NO ESCURINHO DO CINEMA… – PARTE V

12 06 2010

Chegamos à derradeira parte do especial NO ESCURINHO DO CINEMA…, com quatro excelentes obras. Após mais de um mês de filmes Rock n’ Roll, você já tem diversão garantida para os próximos 20 fins de semana, e aguarde que logo teremos outro quadro dedicado à sétima arte.

Sem mais demora: NO ESCURINHO DO CINEMA…, o último capítulo!

School of Rock (Escola do Rock) – 2003

Comédia lançada em 2003, estrelando Jack Black no papel de Dewey Finn, um guitarrista que foi chutado da própria banda, porque, segundo seus companheiros, não tinha a presença de palco adequada (era superativo, fazia stage-divings, solos de guitarra enormes, etc). Resumindo: a banda queria seguir por um caminho mais comercial e faturar a Batalha das Bandas, enquanto Dewey era devoto fervoroso dos mestres do Rock n’ Roll.

Sem trabalho e sem conseguir formar uma nova banda, o músico acaba levando um ultimato da intragável namorada de seu melhor amigo, Ned Schneebly (Mike White, também autor da estória) com quem divide o apartamento: ou arranja dinheiro para sua parte do aluguel ou vai embora. Durante uma tarde de desespero, Dewey coloca algumas de suas guitarras à venda, mas nunca fecha o negócio, porque os potenciais compradores não querem pagar a quantia que ele pede.

Sua sorte muda quando Rosalie Mullins (Joan Cusack), Diretora da Escola Horace Green, uma das instituições de ensino de mais prestígio em Nova Iorque, liga para contratar Ned como professor substituto. Acontece que Dewey foi quem atendeu o telefone e, ao invés de dar o recado para o amigo, resolve se passar por ele para faturar uma grana  e pagar o aluguel.

Sem nenhuma noção de como ministrar uma aula, Dewey simplesmente deixa os alunos fazerem o que querem até a hora de irem embora para casa, entretanto ele descobre que alguns dos alunos são excelentes músicos, o problema é que o estilo ensinado na escola é a Música Clássica. O personagem de Jack Black vê nos alunos – que estão na casa dos 13 – a chance de conseguir sua banda.

A partir daí Dewey se vê numa maratona contra o tempo para conseguir ensinar às crianças as lições do Rock n’ Roll e, desta forma, vencer a Batalha das Bandas.

O roteiro do filme é irretocável. Uma estória simples, mas que te pega de primeira, com personagens extremamente cativantes e situações hilárias. Dewey embebedando a Diretora para conseguir permissão de levar os alunos numa excursão vale o filme. As caras e bocas de Jack Black também garantem boas risadas, sem contar as diversas referências a ídolos e “trejeitos” do Rock n’ Roll.

Mas e a trilha sonora? Caro leitor, a trilha sonora é a coisa mais fodona da história de Hollywood. Saca só a lista de bandas que contribuíram com o filme:

Led Zeppelin, AC/DC, Black Sabbath, The Clash, The Doors, Kiss, Cream, Deep Purple, The Who, Ramones, Metallica, The Darkness, Stevie Nicks, T-Rex, David Bowie, The Stooges, Velvet Underground e mais algumas outras não tão importantes.

Um caso bastante interessante na trilha é a canção do Zeppelin, “Immigrant Song”. É de conhecimento geral que a banda não libera nenhuma de suas canções para fins comerciais, exceção feita ao filme “Almost Famous” (porque Cameron Crowe, autor e diretor da obra, foi o único repórter da revista Rolling Stone, nos anos 70, que falou bem deles) e a este filme.

Para conseguirem a permissão do Zeppelin, o diretor do filme, Richard Linklater, teve a idéia de filmar Jack Black, no palco usado em uma das cenas do filme, implorando para que a banda desse permissão para eles usarem a música, enquanto que atrás dele a platéia torcia e cantava. A fita com esta cena foi enviada diretamente para a banda, e parece que sensibilizou os corações de Page, Plant e Jones.

Em resumo, “Escola do Rock” é um filme muito bom. Tenha certeza de que serão quase duas horas de muita diversão, risadas e Rock n’ Roll!

Pop Rocks (A Era do Rock) – 2004

Este é um filme produzido pelo canal de TV norte-americano, ABC, trazendo nada mais nada menos do que Gary Cole no papel de Jerry Harden, um conservador bancário, que possui esposa e dois filhos, mas que esconde um grande segredo: nos anos 80 ele foi Dagger, o vocalista de uma famosa banda de Hard/Heavy chamada Rock Toxin – que usa maquiagens pesadas à la Kiss e Twisted Sister – que abusava de todos os estereótipos da vida de rockstar.

Após perceber que este estilo de vida acabaria o matando, Jerry decide largar o Rock n’ Roll e se transforma no oposto do que era, deixando para trás tudo por que ele tinha passado. Os problemas começam quando Izzy, o guitarrista maluco de sua antiga banda, chega em sua cidade 20 anos após o fim do grupo, e convida Jerry para reunir a banda para um show.

A princípio o ex-rockeiro nega, mas quando percebe que não conseguirá pagar a faculdade de sua filha mais velha, Jerry topa e começa a viver uma vida dupla. Durante o dia é o conservador banqueiro de sempre, e a noite, em segredo – sua esposa e filhos não sabem do seu passado – se transforma em Dagger, nos ensaios para o show de reunião.

Esta é uma comédia bem interessante, com roteiro bem leve e engraçado. Um filme indicado para quem está à procura de diversão descompromissada e rápida. O problema é que é impossível de se achar este filme em qualquer lugar, inclusive para download. Não entendo como uma empresa se dá o trabalho de produzir um filme para passar na TV, mas não se preocupa em lançá-lo em DVD. Eles iriam ganhar mais dinheiro com isso. Aliás, é quase impossível de achar até fotografias dele (este foi o único filme que não teve a fotografia do pôster publicada aqui).

Se alguém conseguir achá-lo em algum lugar, avisem-nos.

Tenacius D in The Pick of Destiny – 2006

Este filme traz, mais uma vez, o ator mais rocker de Hollywood, Jack Black, no papel de JB. O filme começa com JB criança, a ovelha negra numa família extremamente religiosa cujo patriarca é Meat Loaf. Durante um jantar, o pequeno JB adentra o recinto e começa a tocar e cantar uma música esculachando seus pais e toda sua crença.

Após dar uma boa surra no garoto e arrancar todos os pôsteres do quarto, Meat Loaf sai e bate a porta, revelando o único pôster intacto: o do mestre Ronnie James Dio. O pequeno JB ora para Dio (Deus em italiano) para saber o que fazer, e se surpreende quando a figura no pôster conversa com ele e lhe diz para ir à Hollywood, formar a melhor banda de Rock que já existiu.

Chegando ao seu destino, já adulto, JB encontra KG (Interpretado por Kyle Grass), um violonista de grande talento, e passa a cultuá-lo. Após um incidente, KG leva JB para morar em sua casa e, prometendo um teste em sua banda (ainda em formação), convence o novo amigo a fazer todo o trabalho doméstico de sua casa, dentre outros favores.

Depois que JB descobre que KG é, na verdade, um careca de meia idade que vive sustentado pela mãe, sente-se traído, contudo KG havia comprado um violão para JB com o último cheque enviado por sua mãe, o que sela novamente a amizade entre os dois. Mais do que isso, eles resolvem montar a maior banda de Rock de todos os tempos e, neste meio termo, descobrem o segredo de todos os grandes guitarristas da história: todos eles usaram a mesma palheta: a Palheta do Destino (The Pick of Destiny) que, segundo a lenda, foi feita de um dos dentes do próprio Satã.

Depois da descoberta, os dois iniciam uma busca sagrada pela palheta e, no caminho, acabam se metendo em todo tipo de confusão possível, culminando com uma batalha musical contra o Diabo (Dave Grohl).

Apesar de ainda ser uma ótima comédia, “Tenacious D” fica atrás do “School of Rock”, entretanto esta opinião deve variar de acordo com o gosto pessoal. Além de roteiro espetacular e criativo, o elenco literalmente dá show aqui: Meat Loaf já havia provado sua capacidade como ator e, logicamente, como cantor. Aqui ele mostra os dois ao mesmo tempo, e sai-se muito bem; Jack Black é unanimidade; Kyle Grass se mostrou hilário; Ben Stiller, numa pontinha como vendedor uma loja de instrumentos, mais uma vez detona; Dave Grohl, interpretando o “Pé de Bode”, está irrepreensível; e Dio é o detalhe que torna este filme obrigatório a todos que gostem de Rock n’ Roll.

Across The Universe – 2007

Escrito por Julie Taymor (que também dirigiu o filme), Dick Clement e Ian La Frenais, Across The Universe é um romance musical que, norteado pelo romance entre Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood), conta a história da vida de vários personagens que se encontram durante o filme.

Ambientado na Inglaterra e nos Estados Unidos, no período que compreende os anos de 1965 a 1969, o filme traz um roteiro excelente que, por si só, já valeria a pena assistir, contudo os autores queriam mais. Toda a estória da obra é baseada em canções e no universo dos Beatles, onde, o ocasionalmente, as canções substituem os diálogos, e os personagens possuem nomes relacionados à obra dos Fab Four, começando pelos principais Jude (Hey Jude) e Lucy (Lucy in The Sky With Diamonds).

Temos ainda Maxwell (Maxwell Slver Hammer), Sadie (Sex Sadie), Prudence (Dear Prudence) e Martha (Martha My Dear). Na boa? O filme é quase um pornô para beatlemaníacos. Temos aqui tudo para deixar qualquer fã doido: 34 números musicais, personagens com nome das músicas, personagens que fazem referências a músicas – Jojo (personagem da canção Get Back), Desmond e Molly (personagens da canção Ob-La-Di, Ob-La-Da), cenários do mundo Beatle, etc.

As atuações estão fenomenais, especialmente o ator Joe Anderson (que interpreta Maxwell), as músicas estão com ótimos arranjos, muito bem cantadas e, além de tudo isto, ainda sobra espaço para participações especiais: Joe Cocker (que faz um cafetão, um hippie maluco e um mendigo), Salma Hayek (que faz as enfermeiras na canção Happiness is a Warm Gun) e Bono Vox, a mala do Rock (interpreta Dr. Robert, uma espécie de guru do ácido).

Lançado em 12 de outubro de 2007, Across The Universe foi indicado para um “Globo de Ouro” (categoria melhor filme de comédia ou musical) e para um “Oscar” (categoria melhor figurino).

Se você é do tipo que gosta de romance, assista. Se você é do tipo que gosta de música, assista. Se você é do tipo que gosta musicais, assista. Se você é do tipo que gosta dos Beatles, assista. Se você é do tipo que tem cérebro e coração, assista!

Este foi o último NO ESCURINHO DO CINEMA…, pelo menos com esta temática de Filmes Rock n’ Roll de ficção, mas fiquem atentos que logo logo mais filmes aparecerão por aqui!

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12 responses

14 06 2010
Marcos Gonçalves

Escola de Rock é muito bom!! Across The Universe lembro que assisti e gostei, mas esperava mais. Esses outros dois nunca vi, mas fiquei curioso com o filme do Meat Loaf com MEat Loaf Jr( Jack Black). O Meat sempre canta interpretando, de modo que deveser iteressante ve-lo interpretar cantando.

14 06 2010
Gabriel Gonçalves

O Tenacious D é fantástico, Marquera. O moleque que interpreta Jack Black criança é uma figura! Os trejeitos que ele faz quando canta são iguais aos do JB. Abração!

15 06 2010
Karin

Eu adorei Across the Universe…

Mas vem cá…não vai ter mais “No escurinho do cinema”? Poxa… :(

16 06 2010
Gabriel Gonçalves

Provavelmente o especial vai continuar, mas com outros tipos de filme.

17 06 2010
Antonio

Fala man, passando pra deixar um abraço, os post estão show!! Escurinho do cinema ta bala!! Forte abraço

17 06 2010
Gabriel Gonçalves

Valeu, meu velho! Volte sempre ao blog. Abração.

16 07 2010
everton

nossa muito legal o filme ‘a era do rock’ assisti quando passou no sbt e agora quero baixar mais nao acho em lugar algum.

16 07 2010
Gabriel Gonçalves

Nem fale, Everton. Eu assisti esse filme em alguma canal de tv a cabo, e nunca mais vi passar em lugar nenhum. Também nunca encontrei ele para baixar. Loucura isso! Muito obrigado pela visita e volte sempre, cara!

30 10 2010
Grace Kelly.

Achei que faltou Detroit Rock City na lista, o que é uma pena porque é um dos meus filmes favoritos.
Assisti O Roqueiro esses dias, tem bastante referencia do rock n’ roll anos 80, mas não gostei mto.

Enfim, adorei a lista. Cinema e Rock n’ Roll é uma combinação perfeita, fato.

30 10 2010
Gabriel Gonçalves

É verdade, Grace! Me edsqueci completamente do “Detroit Rock City”, que é um dos meus preferidos (o Kiss e os Beatles são minhas bandas preferidas). “O Roqueiro” é aquele que um baterista das antiga entra na banda do sobrinho moleque? Assiti este há alguns meses e curti, mas não é lá esta coisa toda… Fico feliz que tenha gostado do especial, Grace. Abração!

30 10 2010
Grace Kelly.

Então precisa de uma continuação pra DRC entrar na lista HAUHSUAHSUA. Sim, Kiss é uma das minhas bandas favoritas tbm, junto com o Helloween, Whitesnake, Skid Row, Mr Big, Angra e Guns n’ Roses (é meio grande minha lista rs).
Eu nao gostei mto do filme pq a banda que ele monta com o menino é mto emo >.<
Gostei sim, e mto. Abraço.

30 10 2010
Gabriel Gonçalves

Oi Grace! O Kiss foi uma banda que mudou minha vida, rs. Em 1999 fui para a recuperaçao no colégio, porque saí de Salvador (me mudei de lá para São Paulo em março deste ano) para ver o show do Kiss no autódromo de Interlagos e deixei de fazer duas provas (tinha prova todo sábado onde eu estudava). Quanto ao filme, isso é verdade: a banda era meio emo mesmo, rs… Abração!

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