GUITARRISTA DE PAUL McCARTNEY FALA SOBRE O EX-BEATLE E SUA CARREIRA

6 07 2010

Fonte: Mojo Magazine

Rusty Anderson, guitarrista da banda de Paul McCartney, deu um extenso depoimento a Mojo Magazine sobre Macca, vida na estrada e sua carreira.

O depoimento completo, traduzido na íntegra para o português, você confere com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER.

Conheci Paul através do produtor David Khane, em 2001, quando fui convidado para tocar no álbum “Driving Rain”. Estávamos batendo papo no telefone e David me contou que estava fazendo o novo álbum de Paul McCartney. Minha primeira reação foi dizer: “ótimo! Seria muito legal ouvir o que você está fazendo neste trabalho”. Então ele mencionou que poderia precisar de umas guitarras no disco, e eu disse “conte comigo”. Dois ou três meses depois estava no estúdio Henson, em Los Angeles. Eu entrei, encontrei alguns ingleses por lá, e então conheci Paul. Eu estava super ansioso, como você pode imaginar. Eu tenho escutado os discos dos Beatles das minhas irmãs desde os cinco anos, e eles foram a razão para eu pegar numa guitarra.

Paul foi bem agradável. Ele é mais que uma lenda – está mais para um arquétipo – mas ele tem um jeito de deixar as pessoas relaxadas. É sua abordagem natural e ele está acostumado a fazer isso. Ainda assim, demorou um tempo até eu me acostumar a estar do lado dele oito horas por dia. Meia hora após nos conhecermos, começamos a tocar juntos, o que serviu para nos conectar e diminuir a pressão. Minha canção preferida naquele disco é “About You”, que foi a primeira na qual trabalhamos.

Desde então, tenho tocado na banda de Paul por quase uma década. Neste ponto somos uma banda de irmãos. Acabamos de tocar no “Hollywood Bowl. Eu cresci indo ver bandas alí, e obviamente é um lugar que tem um significado histórico para Paul. Amigos meus, que cresceram comigo, vieram para o show; parecia que todo o ciclo tinha se completado. E antes estávamos na Casa Branca, tocando “Hey Jude” para Barack Obama. Excursionar com Paul é um furacão de experiência – você não tem tempo de assimilar tudo. Eu nunca imaginei que fosse conhecer a Rainha e eu nunca pensei que aprenderia que as tradicionais banheiras japonesas são quadradas e feitas de madeira. 

Paul obviamente tem milhões de estórias para contar, e eu acho que fui um pouco desavergonhado no começo. Toda a história dos Beatles já foi tão contada, que pareceu legal para mim. Eu nunca sonhei que o conheceria, muito menos que tocaria com ele numa banda, mas é engraçado como as coisas aconteceram. Quando eu tinha uns sete anos de idade, sonhava com freqüência que os Beatles apareciam lá em casa com suas guitarras. E eles falariam “Rusty está em casa? Ele quer vir tocar com a gente? Isto é especialmente estranho, porque depois de estar trabalhando com Paul por umas duas semanas, ele entrou no estúdio e disse: “sonhei com você ontem à noite, cara”. Eu pensei: “uau, isso é muito bizarro”.

Estou muito próximo de Paul para saber como a mídia o apresenta. O que eu sei é que, às vezes, enquanto estou andando pelo corredor de algum hotel, eu o ouço falar do outro lado da parede e sei que é ele. Sua voz se projeta claramente em todas as direções, mesmo quando ele fala mais baixo. Sua voz é uma instrumento incrível, que ressoa de uma forma única, e aquele famoso senso de melodia que ele tem parece se mostrar em cada frase.

Paul tem me apoiado muito em minha carreira. Ele cantou e tocou baixo na canção “Hurt Myself”, do meu primeiro disco solo, “Undressing Underwater”. Ele tocou seu “Hofner”, e quando cometeu um erro ele se xingou, o que eu achei bem encantador. Eu lhe dei total liberdade e ele teve ótimas idéias. Ele tem um nome para aquela parte da canção que você ainda está tentando fazer funcionar: “a batida de resgate”. Ele ligou para mim no dia seguinte e sugeriu que eu tentasse um trompete ou uma flauta na “batida de resgate”. Eu trouxe Probyn Gregory, multi-instrumentista da banda de Brian Wilson, para tentar algo e funcionou maravilhosamente bem.

Paul tem diferentes temperamentos, como todos nós, mas ele ainda tem um perverso senso de humor. Tem sempre um presente de aniversário, e no natal ganhamos várias desta cerveja chamada Old Stinkhorn, de sua cervejaria. O rótulo traz um cogumelo com uma forma bem fálica.

Paul também pode ser bem direto e dizer o que está na sua mente de uma forma bem simples, ou parecer que está “filtrando” algo, e você não tem certeza o que é. Você também pode perceber quando ele tem algo o perturbando e quando não tem. Você tem que lembrar que ele vive uma realidade bem diferente da maioria das pessoas no planeta, e tem sido assim desde que ele tinha 20 anos. Eu acho que ele teve que criar seu próprio conjunto de regras e limites. 

Não estou tão certo sobre o que faremos depois. Paul tem uma escala bem diferente de turnês desde que passou a dividir a custódia de sua filha, e ele um cara bem família. Ontem à noite tivemos uma grande festa familiar no ônibus, com todos apenas curtindo a presença do outro. Foi como a “Magical Mistery Tour”.

Rusty Anderson, nascido na California, é um dos guitarristas da banda de Paul McCartney, além de já ter trabalho com Elton John, Willie Nelson e Gwen Stefani. Seu novo disco solo, “Born on Earth”, aprovado por Macca, será lançado em 3 de agosto pela Intrigue Rusty.


Ações

Information

4 responses

9 07 2010
Marcos Gonçalves

O Paul, realmente, está entrando numa categoria incategorizável, ehehe. Diferentemente de outros grandes mitos, não morreu (pelo menos oficialmente), mas chega a ser tão lendário que deveria entrar para as histórias de fantasia ou coisa do gênero. Esse guitarrista aí se armou.

9 07 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Marquêra. Paul é um dos poucos mitos vivos do Rock. Abração!

21 07 2010
REGINA DE FÁTIMA

É, senhor Rusty Anderson, além de se dar bem, traz um charme especial a Banda PM, seu talento é incrível e animador…

21 07 2010
Gabriel Gonçalves

Olá Regina, tudo bem? Realmente o Rusty é um ótimo guitarrista, sem contar que segura um “backing vocal” muito bem. Aliás, na minha opinião, esta é a formação mais talentosa que Paul montou desde aquela que gravou o “Off The Ground”. O Abe Laboriel Jr. é um dos melhores baterista que já vi. Obrigadão pela visita, e volte sempre!

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