REVIEW: MEAT LOAF – HANG COOL TEDDY BEAR

2 06 2010

Após o ótimo disco que foi o “Bat Out Of Hell III”, Meat Loaf tinha a difícil missão de não deixar a peteca cair em seu trabalho seguinte. Aqui no IMPRENSA ROCKER você tem, com exclusividade, o review de “Hang Cool Teddy Bear”, lançado no último 11 de maio, e que não tem tantas canções extraordinárias como seu antecessor, mas se mostra um disco muito acima da média, onde todas as músicas são boas.

Pode-se dizer que o álbum é bem homogêneo, com refrões grudentos, trabalho de guitarras excelente, sem contar a constelação que dá as caras aqui, com gente do quilate de Brian May (Queen) e Steve Vai. Como já é comum nos trabalhos do ex-gordo, o disco se trata de uma “Opera Rock”, onde cada música é uma parte de uma história.

O enredo apresenta um soldado fictício, que é atingido durante uma batalha e pensa que vai morrer. Ao invés de ter “flashbacks” de sua vida, ele começar a imaginar como ela poderia ter sido, e as músicas são exatamente isso: possíveis futuros, bons e ruins. Segundo Meat Loaf, “as musicas são as diferentes possibilidades, em tempos e lugares distintos, no entanto a garota é sempre a mesma”.

No site do artista é possível acessar, em pdf, a história detalhada do disco através de login do “Facebook” ou “Twitter”.

Vamos ao já famoso faixa à faixa:

01. “Peace on Earth” começa com um belo violoncelo, violinos e bateria num crescente que dá o clima perfeito para uma introdução de uma “Opera Rock”. Realmente é uma introdução fantástica, digna de “Bat Out Of Hell” – primeiro trabalho do Meat Loaf, em 1977, e seu grande clássico. Um Hard/Heavy de primeira, com várias mudanças harmônicas. Letra um tanto “pra baixo”, com frases tipo “21 anos e não tenho nada”, ou “a única coisa com que você pode contar nesse mundo é remorso”; entretanto no final da canção Meat Loaf canta “eu não quero morrer”, para concluir com “só (quero) uma vida e uma morte que valham a pena”. A canção apresenta um personagem de 21 anos, vivendo uma fase de dúvidas com relação à vida. Ótimo começo!

02. A faixa dois, “Living On The Outside”, mantém a velocidade, sendo mais um grande Hard Rock. Esta é uma canção que de longe pode ser identificada como do Meat Loaf, trazendo várias mudanças no andamento, com um clima de musical da Broadway e ótimo desempenho vocal. O solo de guitarra também é muito bom. A letra traz o personagem da história pronto para viver a vida em grande estilo, caindo na estrada e convidando uma garota pra ir com ele.

03. Temos aqui a primeira candidata a hit do disco! ”Los Angelsoser” é um Hard meio setentista, com clima alegre, bem ao estilo de Los Angeles. Uma música mais quadrada em comparação às anteriores, mas com estrofes e refrões que vão grudar em sua cabeça na primeira vez que escutar. A letra é uma declaração de amor do personagem principal à sua garota. Essa vai para o repeat! “Los Angeloser”, inclusive, foi a escolhida como primeira música de trabalho e já possui videoclip – que você confere no final da matéria.

04. A quarta faixa também tem pinta de single, mas com um clima mais romântico. Não chega a ser uma “Power Ballad”, mas acho que podemos chamá-la de uma “Fast Ballad” – tão pensando que só Caetano Veloso que inventa neologismos, é? Esta faixa traz na letra uma briga entre o casal da história, com o personagem principal, em dor, afirmando: “Se não posso te ter, então não quero ser eu”. A curiosidade desta fica por conta do convidado especial nos pianos: nada mais nada menos que o ator Hugh Laurie, o Dr. House da série House. Mais uma boa música.

05. Em se tratando de participações especiais, esta é imbatível: “Love Is Not Real/Next Time You Stab Me in The Back” traz Brian May, Steve Vai e Justin Hawkins (The Darkness/Hot Leg). Mais uma canção típica da obra de Meat Loaf: muitas mudanças harmônicas, muitos backing vocals, andamentos variados, guitarras pesadas, enfim, as características que tornaram esse cara um sucesso. Nesta parte da história, o personagem está desiludido com o amor e com sua ex-namorada, para quem pede: “na próxima vez que for enfiar a faca em minhas costas, é melhor fazê-lo em minha cara”. Mais um belo solo de guitarra aqui!

06. “Like a Rose” traz mais uma participação especial de peso, literalmente: o ator e headbanger Jack Black (Escola do Rock/Tenacious D) nos backing vocals. Não se deixe enganar pelo título da música, pois o que se tem aqui é um Rock de primeira: rápido – a música mais rápida do disco, com 3:16 minutos – e com harmonia bem quadrada. O personagem aqui declara seu amor por sua garota, que se mostra ser bem barra pesada e que adora se meter em confusão.

07. Esta é a música mais pesada até agora, e traz Steve Vai na guitarra. Em “Song Of Madness”, o personagem sonha com uma música mágica e, durante o sonho, surgem estranhas aparições, como “um rio de lágrimas vermelhas” ou “a rainha no trono de ouro”, que podem ser interpretadas como sinais de loucura por ter perdido a garota que amava. A construção da música traz algumas mudanças de clima e andamentos, mas são poucas (em se tratando de Meat Loaf). O disco chega à metade mantendo um excelente nível!

08. Esta sim é uma balada! Harmonia baseada no violão e ótimos backing vocals dão a tônica de “Did You Ever Love Somebody”. A letra retrata o personagem perguntando: “você já amou alguém tanto, que a Terra se moveu?”, para depois novamente questionar: “Você já amou alguém, como eu te amo?”.

09. Califórnia Isn’t Big Enough For Me é talvez a música mais sacana da carreira do Meat Loaf. Confira uma parte da letra: “eu mal posso colocar meu pau em minhas calças/venha e me dê uma mãozinha”. Musicalmente é um Hard Rock muito bem feito, refrão grudento, mais ou menos parecida com a “Los Angeloser”. Como se pode perceber pelo trecho da letra acima, o personagem aqui está doido para fazer miséria com sua garotinha, e a música transborda esse clima. Uma canção que caberia como uma luva num disco solo do Gene Simmons.

10. A décima faixa é mais um Hard muito bom! O refrão de “Running Away from Me” é daqueles que pegam na hora, fora as harmonias da música que são muito criativas. Nesta altura do campeonato, o personagem descobre que todos os seus problemas não são por causa da garota que ele amava, mas por causa dele próprio.

11. “Let’s Be In Love” é uma ótima “Power Ballad”, com a participação de Patti Russo, que fez parte do Meat Loaf há alguns anos. A música nos presenteia com uma melodia de sensibilidade única, enquanto a letra traz o reencontro dos dois amantes da história, selando sua união novamente. O solo de guitarra aqui é fenomenal; uma aula de feeling!

12. Aqui está a adversária de “Los Angeloser” na luta pela melhor canção do álbum. “If It Rains” é um Rock muito bom! Me atrevo a dizer que tem até uma pitada de Oasis aqui, com um “overdrive” médio nas guitarras, que mandam acordes abertos, além de contar, mais uma vez, com um refrão grudento. O solo de guitarra parece que foi feito por Slash – o timbre da guitarra lembra muito o do ex-guitarrista do Guns n’ Roses – nos seus melhores momentos. A letra é uma espécie de “foda-se”: “se chover, choveu”, canta Meat Loaf. É sempre bom quando uma grande música te pega no fim do disco!

13. “Elvis in Vegas”, que tem Jon Bon Jovi como um dos compositores, fecha o trabalho, e começa com um dedilhado de piano que logo se transforma num pulsante Hard Rock. Novamente uma ótima canção, com destaque para o trabalho de guitarras, que apresenta licks fantásticos. Na letra Meat Loaf dá voz ao personagem, que se recorda de seus 15 anos, quando fugiu de casa para ver Elvis em Las Vegas: “eu tinha apenas 15 anos e o mundo era meu”. Grande final para um disco que se não tem muitas canções extraordinárias, exibe 13 excelente faixas, onde nenhuma pode ser considerada ruim ou fraca.

Hang Cool Teddy Bear foi lançado em duas versões: uma normal em CD simples, e uma versão de luxo, que traz um segundo disco contendo versões ao vivo de nove sucessos do Meat Loaf, além de um livreto de 20 páginas.

Confira o divertido videoclip de “Los Angeloser”  abaixo:

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Ações

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2 responses

2 06 2010
Marcos Gonçalves

Como grande fã do Meat Loaf, fiquei desanimado com seus comentários. Se é pior que o anterior fico preocupado, pois já não gostei muito do Bat3. Vou ouvir. Espero que tenha pelo menos uma música boa que venha a incrementar minhas coletâneas do Meat.

4 06 2010
Gabriel Gonçalves

Nem se preocupe, meu velho. O disco tá muito bom! De 1 a 10, dou nota 8. Mas como achei o Bat III excepecional, fiz essa comparação. Mas pode comprar sem dúvidas. Abração!

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