
Por: Roberto A.
Hello Guys! Terça de carnaval, que horror! Temos que organizar logo uma campanha pra banir essa imbecil manifestação popular de Brasil – a morfina do povo! Alguém esclareça pra gente, o que isso de fato acrescenta de bom na vida das pessoas, e no destino do nosso País? O saldo é mais do que conhecido: acidentes nas rodovias, overdoses, coma alcoólico, sexo sem responsabilidade, mas é aquilo, né? Circo pro povo, pra que se esqueçam das questões que realmente importam no momento, como por exemplo, esse ridículo aumento no salário mínimo, ou a soberba verba mensal disponível pra gabinetes que os representantes nossos no senado tem direito. Tudo muito justo e transparente, é claro. Como diria Raulizito: “Viva! Viva!”
Enquanto muitas cidades pelo Brasil se acabam com as chuvas, tem as ruas totalmente esburacadas; enquanto as crianças não têm merendas nas escolas, o povo se esbalda no samba, na cachaça, na cocaína, na folia – como diria meu idolatrado Lobão: “Isso é Brasil, Cuidado!”
Vamos nós ao que estamos aqui pra fazer. Avaliar os hypes de sempre, por exemplo, essa união dos irmãos Cavalera, que deveria em tese acrescentar substância à música pesada, mas que pouquíssima coisa acrescenta no cenário – infelizmente, já que o momento está extremamente efervescente pro estilo (em algumas de nossas sugestões mostramos aos leitores o bom Omnium Gatherum, que apresentamos na semana passada).
Cavalera Conspiracy – Blunt Force Trauma (2011)
Clique aqui para baixar o CD.
Tanto o Sepultura, quanto o Tio Max (Mendigo) Cavalera perderam com a separação em 1996, ano do lançamento do maior clássico deles, um dos maiores petardos da música pesada já lançado: “Roots”. Alguns leitores poderão argumentar que preferem “Chaos A.D.”, ou “Arise”, mas em nível de mundo, “Roots” é considerado o principal trabalho do Sepultura. No saldo final da coisa, Max talvez tenha lançado trampos mais interessantes (com o Soulfly, por exemplo – o mais recente trabalho é animal) do que os da banda de origem, que se perdeu num mix Hardcore e composições aquém das expectativas. Igor, depois de vários anos voltou às boas com o irmão, e muito se esperou desse trabalho dos dois, o Cavalera Conspiracy, cujo primeiro CD foi um bom lançamento – ainda que possam ir bem mais longe -, contudo não é com este segundo disco que conseguiram isso. “Warlord” começa com a batida tribal clichê de Metal de sempre, mas o som carece de pureza, é meio abafado num todo (o disco). Os pratos não soam tão bem… Essa primeira faixa parece com tudo que Max tem feito em suas inúmeras bandas: berros, refrãozinho acelerado, mas nem um pouco convincente e não mostra potencial. “Torture” inicia com uma distorção “torturante”, cria expectativa, mas cai no marasmo, num arranjo mal resolvido, enquanto o solo “wah” que acontece não combina muito bem com a harmonia, que parece concebida por bandas iniciantes no estilo: estruturas “bate-cabeças” meio sem nexo… Falta profundidade (confiram). “Lynch Mob” é praticamente uma continuação da anterior e pouco acrescenta no todo. “Killing Inside”, a posterior, começa com Max sussurrando em cima de base abafada, e parece a ponto de explodir – o que acontece, se tornando um momento interessante, mas fica a impressão de que algo falta no mix. Ouçam e comentem. Fico constrangido em comentar algo como “Trasher”, por isso passo para “I Speak Hate” onde um elemento pouco usado pelos irmãos é inserido: melodia. Ficou ok em princípio (talvez a grande surpresa do disco, ainda que uma melhor mixagem faça falta, bem como um refrão que funcione). Em “Target”, aproveite para preparar um café, pois não vai perder muita coisa. “Genhis Khan” traz alguma dignidade à bolacha, com uma pegada bacana, distorção interessante e sons orientais embutidos, sendo um pouco mais trabalhada que as demais faixas (talvez a com mais potencial do CD). “Burn Waco” tem um começo EXATAMENTE igual à “Sepulnation”, som do Sepultura. Paro por aqui com o disco. Max se perdeu nos projetos. O Soulfly tinha uma identidade e o Sepultura também, mas agora, ouvindo os trampos do cara, não sabemos o que é Soulfly e o que é Cavalera – se fundiram. Ele não soube fazer algo característico para cada banda. O lance agora pro Max é parar, refletir, procurar um bom dentista, comprar umas camisetas novas e seguir em frente.
Maria Gadú
Clique aqui para baixar o CD (em Torrent).
Então bicho, esta é a multi platinada adorada cantora da nossa nova MPB, indicada ao Grammy Latino. Ok, eu já desconfiava e agora comprovei: não há absolutamente nada que justifique esse Hype em cima dela – Caetano abraçando já dava ter idéia, né? Pois bem, ouvindo aqui não notei nada de assombroso no talento da menina, que possui uma voz comum, composições até corretinhas, mas nada que Adriana Calcanhoto (por exemplo) já não tenha feito brilhantemente melhor. É aquilo que falamos: tem que fugir do hype, sem dúvida. Vá ouvir Maria Rita que é muito mais jogo, ou melhor, pegue alguns CD’s antigos da Gal ou da Elis pra melhor proveito de seu ouvido. Mas vá lá, vamos conferir juntos algumas músicas dela. “Shimbalaiê” você já deve ter ouvido em alguma sala de espera de dentista, ou durante algum congestionamento em horário de rush, acompanhe: “Quanto tempo leva pra aprender que uma flor tem vida ao nascer/Essa flor brilhando à luz do sol/Pescador entre o mar e o anzol”. Acho que Milton não regravaria essa… Certo, vamos então dar uma sacada em “Escudos”, singela musiquinha, que diz: “Nada que tu traga vai me apetecer/Sinistro parece que a gente se deu ao desfrute de nada/Tua tanga na manga do mágico falso/Tuas mãos na cartola, teu corpo no palco”. Bicho, o que rola? Todos estão surdos, ou Caê surtou de vez a ponto de excursionar com essa figura? Escutem “Ne Me Quitte Pas”, e coloquem suas impressões comentando. Fico por aqui com Gadú.
Seguem abaixo as nossas costumeiras questões/considerações/debates finais, de sempre:
- Kiss ou Secos e Molhados
Afinal, idolatrados leitores, quem copiou quem no lance das maquiagens? O que vocês acham, e mais: qual das bandas em vossas opiniões tem o trabalho mais interessante?
- Oscar
Na opinião de vocês, cultos leitores, há ainda algum sentido na existência dessa bizarra cerimônia? Será que não são cartas marcadas?
- A Melhor Coreografia de Thom Yorque
Estimados leitores, me ajudem a escolher qual é a melhor das coreografias do freak, baseadas no clipe de “Lotus Flower” – são variações ainda mais interessantes que a original. Aqui estão:
É o que há!
Como mensagem de esperança pra esta semana carnavalesca, deixo isto: “Façamos parte do ridículo, e de boa…”
ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX
