
Fonte: Epiphone website
O website da “Epiphone” recentemente conduziu uma entrevista com o lendário Slash, o homem por trás das guitarras do Guns n’ Roses e Velvet Revolver, e que lançou seu primeiro álbum solo neste ano. No bate papo, Slash fala sobre guitarras, influências, inspirações, dentre outros assuntos.
Confira a entrevista na íntegra, em português, com exclusividade no Imprensa Rocker!
Slash é inconfundível. Mesmo as pessoas que tipicamente não conheceria sua música reconhecem a face do homem que encarnou tudo que seja Rock n’ Roll, desde que apareceu na cena em meados dos anos 80. Recentemente tivemos a oportunidade de conversar com Slash sobre sua carreira, seu novo CD e o novo modelo da guitarra “Epiphone Les Paul Standard Appetite”.
Nos fale sobre suas primeiras influências. Houveram guitarristas específicos que te inspiraram à tocar guitarra?
Alguns dos guitarristas que me inspiraram foram John Lee, Jeff Beck, Jimmy Page, os caras do Aerosmith, Eric Clapton, Rick Nielsen do Cheap Trick e Ted Nugent.
Há algum novo guitarrista que te inspire hoje?
Os guitarristas que inspiram hoje são basicamente os mesmo que me inspiraram quando eu comecei. Isto não mudou, mas acho que Tom Morello, Jack White e Jerry Cantrell são ótimos e uns dos guitarristas mais inspiradores que apareceram nos últimos 20 anos.
Quanto da sua criatividade você atribuiria ao fato de ter pais que foram designers?
Ambos meus pais tiveram muita influência em mim, porque eles me criaram com músicas realmente boas… Então isto definitivamente teve alguma influência em mim.
Então eles te encorajaram a ser artista?
Todos os membros da minha família são muito criativos, e acho que isto tem muito a ver com fato de eu ter ido em direção da arte, ao invés de ser um advogado ou coisas do tipo. Eles também me apoiaram muito quando comecei a tocar guitarra.
Você tem sido associado com a “Les Paul” ao longo de toda a sua carreira. Houve alguma vez em que você tocou com outra guitarra?
Minha primeira guitarra foi uma cópia da “Les Paul”, então fui levado a “Les Paul” desde o início. Eu tive uma época de experimentações com diferentes guitarras, mas sempre voltava para a “Les Paul”. É quase como se a “Les Paul” tivesse me escolhido. Tem muito a ver com o peso da guitarra, o visual e, obviamente e mais importante, o som da guitarra.
Nos fale sobre a versão da da “Epiphone” para a “Les Paul Appetite for Desctruction”. O quanto você participou do desenvolvimento da “Epiphone AFD”?
A “Epiphone” é projetada idêntica a “Gibson Les Paul”, então estive envolvido com ela desde o início.
E como você acha que ela ficou?
É um instrumento de muita qualidade… Os componentes são de qualidade, a Madeira é de qualidade, tudo nela é muito bom, e também tem um preço razoável. Não tenho como enfatizar o quão boa ela é tanto para uma pessoa que está pegando numa guitarra pela primeira vez, quanto para alguém que toca profissionalmente no mais alto nível. Então realmente é um instrumento que recomendo. Todo o “hardware” dela foi escolhido por mim, os captadores são o modelo “Slash” da “Seymour Duncan” e a guitarra em si é uma réplica da minha guitarra de gravação preferida, que tenho usado desde 1987.
Recentemente eu peguei uma cópia do seu CD, e não estou puxando o saco quando digo isto, mas ele não saiu do meu CD player desde então. Ótimas canções, ótimos vocais e, é claro, ótimas guitarras. Eu adorei o solo em “Dr. Álibi”. Ele está cheio do feeling e da vibração de Slash, que fazem os guitarristas quererem ter sido eles que a tocaram. Qual foi sua abordagem nos solos deste álbum? Foram improvisados ou você trabalha nele antes?
Eu não escrevo solos, por assim dizer… Escrevo a canção e quando chega na parte do solo, eu improviso. Geralmente o que acontece é que surge uma idéia por instinto durante o primeiro take, que estrutura todo o solo… E apenas vou por aí. Se eu realmente preciso consertar uma nota por causa de uma melodia ou algo do tipo, faço mais alguns takes e incorporo a nota dentro da idéia original.
Cada canção do CD combina perfeitamente com o vocalista que a canta. Como foi seu processo? Você escreveu as canções com certos vocalistas em mente ou as escreveu e então tentou combinar com o vocalista?
Não sabia quem iria cantar no disco até escrever as músicas. Como a canção com Ozzy… Quando comecei a escrever esta canção, sabia que Ozzy seria a pessoa perfeita para cantá-la, e nunca pensei em nenhum outro para cantar nela. Então em cada música do álbum, apenas escutava a canção e pensava, “quem soaria bem cantando esta?”… E foi como as decisões foram tomadas.
Minha filha de 15 anos, que até há alguns meses não tinha idéia de quem você era, recentemente tem me perguntado coisas do tipo, “sabe aquele guitarrista que fez uma canção com Adam Levine?”… Claro que, na idade dela, ela sabe quem Adam Levine é, mas agora mostrei a ela seu trabalho com o Guns, com o Velvet e seu CD solo. Você está encontrando um público mais amplo desde que trabalhou com uma vasta gama de vocalistas neste projeto?
Estou na estrada e ainda não tive a oportunidade de ver as respostas diretas para o álbum como um todo, além do público nos shows… Então isto é bem difícil de saber, mas imagino que o disco tenha ampliado um pouco o público.
E falando em filhos, eu sei que seus garotos ainda sao bem novos, mas algum deles já mostrou algum interessem tocar guitarra?
Na verdade, não, fora ficarem tocando suas pequenas guitarras elétricas pela casa… Mas mostrar um interesse musical pela guitarra, não. Um deles gosta do piano, entretanto.
Se a música não tivesse e escolhido, o que você acha que estaria fazendo?
Se não estivesse tocando guitarra, definitivamente estaria fazendo alguma coisa com ilustrações.
Quando eu estava crescendo, haviam alguns ícones da guitarra que me inspiraram, como guitarrista. Então os anos 90 chegaram e não haviam tantos. Você tem sido uma constante e um dos poucos caras que ainda fazem a guitarra parecer legal. Eu conheço guitarristas, alguns com 50 anos e outros com 20, cujos olhos brilham quando seu nome é citado. Como você se sente em ser uma inspiração para um amplo grupo de guitarristas?
Quando você diz algo assim, fico muito lisonjeado; e as pessoas aparecem e me lembram disto de vez em quando – que eu tenho influência em jovens guitarristas… Mas sou tão inseguro como um guitarrista, que foi muito duro me aceitar como alguém influente. Eu ainda estou tentando de verdade melhorar como guitarrista, então é bem difícil para mim dizer que tenho algum impacto sobre outros guitarristas, porque ainda estou tentando encontrar meu nível próprio como músico.
Obrigado por nos ceder seu tempo. E para finalizar, nos diga uma coisa sobre você, fora dos palcos, que as pessoas podem ficar surpresas em saber. O que você faz para ter um descanso da música?
Eu vou a zoológicos e museus… É o que eu faço em meu tempo livre. Vou para museus de história natural e vou para zoológicos.