SLASH FALA SOBRE INFLUÊNCIAS MUSICAIS, VOCALISTAS E VIDA NA ESTRADA

18 06 2010

Em entrevista realizada pela revista escocesa The List, Slash fala sobre diversos assuntos, com destaque para o processo de gravação dos seu novo álbum, influências musicais, escolha de vocalistas e a vida na estrada.

Confira com exclusividade no IMPRENSA ROCKER a tradução na íntegra da entrevista:

Nascido em Stoke, Inglaterra, Saul Hudson se tornou Slash depois que se mudou para Los Angeles aos 11 anos. Agora é um dos ícones da guitarra em todo o mundo, nos dando riffs atemporais, como em “Welcome to the Jungle”, “Paradise City” e “Sweet Child o’ Mine”. Depois de deixar o Guns n’ Roses em 1996, ele formou o Slash’s Snakepit e depois o Velvet Revolver, antes de lançar seu primeiro álbum solo, em maio deste ano.

Você se gostou de fazer seu primeiro álbum solo?
Eu tive a liberdade definitiva. Absolutamente tudo era comigo. Por alguma razão, ter toda esta responsabilidade foi bastante libertadora, porque eu tomei todas as decisões e tive ótimos momentos desta forma.

Exatamente como o processo de gravação ocorreu, especialmente trabalhando com diversos vocalista ao longo do álbum?
Eu escrevia a canção, fazia a demo e a enviava ao artista que imaginava cantando aquela música, então eles poderiam escrever a letra e todo o resto. Todas as canções foram co-escritas com o vocalista. Foi bem simples e bem “old school” com relação às composições, no qual um cara senta e sai com uma progressão de acordes, organiza tudo e mostra ao vocalista para ver se ele gosta. Ele (o vocalista) cria a parte dele, então vamos ao estúdio e detonamos.

Isto lhe deu mais liberdade? A faixa com M. Shadows é muito diferente da com Rocco DeLuca.
Eu acho que toda a idéia por trás disto era ser capaz de fazer, musicalmente, qualquer coisa que eu quisesse. Obviamente é um disco de Rock, porque eu sou um cara do Rock n’ Roll, mas eu tenho outros gostos por onde gostaria de passar que nem sempre são traduzidos pelo Velvet Revolver, Snakepit ou Guns n’ Roses. Quando você está num grupo, a coisa tende a ter certos limites, musicalmente, então isto (o disco solo) foi muito divertido para mim, porque pude fazer tudo que queria, e escolher o cantor apropriado para cada canção, como o Adam Levine (Maroon 5) foi perfeito para a quela faixa em particular e realmente acentuou as diferenças na canção, ou as diferenças daquela canção entre todas as outras.

Talvez a colaboração com Fergie, do Black Eyed Peas, tenha recebido maior atenção. Como isto ocorreu?
A faixa da Fergie surgiu porque, basicamente, três anos atrás eu fiz uma participação num evento de caridade – para levantar fundos em benefício das crianças desprivilegiadas – com o Black Eyed Peas. Eu apareci para a passagem de som e perguntei “ok, o que vocês querem que eu toque”? Então eles disseram “nós temos um medley de Rock e Fergie irá cantar”. Então aprendi o medley. Tinha uma música do Zeppelin, uma do Heart e, acho, “Live and Let Die”. Assim que terminamos (o instrumental), Fergie entrou. Eu ainda não a conhecia, então nos apresentamos e começamos com “Black Dog”, e ela cantou pra caralho, o que me deixou impressionado, porque não esperava por aquilo, como todos lá. Entretanto ela tem uma das melhores vozes para o Rock n’ Roll que eu já via saindo de uma garota, ou de qualquer pessoa. Nos tornamos amigos, e descobri que ela vem do Rock n’ Roll, mas acabou indo numa direção Pop – no qual ela é muito boa também, obviamente – mas sua real paixão é o Rock. Três anos depois, estava fazendo este disco e tinha esta canção que achava que ela poderia participar, então mandei para ela e alguns dias depois ela apareceu na casa de um amigo onde estava fazendo as demos e me saiu, indiscutivelmente, com uma das melhores letras no disco – talvez seja tão boa por vir de uma garota – enfim, foi isso. Aparecerem boatos de que eu estava indo numa direção Pop, mas eu sabia o que estava fazendo. 

Há algum vocalista que você gostaria de ter tido no álbum e que não conseguiu?
Eu não sou tão ganancioso. Eu consegui reunir um conjunto do caralho de vocalistas neste disco, e não houve ninguém que eu queria muito e que não consegui. Houve uma certa dose de sorte em conseguir fazer isto. Pedintes não escolhem (Nota do redator: expressão em inglês cujo similar em português seria “a cavalo dado não se olha os dentes”), então eu não tentei por ninguém em particular que pudesse estar em um próximo disco, nesta altura.  

Foi um disco divertido de se fazer? Especialmente por você já conhecer muitos dos vocalistas.
Isto ajuda. O primeiro grupo de caras com quem trabalhei no início deste disco – Lemmy, Iggy, Ozzy e Alice Cooper – foi bem importante. Eram as pessoas que eu conhecia há mais tempo, e foi bem amável como eles pararam toda a porra que estavam fazendo para aparecerem por lá, fizeram um esforço para colocar os vocais, as letras, gravaram e todo o resto, porque isto exige um certo grau de esforço. Então, a partir deste ponto, eu tive a confiança para chamar as pessoas que não conhecia, e tudo funionou.

Mas será o Myles Kennedy (Alter Bridge) que irá cantar ao vivo com a banda?
Myles Kennedy e eu montamos uma banda matadora. É muito legal, porque você junta todos, os shows já estão agendados e você não sabe quem vai estar na banda. Fui abençoado. Toda a banda é do caralho e Myles é fenomenal. Nós só fizemos cinco shows, e todos foram ótimos. Estou bastante animado com tudo isso.

Voltando ao começo, como você entrou no Rock n’ Roll?
É engraçado você perguntar isso, porque estava pensando sobre isto há uns 10 minutos. Eu acho que quando era criança, estava na Inglaterra e tudo se resumia aos Stones, The Who, The Kinks e Beatles, e era o que meu pai gostava. Meu pai era um verdadeiro rebelde estudante de arte, um daqueles garotos daquela geração. E foi com o que fui criado na Inglaterra, mas quando me mudei pros Estados Unidos o lance era o Doors, o Zeppelin e todo o resto que estava rolando. Nós tínhamos uma vasta coleção de música, e eu fui criado em torno do Rock n’ Roll. Foi como tudo aconteceu. Então quando estava com 13 ou 14 anos, comecei a escutar – ainda que a música dos meus pais fossem ótimas – bandas de Hard Rock contemporâneas, que eram Aerosmith, Cheap Trick, Black Sabbath, AC/DC, Ted Nugent, etc, e foi de onde eu vim. Eu sempre amei a guitarra do Rock n’ Roll. Eu só não tinha percebido que era o que acabaria fazendo. Não tinha aspirações de ser músico, mas eu peguei uma guitarra por dois segundos e não larguei desde então. 

O que é que você acha que faz de você um guitarrista tão único?
Não tenho idéia do que estou fazendo, nem ao menos tenho certeza de como cheguei no lugar onde estou. Tenho meus momentos como instrumentista – que definitivamente se traduz emocionalmente – que realmente vêm da sinceridade e, talvez, as pessoas captem isto, ou talvez sejam apenas os riffs, não sei. Mas tem sido muito legal ser reconhecido com um guitarrista decente. Isto é uma das coisas que sempre quis poder fazer. Estar no topo do meu jogo, melhorar como guitarrista, ser capaz de me comunicar com a guitarra cada vez mais, e acho que isto começa com trabalho. Em outras palavras, não faço a mínima idéia.

Quão diferente é fazer turnês agora que você está limpo e sóbrio?
Quando se tratava de fazer turnês, não rolava muita droga. Eu nunca fui um grande drogado na estrada. Era sempre em casa, quando estava fora da estrada, caindo no abismo do tédio, mas na estrada rolava muita bebida, e eu acabei bebendo 24 horas por dia nos últimos 35 anos, então não sinto saudades. Tudo está igual. Eu ainda estou em farras o tempo todo, saio com pessoas que bebem, mas, pessoalmente, não tenho mais o desejo de ficar chapado de bebida. Mas nada parece estranho para mim. Acho que todo o meu foco agora é a música, então estou feliz de apenas estar ansioso para tocar e sair por aí.

Você está impressionado de ter saído disto ileso?
Eu não diria ileso, mas ainda estou aqui.

Qual o status atual do Guns n’ Roses e Velvet Revolver?
O Velvet Revolver está em estado de espera. Tenho esta turnê para fazer, e quando terminar quero voltar com seriedade para tentar decidir quem vai cantar com a banda e gravar outro disco. Com o Guns n’ Roses o status é o mesmo que em 1996 – realmente não houve nenhuma mudança.

Durante a gravação do seu álbum solo, você cruzou com algum vocalista que poderia trabalhar com o Velvet Revolver?
Quando estava fazendo este disco, pensava em cantores, ouvia as canções que estava fazendo e pensava “quem soaria bem nesta?”, e estava me referindo ao grande catálogo de vocalistas em minha cabeça, não cantores desconhecidos, mas pessoas já estabelecidas, que não estariam necessariamente interessadas em trabalhar com o Velvet Revolver.

Como os shows solo tem sido até agora?
Eu mal posso esperar pela turnê inteira. Tudo relacionado a sair e fazer isto é ótimo. É divertido, porque estou tocando material deste novo disco que tem ido muito bem, então quando as toco o público realmente as conhece. Então tem coisas antigas do Guns n’ Roses que é muito divertido, e que não toco desde os anos 90, e estou colocando umas coisas do Snakepit e do Velvet Revolver. Apenas estou me divertindo muito. Como eu disse, a banda é ótima e Myles é incrível pra caralho, então são só ótimos momentos. Estou ansioso por todos os shows.

Ansioso para tocar no reino Unido?
Particularmente, eu sempre estou ansioso para tocar no Reino Unido. Pode ser porque sou daqui, ou pode ter à ver com o fato do público não fazer rodeios ou, talvez, pelo fato de ser o primeiro lugar onde o Guns n’ Roses se consolidou, então (tocar aqui) é sempre importante para mim. Eu quero voltar e fazer um turnê completa no Reino Unido, ao invés de apenas estas datas, porque é muito importante para mim.

Ansioso para chegar em Edinburgh?
Vai ser delicioso. Eu tenho uma porção de amigos em Edinburgh, então será ótimo.

Quais são os próximos planos?
Esta turnê vai até fevereiro, e não gosto de olhar tão a frente – (prefiro) me manter mais no presente – então é basicamente isto. Então eu quero voltar ao Velvet, e se irei fazer outro disco solo ainda é algo a ser pensado, mas no momento o lance é sair e fazer esta porra de turnê.


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4 responses

20 06 2010
Loki

Realmente escolhi o cara certo pra eu seguir! ele e de mais! E deve ter sido mesmo o maximo ele trabalha com esses caras que são fodas pra caraca! E foi Muito bom ele ter trabalhado com os vocalista diferentes! Que saiu tudo muito bom!
Também estou ansioso pra ve o resto da turnê!

20 06 2010
Gabriel Gonçalves

Realmente o disco de Slash está muito bom, com exceção de duas ou três músicas. Os vídeos dos shows que estão por aí mostram que a banda tá muito boa. Seria uma boa se ele lançasse um dvd com algum desses shows. Obrigado pela visita e volte sempre!

22 06 2010
Marcos Gonçalves

Maldita inclusão digital! Mas no que se refere à entrevista, achei muito interessante. Não ouvi o disco ainda, mas estou curioso, sobretudo depois de ler os comentários do broder que errou lá no Ozzy.

22 06 2010
Gabriel Gonçalves

Procure o disco, meu velho, que acho que você vai gostar. Tirando aquelas duas que citei nesta resenha (https://imprensarocker.wordpress.com/2010/05/14/review-slash-otimo-trabalho-apesar-dos-equivocos/) o trabalho tá muito bom mesmo. Abração, meu velho.

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