JANICK GERS: “NÃO GOSTARIA DE CONTINUAR COMO UMA PARÓDIA FAZENDO UM SHOW DE CABARÉ”

14 07 2010

Fonte: Pittsburgh Post-Gazette

O jornal “Pittsburgh Post-Gazette”, da cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, aproveitou que o Iron Maiden está na cidade para um show hoje, 14 de julho, e fez uma entrevista com o guitarrista Janick Gers.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, traduzida para o português com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER!

O grande culto que segue o Iron Maiden esteve esperando por quarto anos por um novo disco, o maior intervalo entre álbuns que veterana banda inglesa já teve desde seu debut, em 1980. 

Esse álbum, “The Final Frontier”, estará nas ruas em 17 de agosto, o que torna o sincronismo complicado, já que a banda está em turnê neste momento. O grupo soltou uma música, “El Dorado”, que está no repertório, mas resto do novo material terá que esperar por uma turnê futura.

“Tocar mais que isso é impossível”, diz Janick Gers, parte do ataque de três guitarras da banda.

“Nos anos 80 você provavelmente poderia fazer isto, mas agora com “Youtube” e downloads, as canções estarão por aí antes do álbum sair”. 

Isto indica que o palco abrigaria uma turnê “greates hits”, mas não é o que o Maiden planeja desta vez. Quando a banda adentrar o “First Niagra Pavillion” em Pittsburgh, hoje, 14 de julho, para seu primeiro show aqui em cinco anos, o repertório de 16 músicas será focado principalmente nos três últimos álbuns da banda – “Brave New World”, “Dance of Death” e “A Matter of Life and Deah”.

“Nós fizemos a ‘Somewhere Back in Tour’ da última vez, e aquilo meio que tratou do anos 80, e antes dela fizemos o ‘A Matter of Life and Death’, apenas este álbum nós tocamos naquela turnê”, diz o guitarrista. “Eu acho que se você quer permanecer como uma banda válida, é importante que você toque seu material novo, porque, de outra forma, você se torna uma paródia do que você começou fazendo. Você não pode sair e tocar os maiores sucessos todas as vezes. É importante tocar as canções mais novas, porque nós realmente acreditamos nelas”.

Isso pode causar uma pequena discórdia nos grupos de fãs que esperam escutar mais de álbuns como “The Number of The Beast” e “Powerslave”, mas a banda tem uma lógica para isto.

“Nós temos tantos garotos vindo aos shows”, afirma Janick. “Quando fazemos (um show) para 80 mil pessoas em Estocolmo, eu diria que metade deles está entre 15 e 18 anos. No Canadá é o mesmo. Esta é a diferença da gente para muitas outras bandas. Tem muitos jovens curtindo esta banda, e eu estou falando de garotos com “patches” e todos os acessórios. Todos os lugares do mundo aonde vamos, existe uma tremenda multidão de jovens e isto é rejuvenescedor”.  

Se este é o caso, o Iron Maiden está conseguindo atrair os jovens, apesar do fato de que as bandas de Metal com quem eles cresceram, do Slipknot para frente, serem bem mais pesadas do que os da NWOBHM.

“Toda minha atitude quanto à música é que ela tem que ter uma melodia”, fala Mr. Gers. “Música pesada… Eu a amo e gosto daquele Rock n’ Roll poderoso, mas tem que ter uma melodia, e se você carece de melodia, então você perde tudo o que isto (música) é, e toca para uma platéia mínima. Nós tocamos uma música que é bastante pesada, mas que também tem altas e baixas camadas e muita melodia. Temos um cantor incrível e nós o usamos em seu máximo. Ele canta com o coração toda as vezes que estamos no palco”. 

O guitarrista promete que a variedade será evidente em “The Final Frontier”, que foi gravado em seis semanas nas Bahamas, sede de algumas das mais clássicas gravações da banda, entre 1983 e 1986. O álbum, que traz 10 faixas, está cheio de longas “jams”, incluindo uma com duração de quase 11 minutos, intitulada “When The Wild Wind Blows”. 

“Estamos num estágio progressivo com a banda agora”, fala o guitarrista. “Estamos a levando a extremos. O novo álbum… Estou muito orgulhoso dele, porque a canção que soltamos não é um indicativo do resto do álbum – existem muitos sentimentos e maneiras de se tocar neste disco. Nós tivemos diferente atitudes e levaremos vocês a diferentes lugares. Tem muita música longa neste disco e muita música variada”.

“The Final Frontier” será o 15º álbum da banda em 35 anos de carreira. Mr. Gers juntou-se ao grupo em 1990, quando Adrian Smith saiu, e permaneceu no Maiden quando o guitarrista retornou em 1999.

“Tem sido divertido, e enquanto estivermos nos divertindo, e sentir que é válido, e os fãs ainda virem, e tivermos grandes shows, eu gostaria de continuar. E no minuto em que não mais me divertir, e não dermos 100%, não gostaria de continuar como uma paródia fazendo um show de cabaré”.

“Nós somos meio que intransigentes. Nós nunca mudamos. Nós sabemos o que queremos. E está na música. Nunca faremos uma canção pop, por exemplo. Nós nunca faremos uma canção para tentar entrar nas paradas. Nós só faremos o que achamos certo, e fizemos isto nos anos 90, quando o Grunge era popular e as pessoas não mais ouviam Rock, e algumas rádios por aí disseram ‘não vamos mais tocar Rock n’ Roll’. Nós apenas nos mantivemos na estrada e nos prendemos às nossas armas, e isto é uma das razão de ainda estarmos aqui”.


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