JOHNNY ROTTEN: “TODOS OS GOVERNOS SÃO CULPADOS, MAS TODOS OS POVOS SÃO INOCENTES”.

30 07 2010

Fonte: Mojo Magazine

A Mojo Magazine conduziu uma entrevista com o eterno vocalista dos Sex Pistols, Johnny Rotten (John Lydon), onde falou sobre seu retorno com o Public Image Ltd (a banda que montou depois dos Pistols), política, indústria musical, dentre outros assuntos.

Confira abaixo a entrevista!

John Lydon, eterno vocalista do Sex Pistols, deu um pontapé incial fantástico. A “O2 Arena”, em Oxford, ainda estava reverberando em conseqüência de uma apresentação intensa da atual encarnação de sua outra banda, Public Image Ltd, quando a “Mojo” foi convocada ao seu camarim para uma entrevista. Batemos na porta, abrimos alguns centímetros e, por um nanosegundo, lá está o outrora anticristo como veio ao mundo. Eca! A porta se bate raivosamente, e uma fúria incontida escapa. 

Em poucos minutos, a “Mojo” é convocada novamente. Ainda bem, Lydon tem outros alvos para sua raiva – aquelas pessoas que questionaram sua decisão de permanecer como atração num festival em Tel Aviv, enquanto outros artistas do ocidente o boicotaram em razão de Israel manter sua ocupação de Gaza…

MOJO: Desculpa por mais cedo, meu velho!
Lydon: Está tudo bem, mas você me pegou sem calças. Deus o abençoe. Quando meu amigo está pra fora e meu traseiro está molhado, não posso dar entrevista, desculpe.

MOJO: A banda está detonando!
Lydon: Estamos tão afiados quanto é possível, e podemos levar as canções aonde quisermos. Estes são os caras que não conseguem uma parte justa do bolo na indústria musical. Eu também. Nós todos nos sentimos um pouco desprestigiados, e não deveríamos. Todo mundo nos copia e não há nenhuma porra de apreciação. Lu (Edmonds, guitarrista) foi muito além do que aquele babaca bêbado quando era do The Damned! Ele é fantástico. Você não precisa ficar com o mesmo modelo por toda a sua vida. Se você não evolui – no dia a dia – então você é um desperdício de espaço e tempo. Uma porrada de bandas Punk ainda estão tentando soar tão ruim quanto era originalmente. Isto não é muito inteligente, não é?

Mojo: Músicas chave, como “Death Disco”, são obviamente muito pessoais, sobre a morte de sua mãe, mas você está tocando canções mais políticas nesta turnê, como “USLS1”, sobre “Lockerbie” (Nota do tradutor: ataque terrorista ao vôo 103 da Pan Am em 21 de dezembro de 1988 que matou 270 pessoas). Você se sente mais engajado com o mundo agora?
Lydon: Eu tinha esta situação bizarra em minha volta, com estes grupos estudantis, ou estudantes hippies, ou seja lá o que forem, dizendo que se eu tocar em Israel, estarei apoiando o apartheid, o que é um ponto de vista completamente sem sentido. Eu fui acusado de muitas coisas em minha vida, mas esta supera. Algumas de nossas canções, como “Four Enclosed Walls” (uma canção na visão de um mulçumano extremista) – você não pode dizer que o governo de Israel está patrocinando ela.

Enfim, não é o governo israelense nos patrocinando, é um promotor de eventos. Nós vamos a Israel tocar para o povo. Eu adoraria ir para a Palestina e tocar para o povo. Estou esperando por esse convite há muito tempo. Eu toquei em países onde há uma grande mistura de religiões, mas nunca um país estritamente islâmico. E países islâmicos têm problemas políticos: eles parecem não gostar de forasteiros. Eu não me vejo como um forasteiro.

Eu ofereci os Sex Pistols para tocar no Iraque, quando aquela invasão começou, e eu acho que foi uma decisão corajosa pra caralho, porque teríamos que passar pelo governo norte americano, que nos disse abertamente, “não, a não ser que seja para tocar para as tropas”. Minha resposta foi de que tocaria para as tropas em qualquer outro momento, em seus próprios países, mas não no Iraque. Eu queria tocar para o povo do Iraque, e mostrar a eles que o ocidente tem muitas coisas ruins – na época, era George Bush – mas que também tem muitas coisas boas. E esta não é a mensagem que os governos querem espalhar.

Você não pode separar a música do povo. Você não pode usá-la como seu “joystick” político. Se o Public Image Ltd for reduzido à covardia de Elvis Costello, que descorda de que todos os povos são inocentes – todos os povos; todos os governos são culpados, mas todos os povos são inocentes – então não teremos mais mundo.

Mojo: Então você não concorda com a lógica das sanções?
Lydon: Me diga se as sanções alguma vez serviram para alguma coisa. Não está indo muito bem no Iran, está?

Mojo: E não funcionou exatamente no Iraque também…
Lydon: Não. E o que você está fazendo com isto? Você está deixando o povo faminto por comida, bebida, música – influência; influência de fora. Se eles não são acessíveis para uma influência de fora, a situação permanece igual.

Mojo: Você tem falado sobre fazer um novo álbum do PiL – o primeiro em 13 anos…
Lydon: Com um pouco de uma porra de sorte. Há monte de merda acontecendo. Está claramente óbvio que a gravadora (Virgin, com quem Lydon ainda tem contrato) não é favorável. O único (da gravadora) que encontrei foi um babaca sarcástico na Holanda. Não é bom o suficiente. (A Virgin) não é mais uma gravadora, mas um departamento de contas, e ela não está dando “conta” de certas coisas. Ela apenas te coloca em débito.  

Mojo: Então você lançará o álbum por conta própria?
Lydon: De um jeito ou de outro, nós o faremos. Quer dizer, eu tenho as músicas. Puta merda, está claro que nós somos uma banda. Nós realmente amamos o que fazemos. Eu não posso dizer como ele será – não é possível até que você fazer a coisa. Olhe, eu fiz uma coisa realmente boa nesta turnê (que Lydon financiou sozinho, com os rendimentos de sua participação nos comerciais da manteiga “Country Life”): eu derrubei o preço dos ingressos pela metade. Eu poderia não ter feito isto. Então poderia garantir uma gravação no fim do ano, mas eu pensei, “não, eu quero fazer isto deste jeito”. Quer dizer, a coisa está feia para todo mundo, não é? Então faremos isto (o álbum) com orçamento curto. Estamos determinados.

Mas é uma liberdade. Esta banda é muito boa para ser ignorada. Isto não faz sentido. Nós conseguiremos em outro lugar, não se preocupe. É um pouco mais concreto do que estou dando a perceber, mas um concreto de secagem demorada.

Mojo: Você parece está com tudo com o PiL. Você sentiu falta de acessar este lado mais ambicioso e pessoal, musicalmente, no palco?
Lydon: É como tocar para minha mãe e meu pai, de verdade, porque eu sinto falta deles. Mas, sim, é claro que senti falta. A gravadora fez tudo para que eu não conseguisse: me manteve em débito, me manteve fora disto. É uma vergonha o Pistols não ter angariado o suficiente para nós. Mas eu adorei muito o trabalho na TV que fiz, eu o vejo como uma parte do PiL, de qualquer forma. Nem sempre é necessário ser musical. Saltar pela vida, como eu faço, é uma melodia por si só!


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