NO ESCURINHO DO CINEMA… – PARTE II

22 05 2010

Como prometido, todo sábado o blog IMPRENSA ROCKER trará mais uma parte da série No Escurinho do Cinema…, com o que de melhor foi produzido no casamento entre cinema e Rock n’ Roll.

Nesta edição, mais quatro filmes que marcaram época e que até hoje são lembrados com carinho por todos que já tiveram a oportunidade de assistí-los.

Divirtam-se!

Tommy: O Filme – 1975

Lançado em 1975, o roteiro de Tommy: O Filme foi baseado na Opera Rock Tommy, álbum do The Who que saiu seis anos antes. O filme conta a história de Tommy Walker (Roger Daltrey, vocalista do Who), que quando criança, no inicio dos anos 50, presencia seu padrasto assassinar seu pai biológico (que todos acreditavam ter sido morto durante a 2ª Guerra Mundial).

Após o homicídio, o padrasto e a mãe de Tommy dizem para o garoto que ele não viu nada, não escutou nada e que não vai dizer nada para ninguém. Como resultado, Tommy sofre um tipo de choque mental que faz com que ele acredite que é cego, surdo e mudo.

O filme avança 10 anos, e Tommy, já jovem, é levado por sua mãe e padrasto para vários locais que dizem poder curá-lo. Dentre estes lugares, destacam-se uma igreja onde o padre é Eric Clapton e a deusa cultuada é Marilyn Monroe, além de um bordel onde a Rainha do Ácido (Acid Queen, uma prostituta interpretada por Tina Turner) lança Tommy numa viagem de LSD, mas que falha na tentativa de curá-lo.

A única coisa que consegue tirar alguma reação de Tommy é um espelho, até que ele encontra o objeto que iria mudar sua vida: uma máquina de pinball. O talento do garoto no pinball o transforma em herói nacional, especialmente depois que ele derrota o Mago do Pinball (Pinball Wizard, o campeão nacional neste jogo, interpretado por Elton John).

Após uma consulta com um médico (The Specialist, interpretado por Jack Nicholson), se descobre que o problema de Tommy é psicológico, e após sua mãe destruir o tão adorado espelho, Tommy consegue “acordar”, e acaba se tornando uma espécie de messias.

Com roteiro e canções espetaculares, além de cast estrelar, Tommy entrou para o rol dos grandes filmes da história. Pete Townshend, compositor da obra, conseguiu fazer uma brilhante adaptação do álbum para o filme, e chegou a ser indicado para um Oscar de Melhor Adaptação. Ann-Margret, que interpretou a mãe de Tommy, foi agraciada com um Globo de Ouro e indicada para o Oscar de Melhor Atriz por este trabalho.

O filme traz canções inesquecíveis, das quais se destacam Pinball Wizard, Christmas, Acid Queen e See Me, Feel Me. Se tiver a chance, não deixe de conferir esta grande obra de arte!

I Wanna Hold Your Hand (Febre de Juventude) – 1978

Um clássico do famigerado Sessão da Tarde! Febre de juventude já deve ter passado umas 500 vezes na emissora da família Marinho, o que não quer dizer que seja ruim. Na verdade é até muito divertido, apesar de ser um típico filme Sessão da Tarde. O fato dele apresentar 17 canções originais dos Beatles também ajuda, e muito.

O filme gira em torno de seis jovens (4 meninas e 2 meninos), fanáticos pelos Beatles, que estão em Nova Iorque para sua primeira apresentação no antológico programa do Ed. Sullivan.

O roteiro traz uma história bem simples, e já repetida muitas vezes depois: as desventuras que os personagens passam para conseguir ver o show da banda amada. Apesar de não ser nada demais, o roteiro presenteia o telespectador com ótimas piadas e sacadas geniais.

Quem viu o filme com certeza se lembra do momento em que dezenas de meninas estão embaixo da sacada do hotel onde os Beatles estão hospedados, enquanto um policial descuidado pisa no pé de uma das fãs, que logo solta um sonoro grito. As outras garotas pensam que a vítima do pisão viu um dos Fab Four e, por isso, soltou o berro. De repente uma multidão de meninas começam a gritar tudo o que seus pulmões agüentam.

Outra cena fantástica é quando uma das adolescentes consegue entrar no quarto de John Lennon e se esconde embaixo da cama, se deliciando ao ver o que supostamente seriam os pés do Beatle.

Como dito no começo do texto, o roteiro não é nada demais, o filme vale por ser o retrato de uma época, pelas altas doses de risadas e, é claro, pela música.

Ladies and gentlemen: The Beatles!

The Blues Brothers (Os Irmãos Cara de Pau) – 1980

“Joliet” Jake Blues e Elwood Blues (John Belushi e Dan Aykroyd) são dois irmãos que foram criados num orfanato cristão, e lá aprenderam a amar e a tocar Blues com o zelador do lugar, de nome Curtis. Os irmãos são personagens criados por Belushi e Aykroyd para um sketch deles no Saturday Night Live, programa de comédia que há muito tempo é campeão de audiência nos Estados Unidos.

No começo do filme Elwood vai buscar seu irmão na prisão, que está saindo em liberdade condicional após dois anos – duma sentença de cinco anos – por assalto a mão armada. Depois do reencontro eles resolvem visitar o orfanato onde foram criados, e descobrem que o local está para ser fechado por falta de pagamento de impostos.

Após serem escorraçados do orfanato pela Diretora Irmã Mary Stigmata – apelidada pelos dois de O Pingüim – por oferecer dinheiro roubado na tentativa de salvar a instituição, Elwood e Jake acabam na Igreja Evangélica do antigo zelador e amigo, Curtis. Lá, Jake tem uma grande idéia para arrecadar fundos honestamente e salvar o orfanato: reunir a antiga banda de Rhythm n’ Blues que os dois tinham e fazer shows por aí.

Os dois saem em busca dos antigos membros da banda, enquanto passam por diversos perrengues, como perseguições policiais, brigas com neo-nazistas, além da fúria de uma ex-namorada de Jake, uma mulher misteriosa armada até os dentes.

Com cast que traz gente do porte de Aretha Franklin, Ray Charles, John Lee Hooker, Joe Walsh e até Steven Spielberg, o filme não poderia ser ruim. Além de serem mais de duas horas de risadas garantidas, a música é nada menos que excepcional: grandes Blues, Souls e Rhythm n’ Blues.

Em 1998, saiu a continuação do filme, chamada de Os irmãos Cara de Pau 2000: O Mito Continua, mas sem a presença de John Belushi, que morrera em 1982 de uma overdose acidental de speedball (mistura de cocaína com heroína). O filme seguiu na mesma direção do primeiro, mantendo a qualidade na comédia e na música, com a volta de Aretha Franklin e Jame Brown, além das participações mais que especiais de B. B. King, Eric Clapton, Clarence Clemons, Bo Diddley, Dr. John, Billy Preston, Stevie Winwood, Wilson Picket e Jimmy Vaughan.

Os dois filmes são altamente recomendados a quem gosta de comédias ou a quem goste de Blues. Risadas garantidas e boa música até dizer chega!

This Is Spinal Tap – 1984

This is Spinal Tap é um documentário fictício – nos moldes do The Rutles: All You Need Is Cash – sobre a banda de Hard Rock/Heavy Metal Spinal Tap. Esta obra se tornou um sucesso ao redor do mundo, satirizando o comportamento, ambições e motivações das bandas de Rock da época, cada vez mais megalomaníacas e descontroladas.

Os três membros principais da banda (dois guitarristas e um baixista que estão sempre trocando de baterista, por causa de problemas diversos, um deles é a auto-combustão) são interpretados pelos atores Michael McKean, Harry Shearer e Christopher Guest (David St. Hubbins, Derek Smalls e Nigel Tufnel, respectivamente) que tocam e cantam de verdade.

Apesar do roteiro ser creditado ao Diretor Rob Reiner – que faz o papel do produtor do documentário – e aos três atores, muitas sequências foram gravadas de improviso. Inclusive exisite no mercado um bootleg que contém uma versão do filme com mais de quatro horas de duração.

O grande sucesso do Spinal Tap pode ser creditado ao grande conhecimento dos atores e diretor acerca do mundo que satirizavam.  Alguns comentários dos rockstars da época sobre o filme:

“Tudo neste filme já aconteceu comigo”, disse Van Halen, na época sem achar graça do que via.

“Somos nós. Como eles fazem um filme sobre nós?”, perguntou George Lynch do Dokken.

Dentre outras barbaridades, Robert Plant, Dee Snider e Ozzy Osbourne adimitiram que, como os Spinal Tap, já se perderam nos bastidores procurando o caminho do palco.

No meio de tantas cenas cômicas, destacam-se a do cenário de palco que a banda mandou fabricar, copiando a Stonehenge, que veio no tamanho errado; e a porta emperrada duma espécie de túmulo de onde saem os integrantes da banda no começo de uma canção, fazendo com que o baixista tenha que tocar toda a música num espaço bem apertado, para só abrir nos segundos finais da música.

Para quem gosta de altas doses de risadas, guitarras altas e boas músicas, This is Spinal Tap é obrigatório!

Chegamos ao fim de mais uma parte do especial No escurinho do Cinema…, mas no próximo sábado tem mais. Continue checando o blog para mais atualizações!

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6 responses

23 05 2010
Karin Kunze

O meu favorito aí é Febre Juventude!!!!!
Jamais esqueci clássica frase que termina o filme: Ei…aquele carro tem placa de Nova Jersey!!!
E aí começa a tocar “She loves you”…hauhauhahuahuahua…
Adoro!!!!

23 05 2010
Gabriel Gonçalves

É um filme bem legal mesmo, rs. O estranho que nunca encontrei um versão nacional do dvd, nem para baixar na net.

25 05 2010
Marcos Gonçalves

Caceeeete. Tô ficando véio mesmo, pois lembro muito pouco desses filmes, apesar de acreditar que tenha visto todos, com exceção do Spinal Tap. O Tommy me lembro relativamente bem, pois assisti em DVD (ou seria VHS?) há uns 10 atrás. Febre de Juventude é tão velho quanto eu (32 anos) e também já deve estar ficando desmemoriado, pois eu não me recordo de zôrra nenhuma. Aos Irmãos Cara de Pau, o original, eu assisti com certeza, mas não lembro de nenhum detalhe dos astros da música – só da cara de escroto dos irmãos. Depois de ler esse texto fiquei com vontade de fazer o download de alguma coisa, mas já esqueci do que se tratava, ehehehe.

25 05 2010
Gabriel Gonçalves

Rs… tá véio, man! Já que você se esqueceu do que iria baixar, baixa logo os quatro filmes, hehehehe. Abração, meu velho.

30 10 2010
Grace Kelly.

Febre de Juventude é um clássico e até minha mãe que nao é nada rock n’ roll adora.
This is Spinal Tap já entrou na minha lista obrigatória de filmes pra assistir!

30 10 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Grace, “Febre de Juventude” é um clássico! Toda hora eu volto a assistí-lo, rs… E corra atrás do “Spinal Tap”, sim, que é impagável. Abração!

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