ALICE COOPER: “THEATRE OF DEATH” É O MAIOR POSSÍVEL”.

19 07 2010

Fonte: The Intelligencer

O jornal canadense “The Intelligencer” conduziu uma extensa entrevista com Alice Cooper, que falou sobre a atual turnê, “Theatre of Death”, longevidade e muito mais.

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Cinco: esta é a quantidade de vezes que o lendário “shock-rocker” é morto no palco, toda as noites, durante a “Theatre o Death World Tour”. Com 62 anos, Cooper não mostra sinais de que irá diminuir a velocidade, apesar de sua carreira já durar mais que quatro décadas e 25 álbuns de estúdio. Recentemente ele completou uma série de shows com Rob Zombie e atualmente está na estrada na América do Norte, numa turnê que o trará para o “Belleville’s Empire Rockfest” no dia 22 de julho.

Cooper falou com o “The Intelligencer” sobre seus anos na indústria da música, o show que trará com ele e seu amor por filmes bizarros de kung-fu.

INTELL: Uma das minhas citações preferidas sobre você é aquela famosa de Bob Dylan, que disse que você é “um compositor negligenciado”…

AC: Isto foi uma surpresa tão grande para mim. É um grande elogio que Bob Dylan apenas saiba que eu estou vivo. Ele deve ter escutado “Only Women Bleed” ou uma daquelas canções que são baladas tocantes. Eu tive quatro baladas seguidas que se tornaram hits, e talvez sejam elas que tenham a ver com a citação.

INTELL: Continuando com a citação, o que você acha que é a chave para escrever canções que ainda são tocadas três ou quatro décadas após terem sido lançadas?

AC: Honestamente, é uma habilidade. . É uma daquelas coisas, por exemplo, se você me pedir para escrever uma canção sobre uma girafa e um elefante que se apaixonam no “Empire State Building”, eu diria ‘você quer que ela dure quanto? Você quer que ela seja acelerada?’. Em outras palavras, eu conseguiria escrever a canção. Só precisaria saber se você quer que ela seja tocante, engraçada ou horripilante.

Eu provavelmente seria capaz de escrever para a Broadway se eles me dissessem como a estória é. Por alguma razão eu sempre fui capaz de fazer isto, mas quando era criança eu escutei aos dois melhores letristas: Chuck Berry e Ray Davies, do The Kinks. Eles podem contar uma estória em três minutos, e é uma arte poder contar uma estória em três minutos.

Eu meio que descobri como fazer isto. Você escreve a conclusão primeiro, e então escreve de trás para frente e monta a coisa toda. Este é o truque em “Lola” (Nota do tradutor: um dos maiores hits do The Kinks), “School’s Out” ou “I’m Eighteen”.

INTELL: “Preeties for You” saiu em 1969 e agora estamos em 2010. Como sua música mudou nestes 40 anos e como a indústria da música mudou?

AC: A indústria musical mudou mais, eu acho, num nível técnico. Se você olhar para as bandas que estão trabalhando desde 1968, são todas bandas de Rock pesado. São todas bandas guiadas por guitarras, como os Rolling Stones. Ozzy ainda está por aqui. Nós ainda estamos aqui. Iggy (Iggy Pop) ainda está aqui. 

Todas essas bandas ainda estão por aí tocando e provavelmente melhor do que em 1968. Eu sei que sou um melhor cantor agora e tenho bandas que são muito melhores agora. É engraçado que este seja o estilo musical que nunca irá morrer.

INTELL: Por que você acha isso?

AC: Cinqüenta anos mais a frente ainda haverão garotos nas garagens ouvindo The Who, e dizendo ‘como a gente faz isso?’. É esta batida quatro por quatro, que eu chamo de “tribal”. Quando você toca Rock n’ Roll, você não o toca necessariamente pelo seu cérebro. O bom Rock n’ Roll é tocado com o que você tem abaixo do cinto. Este é o grande problema que eu tenho com a maioria das bandas que estão por aí agora. Existem muitas bandas, jovens bandas de Rock, que são sensíveis demais.

Eu não tenho saco para bandas sensíveis. O que aconteceu com as bandas que são apenas Rock n’ Roll raivoso? É disto que sinto falta.

INTELL: Quem está no seu cd player agora?

AC: Eu tento achar todas as bandas de “Garage Rock” que são realmente boas. Eu acho que Jack White é o único gênio desta era, porque ele continua quebrando todas as regras e fazendo funcionar. Eu ouço o material que ele faz com o White Stripes e eu ouço o Dead Wheater, e ele vai totalmente contra as idéias de produção e simplesmente funciona. Ele tem algo. Ele tem algum tipo de mágica.

As novas bandas deviam ouví-lo, porque ele soa como se realmente falasse sério. Soa como Jagger e as bandas dos anos 60. Havia algum realismo. 

INTELL: Você tem uma carreira tão longa que tem fãs que te descobriram em álbuns como “Constrictor” e “Raise Your Fist and Yell”, e tem as pessoas que cresceram com o “Billion Dollar Babies” e “Killer”, além de uma nova geração descobrindo você através do “Brutal Planet” e “Along Came a Spider”. Então, quando você vem a uma cidade como Belleville, como você escolhe o set list? Você está tentando alcançar apenas uma geração ou procurando que todos curtam sua música?

AC: Bem, eu misturo bastante. Nós fazemos 28 canções. Destas 28, nós pegamos o “From The Inside”, “Billion Dolllar Babies”, “Killer”, “Welcome to My Nightmare”, “School’s Out”, “Trash”… Eu realmente misturo bastante. Isto nos leva de volta ao que estávamos conversando. O que mudou na música? O Rock não mudou tanto. Eu ouço bandas, como Strokes e coisas do tipo, e digo ‘Jesus, isto é ótimo, Rock n’ Roll dos Rolling Stones’. É realmente difícil mudar aquela coisa básica.

Não foram muitas pessoas que obtiveram sucesso ao levar a música numa nova direção e fazê-la funcionar. O Pink Floyd fez isto. Eles a transformaram numa coisa diferente, mas não muitos outros conseguiram. Todo mundo apenas volta para o puro Rock n’ Roll.

Quando ligo o rádio e ouço uma banda nova tocando aquele Rock de garagem de 1966, eu adoro. Isto nunca fica velho.

INTELL: E você voltou para isto com “The Eyes of Alice Cooper”.

AC: Com certeza. Depois de termos feito quatro ou cinco álbuns que foram álbuns produzidos, com uma estória, eu disse à banda ‘Esta é uma banda boa o suficiente. Quero tentar algo diferente. Quero experimentar. Quero escrever uma canção pela manhã, ensaiá-la pela tarde e gravá-la à noite. Sem voltar e consertar o baixo ou a guitarra. Ela é o que é’. Foi como nós fizemos esse álbum e, deste jeito, a banda nunca fica cansada de tocar aquela música, e você pode escutar quão animados eles estão por tocar aquela nova canção. É como uma banda supostamente deveria soar.

INTELL: Então é assim que você irá soar quando estiver aqui? É isto que nós teremos?

AC: Oh Yeah! Esta produção é provavelmente tão grande quanto a produção de “Welcome to My Nightmare”. “Theatre of Death” é a maior possível (risos)… É muito exagerado!

Eles me matam cinco vezes no show. Nós adicionamos uma nova morte duas semanas atrás, então Alice é morto cinco vezes agora.

INTELL: Ao longo dos anos você já foi obrigado a fazer algo que não queria no palco?

AC: O que acontece é que nada rola no palco sem eu dar a aprovação final. Eu digo ‘vamos tentar isso, vamos tentar aquilo’, e eu tenho um diretor para o show, e lhe disse que queria tudo ao contrário e pelo avesso. Todos que já viram meu show e acham que descobriram minha formula… eu quero destruir isto. Em outras palavras, começa com “School’s Out”, não termina com ela. Vamos deixar tudo pelo avesso para que o público não saiba o que virá.

É o que esse show é. Tem um ponto no qual ele (o diretor) diz ‘Okay, você arranca o vestido da enfermeira, tira a peruca dela, e então eles te colocam numa lata de lixo, com uma corda em volta do seu pescoço, e você canta “I Never Cry”’. Eu disse que isso nunca iria funcionar…. e é a melhor parte do show.

Acaba sendo aquele momento em que me sinto tão embaraçado que acaba funcionando, e vai exatamente ao contrário de tudo que eu faria. Se eu me forço a fazer alguma coisa, de repente isto acaba se tornando algo novo e diferente. Metade do público fica horrorizada e a outra metade se acaba de rir.

INTELL: Então este é um momento de sucesso?

AC: Oh yeah, yeah, yeah! Especialmente quando você vai fazer algo tão absurdo, e é a canção mais bonita que você já escreveu. Esta é idéia: jogar as coisas para o público que eles nunca experimentaram.

INTELL: Você já se arrependeu de alguma canção ou álbum lançado?

AC: Realmente não consigo lembrar de nada que me envergonhe, mas, ao mesmo tempo, têm canções que eu vejo agora e penso ‘gostaria de poder tê-la produzido melhor, ou de ter gasto mais tempo com ela’.

INTELL: Pode nos dar um exemplo?

AC: Bem, têm quatro álbuns que eu não recordo ter escrito, gravador ou feito turnês, durante o meu período de “blackout”. “Zipper Catches Slin” “Special Forces”, “Dada”… Quando penso nestes álbuns e os ouço, vejo que há muito material bom neles, e só gostaria de ter gasto mais tempos neles.

INTELL: Então, antes de entrar no palco, você tem algum ritual?

AC: Eu chego no local uma hora e meia antes do show e assisto filmes de kung fu bem ruins. É verdade. Eu assisto kung fu ruim. Se Bruce Lee aparece, é bom demais. Eu estou falando de “Os Sete Shaolin Dourados Contra os Quinze Ninjas Bêbados”. Estes são os tipos de filme que eu procuro. Não me pergunte o motivo, é uma tradição e eu não consigo explicar.

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2 responses

19 07 2010
Marcos Gonçalves

KKKKKKKK

Muito legal essa entrevista do Alice. O cara continua uma figura.

19 07 2010
Gabriel Gonçalves

Ele é foda mesmo, rs. Um dos imbatíveis do Rock n’ Roll! Abração, meu velho!

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