ANUNCIADO DETALHES DA TURNÊ EM TRIBUTO A DIO

24 03 2011

Fonte: Kerrang

Wendy Dio, viúva do velho Ronnie, revelou os detalhes da tour em homenagem ao seu marido, que perdeu a batalha para um câncer em maio do ano passado.

Os antigos membros da banda de Dio – Rudy Sarzo no baixo, Simon Wright na bateria, Craig Goldy na guitarra e Scott Warren nos teclados – se juntarão ao ex-Judas Priest Tim “Ripper” Owens e a Toby Jepson (Little Angels/Gun) para uma excursão pela Europa. A banda se apresentará sob o nome de Dio Disciples (Discípulos de Dio na tradução para o português).

“Nunca haverá outro Ronnie”, diz Wendy, “entretanto queremos manter sua música viva, e esperamos que vocês apóiem a banda e se tornem um dos discípulos de Dio”.

As datas da turnê serão divulgadas em breve.





INJUSTIÇADOS – 4ª EDIÇÃO

15 03 2011

Por: Gabriel Gonçalves

Infelizmente, na semana passada não foi publicada a seção “Injustiçados”, por motivos de falta de tempo. Contudo esta gafe não ocorrerá nesta semana, e logo na terça-feira recebam a coluna que tenta resgatar (ou reapresentar) grandes artistas que, por um motivo ou outro, não conseguiram o sucesso que mereciam (ou não conseguiram manter o sucesso que tiveram por um curto período).

Nascidos na Inglaterra, esta banda foi mais uma da geração Glam Rock que tinha muito mais do que visual. Canções simples e pegajosas chegaram a dar certo sucesso à banda, mas por um período muito curto, portanto o IMPRENSA ROCKER não pestanejou ao escolher o Sweet (também conhecido como The Sweet) para ser o personagem desta edição de “Injustiçados”. Apertem o cinto, pois a viagem irá começar!

A história do Sweet começa em 1965, época em que uma banda chamada Wainwright’s Gentlemen tocava uma espécie de Rhythm n’ Blues psicodélico nos bares do Reino Unido. No line up do grupo estavam o baterista Mick Tucker e o então desconhecido vocalista Ian Gillan, que mais tarde acabou no Deep Purple. No mesmo ano, Gillan saiu do grupo e foi substituído por Brian Connolly.

Em 1968, Connoly e Tucker deixaram o Wainwright’s Gentlemen para formar sua própria banda, então batizada de The Sweetshop, cujo som era um espécie de Pop Bubblegun. Eles recrutaram o baixista e vocalista de uma banda local chamada The Army: seu nome era Steve Priest. Para a guitarra foi chamado Frank Torpey, um amigo de Tucker. Em pouco tempo, a banda construiu uma base de fãs no circuito de bares e assinou um contrato com o selo “Fontana”. Na época, outra banda de nome The Sweetshop havia lançado um single, então eles decidiram mudar o nome para The Sweet. “Slow Motion”, seu single de estréia, foi um fracasso comercial, e a banda foi liberada do contrato com a “Fontana”. Logo após este episódio, o guitarrista Frank Torpey decidiu sair.

No ano seguinte, já com o guitarrista Mick Stewart no line up, o Sweet conseguiu um novo contrato, desta vez com a “Parlophone” da EMI – o mesmo selo dos Beatles. Eles lançaram mais alguns singles até 1970, mas todos fracassaram, fazendo com que Stewart desistisse da banda. Desta vez, o novo guitarrista seria Andy Scott.

Com a nova formação, e um time de compositores – formado por Nicky Chinn e Mike Chapman – o Sweet conseguiu um contrato com a “Bell Records” e, mais tarde, “Capital Records”.

A banda então combinou o Pop de bandas como The Archies e The Monkeys, com o peso e crueza do The Who. Eles também adotaram uma rica harmonia vocal a la The Hollies, misturada com guitarras distorcidas e cozinha pesada. Esta fusão de Hard Rock e Pop permaneceu a maca registrada do Sweet e serviu de base para o que os grupos de Hair Metal fariam uma década depois.

Em dezembro de 1970, a banda dividiu um álbum com o grupo The Pipkins, colocando os lados A e B de seus singles lançados anteriormentes. No ano seguinte o primeiro sucesso internacional do Sweet finalmente apareceu: “Funny, Funny” foi o nome da canção – um Pop ao antigo estilo da banda, mas que gruda na sua cabeça na mesma hora.

O primeiro álbum oficial do Sweet foi lançado ainda em 1971, mas se tornou o retumbante fracasso. A banda não estava nada satisfeita com a orientação Pop que Chinn e Chapman estavam dando ao grupo, e a relação chegou ao fim do poço quando a dupla de compositores trouxe músicos de estúdio para as sessões de gravação, apesar dos integrantes da banda serem ótimos instrumentistas. O grupo começou a ser rotulado pelos críticos como nada mais do que uma banda de singles para o top 40.

Esta dicotomia resultava em singles cujo lado A eram canções Pop a la The Monkeys, enquanto o lado B trazia músicas pesadas, como é o exemplo do single “Co-Co/Done Me Wrong All Right”.

Imagina a confusão na cabeça os fãs? Mas se por um lado os adoradores da banda estavam atordoados, do outro lado os detratores começaram a perceber que o Sweet poderia ser muito mais do que uma bandinha de singles melosos. Para piorar a situação, o grupo ao vivo se recusava a tocar os singles lado A, e isto acabou tendo uma conseqüência: durante um show no “The Palace”, em 1973, a banda foi expulsa a garrafadas do palco pelo público que queria ver a banda executado os singles. O ocorrido iria ser a inspiração para o que viria a ser um dos maiores hits do grupo.

A banda continuou nessa toada até o lançamento do single “Wig-Wan Bam”, que acabou se tornando uma canção de transição na história do grupo, já que mantém o estilo anterior da banda, mas adiciona vocais e guitarras mais pesadas.

Esta canção pavimentou o caminho para o estilo que consagraria o Sweet e, à partir daí, os hits vieram rápido: “Blockbuster” em 1973, o primeiro single líder das paradas do Sweet; “Hell Raiser”, do mesmo ano, que chegou à segunda posição – resultado igualado pelos dois singles posteriores, “The Balroom Blitz (a canção inspirada pela confusão no show no “The Palace”) e “Teenage Rampage”.

Em 1974 o Sweet se cansou do controle exercido pela dupla de compositores, e os integrantes resolveram gravar um álbum sozinhos. O resultado, intitulado “Sweet Fanny Adams”, foi o primeiro LP da banda a entrar no Top 40 do Reino Unido. O disco mostrou ao público uma banda jamais vista, proeminente no Hard Rock e com ótimas performances de todos os músicos. O disco também marcou uma mudança no visual da banda, que abandonou as vestimentas Glam e incorporou uma indumentária mais sóbria.

No mesmo ano, o grupo soltou o álbum “Desolation Boulevard”, que traz talvez a música mais conhecida do Sweet – e minha preferida -, “Fox on The Run”. Esta música é o maior sucesso da banda até hoje, chegando ao topo das paradas em diversos países, como Alemanha, Dinamarca e África do Sul.

A partir de 1976, apesar de ótimos lançamentos, a banda viu sua popularidade aos poucos se esvair. Em 1979, após diversos vexames e falta de produtividade (graças às drogas e bebidas), foi anunciado que o vocalista Brian Connolly estava fora do Sweet. Oficialmente foi dito que Connolly estava interessado em seguir carreira solo, tocando Country Rock.

A banda permaneceu como um trio, tendo os vocais divididos entre Steve Priest e Andy Scott – Scott disse que Ronnie James Dio, que havia acabado de deixar o Rainbow, chegou a ser abordado para ocupar a vaga de Connolly, entretanto Priest contesta a informação.

O Sweet continuou trabalhando e lançando bons trabalhos até o dia 20 de Março de 1981, quando realizou seu último show. Com a decisão de Priest de morar nos Estados Unidos, a banda encerrou oficialmente as atividades no meio daquele ano.

Em 1985, Tucker e Scott reformaram a banda com novos integrantes, dentre eles o vocalista Paul Day, que chegou a cantar nos primórdios do Iron Maiden. Tucker conviou Priest para a reunião do Sweet, mas ele recusou. E como se confusão pouca fosse bobagem, um ano antes Connolly havia formado sua própria versão do Sweet, tendo somente ele como membro original, portanto duas versões do Sweet estavam na ativa.

Ao longo dos anos outras reuniões ocorreram, como em 1988 quando Mike Chapman convidou o quarteto original para uma sessão de gravação, entretanto ficou claro que a voz de Connolly – que já estava com a saúde bem deteriorada – estava em frangalhos. Por causa disto, a reunião foi abortada. Dois anos depois, a formação clássica foi reunida mais uma vez para promover um documentário, intitulado “Sweet’s Ballroom Blitz”, que trazia apresentações em programas de TV britânicos e entrevistas atuais (na época, é claro).

Em 1997, Brian Connolly morreu aos 51 anos, vítima de falência no fígado e repetidos ataques do coração, causados pelo seu alcoolismo crônico. Cinco anos depois, em 2002, foi Mick Tucker quem nos deixou, aos 54 anos, vítima de leucemia.

Atualmente, duas versões do Sweet estão na ativa: a que conta com Steve Priest, na qual se apresenta somente nos Estados Unidos; e a de Andy Scott, que excursiona pela Europa e Austrália.

Discografia:
1971 – Funny How Sweet Co-Co Can Be
1974 – Sweet Fanny
1974 – Desolation Boulevard
1976 – Give Us a Wink
1977 – Off the Record
1978 – Level Headed
1979 – Cut Above the Rest
1980 – Waters Edge
1982 – Identity Crisis





ÁLBUM EM TRIBUTO A DIO TERÁ LINEUP ESTRELAR

2 03 2011

Fonte: New Musical Express

Wendy Galaxiola, conhecida no mundo Metal como Wendy Dio, viúva do velho mestre Ronnie James Dios, anunciou que os artistas que participarão do álbum em tributo ao cantor já estão confirmados. Entre os nomes estão Lemmy, Rob Halford, Alice Cooper, Sebastian Bach e até Dave Grohl.

Segundo Wendy, “o disco provavelmente não sairá neste ano, mas todo mundo já confirmou presença”.

Quanto às músicas, o que se sabe até agora é que Dave Grohl irá cantar uma versão para o clássico “Mob Rules” do Black Sabbath, e que Rob Halford irá cantar em “Long Live Rock n’ Roll”, hino absoluto do Rainbow.





“NÃO HAVERÁ REUNIÃO DO BLACK SABBATH”, DIZ GEEZER BUTLER

16 02 2011

Fonte: Kerrang

Após Ozzy Osbourne ter dito no mês passado que conversas estão em curso com a finalidade de reunir a formação original do Black Sabbath, o baixista Geezer Butler incinerou qualquer possibilidade com relação a isto.

“Eu gostaria de deixar claro, por causa de montes de especulação e boatos, que definitivamente não haverá uma reunião dos quatro membros do Black Sabbath, seja para um novo álbum ou para uma turnê”, falou Geezer numa declaração oficial.

A formação original do Sabbath, que além de Geezer e Ozzy, conta com Tony Iommi na guitarra e Bill Ward na bateria, entrou pela última vez num estúdio em 2001, junto com o produtor Rick Rubin. As sessões de gravação foram encerradas após Ozzy sair para se concentrar na sua carreira solo.





BLACK SABBATH COM DIO: REEDIÇÃO DE “DEHUMANIZER” SAI EM 2011

21 12 2010

Enviado por Bernardo Marcondes
Fonte: Guitar Player

O álbum “Dehumanizer” do Black Sabbath ganhará uma edição especial e estendida no dia 7 de fevereiro, via “Universal/Sanctuary”. Além das dez faixas que compõem o repertório original, haverá um segundo CD com material extra (versões alternativas e gravações ao vivo).

Esse foi o último grande trabalho de inéditas da banda britânica. Lançado em 1992, o álbum reuniu a formação que se consagrou no início dos anos 1980, com Ronnie James Dio (vocal), Geezer Butler (baixo), Vinny Appice (bateria) e Tony Iommi (guitarra).

Canções como “Computer God”, “TV Crimes”, “Time Machine” e “I” mostraram que a química entre eles ainda estava viva e em perfeitas condições. Foi, inclusive, com a turnê promocional de “Dehumanizer” que o Black Sabbath veio pela primeira vez ao Brasil, em 1992.

Veja o que terá na reedição do álbum, que também ganhará textos de Dom Lawson, da revista “Metal Hammer”, no encarte:

CD 1
01. Computer God
02. After All (The Dead)
03. TV Crimes
04. Letters from Earth
05. Master of Insanity
06. Time Machine
07. Sins of the Father
08. Too Late
09. I
10. Buried Alive 
 
CD 2
01. Master of Insanity (single)
02. Letters from Earth (lado-B)
03. Time Machine (versão lançada na trilha do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”)

Faixas ao vivo (gravadas nos EUA – 25/07/1992):
04. Children of the Sea
05. Die Young
06. TV Crimes
07. Master of Insanity
08. Neon Knights





O QUE UMA PROFESSORA DE CANTO LÍRICO DIRIA SOBRE VOCALISTAS DE HEAVY METAL?

26 10 2010

Enviado por: Marcela
Fonte: Invisible Orange

Se você é um(a) cantor(a), você deveria estar seguindo o blog de Claudia Friedlander. A professora de canto, que mora em Nova Iorque, dá sábios conselhos não apenas para cantores de todos os tipos, mas também para músicos e pessoas em geral.

Apesar de pelo menos um de seus alunos cantar Metal, Friedlander não sabe nada sobre o gênero. Nós imaginamos o que ela pensaria de alguns dos mais clássicos cantores de Metal – a base do estilo. É raro encontrar alguém que não esteja familiarizado com nenhum destes cantores. Sua perspectiva seria única, livre de uma bagagem cultural.

Nós enviamos a ela cinco canções não identificadas e seus comentários seguem abaixo. Também incluímos as reações iniciais dela, enviada para nós assim que ela escutou os cantores.

1. Bruce Dickinson
Iron Maiden: “The Number of the Beast” (1982)

Primeira reação: “Os dois primeiros caras são tão impecáveis, que apresentam, cada qual a seu jeito, um manifesto de como cantar bem, independente de gêneros musicais”.

Não tenho nada que não seja admiração por este cantor. Ouçam como ele começa com um suave rosnado, e então muda sem problemas para um som alto e cheio, com bastante sustain, que evolui sem esforço a um longo grito! Sua dicção é facilmente inteligível, independentemente do que está cantando e do efeito que busca. Ele consegue cantar as letras de forma ritmicamente intensa sem perder o “ligado” e a dinâmica musical, algo que muitos cantores clássicos lutam para conseguir, especialmente quando interpretam os vários “staccato” e acentuações que misturam os registros de Bellini, Donizetti, etc.

Algumas observações para os meus leitores:

Há uma intensidade visceral e dramática conduzindo esta perfomance. Muitos cantores de Rock e Metal são tenores que alcançam tons muitos mais altos e por muito mais tempo do que os requisitados pelos tenores de ópera. E não é a apenas o microfone que torna isto possível. Estes caras estão cantando com tudo que têm e com um comprometimento incrível. A intenção é uma coisa muito poderosa.

Notem a “irritação” que ocasionalmente colore seu som. Este é um efeito totalmente diferente de uma tensão – toda sua laringe e garganta precisam estar completamente soltas e livres para responder deste jeito. Em alguns dos exemplos a seguir, vocês escutarão cantores fazendo suas vozes soarem deliberadamente mais fracas, estridentes, anasaladas ou “rudes”. Se eles sabem o que estão fazendo, podem fazer todos estes efeitos sem resistências ou problemas. Você pode ver a diferença da mesma forma que faria com um cantor clássico – o canto livre é como uma massagem, enquanto que o canto específico faz você apertar a própria garganta.  

2. Ronnie James Dio
Black Sabbath: “Falling Off the Edge of the World” (1981)

Este é mais um ótimo cantor. Sua voz é tão naturalmente ressonante – ele me lembra o Freedie Mercury. Assim como o primeiro cantor, ele canta com um “ligado” perfeito, dicção clara e vibração orgânica e consistente. Ele organiza seu espaço de ressonância para criar um leve rosnado, sem apresentar qualquer resistência à sua respiração. Você pode perceber o quão saudável é sua performance, através da forma em que ele entra e sai de breve momentos de harmonia com entonação impecável. 

3. King Diamond
Mercyful Fate: “Gypsy” (1984)

Reação inicial: “Há alguns inoportunos truques de estúdio que me fizeram pensar que havia mais de um cantor, porque eles editaram as partes em que ele muda de um canto cheio para aquela coisa maluca de contra-tenor que ele faz (imagino que ele faça isso ao vivo o tempo todo); como ele sai de um para o outro e o que faz dele incrível, e eu quero escutá-lo mudando de um para o outro”.

Aqui está um canto impressionante. Ele começa com uma voz tenor cheia, carregada de “choros” a la “verismo”, e então muda para um tom ultra-alto em um contra-tenor bem focado, alternando estas duas abordagens ao longo da canção, algumas vezes na mesma frase. Mas não apenas eu não entendo uma única palavra que ele está dizendo, eu nem ao menos sei qual a mensagem ou emoção geral a música deveria ter. Há uma verdade que serve para a música clássica e para qualquer outro estilo: não há necessidade de sacrificar a comunicação em prol de ótimos efeitos como este. Tudo que eu ouço é virtuosidade. No início é legal, mas então fica entediante, e você não deveria se entediar ouvindo Metal.

4. Ozzy Osbourne
Black Sabbath: “War Pigs” (1970)

Reação inicial: “O quarto cara é apenas um mau canto de garganta… Minha garganta se encolheu só de escutá-lo. Quanto tempo durou a carreira dele”?

Este é um cantor com dicção decente e bons instintos musicais, mas nenhuma noção de técnicas de vocal. Ele está forçando demais as cordas vocais, enquanto deixa fluir ar suficiente para que elas consigam falar, mas sua garganta está tão forçada que não há ressonância. Sua pontuação rítmica das letras é muito perturbadora, em contraste com o primeiro cantor, que apresentou a letra com acentuações rítmicas que encaixaram, ao invés de tirar um pouco da fluência da música e da poesia. Minha garganta dói tanto só de escutá-lo, que fiquei tentada a perguntar quanto tempo a carreira dele durou antes de sumir ou de ter necessitado uma cirurgia. Todo o espectro de seu canto está contido dentro de uma única oitava – com a exceção do momento quando ele grita “oh, Lord!” num tom mais alto, em minha opinião o único momento de canto livre em toda a música.

5. Rob Halford
Judas Priest: “Dreamer Deceiver” (1976)

Reação inicial: “O último cara é super talentoso e é o único no qual realmente gostaria de pôr as mãos. Ele demonstra várias técnicas loucas, mas elas não estão bem integradas. Isto não importa muito, porque ele é muito comprometido, expressivo e musical, mas eu poderia ajudá-lo a fazer melhor e mais facilmente”.

Este cantor possui um fabuloso espectro de cores e efeitos vocais para escolher. Sua dicção é fácil de entender e seu fraseado é lindo. Ele começa em um tom tão alto, bonito e ressonante, que me surpreendi ao escutar o quão baixa sua voz verdadeira é quando ele começa a cantar desta forma. Claramente ele canta, de alguma forma, com a laringe elevada quando começa a parte alta, e mais tarde na canção, quando ele muda para um canto mais estridente ou um grito, você nota que sua laringe está numa posição muito mais alta novamente. Os tons altos e os gritos são ótimos, mas eu acho que seria mais impactante se ele dominasse uma técnica vocal que lhe permitisse integrar melhor todas as coisas que ele faz tão bem, primeiramente com o objetivo de incorporar a profundidade e a ressonância de sua natural voz baixa às partes mais altas. Ele é o único dos cinco que eu realmente gostaria que viesse visitar meu estúdio em algum momento.





“UMA GRANDE PARTE DA MINHA VIDA SE FOI COM RONNIE”, DIZ GEEZER BUTLER

26 08 2010

Fonte: Exclaim.ca

O repórter Keith Carman, do website canandense “Exclaim.ca”, conduziu uma entrevista com o baixista do Black Sabbath/Heaven and Hell, Geezer Butler, que falou sobre Dio, planos para o futuro, além do DVD “Paranoid” da série “Classic Albums”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, com exclusividade no Imprensa Rocker!

Sem o baixista Geezer Butler – nascido Terence Michael Joseph Butler – não existiria uma coisa chamada Heavy Metal. Não apenas ele é um quarto da banda essencial ao gênero, Black Sabbath, mas com seu inimitável estilo, forte e poderoso sem ser falso ou pomposo, ele é responsável por um legado musical que transformou um instrumento até então ignorado em algo do caralho. Para registrar: foi o trabalho de Butler nos primeiros lançamentos do Black Sabbath – tanto no debut quanto no clássico “Paranoid” – nos subseqüentes quarenta e tantos anos com a banda (deixando de fora os abomináveis álbuns de meados dos anos 80, quando até ele abandonou o grupo), além do Heaven and Hell e do G/Z/R, sua aventura solo, que moldou os estilos dos quais suas bandas se tornaram sinônimo.

Com uma pegada semelhante a de John Entwistle, do The Who, Butler se recusou em deixar seu instrumento ser enterrado em simplicidade. Ele tirou o baixo das sombras e o colocou em evidência como um instrumento de valor próprio. Combinando livremente um ataque percussivo com uma presunção do blues, fortes agudos e graves ecoantes, além de um infinito dedilhado que não abafava a música e nem perdia a conexão com a batida, Butler não segura o ritmo; ele os acelera sem nunca ter sua absurda calma abalada. Essencialmente, se não fosse pela simplicidade de Butler em “War Pigs” ou “Iron Man”, e pelas batidas com wah wah na abertura de “N.I.B.”, não teríamos um Cliff Burton, nem uma “(Anesthesia) Pulling Teeth” e, portanto, não haveria o Metallica. Nem teríamos o Megadeth, Anthrax, Slayer, e nenhuma outra banda de Metal, com baixistas em evidência nos mostrando que o baixo é tão viríl e flexível quanto o mais selvagem virtuoso da guitarra.

Contudo, poucos meses após perder seu amigo de longa data e companheiro de banda, Ronnie James Dio, para um câncer no estômago, Butler não sabe o que o futuro guarda para o Black Sabbath ou para o Heaven and Hell. Ao tirar um tempo para falar sobre sua vida, e sobre o 40º aniversário do “Paranoid” – lançado em 18 de setembro de 1970, o dia em que Jimi Hendrix foi declarado morto – Butler está esperançoso quanto ao futuro, mas ainda negocia com o passado.

Existe alguma real atualização do status do Black Sabbath/Heaven and Hell atualmente?
Realmente não. Estamos todos em resguardo desde que Ronnie se foi. Fizemos um show em tributo para arrecadar fundos para sua fundação e combate ao câncer e é só. Estamos apenas pensando no que iremos fazer a seguir.

Minhas condolências para todos. A morte de Dio foi um grande choque para o Metal.
Sim, tudo estava indo tão bem, e então aquilo aconteceu.

Vocês da banda esperavam por isso? Parecia que ele iria superar a doenção e de repente…
Foi uma daquelas situações, na qual ele estava respondendo bem ao tratamento e todos estavam bem animados novamente. A turnê estava indo em frente de novo e Ronnie estava ansioso por aquilo; estava ansioso para voltar à turnê. Cerca de seis semanas antes, a doença voltou e lhe atacou fortemente.

Parece que as pessoas não percebem que você não apenas perdeu um companheiro de banda, mas um amigo.
Com certeza. É muito difícil porque, obviamente, isto nunca havia acontecido com nós. É difícil saber o que fazer, especialmente na nossa idade. Nós não temos certeza.  Nós começamos tudo novamente? Apenas vamos ver o que acontece. Este é o ponto. Ele era um amigo muito próximo, além de alguém com quem trabalhava. É uma grande parte da minha vida que se foi.

Você realmente acha que teriam que começar tudo outra vez?
Bom, falo de arrumar um cantor e este tipo de coisa; a pessoa certa. Suponho que isto se resolverá sozinho.

Há alguma coisa em mente?
Não no momento…

Vamos falar de outro assunto, pois não posso nem imaginar quão difícil seja para você falar sobre isso. O DVD “Paranoid”, da série “Classic Albums”, trouxe muitas informações, mesmo após 40 anos em que as pessoas analisaram cada aspecto dele. Como foi falar sobre algo que foi feito há tanto tempo?
Foi incrivelmente difícil lembrar coisas de 40 anos atrás. Parece ter sido numa outra vida, de verdade. Porque ele foi feito muito rápido e estávamos em turnê, então aquilo não ficou muito bem gravada na memória de ninguém. Tivemos cinco dias de estúdio. Íamos para lá e, para nós, era apenas mais uma apresentação. Nós tocamos ao vivo no estúdio, praticamente – tivemos o mínimo de overdubs. Com apenas cinco dias, foi realmente apenas mais um show. 

Um show que tem reverberado por quatro décadas.
Sou grato por não sabermos disto na época, ou então nunca o teríamos concluído.

Parece que a mágica acontece quando você não espera muito daquilo.
É verdade, porque não esperávamos nada do disco. Nós pensávamos: “Em dois ou três anos estaremos de volt aos nossos empregos normais”. Se tivéssemos parado para sobre isto – o impacto que o álbum teve – provavelmente teria sido assustador demais para irmos e frente. Foi ótimo como as coisas aconteceram. 

Obviamente foi bom, mas existe algum ressentimento em ter que viver com um álbum sublime como este? Meio como Lemmy disse que não poderia tocar “Ace of Spades” e ficar bem com aquilo.
Não, acho que todos somos gratos pelo disco, porque naquela época ninguém nos dava uma chance, sabe? Nós éramos odiados pelos críticos, e ficamos muito gratos por ter obtido aquele sucesso com o álbum.

Num contexto maior – incluindo seus discos solo – parece que você nunca esperou que o “Paranoid” fosse tão essencial. Você tem outro álbum que goste mais do que o “Paranoid”?
Cada um tem seu próprio mérito, porque ao invés de ficarmos presos numa formula, sempre tentamos progredir como músicos. Apenas não queríamos ser conhecidos como uma banda de um único som, o que hoje em dia talvez sejamos. Mas naquela época, queríamos nos expandir musicalmente com cada disco.

Na época não havia nenhum termo que pudesse rotular vocês, não é verdade? Mesmo o termo “Heavy Metal” ainda não existia.
Sim, não havia “Heavy Metal” como o conhecemos hoje. Éramos apenas uma banda fazendo música original, sem importar se era material pesado ou mais leve, como “Planet Caravan” e coisas do tipo.

Esta canção nunca recebeu a devida atenção, não é?
Sim, muitas pessoas agora me perguntam o motivo de termos feitos esta música. Foi porque não estávamos presos a um determinado gênero na época. Apenas fazíamos nosso próprio tipo de música.

Ela fornece dinâmica ao álbum também. Não o deixa todo pesado e denso. Há pontos melódicos.
Exatamente. Porque você sabe: naquela época, quando você tocava um álbum, você esperava escutar oito ou dez canções que não se soassem iguais. Você precisava de variedade num disco. Ela cumpriu seu trabalho e se sobressai.

Então apareceram bandas como o Pantera, que fizeram covers dela, e a canção se tornou “cool” novamente.
Sim, eu gosto de como eles se apegaram à forma original de como ela foi feita: o clima e o temperamento.

Então há este ressurgimento das pessoas quererem escutar “Paranoid”, mas vocês ainda não têm certeza sobre o futuro do Black Sabbath/Heaven And Hell.
Bem, o Heaven and Hell já era. Só poderia existir com Ronnie. Eu ainda gostaria de fazer algo com Tony (Iommi) e Vinnie (Appice), mas que não se chamaria Heaven and Hell.

Após a batalha legal sobre o nome “Black Sabbath” entre Tony e Ozzy…
Bem, estamos todos conversando novamente, o que é um bom sinal… Eu espero. Quanto à banda original, há tantos lugares onde nunca tocamos e que adoraria visitar. O Japão, por exemplo. Nunca tocamos lá e em muitos lugares do Leste Europeu, ou da Ásia, que se abriram após a formação origina ter se separado – e após a nossa turnê de reunião. Quando fizemos a reunião, só tocamos na América do Norte e na parte ocidental da Europa, e só. Então seria… Eventualmente gostaria de ir a lugares como o Japão com a formação original, já que nunca estivemos lá. Mas é mais fácil falar do que fazer. 

Eu suponho que haja todo tipo de política para faze este tipo de coisa.
Sim… Seria ótimo finalmente ir em frente.

Enquanto isso, talvez você possa trabalhar em seu material solo. Já se passou um tempo desde que saiu o último álbum do G/Z/R.
Este tem sido um ano muito duro, então a música tem estado meio de lado, por causa de Ronnie. Gradualmente eu estou voltando ao… Há tantas coisas, que levará meses até decidir o que quero fazer. É meio que uma reserva. Uma vez que você estabelece qual direção seguir, a coisa fica mais fácil, mas preciso disto. Assim que consegui-lo, apenas seguirei em frente.

Tudo estará esperando para quando você estiver preparado.
Sim e eu estou ansioso para ver o que eu consigo trazer nos próximos meses. Tenho algumas coisas por perto, então dentro de um mês ou seis semanas, eu as pegarei, trabalharei em material novo e, enquanto resolvemos outras coisas, nada me impede de escrever meu próprio material. Tenho inspiração suficiente.

A música é um ótimo remédio.
Certamente é um bom jeito de superar este tipo de coisa. Eu poderia usá-la eventualmente.





BILL WARD: “ADORARIA SAIR EM TURNÊ E FAZER UM NOVO DISCO COM O SABBATH”.

20 08 2010

Fonte: Goldmine

O repórter Pat Prince, do website “Goldmine”, fez uma longa entrevista com o lendário baterista do Black Sabbath, Bill Ward. Bill falou sobre o novo DVD da série “Classic Albums”, que foca a produção do “Paranoid”, a vida banda no início dos anos 70, problemas com autoridades, dentre outros assuntos.

Confira a entrevista completa em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!

O Black Sabbath teve várias formações, e oito bateristas diferentes ao longo de sues 41 anos. A maioria dos fãs, contudo, pensa em Bill Ward como o baterista que representa a banda, e no “Paranoid” com o álbum que define perfeitamente o Sabbath.

Para comemorar o 40º anivesário do “Paranoid”, a “Eagle Rock Entertainment” lançou um DVD da série “Classic Albums”, que foca no famoso disco de 1970 que originalmente iria se chamar “War Pigs”. É uma olhada para dentro de uma banda que na época estava lutando para permanecer viva, e que ainda assim criou algumas das mais dinâmicas, sombrias e provocativas canções já gravadas.

Bill Ward lembra do “Paranoid” como o álbum que mudou tudo para o Sabbath. O disco deu a banda músicas famosas, como “Iron Man”, e ainda lhes concedeu alguns de seus momentos a La Beatles, com fãs berrando (a maioria adolescentes da Inglaterra) e seguindo desprevenidos músicos pela rua.

Ao longo dos anos, Bill War se tornou um genuíno porta voz da banda, além de um cara que mantém sua batida natural. Aos 62 anos, ele ainda está a fim e pronto para evocar a energia para uma turnê completa do Sabbath, a qualquer momento, quase com o mesmo entusiasmo que tinha durante as sessões do “Paranoid”.

Recentemente a “Goldmine” teve a chance de conversar com o lendário baterista, que está ocupado trabalhando em seu mais novo disco solo – um trabalho de amor que está em seus estágios finais, mas sem data de lançamento ainda.

O que você achou do lançamento do documentário em DVD do “Paranoid”?
Estou bem quanto a isto agora. Quando o vi pela primeira vez, tive algumas reclamações quanto ao andamento e a produção em geral. Disse minha opinião ao produtor, obtive uma resposta e tudo ficou bem. As coisas se resolveram.

Minha maior preocupação foi que havia uma longa parte só com Tony (Iommi) e Geezer (Butler), sem que outro artista falasse. Foi apontado para mim que era assim que o programa era, e eu disse: “Eu sei disto, eu sou um grande fã do programa. Já assisti todas as bandas que apareceram na série, mas ainda acho que é um tempo muito longo”. De qualquer forma, eu pude entender e ficar tranqüilo quanto a isto, mas foi o único atrito que eu tive com o DVD.

Mas eu gosto dele, porque é um pouco diferente. Eu nunca vi o Black Sabbath receber um olhar diferente por um ângulo diferente. Eu acho que neste sentido o DVD traz uma boa novidade.

O que você acha do “Paranoid” ganhar este tipo de re-exame?
Eu gosto de que ele esteja sendo revisto novamente e que tenha tanto crédito. Eu acho que ele merece este crédito, pelo fato de que apenas o tocamos do jeito que éramos. Não tivemos um processo para pensar no álbum. Não houve nenhum planejamento. Foi apenas o resultado de quatro caras tocando juntos, sendo uma unidade, uma banda, uma banda de verdade.

Você percebeu que o álbum era especial enquanto estava o criando?
Eu sentia alguma coisa na época, mas sabia que estávamos em algo diferente. Quero dizer, todos nós pensamos isto. Todos nós sabíamos que estávamos criando algo diferente e que gostávamos muito. Mas sabíamos que era diferente. E sabíamos que era frágil também, no sentido de que ele poderia não durar nem cinco minutos, pois haviam vários oponentes, por falta de palavra melhor; lugares a levá-lo que poderiam não lhe dar nenhuma chance.

O baterista em 1970, gravando "Paranoid".

Como em muitos álbuns do Black Sabbath, havia muito conteúdo nele. Neste sentido, foi muito ruim ele não ter se chamado “War Pigs”, como era a intenção, já que este título seria uma declaração mais forte?
Bem, nós queríamos chamá-lo assim, mas ninguém pareceu entender. Eu não os culpo, sabe? O Vietnã, um monte de gente sendo morta por lá todos os dias, então eu entendo eles não terem usado o nome, por este lado.

Mas era uma declaração anti-guerra bastante efetiva.
Eu acho que fizemos uma grande declaração e colocamos muita força nela. Quando a tocamos atualmente – bem, na última vez em que excursionamos – “War Pigs” ainda era um grande hit para todos. Então ela permanece. Infelizmente ela ainda permanece atual, com o Iraque e todos os outros lugares onde há tantos problemas e mortes. Este é o lado ruim da coisa, mas fizemos um bom álbum e uma boa declaração.

O fato das músicas ainda serem relevantes hoje é uma grande prova do poder das composições daquele álbum. Muitas bandas não têm este poder.
Quando tocamos estas canções na época, como disse antes, não sabíamos se elas durariam ou não. Era realmente bem frágil em vários sentidos. Mas então o Sabbath se tornou atemporal – acho que isto acontece e algumas bandas se tornam quase veneradas. A vida do Sabbath passou a depender de pessoas que foram influenciadas pela música da banda, como um avô falando para o neto: “Hei, dê uma olhada nessa banda”. Isto é incrível. Nós começamos a perceber que haviam caras de 50, 60 anos nos shows, e garotos de 10 anos. É ótimo isto! Muito bom ver isso. Estou muito contente de que influenciamos outros músicos também. Para mim, estas são as coisas que parecem um presente silencioso enquanto você envelhece. Espero ter recebido isto com um pouquinho de humildade e sem fazer muito estardalhaço.

Você poderia explicar melhor o seu uso da palavra “frágil”?
Na época em que estávamos gravando o “Paranoid” – e quando fizemos nosso primeiro álbum – nós éramos uma banda de verdade e muito unidos. Tinha a banda, os roadies e os caras que nos levavam aos lugares e tomavam conta de nós. Eram provavelmente 10 pessoas, juntas, e em vários sentidos havia muita intimidade. Nós tomávamos conta uns dos outros e cuidávamos uns dos outros. Éramos uma unidade. Eu geralmente me refiro a isto como os “quatro mosqueteiros”. A sensação era esta, porque havia muita coisa vindo de fora, entre a imprensa, TV, e todo um novo público que estávamos alcançando; todos os novos países para onde estávamos viajando. Ainda ahavia muita novidade em tudo e, eu acho, uma sensação de desconfiança também. Nós viemos de uma região muito dura difícil de Birminghan, então aprendemos a crescer com um olho sempre aberto, pode-se dizer. Não éramos estúpidos; neste sentido tínhamos aquela esperteza das ruas.

Com isto em mente, enquanto passávamos por gravadoras, advogados, ou coisas do tipo, sempre éramos bem discretos. Nós nos reuníamos e conversarmos sobre tudo. Nós havíamos acabado de voltar de uma turnê de dois anos, na qual dividíamos a comida. Nós não tínhamos nem um trocado, então quando estávamos tocando no “Star-Club”, “Reeperbahn” e fazendo aqueles shows na Dinamarca e Suécia, por volta de 1970, nós tivemos que aprender a sobreviver, porque estávamos basicamente tocando por comida e coisas do tipo. Então aquilo criou uma grande união. Aquilo foi com a gente por entre o novo mundo e as novas mudanças que estávamos passando – ou estávamos prestes a passar. Foi isto que eu quis dizer com “frágil”.

Quais foram as histórias por trás do “Paranoid”?
Primeiramente, para nós foi divertido, porque fizemos muitas turnês em cima do “Paranoid”. Eu lembro das primeiras reações, e então por um minuto nós estivemos na cultura pop. Nós ficamos famosos, especialmente quando a canção “Paranoid” alcançou o 2º posto na Inglaterra e o álbum ficou em 1º, e de repente estávamos nesta coisa do pop na qual tínhamos todos estes fãs berrando e todas coisas do tipo acontecendo. Aquilo, após um tempo, não permaneceu da mesma forma; meio que desapareceu, o que foi bom. Ainda tínhamos muitos fãs. Por toda a nossa vida sempre tivemos muitos fãs que sempre foram entusiasmados, para dizer o mínimo. Mas por um momento nós aproveitamos esta coisa de estarmos dirigindo nossos carros e sermos cercados, ou então tínhamos que dar um jeito de entrar sem que ninguém nos visse no teatro onde iríamos tocar. Aconteceu todo este tipo de coisa; meio que como “A Hard Day’s Night”, sabe? Apenas por um momento aquilo foi divertido, mas não acho que teria gostado de ter aquilo pelo resto da minha vida. Aquilo seguiu seu próprio caminho.

Mas as turnês eram demais, com todos nós trabalhando muito duro. Nós tocávamos todos os dias; fazíamos um show cedo e um mais tarde. Isto me espanta. Quando me lembro disto… Quando o Sabbath toca, nós colocamos 150% de nós. Colocamos tudo que temos. Me espanta o fato de que fazíamos este grande show e então o fazíamos novamente algumas horas depois. Eu ainda olho para isto com algum espanto, na verdade. Tenho muito orgulho disto, de que éramos capazes de fazer isto e fazê-lo funcionar. Então houveram muitas coisas que apareceram na turnê, enquanto fazíamos novos amigos rapidamente.

Você não acha que algumas pessoas foram ver a banda naquela época só porque estavam curiosos?
Eu acho que atraíamos muitas pessoas que tinham sérios problemas com nós, na verdade. Nós atingimos o tôo das paradas e o topo das paradas das pessoas também. Mas quando eles perceberam que faríamos qualquer coisa que quiséssemos, musicalmente – especialmente com o terceiro álbum – uma parte deste estrelato caiu um pouco. Nós sempre tocamos para nós mesmos, e tentamos ser honestos com nós mesmo sobre onde estávamos, e acho que é por isso que nós tivemos fãs que ficaram com a gente ao longo dos anos.

Havia um número – bem grande até – de pessoas que realmente não gostava da nossa banda. De vez em quando as coisas ficavam bem perigosas. Quando estávamos fazendo as primeiras turnês nos Estados Unidos, promovendo o “Paranoid”, frequentemente tinham grupos cristãos, ou pessoas que amam Jesus mais do que qualquer coisa na Terra… Eles eram bem extremistas e alguns deles eram bem perigosos; foi muito assustador, para ser honesto.

Se ao menos eles escutassem às letras das canções, talvez encontrassem coisas que não esperavam.
Sim, se eles pudessem ler as porras das letras, talvez tivessem aprendido alguma coisa; sei lá. Ou curtido. Ou poderiam abaixar os cartazes; todos carregavam um grande cartaz, assim como fazem hoje. Alguns dos grupos cristãos mais extremistas levantavam qualquer coisa que pudessem agarrar.

Bem, sempre haverá extremistas por aí.
Sim, foi bem extremo. E nós éramos extremistas também (risos); combinação perfeita. Mas nós tínhamos que ter seguranças. Tínhamos seguranças frequentemente. Nas nossas primeiras turnês, fomos ao “cinturão bíblico” (N.R.: Região no sul dos Estados Unidos onde a prática fervorosa da religião protestante evangélica faz parte da cultura local), e quando viajávamos pelo norte da Flórida, pelo Mississipi, certas partes da Virginia, Tennessee, Lousiana, Texas e Cirpus Christi, haviam muitas pessoas – incluindo os policiais locais – que nos recebiam bem friamente. Haviam muitos problemas com as pessoas e com os prefeitos das cidades.

Você não acha que a imagem sombria e os rumores de que a banda era satânica foi exagerada e, ainda por cima, massificada pela mídia?
Eu acho que foi algo que tentamos esclarecer continuamente através das entrevistas, mas era quase como, “mas isto vende discos” ou “isto vende jornais, então vamos continuar com isto”. Nós dizíamos constantemente, diariamente, “não, não somos nada disto. Não, isto não é o que representamos”; foram muitas declarações deste tipo. Nós estávamos tentando mostrar para eles quem éramos de verdade. Nós fomos pegos tão fortemente por esta coisa, que ela adquiriu uma identidade própria e foi jogada pelo mundo com uma bola de praia. Algumas pessoas, incluindo a TV e a mídia em geral, gostavam de destacar isto e dizer quão terrível era. Foi bastante controverso por um longo tempo. Foi algo que dissemos, “não podemos fazer nada a respeito disto. Nós éramos impotentes sobre esta dimensão que apareceu e grudou na gente”, então apenas seguimos em frente, fazendo o que fazemos de melhor, até hoje quando você e eu ainda estamos falando a respeito disto. E estou feliz que você tenha me dado a oportunidade de ter falado um pouco sobre isto, pelo menos.

A partir da esquerda: Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne.

Nos dias de hoje aquilo não seria considerado tão controverso. Como os tempos mudaram…
Não seria mesmo, e fico satisfeito por ter feito parte de um número de bandas que foi ao sul (dos Estados Unidos), que foi na Austrália, no Canadá e em outros países, onde primeiramente éramos barrados de tocar pelas autoridades. Agora as portas se abriram.

Canadá?!
Sim! O Canadá do início dos anos 70… Cara, entrar no Canadá era uma provação. Mas me sinto bem em ter sido parte de um pequeno grupo de caras que permaneceram verdadeiros com eles próprios. Mas isto criou muitos problemas no começo dos anos 70, quando a polícia ficava definitivamente desconfortável com nós por perto e não sabia como lidar com a gente. Nos anos 70, havia diferença entre um policial da Louisiana e um policial de Nova Iorque. Nunca tivemos problemas com os policiais de Nova Iorque, que eu saiba. Nós conhecemos muitos nos shows que fazíamos. Para eles, era um show, sabe? Eles entenderam a coisa. Não haviam grandes brigas ou situações nas quais podíamos ser feridos os mortos facilmente. Era uma vibração diferente. Neste sentido, fico feliz por ter sido um dos que foram nas profundezas do sul (dos Estados Unidos), e agora o sul é… Cara, está totalmente diferente.

Parece que haviam muitos boatos que ajudavam a alimentar aquela fama. Por exemplo, me lembro de ouvir falar de que ao entrar no local onde o Black Sabbath iria tocar, o público tinha que assinar uma bíblia satânica. Então começavam a aparecer este tipo de boatos sobre coisas estranhas que aconteciam nos shows de vocês.
A coisa se tornou um fenômeno com vida própria, e ainda há uma sombra disto nas nossas vidas, porque eu sei que todos nós individualmente – não só como Sabbath – ainda gostamos de fazer uma música ainda mais sombria. Até hoje sou tão atraído por música sombria quanto era em 1969, quando garoto. Ainda é a mesma coisa.

As letras de Geezer Butler sempre foram bem profundas e conscientes.
Absolutamente. Eu o chamo de “o poeta irlandês”. Os pais dele são da Irlanda. Ele vive na Inglaterra, mas basicamente é irlandês. Ele é um fantástico letrista. Maravilhoso! Ao mesmo tempo, eu tenho que dar os créditos de Ozzy também, porque ele pode falar uma frase ou uma palavra… Eu viajei com ele por muitos lugares ao longo dos anos e sei que ele é capaz de falar uma palavra que explode e você é literalmente capaz de escrever uma canção em torno desta única palavra. Ou então ele fala uma frase, e você fala: “Puta merda, posso usar isto?”, e você literalmente escreve alguma coisa com isto. O jeito que ele despeja estas coisas… Estas coisas saem de Ozzy todo santo dia. Você tem que aprender e saber como pegá-las  e usá-las adequadamente.

Mas, na verdade, “Fairies Wear Boots” é sobre o quê?
Isto foi Ozzy e Geezer se divertindo, juntando coisas. Tem uma coisa de Alemanha nisso. Algumas sobras que nós aproveitamos; Algumas brigas em que nos metemos. Estou pensando na canção agora enquanto conversamos, e fui direto para 1968-1969, e ela é um grande exemplo de onde estávamos em 69. Eu posso até sentir o cheiro da comida no “Reeperbahn” (risos). É uma ótima canção sobre as experiências que tivemos. E é cheia de… A melhor expressão que posso pensar é “conteúdo mágico”, onde vamos a esta coisa mística meio coisa de maconheiro, bem como 1969 era. Isto é o melhor que posso dizer sobre ela.

Olhando em retrospectiva, há algo que você faria diferente com relação ao Black Sabbath?
Não me arrependo de nada que fizemos ou nada que fiz pessoalmente. Não me arrependo de nada. Não faria diferente, incluindo todos os erros… Tudo. O primeiro instinto que me apareceu quando você perguntou isto foi, “sim, gostaria de refazer algumas partes de bateria” (risos). Não refazer, mas trabalhar nos sons de certas partes da bateria, particularmente nos dois ou três primeiros álbuns. Talvez um som melhor no bumbo de “Iron Man”, coisas deste tipo. Todos os músicos são assim.

Falando em “Iron Man”, você acha que a canção se tornou muito comercializada, muito “mainstream”?
Eu tive que abandonar qualquer tipo de apego pessoal que tinha com ela. A gente pensa, “não, você não pode fazer isto. É música underground e tem que permanecer verdadeira com ele mesma e etc”, e então a vida real aparece. O mundo se abre. A primeira pista que tive de que “Iron Man” pertencia a todo mundo foi quando a escutei sendo tocada por uma banda marcial num campo de futebol. Eu pensei, “oh meu deus, eles estão tocando ‘Iron Man’”. Para mim, foi quando ela se tornou pública.

Então ela se tornou bem comercial e se apegou em tudo. E, na verdade, hoje em dia é legal. Não estou reclamando, porque quando ela foi para o filme “Iron Man” (N.R.: O Homem de Ferro), conseguiu uma nova forma de vida e me mostrou que ela continua atual. Então, neste sentido, eu tomarei como um elogio. Mas meu senso de justiça, como “isto não está natural, você não pode fazer isto”, diminuiu um pouco com o passar dos anos, com relação a canções como “Iron Man”, que tendem a se tornar mais comerciais ao longo do tempo. Eu já não brigo mais tanto quanto antes sobre este assunto.

E quando fazemos shows, sempre tentamos tocar algumas canções que não tocávamos há muitos anos, mas inevitavelmente acabamos com um repertório que agrade a todos.

Quais os planos do Black Sabbath?
Bem, todos estão de folga, sabe? Eu estive falando com Tony há poucos meses… E estava com ele e Glenn (Hughes) no funeral de Ron (Ronnie James Dio), e acho que Terry (Geezer) está apenas tentando superar a morte de Ronnie e pensar o que fará depois. Então Ozzy está embarcando numa grande turnê. Ele está indo para a estrada por um tempo considerável, mas eu falo com ele toda hora.

A partir da esquerda: Geezer, Ozzy, Tony e Bill na época da reunião, já no novo milênio.

O que você acha do novo álbum de Ozzy, “Scream”, por falar nisso?
O que eu gosto neste novo álbum é a voz dele. A voz dele está muito clara. Ele está sobrevivendo, ele tem convicção e ele é bem claro e em preciso em tudo. Sua voz realmente está se sobressaindo em todas as faixas. Eu acho que é muito bom.

Com relação ao Black Sabbath, a banda original, não estou sabendo de nenhum plano nem nada, mas ao mesmo tempo sei que iremos conversar uns com os outros. Não estou sabendo de nenhum desentendimento entre ninguém.

Eu sempre tenho a esperança de que se tudo está certo e tudo está amigável, então podemos excursionar novamente. Adoraria faze isto, contanto que tudo esteja em ordem comigo. Adoraria seguir em frente, não só excursionar, mas fazer um novo álbum também, outro disco do Sabbath. Isto para mim seria a melhor coisa que poderia acontecer. Mas também adoraria fazer uma turnê longa. A última turnê que fizemos foi legal, e durou três meses e meio. Mas o lance é que estávamos tão entrosados – e você tem que praticar para a coisa se ajeitar e ficar bem entrosada – quando estávamos na metade da turnê e eu me senti em plena forma, mas então de uma hora para a outra tivemos que parar. E eu estava, “Merda, vamos levar isto ao redor do mundo, cara. Isto está ótimo”. Mas tivemos que parar, o que foi um tanto irritante. Este foi o único problema. Leva um certo tempo para que um corpo de 62 anos possa tocar no Black Sabbath, e Ozzy e eu somos muito exigidos fisicamente no palco, então temos que estar em forma. E todos os shows da “Reunion”, com relação às performances, foram lindos. E me diverti demais; no palco era imbatível. Curti bastante, de verdade.





LIVRO DE FOTOGRAFIAS DE RONNIE JAMES DIO SERÁ LANÇADO ESTE ANO

16 08 2010

Por: Raquel Hortmann
Fonte: Brave Words & Bloody Knuckles

De acordo com o “Deep Purple Appreciation Society”, existe um livro de fotos autorizadas de Ronnie James Dio previsto para sair no outono (do hemisfério norte). Aprovado por Wendy Dio, uma parcela de cada edição vendida será doada para a fundação “Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund”. Haverá duas edições – mais detalhes serão revelados em breve.

Você também poderá fazer doações para a “Ronnie James Dio Stand Up And Shout Cancer Fund” através do site “ronniejamesdio.com”. As doações são destinadas à pesquisa de câncer, diagnóstico e vários programas relacionados ao câncer, a fim de ajudar as famílias que tem entes queridos sofrendo com a doença.





ANTHRAX TOCA “HEAVEN AND HELL” EM HOMENAGEM AO RONNIE JAMES DIO NA RÚSSIA

11 08 2010

Por: Raquel Hortmann
Fonte: Blabbermouth

Um fã do Anthrax filmou a banda fazendo um cover da canção “Heaven And Hell” do Black Sabbath, como um tributo ao lendário Ronnie James Dio.  O show em questão foi realizado no dia 5 de agosto, no clube “B1 Maximum”, Moscou, Rússia.

Confira abaixo o vídeo da performance:

Set list do show:

Caught In A Mosh
Got The Time (JOE JACKSON cover)
Madhouse
Be All, End All
Antisocial (TRUST cover)
Indians / Heaven And Hell (BLACK SABBATH cover) / Indians
Medusa
Only
Metal Thrashing Mad
N.F.L (Efilnikufesin)
Encore:
I Am The Law








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 62 other followers