“É ‘WELCOME 2 MY NIGHTMARE’ E É UM NOVO PESADELO”, DIZ ALICE COOPER SOBRE A SEQUÊNCIA DO CLÁSSICO DE 1975

2 07 2010

Fonte: Radio Metal

Minutos antes de sua apresentação do Festival Hellfest, no último dia 19, Alice Cooper concedeu uma extensa entrevista coletiva. A Radio Metal estava por lá e publicou tudo que o lendário artista falou.

Você confere abaixo a entrevista completa, traduzida para o português com exclusividade aqui no IMPRENSA ROCKER!

Algumas horas antes de deixar todo o Festival Hellfest aos seus pés, Alice foi gentil o suficiente para organizar uma pequena entrevista coletiva. Radio Metal e sua brigada de bisbilhoteiros não poderia perder uma oportunidade tão boa como esta para catar algumas informações, e enviou um emissário para se juntar a uma multidão de colegas de trabalho. O jogo, entretanto, não foi facilmente ganho: como o Olivier Garnier, gerente de publicidade, nos disse que Alice Cooper que a coletiva fosse durante o show do Twisted Sister. Por quê, você pergunta? Porque ele queria que os jornalistas fossem ver Dee Snider e cia detonando no palco, ao invés de ouvirem suas divagações. Alice confessa seu grande respeito e amizade com o Twisted Sister e, particularmente, com o frontman:

“Eles são grandes velhos amigos nosso. Dee e eu fizemos tantas coisas juntos. Ele é um dos melhores. Ele sabe como contagiar o público, ele é ótimo. […] Fizemos algumas coisas juntos. Nós gravamos umas coisas bem interessantes, mas que eu não sei se em algum momento verão a luz do dia! Mas ele ótimo”.

A carreira de Alice Cooper totaliza não menos do que 40 anos. Ele é um dos únicos artistas que conseguiram suportar o passar das décadas sempre se adaptando às novas eras. A respeito disto, é incrível ver canções de 40 anos, como a clássica e inocente “I’m Eighteen”, ao lado de “Wicked Young Man”, uma música de uma época mais moderna e brutal. O homem é rasgado em cada show, e ainda assim nem o show nem o repertório sofrem. Seu controle é ainda presente, sua genialidade é ainda palpável. Além do mais, Alice Cooper permanece como uma referência absoluta quando se fala de shows com características teatrais. Estes shows tem grande papel na construção de sua reputação e inspirou vários outros artistas, de Rob Zombie a Marilyn Manson. Mas, afinal, o que faz e Alice Cooper um personagem popular depois de todos estes anos? Qual sua receita para o sucesso? 

”Primeiro de tudo, nós não fazemos nada sem a música antes. A música é o bolo e Alice Cooper é a cobertura do bolo. Nós gastamos 90% do nosso tempo com a música e 10% na parte teatral. Uma vez que o roteiro, a música, está escrito e funcionando (como vocês verão hoje a noite, serão 28 canções realmente ensaiadas), você pode acrescentar a cobertura do bolo. Muitas bandas têm um pequeno bolo e muita cobertura. Nós temos muito bolo e muita cobertura (risos)! Se você tem música, você não tem nada além de um show de marionetes. Você tem que ter canções: você tem que ter “I’m Eighteen”, “Poison”, “School’s Out”, “Elected”, “Feed My Frankenstein” e tudo isso. Isto tudo tem que estar no show para ele funcionar. Se fosse só o teatro, quem se importaria? É a banda primeiramente. […] Nós nos recusamos absolutamente a fazer um show tedioso. Em cada noite a banda dá 100% no palco. Nós nos recusamos a fazer um show ruim. Então a nossa attitude, minha e da banda, é matar o público toda a noite. Não me importa se são 100 shows, este é o único jeito que eu conheço de se fazer isto. Acho que se você faz desta forma, o público percebe que você pode continuar por quanto tempo quiser. Você pode fazer isto por 30 anos desde que faça deste jeito. Se você subir no palco sem esse compromisso, o público irá sentir. Então esta noite vamos lá e matar o público. […] (falando sobre sua banda) Esses caras são ótimos, e esta noite eu vou mandar para eles três canções que não tocamos há cinco anos. Eu ainda não contei isto para eles”!

Falando sobre o show, Alice já deveria saber que o festival sofreu alguns ataques, principalente por sua imagem demoníaca. Com um show chamado “Theatre of Death”, que oferece um explícito universe fantasmagórico, era óbvio que Alice fosse o alvo de tais críticas. Ainda assim, como ele disse aos jornalistas locais, ele se considera um bom cristão! Mas então qual o motivo dos aspectos demoníacos dos seus shows?

“Eu acho que o que faço é uma brincadeira sobre isso. Quando concluímos a turnê com Rob Zombie, alguém disse: ‘Alice Cooper e Rob Zombie não cultuam Satã, ele tiram um sarro dele’, o que provavelmente está mais perto da verdade. Nós sacaneamos o diabo mais do que o cultuamos. Não tenho nenhum tipo de amizade com ele! […] Não conheço nenhuma banda que cultue o diabo, mas conheço vários políticos que o fazem! Se bandas de Rock cultuam o diabo, acho que só de brincadeira. Certamente não consigo pensar em nenhuma banda que realmente cultue o demônio. Novamente, acho que é mais sobre tirar um sarro dele”. 

Na Radio Metal, nós estamos mais interessados no futuro de Alice Cooper, porque mesmo que o artista não possa ostentar quatro décadas de sucesso, ele ainda tem um futuro brilhante pela frente. E parece que Alice está escrevendo um novo álbum no momento – um disco que, fala-se, é uma seqüência do mítico “Welcome to My Nightmare”…  

“Ou ouvi isto também! Tenho as três novas canções aqui comigo (ele tira um cd de sua jaqueta). Estou muito feliz em trabalhar com Bob (Bob Ezrin) de novo. É “Welcome 2 My Nightamare” e é o próximo pesadelo. Trinta anos depois, ele teve outro pesadelo, e este agora é ainda pior que o anterior. […] Não trabalhava com Bob há muito tempo. Depois do 35º aniversário do “Welcome to My Nightmare”, eu lhe disse: ‘por que não começamos a escrever outra coisa?’, e ele disse: ‘por que não fazemos a parte dois?’ Não nunca fizemos uma parte dois, então eu disse: ‘é uma grande idéia. Reuniremos você e eu, acho que ainda podemos ter Steven Hunter e Dick Wagner ( guitarristas). Colocaremos algumas pessoas do disco original e acrescentaremos novas pessoas”.

Bob Ezrin – um nome que fará os velhos fãs de Alice palpitarem de impaciência! O famoso produtor teve um grande papel na criação dos maiores hits de Alice Cooper, como “Love it to Death”, “School’s Out”, “Billion Dollar Babies” ou, mais precisamente, “Welcome to My Nightmare”. Bob é conhecido por ter definido o som de Alice Cooper nos anos 70 mas, fora seu trabalho como produtor, ele também se envolveu no trabalho de composição, em parte dos arranjos e, às vezes, atuou também como músico. Sua última colaboração com Alice data de 1983, com o álbum “Dada”, mesmo tendo sido creditado na canção “Blow me a Kiss”, do “Brutal Planet”, lançado em 2000.

“Ele era o nosso George Martin. Ele pegou uma banda que tinha várias boas idéias e boas músicas, e as colocou no estilo Alice Cooper. Assim que ele fez isso, nó decolamos. Fizemos pelo menos 10 álbuns juntos. […] Eu acho que sera um novo renascimento de Alice Cooper com Bob Ezrin”. 

Então se Bob Ezrin está de volta para o “Welcome 2 My Nightmare”, isto significa que cruzaremos com velhos conhecidos, como Prakash John (baixista que tocou no “Welcome to My Nightmare”) e o resto da turma?

“Não acho que traremos Prakash, mas sim algumas das novas e talentosas pessoas que apareceram”.

Então nenhum nome para alimentar nossas fantasias por enquanto…

“Não, mas posso dizer que será muito bom. Estou extremamente feliz com as primeiras três canções que escrevemos. Estou tão feliz. Elas soam exatamente como uma segunda parte”.

Falando em som, como será o disco? O objetivo é revisitar o passado, como foi com o “Dirty Diamonds”, ou situar esta sequência no mundo atual, tendo um som mais moderno?

“Eu não acho que poderíamos recriar o som, mas as três primeiras músicas que fizemos são idênticas às daquela era. De fato, nós intencionalmente colocamos algumas coisas anos 70 para dá-las aquele tipo de som. Sem mesmo tentarmos, elas já soavam como o “Nightmare”. Ser conseguirmos manter isso, o disco será muito bom. Ele captura uma era”.

Pelo menos isto está claro. Alice pode ser incrivelmente entusiástico, mas não podemos deixar de ver uma tendência neste desejo de crier sequências de álbuns míticos. Uma tendência que nem sempre é bem entendida pelos fãs, dado os resultados (raramente bons o suficiente para atender às expextativas). Podemos mencionar o “Operation Midncrime” do Queensryche, O “Hellbilly Deluxe II” do Rob Zombie ou o “Kepper of The Seven Keys – The Legacy” do Helloween. Todos estes são bons álbuns, mas claramente carecem da genialidade de seus predecessores. Quando Alice vê todos os seus colegas errarem o alvo, ele não fica com medo de que este disco não atenda às expectativas? 

“Primeiro de tudo, eu amo o fato de poder chamar isto de “álbum”, porque eu quero lancer vários desses em vinil. Eu amo a idéia do vinil. No ano passado o vinil aumentou suas vendas em 89%, porque os garotos estão cansados de comprar ar. Eles baixam uma canção e não têm nada. Quando você pega um album, você vai: ‘oh, tem uma foto da banda, tem as letras, tem isso e aquilo’. As pessoas querem ter um pouco de posse com relação à banda. Quer dizer, é claro que a maioria será em cd’s. Mas eu não estou com medo disto de forma alguma. Eu comecei a sequência, e para mim, se um álbum é ótimo, é tudo que importa”.

Isto é um fato. A moda do download é um mal que faz qualquer forma de arte parecer virtual, aniquilando qualquer paixão que você possa ter pelo objeto em si. Mas as gravadoras também deveriam esgotar seus cérebros para oferecerem produtos que farão a diferença. Hoje em dia, diversos selos oferecem lindas edições limitadas. Voltando no tempo, todos nos lembramos da edição em vinil de “School’s Out”. Sob esta perspectiva, o que podemos esperar de “Welcome 2 My Nightmare”? 

“Eu realmente espero que possamos lancer uma edição limitada. Talvez algo que quando você abra, uma mariposa saia voando, ou algo do tipo! Ou um escorpião que morda você!”

Então como será a aparência deste novo pesadelo no palco? Alice Cooper tem uma reputação a zelar – especialmente desde que, atualmente, mais e mais artistas têm oferecido shows extravagantes.

“Não posso imaginar não ser maior do que antes! A tecnologia evoluiu bastante desde “Welcome to My Nightmare”. A razão de meus shows terem sido imbatíveis era porque não havia nada como ele. Não tinha ninguém fazendo aquele tipo de encenação. Agora muitas pessoas o fazem: Lady Gaga faz este tipo de show, todo mundo faz. Então teremos que elevá-lo para outro lugar”.

Quando as notícias desta sequência foram reveladas, o fãs mais fiéis tiveram ótimas lembranças e começaram a fantasiar sobre a reformulação do antigo Alice Cooper Group e, quem sabe, uma turnê completa…

“Na verdade, Dennis e Neil (Dennis Dunaway e Neil Smith, baixista e baterista da formação clássica do Alice Cooper Group) estão escrevendo duas canções neste album. E traremos Glen (Glen Buxton, guitarrista na época, morto em 1997) do mundo dos mortos! […] Nós realmente fomos para o palco. Fizemos um show de natal por três ou quatro vezes. Neil, Dennis, Michael (Michael Bruce, guitarrista) e eu nos juntamos e tocamos por volta de uma hora. […] Uma turnê completa, eu não sei. Eu estou fazendo turn~es por 30 anos desde que a banda se separou e, fisicamente, é muito difícil. Eu sei que estou pronto fisicamente, eu posso fazer isso. Mas eles são realmente ótimos amigos e sempre é ótimo vê-los juntos. Quando eles vêm para os shows, eu os trago ao palco. É sempre ótimo ver estes caras juntos, mas eles tem suas próprias vidas. Não acho que eles possam comprometer todo este tempo longe de suas vidas. E eles podem não querer fazer uma turnê, e nunca admitir. Mas não nos importaríamos em fazer um show. Nós realmente gostamos de nos juntar e dizer: ‘vamos fazer uma hora de hits’. Nós nem ao menos ensaiamos, é como se estivéssemos nos velhos tempos, eles sabem cada canção”.

Se vamos tratar do passado, falaemos sobre os relançamentos de antigos discos. Toda grande banda de Hard Rock já passou por isto, do Deep Purple ao Whitesnake, AC/DC, Motorhead ou até o Twisted Sister. “Billion Dollar Babies” e “Welcome to My Nightmare” recentemente passaram por uma reedição. E quanto aos outros?

“Nós estamos sempre trabalhando em relançamentos. Temos diversos planos. Na realidade, estamos trabalhando agora numa reedição em DVD do especial com Vincent Price, “The Nightmare”. Temos um ditado no Rock n’ Roll no qual diz que não importa quem você é, você sempre acaba na Rhino (selo que pertence a Warner)! Quando você quer fazer uma reedição, você sempre vai para a Rhino. Eles fazem embalagens incríveis, as melhores de todas. Ninguém se importa em estar na Rhino, nós amamos estar lá”!

Ao longo do tempo, Alice Cooper teve que desenvolver verdadeiras técnicas de atuação para fazer seus shows convincentes. Portanto não é surpresa vê-lo num papel em algum filme de vez em quando. O ultimo foi “Suck”, uma comédia sobre vampiros com um elenco bem Rock n’ Roll!

“É um ótimo filme, mas provavelmente não ganhará um Oscar! Tem Iggy Pop, Moby, que interpreta um cantor de Heavy metal chamado Meat. Os vampiros aniquilam ele. Wuem mais está lá? Henry Rollins, Alex Lifeson do Rush, minha filha Calico… Eu faço uma espécie de vampior ancião, o rei dos vampiros. Mas ninguém sabe disso até o final. Os outros vampiros são do tipo: “saia daqui!”, mas é muito engraçado. Realmente tem partes engraçadas”.

“Suck” não é o único filme no qual Alice Cooper participa: em 1984 ele fez “Monster Dog”.

“’Monster Dog’ é o tipo exato de filme que eu alugo, porque eu realmente gosto de filmes ruins! Não sou muito bom na produção de filmes, mas tento achar os filmes de terror mais iditotas que eu posso. ‘Monster Dog é exatamente isso’”

Para concluir, uma palavra sobre seus maiores orgulhos:

“Meus filhos, meu casamento de 34 anos. De fato, estou orgulhoso de ainda estar aqui. Eu fiz… o quê, quantos álbuns até agora? 26, 27? Desde o início eu provavelmente trabalhei todos os dias, seis meses num ano. Essa coisa do Alice Cooper é contínua. É como Ozzy, é como o Aerosmith, é uma vida contínua. “Brutal Planet” e “Dragontown” forem interessantes, shows diferentes. “The Last Temptation” foi tipo um show de teatro. Tem sua vida própria. “Along Came a Spider” deveria ser um show, e provavelmente sera, mais tarde. Este que faremos esta noite terá quatro atos. E para fazer com que eu passe de um ato para o outro, eles têm que me matar, então me matarão quatro vezes esta noite. Primeiro vou papa o inferno, então vou para o hospício, e eles têm que me matar todas as vezes”.

E sobre os arrependimentos….

“Bom, todo mundo senta para contemplar a vida e vai… Bem, eu provavelmente não deveria ter me tornado um alcoólatra. Mas em retrospecto, sem isto, não teríamos “From The Inside”, que é um dos meus álbuns preferidos. E eu penso que toda vez que você encara algo que é quase uma ameaça de vida, isto muda você. Isto lhe torna uma pessoa melhor se você conseguir derrotá-la. E não tirado esta coisa do alcoolismo, agora que penso nisto. Chegou bem perto, contudo. Eu estive muito perto de visitar meus velhos amigos no outro lado”.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: