IRON MAIDEN: FAZENDO AS COISAS DO SEU PRÓPRIO JEITO

2 08 2010

Fonte: The Telegraph

O website do “The Telegraph” aproveitou a passagem do Iron Maiden pela Virgínia, Estados Unidos, para  uma matéria sobre a banda, contendo depoimentos exclusivos de Bruce Dickinson e Steve Harris.

Confira abaixo a matéria na íntegra, em português!

A maioria dos freqüentadores de shows considera um exagero vestir a camiseta da banda que está se apresentando. Os fãs do Iron Maiden, como em quase tudo, são uma exceção a esta regra. A lotação total – 15 mil pessoas – do anfiteatro “Jiffy Lube Live”, na Virgínia, Estados Unidos, pareciam estar usando uma camiseta da banda, a maioria mostrando o mascote zumbi da banda, Eddie. Eles também cantam como se fossem um só, um exército vocal, que chega a abafar a banda durante a canção de 1992, “Fear of The Dark”. O Iron Maiden se sobrepõe, todos os seis integrantes respondem com uma frenética agilidade que desmente suas idades na casa dos cinqüenta e alguma coisa.

Esta não é uma platéia assustadoramente grande para o Maiden. Eles regularmente tocam para mais de 50 mil pessoas, e na América do Sul são superstars, rodeados nas ruas. Não se engane, o Iron Maiden é gigante. Pensar neles como um “patch” numa jaqueta de brim sem manga, entre o Saxon e o Twisted Sister, está obsoleto. A realidade é que o Iron Maiden vendeu mais de 80 milhões de álbuns e freqüentemente tocam nos mesmos locais que o U2 e The Eagles. Em 2009 eles até ganharam o “Brit Award” na categoria “Melhor Apresentação Ao Vivo”, disputando com o Coldplay, The Verve e outros.

Nesta última data nos Estados Unidos – num total de 25 – a área do backstage estava um formigueiro, uma operação quase militar. Antes do show, o compacto e muscular vocalista, Bruce Dickinson, está sentando conversando numa sala aconchegante. Ele é um atípico e único rocker. Um esgrimista de nível internacional, que possui licença de piloto de avião comercial, e escreveu dois livros e um roteiro de filme. Vestido em um short militar e numa camisa de manga curta, ele come um sanduíche com ketchup, e pondera sobre a disparidade entre a popularidade do Maiden e sua baixa exposição na mídia. Isto talvez possa ser devido a banda ter evitado ser fotografada, preferindo que Eddie os representasse nas capas dos seus 15 álbuns de estúdio?

“Eu não vejo porque alguém iria querer nos fotografar”, ele devaneia. “Não é como se fossemos embriões de George Clooneys. Nós realmente não queremos ser reconhecidos, exceto pelo que fazemos. Esta coisa da celebridade, quer dizer, Lindsay Lohan… Para que ele serve? Eu olho para isso e ergo minhas mãos em desespero. Talvez sejamos um tipo de antídoto para isso”.

Dickinson tem cabelos curtos atualmente, mas seus companheiros têm a cabeleira apropriada do Metal. À frente deles está o baixista, fundador e força motora da banda, Steve Harris, que é quem escreve a maioria das canções. Os outros membros são o baterista gregário com nariz achatado, Nicko McBrain; e os virtuosos guitarristas, Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers. O som deles no palco é dinâmico, tudo sobreposto pela potente voz de Dickinson. É também uma tecelagem musical. Ao invés da concussão de riffs de Blues, como o AC/DC, ou de outros do Rock pesado, o Maiden é mestre na solene forma de contar histórias do Rock Progressivo, tudo colorido com misticismo folclórico, referências literárias – de Samuel Coleridge a Raymond Briggs – e um monte de morte – “sempre um tema para o Metal, por causa de seu grande mistério”, fala Dickinson. Ainda assim o que o torna excitante é seu implacável ritmo galopante, um ataque triplo de guitarras e uma agressividade sônica que evoca o Punk.

Harris discorda veementemente. “O Punk só foi importante, porque nós o odiávamos e não queríamos nada com ele”, fala com seu afável sotaque londrino. “O Punk surgiu quando estávamos fazendo shows em bares, e foi muito difícil para nós arranjarmos trabalho, porque não tínhamos o visual adequado. Não já estávamos por aí antes do Punk, desde 1975, e então quando o Punk realmente começou a acontecer em 77, as pessoas começaram a fazer essas comparações, que realmente nos perturba, porque não queríamos ter nada a ver com eles”. 

Se ele os queria ou não, no surgimento do Punk, a visão de Harris de um Heavy Metal rápido e enérgico encontrou uma platéia enorme. Em 1980 o Iron Maiden começou a ter hits e, quando substituíram o vocalista Paul Di’Anno por Bruce Dickinson no álbum de 1982, “The Number of The Beast”, passaram para o grupo dos grandes do Rock. Isto veio acompanhado por muita controvérsia sobre supostas influências satânicas, mas magia negra não combina com o Maiden – eles estão mais para Terry Pratchett (Nota do tradutor: escritor inglês que através de um humor cáustico e irônico usa histórias ambientadas em um mundo de fantasia para trazer à tona incoerências e idiossincrasias bem reais) do que para Aleister Crowley. Quando um Eddie robô gigante entra no palco, Dave Murray, cuja avermelhada pele é encoberta por um permanente sorriso, perturba a criatura robótica com sua guitarra. Longe de assustador, é um entretenimento tipicamente inglês de boa natureza.

O verdadeiro drama para o Maiden foi os anos 90, quando o Metal estava fora de voga com a ascensão do Grunge. O pior ainda estava por vir. Dickinson saiu da banda em 1993 para seguir uma carreira solo que, em suas próprias palavras, “se tornou um chalé industrial globalmente respeitado”.

“Eu fiquei um pouco desanimado quando Bruce saiu”, relembra Harris. “Estava passando por um divórcio, provavelmente no meu pior momento em toda minha vida, e por algumas horas eu pensei sobre isto (terminar com o Iron Maiden). Então eu pensei, ‘o que você está fazendo? Apenas vá lá e faça esta porra’”.

Ele contratou outro cantor, Blaze Bayley, da banda Wolfsbane, agora mais conhecido por suas aparições em propagandas de restauração capilar. A popularidade do Iron Maiden diminuiu, mas estava longe de se esgotar quando Dickinson retornou em 1999, deixando a banda maior do que nunca. Há alguns anos eles excursionaram da Índia à Costa Rica e além, em seu “Boeing 757” customizado, “Ed Force One”, cheio de toneladas de equipamento, junto com a banda e toda a equipe. Eddie, naturalmente, foi pintado na cauda do avião e Dickinson foi um dos pilotos.

Diferente de muitos de seus contemporâneos, o Maiden não é é uma banda nostálgica. A turnê atual se concentra principalmente nos últimos três álbuns, enquanto que nos shows de 2006 foi tocado o então novo álbum na íntegra, do começo ao fim. Isto seria suicídio para muitas bandas, mas os fãs do Iron Maiden são uma classe à parte, constantemente dando boas vindas a sangue novo.

“Parece que nós temos mais regenerações do que o ‘Dr. Who’ (Nota do tradutor: é uma série galardoada de ficção científica britânica, produzida e transmitida pela BBC desde 1963)” fala Dickinson. “O bom é que quando cada nova geração descobre a banda, geralmente estamos para lançar um novo álbum, e então eles encontram o caminho até os discos antigos”.

Seu álbum mais recente tem uma qualidade crua, como na maioria de seu material do início dos anos 80, e a platéia da Virgínia respondeu com entusiasmo à nova canção, “El Dorado”. O Iron Maiden encerrou a apresentação, entretanto, com “Running Free”, single de seu álbum de estréia, e então correram à área do backstage até um comboio de vans e limusines, que desapareceu na noite acompanhado por escolta policial. Esta visão certamente não prejudica a idéia de que a chave para o Maiden ser atrativo não é o glamour e o excesso. Bruce Dickinson pode ter acertado na mosca mais cedo, quando disse: “há algo de produção de palco antigo nisto e temos muito orgulho deste fato. Nossos banners de fundo são pintados. Algumas pessoas tentaram nos vender a última novidade em paredes de vídeo, e nós falamos, ‘eu acho que é feio pra caralho. Parece que você está defronte àquelas máquinas caça níqueis horrorosas de Las Vegas – horrível!’. Nossos banners são 2D em lonas, mas têm um efeito 3D maior do que qualquer parafernalha moderna”.

Qualquer um que já tenha visto um espetáculo do Chemical Brother, por exemplo, concordaria que esta perspectiva é incerta, mas ainda assim combina com o “appeal” do Iron Maiden. Eles fazem as coisas do seu próprio jeito e estão dispostos a tudo por isto, oferecendo um entretenimento à moda antiga numa forma de Rock explosivo. O Iron Maiden não é a “máquina de caça níqueis horrorosa” que Dickinson mencionou; ao invés disto, eles estão mais para uma máquina de pinball: ocasionalmente recebe uma atualização visual e, inesperadamente, é um clássico.


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4 responses

2 08 2010
Marcos Gonçalves

Boa matéria, narrada de uma perspectiva meio que “fora” do universo Maiden, que por outro lado conseguiu retratar o que é a banda e sua legião de fãs.

2 08 2010
Gabriel Gonçalves

E aí, meu velho! Pois é… claramente dá pra ver que é um repórter norte-americano, pois ele está impressionado (e tentando passar este sentimento para os leitores) de coisas que o resto do mundo está cansado de saber, rs. É engraçado ver como o cara usa nomes de bandas gigantescas por lá, como, The Eagles e U2, para tentar comparar o tamanho do Maiden. Abração, Marquêra!!!

3 08 2010
wesley

Pois é depois nos da américa do sul é que somos do terceiro mundo. O Maiden é gigante em todo o mundo asia,europa,oceania,américa do sul,canada que fica ao lado dos eua, mas os yankes sempre olharam tortos para eles,deve ser pelo fato deles não terem se vendidos a mídia norte-américana e sempre terem mantidos sua tradições britanicas,sempre exaltando as conquistas inglesas em músicas como em Acess high em quanto os americanos estavam com medinho dos nazistas em casa.

3 08 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Wesley! É verdade o que você disse. Tirando quando o Heavy Metal era moda, em parte dos anos 80, os Estados Unidos sempre torceram o nariz para o Maiden, mas não acho que seja por causa de tradições inglesas, já que eles também (quando falo “eles”, digo a maioria) não estão ligando pro Manowar ou outra banda norte-americana. É uma coisa cultural deles, não dá pra explicar. Parace que eles só se apaixonam pelo que foi criado por eles (com a exceção, pelo que me lembre, dos Beatles e dos Stones). O esporte mais praticado e amado do mundo é o futebol, que lá é considerado esporte de mulher; a categoria do automobilismo mais amada e mais popular no mundo é a Formula 1, mas lá é Formula Indy e Nascar; e fora muitas outras coisas. Enfim, o que eu quero dizer (e não criticar, só fiz uma constatação) é que eles têm um lance diferente… Grande abraço, meu velho!

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