NO ESCURINHO DO CINEMA… – PARTE IV

5 06 2010

Cá estamos mais uma vez com o especial NO ESCURINHO DO CINEMA… dando o ar da graça em mais um sábado. Chegamos a quarta parte, e neste capítulo teremos alguns campeões de bilheteria.

Still Crazy (Ainda Muito Loucos) – 1998

Este é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos! Uma comédia que une ótima estória, música fantástica, grandes sacadas e atuações irrepreensíveis. A obra traz a banda fictícia, Strange Fruit, que resolve se reunir em 1997, 20 anos após sua separação em um concerto no Wisbech Rock Festival.

O filme começa no dito festival, em 1977, e durante a primeira música do grupo – que fazia um Hard Rock muito bom – um raio atinge a rede elétrica do palco e desliga todos os equipamentos. Já numa situação caótica, por causa de brigas de egos e comportamento fora de controle dos integrantes, a banda usa o incidente para decretar o fim do Strange Fruit.

O enredo avança 20 anos, quando o tecladista da banda, Tony Costello (Stephen Rea), encontra o filho do organizador do evento de 77 e faz o convite para Tony reunir o grupo para tocar nos festival de comemoração dos 20 anos de Wisbech. A partir daí o filme retrata as vidas pessoais dos integrantes e suas experiências na estrada novamente, trazendo situações por vezes hilárias e outras emocionantes, que descambam num final espetacular.

As atuações são excelentes, entretanto o ator Bill Nighy, que faz o papel de Ray, o vocalista da banda, é um grande destaque – ele também fez o papel de Davy Jones do blockbuster Piratas do Caribe. Ray é o típico vocalista de uma banda famosa dos anos 70: mimado e que não consegue se virar sozinho em nada, mas que garante boas doses de risadas no filme.

Ótimas sacadas garantem a diversão do telespectador, por exemplo, logo no começo quando o raio atinge o palco, e o narrador do filme, que é o roadie da banda, Hughie (Billy Connoly), especula: “Deus deve ter ficado enjoado com os excessos dos anos 70. Por isso que ele inventou os Sex Pistols”.

A trilha sonora é de arrepiar qualquer rocker que se preze. Com músicas originais maravilhosas, misturando ótimos Hard Rocks com baladas de sensibilidade única – ouça “The Flame Still Burns” – a trilha sonora do filme é nada menos do que perfeita.

Se você não conhece o filme, procure, compre, alugue, baixe ou roube, mas não deixe de assistir esta grande obra. Inclusive tem a versão nacional do DVD por aí.

Two of Us (Tudo Entre Nós) – 2000

Em 1976, seis anos após a separação dos Beatles, a demanda por uma reunião do grupo era imensa e muitos programas televisivos ofereciam publicamente enormes quantias em dinheiro pelo acontecimento. O comediante Lorne Michaels, do Saturday Night Live, para fazer uma brincadeira, anunciou que estava autorizado pela produção do programa a oferecer a “fortuna” de 3 mil dólares, caso a banda aparecesse lá para tocar.

Acontece que ele quase conseguiu, pois John Lennon e Paul McCartney estavam assistindo o programa juntos, no apartamento de Lennon em Nova Iorque e, só de brincadeira, os dois quase foram ao estúdio do programa tocar umas músicas. Em uma entrevista para a revista Playboy em 1980, John Lennon comentou o fato:

“Paul e eu estávamos juntos assistindo o programa. Ele estava nos visitando no Dakota. Estávamos assistindo e quase fomos ao estúdio do Saturday Night Live, só de brincadeira. Nós quase entramos num taxi, mas estávamos muito cansados. Esta foi uma época em que Paul aparecia em minha porta com uma guitarra na mão, eu o deixava entrar, mas finalmente pedi que ele ligasse antes de vir, o que o deixou um pouco chateado. Eu não quis magoá-lo, mas eu estava criando um bebê o dia todo e um cara aparece assim na porta… Enfim, naquela noite ele e Linda apareceram, estávamos assistindo o programa e dissemos: ‘não seria engraçado se aparecêssemos lá?’, mas acabamos desistindo”.

O roteiro do filme, um drama, consiste nas longas conversas que John e Paul tiveram durante este dia. Estes bates papos incluem vários assuntos, como a separação do Beatles e os problemas entre os dois, que começaram após a união de John com Yoko. É lógico que estas conversas são meras especulações, afinal ninguém sabe sobre o que a dupla tanto falou durante este dia, mas a idéia é genial e o excelente roteiro garante a boa fluência da obra.

Algumas cenas são bem engraçadas, como quando os dois saem disfarçados por Nova Iorque e param num restaurante onde um casal de velhinhos os reconhece. Tudo ia bem até que eles pedem para John cantar “Yesterday”, canção de McCartney, e Lennon, irado com o pedido, fala umas barbaridades para o casal de idosos.

As atuações de Jared Harris (como John Lennon) e Aidan Quinn (como Paul McCartney) são soberbas, conseguindo captar os maneirismos e sotaques de Liverpool com perfeição. Isto, junto com uma ótima estória, garante o sucesso do filme. A obra é mais indicada para quem se interessa pelos Beatles, contudo permanece um bom filme de drama mesmo para os “não iniciados”.

Almost Famous (Quase Famosos) – 2000

Este é um dos poucos filmes deste especial que estrearam no Brasil nas salas de cinema. A obra, escrita e dirigida por Cameron Crowe, é uma semi-biografia do cineasta, e conta as desventuras de Willian Miller (Patrick Fugit), um adolescente de 15 anos, apaixonado por Rock n’ Roll, que está na estrada com o grupo fictício Stillwater, fazendo uma matéria para a revista Rolling Stone.

O roteiro foi baseado na experiência de Cameron Crowe, que também passou pela mesma situação de Willian em sua adolescência, quando acompanhou uma tour das bandas Led Zeppelin, The Allman Brothers, The Eagles e Lynyrd Skynyrd para uma matéria na Rolling Stone.

O personagem principal é um jovem aspirante a jornalista de Rock n’ Roll, mas sua mãe quer que ele seja um advogado. Após ser convidado pelo jornalista Lester Bangs (Philip Seymour Hoffman) para fazer o review de um show do Black Sabbath, Willian corre para o local do show com o conselho de Bangs: “fale a verdade e não tenha misericórdia”. O problema é que o jovem jornalista não tinha credenciais e foi barrado na entrada do backstage, onde conheceu algumas groupies que mais a frente terão grande importância no filme.

Willian permanece do lado de fora do backstage, quando a banda de abertura, a Stillwater, chega e é convencida pelo jovem a deixá-lo entrar com eles. A partir daí, A revista Rolling Stone entra em contato com Willian e pede que ele viage com a banda e escreva uma matéria para a revista. Na estrada com a Stillwater, o repórter começa a realizar seu sonho.

A trilha sonora deste filme traz nomes de gigantes do Rock, como Led Zeppelin, Beach Boys, The Who e Lynyrd Skynyrd, e foi premiada com o Grammy na categoria “Melhor compilação de Trilha Sonora”. O filme também foi indicado para quatro “Oscars”, tendo ganhado o de “Melhor Roteiro”.

Almost Famous é um grande filme! Cameron Crowe conseguiu contar sua própria história, misturando ficção e realidade, entregando uma bela obra áudio-visual. Os personagens principais são muito bem desenvolvidos, permitindo que os telespectadores criem empatia com eles facilmente.

Excelente música, bela (es)história e personagens cativantes fazem de Almost Famous um dos melhores “filmes Rock n’ Roll” já produzido. A palavra é uma só: “assista”!

Rock Star – 2001

Prestes a completar 10 anos de seu lançamento, Rock Star foi mais um filme que estreou por aqui nos cinemas. No cast, astros do Rock, como Zakk Wylde e Jason Bonham, e astros de Hollywood, como Mark Whalberg e Jennifer Aniston.

A obra conta a história de Chris Cole (Mark Whalberg) e da banda fictícia de Heavy Metal, Steel Dragon. Apesar do personagem e do grupo não existirem, o roteiro foi baseado na vida de Tim “Ripper” Owens, que substituiu Rob Halford no Judas Priest, durante os anos 90.

Durante o dia, Chris é um técnico de fotocopiadora numa empresa, e a noite é o vocalista da Blood Pollution, uma banda tributo – chamar de cover deixa Chris muito puto – da Steel Dragon. Quando o vocalista da Steel Dragon resolve deixar o grupo, Chris é convidado para um teste, graças a um vídeo dele gravado por umas groupies, que acabou caindo nas mãos da produção da banda famosa.

A partir daí o filme foca na ascensão de Chris e em sua vida na estrada com a Steel Dragon – aliás, depois de ser firmado como novo vocalista, o cantor assume o nome artístico de Izzy. Esta nova realidade traz pontos positivos e negativos, sendo o último caso especialmente sentido em seu relacionamento com Emily (Jennifer Aniston), sua namorada de longa data.

A reviravolta na vida de Chris, já no final do filme, é de uma sensibilidade ímpar: no começo da obra Chris está na primeira fila em um show da Steel Dragon, e começa a cantar igual ao vocalista da banda, que o olha meio torto. Perto de acabar o filme, Chris se vê na mesma situação, com a diferença de que é ele quem está no palco agora. Neste momento ele decide deixar a vida de rockstar, e chama o garoto da platéia para terminar o show por ele e vai embora. Uma ótima sacada do roteiro, que realiza – mesmo que não seja de verdade – a fantasia de 10 entre 10 fãs de Rock, que é fazer um som com seus ídolos.

Depois de sair da Steel Dragon, Chris vai para Seattle – uma alusão à queda do Heavy Metal no mainstream e chegada do Grunge, nos anos 90 – onde reencontra Emily. O filme é encerrado com um beijo entre o casal.

Além de um excelente roteiro, a trilha sonora do filme é alguma coisa de espetacular: Kiss, Motley Crue, Ted Nugent, além de músicas originais da Steel Dragon compõem o disco do filme. Ainda assim, algumas canções que aparecem na obra, não fizeram parte do CD da trilha, por exemplo, “Are You Ready” do AC/DC, e “Let’s Get Rocked” e “Rock Rock (‘Till You Drop) do Def Leppard.

Outra grande atração são os músicos da Steel Dragon: Jeff Pilson (Dokken/Foreigner) é o baixista, Zakk Wylde (Ozzy Osbourne/Black Label Society) é o guitarrista, Jason Bonham (Bonham/Foreigner) é o baterista, além das vozes de Chris e do vocal do Steel Dragon serem cantadas, respectivamente, por Miljenko Matijevic (Steelheart) e Jeff Scott Soto (Talisman/ Yngwie Malmsteen, Journey).

Conclusão: mais um excelente filme, no qual roteiro, atuações e trilha sonora se complementam para o deleite do telespectador. O estilo da obra é tão plural, que não dá para classificá-lo como comédia, drama ou romance. Uma pitada de cada gênero se faz presente no filme que, com toda certeza, cativou grande parte dos headbangers por aí. Até Rob Halford se mostrou fã da obra, tendo declarado que Rock Star é um dos seus filmes preferidos, e que o acha muito divertido. Com o aval do “Metal God”, quem pode contestar?

Por hoje é só. No próximo sábado o IMPRENSA ROCKER traz a última parte do especial NO ESCURINHO DO CINEMA… com alguns dos melhores filmes com temática rock n’ Roll.

Fique que ligado para mais atualizações!


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4 responses

7 06 2010
Marcos Gonçalves

Não sabia da existência do “Two of Us”. O “ROck Star” eu sabia da existência, mas nunca vi. Esses pretendo ver logo, pois parece que alem mesmo a pena. Os outros dois são grande clássicos que pretendo comprar em blueray assim que conseguir um preço bom.

7 06 2010
Gabriel Gonçalves

O “Two of Us” é bem legal, meu velho, assisti ha um tempão, em vhs ainda, rs. O “Rockstar” também é muito bom, e a trilha sonora é campeã! Abração, Marquêra!

15 06 2010
Karin

Vc escolheu esses filmes a dedo, hein?? Amo todos eles!!!!!!!!!!!!!! Nem sei qual eu escolho como preferido…talvez o Almost Famous pela magnífica cena de “Tiny Dancer”. :)))))))))))

16 06 2010
Gabriel Gonçalves

O Still Crazy para mim é campeão, mas o Almost Famous também é maravilhoso! A cena de Tiny Dancer vale o filme.

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