BAIXISTA DO BLACK SABBATH FALA SOBRE GAMES, ESTRADA E MUITO MAIS

29 06 2010

Fonte: IGN Music

O website ING Music conduziu uma entrevista com o lendário baixista do Black Sabbath, Geezer Butler, que falou sobre o game “Rock Band”, suas inspirações para escrever letras, dentre outros assuntos.

Você confere a entrevista traduzida para o português na íntegra com exclusividade no IMPRENSA ROCKER. 

Como membro do Balck Sabbath, Geezer Butler não precisa ser apresentado. O homem pode ter alcançado o estrelato há mais de 40 anos, mas ele ainda tem energia para o Heavy Metal. Baixista e principal letrista da banda, Butler revolucionou o modo como vemos o Rock n’ Roll e, mais, o modo como vemos a música.

Nesta entrevista exclusiva, o IGN bate um papo com Butler sobre o próximo lançamento da série “Classic Albums”, que irá retratar a produção do segundo disco do Sabbath, “Paranoid”. Ele também fala sobre sua percepção sobre o filme “Iron Man 2”, o game “Rock Band”, e muito mais!

IGN: Você tem o DVD “Classic Albums” sobre o “Paranoid” sendo lançado. Que tipo de conteúdo especial e material de bastidores os fãs devem esperar?

GEEZER BUTLER: Bem, será cada um de nós falando sobre as experiências – as que podemos nos lembrar, pelo menos – e eu e Tony (Tony Iommi, guitarrista do Sabbath) tocamos alguma coisa. Tony toca as partes de guitarra, que se misturam com as partes gravadas em estúdio na época. Então passamos por cada faixa, individualmente, apenas falando sobre o que podemos nos lembrar dela, quem fez o quê e este tipo de coisa.

IGN: Já fazem 40 anos desde que “Paranoid” foi gravado. Olhando para esta época, qual sua perspectiva atual sobre o álbum?

BUTLER: Eu gostaria de lembrar mais sobre o disco, mas ele foi feito com tanta pressa, porque mesmo antes do primeiro álbum sair, nós tínhamos uns shows na Alemanha e Suíça, e tocávamos de seis a oito horas por dia. Nós só tínhamos uma hora de material naquela época, então o “Paranoid”, na verdade, foi escrito no palco desses pequenos clubes onde tocávamos por oito horas num dia. Escrevemos a maior parte do “Paranoid” enquanto estávamos em turnê, antes até do primeiro álbum ser lançado, então tiramos cinco dias de folga da tour para gravamos o “Paranoid”, e voltamos para a estrada. 

IGN: Paranoid” e “War Pigs” são faixas presentes no disco, e originalmente o título do “Paranoid” seria “War Pigs”. Como exatamente ocorreu a mudança no título do álbum?

BUTLER: Bem, iríamos intitular o album “War Pigs”, então a gravadora veio com aquela capa estúpida para o disco… nenhum de nós gostou da capa. Não tínhamos direito à opinião sobre nada naquela época. Então a gravadora veio com aquela capa, achando que o título seria “War Pigs”, e a canção “Paranoid” foi uma coisa de última hora. Nós precisávamos de mais três ou quatro minutos para o álbum, e rapidamente escrevemos “Paranoid” como uma canção “descartável”, mas quando a gravadora a escutou, achou que era a música mais forte do álbum, e nos fizeram mudar o título do disco para “Paranoid”.

IGN: Você foi o principal letrista do Black Sabbath por muitos anos, e é conhecido por buscar inspiração na ficção científica, fantasia e religião. De que lugares você estava tirando sua inspiração naquela época?

BUTLER: Apenas da vida real, suponho. “War Pigs” foi sobre a Guerra do Vietnã, com a qual achávamos que acabaríamos nos envolvendo. “Hand of Doom” é sobre as experiências dos soldados. Nós tocamos numa base Americana na Alemanha, que era uma espécie de “casa no meio do caminho” para os soldados que estavam voltando do Vietnã. E eles me diziam que para conseguir encarar os horrores daquela guerra, usavam drogas por lá, o que nunca foi dito na TV ou em nenhum lugar na época. Então era tudo novo para mim, e eu achei que era um bom assunto sobre o que escrever. “Electric Funeral” é sobre a guerra atômica, que era iminente na época. A Guerra Fria estava em seu apogeu. Todo mundo achava que seria detonado a qualquer segundo. Então era tudo sobre a vida real e sobre o que estava rolando.

IGN: O que te inspira agora quando você está escrevendo?

BUTLER: Não muitas coisas (risos).

IGN: Você tocava guitarra com Ozzy na Rare Breed, que era mais uma banda de Blues e Soul. O que causou sua mudança para o baixo e para o Heavy Metal?

BUTLER: Eu mudei da guitarra base (para o baixo), porque muitas bandas estavam entrando no lance do Cream, de Hendrix e coisas do tipo. Ou você era um guitarrista solo ou um baixista, não havia interesse para guitarrista base se você quisesse tocar aquele tipo de coisa. Quando fui ver o Cream, não podia acreditar no modo que Bruce (Jack Bruce, baixista do Cream) tocava baixo, e isto me inspirou totalmente a passar para o baixo. Era a direção na qual queria seguir. Todo mundo no Sabbath gostava do Cream, de Hendrix e do Zeppelin, e suponho que foi uma progressão natural para nós ficarmos mais pesados do que eles eram.

IGN: Muitas de suas canções estão pegando o caminho dos video games, como “Rock Band” e “Guitar Hero”. Como você se sente sobre isso? Você acha que é uma boa maneira de apresentar sua música a uma nova geração?

BUTLER: Sim, quer dizer, é um lance bem popular. Todos os garotos que conheço, da minha família, gostam deste tipo de coisa e metade deles nem sabe que é uma música do Sabbath (risos). Eles não se interessam em ouvir os álbuns, mas os escutam no “Rock Band” e curtem. Sim, isto é bom. Sem contar que, provavelmente, é melhor do que ouvir rádio. O jogo dá a eles alguma coisa para fazer também.

IGN: Tem havido muita conversa sobre “Iron Man” desde que a sequência do filme saiu no último mês. Como você se sente em ouvir sua música sendo usada como o tema principal desta franquia? É estranho ouvir a canção nas propagandas na TV? Você é um fã de filmes?

BUTLER: Eu gostei do primeiro. Não assisti o segundo ainda. Mas, sim, é ótimo. Nós escrevemos “Iron Man” 40 anos atrás, achando que ninguém nem ia ligar para ela depois de seis meses, e aqui estamos 40 anos depois e ela está em comerciais na televisão. É incrível. 

IGN: O que você diria ter sido a coisa mais louca que já aconteceu com você no palco ou após um show?

BUTLER: Provavelmente a coisa mais louca foi quando fui atingido na cabeça com uma garrafa em Milwaukee. Era o começo da turnê do “Heaven and Hell”, e ao fim de uma música as luzes se apagaram e eu comecei o baixo da introdução de “N.I.B.”, e algum idiota jogou uma garrafa que me atingiu minha cabeça. Isto me derrubou, e quando as luzes se acenderam, não tinha um baixista lá! Eu estava desmaiado e tinha sangue por todo o lado. Eu fui tirado do palco e, literalmente, só tocamos uma música. Ninguém nem se importou em ir dizer ao público o que tinha acontecido, então um tumulto começou. E quando eu cheguei no hospital, alguns garotos que acabaram feridos no tumulto também estavam por lá, bem ao meu lado – sem saber que era eu, graças a Deus.


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2 responses

29 06 2010
Marcos Gonçalves

Grande Geezer. Gosto muito delo como músico e compositor. Também adoro ver seu visual bizarro nos anos 70 (era assustador). Trata-se de um dos grandes clássicos ainda vivos. A iniciativa de traduzir essas entrevistas é muito boa, conteúdo realmente novo para a língua portuguesa. Grande abraço

29 06 2010
Gabriel Gonçalves

Valeu, meu velho! Realmente Geezer era assustador, aliás ele e Iommi eram assustadores, rs. Abração!

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