MEMBROS DO METALLICA, MEGADETH, ANTHRAX E SLAYER FALAM SOBRE THRASH METAL

23 07 2010

Fonte: The Guardian

O “The Guardian” fez uma extensa matéria sobre a “The Big Four World Tour” e conversou com Dave Mustaine (Megadeth), Kirk Hammett (Metallica), Kerry King (Slayer) e Scott Ian (Anthrax), para saber mais sobre a reunião das quatro gigantes do Thrash Metal.

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A “The Big Four Tour” – que traz Slayer, Anthrax, Megadeth e Metallica finalmente juntos – é um grande salto ao passado para o Metal.

“Ele fala com a essência da psique humana, cara”, diz o guitarrista do Metallica, Kirk Hammett, explicando a longevidade do Thrash Metal. “É verdade. Ele tem uma batida e uma energia que fala com você, não importa qual sua criação cultural, sua idade e de onde você é. Se você o escuta e faz uma conexão, já era, cara. Você estará nisso por toda a vida”, completa.

Quem pode discutir? Afinal de contas, quando nos encontramos, ele estava no meio de uma corrida para tocar para milhões de fãs pela Europa, ao longo de sete dias. Eles estavam lá para testemunhar o show que eles disseram que nunca poderia acontecer – os quatro gigantes do Thrash Metal, Metallica, Slayer, Anthrax and Megadeth tocando no mesmo palco pela primeira vez em quase 30 anos de carreira.

É uma ocasião que, apesar de amargas rivalidades, testemunhou inesperadas reconciliações e uma surpreendente quantidade de humildade, dado os tamanhos dos egos envolvidos. “O Metallica arranca as pessoas de suas cavernas, todo mundo vem para vê-los”, fala Kerry King, guitarrista do Slayer. “O resto de nós é só a cobertura num bolo já matador”. E acima de tudo, é um testemunho da sobrevivência de um gênero que parecia morto e enterrado há uma década, e da reabilitação de quatro bandas, cujas carreiras tiveram inúmeros obstáculos atirados no caminho, de tragédias pessoais à vícios em drogas, sem contar os colapsos criativos e comunicativos. 

O Thrash foi forjado no começo dos anos 80 por um grupo de bandas, predominantemente californianas. Eles pegaram o “galope bangueável” dos grupos da NWOBHM, como Judas Priest, Angel Witch e Iron Maiden, adicionaram agressividade, niilismo e o descontentamento político da cena Punk Hardore. O resultado foi um contra-ataque à envaidecida cena do Glam Metal. Scott Ian, guitarrista e membro fundador do Anthrax, que resistiu à moda saindo de Nova Iorque, explica: “nós éramos o azarão, e olhávamos para as bandas grandes e pensávamos, ‘nós somos o verdadeiro Metal. Não vocês’. É estúpido pra caralho quando penso sobre isto agora, mas eu entendo totalmente a mentalidade que tínhamos”. Essa mentalidade, entretanto, pegou o espírito da época. “Os garotos podem crescer ouvindo Bon Jovi ou coisas do tipo, mas quando estão com 15 anos e não querem mais aquilo, então passam a ouvir Anthrax e Metallica. E esta era nossa missão: impedir os garotos de irem para o lado negro!”.

No fim dos anos 80, sem apoio da MTV ou das rádios, as quatro grandes, junto com um segundo escalão de bandas semelhantes em rápida expansão ao redor do mundo, se tornaram a força definitiva do Metal. O Slayer lançou “Reign in Blood”, ainda lembrado como um dos melhores álbuns de Metal de todos os tempos; o Anthrax se alinhou com a cena de Hardcore nova-iorquina; o Megadeth, formado pelo ressentido Dave Mustaine após ser demitido do Metallica, derrubou os obstáculos e vendeu milhões de álbuns do seu próprio jeito; e o Metallica, depois de se restabelecer da morte do baixista Cliff Burton, foi se posicionando lentamente para ser a maior banda de Metal do mundo.  

Para Mustaine, isto foi quando a nova ordem do Heavy Metal se estabeleceu – descompromissada em sua visão, musicalmente e liricamente, e milhões de quilômetros de distância das festejadas bandas de cabeças de vento que os “quatro grandes” expulsaram do topo. “Provavelmente ainda tem gente lançando Glam Metal em algum lugar e há algumas garotas de tetas siliconadas comprando esta merda, mas as pessoas que realmente gostam de Heavy Metal… Thrash é música para os homens que pensam”, diz. “Eles tentam estigmatizar as pessoas do Metal e fazem parecerem estúpidos. Quando eu fui para a Casa Branca nos anos 90 (como parte da campanha “Rock the Vote), muita gente pensou ‘bem, ele não parecerá muito inteligente’ e, ao contrário, eu fui muito bem articulado”.

Todavia, quando o Grunge chegou no começo dos anos 90, os pioneiros do Trash, de repente, se encontraram num deserto. O Metallica pode ter se lançado ao super-estrelato – mesmo que os fãs “hardcore” achassem que ela haviam amaciado seu para tal – mas eles deixaram sua “realeza” adormecida. O Anthrax, a mais caricata das “quatro grandes”, achou difícil de lidar com esta mudança de panorama para uma música mais sombria e introspectiva. “Quando o Rock Alternativo surgiu nos anos 90, nós pensávamos: ‘eles estão por toda a MTV. De que porra de jeito eles são alternativos? Nós somos o alternativo’”, lamenta Ian.

A assustadora reputação do Slayer garantiu a eles fanáticos seguidores, mas seus lançamentos dos anos 90 foram irregulares, tanto em quantidade quanto em qualidade. E problemas criativos eram o mínimo quando eles foram envolvidos no assassinato de uma garota de 15 anos por três colegas de colégio que, foi alegado, haviam escutado Slayer repetidamente antes do crime. O processo contra eles foi finalmente descartado em 2001. Já no campo do Megadeth, Mustaine, entre suas intermináveis brigas com colegas e ex-colegas de banda, passou metade da década viciado em heroína.

A desgraça do Metallica foi espetacular. Apesar de haver algumas queixas sobre a respeito de suas escolhas musicais nos anos 90, foi a batalha com o site de trocas de arquivos, Napster, em 2000, após o vazamento de uma faixa inédita da banda, que se tornou a gota d’água para muitos. Para um grupo cuja base de fãs se consolidou nos anos 80 ao trocar fitas gravadas, o episódio do Napster pareceu petulante, de pouca visão, e transformou o baterista e estrategista da banda, Lars Ulrich, de herói à figura odiada. Para recuperar a boa reputação, no auge de seus problemas artísticos e pessoais, a banda deu livre acesso para os cineastas Joe Berlinger e Bruce Sinofsky fazerem um embaraçoso e fraco documentário. O resultado, “Some Kind of Monster”, capturou uma banda em crise enquanto lutam desinteressados para fazerem seu “fundo do poço” criativo, “St. Anger”. Hammett, entretanto, acredita que aquele tinha que ser feito. “Ele nos impediu de acabar – tínhamos algo em que nos focar, e isto nos manteve juntos com uma unidade. Nós sempre arriscamos, e muitas vezes acabamos do lado errado da estrada. Mas nunca fizemos um disco de Rap Metal, graças a Deus”. 

Enquanto os “quatro grandes” estavam à deriva, indo cada vez mais para longe da popularidade, substituídas pelo Nu-Metal no “mainstream” e pela expansão do Death e Black Metal como extremos do gênero, algo animador estava acontecendo nas raízes do Metal. A partir do começo do novo século, um novo interesse no Thrash estava crescendo, e várias bandas estavam lotando shows em garagens e gerando a popularidade “boca-a-boca” que o Metallica aproveitou uma geração antes. Os “quatro grandes” estavam sendo citados como sagrados mais uma vez, por gente que não era nascida quando seus primeiros álbuns foram lançados.

É difícil de acreditar que isto não foi percebido pelos fundadores do Thrash. Assim que possível, Metallica e Slayer chamaram Rick Rubin, o produtor de “Reign in Blood”, para fazer o “Death Magnetic” e “Christ Illusion”, respectivamente. Estes se tornaram seus maiores sucessos de crítica e de vendas em mais de uma década. “De1985 até 90, todos estavam lançando ótimos discos”, reconhece King. “E aqui estamos nós fazendo isso novamente”. Mustaine superou um problema no braço que ameaçou terminar com sua carreira e reformou o Megadeth, enquanto o Anthrax voltou com o vocalista Joey Belladonna, a voz dos discos mais amados da banda. E, através dos esforços do personagem mais ridicularizado do Trash, Lars Ulrich, as quatro bandas finalmente se juntaram para tocar para meio milhão de devotos headbangers. “Se você olhar para os últimos 40 anos, você não encontraria quatro bandas que pudessem fazer isto. Estamos todos aqui e podemos fazer isto – é incrível”, diz Ian.

As quatro bandas posam juntas para foto.

É uma extraordinária reviravolta , mas indiscutivelmente o mais estarrecedor de tudo é que Mustaine, o eterno amargo do Metal, parece ter feitos as pazes com o passado e finalmente enterrou as brigas com o Metallica. “No Backstage, James (James Hetfield, o frontman do Metallica) e eu estávamos conversando, e nos abraçamos e nos desculpamos pelas coisas que fizemos para outro no passado. E Lars eu estávamos falando sobre sair para jantar. Quem pensaria que isto iria acontecer? Mas aqui estamos nós, detonando e destruindo em nome do Heavy Metal”.


Ações

Information

6 responses

23 07 2010
Ricardo Seelig

O correto é thrash metal, com H, e não trash, que significa lixo em inglês.

23 07 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Ricardo, tudo certo? Você tem toda a razão. O texto já foi corrigido. Obrigado por nos alertar para este lapso. Ah, parabéns pelo”Collector’s Room”. É fantástico! Sou um acompanhador desde que surgiu como um quadro no Whiplash. Obrigado pela visita e volte sempre!

25 07 2010
Gustavo Cavalcante

Que tal os 4 grandes do heavy metal fazerem shows juntos,
assim como os 4 grandes do thrash estão fazendo. Eu estou
falando de: IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST, BLACK SABBATH ou
(HEAVEN & HELL como queiram, com um novo vocalista.), e
por último um MOTORHEAD por exemplo hã ? seria animal e
pra vocês hã ?

25 07 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, Gustavo! Velho, seria muito foda se rolasse um show desse. O Heaven and Hell não dá mais, mas o Sabbath original seria uma ótima pedida! Um line up perfeito para o “Big Four” Heavy, rs. Muito bom! Abraço, cara, e volte sempre!

26 07 2010
Stranger_Land

Boa Gustavo…Apenas trocaria o MOTORHEAD ( não é que eu não goste da banda, curto pra karai eles ) pelo MANOWAR. Afinal o evento só teria a trueza que o metal exige com eles…rs
Mas se tivesse como essa vaga ser do LED ZEPPELIN, aí sim meu caro, o mundo esqueceria o calendário cristão e passaria a ser ANTES/DEPOIS BIG FOUR…
Quase nada exagerado, mas já que sonhar é umas das poucas coisas neste país que não se paga imposto…rsrs

Abraços!

26 07 2010
Gabriel Gonçalves

Fala, meu velho! Pois é, cheguei até a pensar o mesmo que ocê, mas no final achei o line up do Gustavo melhor, rs (particularmente, prefiro o Motorhead). Velho, chegeui a pensar no Zeppelin também (e no Purple, e no Kiss…), mas as descartei, pois estaríamos abrindo uma brecha para o que não é 100% Metal, rs. mas está aí outra chance para imaginarmos: qual seria o line up de um “Hard Rock Big Four”? Na minha opinião seria Zeppelin, Purple, Kiss e AC/DC, rs. E indo mais longe, se fosse aquele Hard Rock anos 80, para mim, seria Guns, Motley Crue, Poison, Cinderella, rs. Ótimo exercício para a imaginação!!! Obrigado pelo comentário, cara, e volte sempre!

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