
Por: Gabriel Gonçalves
Banda: Whitesnake
Álbum: Forevermore (2011)
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No próximo dia 29 será lançado “Forevermore”, o mais novo álbum do Whitesnake; entretanto, graças à internet, pudemos conferir o lançamento do trabalho com antecedência, e agora você ficará sabendo o que David Coverdale e cia aprontaram.
O disco começa com “Steal Your Heart Away”, que possui ótimo riff de guitarra guiado pelo slide. A voz de Coverdale entra, e a canção toma um clima dos primeiros trabalhos da banda, mais puxado para um Hard Rock Blues, obviamente com toques mais modernos. É visível a solidez da parceria entre Coverdale e os guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, juntos desde 2002. Entretanto a cozinha formada pelo baixista Michael Devin e pelo baterista Brian Tichy não deixa a peteca cair.
A segunda faixa, intitulada “All Out of Luck”, começa com um riff espacial e progride para um Hard bem interessante – tem horas que a voz de Coverdale lembra a do saudoso Steve Lee do Gotthard (tá, eu sei que o Steve Lee era influenciado por Coverdale, mas nesta canção o mestre parece com o pupilo, e não o contrário). Mais uma vez há uma mescla entre o antigo e o novo som do Whitesnake, resultando em algo muito bom. Isto vai ser lugar comum em toda a resenha, mas não se pode deixar de destacar a qualidade de Coverdale, ainda cantando muito, e da dupla de guitarras. Em seguida vem o single “Love Wil Set You Free”, cujo videoclipe já vem rodando por aí há algum tempo.
“Love Will Set You Free” é um bom Hard, e após escutar todo o álbum fica claro que foi uma boa escolha como primeiro single, pois dá uma geral no que é o Whitesnake: Hardão com pezinho no Blues, riffs porrada, refrões grudentos e a palavra “love” no título das canções. Aliás, tenho um amigo que já decretou: “se você não sabe alguma letra do Whitesnake, canta uns “love” e manda uns “baby”, que você está na direção certa”. Brincadeiras à parte, esta é mais uma boa canção de “Forevermore”.
A quarta faixa é uma semi Power Ballad. “Easier Said Than Done” traz Coverdale cantando limpo, com aquele velho teclado fazendo o clima da música, enquanto as guitarras fazem umas melodias dobradas. Como declarou o próprio Coverdale, o Whitesnake não é Whitesnake sem baladas, e esta aqui é bem legal. Nada de novo, mas é assim que a gente gosta! O peso volta com “Tell Me How”, mais um Hard de levantar defunto. O refrão é bem legal, com um backing vocal bem sacado (ao vivo deverá ficar do sensacional!). Excelentes solos também marcam presença nesta faixa, e Coverdale destrói com os argumentos de qualquer detrator de sua voz.
“I Need You (Shine a Light)”, a canção seguinte, possui um riff de introdução maravilhoso – algo meio Stones sob efeito de anabolizantes. A canção é um Hardão daqueles das antigas, da fase pré “Slide It In”. O refrão é muito bem sacado e gruda instantaneamente na cabeça. Esta música se tornou minha preferida no álbum. A próxima é uma balada até diferente das que o Whitesnake costuma fazer. “One of These Days” é baseada em progressões de acordes no violão, enquanto a bateria acompanha num ritmo bem retão e as guitarras fazem algumas intervenções aqui e ali. O trabalho de backing vocal mais uma vez é bem legal, chegando até a lembrar algumas bandas Pop dos anos 60, como Marmalade e similares. É uma canção boa de se escutar relaxando num domingo (gostei desta novidade num disco do Whitesnake)…
Mais um riff muito legal abre a faixa seguinte, “Love and Treat Me Right”. Voltamos com força àquele mix do “old and new Whitesnake”, desta vez pendendo um pouco mais para a fase recente. Não há muito que falar sobre esta faixa, a não ser que é mais uma a engrandecer o álbum. Seguindo em frente com “Dogs in The Street”, esta sim bem anos 80. Uma das mais velozes do CD inteiro, conta com as melodias bem sacadas de Coverdale, excelentes solos e um grande trabalho de bateria. A próxima é “Fare Thee Well”, mais uma balada. Ela começa com uns riffs no violão e ótima melodia de Coverdale, depois entra a bateria e a canção decola numa espécie de Country Rock Ballad. As melodias de guitarra dobrada caem como uma luva na música – a expressão aqui é “bom gosto”. Das três baladas, em minha opinião esta é a mais interessante.
Vamos chegando à parte final do álbum com “Whipping Boy Blues”, que começa com um riff bluesy – como era se esperar – enquanto Coverdale canta usando um efeito para distorcer a voz um pouco. Depois a canção vira um Hard bem pesado, e eu cheguei a sentir um clima de “Stormbringer”, mas pode ter sido impressão. A penúltima faixa da bolacha se chama “My Evil Way”, e começa com Brian Tichy espancando a pobre da bateria. A velocidade chega, e a canção se mostra um ótimo Hard – naquele mesmo esquema mezzo anos 70, mezzo anos 80 – com mais mudanças de dinâmicas do que normalmente ocorrem em músicas do Whitesnake. Talvez por ciúmes do solo de bateria na introdução, os guitarristas descem suas respectivas mãos nos solos, o que melhora ainda mais a faixa. Para concluir o disco, a canção que dá nome ao trabalho. “Forevermore” é a maior música do CD, com quase 7 minutos e meio, e começa uma balada, com dedilhado no violão e teclado sustentando o clima, enquanto Coverdale canta como sempre. Depois que atinge os três minutos e 10 segundos, a música vira um Hardão com andamento a la “Kashmir” do Zeppelin, e aí vêm os solos de guitarra que, para usar um termo técnico, arregaçam! Ela não chega a ser uma balada, mas passa perto. “Forevermore” fecha o disco muito bem, após 1h04 (aproximadamente) de audição.
Vamos ao checklist de um bom álbum do Whitesnake: trabalho de guitarras irrepreensível, checado; vocal potente e cheio de feeling, checado; baladas, checado; Hardão com pitadas de Blues, checado; “love’s” e “baby’s” a torto e a direito, checado. Veja bem, “Forevermore” não irá mudar o mundo, mas dane-se – eu fico muito feliz com um disco que apenas torne melhor este mundo que já existe.
Longa vida ao Whitesnake!
PS: Alguém mais percebeu que na capa há três cabeças de cobra, mas quatro caudas? Se levarmos em conta que a cobra de baixo está com mais uma cauda na boca, somam-se cinco caudas – que loucura…











