
Enviado por: Raquel Hortmann
Fonte: Blabbermouth
O baixista original do Guns n’ Roses, Duff McKagan foi entrevistado ontem, 21 de outubro, na edição matinal do “The BJ Morning Experience”, na rádio “KISW 99.9 FM”, em Seattle, e falou sobre sua aparição surpresa no show do Guns n’ Roses em Londres.
Sobre sua participação no show de sua antiga banda:
“As coisas acontecem na vida, bem loucamente, quando você menos espera que vão acontecer”. “Não falei publicamente sobre isso com ninguém. E realmente, é como… Eu sei que somos pessoas públicas, ou seja lá o que você queira chamar, mas aquilo foi um lance privado, apesar de estarmos num palco tocando em frente a 14 mil pessoas”.
“Ao longo dos anos, especialmente nos negócios e coisas do tipo, se você tem uma ruptura nos negócios, você começa a demonizar o outro. E se esta ruptura é pública, outras pessoas de ajudam a demonizar”.
“Foi meio idiota… Assim que subi no palco na quinta da semana passada, meu e-mail enlouqueceu… Era a “Rolling Stone” e todos os outros, ‘você pode nos dar uma declaração sobre isso?’, e eu não tinha uma declaração”. “Não foi algo tão importante. Foi apenas… Foi ótimo”.
“Fui para Londres na quinta passada. Estava lá a negócios que não tinham nada à ver com música. Fiz o check in no hotel que sempre fico por lá, e o gerente foi me levar ao meu quarto. Então ele fala, ‘você vai tocar hoje a noite?’, e eu disse, ‘não, não, estou aqui a negócios desta vez não irei tocar’. Então ele me olhou de uma forma estranha, ‘O quê? Você não vai tocar esta noite’? Eu não tinha idéia que Axl e o Guns n’ Roses estavam em Londres. Então estávamos subindo no elevador, e ele disse ‘sabe, Axl está no quarto ao lado do seu’. Eu tinha que ir direto para umas reuniões. Todas as reuniões eram… Eu estava numa espécie de sala de reuniões com um quarto – era uma sala de reunião de um lado da parede e um quarto do outro. E eu fui direto para estas reuniões, que eram com pessoas do tipo de ‘Wall Street’. Então era uma reunião bem séria, sobre uns lances no qual trabalhei por um ano. Então lá estou eu nestas reuniões, e mais tarde meu telefone começa a tocar. Eram empresários e gerentes de turnês. A notícia de que eu estava no hotel havia se espalhado. E tudo se resumiu ao simples fato… Axl e eu nos encontramos, nos vimos e nos abraçamos. Fui para o show com ele. Haviam uns caras com nós. Havia muito… Como eu disse antes, você passa por muito coisa nos negócios, e há rupturas e demonizações um do outro, e eu acho que dois velhos amigos apenas talvez tenham superado estas barreiras e tiveram uma bela conversa. Não quero fazer nada aqui que vá baratear aquilo, dizendo qualquer coisa para vocês, mas tivemos um ótimo jantar no dia seguinte ao do show”.
Sobre estar com seu velho amigo novamente:
“Sim, eu sentia falta disto. Verdade. Eu sentia. E não podia ter acontecido de uma forma mais casual, de verdade”.
Sobre a performance:
“Eu estava assistindo o show, e alguém veio até mim com um baixo… Olha, eu não toco ‘You Could Be Mine’ desde 1993. Muitas das outras canções, como ‘Paradise City’, ‘Mr. Brownstone’ e ‘Its So Easy’ eu toquei com o Velvet Revolver ou com o Loaded, mas ‘You Could Be Mine’… Eu fiquei, ‘Meu Deus. Ok, eu consigo. Acho que me lembro. Tem uma ponte aqui…’. Eu havia me esquecido da segunda parte da ponte, e tive que olhar para o braço da guitarra de Bumblefoot e ver qual seria o próximo acorde. Mas, sim, foi divertido. Me diverti muito”.
“Foi um pouco pesado. Quando as pessoas viram… Não foi tão pesado para mim. Eu estava mais preocupado por causa da banda que Axl montou – músicos muito, muito bons e ótimos caras. Conheci Bumblefoot, Tommy e Frank. E, é claro, há Dizzy. É uma ótima banda e não queria fazer nada que diminuisse o que eles estavam fazendo”.
Sobre se isto aumenta as chances de uma reunião da formação clássica do Guns n’ Roses:
“Não tenho nada a dizer sobre isso. Não é… Eu não sei. Não é algo que eu tenho trabalhado ou planejado. Eu trabalho e me organizo para as minhas filhas na escola no próximo ano, para os meus negócios ou até para o Loaded. Mas este tipo de coisa não é algo no qual eu vá sentar e falar, ‘ok, um dia isto vai acontecer’. Aquilo aconteceu e foi surpreendente, e deixou sua marca, sem dúvida. Após o show em Londres, eu poderia ter ganho um jantar grátis ou serviço de motorista grátis em todos os lugares que eu fui em Londres após o show. Eu meio tive que me esconder. Fui ver Ronnie Wood tocar na terça à noite e tive que tomar cuidado com os ‘tubarões’ ao meu redor, até mesmo no show – era um show privado, e lá estavam os tipos empresários e agentes. De repente eu estava mais bonito do que havia sido quando estive em Londres anteriormente, porque todos estavam me elogiando. ‘Ei Duff, você está ótimo’”.
Sobre se ele acha que o fato dele ter trabalhado sozinho nos últimos anos ajudou a tornar este encontro mais tranquilo:
“Bom, para mim, o grande lance é: ‘Qual minha parte nisso’? Todos podemos olhar para o passado e ficar, ‘ele fez isso comigo e…’. Você tem que se afastar e se olhar no espelho. Qual minha parte nisso? E foi nisso que estive trabalhando nos últimos 10 ou 15 anos, mas realmente nos último cinco, e é um trabalho em progresso. Você sempre se pinta de uma forma mais brilhante sobre o passado de sua vida. Eu poderia ter feitos coisas de uma forma diferente – provavelmente às vezes de uma forma bem melhor; às vezes poderia ter feito pior. Mas eu olho para a minha parte e para minha responsabilidade. Sou adulto. Assumo as responsabilidades por mim e por minhas ações hoje em dia. Não tenho nada a temer e não tenho nada do que me envergonhar. O que eu fiz foi o que eu fiz; o que eu farei é o que eu farei. Eu me divirto fazendo isto agora. Todos os dias eu acordo e falo: ‘ok, vamos lá. Hora da diversão’. Tenho sorte de ainda estar aqui e não me esqueço disto nunca”.