FUJA DO HYPE – 5ª EDIÇÃO

8 03 2011

Por: Roberto A.

Hello Guys! Terça de carnaval, que horror! Temos que organizar logo uma campanha pra banir essa imbecil manifestação popular de Brasil – a morfina do povo! Alguém esclareça pra gente, o que isso de fato acrescenta de bom na vida das pessoas, e no destino do nosso País? O saldo é mais do que conhecido: acidentes nas rodovias, overdoses, coma alcoólico, sexo sem responsabilidade, mas é aquilo, né? Circo pro povo, pra que se esqueçam das questões que realmente importam no momento, como por exemplo, esse ridículo aumento no salário mínimo, ou a soberba verba mensal disponível pra gabinetes que os representantes nossos no senado tem direito. Tudo muito justo e transparente, é claro. Como diria Raulizito: “Viva! Viva!”

Enquanto muitas cidades pelo Brasil se acabam com as chuvas, tem as ruas totalmente esburacadas; enquanto as crianças não têm merendas nas escolas, o povo se esbalda no samba, na cachaça, na cocaína, na folia – como diria meu idolatrado Lobão: “Isso é Brasil, Cuidado!”

Vamos nós ao que estamos aqui pra fazer. Avaliar os hypes de sempre, por exemplo, essa união dos irmãos Cavalera, que deveria em tese acrescentar substância à música pesada, mas que pouquíssima coisa acrescenta no cenário – infelizmente, já que o momento está extremamente efervescente pro estilo (em algumas de nossas sugestões mostramos aos leitores o bom Omnium Gatherum, que apresentamos na semana passada).

Cavalera Conspiracy – Blunt Force Trauma (2011)
Clique aqui para baixar o CD.

Tanto o Sepultura, quanto o Tio Max (Mendigo) Cavalera perderam com a separação em 1996, ano do lançamento do maior clássico deles, um dos maiores petardos da música pesada já lançado: “Roots”. Alguns leitores poderão argumentar que preferem “Chaos A.D.”, ou “Arise”, mas em nível de mundo, “Roots” é considerado o principal trabalho do Sepultura. No saldo final da coisa, Max talvez tenha lançado trampos mais interessantes (com o Soulfly, por exemplo – o mais recente trabalho é animal) do que os da banda de origem, que se perdeu num mix Hardcore e composições aquém das expectativas. Igor, depois de vários anos voltou às boas com o irmão, e muito se esperou desse trabalho dos dois, o Cavalera Conspiracy, cujo primeiro CD foi um bom lançamento – ainda que possam ir bem mais longe -, contudo não é com este segundo disco que conseguiram isso. “Warlord” começa com a batida tribal clichê de Metal de sempre, mas o som carece de pureza, é meio abafado num todo (o disco). Os pratos não soam tão bem… Essa primeira faixa parece com tudo que Max tem feito em suas inúmeras bandas: berros, refrãozinho acelerado, mas nem um pouco convincente e não mostra potencial. “Torture” inicia com uma distorção “torturante”, cria expectativa, mas cai no marasmo, num arranjo mal resolvido, enquanto o solo “wah” que acontece não combina muito bem com a harmonia, que parece concebida por bandas iniciantes no estilo: estruturas “bate-cabeças”  meio sem nexo… Falta profundidade (confiram). “Lynch Mob” é praticamente uma continuação da anterior e pouco acrescenta no todo. “Killing Inside”, a posterior, começa com Max sussurrando em cima de base abafada, e parece a ponto de explodir – o que acontece, se tornando um momento interessante, mas fica a impressão de que algo falta no mix. Ouçam e comentem. Fico constrangido em comentar algo como “Trasher”, por isso passo para “I Speak Hate” onde um elemento pouco usado pelos irmãos é inserido: melodia. Ficou ok em princípio (talvez a grande surpresa do disco, ainda que uma melhor mixagem faça falta, bem como um refrão que funcione). Em “Target”, aproveite para preparar um café, pois não vai perder muita coisa. “Genhis Khan” traz alguma dignidade à bolacha, com uma pegada bacana, distorção interessante e sons orientais embutidos, sendo um pouco mais trabalhada que as demais faixas (talvez a com mais potencial do CD). “Burn Waco” tem um começo EXATAMENTE igual à “Sepulnation”, som do Sepultura. Paro por aqui com o disco. Max se perdeu nos projetos. O Soulfly tinha uma identidade e o Sepultura também, mas agora, ouvindo os trampos do cara, não sabemos o que é Soulfly e o que é Cavalera – se fundiram. Ele não soube fazer algo característico para cada banda. O lance agora pro Max é parar, refletir, procurar um bom dentista, comprar umas camisetas novas e seguir em frente.

Maria Gadú
Clique aqui para baixar o CD (em Torrent).
 
Então bicho, esta é a multi platinada adorada cantora da nossa nova MPB, indicada ao Grammy Latino. Ok, eu já desconfiava e agora comprovei: não há absolutamente nada que justifique esse Hype em cima dela – Caetano abraçando já dava ter idéia, né? Pois bem, ouvindo aqui não notei nada de assombroso no talento da menina, que possui uma voz comum, composições até corretinhas, mas nada que Adriana Calcanhoto (por exemplo) já não tenha feito brilhantemente melhor. É aquilo que falamos: tem que fugir do hype, sem dúvida. Vá ouvir Maria Rita que é muito mais jogo, ou melhor, pegue alguns CD’s antigos da Gal ou da Elis pra melhor proveito de seu ouvido. Mas vá lá, vamos conferir juntos algumas músicas dela. “Shimbalaiê” você já deve ter ouvido em alguma sala de espera de dentista, ou durante algum congestionamento em horário de rush, acompanhe: “Quanto tempo leva pra aprender que uma flor tem vida ao nascer/Essa flor brilhando à luz do sol/Pescador entre o mar e o anzol”. Acho que Milton não regravaria essa… Certo, vamos então dar uma sacada em “Escudos”, singela musiquinha, que diz: “Nada que tu traga vai me apetecer/Sinistro parece que a gente se deu ao desfrute de nada/Tua tanga na manga do mágico falso/Tuas mãos na cartola, teu corpo no palco”. Bicho, o que rola? Todos estão surdos, ou Caê surtou de vez a ponto de excursionar com essa figura? Escutem “Ne Me Quitte Pas”, e coloquem suas impressões comentando. Fico por aqui com Gadú.

Link complementar

Seguem abaixo as nossas costumeiras questões/considerações/debates finais, de sempre:

- Kiss ou Secos e Molhados
Afinal, idolatrados leitores, quem copiou quem no lance das maquiagens? O que vocês acham, e mais: qual das bandas em vossas opiniões tem o trabalho mais interessante?

- Oscar 
Na opinião de vocês, cultos leitores, há ainda algum sentido na existência dessa bizarra cerimônia? Será que não são cartas marcadas?

- A Melhor Coreografia de Thom Yorque
Estimados leitores, me ajudem a escolher qual é a melhor das coreografias do freak, baseadas no clipe de “Lotus Flower” – são variações ainda mais interessantes que a original. Aqui estão:

É o que há!
Como mensagem de esperança pra esta semana carnavalesca, deixo isto: “Façamos parte do ridículo, e de boa…”
 

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FUJA DO HYPE – 4ª EDIÇÃO

28 02 2011

Por: Roberto A.

Olá bravos leitores deste blog da sonzeira, do drive no talo! Lá vamos nós para uma das seções mais aguardadas deste sítio ímpar. Música é apenas um dos assuntos tratados em nosso post; vamos polemizando, colocando pingos nos is, inserindo questões diversas no ar e principalmente, provocando o debate de idéias e questionamentos variados sobre o que a temível mídia, seja ela, escrita, televisiva, ou seja qual for, está nos apresentando como bom, ou relevante – as vezes como incrível, de outro mundo. Mas insisto que para que o lance prospere e dê frutos, é necessário que vocês, adorados leitores, coloquem suas opiniões online – não apenas sobre um ou outro assunto do post, mas como um todo – pra que possamos ter um feedback justo, fechado? Here We Go!

Enquanto a revista Veja, recentemente, teve a manha de colocar o casal modelo Luciano Huck e Angélica na Capa, nosso congresso nacional está apresentando sua nova (velha) cara. Vejamos: dos 513 deputados da câmara, somente 36 deles se elegeram via voto. Os demais ganharam devido as legendas, bacana não acham?

Cientistas políticos são unânimes em afirmar que atualmente no congresso não existem nomes de envergadura (moral) nacional, a maioria só está lá por causa do próprio umbigo, ainda que isso não seja necessário ouvir de cientistas, ok. Pelo menos temos que concordar com a Marta Suplicy, de que a cor que cai bem nas loiras é rosa, beleuza… E se Tiririca, que se diz “perdidão” por lá, ainda não achou sua viés no congresso, por certo encontrará.

Seguindo adiante. O Beady Eye esteve com seu trabalho bastante aguardado por ser tratar dos mesmos caras do extinto Oasis, um dos principais expoentes Pop dos anos 90, sim Pop. Rock eles até fizeram um ou outro, mas são desde sempre uma banda Pop. Só faltou a esta nova banda o principal compositor da Oasis, Noel, rs. Muito, por tão pouco. Mesmo que nosso leitor Helton tenha achado bacana a sonoridade “vintage” de algumas músicas vazadas, e nosso editor Gabriel supôs que a banda seria até mais interessante que o Oasis, nenhum dos dois estavam certos. O trabalho é fraco, muito aquém do que se esperaria de caras dessa envergadura (ou “cara”, pois os demais, apesar de músicos bons, não fazem tanta diferença assim). Vamos à bolacha:

Beady Eye: Different Gear, Still Speeding (2011)
Clique aqui para baixar o CD.

O disco começa com “Four Letter World”. Timbres envelhecidos não escondem a pouca criatividade da música, rapidinha, pegadinha Pop, onde a letra brada mais ou menos isto: “É sobre o tempo/Que sua mente tirou férias/Você está crescido/Você nunca quer jogar?”. Tema aborrecente pra quem já passou dos quarenta mas, em resumo, a faixa não convence – até ensaia uma certa urgência, mas nem cola. “Millionaire”, a segundinha, emula algo Blues, pega leve. Com mais melodia sutíl, seria uma boa sobra de estúdio. Vocal meio enjoadinho quando chega nesta parte: “Uma medalha comigo e você vai mexer com você mesmo/Pois há uma maior riqueza/Ame-os como um milionário/Medalhas em seus trapos de premonição. Você só precisa conhecer a si mesmo/E amá-los como um milionário”. Nem a guitarra steel bem timbrada salva a faixa. Na próxima, homenagem dá vez à cara de pau. Lennon ressuscitou! Reparem o vocal. Só rindo. Pianão jóia, poderia estar no CD “Imagine”, mas somente se estivesse à altura – mas não está. Ainda assim tem algum apelo a tal da “The Roller”, nada estupendo, mas razoável. Ainda não vou implicar com a falta de personalidade da banda. Passemos à quarta, “Wind Up Dream”, que tenta soar como Beatles, e em alguns segundos até consegue, mas tem algo de Stones no som também. Liam sugere poesia nesta medida: “É apenas um sonho serpenteado/Então não me acorde/Porque eu gosto do que vejo/Com os olhos fechados”. Uma gaitinha dá o toque especial no fim das contas. Na quinta, dá pra notar um probleminha na masterização do disco, ela soa mais alta que as anteriores, e se chama “Bring The Light”. Chata e inofensiva, estilo “Rock N’ Roll Star” do Oasis – rapidinha, mas sem melodia ou harmonia que convençam. A letra? Repare: “Estou chegando/Você está saindo/Estou subindo/Você está descendo”. Noel vai se divertir com isto. “For Anyone” seria uma vinheta ou música, fico na dúvida. Violões limpos e bem gravados, mas carece maior produção e melodia, mas chega a ser fofa sim: palminhas, vocal doce, vai agradar alguns. A que vem depois, “Kill for a Dream”, é o melhor resultado que se tem no disco, na minha opinião, e por um motivo simples: é a que mais soa como Oasis. Bonita balada. “Standing on the Edge of The Noise” busca inspiração em “Revolution” dos Beatles, concorda Gabriel? Fico nesse comentário – faixa fraca. “Wigwam” é outra que lembra o que o Oasis fazia de melhor:  baladas Pop, lenta, agradável aos ouvidos, ainda que não grude, muito menos impressione tanto. Eu destacaria as guitarras limpas dessa. “Three Ring Circus” abusa da tentativa de soar Beatles – quanta falta de originalidade! Acho que inspiração é uma coisa, tentar copiar é outra. Paro na “The Beat Goes On”, boa balada… Pra mim chega de Beady Eye. Se fosse um disco de uma banda iniciante, até colaria, mas vindo de caras tão experientes, e gerando tamanha expectativa, tenho de ser franco e dizer que fica pra próxima – não é um disco que se espere deles. Punto e basta!

Capital Inicial: Das Kapital
Clique aqui para baixar o CD.

O que fico indignado com estes caras é que fui muito fã deles em sua primeira e melhor fase. Bons discos, boas músicas, bons shows e, de repente, vê-los agora nesse pastiche Pop Rock em que eles se transformaram fica complicado. Desde o acústico eles vêm com a fórmula fácil de sair com um cover pra começar os trabalhos dos discos, vide “Primeiros Erros”, ou “A Sua Maneira”, só pra citar dois exemplos. Eles vêm apresentando Rockinhos cretinos, com parcas notas, arranjos simplórios, letras sem nexo nem urgência. Poderiam desenvolver um trabalho muito mais elaborado, mas se pra eles está bom, quem sou eu pra contestar… Assim eles têm espaço garantido no “Festival de Verão De Salvador”, e em todos mega-shows Pop que rolam pelo Brasil. Como diria a Plebe Rude, conterrânea deles: “grana vale mais que a dignidade”. Ok. Esperava que o acidente com o Dinho colocasse uma pimenta extra na mistura, e munido da maior boa vontade, fui ouvir o CD, sobre o qual eles comentavam que finalmente conseguiram capturar a sonoridade ao vivo que têm. Começa com “Ressurreição”, Rockinho sem riscos, magrinho, em que colocam uns “wah” a la Charlie Brown, mas disfarçam com umas distorções mais sérias, pra dar algum crédito. Ela vai mais ou menos assim: “Carros passam dizendo sim/O sinal gritando não/Deve ser isso que chamam de ressurreição”. Bicho, é pra levar a sério? Tá bem! Seguimos com um Pop Rock descartável, “Depois da Meia Noite”, com distorçãozinha até viril, onde Dinho diz o óbvio, que “o mundo perfeito nunca vai existir”, e vai além: “depois da meia noite nós acendemos as luzes da cidade”. Certo. Respiro fundo, e passo pra próxima, “Como Se Sente”, em que eles mostram sua mensagem de que “a vida ensina”. Procuro apenas sentir aquilo que estou ouvindo, e não fica claro o que é isto… Mas que solinho tosqueira – fazer o que!? Dinho diz nessa que “não tem nada a provar”. Ok. “Eu Quero Ser Como Você” traz um pianão de pano de fundo, belo clima, e assume a veia Pop deles sem traumas – acompanhem comigo: “Eu quero ver o que você vê”. É possível compreender o que Renato Russo tentava dizer, quando dizia que “pra tocar em festivais existe o Capital Inicial”, em músicas como “A Menina Que Não Tem Nada”. Fica evidente a falta de noção dos rapazes em termos de composição – uma música totalmente insípida e dispensável. É de se lamentar realmente… Músicos bons, vocalista carismático, e criarem um CD tão broxante como este. “Não Sei Porque”,  é a última faixa que arrisco ouvir. Balada interessante, mas que seria mais aproveitada por um Jota Quest da vida, Dinho dá a dica: “de todos os desastres, eu escolhi você, e eu não sei porque”. Parei por aqui. Fica evidente o motivo que os caras tem tantas versões de clássicos no repertório deles, vide “Passageiro”, por exemplo. Dia 26, a trupe estará por aqui em Cuiabá, onde moro, se apresentando numa balada junto à Cindy Lauper. Estão convidados?

Segue abaixo, as nossas costumeiras questões/considerações/debates finais, de sempre:

Você leu primeiro no “Fuja do Hype”
Billboard Brasil, fevereiro, página 70: “Pearl Jam: Live On Ten Legs”… Outro? Pergunta inevitável para uma banda que já lançou uma série de 72 discos ao vivo registrando uma única turnê (Binaural). Você já havia lido isso no “Fuja no Hype” do dia 14 de fevereiro, onde eu mencionei sobre esse fato. Mais um CD ao vivo do Pearl Jam.

Você leu primeiro no “Fuja do Hype – 2ª Edição”
Sobre a tour do Pearl Jam no Brasil, eu também já havia mencionado na edição 3 do “Fuja do Hype”

Você leu primeiro no “Fuja do Hype – 3ª Edição”
Na IstoÉ do dia 16 de fevereiro, o colunista Ivan Cláudio afirma que o CD “This is Happening”, do LCD Soundsystem, é um dos melhores de 2010, e que o líder da trupe, Murphy, foi responsável por injetar Rock no som dance. Discordamos de ambas as afirmações, e vocês podem conferir o por quê na edição 2 do “Fuja do Hype”, postado no dia 31 de janeiro.

Mais animações sobre o Rio
Segundo o produtor do desenho “Rio”, Carlos Saldanha: “Animações passadas no Rio são raras”, e isso justifica sua produção recente. Não bastasse já estar em cartaz o tal do Brasil Animado em 3d nos cinemas. Vocês concordam leitores? Eu acho que o desenho animado antigão do Zé Carioca, em praias cariocas, mais do que suficiente.

O despejo do gênio
Esta é simplesmente espetacular, caros. Vocês sabiam que o idolatrado (com méritos, óbvio) chatonildo João Gilberto está sendo despejado do apê que ele aluga há muito anos? Sim, está. O sujeito não permitia a proprietária do imóvel entrar para dar uma olhada no estado das coisas, e gentilmente está sendo convidado a se retirar. Quem sabe assim ele deixe um pouco a chatice de lado e produza mais com seu banquinho e seu violão.

No mais é isso folks! Qualquer dúvida, ou sugestões, me enviem um mail (robertoauad@gmail.com), e nunca se esqueçam que, no menor sinal de dúvida: FUJA DO HYPE!
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FUJA DO HYPE – 2ª EDIÇÃO

31 01 2011

Por: Roberto A.

Hi There! Vamos para mais uma edição da nova coluna do blog roqueiro mais bacana da web: o IMPRENSA ROCKER. Tivemos uma boa repercussão e retorno em nossa primeira edição, e embora tenhamos sido acusados de querer ser “hype” com a coluna, não é nada disso – queremos apenas debater com os leitores sobre o que a mídia nos oferece como a última uva do cacho, a melhor banda de todos os tempos da última semana, os melhores filmes do ano, e assim por diante.

O cenário musical para 2011 revela-se promissor em diversos estilos. Há a possibilidade de boas surpresas para o mundo Metal, quando consideramos que o Megadeth está compondo um novo disco, sem contar o show que o Metallica fará no “Rock in Rio”, que possivelmente vai virar um DVD ao vivo – inovar no set-list é algo mais do que necessário pra eles, todavia entretanto. Iron Maiden de volta à terra brasilis também é um lance ok. Grandes shows virão deste que, para mim, é o melhor CD deles em muitíssimo tempo – foda a bolacha nova dos caras. Para o mundo alternativo, The Strokes, contrariando as previsões que fossem apenas hype, vem trazendo um novo CD. Banda legal, que ainda vale acreditar. Outra banda em que ando acreditando é o Stone Sour: peso, melodia e boas músicas; vieram com um puta disco, que será resenhado em breve. Do lado do Rock brazuca, o RPM está novamente na ativa, prometendo um discaço, que segundo Luís Schiavon, terá influências de The Killers e Muse (ô loco meu) – só pode gerar expectativas. Pode dizer o que quiser das caras e bocas do Paulo Ricardo, das briguinhas públicas deles, mas o fato é que a rapeize foi o maior fenômeno no país, quando se fala em Rock N’ Roll com shows espetaculares. Erraram? Sim, muito; mas um novo disco será muito bem vindo.

Agora vamos conferir mais discos que a grande mídia nos coloca como o que melhor vem acontecendo no mundo musical, para nos certificarmos se há algum sentido nessa festa da falta de bom senso crítico. É recomendado que o caro leitor baixe o CD anteriormente à leitura das resenhas… E estourar um pouco de pipoca também.

Vamos lá.

LCD Soundsystem – This is Happening
Clique aqui para baixar.

Também nas listagens dos melhores de todos os tempos das últimas semanas, este disco merece uma detalhada averiguação. “Dance Yrself Clean” é a primeira faixa. Começa num style macumba-reveilon, umas batidinhas nada a ver, com um tecladão grave marcando e o vocal insípido vindo depois. Som estranho, e muito! A melodia que entra dobrada no vocal é algo sinistro. A letra? Algo tipo assim “muderninho”: “Aceitar presentes da empresa/Atualmente todos nós esperamos o pior/Funciona como uma necessidade”, Chique hein? A voz emula um Byrne, do Talkin Heads, em colapso mental. Bicho, que som frouxo, sem graça e sem sal! “Drunk Girls” começa de cara alegrinha, depois cai no marasmo. Numa tentativa de soar como alguma coisa, soa como nada – acompanhem comigo: “(Meninas bêbadas) recebem convites das nações/(Meninos bêbados) têm uma paciência de milhões de santos/(Meninos bêbados) roubam, roubam os armários/(Meninas bêbadas) gostam de registrar queixas”. Desafio qualquer um ouvir a faixa toda. Ok, vamos pra próxima, “One Touch” – sugestivo nome. Em princípio gostei, por achar que a faixa fosse instrumental, mas ledo engano; a chatisse vocal logo aparece, num som que muito de longe lembra Depeche Mode, em sua pior fase. Leitores, esta “música” é uma enrolação total. Saca encher linguiça? Pior que isso. O que achei interessante é que o próprio artista assume a mediocridade da música: “Eu não acho que vamos estar satisfeitos com isto/Esperamos por muito tempo/Lembro-me das promessas feitas a nós/Temos sido pacientes por um longo tempo”. Haja paciência! “All I Want” vem na sequência, com uma bateriazinha sem riscos, guitarrinha blasé, e até que rola um climinha bacaninha, propícia pra filas de espera. Aliás muito New Order a guitarrinha (fase “Low Life”). Liricamente rola mais ou menos isto: “Espere pelo dia em que você chegará em casa do parque solitário/Procure pela garota que lidou com toda a sua merda/Você nunca precisou de alguém por tanto tempo”. Inspiração para os romances modernos, funcionaria bem numa maternidade. Pessoal, é rir pra não chorar – e conseguir ir pra próxima: “I Can Change”, título bem sugestivo, né não? É um sonzinho bom pra quando você for ao banheiro, pra ajudar no lance. Nesta rolam uns ruidozinhos eletrônicos, e o poeta manda isto: “Acenda a luz/Facilite para mim/Preencha a divisão/Errando na cozinha até acertar/Que visão terrível”. Mas a parte que mais define o disco todo diz assim: “Nunca mude, nunca mude, nunca mude…”. Certo. “You Want A Hit” é semelhante aquilo que se ouve quando se liga para as companhias telefônicas, enquanto não somos atendidos. Um loop de um toque telefônico do celular, é o que parece isto – quem duvidar, ouça. Fico por aqui neste CD. Não tem como ouvir mais. Leitores de coragem, ouçam as faixas restantes e postem as impressões nos comentários. Minha gente (isso soa Collor pra caramba!), se querem ouvir um Pop eletrônico classe A, tentem o “Tron Legacy” do Daft Punk, ou o “Zeitgeist” do Tangerine Dream – coisa fina.

Janelle Monáe – The Archandroid
Clique aqui para baixar.

Falando sério, acho até divertido quando vejo na lista dos melhores, ou em destaque, um artista no qual nunca havia ouvido falar e nem conhecia som algum. Assim foi com Janelle, destacada como das melhores artistas, melhor CD e coisa e tal. Segundo o “Wikipédia”: “Janelle Monáe (Kansas, 1 de Dezembro de 1985) é uma cantora, compositora e bailarina norte-americana”. Beleuza. Vamos então dechavar o que a mídia especializada anda endeusando como algo duca. Let’s Start.

Temos “Suite II Overture” de início, clima de começo de filme e tal, orquestra apoteótica mostrando uma baita produça. Empolga um pouco e faz acreditar que vem um baita disco no caminho… Uns pianinhos, vozes estranhas ao fundo e a faixa fica nisso – Ok.  A próxima, “Dance or Die”, vem com percussão, vocal falado no início e alguma empolgação típica pra academias de malhação. Tem um refrãozinho até jóia, solo distorcido, wah, metais, uma salada digna de Prince, mas que apenas promete e não cumpre, indo do nada à lugar algum.  “Faster” vem na sequência, e os mais desatentos nem notarão que é outra “música” – parece mais uma continuação da anterior. “Locked Inside” apresenta, com boa vontade, um disposição em soar um remix de Mariah Carey, com pitadas de Madonna, influências de Earth Wind & Fire, doses de “Motown”… Sei lá, até curti essa, mas algo soa fora de lugar, entretanto não serei injusto: é uma música que pode funcionar bacana durante uma trepada – isso sem dúvida; sexy pacas. Seguimos com “Sir Greendown”, uma baladinha com teclados, climinha viajandão maresia jasco, boa pedida pra preparar um sanduba de mortadela pra acompanhar o restante do post com mais sabor – acompanhado de tubaína de preferência. “Cold War” vem como trilha “lucianohuckista” do post, com aquela animação digna dos melhores caldeirões. Dá até pra imaginar uma moçada sarada e descolada dançando com esta música (esperemos por algum remix no futuro próximo). Chatinha, mas com um solo de guitarra bacana e bem timbrado, justiça seja feita: filé miau! A seguinte, “Tightrope”, assemelha-se a um Rhythm n’ Blues, e traz participação de Big Boi. Você nunca ouviu falar nele? Não? Eu também  não, mas quem se importa? Logo ele aparece nas temidas listas dos melhores, por suposto. Nada que Janet Jackson já não tenha feito mil vezes melhor num passado nem tão distante assim. Mas vá lá, deixa a faixa rolar até o final. Tô parando por aqui, deixando “Neon Gumbo”, espécie de som-macumba rolando, pra escrever o restante deste post. Analisando estes dois discões, me lembrei de um curso que há trocentos anos enrolo para fazer: o de DJ. Porque, putz, se isto aqui é considerado alguns dos melhores lançamentos em música eletrônica e dançante dos últimos momentos, eu tenho chances também nisso. Agora é sério gente: querem ouvir uma boa (relativamente) nova cantora? Tentem Regina Spektor, que tem um trampo super legal, ou ouçam mais um pouco de nossa sempre bem-vinda Alanis, artista fodástica sempre.

Questionamentos debatíveis do autor:

Sem nunca querer ser hype, muito menos dono da razão, vamos nós aos nossos costumeiros questionamentos finais do “Fuja do Hype”.

- Indie ou Mainstream?
Lendo ontem uma resenha do ótimo recente CD do Stone Sour, via “Whiplash”, achei um lance curioso. No fim da resenha o cara que escreveu que “apesar” de estarem entrando no mainstrem, o trabalho é bom e honesto. Daí eu vos pergunto, prezados leitores: essa novelinha de Indie e Mainstream já não deu no saco? Isso pouco importa! O que realmente importa é você botar um vinil ou CD pra rolar, sentir emoção e prazer ouvindo a parada, isso sim. E descobrir artistas que valem à pena, como na seção “Luz no Fim do Túnel”, deste mesmíssimo blog.

- Rock in Rio???
Quando do lançamento do festival no ano passado eu temi pelo previsível. Toda a nata da rapeize nacional, todo mundo juntinho, unido, cantando o hino do festival. Coisa bonita de ser ver, tirando os pormenores, como Sandra de Sá, Ivete Sangalo, NX, o arroz de festa Dinho, e outros mais. O que eu questiono aqui é porque o festival tem esse nome e convida gente como Cláudia Leite, Elton John (apesar de ser um puta de um compositor), Kate Perry, Jota Quest, Rihana, Marcelo Camelo, e atrações questionáveis. Tudo bem, no final, nem é a música que importa, e sim os lucros (sejamos realistas). Espero que seja confirmado o quanto antes o Guns n’ Roses, pra enfim esse festival ter algum sentido real. Como dizia a Plebe Rude, nos 80: “A música não importa, o importante é a renda”. Isso nunca foi mais verdadeiro.

- Super-bandas
Tipo assim galera, basta juntar uns músicos de nome e peso (alguns de peso físico mesmo, tipo Sammy Hagar) pra que se forme uma super-banda? Em alguns casos sim, outros não. Vejamos alguns exemplos de casos que, a meu ver, deram um pouco, muito, ou nada certo. Um pouco certo, por exemplo, foi o Velvet Revolver, formado pelos ex-gunners Duff, Matt (esse um agregado), e Slash, com Scott Weiland (Stone Temple Pilots) nos vocais e o desconhecido Dave Kushner na outra guitarra. Fizeram discos bons, e shows medianos (Em se tratando de sujeitos desse quilate, esperava-se muitíssimo mais e, aliás, ainda se espera). A novela deles em busca de um vocalista continua. Um exemplo de super-banda que pra mim não colou é o Chickenfoot, que juntou Sammy Hagar, o guitarrista Joe Satriani, o baixista Michael Anthony (Van Halen) e o baterista Chad Smith (Red Hot). Resultado? Um disco bem chato, sem direção, uma verdadeira mistureba sonora – vejamos como soará o segundo. Agora nem tudo está perdido no mundo das super-bandas. Audioslave foi uma que rolou e apresentou três putas discos e ótimos shows. Antes não tivessem acabado, pois nem Soundgarden e nem o Rage Against apresentaram resultados musicais tão bacanas quanto ela.

- Volta do Guns original
Essa choradeira toda pela volta do Guns N’ Roses original já deveria ter cessado há mais tempo, até mesmo porque NÃO VAI ACONTECER. Axl atualmente está cercado de músicos muito mais capacitados, concentrados e preparados para levar adiante o legado do Guns, e de acordo com os fóruns mais conceituados do mundo em GNR, novas músicas virão este ano, bem como nova tour – sem contar que Axl ainda deve um bom DVD oficial do New Guns. A gurizada original também segue compondo e lançando: Duff com seu mediano Loaded, Steven Adler com seu meia boca Adler’s Appetite, e Slash, como sempre, comparecendo em qualquer boca-livre que o chame. Izzy segue também sempre lançando seus discos. Veja um show atual do Guns, que qualquer melancolia por uma reunião some na hora. “Chinese” é um passo além, e é pra frente que se anda.

Por enquanto é isto. Comentem, queridos leitores, e vamos que vamos. Em caso de dúvida, sempre FUJA DO HYPE!!!





FUJA DO HYPE – 1ª EDIÇÃO

21 01 2011

Por: Roberto A.

Hello Folks! É com imenso prazer, e algum sarcasmo, que vos apresento a proposta da nova seção fixa do blog menos careta da web: o IMPRENSA ROCKER! Nomeamos isto de “Fuja do Hype”. O Lance aqui será avaliar direitinho se os artistas, sites, manias e etc, que a mídia tenta (e consegue) nos empurrar goela abaixo, é tudo isso mesmo que dizem; ou se, como na maioria esmagadora dos casos, pouco ou nada não vão acrescentar na nossa serena existência. Vamos, idolatrados leitores, colaborar comentando e sugerindo eventuais artistas e temas, pois o compromisso aqui é com vocês, e nada nem ninguém será maquiado, e muito menos poupado.

Bom, quando uma banda que nunca ninguém ouviu falar começa ser muito comentada nos sites e revistas especializadas, temos que avaliar com todo o cuidado, pois costuma ser lobby puro e simples. Ou a gravadora vai lá e molha mão de alguém, ou o jornalista coloca seus favoritos, ou da mãe dele, da namorada, da sogra, sei lá… Mas como eu disse, vamos avaliar certinho tudo isso. Duas bandas que vem sendo muitíssimo comentadas ultimamente são o Vampire Weekend, e o Árcade Fire. Parece até que para ser cool ultimamente, mais vale colocar um nome bizarro e sem sentido, do que as sonoridades propriamente ditas. Mas, imparciais e justos (em tese), analisemos então os mais recentes trabalhos desses sujeitos, pra ver se alguma coisa justifica o hype.

Vampire Weekend – Contra
Tentando não ser do contra, avaliaremos com calma esse cd. “Horchata”, uma mistura de nada com coisa nenhuma, tenta ser World Music, Dance Music, com uns vocais bregas nada a ver. Imagine algo como um pseudo Pet Shop Boys tentando soar convincente, e terá idéia da coisa.  “White Sky”, a segunda, faz a coisa ter ainda menos testosterona (se é que há alguma neste disco). Um som cheio de “lucianohuckismo”, tentando soar agradável e despretensiosa, quando no máximo chega a ser chata, num vocal sem noção a la Kate Bush. Na terceira, vejam só vocês, aparece uma distorçãozinha, mas sem gás algum, sem drive o suficiente; é um Ska dos mais vagabundos que já ouvi – a bobagem  se chama “Holiday”. Rapaz, tem que ter colhões pra continuar ouvindo este CD, mas..vamos lá!

Em “California English” a boneca vocalista solta a franga de vez – saca constrangimento alheio, ou vergonha alheia? é isso! Define perfeitamente bem a “música” (chamar isso de música é sacanagem). Uma banda com uma sonoridade infinitamente mais bacana que esta é o Foals, que recomendo, mas ok, tentarei escutar mais duas ou três desse CD, que a Rolling Stone Brasil colocou como o MELHOR DO ANO DE 2010. “Taxi Cab” vem na sequência, e se você tiver um recém nascido em casa, na falta de algo melhor, coloque essa pro baby dormir. Singela e sem perigo algum, pianinho piegas pacas… Tire sua conclusão. “Run” assusta um pouco no começo, mas piora depois. Meu, chamar de bizarro é ser amigável demais – o som é ruim pra caralho! São as trombetas do apocalipse.

Como eu não consegui ainda sacar a genialidade dos caras, vou tentar mais duas faixas. “Cousins” parece aquelas faixas que você não conseguia ouvir direito nos vinis riscados de sua tia, do tanto que pulava, mas ainda assim dá pra perceber o empenho atlético do vocalista em ser levado a sério. Vamos, sente, pare e escute essa música direito; é um Ska Rock fuleirão, mas com muita vodca e chopes na cachola você pode conseguir ouvi-la toda. Essa combinaria perfeitamente com aqueles programas de auditório onde o povo fica fazendo papel de idiota nos sábados tardão da noite e nos domingos a tarde.

“Giving Up The Sun” começa até legal. Barulhinhos eletrônicos e uma batera enfim viril, com pegada, emulando um “Pet-Depeche-New Order,” e até que inspira alguma pena – se esforçar os cara se esforçaram, isso sem duvida; tem até algumas paradinhas pros indies de plantão acompanharem e cantarem juntos. Bonito. simples assim. Mas, meus caros, paro por aqui com esse “discão”. Mas não serei injusto, alguma utilidade deve haver pra esse “Contra”: ser usado em torturas no Paquistão é uma idéia viável, de repente. Um disco que nos chama de imbecis a nível executivo.

Arcade Fire – The Suburbs
Respire fundo e, após baixar o CD, acompanhe comigo. Começamos emulando Black Crowes, Stones, ou sei lá o que, com “The Suburbs”. Pianinho desleixado, batera descompromissada, numa composição tão legal quanto as filas de engarrafamento de sampa na hora do rush – empolgante que dá gosto. A letra inspiradíssima já dá pistas do que temos aqui: “Mas nos meus sonhos ainda estamos gritando e correndo pelo quintal/E todas as paredes que eles construíram na década de setenta finalmente caíram/E todas as casas que construíram nos anos setenta finalmente caírem, significou nada em tudo/Isso significou nada”. Mas coragem, vamos tentar aprofundar no que a “Rolling Stone Brasil” chama de SEGUNDO MELHOR DISCO DO ANO DE 2010.

Na segunda, “Ready to Go”, tentam dar uma animadinha emulando Strokes ou Cure, mas ainda meio sem sal. Em “Modern Man” dá tempo de você preparar uma pipoca pra se divertir com o resto da resenha, pois a canção é totalmente insípida; parece um Bowie com dengue, cansado e cantando, além de uma guitarrinha que dá vergonha ao ouvir, efeitinhos babaquinhas e bonitinhos. Dá pra perceber o cuidado da produção em tentar fazer disto uma banda fofinha, perfeita pros indies de “all star” amarem (pelo menos até o próximo hype).

Violões aparecem em “Rococó”. Nessa eles vão pro lado Radiohead de inspiração – ao menos, é o que parece. Aqueles ruidozinhos no fundo, só que sem profundidade alguma, repetitiva e enjoativa. E vejam só que refrão relevante: “Rococo, Rococo, Rococo, Rococo,Rococo, Rococo, Rococo, Rococo”. Fodástico hein? “Empty Room” emula um violinozinho no começo e depois vem uma pegadinha rápida acelerada, vocalzinho dobrado, com outro feminino junto. Até empolga – dá pra fazer umas abdominais ouvindo.

Antes que algum leitor já ache que sou um sacana dizendo que é ruim, eu me antecipo: isso é muito, mas muito ruim. Na “City With No Children” eles são todos U2, a partir do título pedante, então vem um baixo com marcação estilo Adam Clayton, e vocal estilo messiânico de Bono. Até palminhas eles colocaram pra dar mais crédito. Como balada não decepciona, mas também não entusiasma, fica naquele meio termo perigoso pra qualquer música, pois se uma música não emociona, e nem desperta nada em você, ela serve para que mesmo?

A falta de identidade sonora da rapeize foi o que mais me impressionou. Colocar um som como “Half Light 1” na sequência foi uma decisão arriscada, pois dá vontade de parar por aqui mesmo a audição do discão do ano. Lenta, arrastada, órgão de igreja, e apelo nenhum. Sentimental pacas. A letra é bonitinha, vejam só: “Corremos pelas ruas que nós conhecemos tão bem/E as casas escondem tanto/Estamos na meia luz/E nenhum de nós pode dizer/Eles escondem o oceano em uma concha”. Bem fofo. Na sequência temos “Half Light 2”, a melhorzinha do disco, trazendo alguma dignidade num popzinho eletrônico até legal. Climinha triste, batidinha disco, vocais a lá Bernard Summer, do New Order.

A seguinte, “Suburban War” é deprê, vazia, lembra um pouco Smiths, e não mantém o pique da anterior. “Month of Way” é uma faixa rapidinha, dançante e não é de todo mal – pode funcionar bem numa seção de power-bike ou durante um eventual chaveco numa boate qualquer. Parece perfeita pras FM’s antenadas por aí… Sinceramente, essa achei ok, o unico senão é que quando não há personalidade num artista, você sempre fica tentando o comparar com algo, e esta, para mim, soa totalmente Strokes – não que isso seja um incômodo ou problema pros caras do Arcade.

“Wasted Hours”, a posterior, pelo seu nome, me fez lembrar que já perdi muito tempo com este disco sofrível. Paro por aqui. P leitor do blog que quiser se aventurar pelo restante do álbum, que coloque suas impressões nos comentários – pra mim já deu de Arcade Fire.

Para ficar mais jogo o objetivo da nova seção, seria coerente vocês leitores baixarem os CD’s mencionados acima, e averiguarem com os próprios ouvidos se exagerei ou amenizei na crítica sobre duas das bandas mais amadas atualmente pela mídia musical. E por gentileza, façam vossos comentários sinceros, pra nossa nova seção ter ainda mais sentido.

VAMPIRE WEEKEND CONTRA
LINK: http://www.4shared.com/file/uWEcZCxg/Vampire_Weekend_-_Contra.htm

ARCADE FIRE – THE SURBURBS
LINK: http://www.4shared.com/file/s978B01_/Arcade_Fire_-_The_Suburbs.htm

Prossigamos então com o “Fuja do Hype – 1ª Edição”… O negócio aqui é não ter rabo preso com nada e nem com ninguém, e até mesmo artistas consagrados e adorados por mim e por Gabriel sofrerão sim críticas, se merecido for. Neste e em todos os textos posteriores desta seção, levantaremos algumas dúvidas e questionamentos, que vêm agora na lata.

O autor pergunta e questiona…

- Qual o mote da reunião do Soundgarden?
Sempre foram uma banda ok, mas claro, nunca chegaram aos pés do Nirvana, nem muito menos tiveram a popularidade do super-estimado Pearl Jam – ainda que sempre houve pegada nos caras e boas músicas nos discos. Mas anunciar aos quatro ventos uma reunião, para no final fazerem apenas três shows e (mais) uma compilação das melhores? Ora, façam o favor! Antes não voltassem. E acaba de ser anunciado um disco ao vivo pra março. Conveniência é isso, a reunião do Soundgarden.

- A música é pra se brincar?
Gente, isso de “Música de Brinquedo”, do Pato Fu, é dos maiores absurdos jamais pensados (que acabou acontecendo). É pra levar a sério? Claro que não. Clássicos da MPB e do Rock destruídos sem critério algum, com instrumentos de brinquedo. Precisa dizer algo mais sobre isso? Fiquem à vontade leitores…

- E esse lobby da Apple nos filmes?
Já deu no saco! Putz, toda porra de filme novo, nêgo tem que estar usando um MacBook ou um iphone. Caralho dona Apple, vocês precisam ainda de mais mídia do que já tem? Quem duvidar que assista os recentes “As Viagens de Gulliver”, ou “72 horas”, e tire suas conclusões. Irrita legal, como também cansa o lobby da coca-cola nesses e em todos filmes.

- O que levou Gilberto Gil a colocar em risco décadas de integridade artística e realizar um show em conjunto com o patético grupo cuiabano Macaco Bong? 
Essa é de difícil resposta. Tentem escutar o disco da banda na íntegra, e quem conseguir, coloque as opiniões nos comentários.

- Teria Slash passado de mito à personagem?

- Quais artistas em fim de carreira nos visitarão este ano?

- Quais artistas oportunistas nos visitarão este ano?

- Parece que é um lance chique curtir os mesmos artistas que todo mundo curte no eixão mas, alguém por gentileza me responda: há mesmo quem ouça o disco (ou o show) inteiro da matogrossense Vanessa da Mata? E a Maria Gadu, alguém identificaria afinal qual a proposta musical da sujeita?
 
- Tostines é fresquinho porque vende mais, ou vende mais porque é fresquinho?

- Qual o destino de Lula pra este ano?

- O que o ministério público ainda espera pra banir de uma vez por todas programas estilo circo dos horrores da programação da TV aberta deste país, como o BBB?

- O que Aerosmith ainda pode oferecer de bom? Baladinhas compostas pelo mesmo cara que compõe pra Celine Dion e Diane Warren, ou será que ainda podemos esperar mais alguns Rocks originais dos tios?

Bom, pra esta primeira edição, é o que há. A qualquer momento voltamos, e lembrem sempre (pois quem avisa, amigo é): FUJA DO HYPE!!!!!

ABRAXXXXXXXXXXXXXXXX








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