boa pessoal, mas só uma correção: É “MEMOIR” e não “MOMOIR”. Corrijam por favor.

Abraços!

3 09 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Paulo, tudo bem? Obrigado pela correção, meu velho. Já está corrigido no texto. Abração, meu velho, e volte sempre!

3 09 2010
Roberto A

Mustaine é um sujeito que admiro incondicionalmente, e não é de hoje.
xarope, chato, porém íntegro, sincero e essencial musicalmente.

3 09 2010
Gabriel Gonçalves

rs… Você resumiu Mustaine muito bem, Roberto: “Xarope, chato, porém íntegro, sincero e essencial musicalmente”. Apesar de estar sempre envolvido em alguma novela, não se pode acusar o cara de ser falso. Ele sempre falou o que pensou e viveu de acordo com suas próprias regras. Abração, cara!

5 09 2010
Helton

Mustaine….mestre dos riffss…FATO!!!

6 09 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Helton. Acrescento mais: ele é o mestre dos riffs cortantes, rs. Abração, meu velho!

6 09 2010
Alexandre Braga

Megadeth é magnífico, e Megadeth é o ‘sobrenome’ do Mustaine, em outras palavras, o cara sozinho criou uma das bandas mais perfeitas da história do Metal. Thanks Metallica!!! hehe
Gostaria de dizer também que acho muito legal vcs colocarem a palavra Metal com maiúscula. Parece algo sem importância mas, além de erro de português colocar um substântivo com minúscula (Metal é o nome de um estilo, não um adjetivo musical), parece ser algo que quer menosprezar o estilo.

6 09 2010
Gabriel Gonçalves

Você tem toda razão sobre o Mustaine, Alexandre; o cara conseguiu superar – mesmo que de vez em quando dê uns chiliques, rs – ser expulso do Metallica e criou uma das maiores bandas de Thrash da história. Quanto ao Metal com “maiúscula”, a razão é exatamente a que você citou: é um nome próprio, e um nome muito do importante. Além da correção gramatical, passa a idéia de importância. Se você er uma procurada por alguns textos aqu no blog, verá que quando aparece a expressão “hip hop”, por exemplo, está grafada em minúscula. Gramaticalmente não é o correto, mas é uma brincadeira – e uma forma de dar uma porrada também, rs – com o estilo. Abração, cara, e volte sempre!

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